Eduardo Cunha o diabo insecreto

Eduardo Cunha é o político perfeito do século XIX que acha que o século XXI não é suficiente para o desmascarar.

por Miguel Esteves Cardoso
Público/ Portugal


Continuo fascinado pelos protagonistas do impeachment da Presidente Dilma Rousseff. O vilão mais Dickensiano é Eduardo Cunha, o Presidente da Câmara dos Deputados.

Eduardo Cunha é sublimemente descarado. Arnaldo Jabor e muitas outras pessoas inteligentes dizem que ele é um psicopata. Mas com admiração. E como quem o desculpa: os psicopatas não sentem culpa.

Eduardo Cunha não é apenas um beato hipócrita cuja fé em Deus não é abalada pelo pragmatismo de ter milhões de francos suiços em bancos da mesma nacionalidade.

Eduardo Cunha, quando votou pelo impeachment da Presidente Dilma, disse “Que Deus tenha misericórdia desta nação. Voto sim”.

Eduardo Cunha é membro da igreja Assembleia de Deus. Quando fala faz questão de aborrecer quem o ouve. É esse o toque de génio: não quer passar por esperto. Ouvi-lo falar é como morrer devagarinho.

Defende-se – mas pouco. O valente deputado Glauber Braga, quando votou contra o impeachment da Presidente Dilma, começou assim: “Eduardo Cunha, você é um gangster (…) A sua carreira cheira a enxofre (…) Eu voto Não”.

Eduardo Cunha apresentou-o com uma frieza e exactidão que mostraram logo quem dominava não só o reino do Mal como o reino do Bom.

Há, na representação política brasileira, uma sinceridade que revela a gula e as vantagens da corrupção. Eduardo Cunha é o político perfeito do século XIX que acha que o século XXI não é suficiente para o desmascarar.

Jair Bolsonaro é apenas um fascista estúpido.

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Pastor Marcos Pereira preso por estupro, lavagem de dinheiro

O pastor Marcos Pereira, fundador da Assembléia de Deus dos Últimos Dias, foi preso acusado de diversos crimes, tais como estupro e lavagem de dinheiro.

Na política, apoiou o cantor Waguinho como candidato a senador em 2010, e a prefeito de Nova Iguaçu em 2012.

Esses pastores, esses pastores praticam crimes, e os fiéis esquecem. Veja a página de Marcos Pereira no Facebook.

“Com que intenção a prisão do pastor foi feita em plena Via Dutra, e com repórteres já presentes? Mesmo não tendo domínio de todos os fatos, o Verdade Gospel e o Pr. Silas Malafaia, mediante aos fatos mencionados aqui, acham estranhíssimo a prisão do Pr. Marcos Pereira”, questionando a cobertura da imprensa.

O juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, condenou o pastor Marcos Pereira da Silva a 15 anos de prisão por estupro. Segundo os autos, o crime foi cometido no final de 2006 contra uma seguidora nas dependências da igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias.

“As testemunhas ouvidas relatam com firmeza como o acusado é uma pessoa manipuladora, fria, só pensa em si, utilizando-se das pessoas para satisfazer seus instintos mais primitivos e de forma promíscua, utiliza da boa-fé das pessoas para enganá-las. Pelo exposto e por tudo que dos autos consta, julgo procedente a pretensão punitiva para condenar Marcos Pereira da Silva”, diz a sentença, segundo o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio).

O MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) denunciou o pastor Marcos Pereira e Márcio Nepomuceno dos Santos, conhecido como “Marcinho VP”, pelo crime de associação ao tráfico. O órgão solicitou ainda o pedido de prisão preventiva dos dois.

Segundo o promotor Alexandre Murilo Graça, a associação dos denunciados para o tráfico de drogas começou em 1993, época em que o religioso fazia trabalho de evangelização em presídios, delegacias e comunidades dominadas pelo tráfico. Já Marcinho VP começava a ascender na estrutura do “Comando Vermelho”, organização da qual é um dos principais chefes.

O pastor, como aponta a denúncia, começou como “pombo correio”, levando ordens de chefes do tráfico que estavam presos para as comunidades onde atuavam, aproveitando-se do fato de ter acesso aos presos. Nas comunidades cariocas –principalmente nos complexos do Alemão e da Penha– outros religiosos eram ameaçados e impedidos de realizar seus cultos, o que fortalecia a igreja de Pereira.

Só na cidade do Rio de Janeiro existem mais de mil e cem favelas, todas dominadas pelos traficantes, pelas milícias e os pastores. Assim são eleitos vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores, prefeitos e governadores.

O pastor Marcos Pereira não passou um ano preso. E mais poder vai ter essa gentalha no governo teocrata de Michel Temer-Eduardo Cunha.

Abençoado por Malafaia e Feliciano, Temer pretende instalar um teocracia no Brasil

Sem apoio popular, com um rejeição de 99 por cento, Michel Temer, para conseguir adeptos, pretende instalar no Brasil uma teocracia (do grego Teo: Deus + cracia: poder), sistema de governo em que as ações políticas, jurídicas e policiais são submetidas às normas de algumas religiões.

Também motiva Temer uma vingança contra o Papa Francisco, e os bispos católicos brasileiros que assinaram manifesto contra o golpe. O vencedor do prêmio Nobel da Paz em 1980, Adolfo Pérez Esquivel revelou, em entrevista ao jornalista Darío Pignotti, do jornal Página 12, Argentina, que levou à presidente Dilma Rousseff o apoio do Papa Francisco.

“O papa Francisco está muito preocupado com o que está acontecendo no Brasil; tudo isso vai trazer consequências negativas para toda a região e teremos um grave retrocesso democrático.”

Esquivel se reuniu com a presidente Dilma Rousseff e depois, no Senado, denunciou o golpe da tribuna, sob protestos de opositores como Ronaldo Sepulcro Caiado de Branco (DEM-GO), que exigiram que a palavra golpe fosse retirada das notas taquigráficas.

Esquivel disse ainda que vai escrever ao Papa sobre os acontecimentos no Brasil e afirmou que o impeachment não passa de um golpe brando. Ele também disse que Dilma é uma mulher honesta denunciada por corruptos.

 

BÊNÇÃO DE MALAFAIA E AS MULHERES DÓ LAR

 

O primeiro a abençoar Temer, foi o deputado Silas Malafaia, que votou na Câmara dos Deputados pela cassação de Dilma.

O pastor e líder do Ministério Vitória em Cristo, ligado à Assembleia de Deus. Malafaia, considerado um pastor evangélico com posições de extrema-direita, é um crítico feroz do governo da presidente Dilma Rousseff.

Segundo o ex-candidato à Presidência da República e presidente do Partido Social Cristão (PSC), Pastor Everaldo, “na oração, ele [pastor Silas Malafaia] desejou que Deus dê sabedoria ao vice-presidente para que ele dirija a nação para tirá-la do fundo do poço”. O pastor Everaldo foi o responsável pelo encontro.

O presidente do PSC diz que se a presidente Dilma tivesse “o mínimo de bom senso renunciaria ao cargo antes que o Senado faça a sessão de admissibilidade do processo de impeachment”.

Ele também disse considerar um “golpe” a ideia de antecipar as eleições presidências. “Isso seria um golpe e não é previsto na Constituição Federal”, afirmou. Temer também chamou de golpe a possibilidade de antecipação das eleições.

Em apoio  à revista Veja, que publicou reportagem anunciando que Marcela Temer, a terceira ou quarta esposa do vice que traiu Dilma, é “bela, recatada e do lar“, a mulher de Malafaia lançou uma campanha indicando que o lugar ideal da mulher continua na cozinha.

campanha para valorizar as mulheres dó lar foi resumida na proposta da pastora  Ana  Paula Valadão: As “mulheres vitoriosas” deveriam postar no seu Facebook, Instagram e Twitter, uma foto com a sua família (filhos e marido), ou uma foto com um avental, ou lavando louça, ou com o bebê no colo, para mostrar que elas cuidam do lar”.

Escondeu a pastora Ana Paula que Elizete  Malafaia tem se revelado uma excelente e atuante executiva, além de exercer as funções de pastora, administra a editora Central Gospel.

 

Temer pede oração a Feliciano, que “ordena” que os demônios saiam do Brasil

 

por Leonardo Miazzo

 

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), apelou a evangélicos ligados ao deputado federal pastor Marco Feliciano (PSC-SP). Em vídeo enviado ao encontro Gildeões Missionários, em Camboriú (SC), no último sábado (30), Temer pediu “orações pelo Brasil” e “para mim mesmo”. Feliciano conduziu uma oração dizendo que o Brasil vai se tornar “uma nação poderosa” e que as pessoas que estão na pobreza “não passarão mais fome”.

Apesar de ser um dos articuladores da derrubada de um governo pelo qual foi eleito vive, Temer insinuou que o governo petista é que prega a cisão dos brasileiros. “Nos últimos tempos, tem sido muito pregada a desunião do Brasil, ou seja, brasileiros contra brasileiros, que desautoriza qualquer proposta de harmonia no nosso país.” Temer tratou o pastor como “velho amigo e companheiro de lutas políticas”, e o chamou de “Marcos” repetidamente na gravação.

O vice foi muito saudado por Feliciano, tido como uma das lideranças do fundamentalismo religioso no Congresso e uma das expressões da chamada bancada BBB (bíblia, bala e boi), defensor de projetos como a Cura Gay, a Proposta de Emenda à Constituição que dá a organizações religiosas o direito de questionar leis no Supremo Tribunal Federal (STF), o Estatuto da Família e o Estatuto do Nascituro.

“Nosso ‘presidente’ é um homem temente a Deus e está rogando oração da igreja. Dentro de 15 ou 20 dias este homem vai assumir a presidência do Brasil. Eu tenho certeza que deus vai mudar a nossa história e a história do Brasil”, afirmou Feliciano a milhares de evangélicos, que no entanto, não demonstraram entusiasmo com as declarações de Temer.

Feliciano disse que Temer não foi pessoalmente ao evento para não dizerem que estava se aproveitando daquele momento para dar um golpe. “Não existe golpe nenhum, é democracia.”

“Nesse momento decretamos que esse espírito que divide o país está sumindo daqui. Um tempo de unidade, de prosperidade, vai cair sobre a nação brasileira. Nós ordenamos que todos os demônios desapareçam da nossa nação e profetizamos que o Brasil é do Senhor Jesus”, seguiu Feliciano.

Este filme mostra a cura gay

CNBB pede respeito ao Estado Democrático de Direito: “É preciso ter consciência de que não pode ser um mero interesse pessoal, partidário e corporativista. Tem que seguir a Constituição e a verdade dos fatos”

Em documento divulgado nesta quinta-feira, 14, intitulado “Declaração da CNBB sobre o momento nacional”, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil diz que o processo de impeachment de uma presidente da República não pode atender “interesses pessoais, partidários e corporativistas”, e deve-se respeitar “o ordenamento jurídico do Estado Democrático de Direito”.

O documento foi lido durante a 54ª Assembleia Geral da CNBB, que termina nesta sexta-feira, 15, em Aparecida, interior paulista. A entidade católica diz que o “bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas”.

O presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha, afirmou que a entidade optou por “não manifestar uma posição político-partidária, nem emitir uma parecer mais técnico” sobre o impeachment de Dilma porque seria entrar em um campo que não diz respeito à Igreja Católica.

Já o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, defendeu o que estabelece a Constituição sobre o assunto. “Seria deselegante de nossa parte ficarmos citando nomes, mas creio que essas questões todas envolvem também o julgamento do impeachment. É preciso ter consciência de que não pode ser um mero interesse pessoal, partidário e corporativista. Tem que seguir a Constituição e a verdade dos fatos”, afirmou. Transcrito do portal do Conselho Nacional de Igrejas de Igrejas Cristãs do Brasil

CNBB: ‘Não vamos apoiar golpe contra governo que nasceu dos pobres’

Dom Ailton Menegussi: “Que sejam punidos políticos de todos os lados porque sabemos que têm um monte de processos de outros políticos e que são engavetados.

Os culpados não é só desse partido ou só daquele. Não sejamos bobos”

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por Luiz Muller, em seu blog

O bispo Dom Ailton Menegussi, da Diocese de Cratéus (CE), rechaçou duramente a tentativa de golpe contra o governo da presidente Dilma; ele disse que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não aceita que “partidos políticos se aproveitem a crise para dar golpe no País”; segundo o bispo, “tem muita gente pousando de santinho”, fazendo “discurso bonito porque querem poder”; “Que sejam punidos políticos de todos os lados porque sabemos que têm um monte de processos de outros políticos e que são engavetados. Mas quando se trata de governo que nasceu dos pobres, esse é criminoso. Nós não pensamos assim”; veja o vídeo

O bispo Dom Ailton Menegussi, da Diocese de Cratéus (CE), rechaçou duramente a tentativa de golpe contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Ele disse que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não aceita que “partidos políticos se aproveitem a crise para dar golpe no País”.

“Não vamos apoiar a troca de governo, de pessoas interesseiras. Tem muita gente pousando de santinho, mas nunca pensou em pobre. Fazem discurso bonito porque querem poder, e a CNBB não concorda”, disse ele para religiosos em Tauá, no Sertão cearense. “Que sejam punidos políticos de todos os lados porque sabemos que têm um monte de processos de outros políticos e que são engavetados. Mas quando se trata de governo que nasceu dos pobres, esse é criminoso. Nós não pensamos assim”.

Na avaliação do bispo, a Justiça “está tratando criminosos antes de provas as coisas”. “Uma vez provadas, que se punam os culpados. Agora os culpados não é só desse partido ou só daquele. Não sejamos bobos”, afirmou. “Queremos que o País seja respeitado, que os cidadãos seja respeitados”.

Os falsos profetas pregam o golpe e o retorno da ditadura

Silas Malafaia está na lista dos falsos profetas. Veja trechos de uma entrevista:

 

BBC Brasil – O que significa o termo profético?
Silas Malafaia – Um ato profético é fazer declarações sobre o futuro de um país. Profecia é coisa que ainda vai se cumprir, correto? É algo que vai acontecer e que se antecipa. Nós vamos declarar que o Brasil vai ser próspero, vai ter paz e vai ficar livre da corrupção, da crise econômica. Isso tudo é profético.
BBC Brasil – Então sua profecia é que crise econômica e corrupção vão terminar junto com o governo.
Silas Malafaia – Isso aí. É isso aí. É isso aí mesmo. O ato profético é para isso, é para declarar que a corrupção vai acabar, que toda a bandalheira vai ser exposta, que não vai ter derramamento de sangue, porque os ‘esquerdopatas’ têm o DNA da baderna, da desordem.
BBC Brasil – Não parece é difícil bancar uma profecia de fim da crise econômica e da corrupção, pastor?
Silas Malafaia – Não é difícil, não, rapaz. Na Bíblia, em épocas em que Israel vivia períodos de crise e fome, levantava um profeta que dizia que viria um tempo de paz e prosperidade. E aquilo tudo mudava. Então nós conhecemos esta prática. Agora, eu, além de liberar a palavra profética, vou ‘sacudir a roseira’ sobre o que está acontecendo, não tenha dúvida.

OS PASTORES MAIS RICOS DO BRASIL

As religiões existem a milhares de anos e cada uma tem a sua maneira de tratar o dinheiro que é recolhido dos fiéis. Algumas fazem caridades, outras investem em instituições, outras não se sabe ao certo o que é feito com o dízimo. E de tempos em tempos a gente vê escândalos sobre líderes religiosos que roubam o dinheiro dos fiéis e ainda sim continuam por ai impunes. Conheça os cinco mais ricos aqui 

Dilma seria a primeira vítima de um impeachment votado pelo Congresso

O GOLPE NÃO PASSARÁ

 

Pela mostragem do jornal golpista O Estado de São Paulo, os bandos comandados por Michel Temer, Eduardo Cunha, José Serra, Aécio Neves, Bolsonaro e Caiado ainda  não conseguiram os votos para cassar Dilma Rousseff.

Antes de Dilma existiram dois processos de impeachment: contra Getúlio Vargas acusado de querer implantar uma república sindicalista. A mesma acusação valeu para os militares decretarem a ditadura de 64. A petição contra Getúlio foi rejeitada pela Câmara em 1953.

O impeachment de Fernando Collor, acusado de corrupção pelas suas ligações com PC Farias, não chegou a ser votado. Ele renunciou  em meio ao processo, em 1992.

Caso a conspiração de Cunha prevaleça, Dilma seria vítima do primeiro impeachment na História da República do Brasil.

O Estado de São Paulo, jornal separatista da tentativa de guerra civil em 1932, golpista em 1954, que resultou no suicídio de Getúlio Vargas, golpista em 64, com a derrubada de Jango, publicou ontem a seguinte manchete enganosa:

 

“Oposição tem 261 votos por
impeachment e governo, 117″

Comenta Anthony Garotinho:

O Estadão ouviu 442 dos 513 deputados. O placar ficou em 261 pró-impeachment e 117 contra. É claro que é apenas um levantamento que retrata o sentimento hoje.

Nas próximas duas semanas quando Eduardo Cunha pretende votar o parecer que for aprovado na Comissão Especial do Impeachment muita água vai rolar para os dois lados.

Mas se tomarmos a amostragem do Estadão, o impeachment não passaria. Se fossem 442 deputados seriam necessários 294 votos para o processo de impeachment ser aberto, mas só 261 se dizem favoráveis hoje.

A verdade é que tanto o governo quanto a oposição calculam que existam hoje em torno de 50 deputados indecisos. E o governo está em campo jogando todas as cartas, um por um dos parlamentares.

O sentimento da maioria hoje em Brasília é o que na Câmara o impeachment já esteve mais forte, e que o governo já conseguiu atrair alguns votos. Mas como diz o jargão do futebol “o jogo só acaba quando termina”.