Dilma na posse de Evo

A posse de Evo Morales não é notícia no Brasil. A Bolívia era exaltada quando uma republiqueta de banana, quintal dos Estados Unidos, com presidentes que eram derrubados por golpes da pirataria internacional.

Quem, realmente, governava a Bolívia era o embaixador dos Estados Unidos.

Hojemente, a imprensa brasileira considera a Bolívia um país do eixo do mal, presidido por um índio, desmerecendo e desconsiderando os 15 por cento da população branca.

 

O Valor Econômico publica uma notinha, com o aviso de Evo: “Na Bolívia, não mandam os Chicago boys, nem os Estados Unidos. Aqui mandam os índios”. Confira

O Zero Hora aproveita para declarar guerra aos hermanos. Leia a reportagem venenosa: Dilma chegou à Bolívia às 11h24 (horário de Brasília) e foi recebida no aeroporto pelo prefeito de El Alto, Edgar Hermógenes – o município é vizinho à cidade de La Paz. Ao contrário do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, Dilma não fez nenhuma declaração ao chegar ao local. A presidente recebeu do prefeito as chaves da cidade e uma manta rosa, que vestiu por poucos minutos, até devolvê-la ao entrar em um carro oficial.

A presidente recebeu uma manta típica, que vestiu por poucos minutos, até devolvê-la ao entrar em um carro oficial Foto: Roberto Stuckert Filho
A presidente recebeu uma manta típica, que vestiu por poucos minutos, até devolvê-la ao entrar em um carro oficial
Foto: Roberto Stuckert Filho

Informa a agência BBC, que defende os interesses do antigo império inglês: Os laços com a Bolívia – país com o qual o Brasil compartilha sua maior fronteira (3,4 mil quilômetros) – se estremeceram nos últimos anos, principalmente depois do asilo político concedido ao senador oposicionista Roger Pinto Molina, em 2012.

Molina, senador oposicionista que é acusado de corrupção e responde a 14 processos no país, pediu asilo ao Brasil em maio de 2012 argumentando preseguição política. O pedido foi atendido pelo governo Dilma.
No entanto, a Bolívia não concedeu salvo conduto para que ele deixasse o país, de modo que o Molina viveu por quase 15 meses na Embaixada brasileira em La Paz. O impasse levou o diplomata Eduardo Saboia a fugir com o senador para o Brasil, mesmo sem autorização prévia do Itamaraty.
A socióloga brasileira Fernanda Wanderley, que vive há duas décadas na Bolívia e é professora da Universidad Mayor de San Andrés, em La Paz, lembra que o episódio Molina traz consequências práticas até hoje. Desde a fuga do senador em agosto de 2013, a Embaixada brasileira em La Paz não tem um embaixador oficial. O cargo vem sendo ocupado interinamente desde a retirada de Marcel Biato, que não agradava Morales. Atualmente está à frente da Embaixada o encarregado de negócios Antonio José Resende de Castro.

Nesse contexto, a professora acredita que a vinda de Dilma pela primeira vez ao país para prestigiar a posse de Morales seja um gesto que pode melhorar o relacionamento entre os dois países.
Para comparecer à La Paz, a presidente desmarcou sua ida ao Fórum Econômico de Davos, na Suiça. Com a presença na cerimônia de Morales, Dilma também retribui a ida do líder boliviano a Brasília para sua posse de segundo mandato.

Presença de Dilma na posse de Evo Morales pode melhorar o relacionamento entre os dois países

Celso Amorim diz que fuzileiros fazem segurança em La Paz, há muito tempo

por Helio Fernandes

Ilustração de Mário
Ilustração de Mário

O embaixador (de “carreira”) Celso Amorim faz um trabalho enorme para se livrar da “conspiração” da fuga do senador da Bolívia, da qual participou intensamente. O encarregado de Negócios do Brasil afirmou: “A operação que chefiei, e cuja responsabilidade é toda minha, começou há muitos meses”. É verdade, e ele considera um ponto a favor de sua defesa, a relação (em seu poder) de todos os que sabiam de tudo.

Um deles, para quem telefonou muito antes, o ministro da Defesa, Celso Amorim. Tendo 25 anos de Itamaraty (muito menos do que Amorim), eram ligados por um fervor negativo mas envolvente: o ódio à ascensão permanente de Patriota.

Eduardo Sabóia falou com o ex-chanceler, agora ministro da Defesa, dizendo textualmente: “Preciso que você forneça dois seguranças militares para uma expedição que estou organizando”.

Para a própria tranqüilidade e curiosidade natural, Amorim perguntou o que era. E por que não pedia ao ministro da Justiça? Que é quem fornece e controla esse tipo de segurança.

EDUARDO SABÓIA
E CELSO AMORIM

Tendo confiança no ego imensurável do ministro e no seu ódio inavaliável por Patriota, contou tudo. Disse o que agora nega e os partidários de Morales também: “Queremos resolver o problema, o que o governo brasileiro se recusa a fazer”.

O ministro da Defesa perguntou: “Mas não é muito perigoso?”. Resposta: “Temos cobertura total aqui na Bolívia e aí no Brasil, em vários escalões políticos e diplomáticos. Os seguranças, apenas para eventualidades”.

O ministro da Defesa forneceu dois fuzileiros navais, que não estão na alçada ou subordinação do ministro da Justiça, que controla a Polícia Federal. Agora, Amorim se defense: “Esses fuzileiros estavam há muito tempo dando cobertura à embaixada, no centro de La Paz, num edifício comercial”.

Sei muito bem como é fugaz e duvidosa a palavra do ministro. Mas não vou contestá-lo agora, nem mostrar o que escrevi vastamente nos anos 1980/90, quando ele foi presidente da Embrafilme. Fiz intensa campanha de esclarecimento, com total repercussão e demissão geral. Era fácil, os escândalos estavam “à flor da terra”, como o petróleo do Cazaquistão.

Hoje quero perguntar ao ministro da Defesa a razão de fazer segurança na embaixada do Brasil em La Paz, com fuzileiros navais? A cidade está a mais de 3 mil e 800 metros de altitude, lógico, não tem mar. Como tudo na capital é entre montanhas, porque designar fuzileiros navais, como afirmou?

O normal é que essa segurança permanente, que vem de longe, fosse feita pelo Exército, ou melhor, pela Aeronáutica. Esta, pela própria formação, trabalha nessas alturas

Mas é a palavra do ministro, completamente desmoralizada quando participou dos escândalos da Embrafilme, empresa estatal presidida por ele. Só no Brasil, depois de tudo o que houve na mais estatal de cinema no Brasil, Celso Amorim faria a carreira que fez e continuará fazendo.

Una huida de película y un canciller renunciado

Ilustração Sponholz
Ilustração Sponholz
Público.es

La huida del senador boliviano Roger Pinto de la embajada brasileña en La Paz, donde se encontraba asilado, y su posterior aparición en Brasilia, encendieron una mecha que terminó de explotar en el Planalto, provocando la renuncia del canciller Antonio Patriota y la irritación de Dilma Rousseff. Pinto, un furibundo opositor a Evo Morales, que desempeñó diversos cargos en el departamento amazónico de Pando, ocupaba una banca en el senado en el bloque de la derecha, y terminó refugiado en la embajada de Brasil hace quince meses tras ser acusado de diversos delitos por parte del gobierno. Para la administración de Evo Morales se trata de un corrupto, vinculado además con la masacre de campesinos de 2008 en El Porvenir –en medio de la pelea entre el gobierno y los autonomistas liderados por Santa Cruz-. Para la oposición es un perseguido político amenazado por una justicia manipulada desde el gobierno. Hay diferentes opiniones, pero lo que sin duda está lejos de ser es el “Assange Boliviano”, como lo llamó el sitio web de Televisión Española.

Lo cierto es la aceptación de su pedido de asilo por parte de las autoridades brasileñas generó una impasse entre La Paz y Brasilia, ya que el gobierno de Evo Morales le negó el salvoconducto para abandonar el país. Así, el senador estuvo más de un año en la legación diplomática, donde se le fue restringiendo cada vez más las visitas y su actividad política. Hasta que el viernes pasado el encargado de negocios en La Paz, Eduardo Saboia, organizó la fuga y acompañó personalmente al parlamentario, escoltado por fusileros brasileños, en dos autos con rango diplomático. Según reproduce Folha de S. Paulo, Saboia –que se encontraba temporariamente al mando de la embajada- dijo haber escuchado la voz de Dios para tomar la decisión, motivada por “riesgo de suicidio”, de pasar por encima de sus propios jefes y recorrer 1.600 kilómetros en coche hasta Corumbá. La inmunidad diplomática de los autos hizo posible pasar varios retenes de control antinarcóticos en una de las zonas más calientes de Bolivia, y donde operan sicarios de distintas nacionalidades, rumbo a la frontera brasileña.

Del otro lado lo esperaba otro partícipe de la operación: Ricardo Ferraço, miembro del PMDB y presidente de la Comisión de Relaciones Exteriores del Senado de Brasil, quien llevó al senador en un avión privado desde Corumbá hasta Brasilia. Todo lo cual demuestra que la huida estuvo orquestada por una red al interior de la política brasileña. La derecha no tardó en reivindicar a Saboia como un luchador por la libertad. La extremista revista Veja, furiosa crítica del gobierno del PT, consideró a la operación un ejemplo para los demócratas del mundo entero, que permitió a Pinto “detenido por la arrogancia de un tirano de opereta” escapar hacia la libertad. Otro columnista en la misma revista consideró que Evo Morales le dio otra zancadilla a Brasil, “lo que se está volviendo un hábito” (cuando Morales nacionalizó el gas hablaron de invasión boliviana). “El falso indio que gobierna Bolivia” (sic) habría dejado que Pinto huyera para sacarse de encima la papa caliente y echarle el fardo a Brasil. Clóvis Rossi, periodista del consejo de redacción de Folha, también defendió a Saboia, y agregó que no tiene sentido sacrificar a Patriota “en el altar de las relaciones con Bolivia”.

En un acto de audacia política -poco habitual en un diplomático- Saboia comparó la situación de Pinto con la de la propia Dilma Rousseff cuando esta era perseguida por la dictadura militar brasileña. Y con una dosis de misticismo contó que en la recta final del viaje casi se quedan sin combustible pero que se pusieron a rezar Biblia en mano (él es católico y el senador evangélico) y finalmente, cual si fueran panes, se produjo el “milagro de la multiplicación de la gasolina”.

 La elite de Pando, parcialmente desplazada del poder (el propio Pinto fue gobernador del departamento y lideró la asociación de ganaderos), mantiene fuertes lazos con políticos y periodistas de la derecha brasileña. Cobija, la capital de la región, está a unos pocos minutos a pie de la frontera, y muchos tienen casas en la localidad de Brasiléa y Epitaciolândia. Después de la crisis de 2008 y de la detención del ex gobernador y hombre fuerte Leopoldo Fernández muchos huyeron a Brasil, donde recibieron asilo.

Mientras tanto, Evo Morales suma otro triunfo internacional en medio de la campaña electoral rumbo a 2014 y poco después del incidente con su avión presidencial, del que hizo de tripas corazón. Al mismo tiempo, se sacó de encima a un incómodo opositor asilado, cuyo predicamento en el exterior se sumará al de otros autoexiliados que hasta ahora no lograron hacer mella en su poder: las encuestas lo siguen dando lejos de sus adversarios.

Brasil acoita ex-senador foragido da Justiça boliviana

Ilustração Elvis
Ilustração Elvis

 

El magistrado de la Sala Penal Primera del Tribunal Supremo de Justicia (TSJ), Jorge Von Borries, dijo el martes que la cabeza del Órgano Judicial está a la espera de la solicitud del Ministerio Público para comenzar con las acciones legales de extradición a Bolivia del senador Roger Pinto, que huyó a Brasil para eludir procesos por corrupción pública.

‘Tenemos que tramitar por medio requerido del Ministerio Público ante la Cancillería del Estado Plurinacional la extradición del ciudadano Roger Pinto, para que Brasil lo entregue a Bolivia’, dijo a los periodistas.

Pinto, que llegó el domingo por la madrugada a Brasilia, se encontraba refugiado hasta el pasado viernes en la legación brasileña en la ciudad de La Paz desde el 28 de mayo de 2012 y, según el Gobierno boliviano, huyó para eludir procesos ‘por delitos comunes de corrupción pública’.

La autoridad judicial dijo que existen una serie de procedimientos para la extradición por el cual una persona acusada o condenada por un delito conforme a la ley de un Estado sea devuelta a su país de origen para ser enjuiciada o cumpla la pena impuesta.

‘Hay varios procesos, hay uno con sentencia, entonces se podría reputar que está sustraído a la ley’, apuntó.

Von Borries dijo que Pinto complicó su situación jurídica con su fuga al Brasil.

Ministerio Público pide a Interpol activar ‘código rojo’ y aprehender a Roger Pinto (Amplía)
Sucre, 28 ago (ABI).- El fiscal general interino del Estado, Roberto Ramírez, informó el miércoles que el Ministerio Público solicitó a la Interpol activar el código rojo y la aprehensión del senador Roger Pinto que huyó a Brasil para no enfrentarse a procesos por corrupción pública.’La solicitud del Ministerio Público y la Fiscalía General del Estado está referido a que se pueda ejecutar estas órdenes de aprehensión en los distintos países vecinos’, dijo en una conferencia de prensa.

Ramírez refirió que Pinto cuenta con una sentencia en el caso Zona Franca Cobija (Zofra-Cobija), la misma que se encuentra en apelación, además de tener siete procesos; cinco que se ventilan en Pando y dos en La Paz.

La autoridad judicial recordó que el Tribunal de Sentencia de Cobija, Pando, emitió el pasado 11 de junio de 2012 un mandamiento de aprehensión contra Pinto por los delitos de resoluciones contrarias a la Constitución y las leyes, Incumplimiento de deberes y conducta antieconómica.

Añadió que el Juez Segundo de Instrucción en lo Penal de Cobija emitió un segundo mandamiento, el 18 de enero del presente año, dentro del proceso por la presunta comisión de los delitos de conducta antieconómica, contratos lesivos al Estado e incumplimiento de deberes.

Además, dijo que este mismo juzgado emitió un tercer mandamiento el pasado 14 de agosto dentro del proceso que se investiga por los delitos de resoluciones contrarias y otros.

‘Ya se envió la solicitud, una vez hecho todos los elementos de los procesos investigativos y la recolección de los mandamientos de aprehensión que han sido librados’, apuntó.

Ramírez señaló que, una vez remitida la solicitud, la Interpol deberá asignar el código rojo para aprehender a Pinto a fin de que responda a los procesos por corrupción que se le sigue la justicia boliviana. ABI

Como “defender” Saboia, um diplomata que confessa que falou com Deus?

por Helio Fernandes

Pinto

Escrevo “ouvindo” os poderosos exércitos de EUA, França e Grã-Bretanha, na Guerra de DOIS DIAS, na Síria. A China-comunista-capitalista, pertíssimo da Síria, deve tudo a Mao. Bolívia e Brasil têm que resolver: um encarregado de Negócios pode mais que dois presidentes, ministros, embaixadores?

 

 

Não me incomodo com qualquer opinião, em qualquer assunto, até mesmo nesse escabroso episódio da Bolívia. Mas mesmo aceitando e até compreendendo, por mais incongruente (que palavra) que seja, não posso ficar em silêncio. Principalmente porque em geral ultrapassaram o limite do pensamento perdulário e indefensável.

Como “defender” um diplomata que confessa que falou com Deus? Pois se ele diz, “ouvi a voz de Deus”, é lógico que houve “diálogo”, o “misericordioso” não lhe cassaria a palavra.

Ao contrário de Deus, que conversou com Eduardo Sabóia, aqui ele nem precisa se defender, existe antes de qualquer exame dos fatos o pressuposto de que Sabóia foi “humanitário, sensível, se arriscou para salvar uma vida”, como ele mesmo afirmou.

Concordemos, pelo menos para discordar. Se cada encarregado de Negócios pode tomar suas decisões acima da hierarquia, do respeito aos superiores, e das ordens de quem pode emiti-las, então estaremos executando ou caminhando para executar uma verdadeira revolução do serviço diplomático.

NEM MINISTÉRIO DO
EXTERIOR NEM CHANCELER

É isso que vai ou deveria acontecer. Por decreto presidencial ou determinação do Congresso, não demora e o Itamaraty será extinto, para satisfação de tantos que não pregaram isso abertamente, mas está implícito nas razões (?) que apresentaram.

E não é só isso. Podem cortar 99 por cento dos que servem à diplomacia. Cada embaixada não precisará mais do que um funcionário, tenha ele o nome que tiver. E aí, sim, Eduardo Sabóia terá prestado um grande serviço ao país. A economia em todas as mais de 100 embaixadas será colossal.

Esse funcionário único representando não o país, mas o “espírito humanitário, o objetivo de salvar vidas, a sabedoria de entender que os asilados estão pensando em suicídio, se arriscar para salvá-los”, mesmo sem conversar com eles.

A CUMPLICIDADE BOLIVARIANA,
PERDÃO, APENAS BOLIVIANA

Nem é preciso explicação: mesmo os que defendem Sabóia, para ele não ser “sacrificado”, concordam ou deveriam concordar: percorrer 1,6 mil quilômetros de território desse país, em 22 horas, uma façanha extraordinária.

Como alguém disse aqui mesmo, Sabóia merece ou mereceria uma condecoração. Por ter ludibriado as autoridades da Bolívia ou por ter feito ACORDO com elas, coisa que o Brasil não conseguiu.

A VITÓRIA DA
INTIMIDAÇÃO AUDACIOSA

Eduardo Sabóia é um diplomata ou um agente do SNI, disfarçado? É o que parece. E não há dúvida que tem todos os requisitos para investigar e executar o planejado, sem autorização de ninguém.

Logo que foi chamado ao Brasil, já veio “inteligentemente” abastecido para intimidar. Compreendendo tudo num relance, notificou e intimidou de forma abrangente, sem individualização:

“Estou preparado para qualquer acusação, tenho documentos estarrecedores”. Não explicou mais nada, é um vitorioso.

Tudo que tenho dito e estou relatando, são fatos, fatos, fatos, naturalmente dentro do possível. Pois são tantas as fontes e personagens, se conflitando, se desdizendo, se contradizendo, que é preciso buscar e rebuscar, para não se ofuscar, se enganar ou ser enganado.

O único que está acima de qualquer dúvida ou descrença é o próprio Sabóia: sozinho, sem ajuda ou autorização de ninguém , planejou, burilou e executou a operação.

Com sucesso? Aí é o grande problema. E que determinará o fim do episódio, que está condicionado a duas respostas, apenas adivinhação, não é o meu território.

1 – Sabóia garante que voltará para o posto que ocupava na Bolívia. Quem quiser que responda, para mim parece episódio de romance policial. Mas tudo pode acontecer.

2 – O governo da Bolívia, por intermédio, antes, da ministra da Comunicação, depois, do próprio chanceler, que EXIGIU: “O senador tem que voltar imediatamente para responder perante da Justiça do país do qual fugiu”.

3 – Numa das suas contradições, Dona Dilma disse: “Eduardo Sabóia SALVOU uma vida”. Portanto, não poderá de jeito algum devolver o senador à Bolívia. Se fizer isso, estará arriscando a vida dele, que passara de ASILADO a PRISIONEIRO.

4 – Como se vê, sem a menor dúvida, criaram situação tão complicada, que é difícil encontrar solução. A Comissão de Sindicância vai tentar ganhar tempo para que Dona Dilma e Morales façam o que não fizeram em quase 2 anos. E que Eduardo Sabóia “fez”, sem hierarquia, mas “falando com Deus” e “cumprindo o que ouviu”.

DILMA, MORALES
E PATRIOTA

Para terminar por hoje, unicamente por hoje. Todos os três voltaram atrás no discurso e nas ações. O presidente da Bolívia, oficialmente e com bastante hostilidade: “Queremos de volta à Bolívia o senador que fugiu daqui, sem licença ou autorização”. Antes, dizia: “As relações de Brasil e Bolívia não serão atingidas”.

Dona Dilma, na transmissão do cargo de chanceler: “Quero agradecer ao ministro Patriota sua dedicação, sua eficiência e a competência com que comandou a diplomacia brasileira”. Antes, mandou que Celso Amorim fosse pedir ao chanceler que apresentasse sua demissão, não podia continuar.

O ex-chanceler, que tentou preservar Eduardo Sabóia, jogou-o do alto dos 3 mil e 800 metros de La Paz. Desdisse ontem, tudo o que disse antes. São todos trogloditas.

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PS – Monica, o Gabeira, convidado por vários partidos para ser candidato a governador, recusou totalmente. Com o massacre de Cabral, talvez dispute para senador, talvez.

PS2 – Domingo, Gabeira estreia um programa de reportagem na GloboNews, canal por assinatura. Domingo, meia-noite, incógnita.

PS3 – Solon, um abraço, o candidato a governador pelo Estado do Rio seria o Bernardinho, e não o filho do Abílio Diniz. O filho é sócio do economista-técnico numa rede de academias de ginástica. Isso é informação, nenhuma opinião.

PS4 – Em relação à denominação que usei, “China-comunista-capitalista”, é a mais completa realidade. Concordamos inteiramente na admiração por Mao, que com sua “Grande Marcha” de 1949, tirou a China do carro de boi, colocou-a nos holofotes do prestígio e da inveja. Mas existe.

PS5 – Você não gosta que se fale na parte “capitalista” da China “comunista”, embora concorde que ela tenha deixado de ser marxista. Quanto a Cho En Lai, poderíamos jantar os três, com a maior satisfação, o que ficou impossível. Um abraço.

PS6 – Termino, por hoje, quase ouvindo o estrondo das poderosas forças armadas dos EUA, França, Império Britânico, começando o que chamam de “Guerra dos dois dias”, sem invadir a Síria.

PS7 – Pela primeira vez, afirmam: “Não queremos derrubar Assad, não temos como objetivo invadir a Síria. Mas não podemos permitir que usem armas químicas”.

PS8 – O mundo já ouviu isso, na Guerra do Iraque, depois desmentido pelos próprios observadores da ONU. Que no episódio de agora tentam desesperadamente ADIAR A OPERAÇÃO MASSACRE, “esses países só QUEREM ISSO E MAIS NADA”.

PS9 – Todos sabem que a Síria tem um dos maiores arsenais de armas químicas, mas outros também têm. Só que mesmo durando dois ou três dias, e aconteça todo o “ESPÍRITO PACÍFICO” desses países, ela terá consequências, imediatas ou mais demoradas. Nenhuma guerra civil , “pacífica” ou não, acontece e termina em dois ou três dias, com todos se confraternizando.

PS10 – Além do mais, Rússia e China estão perto, tão perto, que não ouvirão, silenciosos, o que eu ouço, antes (?) de acontecer. Podem não reagir agora, mas ficará tudo escrito. Para ser respondido. Ou retaliado.

PS11 – Enquanto “ouço” os poderosos massacres de França, Grã-Bretanha e EUA, vou recebendo informações. Agora me comunicam que a ONU está preocupada com documentos que recebeu: “São os rebeldes que estão usando armas químicas na Síria”.

PS12 – Sabem de onde surgiram essas armas, só não podem informar, ou serão todos demitidos dos cargos mais do que cobiçados.

PS13 – Diante disso, o secretário-geral da ONU pede desesperadamente aos EUA (os outros são apaniguados, não podem sem sofrer retaliações) para atrasarem a operação em alguns dias. Assim, os “observadores” da ONU constatariam o que se diz das armas químicas, que seriam no mínimo dos dois lados.

PS14 – Escrevo, é minha obrigação, mas continuo “ouvindo” o estrondo. Como é que se destrói arma química com dois rótulos?

PS15 – Quando os americanos usaram Napalm no Vietnã (e assim mesmo foram derrotados), a Dow Chemical era a maior fabricante do mundo. E no Brasil, presidida pelo general Golbery.

Roger Pinto e os corruptos do Brasil

Estamos importando corruptos. Roger Pinto é mais um. Veja link.

BRA_OP deputados de Goías 750 mil

BRA^SC_NDF deputados florianópolis

BRA^PE_JDC corrupção

A corrupção é a mãe de todos os crimes. Cavalga as quatros bestas do Apocalipse:

A fome.

A peste, as doenças do Terceiro Mundo.

A guerra interna da violência urbana, os despejos violentos, a conquista dos morros, a violência no campo, as prisões arbitrárias, as balas perdidas, as balas de borracha, o gás lacrimogêneo, os canhões sônicos.

A morte por causa desconhecida, as chacinas dos sem terra, dos sem teto, dos sem nada. Roger Pinto comandou a chacina de 12 camponeses.

 

 

Os casos Assange e Roger Pinto

Trocadilho safado: Efeitos Morales
Trocadilho safado: Efeitos Morales

Diz O Globo em editorial: Embora haja ainda muito a esclarecer sobre a história da retirada do senador boliviano Roger Pinto Molina do confinamento de 455 dias na embaixada em La Paz, pelo diplomata brasileiro Eduardo Saboia, o caso parece ser mais uma demonstração de como o profissionalismo outrora reconhecido do Itamaraty foi corroído por interesses partidários e simpatias lulopetistas pelo nacional-populismo bolivariano-chavista hegemônico na Bolívia. [Não tem nada a esclarecer. O Saboia confessou tudo. Escoltou a fuga do ladrão e assassino senador Roger Pinto. Esta condição de “corroído” vale para a Inglaterra, que não faz nada para a “retirada” de Julian Assange da Embaixada do Equador, em Londres. É a rainha Elizabeth II curvada diante do presidente Rafael Correa. A mesma humilhação sofre o presidente Obama. Que deveria fazer como Saboia, mandar os fuzileiros arrancar Assange. Rafael Correa é outro partidário do nacional populismo bolivariano-chavista].

Nas entrevistas seguras que concedeu depois de cruzar a fronteira em veículos diplomáticos, sob a segurança de fuzileiros navais brasileiros, o diplomata foi claro: já comunicara ao ministério que poderia tomar uma decisão de emergência por razões humanitárias, devido ao estado de saúde de Molina, obrigado a ficar num cubículo, sem pouco contato com o mundo exterior. Situação diferente de Julian Assange (Wikileaks), também forçado de forma abusiva pelo governo inglês a acampar na embaixada equatoriana em Londres, mas onde concede entrevistas e recebe visitas. [O senador Roger Pinto estava exilado porque queria. Tinha toda liberdade de ir e vir. Apenas estava proibido de sair da Bolívia, porque condenado por dois crimes de roubo de dinheiro público, e responde a outros processos, inclusive assassinato.  O estado de saúde de Assange  já foi denunciado pelo Equador. Assange está retido a 624 dias “num cubículo”.  Agora essa de que Pinto vivia “sem pouco contato com o mundo exterior” é mentira. Veja as fotos abaixo. De Roger Pinto usando a internet na Embaixada do Brasil em La Paz. E seu sorriso de quem está no DOI-Codi]

rogerpinto na internet

senador-roger-pinto-molina-continua-na-embaixada-brasileira-em-la-paz

pinto na embaixada

Até que desmentidos comprovados convençam do contrário, o governo Dilma, com o Itamaraty de agente, aceitou passivamente que o governo boliviano de Evo Morales não concedesse o salvo conduto ao senador de oposição, para vencê-lo por fadiga psicológica. A atual política externa brasileira assumiu o papel indecoroso de carcereiro, contra os princípios da diplomacia do velho Itamaraty. Foi traída uma política de Estado de sempre colocar o Brasil ao lado de boas causas do ponto de vista ético. [Que diabo é “fádiga psicológica”? No caso de Assange: “A política externa inglesa assumiu o papel indecoroso de carcereiro” E O Globo esqueceu que Saboia comparou a Embaixada do Brasil ao DOI-Codi]

Para Natan Donadon os mesmos direitos humanos de Roger Pinto

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Em uma votação secreta, a Câmara dos Deputados não teve votos suficientes para cassar o mandato do deputado Natan Donadon.

Condenado a 13 anos por desvio de recursos, por roubo do dinheiro público, ele está preso e foi algemado ao Congresso para se defender.

O senador Roger Pinto Molina, foragido da Justiça boliviana também foi condenado “por desvio de recursos, por roubo do dinheiro público”, e mais outros crimes, e muito mais, por horrendos crimes como chacinas de indígenas e camponeses. O senador responde a vinte processos, e é recebido no Brasil com festas.

Veja vídeo, e reportagem de Geiza Duarte.

A justificativa do diplomata Eduardo Saboia, encarregado dos negócios, dos negócios da Embaixada Brasileira na Bolívia, para escoltar a fuga do milionário senador:  Roger Pinto “passou 452 dias em um cubículo” ao lado de sua sala. “Eu me sentia como se tivesse o DOI-Codi [órgão de repressão da ditadura militar] ao lado da minha sala de trabalho”.

O senador tinha todo o conforto possível: alimentação de luxo,  acompanhamento médico, celular, tv, internet, e todo pessoal da Embaixada como servidores. Nada comparável com o DOI-Codi, matadouro e local de tortura da ditadura militar brasileira.

Julian Assange nunca matou, nunca roubou, e está a 436 dias exilado em um cubículo da Embaixada do Equador em Londres. E a grande imprensa brasileira defende este DOI-Codi londrino.

Equiparar o DOI-Codi a uma embaixada é um escárnio e, na comparação de Saboia, um tapa na cara da presidente do Brasil. Disse o encarregado dos negócios: Pinto era “um perseguido político, como a presidenta Dilma foi perseguida”.

Saboia declarou que se sentia um “agente do DOI-Codi”, e havia uma situação de violação de direitos humanos do senador na embaixada. “Não tenho vocação para agente penitenciário”.

Aécio Neves e a imprensa direitista defendem Roger Pinto

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O senador corrupto foragido da Justiça

Aécio Neves denuncia que o Brasil se curvou ao governo da Bolívia. A imprensa direitista da Bolívia usa o mesmo discurso: acusa Evo Morales de ter se curvado ao Brasil.

Compare os dois discursos:

“É deplorável, sob todos os aspectos, a atitude tomada pelo governo da presidente Dilma Rousseff no episódio envolvendo a transferência do senador boliviano Roger Pinto Molina para o País. Ao expor à execração pública o diplomata Eduardo Saboia, o governo brasileiro se curva, mais uma vez, a conveniências ideológicas. Mais grave ainda, abandona as melhores tradições da nossa diplomacia”, afirma Aécio em nota oficial.

O jornal conservador Los Tiempos exige:  “Buscar cómo deslindar responsabilidades en los diferentes niveles del Estado central boliviano. Fijación que, salvo la ineludible declaración de Ministro de Relaciones Exteriores exigiendo una explicación a Brasil por su acción, hace olvidar el agravio inferido por esa nación a Bolivia.

No se trata sólo de hacer el reclamo al Gobierno de Brasil y exigir las satisfacciones del caso, sino iniciar una campaña internacional de información sobre el agravio recibido y exigir de gobiernos que se considera amigos un claro pronunciamiento al respecto”.

Confira os dois discursos pretensiosamente nacionalistas, mas que têm a mesma finalidade: atacar os governos do Brasil e da Bolívia que, conjuntamente, com os governos do Equador, Argentina e Venezuela são considerados inimigos do imperialismo.

De acordo com o presidente do PSDB, maior partido de oposição a Dilma, a posição do governo manchou a “tradição centenária” do Itamaraty, que “sempre se pautou no respeito aos direitos humanos, na defesa intransigente da liberdade, na obediência estrita ao Estado democrático de direito”. “Infelizmente, porém, nos últimos anos tais valores deixaram de orientar nossa diplomacia, suplantados por uma visão apequenada, míope e distorcida acerca do papel do Brasil no mundo. O peso da ideologia tem vergado a atuação da nossa chancelaria”, acusou o senador mineiro.

Para Aécio, o governo “jamais atuou efetivamente para solucionar o impasse diplomático e garantir ao senador Molina a concessão do salvo-conduto que as boas normas do direito internacional recomendam e impõem em situações assim”, preferindo submeter-se às imposições de Evo Morales.

Editorial do jornal boliviano Los Tiempos:

EL PROBLEMA NO ES PINTO

El Presidente del Estado debería exigir públicamente cuentas a los dignatarios responsables de este caso y que asuman, como en Brasil, el costo de su negligencia

El traslado del asilado senador Roger Pinto a Brasil sin que obtenga el respectivo salvoconducto boliviano ha provocado un terremoto político en el vecino país, pues, de acuerdo a las informaciones que se van conociendo, hubo un evidente rompimiento de la cadena de mando interno. Una vez comprobada esta situación, se ha exigido renuncias, anulado nombramientos e instruido procesos administrativos a los funcionarios involucrados, más allá de simples cambios de fusible.

Así, ha renunciado el Ministro de Relaciones Exteriores y se ha anulado el nombramiento en un nuevo destino del aún Embajador de Brasil en Bolivia, acciones que, de acuerdo a algunos entendidos, significaría la recuperación de la responsabilidad de la Cancillería de ese país sobre las relaciones con Bolivia (y probablemente algunos otros países con similar ideología a la del Partido de los Trabajadores), hasta este hecho asignadas a un equipo eminentemente político.

En cambio y lamentablemente, en el país, tanto en el Gobierno como en muchos sectores de la oposición política y regional, nuevamente se actúa con miras cortas tratando de fijar como objetivo del problema al senador Roger Pinto y, además, de buscar cómo deslindar responsabilidades en los diferentes niveles del Estado central boliviano. Fijación que, salvo la ineludible declaración de Ministro de Relaciones Exteriores exigiendo una explicación a Brasil por su acción, hace olvidar el agravio inferido por esa nación a Bolivia.

De hecho, pese a que luego de un momento de ofuscación parecía que sería reasumido por la Cancillería, lo cierto es que ya no sólo que otros dignatarios comentan sobre el tema, sino ahora hasta un ministro del Tribunal Supremo y la Fiscalía General lo hacen.

Así, se puede observar que mientras en Brasil se ha tomado en serio el escándalo, en Bolivia, hay que insistir, se trata de aprovechar el tema con fines sectarios, cuando lo correcto sería que los funcionarios del Ministerio de Relaciones Exteriores se despabilen y asuman las funciones que la Constitución les asigna. No se trata sólo de hacer el reclamo al Gobierno de Brasil y exigir las satisfacciones del caso, sino iniciar una campaña internacional de información sobre el agravio recibido y exigir de gobiernos que se considera amigos un claro pronunciamiento al respecto.

En el plano interno, el Presidente del Estado debería exigir públicamente cuentas a los dignatarios que por sus atribuciones o por gestiones oficiosas estaban responsabilizados de este caso y que asuman, como en Brasil, el costo de su negligencia y comisión de sucesivos errores.

Seguir insistiendo en culpar al senador Pinto de todo el entuerto, como parece ser la política oficial, apoyada insensatamente por algunos de sus escribidores, hace perder las esperanzas en que de una experiencia tan dura como la que estamos viviendo, se aprenda algo y se rectifiquen errores, como sostener aún que el meollo de este caso es el senador Pinto, cuando es nuestra errática política internacional en la que muchos dignatarios quieren influir, rompiendo en forma recurrente toda cadena de mando con absoluta impunidad.

Roger Pinto responde a una veintena de causas judiciales, que van de mal uso de fondos públicos a asesinato

Presidenta de Brasil protesta y condena la salida de Pinto

Dilma Rousseff afirma que “un país civilizado protege a sus asilados”

La presidenta brasileña, Dilma Rousseff, condenó con vehemencia el operativo que llevó al senador boliviano Roger Pinto desde la Embajada brasileña en La Paz hasta la fronteriza población de Corumbá (El Diário)

por Eric Nepomuceno

 

No es tan suave como esperado el escenario que Roger Pinto Molina, el senador boliviano contrabandeado por el encargado de negocios de la embajada brasileña en La Paz, Eduardo Saboia, encontró en Brasil. No está claro si hubo un equívoco a la hora de interpretar su situación legal, tanto de parte de sus abogados como del descabellado funcionario de segundo rango que decidió sacarlo de la embajada, o si se trata de otra artimaña del político boliviano para ganar espacio en los medios de comunicación, fustigar al gobierno de Evo Morales y reforzar su papel de víctima de persecución implacable.

Al salir de la embajada, dejó de ser asilado. Cuando ingresó por vía terrestre en territorio brasileño el pasado sábado, Pinto Molina –que en Bolivia responde a una veintena de causas judiciales, que van de mal uso de fondos públicos a asesinato– pidió refugio a las autoridades de la aduana. La petición será examinada por el Conare, el Consejo Nacional para Refugiados, vinculado con el Ministerio de la Justicia.

Si se le concede ese status, Pinto Molina podrá residir y trabajar normalmente en Brasil. Se considera refugiado, acorde con los convenios internacionales, quien sufre persecución por razones religiosas, de raza, de género, o los que enfrentaron en sus países catástrofes naturales o son víctimas colaterales de conflictos armados. El asilo político es concedido a quien sufre persecución o está bajo amenaza por razones exclusivamente políticas. Por ahora, sus abogados optaron por no solicitar asilo político, reservando esa opción para el caso de que el gobierno boliviano haga un pedido formal de extradición de su cliente.

En La Paz, la situación de Pinto Molina era la de asilado diplomático, o sea, estaba al amparo del Estado brasileño siempre que se mantuviese dentro de la embajada. El asilo diplomático no se extiende al territorio brasileño. Ahora no le queda otra alternativa que esperar por la decisión del Conare.

Dilma Rousseff, definitivamente irritada por la situación creada a raíz de la iniciativa destartalada del diplomático Eduardo Saboia, determinó a sus asesores que la situación legal de Roger Pinto Molina sea examinada de la manera especialmente detallada. No admitirá ninguna brecha legal que dé lugar a nuevos incidentes. Pidió atención especial a los argumentos presentados por el indeseado huésped para justificar la afirmación de que es un perseguido político. Sin presentar pruebas contundentes, no será considerado ni refugiado y menos aún asilado. En ese caso, y a depender de negociaciones con el gobierno boliviano, a lo sumo recibirá una visa convencional que le permitirá permanecer en Brasil por un período determinado.

Sin refugio ni asilo, la situación del político derechista podrá complicarse mucho, en caso de que el gobierno de Evo Morales pida su extradición. Ayer, Eduardo Saboia –que sigue reivindicando para sí el rol de héroe salvador de vidas humanas– empezó a presentar sus justificativos para sus superiores. Criticado de antemano por el gobierno, se declaró víctima de una inmensa injusticia. Católico extremado, asegura que consultó a Dios a la hora de decidir sacar a Pinto Molina de la embajada y traerlo por tierra a Brasil. Quizá por eso no haya consultado a sus superiores. Por el camino iba leyendo salmos junto a Pinto Molina, que es pastor evangélico, en alegre y ecuménica jornada.

Sigue criticando, en entrevistas a la prensa, la conducta del gobierno brasileño por no haber asumido una actitud firme para salvar la vida del senador boliviano, que él sí considera un perseguido político.

En cuanto estuvo en su puesto en La Paz, Saboia y el entonces embajador Marcel Biabo se caracterizaron por sus posturas francamente críticas al gobierno de Evo Morales. Actuaban más como miembros de la oposición que como representantes de un país vecino. Biabo fue removido de su puesto, que pasó a ser ocupado interinamente por Saboia.

Insistiendo en su rol de libertador de un oprimido, el funcionario comparó la situación del entonces asilado senador boliviano a la de la presidenta Rousseff cuando padeció dos años en las mazmorras de la dictadura brasileña. “Yo me sentía como un carcelero del DOI-CODI”, dijo en referencia a la cárcel política donde Dilma sufrió tormentos y torturas.

La respuesta vino ayer, cuando la presidenta hizo una visita oficial al Senado. Dilma criticó duramente la actitud del diplomático. Dijo que con su iniciativa injustificable, Saboia puso en riesgo la vida de un hombre que, en la embajada, estaba bajo protección del Estado brasileño. “Un país civilizado y democrático protege a sus asilados. Jamás se podría admitir que, al no contar con el correspondiente salvoconducto, fuese colocada en riesgo la vida de quien se encontraba bajo asilo diplomático.”

Respecto de comparar la situación del político boliviano asilado en la embajada con la de una mujer prisionera de la dictadura, Dilma fue contundente: “Yo sí estuve en el DOI-CODI. Y puedo asegurar que la distancia entre aquello y una embajada brasileña es la misma que va del cielo al infierno”.

Eduardo Saboia, de 45 años de edad, diplomático, católico fervoroso, lector de salmos al encontrarse en situación de riesgo, todavía no sabe cuál será su destino en la carrera, si es que tendrá alguno.

Al saber de la reacción de Dilma, se limitó a pedir: “Que Dios me ayude. Recen por mí”.

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