Ex-senador Gilberto Miranda, o “vivo” senhor, que reina no porto seguro da Ilha das Cabras

Na His Brasil, o reinado da corrupção

O Brasil tem várias encantadas ilhas, uma delas a das Cabras (aliás existem várias ilhas com este nome para confundir qualquer investigação, ou levantamento do mapa das desconhecidas ilhas oceânicas, marítimas e fluviais do Brasil).

Cada ilha tem um rei, concessão dada pelo governo. Como acontece nas ilhas das Cabras.

Senhor da Ilha das Cabras

Do povo, fato (*), ninguém escuta o balido. Condenado a viver na miséria. Apesar do slogan de Dilma:

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Em uma das ilhas das Cabras, ou dos cabras, reina o ex-senador Gilberto Miranda com o poder de indicar diretores de agências reguladoras dos altos preços dos serviços essenciais para o povo, fato, e das concessões das riquezas do Brasil para corsários e piratas.

Ex-senador Gilberto Miranda
Ex-senador Gilberto Miranda

A revista Época conta uma das histórias de enriquecimento rápido e constante de Gilberto Miranda:

Ex-senador Gilberto Miranda, conhecido como uma das pessoas mais influentes na Zona Franca de Manaus. Miranda fez fortuna intermediando negócios para indústrias que se instalaram na Amazônia, onde contam com abatimentos de impostos. Depois de se envolver em vários lances polêmicos nos anos 90, ele andava sumido. Agora, volta em seu melhor estilo com os celulares da Vivo.

Embora seja chamado de empresário, ninguém sabe dizer exatamente o que Gilberto Miranda faz. Na concorrência dos celulares, é a mesma coisa. Suas pegadas estão por lá, mas, por alguma razão, ninguém explica claramente o motivo.

Gilberto Miranda fez sua fortuna, estimada em centenas de milhões de dólares, como sócio das indústrias que se instalavam em Manaus. Influente, ele ajudava empresas a obter as licenças para abrir suas fábricas e ganhava em troca participação no capital das companhias, algumas de grande porte, como as filiais da IBM e da Xerox. Mais tarde, revendia as ações para as próprias empresas. Isso foi muito comum no auge na Zona Franca, 30 anos atrás. Até hoje o ex-senador é poderoso na Amazônia. “Temos de levar em conta cada centavo de custo na cadeia produtiva, incluindo a viabilidade dos incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus”, respondeu Gauch, da Vitelcom, ao ser questionado sobre a razão que levaria Miranda a tornar-se sócio da empresa na fabricação de celulares. O executivo afirma que a fábrica de celulares ainda pode ir para outro Estado. No passado, Miranda teve contrato para fabricar telefones em Manaus para a Vitelcom. “Era outra época”, diz Gauch.

Uma das maiores qualidades de Miranda como empresário é sua capacidade de sedução. Filho de um tintureiro pobre do interior de São Paulo, ele foi professor de natação e estudou Direito, em Brasília. Teve seu primeiro contato com a Zona Franca de Manaus ao defender uma empresa acusada de contrabando de máquinas de calcular. Há 30 anos, possuía um Passat e um patrimônio de US$ 10 mil. Foi quando abriu sua primeira empresa em Manaus. De lá para cá, sua vida mudou muito. Bon vivant, dono da Ilha das Cabras, no litoral de São Paulo, vive cercado de belas mulheres e costuma ser generoso com os amigos. Também ficou conhecido por ajudar os companheiros de política, cedendo jatinhos para as campanhas eleitorais. Transcrevi trechos. Leia mais. Fique conhecendo mais uma história das privatizações do Brasil do estado mínimo da globalização unilateral. Conheça a outra ilha de Gilberto Miranda: a de Bagres

Ilha das Cabras de Gilberto Mirada
Ilha das Cabras de Gilberto Mirada

(*) Coletivo de cabra

Concessão de ilha no Brasil é um bilionário presente do Governo, dado de graça. Veja galeria de fotos.

Vários cabra safados e empresas receberam ilhas doadas, inclusive existe uma lista de ilhas para vender na internet. Quem vai investigar essa safadeza?

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Por que esqueceram o homem da ANA de imensos recursos hídricos?

Dois irmãos poderosos. Toda imprensa noticiou o feito. Mas nem governo nem oposição quer conversa com o homem da ANA. É! neste angu tem caroço. Chamaram apenas o irmão que pilota a aviação civil. Puro balão que vai estourar no ar sem atingir nenhum vivente aqui na terra. Constitui um belo jogo pirotécnico, para estes dias pré-natalinos. Apenas isso.

Escreve Carlos Newton: Apesar da blindagem determinada pelo governo para abafar a Operação Porto Seguro, as coisas começam a melhorar no Congresso. Na Comissão de Constituição e Justiça, os governistas tiveram de fazer acordo com a Oposição e foi aprovado convite aos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Luís Inácio Adams (Advocacia Geral da União) para prestarem depoimento sobre a instigante investigação da Polícia Federal.

Simultaneamente, numa manobra bem executada pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR), a Oposição conseguiu quebrar o bloqueio do governo e aprovou na Comissão de Infraestrutura do Senado um convite para Rubens Vieira, diretor afastado da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), prestar depoimento sobre a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal.

Como se sabe, Rubens Vieira é um dos “Irmãos Metralha” do esquema criminoso. Ao lado do irmão Paulo Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), ele está indiciado por envolvimento no esquema de corrupção por ter pedido a empresários “favores” sugeridos por Rosemary Novoa Noronha, ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo. Ela teria exigido vantagens financeiras em troca de ajudar o esquema dentro do governo. [Propositamente não chamaram Paulo Vieira. Que empresários? Ou melhor declarado: que empresas? São poderosas multinacionais]

recursos hidricos no brasil

 Informa o G1 (Globo): (…) No Congresso, não tem perdão: vacilou, um lado sempre aproveita o cochilo. Na quarta-feira (28), foi o governo. Os senadores demoraram a chegar na comissão de infraestrutura e a oposição conseguiu aprovar o requerimento que chama para depor, como convidado, o ex-diretor da Anac, Rubens Rodrigues Vieira. Paulo Vieira, apontado como o chefe do esquema, tem um patrimônio milionário, segundo o Ministério Público. Ele é dono da faculdade FACIC, em Cruzeiro, no estado de São Paulo, comprou quatro apartamentos na capital paulista e um carro de R$ 300 mil – tudo em nome de terceiros – e tem mais de R$ 1 milhão aplicados em contas bancárias.A oposição insiste: quer que Paulo Vieira vá dar explicações no Congresso. Já fez vários pedidos, todos barrados pela base aliada do governo, que vem usando a estratégia para derrubar pedidos de convites e convocações de outros envolvidos no caso.Mas, em um momento de descuido – porque os governistas demoraram a chegar na sessão – acabou sendo aprovada a vinda do irmão de Paulo, Rubens Vieira, também investigado. [No Congresso tem perdão, sim! Por que não aproveitaram o descuido para chamar os dois irmãos? Por que esqueceram o homem da ANA, o citado Paulo, o verdadeiro chefe da sacanagem de entrega dos recursos hídricos do Brasil? Tem perdão, sim, da Oposição, da imprensa, da politicagem. Tem perdão, sim, exclusivo para o blindado irmão Paulo].
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“Ele (o Rubens)  é peça da quadrilha. Ele integra a quadrilha e, certamente, terá que dizer qual foi sua participação nesse esquema de corrupção”, afirmou o senador Álvaro Dias. [E o irmão Paulo, rejeitado senhor da águas, das águas doces e salgadas, do azul dos rios, das cachoeiras, dos lagos, das fontes d’água, dos aquíferos, dos verdes mares com suas ilhas encantadas?
Do irmão Paulo, o destino de ser recebido, cívica e festivamente, com o Hino Nacional: Ouviram do Ipiranga/ As margens plácidas/ E em todos os rios/ De um povo roubado,/ O brado retumbante,/ E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,/ Brilhou no céu de Paulo nesse instante].
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Estado de Minas: A oposição desmoronou a blindagem da base aliada no Senado e aprovou um convite para que Rubens Vieira compareça à Comissão de Infraestrutura, na semana que vem, para prestar esclarecimentos sobre a Operação Porto Seguro. Vieira está preso desde sexta-feira, quando a Polícia Federal deflagrou a ação. Os senadores também convocaram o diretor da Anac Marcelo Guaranys. E só não conseguiram emplacar a convocação da ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo Rosemary Noronha porque o requerimento não foi colocado em votação.
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A tática de guerrilha adotada pelos oposicionistas – de espalhar diversos requerimentos em várias comissões da Câmara e do Senado – deu certo pela primeira vez desde que o início da crise política. No dia anterior, os aliados aceitaram a convocação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. “Quem deve vir ao Senado prestar esclarecimentos são ministros ou diretores de agências. Os demais que respondam o que tem de responder à polícia”, respondeu o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro, irritado com a convocação de Rubens Vieira.

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Pinheiro disse que a base concorda com a presença de Marcelo Guaranys. “Sobre Rubens, deixa para o Alvaro (Alvaro Dias, senador tucano responsável pelo requerimento) o trabalho para tirá-lo da cadeia e trazer para cá”, prosseguiu o petista. Tanto ele quanto o líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE), não estavam na Comissão de Infraestrutura quando o requerimento foi aprovado. “Aproveitamos que não tinha ninguém e aprovamos a vinda de Rubens em votação simbólica”, comemorou Álvaro Dias. [Festejou a vinda de Rubens. Talvez chorasse se fosse o Paulo]

Operação Porto Seguro. Autocensura da imprensa

A Operação Porto Seguro vai ser tratada superficialmente pela Grande Imprensa, que todos os envolvidos são protegidos das multinacionais favorecidas pela Ana (Agência Nacional de Águas) e pela Angu (Agência Nacional de Aviação Civil).

A Ana fez de Paulo Rodrigues Vieira o governador geral das ilhas do Brasil, e rei das águas tão cobiçadas pelas fábricas de bebidas fria e quente. São poderosas multinacionais donas dos nossos aquíferos – a maior e mais valorizada riqueza do Brasil, explorada pelos corsários estrangeiros. Inclusive existe uma velha notícia escondida de que o Brasil deu o Aquífero Guarani aos Estados Unidos como garantia de uma dívida jamais auditada.

Nenhum geógrafo conhece o mapa das ilhas do Brasil. Foi retirado da internet e dos livros didáticos e enciclopédias. Favorecidamente Paulo Rodrigues Vieira sabe o caminho das ilhas.

A Operação Porto Segurou apenas desencantou uma única ilha – a das Cabras. O assunto ilha é tabu. Eu tinha um blogue Ilhas do Brasil. Sofreu apagão.

Garanto que Paulo Rodrigues Vieira é figura intocável. “Imexivel” , diria o ministro Magri.

Hoje a Folha deu uma prova de como vai se comportar a imprensa. Publica uma entrevista de Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, que negou nesta quinta-feira ter cometido tráfico de influência ou qualquer ato de corrupção.

A imprensa e a oposição queriam apenas fazer marolas golpistas com a Operação Porto Seguro. Dilma Rousseff agiu certo e rápido: demitiu toda a gangue. Não sobrou nenhuma cabeça.

Que a imprensa faça o chamado jornalismo investigativo. Lanço o desafio:

O tráfico de influência da gangue não ficou apenas nessa de nomear parentes. Favoreceu poderosas empresas. Quais?

Por que o Brasil é o maior importador de água do mundo? Água para o gado dos latifúndios. Água para os latifúndios de soja, de milho, de cana – a chamada lavoura de exportação. Trata-se de água imprestável para o consumo humano.

Falta água no mundo! A doce água doce de beber. A água de beber, camará, que sai do Brasil engarrafada para vários países.

Folha de São Paulo

Quem investigará se Ricardo Antunes sofre tortura?

No próximo dia 5 de dezembro,  Ricardo Antunes completará dois meses de prisão secreta em algum presídio do governo de Pernambuco. Correm diferentes boatos de tortura. As provas que a polícia tem apenas confirmam que Ricardo vinha realizando um jornalismo de oposição aos governos de Pernambuco e  prefeitura do Recife, poderes aliados e vitoriosos nas últimas eleições municipais. E como fechar um inquérito que visa trancafiar e amordaçar Ricardo Antunes até as eleições presidenciais de outubro de 2014, devendo o governador – conforme anunciou – renunciar o cargo em março?

Ricardo foi transformado no Assange do governador Eduardo Campos – o Assange  exilado no pequeno e pobre escritório da embaixada do Equador em Londres.

A Reuters (que faz propaganda para o Reino Unido)  chama Assange de “dedo duro”:

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange [que completa hoje 163 dias de confinamento na embaixada do Equador em Londres] minimizou as preocupações com sua saúde, dizendo que gosta de estar no meio de uma tempestade jurídica e diplomática.

Assange, de 41 anos, cujo site irritou os EUA ao divulgar milhares de documentos diplomáticos secretos, refugiou-se na embaixada para evitar ser extraditado da Grã-Bretanha para a Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais [o estupro de duas prostitutas em uma suruba].

O Equador lhe concedeu asilo, mas ele pode ser preso se deixar o local, que tem imunidade perante as autoridades britânicas. Nesta semana, as autoridades equatorianas disseram que o ex-hacker sofre de uma doença pulmonar crônica, em decorrência do prolongado confinamento.

Vestindo terno escuro e uma camisa branca com abotoaduras prateadas no formato das letras W e L, Assange não aparentava ter problemas de saúde. [Não aparentava… coisa de olho clínico].

“O confinamento, as circunstâncias são obviamente difíceis”, foi tudo o que Assange disse ao ser questionado pela Reuters sobre sua saúde.

“Eu prefiro desfrutar do fato de ser tratado por toda essa tempestade. Só se vive uma vez, então é importante que façamos algo significativo com o nosso tempo”, disse ele. Confira aqui  

Considerado parceiro de Assange, Manning vem sofrendo torturas. Não sei se Pernambuco continua matriculando alunos para a Escola das América. 31 brasileiros estudaram nesse centro de formação de ditadores e golpistas no ano passado.

Pelos relatos, Ricardo passa pela mesma via crucis. Mas parece que a justiça decidiu criar coragem. Informa a agência EFE d’Espanha:

La jueza que lleva el caso de Bradley Manning, acusado de filtrar miles de documentos a WikiLeaks, escuchará hoy el testimonio de algunos de los responsables de la prisión de Quantico (Virginia) donde está recluido tras su detención en 2010.

La coronel Denise Lind llamará a testificar a dos de los responsables de la prisión y a miembros del equipo médico que supervisó el estado de salud de Manning, adelantaron fuentes jurídicas militares.

La nueva serie de audiencias que comienzan hoy en la base militar de Fort Meade (Maryland) y que se extenderán hasta el domingo, ha generado gran expectación ya que está previsto que por primera vez testifique el soldado, aunque no en esta primera sesión.

Manning fue detenido en mayo de 2010 en Irak, donde trabajaba como analista de inteligencia, y fue trasladado a la prisión de Quantico (Virginia), donde estuvo sometido a un régimen de vigilancia especial, que su abogado civil David Coombs ha calificado como “punitivo”.

Coombs denuncia que su cliente fue ubicado en una celda de un metro por dos metros, vigilado constantemente por un guardia, y que se le obligaba a levantarse a las cinco de la mañana y a permanecer despierto hasta las diez de la noche.

Según el abogado, no se le permitía tumbarse, ni apoyarse contra la pared y tenía que permanecer erguido en todo momento. Cuando salía de la celda era esposado de pies y manos y acompañado por dos guardas.

Además, del 29 de julio de 2010 al 10 de diciembre de ese mismo año sólo se le permitió salir al aire libre 20 minutos al día y tenía entre 3 y 5 minutos para tomar una ducha, que eran los dos únicos momentos del día en los que salía de la celda.

El abogado denuncia además que los guardas tenían que verificar constantemente que Manning se encontraba bien y si por la noche se cubría y no podían verle le despertaban, además, no se apagaban todas las luces.

Para que no se autolesionara sólo se le permitía comer con una cuchara y se le servían todas las comidas solo en su celda para evitar el contacto con otros reclusos, con los que además se le prohibió hablar.

Manning, de 24 años, está acusado de transferir miles de documentos clasificados a la red WikiLeaks

Juiz da Operação Monte Carlo acusa desembargador de favorecer Cachoeira

O juiz da Operação Monte Carlo, Alderico Rocha Santos, enviou um ofício de três folhas com críticas ao desembargador Tourinho Neto, responsável pelo caso no Tribunal Regional Federal, em Brasília. Santos diz no documento que Tourinho “tem imposto constrangimentos e elevada carga de estresse” a ele e a outros dois magistrados que atuam no processo onde figuram Carlinhos Cachoeira e outros réus. O juiz também acusou o desembargador de beneficiar o bicheiro com fases processuais que não estão previstas na lei.

O texto é uma resposta da 11ª Vara da Justiça Federal de Goiás a uma reclamação protocolada no TRF pelo laboratório farmacêutico Vitapan, que tem como sócios Andréa Aprígio de Souza e Adriano Aprígio de Souza, respectivamente ex-mulher e ex-cunhado de Cachoeira. A empresa alegou que o juiz teria desrespeitado uma decisão do TRF sobre o bloqueio de suas contas bancárias. Diante da reclamação, Tourinho teria enviado a Alderico um pedido de explicações.

Cachoeira sai da cadeia pros braços…
… da musa da CPI

O desembargador, por diversas vezes, mandou soltar Cachoeira, sem sucesso. O contraventor deixou a Penitenciária da Papuda na última terça, graças a um alvará de soltura. “Este juiz, não cassou ou sequer afrontou a decisão da 2ª Seção desse tribunal. (…) A decisão deste juiz, ora recorrida, fundou-se em novos elementos de provas colhidos no bojo de inquéritos policiais instaurados para apurar crimes de lavagem de dinheiro por parte dos sócios e “laranjas” da empresa Vitapan”, afirmou Santos no ofício.

“A propósito, causam estranheza os termos censórios utilizados por esse doutor relator, tanto em relação a este juiz quanto aos demais colegas que atuaram no processo, Paulo Augusto Moreira Lima e Daniel Guerra Alves, do tipo “o juiz está na iminência de pular o corguinho” (…), tendo em vista que se tratam de valorosos juízes, honestos, éticos e que não possuem qualquer interessa na causa ou de descumprir ordem de Instância Superior.”

Santos colocou ainda que nem os advogados, que geralmente agem por pressão de seus constituintes ou imbuídos de paixão pela causa, usam termos “grosseiros” como os utilizados pelo desembargador. Segundo o juiz, as palavras usadas passam a ideia falsa aos demais membros da Corte de Justiça de que os juízes de primeira instância estariam “apaixonados pela causa”. “Não é verdade, pois são magistrados, profissionais e corajosos, talvez não tão quanto Vossa Excelência, por ter a coragem de ser o mesmo magistrado a suspender um processo e depois reconhecer o excesso de prazo”, criticou, se referindo a liminar concedida por Tourinho que suspendeu o processo contra Cachoeira.

Por fim, o juiz disse que enviou cópia do ofício para o Ministério Público Federal a fim de ser investigada a prática de improbidade administrativa. “Quer seja por parte deste magistrado ou do doutor relator (Tourinho)“.

Delta, uma empresa que nasceu em Pernambuco, comeu 170 milhões do governador Eduardo Campos

por Ricardo Antunes, antes de ser preso no dia 5 de outubro último

(…) Em menos de dois anos, o governo Eduardo Campos já repassou à Delta cerca de R$ 170 milhões.

Vamos ver se as auditorias prometidas para olhar com lupa os contratos da empreiteira com o Estado também não são meros tapa-buracos…

Afinal de contas, quanto desse dinheiro foi pago por serviços realizados de fato? E quanto poderia ser recuperado?

Provavelmente nada, como de nada adianta o discurso de austeridade em relação à Delta, a esta altura.

Ou seja, no Brasil, o crime compensa.

[A empresa Delta foi fundada em Recife por um pernambucano. Não vou citar o nome. Trata-se de um empresário exemplar. O filho mudou o endereço da sede para o Rio de Janeiro. Deu no que deu. Talvez esta notícia indique que nem todos os negócios da Delta eram sujos. Quero apenas demonstrar que as relações de Ricardo Antunes com Eduardo Campos não eram amigáveis. E que a prisão de Ricardo foi discutida em um jantar no Palácio das Princesas entre Antônio Lavareda e o governador. Dois ou três dias depois Ricardo estava preso pela Sorbonne].

Julgamento de Ricardo Antunes pela polícia política do governador Eduardo Campos

Governador Eduardo Campos
Uma notícia de Antônio Lavareda vale um milhão de dólares

A polícia julgou e ponto final: Ricardo Antunes publicou artigos para chantagear e extorsionar o banqueiro, industrial, empresário, cientista político, publicitário, sociológo, pesquisador, marqueteiro e bacharel em Jornalismo Antônio Lavareda. Assim sentenciado, martelo batido e pronta furada, Ricardo Antunes apodrece incomunicável em uma prisão de segurança máxima sob rumor de tortura física. Quem mandou mexer com um homem rico de títulos e botijas de ouro e prata e personagem de uma misteriosa notícia que vale um milhão de dólares.

Escreve  Vladimir Bergier Dietrichkeit:

Acima de tudo como cidadão, apresento para apreciação uma análise que envolve a Polícia Federal e o Poder Judiciário.

O governo brasileiro tradicionalmente rasga dinheiro ao privilegiar juristas na fase policial. Ao invés de identificação e investigação de fatos, este mau direcionamento do investimento traz para a fase policial tentativas precoces de julgamento dos fatos.

Estes julgamentos preliminares acabam sendo descartados na fase judicial, única etapa em que o réu possui direito à ampla defesa, de acordo com os melhores costumes das sociedades democráticas. Ou, na melhor das hipóteses, substituem o papel do juiz, que ganha muito bem para julgar os fatos e, convenhamos, deve realmente ser muito mais especializado e preparado para julgar.

O Brasil precisa decidir se investe nos juristas juízes ou nos juristas policiais. Investir em ambos é rasgar dinheiro em uma das duas fases, pois ambas acabam realizando a mesma função de julgar.

Ainda que o Brasil possua absoluta soberania para inovar em qualquer área, não faz mal ao nosso país conhecer a decisão de todos os outros países: sociedades democráticas deixam o julgamento para o Poder Judiciário, não para a fase policial.

Se ainda assim o Brasil optar por inovar, por alguma razão, é preciso considerar que somente na fase judicial, dentro do Poder Judiciário, o réu possui direito à ampla defesa.

A própria existência do Poder Judiciário e também a aqui mencionada ampla defesa são características marcantes de países democráticos. Não se deve, via de regra, inovar muito nesta área, sob pena de colocar em xeque a própria democracia.

Por isto, peço a atenção dos brasileiros para que ajudem a Polícia Federal a criar uma polícia mais moderna.

No Brasil, a modernização da polícia, a começar pelo seu maior espelho, a Polícia Federal, passa pelo grande desafio de torná-la menos jurista e mais investigativa, separando bem as diferentes fases do ciclo que abrange a investigação e o posterior julgamento de um crime.

Nesta democrática concepção, a fase investigativa alimenta o Poder Judiciário, que julga. Uma fase investigativa bem realizada permite ao Judiciário julgar com vigor e confiança.

Desta forma, o investigador precisa levar os fatos da maneira mais completa e preservada possível para o Poder Judiciário julgar e fazer justiça.

O cientista policial que gosta de ou tende a querer julgar, acaba também por interpretar os fatos, deixando de preservá-los com a neutralidade que os verdadeiros cientistas exercem. O perigo científico de prejulgar fica evidente na inesquecível experiência de medir a força da gravidade, durante meu curso de engenharia. Todo estudante de engenharia sabe que a força de gravidade vale 10 metros por segundo ao quadrado ou, mais precisamente, sua aceleração vale 9,8 m/s2.

Naquele dia de medições, tutorado por um veterano cientista indiano, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, derrubávamos bolinhas de chumbo de determinada altura e medíamos o tempo de queda.

Guardadas as devidas proporções, ocorre na polícia brasileira atualmente o que aconteceu naquela aula de física na USP. Precocemente preocupados com que o resultado de suas medições fosse próximo de 9,8 m/s2, os alunos usavam suas calculadoras para confirmar se os tempos de medição estavam condizentes com o real valor da aceleração da gravidade, de 9,8 m/s2.

Não demorou nada para que alunos arredondassem medições dos tempos de queda, adicionando meio segundo aqui, retirando um terço de segundo ali, para que na média o tempo final resultasse em 9,8 m/s2.

Fosse por falta de confiança em suas medições, fosse por verdadeira manipulação dos dados, os valores que apareciam no cronômetro não entravam incólumes nos relatórios científicos. Ao contrário, eram modificados, não por coincidência, resultando em uma média igual ao valor conhecido da aceleração da força da gravidade: invariavelmente 9,8m/s2. Os alunos cientistas estavam atuando mais com a calculadora do que com o cronômetro.  Estavam julgando os tempos medidos ao invés de anotando-os.

Em um dia de sorte, com o espírito destacado desta necessidade generalizada de controlar e julgar medições científicas, o então estudante, ainda jovem, que aqui escreve, resolveu simplesmente anotar os tempos medidos.

Na maior lição de ciências, aplicável em qualquer ciência, inclusive na ciência policial hoje, o resultado de minhas medições não igualou o valor da aceleração da gravidade, conhecida por todos nós.

Neste momento aparece o grande desafio do cientista, e não do julgador: enquanto os demais alunos entregaram relatórios de uma folha, em que a média dos tempos medidos e levemente manipulados condizia com o valor conhecido da aceleração da gravidade, o aluno de então gastou seis vezes mais folhas, buscando identificar e investigar quais os possíveis outros fatos e fatores que poderiam ter influenciado o resultado de valor diferente.

Ao jovem cientista coube, então, relatar ainda mais fatos e explicar cientificamente as hipóteses que poderiam ter ajudado à bolinha de chumbo a não cair no tempo correspondente à aceleração da gravidade conhecida. Vento, inclinação da mesa, análise da propagação de erros; psicologia do momento da soltura da bolinha de chumbo com a mão; relação entre o olho humano, o dedo soltando a bolinha e apertando o cronômetro tiveram que ser investigados.

Assim deve ser a polícia brasileira, a começar por sua maior e mais bem conceituada referência nacional, a Polícia Federal: mais fatos e fatores devem ser identificados e investigados, e não julgados.

Este iniciante cientista teve muito mais trabalho intelectual e investigativo do que teria tido se simplesmente tivesse manipulado ou arredondado as medições e obtido 9,8m/s2, entregando um relatório curto e preciso.

Todo cientista passa por esta lição algum dia e, se nunca passou por esta, não é um cientista: cuidado ao ler seus artigos, pois podem ter sido manipulados. Também passara por esta lição o veterano cientista indiano, titular da cadeira no laboratório de Física da renomada Escola Politécnica da USP.

Ciente do grande valor da ciência em medir, anotar, identificar, investigar, medir mais e anotar mais, e não medir e manipular os dados de acordo com o que se espera deles, o professor teve a oportunidade de ensinar uma grande lição a este aluno, que (modéstia às favas) acabou premiado com nota dez, a primeira nota máxima atribuída por aquele professor, há anos como titular.

O policial é um cientista dos fatos, não um julgador dos fatos. A Polícia Federal pode ser a primeira a focar os investimentos em seus policiais-cientistas, e não em policiais-juristas.

Não há polícias-juristas no mundo, não só porque a fase policial não contempla o direito à ampla defesa, como também porque no mínimo estas polícias-juristas desperdiçam o dinheiro pago pelo contribuinte ao Poder Judiciário, que resta especializado em julgar à toa.

Mude ou não o nome dos cargos, escrivães, agentes e papiloscopistas, os EPAs, são os cientistas multidisciplinares da Polícia Federal. São equipes de EPAs que possuem contabilistas, economistas e matemáticos para detectar e rastrear bens frutos de lavagem de dinheiro.

Também são equipes de EPAs que podem planejar e implementar o único grande golpe contra as organizações criminosas multimilionárias, cujos integrantes não se importam com as grades temporárias de uma cela, mas em sair delas e voltar a encontrar intactas suas fortunas, obtidas após anos ou décadas de atividade criminosa. Esta, aliás, é uma grande preocupação mundial: a contabilidade e administração do crime organizado.

São igualmente equipes de EPAs federais que contam com engenheiros elétricos, de software, cientistas da informação, cientistas políticos e administradores de empresas para, num esforço científico multidisciplinar, estabelecer desde relacionamentos que sugerem e criam informações policiais críticas, passando por convênios políticos que agrupam variadas fontes de informação, até a criação de ferramentas internas, super-especializadas e não licitáveis, que analisem de forma automatizada e permanente todo este fluxo de informações.

A Polícia Federal e a população ainda não conhecem a dimensão do poder que é ter cientistas policiais automatizando a rede de informações aeroportuárias, marítimas, rodoviárias, estabelecendo alertas de inteligência policial, que possam detectar os diversos padrões de comportamento criminoso, anulando rotas inteiras de um crime, e não apenas noticiando cinco, dez ou vinte prisões em flagrante ao ano, enquanto a rota criminosa segue vigorosa com sua contabilidade em dia, todos os dias.

A mesma inteligência científica interna e não licitável tem o condão de atuar nos locais em que mais se pode prevenir grandes montantes de desvios de verbas públicas, como no INSS, agências reguladoras, fraudes trabalhistas, que teria capacidade de eliminar ciclos completos de fraudes, permanentemente, de maneira inédita, em vez de uma, duas ou três operações midiáticas por ano, que não chegam a abalar o fluxo habitual do crime.

A análise dos fatos é tão científica que necessita de um EPA federal, sociólogo ou psicólogo, para detectar porque o sistema prisional em más condições obriga presidiários a pagarem taxas de proteção. Sabe-se que a organização criminosa do PCC, por exemplo, é mais fruto de políticas governamentais equivocadas, que obra de um grupo de detentos criativos.

É intrínseco ao EPA contador, economista e administrador identificar e investigar como uma organização envolvendo presidiários montaria uma folha de pagamentos em formato de seguro-presídio, com contribuições de presos e criminosos em liberdade, cuja mensalidade em dia é o seguro privado e ilícito que vende, para os participantes do mundo do crime, a segurança e bem estar, quando inevitavelmente chegar o momento do criminoso ingressar em um dos vários presídios com superlotação.

Também são esses mesmos cientistas que possuem a capacidade de identificar e investigar em quanto tempo uma organização como esta se expande no tempo e também geograficamente. A análise financeira permite prever quando uma organização deste porte atinge o momento em que passa a ter excedentes financeiros. Ou como tal organização poderá investir os excedentes financeiros de origem ilícita, por exemplo, no financiamento de ações criminosas ainda maiores e mais complexas, como o furto ao Banco Central, em Fortaleza, em 2005.

Tudo isto independentemente do policial engenheiro tratar de coordenar estratégia de impedimento ou de interceptação de dados de internet e de ligações telefônicas de dentro dos presídios, de acordo com a necessidade de prevenção e repressão de crimes, de maneira ostensiva ou discreta.

Sem prejuízo da capacidade de detectar lideranças e neutralizá-las, sob o sofisticado ponto de vista do EPA federal administrador de empresa, cientista político, sociólogo, muito além do ponto de vista restrito de uma viatura policial levando um preso de um lugar físico para outro.

A Polícia é uma ciência dos fatos, de campo, multidisciplinar, preferencialmente preventiva. Possui muitas análises científico-investigativas especializadas para efetuar por si só, preferencialmente preventivas, de análise de informação e análise social, e também repressivas, e não possui tempo para se especializar em julgar, diminuindo as funções do Poder Judiciário, que já conta com uma estrutura enorme e super-especializada, independente e garantidor da democracia.

O Brasil vai continuar perdendo oportunidades na luta contra o crime, enquanto não investir em uma Polícia Federal cientista investigativa, ao invés de jurista, preservando os dados como um verdadeiro cientista policial deve fazer, para entregar ao Poder Judiciário, especializado em julgar e com o dever de decidir.

Fonte: Agência Fenapef