Reclama a imprensa: Povo nas ruas atrapalha o trânsito

As musas da música brasileira – Beyoncé e Madona – não atrapalham o trânsito.

Nem o rok Rio, e os shows super, super faturados dos prefeitos e governadores, principalmente nas inaugurações de elefantes brancos. Nem os comícios e carreatas nas campanhas eleitorais.

As procissões religiosas, as passeatas dos pastores eletrônicos, as festas de santo, a visita do Papa não atrapalham o trânsito.

Nem o carnaval, o Galo da Madrugada, os trios elétricos, as paradas gay, as passeatas pela paz nos bairros ricos, com as meninas donzelas carregando nas mãos uma bomba branca.

Sim, protesto contra a violência da polícia, nos bairros pobres, atrapalha sim.

Mais que a chuva, atrapalham o trânsito os grevistas, e os estudantes quando protestam. Tanto que, para o trânsito fluir na santa paz, aparece a polícia com suas bestas e cachorros, em viaturas e mais viaturas. E os soldados armados com cacetetes, pistolas de choque, canhões sônicos. Atirar com balas de borracha não atrapalha o trânsito, nem jogar bombas de gás lacrimogêneo. Os infiltrados da polícias e serviços secretos de vários bandeiras são verdadeiros guardas de trânsito.

Ontem foi um dia de trânsito atrapalhado.

Goiânia
Goiânia
São Luís
São Luís
Belém
Belém
Fortaleza
Fortaleza
Vitória
Vitória
Porto Alegre
Porto Alegre
Rio Grande
Rio Grande

Dez sequestros famosos no Primeiro Mundo

Sequestrada aos doze anos
Sequestrada aos doze anos

No Terceiro Mundo não existe sequestro famoso. É coisa banal e corriqueira. Quantos jovens estão desaparecidos no Brasil? Ninguém sabe. Nem a justiça. Nem o governo. Existe até um ditado: negro não morre, desaparece.

No Brasil escravocrata, nas grandes cidades, os negros eram jogados na rua. Como animais mortos.

Os cemitérios dos negros, em nome do politicamente correto, desapareceram. E os negros, e os pobres são enterrados em covas rasas. Depois de um ano são desenterrados, para novos cadáveres ocuparem os sete palmos de terra da reforma agrária brasileira.

Acontece com os países em crise na Europa, e dou Portugal como exemplo: Os parentes esquecem seus mortos nos hospitais. Deixam para o governo a conta do enterro. Que é cada vez mais caro morrer. Principalmente no Brasil, país que, inclusive, promove o tráfico de cadáveres para escolas  e transplantes da medicina de vanguarda.

Os prefeitos brasileiros não constroem cemitérios, e apostam na privatização da rendosa indústria da morte.

Ninguém localiza os cemitérios clandestinos – da ditadura militar, do governo paralelo e milícias e justiceiros.

Em um cemitério clandestino, a polícia de Sérgio Cabral enterrou Amarildo.

BRA_NOTA onde enterrou

o comércio dos papa-defuntos
BRA^GO_DDM tráfico cadáveres
BRA_OP cemitério

O sequestrador, o torturador, sempre, sempre é um serial killer e psicopata.

Dez sequestros famosos. Compare as sentenças da justiça.

BRA^PR_NOS ala dos esquecidos

Meu nome não é flor

Bulismo, por Sofia Mamalinga
Bulismo, por Sofia Mamalinga

Fui anticanditato a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco, inclusive, para denunciar os assédios moral, sexual, judicial, e o stalking policial que sofrem os profissionais que trabalham nos meios de comunicação de massa.

O jornalismo é uma profissão de risco no Brasil. É o primeiro país no ranking de censura judicial, e o quinto em assassinatos de jornalistas. Nas ruas, imperam as agressões da polícia (balas de borracha, gás lacrimogêneo, cacetadas). Nos gabinetes das autoridades, os jornalistas são humilhados. Começa pela espera em ser atendidos.

Nas redações, além do salário da fome e do medo, as torturas física e psicológica dos assédios sexual e moral.

Não venham dizer que uma dedada não seja uma tortura.  A bolinação não consentida é um crime tão grave quanto o estupro.

Tem ainda o bulismo sexual que começa nas escolas de jornalismo. Um grupo de jornalistas criou um blogue para denunciar o preconceito.

Escreve , que participa do projeto De Duas Uma:

“Nenhum projeto é fácil. Quase nenhuma etapa é tranquila e, muitas vezes, cada passo parece ser incerto. Mesmo assim, continuamos. Eu, você e mais algumas milhares de pessoas que lutam por alguma causa, seja ela um projeto de pesquisa sobre animais silvestres ou uma reportagem sobre aeronautas aposentados.

Por isso, acho que deve ser normal se sentir perdido ou frustrado. É claro que as coisas boas que ocorrem ao longo do caminho são animadoras e nos fazem seguir em frente. No caso de uma grande reportagem, uma entrevista pode iluminar todo o caminho e dar ideias incríveis. Pensando bem, eu diria que toda conversa com uma fonte é útil, sendo ela colaborativa para o conteúdo ou não. Nos faz dar um passo a frente ou refletir no que precisamos voltar e repensar.

Quando começamos com o projeto pra valer, meus sentimentos se misturavam. E continuam a se misturar. Ora nervosismo, ora impotência (quando terminava de ouvir a história de uma fonte e sentia pelo menos um terço de seu sofrimento). Aliás, talvez seja por isso que peço desculpas desde já se meus posts parecerem confusos. São devaneios e tentativas de expressar o que acontece dentro de mim ao longo desse período”.

Eis alguns relatos do blogue Meu Nome Não é Flor:

1 – “Estou cumprindo meus últimos dias de estágio. Pedi demissão essa semana por estar sendo assediada por um homem do meu trabalho. Ninguém sabe que esse é o real motivo da minha demissão, e prefiro que fique assim, no silêncio. Me sinto envergonhada.
Estou estudando jornalismo para ser jornalista e não preciso ouvir “elogios” sobre meus seios e minhas coxas.

Adorei a iniciativa da página, tenho certeza que muitas mulheres passam por isso!”

2 – “Sou jornalista, quando estagiária em uma TV, sofri assédio moral, quando editora de vídeo sofri discriminação por ser mulher, quando assistente de assessoria de imprensa sofri assédio moral mais uma vez, e por fim, quando Assessora de Comunicação sofri assédio sexual. Me demiti há cerca de 2 meses e tive minha carreira difamada em toda a cidade.
Como uma colega de profissão disse ‘…assédio sexual não é sobre sexo. É sobre poder.”

3 – A página se chama Meu nome não é flor porque é assim que os homens se referem às repórteres quando querem nos colocar no nosso lugar, ou seja, evitar que a gente faça perguntas mais duras.  Já fui chamada de flor muitas vezes. Nunca foi num tom carinhoso, simpático ou elegante. Não é um galanteio. É uma maneira de lembrar que somos mulheres e, portanto, temos que nos comportar de uma certa forma. Pelo menos na concepção de mundo dessas criaturas.

Após denunciar assédio, Mariana Ceccon deixa a CBN

Depois de escrever e publicar extensa carta sobre os casos de assédio sexual na rádio CBN Curitiba, a estudante de jornalismo Mariana Ceccon deixou a emissora. A jovem, que era estagiária, falou sobre o assunto por meio de sua a página pessoal no Facebook, espaço que explicou os motivos para a decisão.

“Hoje foi um dia mais difícil do que ontem. Encerrei meu ciclo na Rádio CBN. Não porque eu concorde que eu SOU OBRIGADA MORALMENTE a sair do emprego (eu não sou obrigada a abrir mão de pequenas conquistas por falta de ética de outros funcionários) e sim porque hoje eu tive a certeza que eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para melhorar a minha situação e a dos meus colegas”, disse.

A história sobre os casos de assédio foi revelada no começo deste mês, quando a situação foi denunciada pelos próprios jornalistas da emissora. No texto escrito por Mariana e divulgado nesta semana, ela relata o que aconteceu e afirmou que as acusações são contra o ex-deputado federal e jornalista Airton Cordeiro, comentarista esportivo da casa. Para ela, “não existe nada pior para um jornalista do que ter a credibilidade suja, a honra julgada e a moral extirpada”. Até o momento, Cordeiro, que está afastado de suas atividades na emissora, não se pronunciou sobre o assunto.

Veja abaixo o relato de Mariana sobre sua saída da CBN:

Hoje foi um dia mais difícil do que ontem. Encerrei meu ciclo na Rádio CBN. Não porque eu concorde que eu SOU OBRIGADA MORALMENTE a sair do emprego (eu não sou obrigada a abrir mão de pequenas conquistas por falta de ética de outros funcionários) e sim porque hoje eu tive a certeza que eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para melhorar a minha situação e a dos meus colegas. Hoje o dia foi triste porque sinto muito em deixar a rádio, sinto muito em deixar o convívio dos meus colegas que sempre foram exemplares comigo. Sinto muito em deixar um lugar que eu sempre desejei trabalhar. Mas espero um dia voltar a ralar com pessoas tão bacanas quanto as da CBN. Agradeço principalmente a Karina Lançoni Bernardi, por todos os conselhos, paciência e amizade! Aprendi muito com você Ká, principalmente a não entrar em desespero, por mais que faltem 5 minutos para o jornal entrar e ainda não tenha entrevistada fechada!

Obrigado pela convivência e até uma próxima!

Fonte: Comunique-se Com.

Publicou Mariana Ceccon: Diante de toda esta situação me alegro por vários motivos. Recebi centenas de mensagens, todas com vibrações positivas, mensagens de apoio e realmente emocionantes. Isto é a coisa que me deixa mais feliz. Agradeço a todos que entraram em contato comigo e faço questão de responder cada mensagem positiva (e também a única negativa que recebi).

No meio de tantas mensagens perdi a conta de quantas mulheres, em grande parte jornalistas, me procuraram para dizer que sofrem com isto constantemente. Sabendo disto, a professora Rosiane Correia De Freitas (que eu acabei de conhecer) me enviou o link da página Meu nome não é flor. Ela reúne depoimentos anônimos de outras mulheres do jornalismo que já sofreram com assédio e violência no exercício da profissão. São depoimentos anônimos porque, como me explicou a professora, o objetivo não é denunciar e sim criar um clima de solidariedade entre as mulheres que se sentem tão sozinhas nessa situação.

Para quem interessar e para todas que se abriram comigo fica ai a dica.

Transcrevo algumas das centenas de mensagens recebidas por Mariana Ceccon. É impressionante as denúncias que elas contém:

  • Tirza Loblein Muita força desde o Paraguai Mariana !
  • Rafael Correa Silva Já passou da hora dos poderosos sentir a força da justiça!! Parabéns pela sua atitude!!!
  • Leonardo Lima Como disse ao Wille, obrigado por enriquecer meus exemplos nas humildes aulas de Ética que ministro nas escolas, para as crianças, Mariana. Gente de verdade, fazendo a coisa certa, toca no coração das mentes jovens, obrigado pela ajuda!!!
  • Flavia Toffoli Versolato Meu apoio integral! Já passei por problema muito parecido no final dos anos 70, era foquinha total no Jornal Gazeta Mercantil. Muito difícil, pois os tempos eram outros e muito piores… e passou. é de indignar!
  • Raffaela Porcote Mariana, sou estudante de jornalismo também e acompanhei seu caso superpreocupada, pensando muito em você. Há uma cultura machista que tenta culpabilizar a mulher pela falta de caráter dos homens e, putz, essa semana mesmo fui vítima de ameaças e tentativa de agressão na faculdade por dizer o que penso, sem ofender ninguém. Eu quero dizer a você que não se abale, gata. Há muita gente lhe apoiando. A luta deixou de ser sua. É nossa! Você é muito forte, não permita que ele faça com que você se sinta culpada e diminuída. Força, gata! Tenho muito respeito pela sua postura. Não vamos deitar pra essa gente…
  • Rosiane Correia De Freitas Meninas (Raffaela Porcote e Flávia), passem lá no Meu nome não é flor. É importante que esses registros sejam feitos mesmo que anonimamente
     Karina Lançoni Bernardi Mari, obrigada pelo companheirismo neste período em que esteve na CBN (período que sabemos que não foi nada fácil), fico feliz em poder ter te passado um pouco do que aprendi na profissão. Quero que saiba, assim como te falei ontem, que você já é uma ótima jornalista e que com certeza ainda trabalharemos juntas….. Parabéns mais uma vez pela coragem e dignidade, acompanhei os desdobramentos até a publicação da sua carta e te digo que você teve muita maturidade e serenidade para tratar o assunto….. Sentirei saudades!
    P.S.: Só criei o link Mariana Ceccon depois que ela escreveu a corajosa carta. Inclusive para ressaltar a integridade e exemplar solidariedade de companheiros de redação.  Mariana, valeu. Os assédios sexual e moral continuam nas redações. Basta a humilhação do salário (T.A.)

Celso Amorim diz que fuzileiros fazem segurança em La Paz, há muito tempo

por Helio Fernandes

Ilustração de Mário
Ilustração de Mário

O embaixador (de “carreira”) Celso Amorim faz um trabalho enorme para se livrar da “conspiração” da fuga do senador da Bolívia, da qual participou intensamente. O encarregado de Negócios do Brasil afirmou: “A operação que chefiei, e cuja responsabilidade é toda minha, começou há muitos meses”. É verdade, e ele considera um ponto a favor de sua defesa, a relação (em seu poder) de todos os que sabiam de tudo.

Um deles, para quem telefonou muito antes, o ministro da Defesa, Celso Amorim. Tendo 25 anos de Itamaraty (muito menos do que Amorim), eram ligados por um fervor negativo mas envolvente: o ódio à ascensão permanente de Patriota.

Eduardo Sabóia falou com o ex-chanceler, agora ministro da Defesa, dizendo textualmente: “Preciso que você forneça dois seguranças militares para uma expedição que estou organizando”.

Para a própria tranqüilidade e curiosidade natural, Amorim perguntou o que era. E por que não pedia ao ministro da Justiça? Que é quem fornece e controla esse tipo de segurança.

EDUARDO SABÓIA
E CELSO AMORIM

Tendo confiança no ego imensurável do ministro e no seu ódio inavaliável por Patriota, contou tudo. Disse o que agora nega e os partidários de Morales também: “Queremos resolver o problema, o que o governo brasileiro se recusa a fazer”.

O ministro da Defesa perguntou: “Mas não é muito perigoso?”. Resposta: “Temos cobertura total aqui na Bolívia e aí no Brasil, em vários escalões políticos e diplomáticos. Os seguranças, apenas para eventualidades”.

O ministro da Defesa forneceu dois fuzileiros navais, que não estão na alçada ou subordinação do ministro da Justiça, que controla a Polícia Federal. Agora, Amorim se defense: “Esses fuzileiros estavam há muito tempo dando cobertura à embaixada, no centro de La Paz, num edifício comercial”.

Sei muito bem como é fugaz e duvidosa a palavra do ministro. Mas não vou contestá-lo agora, nem mostrar o que escrevi vastamente nos anos 1980/90, quando ele foi presidente da Embrafilme. Fiz intensa campanha de esclarecimento, com total repercussão e demissão geral. Era fácil, os escândalos estavam “à flor da terra”, como o petróleo do Cazaquistão.

Hoje quero perguntar ao ministro da Defesa a razão de fazer segurança na embaixada do Brasil em La Paz, com fuzileiros navais? A cidade está a mais de 3 mil e 800 metros de altitude, lógico, não tem mar. Como tudo na capital é entre montanhas, porque designar fuzileiros navais, como afirmou?

O normal é que essa segurança permanente, que vem de longe, fosse feita pelo Exército, ou melhor, pela Aeronáutica. Esta, pela própria formação, trabalha nessas alturas

Mas é a palavra do ministro, completamente desmoralizada quando participou dos escândalos da Embrafilme, empresa estatal presidida por ele. Só no Brasil, depois de tudo o que houve na mais estatal de cinema no Brasil, Celso Amorim faria a carreira que fez e continuará fazendo.

Una huida de película y un canciller renunciado

Ilustração Sponholz
Ilustração Sponholz
Público.es

La huida del senador boliviano Roger Pinto de la embajada brasileña en La Paz, donde se encontraba asilado, y su posterior aparición en Brasilia, encendieron una mecha que terminó de explotar en el Planalto, provocando la renuncia del canciller Antonio Patriota y la irritación de Dilma Rousseff. Pinto, un furibundo opositor a Evo Morales, que desempeñó diversos cargos en el departamento amazónico de Pando, ocupaba una banca en el senado en el bloque de la derecha, y terminó refugiado en la embajada de Brasil hace quince meses tras ser acusado de diversos delitos por parte del gobierno. Para la administración de Evo Morales se trata de un corrupto, vinculado además con la masacre de campesinos de 2008 en El Porvenir –en medio de la pelea entre el gobierno y los autonomistas liderados por Santa Cruz-. Para la oposición es un perseguido político amenazado por una justicia manipulada desde el gobierno. Hay diferentes opiniones, pero lo que sin duda está lejos de ser es el “Assange Boliviano”, como lo llamó el sitio web de Televisión Española.

Lo cierto es la aceptación de su pedido de asilo por parte de las autoridades brasileñas generó una impasse entre La Paz y Brasilia, ya que el gobierno de Evo Morales le negó el salvoconducto para abandonar el país. Así, el senador estuvo más de un año en la legación diplomática, donde se le fue restringiendo cada vez más las visitas y su actividad política. Hasta que el viernes pasado el encargado de negocios en La Paz, Eduardo Saboia, organizó la fuga y acompañó personalmente al parlamentario, escoltado por fusileros brasileños, en dos autos con rango diplomático. Según reproduce Folha de S. Paulo, Saboia –que se encontraba temporariamente al mando de la embajada- dijo haber escuchado la voz de Dios para tomar la decisión, motivada por “riesgo de suicidio”, de pasar por encima de sus propios jefes y recorrer 1.600 kilómetros en coche hasta Corumbá. La inmunidad diplomática de los autos hizo posible pasar varios retenes de control antinarcóticos en una de las zonas más calientes de Bolivia, y donde operan sicarios de distintas nacionalidades, rumbo a la frontera brasileña.

Del otro lado lo esperaba otro partícipe de la operación: Ricardo Ferraço, miembro del PMDB y presidente de la Comisión de Relaciones Exteriores del Senado de Brasil, quien llevó al senador en un avión privado desde Corumbá hasta Brasilia. Todo lo cual demuestra que la huida estuvo orquestada por una red al interior de la política brasileña. La derecha no tardó en reivindicar a Saboia como un luchador por la libertad. La extremista revista Veja, furiosa crítica del gobierno del PT, consideró a la operación un ejemplo para los demócratas del mundo entero, que permitió a Pinto “detenido por la arrogancia de un tirano de opereta” escapar hacia la libertad. Otro columnista en la misma revista consideró que Evo Morales le dio otra zancadilla a Brasil, “lo que se está volviendo un hábito” (cuando Morales nacionalizó el gas hablaron de invasión boliviana). “El falso indio que gobierna Bolivia” (sic) habría dejado que Pinto huyera para sacarse de encima la papa caliente y echarle el fardo a Brasil. Clóvis Rossi, periodista del consejo de redacción de Folha, también defendió a Saboia, y agregó que no tiene sentido sacrificar a Patriota “en el altar de las relaciones con Bolivia”.

En un acto de audacia política -poco habitual en un diplomático- Saboia comparó la situación de Pinto con la de la propia Dilma Rousseff cuando esta era perseguida por la dictadura militar brasileña. Y con una dosis de misticismo contó que en la recta final del viaje casi se quedan sin combustible pero que se pusieron a rezar Biblia en mano (él es católico y el senador evangélico) y finalmente, cual si fueran panes, se produjo el “milagro de la multiplicación de la gasolina”.

 La elite de Pando, parcialmente desplazada del poder (el propio Pinto fue gobernador del departamento y lideró la asociación de ganaderos), mantiene fuertes lazos con políticos y periodistas de la derecha brasileña. Cobija, la capital de la región, está a unos pocos minutos a pie de la frontera, y muchos tienen casas en la localidad de Brasiléa y Epitaciolândia. Después de la crisis de 2008 y de la detención del ex gobernador y hombre fuerte Leopoldo Fernández muchos huyeron a Brasil, donde recibieron asilo.

Mientras tanto, Evo Morales suma otro triunfo internacional en medio de la campaña electoral rumbo a 2014 y poco después del incidente con su avión presidencial, del que hizo de tripas corazón. Al mismo tiempo, se sacó de encima a un incómodo opositor asilado, cuyo predicamento en el exterior se sumará al de otros autoexiliados que hasta ahora no lograron hacer mella en su poder: las encuestas lo siguen dando lejos de sus adversarios.