666 km de lama e morte: o assassínio do Rio Doce

por LÚCIO TAMINO

O desastre socioambiental causado pela mineradora Samarco (Vale, antes ‘Vale do Rio Doce’ e BHP Billiton) com o rompimento de suas barragens de rejeitos de minério no município de Mariana, em Minas Gerais, é um dos maiores na história do país. A área afetada ultrapassa os 600 Km, chegando inclusive ao Oceano Atlântico.

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A lama é resultado de décadas de exploração mineradora da região, e além do poder destrutivo da avalanche e inundações de lama, há controvérsias sobre o nível de toxicidade desse material. A Samarco, para ganhar tempo, afirma que a lama não é tóxica, mas há inúmeras suspeitas e indícios de que há uma grande quantidade de metais pesados altamente tóxicos no material, que contaminariam toda essa enorme extensão atingida pela lama, o que inclui o solo, inúmeras bacias hidrográficas, e a população.

Centenas de pessoas estão desabrigadas e ao redor de 30 pessoas morreram por conta do desastre, incluindo idosos e crianças, sendo que a grande maioria segue desaparecida. Não havia nenhum sistema de alarme para evacuação da população caso um acidente ocorresse. Já os números de mortes de animais e da natureza que foi destruída é incalculável. Incontáveis animais domesticados como cachorros, gatos, galinhas, patos, cavalos, etc, morreram. As matas da região foram atingidas, matando assim grande parte da fauna e flora dessas áreas. O ecossistema aquático foi com certeza o mais afetado, causando a morte de milhões de peixes e de praticamente toda a vida das bacias hidrográficas atingidas, sendo por asfixia ou contaminação. A imagem da tartaruga morta é do Parque Estadual do Rio Doce, a maior área de Mata Atlântica de Minas Gerais e terceira maior área alagada do Brasil (depois da Amazônia e Pantanal), localizado a mais de 150 km das barragens, o que demonstra o poder destrutivo e mortal do material liberado.

O ferro extraído dessas minas é transportado por minerodutos para os portos no litoral, utilizando uma quantidade absurda de água, ao mesmo tempo em que a população sofre com a falta d’água e é obrigada a economizar. O minério segue então para o exterior, o que deixa claro que o saque das riquezas naturais do Brasil continua a todo vapor, com pouco ou nenhum retorno para o país, e o meio ambiente não é sequer considerado como sujeito de direito. Tudo isso para beneficiar os acionistas das empresas em questão, que lavam as mãos e seguem anônimos, comprando e vendendo as ações das empresas conforme lhes convém, sem consideração nenhuma com a ética, mas sim com o lucro, simples e frio. Não há compensação possível para esse ecocídio, dinheiro nenhum vale as vidas de tantos seres vivos e da saúde da própria terra.

A informação é uma de nossas maiores armas nesse momento. É imperativo refletirmos sobre esse modelo explorador e ganancioso que é imposto sobre as populações. Que esse desastre seja a gota d’água para sairmos desse mar de lama e pararmos essa máquina de destruição e morte.

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Escrachados pela polícia e execrados pelos jornais

jornalismo censura polícia

por Symphronio Veiga


No passado, era comum e quase unânime a postura desrespeitosa – e até cruel – dos jornais diários de Belo Horizonte em relação à ação de ativistas políticos de esquerda.

Na noite de 30 de dezembro de 1952, intelectuais, empresários e sindicalistas, entre eles Armando Ziller, Luís Bicalho, Sebastião Nery, coronel Olímpio, Aluísio Ordones, reuniram-se num prédio da rua Carijós, em BH, para criar o Movimento Mundial da Paz. A polícia chegou de surpresa e escrachou todo mundo. No dia seguinte, os jornais publicavam manchetes execrando os ativistas:

“Desmantelada pela polícia uma reunião comunista. Efetuadas numerosas prisões e apreendido farto material de propaganda vermelha” (Estado de Minas)

“Comunistas surpreendidos quando tramavam planos de ação” (Diário de Minas)

“Autoridades prendem e autuam 40 elementos da malta comunista em ação” (Diário da Tarde)

“Preso ontem em BH um redator do Diário (católico) entre os subversivos do credo vermelho” (Tribuna de Minas)

O redator do Diário preso era Sebastião Nery, 20 anos, ex-seminarista, implacavelmente perseguido pelo jornal Tribuna de Minas, dirigido pelo empresário misto de jornalista Alexandre Konder, que cultivava atitudes nazi-fascista, e também não dava trégua ao líder católico José Mendonça, redator-chefe do Diário e presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais.

“Confirmam-se as acusações da Tribuna de Minas sobre as ligações do sr. José Mendonça com elementos comunistas. Um dos presos é o jornalista Sebastião Nery, redator do jornal católico, que carregava um cartaz com o retrato de Prestes”, denunciava a TM.

“Konder só deixou de hostilizar jornal católico quando voltou ao Rio de Janeiro para morrer de câncer, internando no Hospital do Exercido,” disse o prof. Mendonça

Na reunião abafada pelos agentes policiais havia pessoas de várias classes, até um militar, Olímpio, coronel reformado do Exercito brasileiro, que havia desaparecido na confusão com a chegada da polícia.

Dias depois, já solto, o jornalista Sebastião Nery encontra-se com o militar em outra reunião:
– O senhor foi lesto, o único que conseguiu fugir.

E o coronel:
– Meu filho, não repita isto. Não fugi. Um oficial do Exército não foge. Bate em retirada.

 

Aécio governador desviou bilhões da saúde do povo de Minas Gerais

Quantos morreram por falta de médicos, de enfermeiros, de medicamentos, nos sucateados hospitais de Minas Gerais?

Ou será que os bilhões desviados não fizeram falta na hora de socorrer os enfermos?

Ministério Público protocolou nesta sexta-feira (17) ação contra Minas Gerais por fraude orçamentária na saúde durante a gestão Aécio Neves. Promotores pedem ressarcimento aos cofres públicos de mais de R$ 5 bilhões.

Mas o desvio de verbas vai além dos 5 bilhões

aecio pimentel minas obras

SITUAÇÃO SURREAL DA SAÚDE ROUBADA DOS MINEIROS

minas notícias

MUITA GRANA DESVIADA DA SAÚDE

E NINGUÉM PARA FISCALIZAR 

jornal_estado_minas. belô

AÉCIO DEIXOU TUDO EMARANHADO NA SAÚDE

UM ROLO QUE PARECE A FIAÇÃO DE BELÔ

jornal_estado_minas.céu fiação

DESAPARECEU O DINHEIRO DAS MATERNIDADES

indignados fila pra tudo

DENÚNCIA. Desembargador protege traficante de órgãos. O silêncio amigo de Aécio

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Carta aberta de um pai que teve o filho de dez anos assassinado pelos traficantes de órgãos em Minas Gerais

Bom dia caro Senador Aécio Neves,

Meu nome é Paulo Pavesi, e tenho certeza que já deve ter ouvido falar. Temos um amigo em comum, Carlos Mosconi.

Atualmente eu estou asilado na Europa, após sofrer diversas ameaças por parte do poder político de Minas Gerais. A Itália me concedeu asilo por unanimidade após analisar a documentação que apresentei.

O crime que eu cometi? Denunciei um grupo de traficantes de órgãos, da qual meu filho com apenas 10 anos de idade foi vítima.

Fiquei emocionado ao ver a sua preocupação com os presos políticos na Venezuela, que hoje vive um momento de ditadura.

Por isto estou escrevendo este e-mail. Gostaria de convidá-lo para me visitar aqui em Londres, onde moro atualmente, e saber um pouco da minha história. Afinal, em pleno século 21, mais especificamente em 2008, eu precisei deixar o país – BRASIL – por denunciar um grupo de bandidos marginais assassinos, comandados por Carlos Mosconi, seu ex-assessor especial no governo de Minas Gerais. Na época foi instalada uma CPI e Mosconi não permitiu ser ouvido. O senhor o nomeou superintendente da FHEMIG e a primeira medida foi abraçar toda a rede de transplantes de Minas Gerais (com a sua ajuda é claro) e logo em seguida um escândalo estourou por causa de fraudes na fila de espera (que também não deu em nada).

Tenho vários fatos para narrar sobre a pressão que fizeram contra mim e contra a minha família, e ainda hoje fazem. Ahhh… O processo do meu filho já dura 15 anos, e com frequência o julgamento é adiado a pedido de Mosconi.

Tenho certeza que o sr. como defensor dos direitos humanos vai criar uma comitiva para me visitar não é mesmo?

Nós temos pão de queijo aqui esperando por vocês.

Ah… não poderia esquecer de lhe fazer uma pergunta. Eu estou sendo processado por um desembargador (amigo seu e de Mosconi), só porque ele está tentando afastar o juiz que condenou os sócios de Mosconi à prisão. Como eu tenho visto que o sr. e Mosconi parecem ser blindados, gostaria de saber qual o advogado que vocês contratam. Estou precisando de um. Sabe como é né? Se não for muito caro, quem sabe? A esperança é a última que morre.

Paulo Pavesi

Assassinado pela máfia de tráfico de órgãos de Poços de Caldas. Hoje estaria com 25 anos.
Assassinado pela máfia de tráfico de órgãos de Poços de Caldas. Hoje estaria com 25 anos.

Transcrevi trechos da carta publicada no blogue Tráfico de Órgãos no Brasil. Leia mais. Conheça as autoridades corruptas, os traficantes, as vítimas. Para entender o exílio de um pai, a mordaça da imprensa mineira, a grana que corre nos hospitais, na justiça, na política, não esqueça os nobres nomes dos que têm a coragem de enfrentar uma máfia assassina

blogCensura

Ilegal la visita de Neves, convidado por la derecha venezolana

Delegación brasileña repudia acciones injerencistas 

 

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Caracas/ Ciudad CCS – La Delegación de la República Federativa de Brasil de visita en Venezuela rechaza las pretensiones injerencistas e intervencionistas de senadores brasileños que arribaron ayer al país con intenciones de visitar al dirigente de la ultraderecha Leopoldo López.

La referida comisión está conformada por el profesor de Derecho de la Universidad de Minas Gerais, Brasil, José Luiz Quadros Magalhaes; el presidente del Sindicato de Periodistas de Minas Gerais, Kerison Lopes, y el periodista bloguero, Miguel Rosario, quienes llegaron a la Patria para alzar su voz y traer la verdad sobre la visita, no solicitada, de quien encabeza el grupo de senadores, Aécio Neves.

“Verdaderamente es una injerencia, una intervención indebida de la comisión de senadores de la derecha brasilera en asuntos internos de Venezuela”, opinó Lopes durante una entrevista concedida a Ciudad CCS.

Reflexionó cuál sería la postura del Gobierno de Estados Unidos si de injerencismo se trata, en caso de que una delegación extrajera llegase a visitar el centro de detención de Guantánamo. Calificó de ilegal la visita de Neves, convidada por la derecha venezolana.

Lopes aseveró que Neves, quien fue gobernador de Minas de Gerais en Brasil “no tiene moral para hablar de libertad”, dijo que cuando ejerció su cargo censuró a periodistas contra la libertad de expresión.

Al respecto, el profesor Quadros coincidió en que la acción del grupo de senadores es una injerencia porque “Venezuela es un estado que tiene instituciones que funcionan muy bien; modernas y democráticas”.

Además, lamentó que las intenciones de ese señor apuntan a un “oportunismo político” y que el escenario actual se basa en una ofensiva de la derecha en el mundo.

Comentó que la oposición de América Latina pretende orquestar golpes de Estado contra sus gobiernos locales. Dijo que actualmente se presentan acciones desestabilizadoras en Ecuador, Bolivia, Argentina y Brasil. “El objetivo es un ataque brutal y sistemático contra los gobiernos de izquierda a través de guerras psicológicas”.

Instó a los pueblos del mundo a comprender que estas acciones imperiales son contra países en pleno desarrollo.

NEVES NO REPRESENTA A BRASIL

En ese sentido, el periodista Miguel Rosario apuntó que es evidente que un senador de derecha quiera venir al país a pretender apoyar a sectores de oposición. “Un senador de oposición no representa el Gobierno de Brasil” y menos a un país hermano de Venezuela.

Indicó que Neves no posee las funciones constitucionales de hacer política externa.

Rechazó que el presidente del Senado Federal de Brasil, Renan Calheiros, intercediera para que el gobierno local le prestara un avión para trasladar la comitiva hasta Venezuela. Aseguró que Aécio Neves “dijo que era un viaje de derechos humanos, acciones humanitarias”.

La delegación está de acuerdo en que la llegada de Neves “es una payasada, su actitud es de injerencia no tan intervencionista porque representan un sector de Brasil”.

UN TEATRO MEDIÁTICO

Con respecto a la situación ocurrida en la autopista Caracas-La Guaira a la llegada de Neves, tergiversada por la derecha, Quadros señaló que se trata de una acción de “teatro, es una matriz de opinión”.

Rosario dijo que “si se tratase de una manifestación” el Gobierno Bolivariano no intercedería por ser un Estado democrático y que sería una concentración de paz que busca exigir respeto ante agresiones de la derecha internacional.

Ante esto, Rosario convocó al pueblo venezolano y a los del mundo a “estar en la obligación de defender las conquistas revolucionarias mediante la movilización”.

Lopes reiteró que, en nombre de la delegación brasilera, exigen respeto para la Patria y para los países de América Latina.
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Por otra parte, calificaron de excelente la reciente visita, a ese país, del presidente de la Asamblea Nacional, Diosdado Cabello. Dijo que eso es la continuidad del legado del Comandante Hugo Chávez.

 

 

Os presos políticos de Minas Gerais e Venezuela

Aécio Neves esqueceu o preso político Marco Aurélio Flores Carone no Brasil, e vai visitar os oposicionistas de Maduro na Venezuela.

Carone, proprietário do Novo Jornal, foi encarcerado pela polícia de Minas Gerais para parar de denunciar os crimes de corrupção de Aécio Neves. Uma detenção que durou toda a campanha presidencial.

De Carone, a revelação de que Aécio era viciado em cocaína, e esteve internado, quando governador, vítima de uma overdose.

A tendenciosa justiça mineira também participou dessa conspiração contra a Liberdade de Imprensa, e contra a Democracia.

Além de legalizar a mordaça de Carone, trancado em um cela de um presídio de segurança máxima, a justiça tucana ordenou o apagão do Novo Jornal.

Cartazete da Campanha pela libertação de Carone
Cartazete da Campanha pela libertação de Carone

Relembre os principais crimes denunciados. Leia reportagem sobre a hipocrisia de um direitista visitar conspiradores venezuelanos:

Aécio Neves vai visitar presos políticos venezuelanos

Bandeira da Unasul. Aécio é contra a União dos Países da América do Sul
Bandeira da Unasul. Aécio é contra a União dos Países da América do Sul

por Felipe Gozález

O senador Aécio Neves (PSDB), candidato derrotado à presidência nas eleições de outubro, viajará para Caracas no dia 17 de junho como líder de uma comissão externa do Senado para “averiguar a situação” dos dois principais oposicionistas venezuelanos presos em Caracas, Leopoldo López e Antonio Ledezma, segundo afirmou o jornal Folha de S. Paulo. “Vamos suprir a vergonhosa omissão do Governo da presidente Dilma (Rousseff) frente à escalada autoritária na Venezuela”, disse Aécio.

O líder do PSDB sempre se mostrou crítico em relação ao Governo brasileiro por sua aproximação política com Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Nos últimos meses, repreendeu o Executivo por sua “omissão” em relação à situação de López e Ledesma (e dos mais de 90 presos políticos venezuelanos).

As esposas de ambos, Lilian Tintori e Mitzy Ledezma, estiveram no Brasil em maio para chamar a atenção sobre a situação política venezuelana. “Sabemos que a presidenta [Dilma Rousseff] é sensível à questão dos direitos humanos, à tortura e à prisão injusta… [São assuntos] que ela conhece muito bem”, disse Tintori na ocasião, referindo-se ao fato de que Dilma foi torturada durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985).

Ambas estiveram com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, que também prometeu juntar-se à iniciativa do ex-presidente espanhol Felipe González para defender os presos políticos venezuelanos; depois, ambas foram ao Senado para relatar as dificuldades políticas de seus maridos.

No Brasil, o PT sempre apoiou o governo chavista. Não é assim com o Ministério das Relações Exteriores e o Governo, que sempre foram mais cautelosos e fizeram críticas veladas. Tanto o Governo como o Ministério das Relações Exteriores sempre insistiram, porém, que a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) deveria mediar o conflito venezuelano. Em uma entrevista prévia, concedida antes da última Cúpula das Américas, que aconteceu em abril, Dilma disse, referindo-se à Venezuela: “Não pensamos que a melhor maneira de se relacionar com a oposição seja prendendo alguém”.