O gosto de ‘Época’ por espumas venenosas

GloboPetrobras
Por Tereza Cruvinel

Se colocados num espremedor de fatos o despacho do delegado federal Josélio Sousa, pedindo que o ex-presidente Lula seja ouvido no âmbito da operação Lava Jato, e a matéria do repórter Filipe Coutinho, da revista Época, noticiando a iniciativa com estardalhaço, não se obterá uma xícara de xarope da verdade. Os dois ingredientes juntos produzem muita espuma venenosa que, depois da desejada intoxicação política, será levada pelo ralo. Mas o mal já estará feito, como sempre acontece nestes jogos entre procuradores, delegados e jornalistas para garantir manchetes e processos.

“Exclusivo: Lula é suspeito de ter se beneficiado do petrolão”, disse a manchete de Época. Se Lula é suspeito, é porque existem indícios, fortes ou não, de que se beneficiou do esquema de corrupção na Petrobrás, pensará qualquer mortal. Procuremos então os indícios que sustentaram a iniciativa do delegado em seu próprio pedido ao STF para que Lula seja ouvido. “Em razão das suspeitas, a polícia pediu ao STF autorização para tomar depoimento do ex-presidente”, reforça Época, falando novamente em suspeitas. Mas vamos ao despacho do delegado tentar saber o que as embasa. Espreme daqui, espreme dali, os indícios não aparecem. Suas palavras não produzem uma gota de indícios que amparem a afirmação de que existem “suspeitas”. No direito, suspeita é uma figura jurídica concreta, para além da mera desconfiança ou presunção.

“Atenta ao aspecto político dos acontecimentos, a presente investigação não pode se furtar de trazer à luz da apuração dos fatos a pessoa do então presidente da República, LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA que, na condição de mandatário máximo do país, pode ter sido beneficiado pela esquema em cursa na PETROBRAS, obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo, com a manutenção de uma base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na referida estatal”.

Este é o texto do delegado, mas ele não diz nada, apenas insinua que Lula pode ter se beneficiado. Procuremos mais. O delegado pondera que os colaboradores Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa apenas “presumiram” que o ex-presidente poderia conhecer o esquema, por sua magnitude, não dispondo eles, porém, de qualquer prova ou evidência. Por isso, Lula precisa ser ouvido.

O que busca então o delegado? Apenas empurrar Lula para dentro da Lava Jato, e já preparando o caminho para a aplicação da teoria do domínio do fato. Resumidamente, o que ele diz e Época reverbera é: Ainda que Lula não soubesse, como presidente ele devia saber do que se passava, e portanto, deve ser culpado.

Aguardemos o juízo que disso fará o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A briga entre golpistas e democratas

Nos três principais jornais do País, Globo, Folha e Estado de S. Paulo, a imagem de destaque é a briga entre militantes do PT e um simpatizante do impeachment; tumulto ocorreu no Rio de Janeiro, antes do ato em defesa da Petrobras e do modelo de partilha no pré-sal; no mesmo dia, foi divulgado o vídeo dos insultos ao ex-ministro Guido Mantega, que foi expulso do hospital Albert Einstein; clima de radicalização política, com a criminalização do PT estimulada por meios de comunicação, intoxica o ambiente e cria condições para novas agressões; dia 15 de março, data em que estão agendados protestos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, promete mais violência

sem paz

Léo Bueno: Qual é a diferença entre isso e as brigas de torcidas organizadas? É a hipocrisia. A grande imprensa critica as absurdinhas torcidas, porque elas são, oh, tão más, ao passo que fomenta essa intolerância dizendo “a culpa não é minha”.

Fábio José de Mello: É, Léo Bueno, nós estamos no trecho há alguns anos. Não sei quanto ao amigo, mas não me lembro de um momento político tão violento.

Léo Bueno: Não, também não lembro. Meus pais viveram um momento ainda pior, mas eu ainda não tinha nascido. O que me apavora é não sentir que as pessoas que têm o papel de zelar pelo estado de direito estejam apegadas a ele.

Fábio José de Mello: Sim, tudo muito tímido. Mas tem também uma maioria silenciosa que está só de olho no movimento. Quero só ver a hora em que o ovo da serpente eclodir. E ele vai eclodir.

Léo Bueno: Mas é uma luta contra gente de muito, muito dinheiro.

Fábio José de Mello: E contra interesses transnacionais… Lembrando: no blood for oil!

Isaías Gomes de Lima: COISA FEIA! O PIOR É QUE AS PESSOAS VÃO SE ACOSTUMANDO A VER COMO ALGO NATURAL!!! JÁ VI ESSE FILME… HÁ MAIS DE 30 ANOS VI COISAS ASSIM…

INTOLERÂNCIA POLÍTICA PODE ATIRAR O BRASIL NO ABISMO

247 – Nos três principais jornais do País, Folha de S. Paulo, Globo e Estado de S. Paulo, a cena de destaque é a mesma: o confronto, ocorrido na tarde de ontem, entre militantes do PT e simpatizantes do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O episódio ocorreu no Rio de Janeiro, pouco antes do ato em defesa da Petrobras e do modelo de partilha do pré-sal, em que o ex-presidente Lula afirmou: “Eu quero paz e democracia, mas se eles querem guerra, eu sei lutar também” (saiba mais aqui).

As imagens estampadas nos três jornais prometem acirrar ainda mais os ânimos.

Eis a legenda da Folha: BRUTALIDADE – Em ato da CUT e do PT em defesa da Petrobras perto da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio, petista agride homem que pedia o impeachment de Dilma.

Legenda do Estado: Pancadaria no Rio – Em ato de petroleiros no Rio, que teve agressões entre manifestantes, o ex-presidente Lula disse que Dilma Rousseff ‘não pode ficar dando trela’ sobre as investigações na Petrobras e ‘tem de levantar a cabeça’.

Legenda do Globo: Intolerância – Homens com camisa do PT partem para a briga com manifestantes que pedem a saída de Dilma em frente à ABI, no Rio, onde aliados do governo fizeram ato.

A intolerância denunciada pelo Globo tem sido estimulada pela política de criminalização do PT, estimulada pelos meios de comunicação – em especial pelos veículos da família Marinho.

Resultado disso foi a agressão sofrida pelo ministro Guido Mantega, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, de onde foi expulso aos gritos de ‘vai pra Cuba’ e ‘filho da puta’ (leia mais aqui).

Aonde isso vai parar, ninguém sabe. Mas as imagens de ontem, estampadas nos jornais de hoje, certamente elevarão a temperatura do dia 15 de março, dia em que estão previstos protestos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“É como se vivêssemos numa sociedade completamente polarizada, na Espanha da Guerra Civil”, avalia Milton Lahuerta, professor da Unesp, em declaração ao jornal Estado de S. Paulo. “Estamos vivendo um momento de acirramento do debate político, decorrente de um processo eleitoral que terminou mas parece continuar”, afirmou Marco Antonio Teixeira, professor da FGV.

 

 

Operação Lava Jato virou uma grande piada

pavao

O que poderia ser um passo para acabar com a corrupção nos três poderes, provocada pela terceirização de ser√iços, virou um arremedo da República do Galeão, um governo paralelo, criado por oficiais da Aeronáutica para investigar o “mar da lama” do Cadete, no segundo governo de Getúlio Vargas.

A República do Galeão foi uma farsa, um governo espetáculo para fecundar as barrigas dos jornais da oposição golpista, direitista e antidemocrática.

Da República do Galeão o filho bastardo: o Golpe Militar de 64, que mergulhou o Brasil no atraso de 21 anos de escuridão.

Hoje temos, com a Operação Lava Jato, a chamada República do Paraná,

pesado tanque, pela blindagem do governo de Fernando Henrique; ou
leve e perigosa peneira que vaza mentiras, boatos e meias-verdades para o Partido da Imprensa Golpista  realizar campanhas de propaganda marrom.

Falam que a República do Paraná constitui um governo paralelo formado por um delegado da Polícia Federal, um juiz, e uma terceira pessoa que ninguém sabe quem é.

Desta terceira pessoa se diz: É

* uma figura decorativa para formar um triunvirato

* um pessoa qualquer que participe do interrogatório do dia

* um sujeito oculto, que manda em todos, e tem pretensões políticas presidenciais

* uma misteriosa personagem da espionagem internacional que visa desestabilizar governos da América do Sul, e que projetos idênticos estão sendo executados na Argentina, na Venezuela e na Bolívia. E que, também, serão implantados no Chile e no Equador

Assim sendo é um boi voador.

Um pavão misterioso.

 

 

curioso

Boi-Voador
Leia aqui

A conspiração que visa privatizar a Petrobras e o que resta de estatais e derrubar Dilma

República Federativa do Brasil
República Federativa do Brasil. Não esquecer que a República é simbolizada por uma mulher nua

 

A Operação Lava Jato e a CPI da Petrobras são parte de uma conspiração golpista, pelo retorno da ditadura, orquestrada pela imprensa estrangeira e barões brasileiros da mídia corporativa.

Todo golpe pode ser o começo da uma guerra civil ou de uma guerra interna, conforme definição do general e geopolítico Golbery, criador do  Serviço Nacional de Informações (SNI)
Todo golpe pode ser o começo da uma guerra civil ou de uma guerra interna, conforme definição do general e geopolítico Golbery, criador do Serviço Nacional de Informações (SNI)

Hoje, escandalosamente, a British Broadcasting Corporation (BBC)  denuncia:

Que o novo presidente da Petrobras tem que realizar o impossível: “primorar a governança corporativa” da empresa. Que esconde este título? Eis a  frase que nomeia:

“O escândalo da Lava Jato lançou uma nuvem de incertezas sobre os mecanismos de governança corporativa da Petrobras ao sugerir que seus controles não são suficientes para evitar fraudes e abusos”.

Fica explícita a manobra de que a Petrobras deve ser governada pelos acionistas privados, cujos investidores estrangeiros são majoritários.

Esta proposta vai além. Significa a tomada do comando do que resta de estatais brasileiras. Conclui a inglesa BBC:

“O pior é que essas suspeitas sobre a governança corporativa da Petrobras prejudicam também outras empresas brasileiras listadas em bolsa”, diz Michael Viriato, professor do Insper.
“Se nem os controles da estatal funcionaram, por que os investidores vão acreditar que os de outras empresas brasileiras funcionam?”

gasolina

Ali Kamel é manipulador e faz jornalismo de hipóteses

tv manipulação pensamento globo

Neste blog existem várias reportagens, artigos, entrevistas denunciando o jornalismo das empresas Globo como manipulador, parcial, tendencioso, mentiroso e vendido. Vide links. Um jornalismo baseado em hipóteses.

E quem dirige esse jornalismo safado, vendido (vide relatório do honrado deputado Djalma Aranha Marinho, hoje nome do plenário da Comissão de Constituição e Justiça), principalmente o da TV Globo?

Os manipuladores são os jornalistas que exercem os cargos da máxima confiança dos proprietários. Um diretor de jornalismo aprova a pauta de reportagens, seleciona os textos, as imagens e os áudios. Tudo conforme os interesses dos patrões.

Um jornalismo livre apenas é possível quando o Conselho de Redação, exclusivamente eleito por empregados sem cargos de chefia, decide a linha editorial.

A criação dos Conselhos deveria constar da Lei dos Meios, que o Brasil não possui, para evitar o monopólio, que cria o atual jornalismo manipulador do pensamento único, da censura dos empresários, do nefasto e profético Big Brother (O grande irmão Marinho, empregador de Ali Kamel) previsto por Georger Orwell.

Denunciada a existência do Partido da Imprensa Golpista (PIG)
Denunciada a existência do Partido da Imprensa Golpista (PIG)

 

globo tv pig golpista

pensamento único censura justiça

Com o monopólio dos meios, a liberdade de imprensa constitui uma propriedade das empresas, e não um direito do jornalista.

O jornalismo é feito de hipóteses. Em geral, um enunciado (ou conjunto de enunciados) que possa ser colocado à prova, atestado e controlado só indiretamente, isto é, através das suas consequências. A característica da hipótese é, portanto, que ela não inclua nenhuma garantia de verdade nem a possibilidade de uma verificação direta.

A manipulação começa pela escolha do jornalista (o patrão sabe que tipo de texto escrito se pode esperar de um editor que ele empregou). A preferência das fontes de informação (agências nacionais e estrangeiras, autoridades, pessoas de prestígio etc), sem esquecer que Carlinhos Cachoeira era ouvido e cheirado pela Veja e Globo. O abuso dos releases. A definição do espaço na imprensa, no jornalismo on line; e do tempo na tv e rádio.  E a mensagem vai da mentira a uma meia-verdade. De um balão de ensaio à propaganda (repetição) dos teasers.

tv globo

Kamel versus Nassif: a diferença de tratamento que a Justiça dá a casos semelhantes

 

por Paulo Nogueira

Falta de objetividade e de coerência nas decisões da Justiça
Falta de objetividade e de coerência nas decisões da Justiça

Da Justiça se espera ao menos uma coisa: que seja coerente nas decisões.

É a única forma que os cidadãos têm de medir eventuais consequências jurídicas de suas ações.

Estou falando isso a propósito da decisão da Justiça do Rio de condenar Luís Nassif a pagar 50 mil reais de indenização para Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo.

A juíza Larissa Pinheiro Schueler baseou sua decisão no fato de Nassif haver afirmado que Ali Kamel é “manipulador” e faz “jornalismo de hipóteses”. Isso, segundo ela, extrapolaria o “direito à informação”.

Aplique esta mesma lógica não apenas para Nassif, mas para a mídia em geral. Não faz muito tempo, no âmbito da mesma Globo de Kamel, os nordestinos foram chamados de “bovinos” por Diogo Mainardi.

Se “manipulador” custa 50 mil reais, qual seria a indenização para “bovinos”? Ou, já que falamos de Mainardi, de “anta”, como ele tratava rotineiramente Lula em seus dias de colunista da Veja?

A Justiça deveria, em tese, ser igual para todos, mas é mais igual para alguns do que para outros.

monopólio tv censura

Há uma decisão jurídica recente que demonstra isso com brutal precisão.

O jornalista Augusto Nunes, o Brad Pitt de Taquaritinga, foi processado por Collor. Quer dizer: Collor fez o que Kamel fez.

Com uma diferença: perto do que Nunes disse dele, Nassif arremessou flores na direção de Kamel.

Começa no título: “O farsante escorraçado da Presidência acha que o bandido vai prender o xerife”.

Um trecho: “… o agora senador Fernando Collor, destaque do PTB na bancada do cangaço, quer confiscar a lógica, expropriar os fatos, transformar a CPMI do Cachoeira em órgão de repressão à imprensa independente e, no fim do filme, tornar-se também o primeiro bandido a prender o xerife.”

O site Consultor Jurídico noticiou o caso assim:

“Na sentença, a juíza Andrea Ferraz Musa, da 2ª Vara Cível do Foro de Pinheiros, disse que, em um estado democrático, o jornalista tem o direito de exercer a crítica, ainda que de forma contundente.

(…) “Embora carregada e passional, não entendo que houve excesso nas expressões usadas pelo jornalista réu, considerando o contexto da matéria crítica jornalística. Assim, embora contenha certa carga demeritória, não transborda os limites constitucionais do direito de informação e crítica”, disse a juíza.

(…) No pedido de indenização, Collor alegou que foi absolvido de todas as acusações de corrupção pelo Supremo Tribunal Federal e que há anos vem sendo perseguido pela Abril.

A juíza, entretanto, considerou irrelevante a decisão do STF. “As ações políticas do homem público estão sempre passíveis de análise por parte da população e da imprensa. O julgamento do STF não proíbe a imprensa ou a população de ter sua opinião pessoal sobre assunto de relevância histórica nacional”, justificou.”

Um momento. Ou melhor: dois momentos. “Irrelevante” a decisão do STF? Então você é absolvido de acusações na mais alta corte do país e mesmo assim isso não vale nada? Podem continuar a chamar você de bandido sem nenhuma consequência?

A juíza aplicou uma espetacular bofetada moral no STF em sua sentença. Como para Augusto Nunes, também para ela não houve nenhuma consequência.

Se um juiz trata assim uma decisão da Suprema Corte, qual o grau de respeito que os cidadãos comuns devem ter pela Justiça?

O segundo momento é por conta da expressão “certa carga demeritória”. Raras vezes vi uma expressão tão ridícula para insultos e assassinato de imagem.

Regular a mídia é, também, estabelecer parâmetros objetivos para críticas e acusações feitas por jornalistas.

Não é possível que “manipulador” custe 50 mil reais e “bandido”, “chefe de bando”, “farsante” e “destaque da bancada do cangaço” zero.

Quando você tem sentenças tão opostas, é porque reinam o caos e a subjetividade.

A única coisa que une o desfecho dos dois casos é que jornalistas de grandes empresas de mídia se deram muito bem.

Isso é bom para eles e as empresas nas quais trabalham.

Para a sociedade, é uma lástima.

Enio
Enio
O debate da lei dos meios na Argentina
O debate da lei dos meios na Argentina

UJS rechaça comportamento da mídia brasileira no caso Charlie Hebdo

A UJS emitiu uma nota, na tarde desta quinta-feira (8) em solidariedade ao jornal francês Charlie Hebdo e em rechaço à imprensa brasileira que tenta, a todo custo, distorcer o fato e usar uma tragédia em benefícios próprios, ao manipular informações de modo a direcionar a opinião pública contra a democratização dos meios de comunicação no Brasil.

Crítica ao sistema bancário, em  2011, com a mensagem %22A Europa é governada pela banca%22 como título e Hitler a exclamar %22Que idiota, eu devia era trabalhar no BNP%22 (o BNP é um banco francês com sede em Paris, um dos maiores da Europa)
Crítica ao sistema bancário, em 2011, com a mensagem “A Europa é governada pela banca”, como título, e Hitler a exclamar “Que idiota, eu devia era trabalhar no BNP” (o BNP é um banco francês com sede em Paris, um dos maiores da Europa)
Quando se soube do escândalo sexual de François Hollande, que teria uma amante há vários anos, o jornal resolveu mostrar os genitais do líder do país
Quando se soube do escândalo sexual de François Hollande, que teria uma amante há vários anos, o jornal resolveu mostrar os genitais do líder do país

 

Je suis Charlie 

 

A União da Juventude Socialista manifesta publicamente o seu rechaço ao ataque a sede e ao assassinato dos membros do jornal francês Charlie Hebdo. Consideramos este um ataque a pluralidade de opiniões que o periódico representa de maneira altiva desde os anos 70.

Tais ataques servem somente para reforçar os sentimentos de intolerância quanto às diferenças políticas e ideológicas presentes na nossa sociedade em especial a ultra direita francesa e européia.

Ao mesmo tempo condenamos também, a utilização da tragédia por parte dos setores conservadores e de direita para reforçar seu discurso anti-semita, xenófobo e anti-imigrante. É importante frisar que este é um ataque, sobretudo à esquerda francesa e européia que tinha no Charlie Hebdo um instrumento de debate e luta junto à sociedade contrapondo visões conservadoras sempre em defesa da democracia.

Da mesma forma a mídia brasileira responde a esse ato ao seu velho estilo: a manipulação! Aqui os grandes meios de comunicação, controlados por oito famílias, se apresentam como paladinos da liberdade e caracterizam os atos como um ataque a uma etérea e vaga liberdade de imprensa.

Diante disso buscam associar movimentos que lutam, aqui, por uma imprensa livre e democrática, tal qual o Charlie Hebdo na França, a ações extremistas contrárias à liberdade de imprensa. Porém, a fachada democrática construída pelo PIG esconde o medo de movimentos e ações democratizadoras nos meios de comunicação brasileiros.

A União da juventude Socialista defende uma sociedade plenamente democrática, socialmente justa, desenvolvida e soberana. Por isso, defendemos o fim do monopólio midiático e a possibilidade de que as vozes do povo brasileiro manifestem-se em igualdade de condições.

Realizamos o ato na Editora Abril [às vésperas das eleições presidenciais, contra a capa da revista Veja] para revelar o caráter golpista desse e dos grandes veículos de comunicação deste país. Realizamos o ato na Editora Abril para revelar o seu compromisso histórico com os regimes autoritários que impuseram as mais cruéis formas de opressão ao povo brasileiro.

Que o exemplo de luta dos companheiros do Charlie Hebdo inspire a juventude, os movimentos sociais, as forças democráticas, todos os cidadãos honestos do Brasil e do mundo a lutar pela democracia e pela paz.

Por nossos mortos nenhum minuto de silêncio, toda uma vida de combate!

Je Suis Charlie! [Eu sou Charlie, em francês]

 

jornalaismo baroes midia