A blasfêmia do Porsche de Jesus.com

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O carro de luxo de Cunha me fez pensar nos milhares de evangélicos que sacrificam parte de seus recursos para alimentar uma igreja

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por JUAN ARIAS/ El País/ Espanha

Como qualificar, desde um ponto de vista de sensibilidade religiosa, a união do nome de Jesus a um Porsche de luxo proporcionada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), membro da Igreja Evangélica? E a situação é ainda pior se existe a suspeita de que a frota de carros, cotados em mais de um milhão de reais, que Cunha possui poderia ser um fruto maldito da corrupção política. Para muitos cristãos deve ter parecido blasfêmia, um vocábulo que, em sua acepção original, significa um “insulto a Deus” e, em seu sentido mais amplo, representa uma irreverência em relação a algo considerado sagrado.

Cunha é, segundo sua biografia, cristão evangélico, de uma igreja que considera Jesus como o filho de Deus. E esse filho de Deus, segundo os textos sagrados, que os evangélicos conhecem e sobre os quais meditam todos os dias, “não tinha onde repousar a cabeça”, era mais um pobre entre os pobres, amigo e defensor de todos os desamparados.

Talvez o político e evangélico Cunha não seja o maior responsável por esse circo de corrupção que suja a vida pública do Brasil e deixa atônitos, com seus números milionários, os trabalhadores honrados que suam para ganhar um salário que quase não é suficiente para cobrir suas necessidades. Cunha pertence, no entanto, a uma igreja, que se inspira nos princípios cristãos, mas que não esconde suas pretensões de conquista do poder político no Brasil, chegando a sonhar com um presidente da República evangélico que se baseie mais na Bíblia do que na Constituição.

Isso faz com que os supostos escândalos de corrupção de Cunha, que poderiam ter circulado através de firmas que levam o nome sagrado de Jesus.com, adquiram um simbolismo negativo que não deixa de chocar e escandalizar duplamente.

Lendo a notícia sobre o Porsche Cayenne registrado em nome da empresa Jesus.com, propriedade da família Cunha, não pude deixar de me perguntar o que pensam essas centenas de milhares de evangélicos sinceros, que, fiéis a seus princípios religiosos, sacrificam, cada mês, de boa fé, uma parte de seus pequenos recursos para alimentar uma Igreja cujos membros mais responsáveis se revelam milionários e, o que é pior, acusados de enriquecimento ilícito.

O fato me trouxe à memória a história de um trabalhador que perfurava poços com uma ferramenta rudimentar e grandes esforços físicos. Levava ao trabalho um pedaço de pão com salsicha para não perder tempo tendo que voltar a casa. Ouvi quando ele comentou, enquanto secava as gotas de suor que escorriam por seu rosto, que aquele mês estava em apuros porque não sabia se ia a poder pagar sua parcela à Igreja evangélica à qual pertencia.

Temia a reprovação do pastor e até o castigo do bom Deus. São dois mundos, que se cruzam e que usam o nome de Jesus, para a esperança e a fé verdadeira, e também para blasfemá-lo. “Raça de víboras”, assim o manso e pobre Jesus dos Evangelhos caracterizava aqueles que, segundo sua própria expressão, “jogavam sobre os ombros dos outros pesos que eles não podiam suportar”.

Dois mil anos depois, aquelas palavras continuam a nos interrogar, enquanto seguem vivos os novos Pilatos que lavam suas mãos ostentando inocência e que ainda se perguntam: “O que é a verdade?”.

Uma questão para a qual os brasileiros honrados, que amam e sofrem seu país, gostariam de poder ter uma resposta nesses momentos difíceis, nos quais as palavras perdem seu valor, ou são degradadas como a de Jesus, com o rótulo blasfemo desse Porsche Cayenne S de luxo.

Até onde e até quando se manterá contida a ira dos mansos que contemplam, incrédulos, cada manhã, a novela de novas supostas e comprovadas desmoralizações por parte daqueles que deveriam servir de guias e exemplos da vida pública?

Jesus, não o do Porsche de Eduardo Cunha, mas o dos Evangelhos, afirmou que a verdade está sempre nas mãos dos puros de coração e dos semeadores da paz. O ódio tem sempre um sabor diabólico.

Nani

Quando o povo existe para a imprensa que mente

O povo sabe diferenciar o que é e não é notícia, porque ama a verdade.

Os jornais brasileiros mentem, e perdem leitores. Deixaram a informação de lado pra fazer propaganda dos interesses dos seus proprietários.

As manchetes dos jornais de hoje são vergonhosas. Venderam a notícia de que o povo foi pra rua, ontem, para pedir o fora Dilma, e o retorno da ditadura militar.

O Jornal do Comércio do Recife informa que 450 mil protestaram nesta domingo 12 de abril, nas ruas de todas capitais.  E informa que, apenas nas escolas de pernambuco,  "temos 650 mil alunos sem aulas". Teve jornais que noticiaram uma multidão de 100 mil na cidade de São Paulo
O Jornal do Comércio do Recife destaca que 450 mil protestaram neste domingo, 12 de abril, nas ruas de todas capitais. E informa que, apenas nas escolas de Pernambuco, “temos 650 mil alunos sem aulas”. Os jornais noticiaram uma multidão de 100 mil na cidade de São Paulo
A Gazeta de Vitória contou 30 mil pessoas. Qual foto tem mais gente
A Gazeta de Vitória contou 30 mil pessoas. Qual foto tem mais gente?
A Folha de São Paulo ora conta para mais ora para menos...
A Folha de São Paulo ora conta para mais ora para menos…

 

O Zero Hora de Porto Alegre parte para a comparação. E aumenta os 100 mil da Folha de S. Paulo para 250 mil
O Zero Hora de Porto Alegre parte para a comparação. E aumenta os 100 mil da Folha de S. Paulo para 250 mil

manifestação  estatística multidão pm

Multidao mentira

Acontece que o povo não apóia os partidos da extrema-direita e direita, PSDB e PMDB, que votaram a terceirização, o emprego indireto e precário, o trabalho escravo.

Destaca a Veja, que vem perdendo leitores:

Mãe publica foto de biquíni na internet e tem quase 500 mil curtidas; entenda o motivo

mãe

Mãe de três filhos, a americana Rachel Hollis estava de férias com o marido em Cancun quando ela pediu para ele tirar uma foto sua, aproveitando o sol e a areia branca, num biquíni laranja incrível. Feito o clique, a moça percebeu que a imagem mostrava as marcas deixadas pelos nascimentos de seus filhos em sua barriga.

Foi então que ela resolveu compartilhar a imagem em seu Facebook, junto com uma impactante mensagem sobre amor próprio:

“Eu tenho estrias e eu uso um biquíni.
Eu tenho uma barriga que é permanentemente flácida de carregar três bebês gigantes e eu uso um biquíni.
Meu umbigo é caído (e isso é algo que eu nem sabia que era possível) e eu uso um biquíni.
Eu uso um biquíni porque eu tenho orgulho do meu corpo e cada marca nele.
Essas marcas provam que eu fui abençoada por carregar meus filhos e a flacidez comprova que eu batalhei para perder peso.
Eu uso um biquíni porque o único homem cuja opinião importa sabe pelo que eu passei para ser assim.
E este mesmo homem diz que ele nunca viu nada mais sexy que o meu corpo, com marcas e tudo mais.
“Elas não são cicatrizes. São listras amigas, e você as mereceu.
Exiba seu corpo com orgulho“

Rachel-Hollis

Veja vídeo

Acontece com a nudez. Que pode ser indecente, pornográfica, humilhante, mas que pode ser também uma exaltação à beleza, glorificante e divina. Leia aqui O Vermelho e o Cinza

Assim são todas as marcas do corpo. Notadamente as marcas do tempo.

caras e bundas

Marlene Senna divulgou esta foto, no Facebook, das manifestações desde domingo 12 de abril, pelo retorno da ditadura, indagando: “Terceirizaram as roupas das gúrias?…”

 

Jornalistas mineiros denunciam “ação golpista e antinacional” da imprensa conservadora

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do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, enviado por Eliara Santana

Os ares da liberdade não estão circulando de forma desimpedida no Brasil.

Há pouco fôlego para o debate de ideias e menos espaço para o exercício meticuloso, criativo e responsável da busca da verdade.

O jornalismo, com sua tarefa civilizadora de consagrar o direito à informação, vem perdendo sua força em razão do domínio empresarial de um negócio em profunda crise de identidade por razões tecnológicas, econômicas e morais.

O setor deixou de lado suas bases históricas para se definir por meio de alianças cada vez mais incontestáveis com projetos econômicos liberais e de poder político conservador. O resultado tem sido uma perda de relevância do jornalismo. De fiador da liberdade a ator interessado, com visão particular de mundo, sociedade e política, a indústria da notícia ocupa hoje um lugar estranho à sua origem e razão de ser.

A realidade da divisão social foi transformada pela mídia em ambiente de doentia confrontação, que alimenta o golpismo contra a democracia real e estimula o ódio entre as pessoas.

A imprensa, nesse contexto, vem cumprindo a triste missão de desinformar para manipular melhor.

Os jornalistas, nessa hora nebulosa, precisam trazer seu raio ordenador: o sentido da verdade, a crença na pluralidade, a força do argumento contra o nivelamento rasteiro do pensamento único. O teste vigoroso da investigação jornalística, do conhecimento fundado nos fatos, do alimento à reflexão, da sensibilidade humana aos personagens da vida real.

É urgente a defesa das conquistas democráticas, com sua pletora de ideias dissonantes em livre e saudável embate, em lugar do autoritarismo dos colunistas orgânicos, homens e mulheres servis aos patrões, das repetições acríticas das análises prontas, e do silêncio constrangido. Ações deletérias que se armam a partir das mais torpes estratégias, como a mentira, o cinismo, a venalidade e a censura.

É hora do jornalismo responsável. Contra a lógica destrutiva do quanto pior melhor; em confronto com as simplificações que personalizam os problemas estruturais; em franco embate com a defesa do privilégio, do preconceito e da exclusão.

Um jornalismo feito com força moral para combater a corrupção em toda sua extensão. Com apuro técnico que desvele as antecâmaras de uma sociedade desigual e concentradora. Com ligações com o sentimento popular e as verdadeiras expressões de aprimoramento social e humano. Uma trincheira ética que todos reconheçam.

Para isso é preciso que se enfrentem grandes inimigos e estruturas seculares que construíram um dos mais lucrativos mercados do planeta que, se hoje claudica, não é por falta de privilégios, mas pela incapacidade de competir de forma honesta, já que foi nutrido em ambiente protegido. Uma flor de estufa que apodrece em praça pública. Mais que um sistema de ampliação de vozes, a imprensa brasileira confunde a voz do dono com o dono da voz.

Um setor que defende o mercado, mas que quer se eximir de seus controles. Que não aceita regulações nem mesmo quando exerce uma concessão pública por natureza precária e sujeita a renovações. Incapaz de compreender a dimensão pública do direito à informação. Que se arvora em cantar loas à competição enquanto luta ferozmente para manter privilégios na distribuição das verbas publicitárias públicas. Que, em ato repetido de má fé, confunde regulamentação com censura.

Uma indústria eivada de estereótipos, que não gosta do povo, que criminaliza a miséria, que promove o racismo e a violência contra minorias. Que parte de noções preconcebidas, que transforma ideologias em fatos, que vai ao mundo apenas para validar sua visão menor de realidade e seu desprazer em conviver com a diferença.

E nesse quadro de capitulação da imprensa conservadora diante dos poderosos, os jornalões e as cadeias de tevê e rádio lançam-se à mais implacável campanha de descrédito e desestabilização do governo da República. Não pelos seus possíveis erros, mas pelos seus muitos acertos. Os jornalistas denunciam mais essa ação golpista e antinacional da imprensa conservadora, explorando problemas conjunturais que o Brasil enfrenta (como de resto, tantos outros países), para a defesa de seus interesses e dos setores que representam.

É contra tudo isso que os jornalistas se unem em coro com a população brasileira. Pela liberdade de expressão, pela liberdade de informação, pela defesa da riqueza brasileira, na figura de sua maior e mais valiosa empresa, a Petrobras; pelos valores democráticos, pelos direitos humanos, contra todas as formas de golpe e de fascismo.

Um jornalismo de combate.

Um jornalismo de afirmação.

Jornalistas pela verdade.

Jornalistas por uma nova narrativa pública.

Jornalistas pela igualdade.

Jornalistas por um mundo mais humano.

Jornalistas pelo Brasil.

Casa do Jornalista, 8 de abril de 2015.

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Papa Francisco: Arcebispo Romero assassinado pela ditadura será beato

Promulgação do decreto relativo ao martírio

 

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Oscar Arnolfo Romero Galdámez será beato. Decidiu o Papa Francisco, que na segunda-feira, 3 de Fevereiro – durante a audiência concedida ao prefeito da Congregação para as causas dos santos – autorizou a promulgar o decreto relativo ao martírio do arcebispo de San Salvador, assassinado a 24 de Março de 1980 enquanto celebrava a missa. Na mesma circunstância foram autorizados os decretos relativos ao martírio de dois franciscanos conventuais e de um sacerdote assassinados em 1991 no Peru, e às virtudes heróicas do servo de Deus Giovanni Bacile.

Eis o texto dos decretos:

A 3 de Fevereiro o Santo Padre recebeu em audiência particular o Cardeal Angelo Amato, S.D.B, prefeito da Congregação para as causas dos santos, durante a qual autorizou a Congregação a promulgar os decretos relativos:

— ao martírio do Servo de Deus Oscar Arnolfo Romero Galdámez, arcebispo de San Salvador; nascido a 15 de Agosto de 1917 em Ciudad Barrios (El Salvador) e assassinado, por ódio à fé, no dia 24 de Março de 1980, em San Salvador (El Salvador);

— ao martírio dos servos de Deus Miguel Tomaszek e Sbigneo Strzałkowski, sacerdotes professos da Ordem dos frades menores conventuais, e Alessandro Dordi, sacerdote diocesano; assassinados, por ódio à Fé, a 9 e a 25 de Agosto de 1991, em Pariacoto e em Rinconada, nos arredores de Santa (Peru); e

— às virtudes heróicas do servo de Deus Giovanni Bacile, arcipreste decano de Bisacquino; nascido em Bisacquino (Itália), no dia 12 de Agosto de 1880 e ali falecido em 20 de Agosto de 1941.

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Óscar Arnulfo Romero Galdámez, conhecido como Monsenhor Romero, (Ciudad Barrios, San Miguel, 15 de agosto de 1917 — San Salvador, 24 de março de 1980) foi o quarto arcebispo metropolitano de San Salvador (1977-1980).

Nomeado em 3 de fevereiro de 1977, exerceu um apóstolo da não-violência, posição que o levou a ser comparado ao Mahatma Gandhi e a Martin Luther King.

Óscar Romero passou a denunciar, em suas homilias dominicais, as numerosas violações de direitos humanos em El Salvador e manifestou publicamente sua solidariedade com as vítimas da violência política, no contexto da Guerra Civil de El Salvador, governado por uma cruel ditadura, tal como acontecia noutros países das América do Sul e Central, inclusive o Brasil.

 

A morte

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Na homilia de 11 de novembro de 1977, Monsenhor Romero afirmou: “a missão da Igreja é identificar-se com os pobres. Assim a Igreja encontra sua salvação.”

Óscar Romero foi assassinado quando celebrava a missa, em 24 de março 1980, por um atirador de elite do exército salvadorenho, treinado nas Escola das Américas. Sua morte provocou uma onda de protestos em todo o mundo e pressões internacionais por reformas em El Salvador.

Em 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 24 de março como o Dia Internacional pelo Direito à Verdade acerca das Graves Violações dos Direitos Humanos e à Dignidade das Vítimas em reconhecimento à atuação de Dom Romero em defesa dos direitos humanos.

A Comissão da Verdade que investigou os crimes cometidos durante a guerra civil de El Salvador indicou em seu relatório, feito há 20 anos, a “evidência plena” da cumplicidade no assassinato do também já falecido Roberto D’Aubuisson, fundador da ARENA (Aliança Republicana Nacionalista), partido que governou o país entre 1989 e junho de 2009.

No entanto, uma Lei de Anistia aprovada em 1993, um ano depois dos Acordos de Paz de 1992 que puseram fim à guerra, deixou na impunidade tanto o homicídio de Romero como outros crimes de lesa humanidade.

A guerra civil salvadorenha deixou um saldo de 75 mil mortos, oito mil desaparecidos e 12 mil aleijados.

Na Galeria dos mártires do século XX da Abadia de Westminster- Madre Elisabeth da Rússia, o Rev. Martin Luther King, o Arcebispo Óscar Romero e o Pastor Dietrich Bonhoeffer
Na Galeria dos mártires do século XX da Abadia de Westminster- Madre Elisabeth da Rússia, o Rev. Martin Luther King, o Arcebispo Óscar Romero e o Pastor Dietrich Bonhoeffer

Charlie Hebdo ridiculariza todas as religiões, menos uma

O jornal Charlie Hebdo era internacionalmente conhecido por debochar da Santíssima Trindade, da virgindade da Imaculada Conceição, dogmas do cristianismo; e fazer palhaçadas com o profeta Maomé, venerado pelos muçulmanos.

Jamais criticou o judaísmo. Por quê?

A chamada grande imprensa esconde. Idem os jornalões brasileiros. Publicado in Contexto Livre:

Os Rothschild compraram o Charlie Hebdo pouco antes dos atentados em Paris

 

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Rothschild

Pra quem ainda acredita que o massacre em Paris não foi ‘false flag’, segue material para reflexão

Os atentados de 7 de janeiro em Paris cada vez mais se parecem ao 11-S. Se fôssemos da Guarda Civil diríamos que o “modus operandi” é o mesmo, que é a mesma mão que balança o berço.

O caso é que uma revista econômica holandesa, Quote, revelou a informação da compra em 9 de janeiro, dois dias depois dos atentados, leia aqui

E o jornal alemão NeoPresse a reproduziu dez dias depois. Confira aqui

A família de banqueiros Rothschild comprou uma revista em ruínas em dezembro do ano passado e ao mesmo tempo o jornal “Libération“, outro velho fóssil de maio de 68, que entrara para as fileiras da pura e dura reação há muito tempo.

Se alguém tinha dúvida dos motivos pelos quais os últimos números de Charlie Hebdo estavam sendo lançandos desde a redação do “Libération”, aqui está a resposta: porque são do mesmo dono.

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A aquisição não foi pacífica; ocorreram desentendimentos dentro da família de banqueiros, conta o Barão Philippe de Rothschild numa entrevista publicada por Quote. O tio Edouard não queria comprá-la porque isso lhes traria um poder político que não queriam, diz o sobrinho à revista. “Não nos queremos misturar em política”, assegura Philippe, “ou pelo menos não de uma maneira tão aberta“.

Se isso estiver correto, como parece, a pergunta é inevitável: foi o atentado contra a revista outro negócio redondo por parte dos Rothschild? Eles a compraram a preço de banana, porque antes de 7 de janeiro, a revista só gerava prejuízos.

Mas se só gerava prejuízos, que interesse teriam os banqueiros em comprar uma revista em ruínas? É então que aparece o aspecto político que o Barão Philippe quer manter em segundo plano: para continuar com as provocações de Charlie Hebdo contra os muçulmanos.

Teremos Charlie Hebdo por algum tempo. Agora que a revista passou a ter não somente 60.000 leitores, mas uma audiência de sete milhões. Além do dinheiro que está chovendo, não só do Estado francês, senão procedente de investidores privados. Estão se forrando.

Mas não sejam vocês preconceituosos nem conspiratórios. Nada do que acabamos de expôr significa que os Rothschild organizaram os atentados, nem muito menos que fizeram matar pessoas pelo vil dinheiro. De jeito nenhum. É claro que o que aconteceu em Paris é uma cópia quase exata do 11-S em Nova York, onde asseguraram os ataques terroristas as Torres Gêmeas pouco antes de derrubá-las, é pura coincidência.

E se a imprensa internacional não publicou nada disto, é porque ainda não estão informados. E quando souberem, será notícia no telejornal das 9 da noite. O que tinham pensado? Pensaram que lhes ocultariam a informação? Que não lhes contariam toda a verdade e nada mais que a verdade?

 

 

Entrevista glorifica Venina, a trelosa nepotista da Petrobras

No último domingo, as denúncias de corrupção da Operação Lava Jato ganharam mais um capítulo melodramático. A ex-gerente Venina Velosa da Fonseca concedeu uma entrevista exclusiva à jornalista Glória Maria, que foi ao ar no Fantástico. “Ela me escolheu porque achava que eu era uma das repórteres de mais credibilidade, e se sentiria mais à vontade e com mais confiança ao falar comigo”, explica.

Elegeu uma repórter que é a glória do jornalismo desacreditado da TV Globo. Sim, uma repórter da máxima confiança. Duvido que a Velosa preferisse um Jô Soares.

Segundo Glória Maria, as negociações para a entrevista foram muito rápidas. “Isso começou no sábado e a gente gravou domingo para o programa. Nós fizemos uma entrevista de, mais ou menos, 1h30 e foi ao ar 30 minutos”, conta ela no Altas Horas que vai ao ar no sábado, 27. Certo, taí uma coisa verdadeira: “As várias negociações…”

“A gente conversou durante uma hora e vi que ela era uma pessoa correta”. Glória Maria, além de repórter é psicóloga e psiquiatra. Que prova tem Glória Maria para dizer que uma pessoa é “correta” com base em uma conversa de uma hora? Olhômetro?

Incorreta foi a entrevista. Não foram checadas outras fontes.
A jornalista comenta que não houve nenhum tipo de restrição de pergunta por parte de Venina Fonseca: “Ela não sabia o que seria perguntado, porque eu não seria uma jornalista séria se dissesse as perguntas antes ou se aceitasse qualquer tipo de restrição. Não houve combinação, as perguntas foram feitas na hora e ela respondeu a todas sem hesitar”. Ora, ora, Glória, você perguntou o que era do agrado da entrevistada e do interesse dos seus patrões: os irmãos Marinho.

Glória Maria confessa que achou Venina uma pessoa extremamente sincera e correta. “Eu já tenho algum tempinho de jornalismo, então, conheço um pouco as pessoas. Quando ela me escolheu para dar essa entrevista, quis primeiro conhecê-la. A gente conversou durante uma hora e vi que ela era uma pessoa correta, pelo menos me pareceu”, garante a repórter.

“Pelo menos me pareceu”, isso é uma observação visual, sem precisão nenhuma.

Numa conversa apressada, a Glória é capaz de conhecer o caráter de uma pessoa, de julgar seu passado, de desnudar sua alma. É muita pretensão. De jornalista que tem o rei na barriga.

Durante o programa, Glória ainda comenta que a ex-gerente da Petrobras lhe pareceu uma mulher sofrida: “Ela viveu muito tempo em Singapura passando por dificuldades, acabou um casamento, sua família foi destruída, porque parece que ela estava sendo ameaçada o tempo todo”. Ingenuidade da Glória, que nada sabe do veneno de Venina Veloza.

Glória ficou bem comovida com o teatro encenado pela Globo. E as perguntas de Gloria tiveram o efeito desejado.

Informa 247: “No ponto melodramático da entrevista, Venina foi às lágrimas, quando Gloria Maria a perguntou sobre sua família. ‘Eu tinha uma família. Não vi minha mãe ficar cega e meu marido teve de retornar para poder trabalhar’, disse Venina, atribuindo o divórcio ao fato de ter sido enviada para Singapura. Lá, ela insinua ter sido colocada na geladeira para não criar mais problemas para seus superiores.

No fim, Venina fez um convite para que outros funcionários da Petrobras denunciem seus superiores. ‘Estou convidando você também’, disse ela, para que os brasileiros possam voltar a sentir ‘orgulho da empresa”.

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Triste final de carreira para Glória Maria, que escondeu propositadamente, ou não pesquisou a verdade.

Ainda no 247: “A principal revelação foi o fato de Venina ter admitido que contratou o então namorado, com quem depois se casou, para a realização de serviços de consultoria por R$ 7,8 milhões. (…)

‘Foram dois contratos. Um em 2004 e outro em 2006. Mas nós só nos casamos em 2007’, disse Venina Velosa, ex-gerente executiva da Petrobras. Assim ela justificou o fato de ter contratado, por R$ 7,8 milhões, seu ex-marido para a realização de serviços de consultoria para a Petrobras. Venina disse ainda que, após o casamento, os contratos foram interrompidos, mas não informou quanto havia sido pago até o enlace matrimonial”. Isso Glória, a Glória da Globo não perguntou.

“Tenho algum tempinho de jornalismo, então, conheço um pouco as pessoas”. Conhece tanto que esqueceu a imparcialidade, e produziu um cantinho humilde da moradia para passar a idéia de que Venina Velosa passa dificuldades.

Quando o jornalista Jorge Bastos Moreno revelou que Venina “contratou, sem licitação, a empresa Salvaterra, do hoje ex-marido, Maurício Luz, em 2004 (R$ 2,4 milhões) e 2006 (R$ 5,4 milhões), para serviços de consultoria; e também a de Nílvia Vogel como funcionária local, mas custeando sua mudança, quando exercia a representação em Singapura. Há outros processos contra ela na empresa (Petrobras)”.

Essa é a mulher “extremamente sincera e correta” de Glória Maria.

Comenta Paulo Henrique Amorim: “Venina voltou na semana passada e perdeu o cargo de chefe do escritório (de Singapura) porque uma investigação da Petrobras apontou-a como uma dos 11 funcionários responsáveis por não conformidades em contratações das obras da refinaria de Abreu e Lima.

-E pau que dá em Paulo Roberto dará em Venina.

– Isso veremos.

– Por que ?

– Porque a Venina entrou para o elenco fixo da Globo.”

Hotel Marina em Singapura
Hotel Marina em Singapura

Debate eleitoral, a hora da verdade que a mídia esconde

A cara de cínico

 

A cara de cínico, contendo o riso de malandro.  O eterno playboy acostumado a bater em mulher, a censurar jornalistas, no debate da SBT foi obrigado a escutar verdades jamais ditas. Dilma não teve medo dos milicos na ditadura. E enfrenta todo santo dia o pantin da imprensa golpista. T.A.   

UM DEBATE PARA CAIR NA RUA, NA BOCA DO POVO

 

Enio
Enio

 

por Fernando Brito

Claro que os comentaristas da imprensa vão dizer que o debate foi ruim para os dois candidatos, tamanha foi a troca de acusações entre Dilma e Aécio.

Mas ele teve um grave problema para Aécio Neves, agravado pelo horário em que foi ao ar, fora das maratonas madrugadoras dos encontros anteriores.

Foi o de colocar “na rua” os fatos que pouco ou nada estavam na boca do povo.

O nepotismo.

A propaganda oficial nas rádios de propriedade dele.

O sumiço do dinheiro da Saúde e da Educação em Minas.

A corrupção engavetada do tucanato.

E, claro, o aeroporto do titio, este já de maior conhecimento público.

Mesma situação do episódio da recusa de Aécio ao teste do bafômetro.

Além de tocar na acusação de Paulo Roberto Costa ao então presidente do PSDB, Sérgio Guerra, ter levado algum para parar – como parou – a CPI da Petrobras em 2009, colocando o tema em pauta e impedindo que a mídia em geral “engavete” a REPORTAGEM DA FOLHA.

Depois de um começo mais tenso, Dilma se soltou.

Politizou a falta d’água em São Paulo.

Ao ponto de um impagável “Aécio, isso é feio…”

Aécio estava visivelmente nervoso, até porque sabe, nos levantamentos que tem, que já estava em situação mais desvantajosa do que aquela que as pesquisas apontam.

Foi-lhe cobrado ser mais agressivo – inclusive publicamente por Ricardo Noblat, que escreveu um post em seu blog intitulado “OU AÉCIO PARTE PARA CIMA DE DILMA OU MORRERÁ NA PRAIA” – e foi.

Mas talvez não contasse com que Dilma fosse também e repisasse o que saiu só lá pela meia-noite no debate da Band.

E Dilma foi muito mais dura.

E colhe daí um benefício extra-debate.

Incendiou seus apoiadores e mostrou-lhes que é hora de partir para cima, sem os punhos de renda que marcam boa parte da esquerda.

Pode ser que tenha sido, até, um pouco mais agressiva do que recomendariam as boas técnicas de marketing, mas como Aécio foi também, isso não é um prejuízo.

Porque até agora, a “guerra” era, na verdade, um massacre unilateral da aliança mídia-tucanato.

E já não é mais.