“Fui demitido como incompetente do JC”, desbafa o cineasta Celso Marconi Lins

Escreve o jornalista Ricardo Antunes: Um dos nosso maiores jornalistas da “velha guarda”, crítico e cineasta fez revelações inéditas sobre sua passagem pelo jornalismo impresso.

Aos 83, Celso Marconi Lins participou da chapa de oposição ao Sindicato, liderada por Talis Andrade, e diz como sobreviveu depois que saiu do jornal. Vale a leitura. Aqui

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Governador Paulo Câmara Ardente prepara a cama do professor Michel Zaidan

Veja quanto a justa de Pernambuco persegue a verdade, e oculta o rombo de oito milhões no estádio que os ladrões construíram na Mata de São Lourenço para a Copa do Mundo

Alex Falco Chang
Alex Falco Chang

No Blog do Jamildo, Michel Zaidan escreve

O convite de Vossa Excelência

Tive a súbita honra de receber, nesta manhã, em minha residência, um jovem e simpático oficial de Justiça convidando-me para uma audiência na 7a Vara da Justiça Criminal de Pernambuco, com o Excelentíssimo Senhor Governador do estado, o sr. Paulo Henrique Saraiva Câmara.

O lacônico e singelo documento, assinado por uma servidor da Justiça chamado Elisan da Silva Francisco, não menciona o assunto. Apenas marca a hora, o dia e o lugar do encontro.

E uma advertência “em se tratando da parte, o não comparecimento da mesma implica na presunção de culpa perante os fatos contra ela alegados (art.343, 1o e 2o do CPC).

Deve ser um privilégio do cargo (não só a celeridade do rito de inculpação), mas o poder de convocar uma pessoa a “prestar depoimento pessoal”, sob assunto não mencionado, sob pena da presunção confessada dos fatos contra si alegados.

Que fatos?

Que denúncias?

Que crimes?

Onde fica a presunção de inocência? O devido processo legal? O direito do contraditório….quando o litigante é o governador do estado?

Por quê Vossa Excelência não teve a gentileza de declinar as razões de tão honroso convite?

– Teria sido, por acaso, pela publicação no Blog de Jamildo de um pedido de explicação sobre as denúncias da Polícia Federal de superfaturamento e favorecimento a uma empresa construtora, por ocasião da contratação das obras da Arena Pernambuco, na operação Fair Play?

Gostaria de dizer que não fui denunciado pela PF nessa operação. Não tenho ligações com a Construtora Odebrecht, não fui beneficiado pelo favoritismo da “concorrência”. Não sou servidor público estadual e nem tenho negócios com o estado.

SOU PROFESSOR TITULAR DA UFPE, e não moro na Várzea.

Na breve convivência com a “entourage” do ex-governador, seja nas reuniões de Boa Viagem, seja em sua mansão do Sítio dos Pintos, ou na Pousada de Olinda, não tive o prazer de conhecer o digno mandatário.

Tive sim com o prefeito Geraldo Júlio, na Assembléia Legislativa. Para mim, é frustrante ser convidado por ele, sem saber exatamente de que se trata.

Candidamente, o portador do convite perguntou se era proibido fazer crítica às autoridades públicas em nosso estado. Ou se o estado tinha dono. Pura inocência, a dele!

Um mandatário popular (prefeito, governador, presidente) recebe uma autorização pelo voto para tomar decisões políticas e administrativas, respeitando os comandos constitucionais e as demais leis do país e do estado. Ele, portanto, deve satisfação aos seus representados.

Não pode prometer uma coisa e fazer outra. Ou seja, um auditor de contas, transformado em secretário da Fazenda e eleito governador, não pode simplesmente alegar o desconhecimento de fatos graves, como o “rombo” de 8.000.000.000 nas contas estaduais, atender às exigências de pagamento da Arena Pernambuco (40.000.000) e dizer que não tem dinheiro para a educação, a saúde, a segurança pública, o esgotamento sanitário, o poder judiciário etc.

E colocar a culpa no governo federal ou no ajuste fiscal ou na lei de responsabilidade fiscal ou na crise mundial ou seja lá no que for.

É como se praticasse um estelionato eleitoral para com os eleitores, aproveitando a comoção pública pela morte do seu patrono político.

Como dizia o outro, quem não tem competência, não se estabelece.

O que não dá é para o povo de Pernambuco aguentar as consequências desse descalabro administrativo, pela eleição de um gestor que pressupunha um chefe ou um comandante que desapareceu. E agora Jose? Para onde?

Aqueles que confiaram o seu voto e mesmo os que não confiaram o seu ao atual governador do Estado têm todo o direito de saber o que aconteceu com as contas públicas de Pernambuco e qual a relação da política e dos políticos pernambucanos com as denúncias publicizadas com a delação premiada dos réus da Operação Lava Jato, da construção da Refinaria Abreu e Lima e, agora, da Arena Pernambuco.

É sobre esses assuntos que o governador quer conversar?

OUTRO LADO:

O Blog de Jamildo entrou em contato com a assessoria do governador, que declarou que não vai se pronunciar sobre o assunto.

Nota do editor deste blogue: O caso Zaidan pode ser uma repetição do caso Ricardo Antunes, preso político do governador Eduardo Campos, que odiava a claridade. Veja link. 

Pernambuco está assim: Todo mundo é livre para meter o pau em Dilma, em Lula, e calar qualquer crítica sobre os becos e ruas escuras de Pernambuco.

Que reine as trevas!

Alex: Duas vezes preso pela ditadura militar

O Papa da Crônica Social

 

por Fernando Machado

 

“Eu não quero realismo. / Eu quero magia. Magia. / É isso o que eu tento dar às pessoas. / Eu transfiguro as coisas. / Eu não digo a verdade. Eu digo o que deveria ser a verdade”. É uma frase de Blanche DuBois do filme Um Bonde Chamado Desejo interpretado por Vivien Leigh que divide a telona com Marlon Brando, era um pensamento que Alex gostava de interpretar para os amigos mais íntimos. Nunca entendi o porque e agora muito menos. Alex pertencia a linhagem eruditos que encarava o jornalismo como uma máquina de emoção.

Alex de black-tie e com sua inseparável máquina de datilografia
Alex de black-tie e com sua inseparável máquina de datilografia

Pois bem, foi encerrada, hoje com a sua morte, uma das mais importantes páginas da história social pernambucana. Alex ajudou a escrever os momentos mais curiosos, mais encantadores e mais corajosos de nossa vida na sociedade. Conquistou leitores de peso como Gilberto Freyre, Nilo Pereira, Mauro Mota, Marcos Vilaça etc. Com o tempo foi relegado a um segundo plano mesmo depois de ter sido alçado como um símbolo do autentico cronista mundano. E os pernambucanos passaram a reverenciá-lo como um símbolo autentico da intelectualidade.

Alex pelo pincel de Walter Vieira
Alex pelo pincel de Walter Vieira

Alex, ou melhor José de Sousa Alencar, com s, nasceu no dia 5 de agosto de 1926, em Água Branca, Alagoas. Estreou no jornalismo no Diário de Pernambuco, no inicio dos anos 50, como critico de cinema e com o pseudônimo de Ralph. Ele era um apaixonado pela sétima arte, tanto que, em 1952, foi assistente do filme O Canto do Mar, dirigido por Alberto Cavalcanti. Em 1958 foi convocado por Esmaragdo Marroquim para o Jornal do Commercio, onde assumiu a coluna social do matutino, marcando época e criando um colunismo social moderno, onde ficou até 1997.

Alex entrevistando o ator e agora padre José Ramos (Foto Clovis Campelo)
Alex entrevistando o ator e agora padre José Ramos (Foto Clovis Campelo)

Algum tempo depois o Jornal do Commercio dispensou e foi a partir dai que aconteceu seu ocaso espiritual. Alex estava para o Jornal do Commercio como João Alberto está para o Diário de Pernambuco. Alex carregou o Jornal do Commercio durante toda crise, exigindo dos amigos que fizessem uma assinatura do jornal. E como ele tinha prestigio e fama se transformou no papa da crônica social de Pernambuco. Foi uma vitima do preconceito, principalmente na época dos trotes das universidades do Recife, era o alvo dos feras.

Nelbe Souza, Zayra Pimentel e Sonia Maria Campos (Fotos da Coluna de Alex no JC)
Nelbe Souza, Zayra Pimentel e Sonia Maria Campos (Fotos da Coluna de Alex no JC)

E num ato de rebeldia transformou, Consuelá, um travesti, num ícone das paginas sociais da região. Muitas socialites não engoliram isso. Foi um grande mestre. Em dezembro de 1972 iniciei no jornalismo com ele por indicação da jornalista Leticia Lins. Trabalhei ao seu lado e Silvio Niceas por 24 anos, com direito a um hiato de três anos quando fui trabalhar no Diário de Pernambuco. Alex foi o primeiro cronista social a entrar na Academia Pernambucana de Letras,. Foi eleito no dia 2 de julho de 1970, e empossado no dia 4 de agosto de 1970, sendo saudado pela Acadêmica Dulce Chacon na cadeira número 10 que pertencia a Cleofas Oliveira.

Fernando Machado, Muciolo Ferreira e Alex no dia que completou 87 anos (Foto Romero )
Fernando Machado, Muciolo Ferreira e Alex no dia que completou 87 anos (Foto Romero )

Escreveu cinco livros e num deles O Tempo não Retorna frisou que a solidão foi uma fera que aprendeu a domesticar. No livro Anotações do Cotidiano refletiu melhor: “Quinze anos depois eu percebo que há um pouco de charme e de pretensa literatura na confissão, mas é falsa”. Também coordenou o Miss Pernambuco de 1956 (Nelbe Souza), 1957 (Zayra Pimentel) e 1958 (Sônia Maria Campos). Foi a primeira pessoa a entrar no ar na TV Jornal do Commercio, onde apresentou por muitos anos o programa Hora do Coquetel, ao lado de uma de suas musas Violeta Botelho.

Violeta Botelho Maia a musa de Alex (Fotos Clóvis Campelo)
Violeta Botelho Maia a musa de Alex (Fotos Clóvis Campelo)

Alex teve papel importante nos bailes municipais do Recife. Foi ideia dele usar o primeiro andar do Clube Português do Recife para camarotes. Um gesto muito bonito e digno de registrar, quando Alex foi afastado do Jornal do Commercio, coube a Eduardo Monteiro ao convidá-lo para trabalhar na Folha de Pernambuco. Poderia escrever muito mais, porém a tristeza que estou passando não vai dar para dizer mais nada, apenas ratificar Alex, você foi um dos monstros sagrados no jornalismo pernambucano. E como frisava Ibrahim Sued: Sorry, periferia!

 

Transcrevi trechos do necrológio escrito por Fernando Machado. Que foi republicado no Facebook por vários jornalistas. E com os devidos comentários:

Aldira Alves Porto: Um sábado triste

Helio Garret Vasconcelos: Fez muito pelo jornal escrito

Ricardo Antunes: Morreu triste e magoado com muita gente que lhe paparicava quanto tinha poder e a coluna

Raimundo Carrero: Uma grande pena, de verdade…

Talis Andrade: Alex me confidenciou que foi preso duas vezes pelos militares. Sequestrado para informar os nomes dos jovens oficiais homossexuais, como se fosse possível um cronista social possuir a chave de todos os armários. E como castigo, por ter informado que o viúvo Castelo Branco estava noivo de uma pernambucana, tia de um jornalista que trabalhou na sucursal do JB com Ricardo Noblat, também amigo meu, e que até hoje faz parte da equipe de jornalistas de José de Souza Alencar, membro da Academia Pernambucana de Letras. Pela manhã, na redação vazia do Jornal do Comércio e Diário da Noite, encontrei Alex várias vezes. Ele ia redigir suas críticas de cinema e teatro; eu, para fechar o Diário da Noite, e pela amizade com as revisoras – na época, final dos anos 50, a única presença feminina na imprensa pernambucana, totalmente machista. Alex terminou fazendo apenas crônica social, e escrevendo sobre comportamento e costumes. Foi humilhantemente encostado pela atual direção do Jornal do Comércio. Eu, quando diretor responsável do JC, tive a honra de colocar na Carteira de Trabalho dele a promoção de repórter para redator.

Raimundo Carrero: Muito bom texto, Talis…

Gilvandro Filho: Morre Alex

Alexandra Torres: Que ele tenha um bom regresso à Pátria Maior. Deus o abençoe.

Ana Aragao: O fim de uma era

Liborio Melo: Trabalhei anos com ele, no Jornal do Commercio. Figura humana única.

Sergio Moury Fernandes: Grande figura humana. Descanse em paz

alex foca

Ivan Maurício: O repórter policial José de Souza Alencar, o Alex, no começo de sua carreira, fazendo um “bico” no “Diario de Pernambuco” (foto).

Alex é alagoano de Água Branca e seu primeiro emprego em Pernambuco foi na Prefeitura do Recife nomeado por Miguel Arraes.

Alex também foi crítico de cinema no “Jornal do Commercio”, com o pseudônimo de Ralph, e ganhou notoriedade como cronista social.

Como escritor foi integrante da Academia Pernambucana de Letras.

Foi, arbitraria e injustamente, preso durante o regime militar.

Tenho em meu poder (só não consegui encontrar agora) a entrevista de Alex ao “Jornal da Cidade” onde ele relata em detalhes sua prisão pelo DOI-CODI. Na época, ele pediu para que não publicássemos pois ainda vivia atormentado com a violência que sofreu.

Assim que achar este texto publicarei aqui no Facebook.

Fica a minha homenagem a esse companheiro que muito dignificou a profissão de jornalista. Culto, preparado e íntegro.

Viva Alex!!!

O menino de 11 anos que procurou a justiça

Bernardo Boldrini, 11 anos, procurou o Ministério Público por conta própria, pedindo para não morar mais com o pai e a madrasta. E indicou duas famílias com as quais gostaria de ficar.

Em janeiro, o menino esteve no MP de Três Passos, no Rio Grande do Sul, e relatou detalhes de sua rotina, marcada pela indiferença e pelo desamor na casa em que vivia. O pai, o médico Leandro Boldrini, 38 anos, a madrasta, a enfermeira Graciele Ugulini, 32, e uma meia-irmã, de um ano — de quem relatou ser proibido de se aproximar.

O juiz da Vara da Infância e da Juventude do Fórum de Três Passos, Fernando Vieira dos Santos, 34 anos, chorou ao lembrar que o caso do menino passou pelas mãos dele no processo movido pelo Ministério Público do município. O garoto pediu ajuda ao Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, órgão ligado à prefeitura, e a queixa chegou ao MP, que a transformou em um processo. A ação acabou na mesa de Santos, que intimou as partes. Como não havia registro de violência física, o magistrado optou por tentar preservar os laços familiares, suspendendo o processo por 60 dias para dar chance de uma reaproximação.

A negligência afetiva em relação a Bernardo chegou ao conhecimento do MP em meados de novembro. Na ocasião, um expediente foi instaurado para apurar o caso. A promotora da Infância e da Juventude de Três Passos, Dinamárcia Maciel de Oliveira, pediu informações a órgãos da rede de proteção, como o Conselho Tutelar e a escola em que o menino estudava, e fez levantamentos sobre parentes que poderiam assumir a guarda do menino.

No início do ano, Bernardo foi levado ao MP por um agente da rede de proteção. Apesar de ter negado sofrer maus-tratos e violência, disse que o pai era indiferente e que a madrasta implicava com ele. No fim de janeiro, a promotora ingressou com ação na Justiça pedindo que a guarda provisória fosse dada à avó materna, que mora em Santa Maria (RS). Desde então, nenhuma informação sobre problemas na relação familiar chegou ao MP.

Bernardo Uglione Boldrini desapareceu no dia 4 deste mês, quando foi assassinado com uma injeção letal aplicada pela madrasta enfermeira, e o corpo ocultado em uma cova cavada em um matagal próximo ao leito do rio Mico, em Frederico Westphalen.

Foi a denúncia do menino que fez a polícia, desde o início das investigações, a suspeitar que os assassinos eram o pai e a madrasta.

BRA_DG ninguém cuidou de marcelo

 

Noelia Brito: Esse caso é um dos mais absurdos de conivência da justiça com a violência contra as crianças. O casal é de psicopatas sádicos que deveriam ter sido avaliados minuciosamente por profissionais capacitados. Quantos casos de violência doméstica não estarão sendo tratados com desleixo por nossas autoridades nesse exato momento?

Renato Janine Ribeiro: Nesse crime horroroso que terá sido o assassinato do pequeno Bernardo pela madrasta e pelo pai, me choca saber que o garoto, com apenas 11 anos, foi reclamar ao Conselho Tutelar – e não adiantou nada. Isso não o salvou. O juiz agora chora. Mas não seria melhor, nesses casos, proteger o indefeso? Se uma ação tão difícil quanto uma criança procurar o órgão competente – o que exige um nível de formação elevado – não dá certo, o que fazer para evitar novos infanticídios a domicílio?

Prazeres Barros: Fiquei chocada com esse caso. Como pode um PAI tratar o filho com tanto desprezo e indiferença? E a madrasta bandida que no perfil no Facebook ( fui olhar), além de não ter uma foto do garoto, não faz nenhuma referência a ele. É como se não existisse. Todos merecem apodrecer na cadeia, mas o pai é o pior para mim, pois cabia a ele a defesa do filho.

Rosemary Siqueira: OS MAGISTRADOS TAMBÉM TEM SUA CULPA, DEPOIS DA CRIANÇA TER IDO AO FÓRUM FAZER A DENÚNCIA, O JUIZ ACEITA E/OU PROPÕE UM ACORDO DE CONVIVÊNCIA MELHOR ENTRE PAI E FILHO, MAS NÃO ACOMPANHA … É COMO SE DISSESSE: ” PROBLEMA RESOLVIDO”

José Mário: Só pra constar, conselho tutelar hoje é mero aparelhamento dos governos…

Ricardo Antunes: Na dúvida o juiz deveria ter optado pelo que dizia a criança. Foi acreditar no pai e o garoto morreu duas vezes como disse em belo texto o professor Talis Andrade. É a justiça dos poderosos.

Janise Carvalho: Quando pensei que já tinha visto de tudo, o caso Nardoni volta a assombrar nossas noites: Me perguntando quantos Nardoni’s ainda precisamos conhecer

 

Graciele Uglini e Leandro Boldrini
Graciele Uglini e Leandro Boldrini

In Noelia Brito 

Ricardo Antunes processa o Estado e segue sem poder citar o nome do banqueiro Antonio Lavareda

A injusta e arbitrária prisão de Ricardo Antunes, em Pernambuco, como “jornalista inimigo” e “perigoso para a ordem pública”, criou um precedente nazi-fascista que hoje mantém encarcerado Marco Aurélio Carone em Minas Gerais. E serve de nefasto, kafkiano paradigma para acorrentar e amordaçar outros jornalistas neste ano eleitoral. Estão envolvidos nos dois episódios os presenciáveis Eduardo Campos e Aécio Neves. Nada democrático. Coisa de quem ama a escuridão da censura. Coisa de inimigo da claridade – a verdade.

 

TJ-PE decidiu que caso Ricardo Antunes não irá ao STF (Imagem: Reprodução/ABI)
TJ-PE decidiu que caso Ricardo Antunes não irá ao STF (Imagem: Reprodução/ABI)

Noticia o maior portal de jornalistas, Comunique-se: O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE) negou a subida do recurso extraordinário impetrado pelos advogados do jornalista Ricardo Antunes que solicitavam que o processo, ao qual o profissional está envolvido, fosse remetido ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Proibido de citar o nome do publicitário e empresário Antonio Lavareda, ele está processando o Estado por danos morais.

A decisão do desembargador atendeu ao pedido dos advogados de Lavareda que há mais de um ano trava uma briga judicial contra Antunes, editor do blog leituracritica.com, a quem acusa de tê-lo chantageado. O jornalista ficou preso, no Recife, por quatro meses (outubro 2012 / fevereiro 2013). Na época, a página denunciou uma série de licitações ganhas por empresas controladas pelo publicitário.

Os advogados de Lavareda solicitaram que fosse ordenado a “retenção” dos autos do recurso extraordinário, impossibilitando que o processo no qual proíbe Antunes de mencionar o nome do marqueteiro em qualquer veículo de comunicação seja apreciado em Brasília como queriam os advogados do jornalista. A solicitação da equipe de Lavareda foi aceita pelo TJ-PE.

Para a advogada Noelia Brito, representante de Antunes, a decisão confirma a tendência do tribunal em instaurar um regime de censura a liberdade de imprensa em Pernambuco. “Infelizmente, o TJ-PE vem descumprindo sistematicamente a constituição que proíbe a censura prévia contra jornalista e qualquer cidadão”.

“Na verdade, com essa decisão, o TJ quer impedir que o Supremo desfaça as flagrantes inconstitucionalidades dessas decisões. Recentemente o mesmo empresário ganhou uma licitação de publicidade de R$ 25 milhões. Tem muito poder e muita influência”, afirma a Noelia, para quem a decisão repercutirá negativamente em todo o Brasil e é uma “afronta” a liberdade de expressão no Brasil.

O embate Lavareda-Antunes resultou em ações de entidades de comunicação. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) já divulgaram notas em solidariedade ao jornalista e contra o que chamam de “cerceamento” da livre manifestação e demonstraram preocupação com a judicialização dos processos contra jornalistas.

No caso envolvendo Antunes e Lavareda, hoje apresentador da Bandnews TV, a primeira instância negou o pedido do marqueteiro, quando a juíza Catarina Vila Nova defendeu, em seu despacho, a liberdade de imprensa e não viu, por parte do jornalista, qualquer calúnia ou difamação no blog. Até o momento, a defesa do publicitário não se pronunciou. Veja a íntegra da decisão de Catarina: http://bit.ly/1jwFlM9

 

 

Vendedores de fantasias e mentiras com o dinheiro do povo

tv televisão persuasão apatia

A Folha de S. Paulo escreve editorial para denunciar que o governador Eduardo Campos aumentou as despesas com publicidade do seu governo em 42,9 por cento este ano.  Quantos bilhões ele gastou apenas em 2013? Dinheiro torrado em sua campanha antecipada para presidente da República.

Diz o jornal paulista: “Não é exclusividade sua o pretexto da ‘utilidade pública’ ou da necessidade de ‘prestar contas’ para veicular autoelogios”.

Geraldo Alckmin também duplicou os gastos mensais em publicidade, para promover sua reeleicão, e perpetuar os governos tucanos em São Paulo. Dinheiro acrescido com as propinas recebidas desde os tempos de Covas e José Serra.

Esqueceu a Folha o governo de Minas, também dos tucanos, que pretende eleger Aécio Neves presidente.

Em Pernambuco, quem critica Eduardo Campos termina na cadeia. O jornalista Ricardo Antunes ficou preso mais de seis meses. Em Minas, por mostrar o verdadeiro Aécio, o jornalista Marco Aurélio Carone continua preso.

Ricardo e Marco Aurélio foram classificados pela justiça capacho como “jornalistas inimigos” e indivíduos “perigosos para a ordem pública”.

A procuradora Noélia Brito disse tudo: “Aqui em Pernambuco, se você posta no seu blog os processos que certas ‘otoridades’ respondem na Justiça aparecem uns juízes e uns desembargadores estranhos pra lhe censurar…Muito estranho isso, vocês não acham não? Censurar informação que você tirou do diário oficial ou do site da própria justiça? Sei não, sei não…”

E acrescentou: “Hi, rapaz! Não há quem aguente mais as falácias do Menudo-Rei…”

Para a Folha de S. Paulo: “Pior ainda: o dinheiro do contribuinte não serve só para custear a promoção eleitoral sorrateira, mas também para beneficiar agências publicitárias que depois também farão o marketing dos candidatos.
É o caso da Link Bagg, encarregada da propaganda do governo pernambucano, que tem a sua frente o publicitário de Eduardo Campos, também coordenador da campanha eleitoral do prefeito do Recife, Geraldo Júlio, do mesmo PSB”.

Link Bagg vai realizar um campanha podre, podre de rica. Propagar os nomes dos proprietários pode dar cadeia. Idem a gastança do dinheiro.

Dinheiro nosso, contribuinte; dinheiro do povo, que paga impostos indiretos; dinheiro que enche o rabo da Link Bagg e outros amigos do Menudo-Rei.

Esquecem Midas e mídias que propaganda cara não elege ninguém.

persuasão polícia mente indignados

Censura. Aécio Neves quer apagar o passado

Dario Castillejos
Dario Castillejos

O senador tucano Aécio Neves, pré-candidato à Presidência da República, teve negado pela Justiça de São Paulo dois pedidos de bloqueio em links de sites e perfis em redes sociais que relacionam seu nome ao “uso de entorpecentes” e desvio de dinheiro durante a gestão como governador de Minas Gerais. As ações têm como alvos os sites de busca Google, Yahoo! e Bing, e pedem a exclusão de notícias e remoção de sugestões de pesquisas.

O tucano não conseguiu derrubar as notícias na primeira instância, no caso da ação sobre desvio de verbas, e entrou com um recurso, com pedido de liminar. No processo, os advogados do Google disseram que Aécio “parece sensível demais às críticas sobre sua atuação”. A empresa afirmou ainda que é impossível retirar o conteúdo do ar sem prejudicar outras buscas relacionadas ao nome do senador.

A ação que busca excluir postagens que vinculam o nome de Aécio ao consumo de drogas corre em segredo de Justiça e foi iniciada em dezembro de 2013.

Por ter comprovado o uso de drogas (socorro de emergência em hospitais), o jornalista Marco Aurélio Carone está preso em Minas Gerais, numa armação idêntica que o jornalista Ricardo Antunes sofreu da polícia de Pernambuco. A prisão de Ricardo criou o precedente da criação da figura criminosa “jornalista inimigo” e “perigoso para a ordem pública”.

Aécio responde a vários processos, e além do perdão da justiça, pretende que sua vida pública seja segredo de justiça.

Os eleitores precisam conhecer os candidatos,  inclusive a vida privada, em atos e fatos que são do interesse público.

A censura, imposta por todos regimes ditatoriais, permite a eleição de candidatos corruptos, induz o eleitor ao erro, dificulta a escolha do melhor candidato, impede o voto certo, facilita a fraude.

O povo sempre escolhe o melhor, desde que tenha acesso às informações. Uma eleição com censura não é democrática.

indignados voto ficha suja