Proibido reclamar que falta água em São Paulo

Farhad Foroutanian
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Alckmin privatizou a Sabesp. Vendeu ações na bolsa de Nova Iorque
Alckmin privatizou a Sabesp. Vendeu ações na bolsa de Nova Iorque

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MP de São Paulo instaura inquérito para apurar sigilo de informações da Sabesp

Por Daniel Mello

O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito para apurar as razões que levaram a Companhia de Saneamento de São Paulo (Sabesp) a pôr sob sigilo informações sobre redes subterrâneas de água e esgoto. Em maio, a estatal classificou de secretos os projetos técnicos e a localização dos sistemas. Com a decisão, os dados só devem ser abertos ao público em 2030.

A Sabesp informou, por meio de nota, que as informações foram colocadas sob sigilo para evitar sabotagem ou vandalismo nas redes. “A Sabesp divulgará, ainda esta semana, a lista das entidades, em geral hospitais, em que foram feitas conexões às adutoras”, acrescenta o texto. A empresa usou como base para o sigilo o Decreto Estadual 58.052 de 2012. A norma permite tornar secretas informações que possam pôr em risco a vida, a segurança ou a saúde da população.

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Na semana passada, o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, revogou a classificação de ultrassecreto que havia sido dada a diversos documentos do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Com esse grau de sigilo, as informações só seriam disponibilizadas ao público após 25 anos.

Estavam nessa lista de classificação, publicada em julho de 2014, relatórios de acompanhamento de obras, registros de falhas do sistema, planos operacionais, processos administrativos para apuração de infração contratual, lista de funcionários e documentos de comunicação interna.

Em alguns casos, a justificativa também foi o possível risco à segurança da população. Porém, grande parte das informações foi classificada como ultrassecreta, segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos, por colocar em risco projetos de pesquisa ou ações de fiscalização para prevenção ou repressão de infrações.

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Os símbolos de Hitler desfilam nas ruas de São Paulo anunciando o fim da democracia e o reinado das trevas

A pregação do ódio, da morte de Dilma, da intervenção militar e do retorno da ditadura continua.

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O desfile de 7 de setembro em que crianças carregaram suásticas.

Acontece que toda propaganda nazista, na Alemanha, é proibida, e seus autores, no caso brasileiro, professores direitistas e analfabetos, presos. Bem que merecem de quatro a cinco anos de cadeia.

Portal Pragmatismo Político: Desfile de 7 de setembro de Taboão da Serra não se limitou às reverências militares brasileiras e causou polêmica ao trazer crianças exibindo suásticas, símbolo principal do regime nazista da Alemanha.

Portal Fórum: Para alguns, a demonstração de força militar, bem como o orgulho patriótico que impera nos desfiles de 7 de setembro pelo país são tradições questionáveis.

Um desses desfiles, no entanto, não se limitou às reverências militares brasileiras e causou polêmica ao trazer crianças exibindo suásticas, símbolo mais clássico do regime nazista da Alemanha.

O caso aconteceu no desfile de Taboão da Serra, cidade da Grande São Paulo.

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Símbolos do nazismo brasileiro
Símbolos do nazismo brasileiro
Brasão da TFP
Brasão da TFP

A Secretaria de Educação do governo Geraldo Alckmin faz que não sabe, e o maior tribunal do mundo, o de São Paulo, com 360 desembargadores está com a cegueira de sempre. Não viu a volta dos integralistas de Plínio Salgado, dos garotos da TFP de Plínio Corrêa, e a infiltração dos Bolsonaro e da Bancada da Bala. Tem deputado que se vangloria de ter assassinado mais de cem pessoas.

Essa gentalha asquerosa acabou com o mito do Brasil Cordial.

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Corrupção do governo de Alckmin: meio milhão de paulistas pegaram dengue este ano

Até 27 de julho último, pela contagem oficial, e nada confiável, do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretária Estadual da Saúde do Governo do Estado de São Paulo, foram confirmados exatos 499.556 casos de infectados pela dengue. Informa o G1: “O número é quase o dobro do que foi registrado durante todo o ano de 2013, quando 201.498 pessoas foram confirmadas da doença. Neste ano, o pico da doença no estado de São Paulo ocorreu em maio, com 175.879 casos”. 2014 foi quando começou o racionamento de água, negado por Alckmin.

Falta a lista dos mortos, que a dengue mata.

Ou melhor dito, a corrupção mata. Que a dengue é doença de lugar que falta saneamento, água, e uma campanha de erradicação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da peste. Remember que José Serra, quando ministro da Saúde de Fernando Henrique, desativou as brigadas mata-mosquitos, criadas por Oswaldo Cruz para acabar com a febre amarela no Rio de Janeiro.

Em 1999, José Serra demitiu quase seis mil mata-mosquitos no Rio de Janeiro. Seis mil pessoas que se viram desempregadas da noite para o dia. Muitas ficaram na miséria. Houve 33 casos de suicídio apenas no Rio. E nos outros Estados?

Brigada contra os mosquitos na campanha de erradicação da febre amarela no Rio de Janeiro, no início do século
Brigada contra os mosquitos na campanha de erradicação da febre amarela no Rio de Janeiro, no início do século XX

Em São Paulo falta tudo. É o Estado mais rico do Brasil, o maior PIB, mas contabiliza dezenas de anos de desgovernos.

Em São Paulo falta água, e o racionamento leva as populações mais pobres a improvisar reservatórios: tanques, vasos, baldes, bacias, garrafões etc.

Divulga a ONG Dengue Org: “A prevenção é a única arma contra a doença. A melhor forma de se evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. Para isso, é importante não acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros”. Confira

Em São Paulo falta saneamento. Na Capital de São Paulo existem mais de duas mil favelas sem água, sem luz, sem esgoto… sem nada.

Apesar da classificação de “doença democrática”, por não livrar os ricos, as principais vítimas da dengue são os pobres, que as favelas são campos de emigrantes e lixões.

Favela do Jardim Jaqueline, na Zona Oeste de São Paulo
Favela do Jardim Jaqueline, na Zona Oeste de São Paulo
Isso é uma rua de São Capital. Favela Cantinho do Céu, localizada no Grajaú, na Zona Sul
Isso é uma rua de São Paulo Capital. Favela Cantinho do Céu, localizada no Grajaú, na Zona Sul

Corrupto José Maria Marin, cartola, dedo duro e golpista, preso extraditado de Zurique para os Estados Unidos

Michel Moro Gomez (Moro)
Michel Moro Gomez (Moro)

Finalmente, José Maria Marin vai ser punido por um dos vários crimes que praticou, principalmente neste Brasil de demasiadas leis e nenhuma justiça.

É um dos sete presos em Zurique, por corrupção na Federação Internacional de Futebol (Fifa), feito pelo governo dos Estados Unidos. Que se dependesse do Brasil jamais tocaria piano.

Antes de ser um cartola, Marin foi medíocre jogador profissional de pequenos times de São Paulo.

Marin também fez carreira política, pela extrema-direita. Em 1963, filiado pelo Partido de Representação Popular, fundado pelo integralista (nazista) Plínio Salgado, foi eleito vereador de São Paulo.

Apoiou a derrubada de Jango em 1964 e, com a reeleição de Dilma Rousseff presidenta do Brasil, passou a participar de fracassadas marchas golpistas convocadas por Aécio Neves e Bolsonaro, pelo retorno da ditadura.

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Foi vice de Paulo Maluf, e exerceu o governo de São Paulo entre 1982 e 1983, durante a ditadura de João Figueiredo, que presidiu o Brasil de 15 de março de 1979 a 15 de março de 1985.

Zé das Medalhas
Escolhido como o sucessor de Ricardo Teixeira, presidente da CBF durante 23 anos, Marin iniciou sua gestão precisando dar explicações sobre a polêmica medalha roubada na premiação da Copa São Paulo de Juniores, três meses antes. Na ocasião, foi flagrado por câmeras de televisão colocando, no bolso, uma das medalhas destinadas aos jogadores do Corinthias, campeões do torneio. O episódio lhe rendeu o apelido de “Zé das Medalhas”, em referência ao personagem da novela “Roque Santeiro”, da TV Globo.

Dedo duro da ditadura
Durante a gestão na CBF, Marín ainda teve que lidar com as acusações de ser o delator do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto em outubro de 1975, no DOI-Codi, em São Paulo.

Na época, Marin era deputado estadual, cargo que ocupou de 1971 a 1979. Áudios divulgados pelo GLOBO em abril de 2013 mostram discursos de Marin na Assembleia Legislativa de São Paulo cobrando providências sobre denúncias envolvendo o então diretor de Jornalismo da TV Cultura e elogiando o delegado Sergio Paranhos Fleury, que trabalhava no órgão de repressão.

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Investigação do FBI e prisão na Suíça
Em 27 de maio de 2015, foi preso na Suíça, acompanhado de outros seis executivos da FIFA, em investigação liderada pelo FBI. De acordo com informações publicadas pelo The New York Times, mais de uma dúzia de policiais suíços à paisana chegaram sem aviso prévio ao Baur au Lac Hotel, local no qual executivos se hospedavam para o congresso anual da organização, marcado para os dias 28 e 29 de maio, e renderam os acusados de corrupção em ação pacífica, sem menor resistência dos envolvidos.

Também foi banido pela FIFA de qualquer atividade relacionada ao futebol. E assim, por via indireta, caiu fora do mando da CBF.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou ter indiciado 14 pessoas por fraude, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Segundo os investigadores, os acusados movimentaram cerca de 150 milhões de dólares (mais de 470 milhões de reais) em um esquema que já existiria há pelo menos 24 anos. Os negócios envolveriam direitos de transmissão e acordos de marketing em campeonatos na América Latina. Notadamente no Brasil. Que a CPI do Futebol não esqueça.

A Justiça da Suíça anunciou hoje que extraditou para os Estados Unidos o primeiro dos sete executivos da Fifa presos em Zurique desde o dia 27 de maio.

Alckmin e Pezão, os votos do Sul Maravilha

A extrema-direita e a direita, as elites e os golpistas de sempre costumam dizer que o nordestino não sabe votar. E defendem eles os votos que consideram sábios e inteligentes e cultos do carioca e do paulistano. Que reelegeram Alckmin e Sérgio Cabral Filho que escolheu o vice Pezão como sucessor.

O eleitor do Rio de Janeiro
O eleitor do Rio de Janeiro

Escolas estaduais de São Paulo: a sangria dos professores invisibilizados

POR RAPHAEL SANZ/ Correio da Cidadania

Zop
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Foi decidido na última sexta-feira, 12 de junho, em assembleia, o final de uma das mais duradouras greves da história recente do país. Nestes 92 dias de paralisação, os professores estaduais paulistas ajudaram a levantar uma série de debates. Desde a equiparação salarial dos professores em relação a outras categorias e as condições de trabalho e projetos de educação em disputa, até questões de organização e política sindicais.

No auge da greve, entre abril e maio, cerca de 70% da categoria estava parada. O movimento enfrentou a repressão bruta da polícia militar durante seus atos de rua. Enfrentou também a falta de diálogo por parte do governo do Estado, que fazia questão de ignorar a greve e desqualificar suas reivindicações. Enquanto isso, a difusão desse desdém oficial era feita pelos grandes meios de comunicação. Além disso, uma série de disputas internas pela burocracia sindical enfraqueceu o movimento grevista.

Chegando ao acampamento dos professores, em frente à Secretaria de Educação, na praça da República, na noite da quinta-feira, dia 11 de junho, nossa reportagem se deparou com rostos cansados e vozes já trêmulas, vindas de bocas secas pelos três meses de discussões, debates e assembleias. Naquela noite, ainda se defendia a continuação da greve, mesmo com todos os prognósticos contrários. Os professores se encontravam em uma situação material extremamente precária, sem conseguir se manter financeiramente e pagar suas contas, sem acesso ao fundo de greve e, portanto, cada vez mais desmobilizados em busca de suas necessidades básicas.

Esvaziamento da greve

Alessandro Soares, professor de geografia no estado desde 2005, contou que, no final de maio, começou um refluxo na adesão à greve, “com a burocracia sindical desmobilizando a categoria”, diz.

A partir de então, vários grupos que se aproximaram durante a greve tentaram se articular em torno de uma agenda para debater as questões pertinentes à categoria, junto aos Conselhos Representantes do sindicato, e fazer pressão para que o movimento engrossasse novamente.

“Antes das assembleias, há uma plenária dos Conselhos Representantes. Em cerca de 4 ou 5 oportunidades, comparecemos a esses grupos de forma autônoma, pedindo a voz para que pudéssemos também mostrar que nós tínhamos uma pauta, uma agenda de reivindicações que levavam como maior bandeira uma melhoria da qualidade da educação, não apenas a questão salarial. Tem isso também, claro. Mas o mais importante para nós era discutir o que significa a educação aqui no estado de São Paulo. Uma educação toda sucateada”, explica o professor.

“Tivemos a abertura em relação ao regime militar no final dos anos 80, e então o governo do estado passou pelo PMDB e depois caiu no controle tucano. Houve uma crescente desmobilização e uma diminuição do poder aquisitivo dos professores a partir de então. E também uma piora do ensino público no estado de São Paulo”, observa.

Partidarização do debate

Para o professor, um dos fatores que “sangrou” o movimento grevista foi a postura dos diferentes grupos que disputam a burocracia sindical. Para ele, houve uma prioridade colocada nesta disputa em detrimento ao avanço das pautas propostas pela base.

“A gente observa dentro do sindicato que diversas correntes que lutam pelo aparelho, no momento mais agudo, se juntaram para terminar a greve”, critica o professor. De acordo com ele, mesmo as correntes de oposição, ligadas ao PSTU e ao PSOL, não aprofundaram a discussão sobre o que significa a educação. Para Alessandro e outros professores acampados na República, o debate em torno da educação foi partidarizado, transformando os professores em massa de manobra na disputa do imaginário político.

“O movimento grevista foi chamado no dia 13 de março pela direção da APEOESP com uma proposta de barrar toda uma série de propagandas que vinham contra o governo federal. Tanto que no dia 13 foi a nossa paralisação e, logo em seguida, no dia 15, houve o ato do pessoal mais conservador”, explica. Nesse momento, o movimento grevista foi crescendo, até chegar ao seu auge no final de abril. “Isso enquanto era conveniente para os setores governistas”, frisa Alessandro. Em outras palavras, não é uma coincidência o fôlego dessas correntes no momento em que as manifestações da direita estavam a todo vapor.

“No momento em que começava a esvaziar a greve, várias correntes independentes e autônomas se juntaram na rua, fazendo as caminhadas, os chamados cortejos, para a Secretaria de Educação. Em alguns momentos, a gente tentou tencionar um pouco mais para que outras pautas, caminhos e discursos fossem ouvidos”, continua Alessandro. Ele considera que esse fôlego extra, que estendeu a greve por quase mais um mês, foi uma vitória, pois, mesmo com toda a sangria, houve certa visibilidade para discutir o processo de deterioração das escolas públicas.

A sangria dos professores

Um outro fator fundamental a ser explicado é a postura que o estado de São Paulo, comandado pelo governador Geraldo Alckmin, tomou em relação aos profissionais da educação. “É um governo completamente centralista, que não ouve os trabalhadores. Simplesmente ignora a pauta que a gente levanta e não dialoga com os professores. É um governo autoritário e fascista, que coloca a polícia pra bater e perseguir professor. Também não quer discutir de forma aprofundada a escola publica”, dispara Alessandro.

A negociação em torno do aumento salarial foi um dos pontos dos quais o governo se esquivou. “A nossa data base é em março, mas o governo estadual bateu o pé e disse que era em julho. Mesmo sendo legal em março, o governo do estado falou que não aceita essa data base e, quando começou a negociar, o governo dizia que daria o aumento em determinado momento, mas, de forma mais objetiva, não passou nenhum dado a respeito desse aumento”, explica.

Quanto à regularização dos professores temporários, outra pauta da greve, o governo disse ao movimento grevista que iria mandar um projeto de lei para a ALESP. “Mas também não avançou”.

“Ou seja, é complicado, porque, mesmo com esse lema de pátria educadora, quando aparece um movimento sindical que discute não apenas a questão salarial, mas a qualidade e os objetivos da educação, da básica até a superior, não tem onde dialogar, porque partidarizaram a discussão”, lamenta. Se, de um lado, os adeptos de um desses partidos boicotaram internamente a organização da categoria, por outro lado o governo do outro partido se recusou a negociar e perseguiu os professores grevistas.

Para o professor de geografia, o golpe final do estado de São Paulo contra a mobilização dos professores veio na forma do corte do salário. “Esse corte de pontos foi um dos fatores que fez com que o movimento perdesse a sua postura. Todas as pessoas têm suas contas para pagar, sua realidade material, seu modo de vida, têm de colocar arroz, feijão e mistura na mesa. Tem gente que precisa pagar pensão, aluguel, e isso foi uma tática usada pelo governo do estado para enfraquecer o movimento”, descreve.

“No meu caso, tive um corte de salário total. Não vou receber em junho, nem em julho. Como voltei na última segunda-feira (15 de junho), só vou receber em agosto a metade do mês de junho (a contagem do salário é feita 60 dias depois de fechar o mês). Ou seja, vou ter problemas para pagar as minhas contas. Toda a questão material da minha vida está bem complicada, tenho que pedir dinheiro emprestado, correr para o banco, ter familiares ajudando, tentando uma série de coisas para segurar as pontas nesse meio tempo até que eu tenha a minha renda novamente, em setembro”, conta o geógrafo.

Ele não é o único a estar nessa situação. Naquela noite de 11 de junho, no acampamento, uma professora que falava na reunião dos acampados dizia em alto e bom som: “não podemos pedir para um professor que está há 3 meses com o aluguel atrasado, com muitas dificuldades para pagar as contas, vendo os filhos comerem pouco, que continuem em greve. Eles nos sangraram”.

Projeções para um “Brasil em transformação”

Montado pela APEOESP no início da greve, o acampamento foi desfeito no final de maio, após uma assembleia no dia 25. Os professores consideram um ato de resistência ter mantido o acampamento, de forma autônoma em relação à direção sindical, até o fim da greve. “Durante essa greve, a aula foi na rua. Eu aprendi muito nesse processo”, prossegue o nosso entrevistado.

“Será que esse modelo de escola pública fechada, cheia de grade, onde uns entram e outros não, essa coisa policialesca, é o projeto que queremos de uma escola pública? Ou a gente tem outro projeto? Eu não tenho uma resposta certa para isso. É uma questão que está levantada. Talvez esse modelo que temos de escola pública não seja o mais positivo no sentido da construção do conhecimento”.

Em relação à representação sindical, muito criticada pelos professores que acamparam na República, podem-se observar alguns novos ingredientes. É notável que há uma nova geração de professores e trabalhadores da educação que pensam a questão sindical sob um ponto de vista interessante, porém, pouco usual. Concorde-se ou não com as críticas, é inegável que a base do movimento grevista busca um debate mais sério.

“Essa greve deu uma oxigenada nas estruturas com um pessoal bastante combativo e cheio de fôlego, que quer por a mão na massa. Esse movimento vem desde junho de 2013, com o empoderamento de você poder sair na rua e levantar as bandeiras dos trabalhadores, da melhoria das condições de trabalho e qualidade de vida da classe trabalhadora. Eu acho que esse movimento grevista vem ainda no embalo do processo das jornadas de junho de 2013, junto com a questão do transporte colocada pelo MPL, e toda a agenda popular que estamos construindo nos últimos dois anos nesse Brasil em transformação”.