Durante as campanhas eleitorais o PCC desaparece

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Os governadores reconhecem a existência de governos paralelos em cada estado brasileiro. Esta a razão para comandar um exército de soldados estaduais fortemente armados.

A Polícia Militar de São Paulo tem perto de cem mil homens. As forças armadas de vários países não conseguem recrutar, nem municiar, nem pagar o soldo de uma multidão igual.

Apesar deste poderoso exército, com armas modernas e homens treinados na polícia e no exército de vários países, notadamente nos Estados Unidos e na Escola das Américas, o governador Geraldo Alckmin anunciou solenemente, em outubro de 2013, que estava com a vida ameaçada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), considerada a maior organização criminosa do Brasil.

Coitado! Devia pedir proteção especial à Policia Federal
Coitado! Devia pedir proteção especial à Policia Federal

Pela propaganda oficial, veiculada pela mídia, o grupo capitaneia rebeliões, assaltos, sequestros, assassinatos e o narcotráfico. A facção atua principalmente em São Paulo, mas também estaria presente em 22 dos 27 estados brasileiros.

A organização seria financiada principalmente pela venda de maconha e cocaína, mas roubos de cargas e assaltos a bancos também são fontes de faturamento.

Esquecem de informar que o lucro principal das facções criminosas no Terceiro Mundo passou a ser o tráfico de minérios.

No Brasil não existe uma distinção entre PCC e milícias, formadas por soldados estaduais e policiais civis, e elementos expulsos dessas organizações, e soldados desmobilizados das forças armadas.

O mundo travou guerras do ópio, conflitos armados ocorridos entre a Grã-Bretanha e a China nos anos de 1839-1842 e 1856-1860. E luta, hojemente, a guerra da cocaína nos Andes, financiada pelos Estados Unidos, que possuem plantações de coca legalizadas pela ONU. Trata-se de um estranho monopólio.

O que importa discutir aqui é que um pacto policial, esquisita pacificação, determina a desativação dos PCCs em ano eleitoral.  Com a eleição das bancadas da bala.

O governo paralelo fecha à bala seus redutos eleitorais para o voto de cabresto em seus candidatos, todos com ficha-limpa nas 1001 polícias e tribunais do Brasil.

 

Acontece que o PCC é feito pé de cobra: ninguém sabe onde se esconde, qual o quartel, ou quem lidera em cada Estado. Tão invisível quanto a água nas torneiras da Grande São Paulo. A única prova da existência, apresentada pela polícia, parece piada: todos os capos do PCC estão presos, e acaudilham suas tropas de dentro de presídios de segurança máxima, trancados em celas individuais, sem direitos a visitas e de contato com outros presos, e de comunicação via telefone, via computador, via rádio, com qualquer pessoa viva ou morta.

 

Alckmin, em ano eleitoral, evitar falar em PCC
Alckmin, em ano eleitoral, esquece o PCC

 

 

 

 

TRÁFICO DE PESSOAS: nos últimos 15 anos, apenas cinco casos foram julgados no Ceará

AUMENTAM AS LISTAS DE DESAPARECIDOS EM TODOS OS ESTADOS DO BRASIL. DOS ASSASSINADOS PELA POLÍCIA E ENTERRADOS EM CEMITÉRIOS CLANDESTINOS. DOS SEQUESTRADOS PELOS PELO TRÁFICO DE ESCRAVOS E PELO TRÁFICO DE ÓRGÃOS

Tráfico de Pessoas. Crime é considerado um dos mais invisíveis e complexos de se investigar. Falta de conhecimento da sociedade sobre o assunto e frequente recusa das vítimas em cooperar são dois dos fatores responsáveis. A Campanha da Fraternidade deste ano alerta para o problema e investe na prevenção.

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Em 1998, a cearense Silvania Cleide Barros Vasconcelos foi condenada pela Justiça Federal a quatro anos de reclusão por traficar mulheres para o estrangeiro. No inquérito, duas vítimas relatam como foram abordadas por ela na Avenida Beira Mar, em Fortaleza, e receberam convites para trabalharem como garçonetes no restaurante de seu suposto marido em Paris. As duas fortalezenses viajaram juntas, com todas as despesas pagas por Silvania, incluídos os custos com a emissão dos passaportes e passagens áreas. Mas quando chegaram à capital francesa, foram encaminhadas a uma casa de prostituição em Tel-Aviv, Israel. A fuga de uma das mulheres foi o que revelou o esquema.

A cearense foi condenada. No entanto, outras dificuldades na investigação, incluindo até a escassez de tradutores no Ceará da língua hebraica, inviabilizaram a condenação dos estrangeiros envolvidos no crime, a exemplo do suposto marido de Silvania, um israelense que trabalhava como segurança na casa de prostituição em Tel-Aviv e que teve seu crime prescrito em 2009.

De 1998 pra cá, apenas outros quatro casos foram julgados pela Justiça Federal no Estado, todos com características parecidas de aliciamento e exploração sexual em território estrangeiro.

“É um número baixo”, constata Nilce Cunha, procuradora da República no Ceará e integrante do Comitê Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. “Todo mundo sabe que existe, mas não dá processo porque não têm informações consistentes, não tem aquela denúncia formal com dados suficientes pra polícia investigar e apurar. Sempre se atribui isso à falta de informação. A rede de enfrentamento, que é composta pelos órgãos públicos e sociedade civil, dá informações de que existem moças, mulheres, trans(sexuais), na ilusão de que vão conseguir ganhar muito dinheiro e ninguém sabe o que acontece com elas lá. Mas não existindo as denúncias, não existe processo”.

A última sentença é de 2012, quando uma carioca residente na Espanha foi condenada – pela segunda vez, depois de recorrer do primeiro julgamento – por aliciar mulheres em Fortaleza com promessas de emprego em um bar na cidade espanhola de Llanes. Antes disso, em 2004 e 2007, foram julgados os dois casos mais emblemáticos no Estado.

No mais recente, um alemão e duas brasileiras foram condenados por integrarem uma quadrilha que agenciava garotas para alemães em visita a Fortaleza, quando não as enviava para temporadas na Alemanha. O esquema era gerenciado da Europa por outro alemão – que continua impune – através de um site, que reunia as fotos das garotas. Os clientes estrangeiros escolhiam as companhias previamente.

No outro caso, julgado em 2004, o cearense Francisco de Assis Marques de Aguiar foi condenado a 30 anos e oito meses de prisão, e seu comparsa, o baiano Valdinei Ramos dos Santos, a 15 anos. Na busca na casa de Assis, a Polícia Federal encontrou provas que dão uma ideia da extensão da quadrilha que traficava mulheres para a Espanha principalmente: “constam anotações encontradas na residência do réu de cerca de 525 nomes e telefones, além de recados, informações de voos e bilhetes aéreos para o exterior, contas bancárias no exterior, despesas com passaportes, rascunhos de anúncio de prostituição. Destacam-se os documentos onde aparecem anotações que condizem com os depoimentos de [nome de uma das vítimas], ou seja, uma espécie de tabela de preços em pesetas de atividades sexuais por 20 minutos, 45 minutos e uma hora, o que ficaria para a ‘casa’ e para a ‘menina’, preços de champagne, sucos, passagens, biquinis e calcinhas.”

Foram encontradas também “fotografias de mulheres para passaporte, farto material pornográfico, bilhetes manuscritos por propensas vítimas, comprovantes de remessa de dinheiro proveniente do exterior em favor do acusado, diversos extratos telefônicos, etc.” Um dos extratos obtidos pela investigação policial, abrangendo um período de 10 anos, entre 1993 e 2003, registrou um total de “297 ligações internacionais (sendo 52 para a Alemanha, duas para a Bolívia, uma para a Venezuela, uma para a Bélgica, 131 para a Espanha, 106 para os Estados Unidos e quatro para Portugal), além de centenas de ligações para São Paulo, São Luís, Rio de Janeiro, Aracaju, Recife, Campos Sales, São Carlos, Uruburetama, Salvador, Niterói, Barreira, Redenção, Brasília, Jacone, o que”, conclui o juiz, “demonstra intensa comunicação do réu com pessoas no exterior e em vários estados brasileiros”.

Doze inquéritos na Polícia Federal

 

Os casos variam quanto à fraude ou não do trabalho a ser exercido no exterior – algumas viajam acreditando que serão garçonetes, camareiras, cabeleireiras etc., enquanto outras já exercem a prostituição no Brasil e aceitam a proposta atraídas pela promessa de altos rendimentos. Em comum está o desconhecimento da condição análoga à escravidão em que serão mantidas, geralmente em cárcere privado, com a retenção de seus documentos e passaporte, e o aprisionamento pelas crescentes dívidas, que começam com os custos da viagem e se avolumam com os altos preços cobrados por hospedagem, alimentação e até multas por descumprimento das rígidas regras das casas de prostituição.

Apesar de serem enganadas, muitas das vítimas resistem à denúncia após conseguirem se libertar. Motivos como o medo de represálias se confundem muitas vezes com uma espécie de lealdade ao traficante, que, apesar de tudo, teria lhe ajudado a tentar uma vida melhor no exterior. “A gente tem uma dificuldade por conta disso, a vítima não quer aparecer e também não quer denunciar, às vezes acha que a pessoa ajudou.”, comenta Juliana Pacheco, delegada da Polícia Federal.

Segundo a chefe da Delegacia Institucional da PF no Ceará, responsável pelas investigações dos crimes de tráfico internacional de pessoas, atualmente, 12 inquéritos do tipo tramitam em segredo de justiça: “É um crime muito complicado porque a vítima não se acha vítima, às vezes se prostitui aqui, aí é oferecida uma quantia, vai ganhar 3 mil dólares, 4 mil dólares fora, só que chega lá a realidade é bem diferente. A pessoa fica em cárcere privado, tudo paga, aluguel, comida, e elas têm medo de denunciar também porque não se acham vítima. Elas não acham que foram enganadas. E foram vítimas, sim, tem que denunciar”.

De acordo com o “Relatório Nacional sobre o Tráfico de Pessoas: consolidação dos dados de 2005 a 2011” (https://www.unodc.org/documents/lpo-brazil//noticias/2013/04/2013-04-08_Publicacao_diagnostico_ETP.pdf), a Polícia Federal abriu nesse período em todo o país 157 inquéritos por tráfico internacional de pessoas. No entanto, apenas 91 processos foram abertos pela Justiça Federal. Quanto a prisões e indiciamentos, a PF indiciou 381 suspeitos, dos quais 158 foram presos.

A prevenção

 

A repressão ao crime é um dos três eixos delimitados pela Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, lançada em 2006, e que foi institucionalizada no Ceará em 2011 com a criação do Programa Estadual e do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP). Desde então, o núcleo, vinculado à Secretaria de Justiça do Estado (Sejus), vem atuando no apoio à repressão e em outros dois eixos: o atendimento às vítimas e a prevenção.

“O núcleo é um local de acolhimento inicial. É uma equipe formada por assistentes sociais, psicólogos e advogados. A ideia é contar com a rede. Mas nós acolhemos, inicialmente, essa pessoa e a sua família. Fazemos essa escuta inicial diferenciada. Nós já temos aquelas perguntas que ajudam a caracterizar se foi ou não uma situação de tráfico, como foi o aliciamento, tentando pegar informação sobre esses aliciadores. Entender o que a pessoa tá passando nesse momento, o que ela precisa. A gente vai ajudando a construir o projeto de vida que essa pessoa quer pra o momento, acompanhamos a pessoa até onde ela e a equipe acham interessante continuar, sempre respeitando a autonomia dela”, explica a advogada Lívia Xerez, coordenadora do NETP.

Os casos chegam ao órgão através de várias instituições que compõem a rede de enfrentamento ao tráfico. Desde ONGs internacionais que mantêm articulação com a Sejus, até os Centros de Referência de Assistência Social (Cras), os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e os órgãos de repressão, como as Polícias Civil e Federal. Essas articulações também permitem que as vítimas possam ser encaminhadas pelo Núcleo a outros órgãos de assistência social e de saúde, assim como as informações coletadas podem ajudar em futuros inquéritos criminais.

Em 2013, o NETP recebeu 22 denúncias de possíveis casos de tráfico de pessoas. Mas, como pontua Lívia, várias foram descaracterizadas pela própria polícia – ou seja, resultaram em outros crimes ou eram “alarmes falsos”.

Apesar do auxílio na repressão, o foco da atuação do Núcleo é a prevenção. O órgão mantém uma agenda regular de palestras em escolas, em organizações não governamentais, ou abordagens educativas com populações vulneráveis a tal crime, a exemplo de travestis e prostitutas. A formação de multiplicadores também é realizada para ampliar a disseminação da informação sobre o assunto. Nesses espaços, a equipe do NETP se depara, frequentemente, com uma série de relatos que descortinam a rede aparentemente invisível do tráfico de seres humanos, o que inclui também outras modalidades de tráfico.

Ao grande número de mulheres traficadas para fins de exploração sexual somam-se também o tráfico para chamado “casamento servil” e para o trabalho escravo de uma forma geral.

No primeiro desses casos, mulheres geralmente são iludidas com propostas de amor e um casamento no estrangeiro, que, por fim, se revela uma cilada – a vítima se transforma em escrava sexual, aliciada também às vezes para cuidar de algum doente ou idoso ou simplesmente proporcionar ao traficante um passaporte brasileiro. “Essa pessoa torna-se explorada sexualmente dentro de um casamento pelo seu príncipe encantado”, resume Lívia.

Esse tipo de crime, segundo a coordenadora do NETP, tem se tornado cada vez mais frequente, com vários relatos de tentativas de aliciamento pela Internet, incluindo jovens muitas vezes. “Nós trabalhamos bastante nas escolas com os adolescentes e vemos que eles estão sim recebendo propostas pela Internet, propostas de trabalho ou de amor, casamento. Isso pode ser um trabalho forçado, casamento servil. Os meninos também existem casos de aliciamento pra jogadores de futebol… A gente escuta muito menino dizendo que recebeu um convite pelo Facebook”.

Essas outras modalidades de tráfico não estão previstas no artigo 231 do Código Penal brasileiro, que tipifica o crime de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual. Atualmente, os casos investigados são enquadrados em outros artigos afins, como o art. 149, que trata do crime de reduzir alguém à condição análoga à de escravo. No entanto, projetos de modificação do Código Penal e de criação de uma lei específica para esse tipo de crime tramitam no Congresso Nacional. As diferentes modalidades de tráfico já são previstas, por exemplo, no Protocolo de Palermo, da Organização das Nações Unidades (ONU), promulgado em 2004 pelo Congresso brasileiro.

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Campanha da Fraternidade

 

Lançada pela Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na última Quarta-feira de Cinzas, a Campanha da Fraternidade traz este ano o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e tem como lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou”. A campanha tem como objetivo aumentar o conhecimento da população sobre os riscos envolvidos em propostas tentadoras de trabalho no exterior ou em outras cidades e estados. Além disso, quer chamar a atenção para as situações geradoras de vulnerabilidade social que estão na raiz do crime.

“Nós também vemos que a luta é mais profunda quando se coloca o foco na sociedade, numa política mais justa, numa sociedade governada para o povo, para que haja educação, oportunidade para a juventude, para que responda aos anseios dos jovens para que não busquem esses sonhos fora. Trabalhar por escola, emprego estável, por inserção no mundo da educação, da universidade, tudo isso empodera o jovem por uma solução dentro de seu próprio país.”, enfatiza irmã Áurea Marques, 67, integrante da rede Um Grito Pela Vida.

Formada por religiosas em 2006, a rede tem foco na prevenção do tráfico de pessoas e atua na disseminação de informação sobre o tema, assim como articula as diferentes pastorais sociais, que, historicamente, já atuam próximas a grupos vulneráveis ao aliciamento dos traficantes.

Pesquisas comprovam que o tráfico de pessoas é um crime diretamente relacionado com situações de miséria e pobreza, o que deixa o Nordeste e particularmente Fortaleza no foco dessas ações criminosas. Uma das mais relevantes pesquisas realizadas sobre o assunto – a “Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual Comercial no Brasil” (Pestraf, 2002: http://www.namaocerta.org.br/pdf/Pestraf_2002.pdf) – detectou 241 rotas do tráfico interno e internacional de pessoas no país, a maioria delas nas regiões Norte (76) e Nordeste (69).

O tráfico interno, por sinal, é outro problema constatado pelas irmãs em suas viagens pelo interior do Estado. Em palestras e rodas de conversas promovidas pela rede, são comuns os relatos de aliciamento de jovens para o trabalho escravo ou de crianças e adolescentes que se prostituem nas beiras de estradas.

“Outro dia fui para Itaitinga. As lideranças comunitárias contaram detalhes do que acontece na BR-116. Os caminhoneiros carregam as adolescentes, levam pra outra cidade, dão para outros caminhoneiros e assim por diante. E isso é bem evidente, o povo vê e não sabe o que fazer.”, conta irmã Gabriella Pinna, 67, também integrante da rede Um Grito Pela Vida.

Para as irmãs, a Campanha da Fraternidade deve ser um momento de ampliação dessas reflexões na sociedade como um todo e, particularmente, dentro da própria igreja, que ainda abriga alguma resistência ao assunto, principalmente quando se trata de prostituição.

“Não é porque um é crente ou católica que, automaticamente, acolhe todo mundo sempre. Seria muito simples.”, diz irmã Gabriella. “Pela nossa experiência, a gente vê que tem pouca informação. Claro, os preconceitos existem bem enraizados. É uma cultura ainda muito machista, isso explica porque também a maioria das pessoas traficadas são mulheres. Mas ao mesmo tempo a gente encontra pessoas que são receptivas, querem conhecer, querem saber, e nossos encontros sempre terminam com uma pergunta. O que podemos fazer?”

Irmã Áurea complementa: “Eu sinto ainda que nós todos, não só a Igreja, todos nós somos chamados a sermos mais includentes. Quem é que tem a ousadia de convidar uma mulher prostituta pra fazer a leitura da liturgia. Nós ousamos fazer isso? Nós ousamos chamar um travesti para levar as ofertas por altar? Em que ele é menos puro do que eu?”

ESCRITO POR PEDRO ROCHA (REPORTAGEM), RAFAEL SALVADOR (ARTE)

-Infográfico retirado do informativo “Copa 2014 – O que as mulheres têm a ver com isso?”, do ESPLAR (arte: Rafael Salvador).

Publicado em www.anote.org.br

Vereador defende chacina de mendigos

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Durante uma sessão na Câmara Municipal de Piraí, Rio de Janeiro,  o vereador José Paulo Carvalho de Oliveira (PTdoB), conhecido como Russo, gerou polêmica ao afirmar  que os moradores de rua deveriam virar “ração para peixe”. A frase foi dita no mesmo momento em que ele se posicionava contra o direito dos moradores de rua de votarem.”Mendigo não tem que votar. Mendigo não faz nada na vida. Ele não tem que tomar atitude nenhuma”, disse.

O comentário foi feito no dia 8 de outubro, em uma discussão sobre os 25 anos da Constituição Federal. Na ocasião, o vereador ainda tocou em outros pontos polêmicos como a pena de morte, não prevista pela legislação brasileira. Ele comentou que achou uma pena quando acabaram com a pena de morte. “Deveria haver pena de morte. ‘Ah, vai matar inocente’. Não vai. Ainda que matasse, ia morrer muito menos inocente do que morre hoje, porque se um bandido soubesse que ele ia ser morto, com certeza ele ia pensar mais um pouquinho antes de fazer as coisas”, declarou.

Sobre a censura aos meios de comunicação, o legislador se mostrou preocupado com os conteúdos proporcionados para as crianças. “Fim da censura: eu acho isso ruim. Tem que ter censura. Tem um programa que passa altas horas da noite lá, tem um filme lá que pode passar de qualquer maneira. Eu sei que vai passar um filme ruim e não vou deixar meu filho ver. Mas nas propagandas de intervalo de um filme, de uma novela, tem coisas ridículas. Nas novelas de hoje passam gente transando escandalosamente na frente de criança. Tem que ter censura, sim, tem que ter um bom senso. Não pode se liberar tudo na vida, não, tem que ter censura”, defendeu.

O vereador pronunciou um discurso nazista/fascista/stalinista.  Coisa de reacionário, extremista, racista que prega a “solução final para os mendigos”. Isso é apologia do crime, das chacinas de mendigos, que são incendiados ou mortos a tiros, pauladas, e que entram na lista dos desaparecidos e do rendoso tráfico de cadáveres.

Comida para peixe. Na ditadura militar dos países do Cone Sul, inúmeros presos políticos foram transportados em aviões e jogados no alto mar.

Quanta ganha por mês esse vereador aproveitador do PTdoB de Piraí, terra que mata jornalistas?

José Paulo Carvalho de Oliveira não sabe distinguir um mendigo de um picareta político, de um funcionário de serviço fantasma, de um parasita vereador, de um lobista, de um gigolô e outros malandros – uma gentalha que “não faz nada” de útil, e sem trabalhar, vive uma vida de luxo e luxúria.

Jornalista Mário Randolfo Marques Lopes
Jornalista Mário Randolfo Marques Lopes

Que ele responda se já descobriram os assassinos do jornalista Mario Randolfo Marques Lopes que informava sobre a corrupção em Barra do Piraí. Randolfo havia sobrevivido a vários atentados contra sua vida nos últimos anos. Atentados por denunciar vereadores e prefeitos ladrões em Piraí.

95 moradores de rua foram assassinados desde o começo do ano

Rezo para que o discurso nojento do vereador José Paulo Carvalho de Oliveira não aumente a lista das chacinas de mendigos, impunemente praticadas no Brasil por assassinos cruéis e covardes.

Escreve Wilson Lima

Dados são da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República: Minas Gerais é o Estado que concentra o maior número de mortes, seguido de Goiás

Dos 195 assassinatos de moradores de rua registrados entre janeiro e junho, dez pessoas foram mortas por apedrejamento e nove por espancamento. Houve também o registro de sete moradores de rua que morreram após terem sido queimados.

In Wikipédia: Mendigomendicantepedintemorador de ruasem-teto ou sem-abrigo é o indivíduo que vive em extrema carência material, não podendo manter a sobrevivência com meios próprios. Tal situação de indigência material força o indivíduo a viver na rua, perambulando de um local para o outro, recebendo o adjetivo de vagabundo, ou seja, aquele que vaga, que tem uma vida errante.

O estado de indigência ou mendicância é um dos mais graves dentre as diversas gradações da pobreza material.

Os mendigos obtêm normalmente os seus rendimentos através de subsídios de sobrevivência estatais ou através da prática da mendicância à porta de igrejas, em semáforos ou em locais bastante movimentados como os centros das grandes metrópoles.

No Brasil, numa tentativa de abordar de forma mais politicamente correta a questão dos que vivem em carência material absoluta, criou-se as expressões pessoas em situação de rua e sem-teto para denominar este grupo social.

Holocausto dos loucos e tráficos de cadáveres e órgãos humanos

Quando se queria desacreditar uma pessoa no Brasil bastava chamar de ladrão ou corno ou fresco. Hoje a morte social vem da classificação de louco. – Fulano é doido. Ponto final. O indivíduo está morto socialmente. Nem precisa atestado psiquiátrico.

Tão costumeiro ser ladrão, corno e gay, inclusive vantajoso, para se manter no emprego e realizar bons negócios.

Falar em holocausto não comove ninguém. No Hospital Colônia, em Minas Gerais, mais de 60 mil pessoas perderam a vida, sendo 1.853 corpos vendidos para 17 faculdades de medicina até o início dos anos 1980, um comércio que incluía ainda a negociação de peças anatômicas, como fígado e coração, além de esqueletos.

Ninguém acredita em tráfico de cadáveres. Quem trafica cadáveres faz outros serviços sujos para a medicina de vanguarda. Que nunca vi bilionário na fila de transplantes.

Por esta manchete é um negócio bem legal:

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Tribuna de Minas, em 20 de novembro de 2011: Mulheres eram mantidas em condições subumanas. Ociosidade contribuía para morte social

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Não se morre de loucura. Pelo menos em Barbacena. Na cidade do Holocausto brasileiro, mais de 60 mil pessoas perderam a vida no Hospital Colônia, sendo 1.853 corpos vendidos para 17 faculdades de medicina até o início dos anos 1980, um comércio que incluía ainda a negociação de peças anatômicas, como fígado e coração, além de esqueletos.

As milhares de vítimas travestidas de pacientes psiquiátricos, já que mais de 70% dos internados não sofria de doença mental, sucumbiram de fome, frio, diarréia, pneumonia, maus-tratos, abandono, tortura.

Para revelar uma das tragédias brasileiras mais silenciosas, a Tribuna refez os passos de uma história de extermínio. Tendo como ponto de partida as imagens do então fotógrafo da revista “O Cruzeiro”, Luiz Alfredo, publicadas em 1961 e resgatadas no livro “Colônia”, o jornal empreendeu uma busca pela localização de testemunhas e sobreviventes dos porões da loucura 50 anos depois. A investigação, realizada durante 30 dias, identificou a rotina de um campo de concentração, embora nenhum governo tenha sido responsabilizado até hoje por esse genocídio.

A reportagem descortinou, ainda, os bastidores da reforma psiquiátrica brasileira, cuja lei sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, editada em 2001, completa dez anos. As mudanças iniciadas em Minas alcançaram, mais tarde, outros estados, embora muitas transformações ainda estejam por fazer, conforme já apontava inspeção nacional realizada, em 2004, nos hospitais psiquiátricos do país.

A série de matérias pretende mostrar a dívida histórica que a sociedade tem com os “loucos” de Barbacena, cujas ossadas encontram-se expostas em cemitério desativado da cidade.

Pavilhão onde internos dormiam no “leito único”, nome oficial para substituição de camas por capim
Pavilhão onde internos dormiam no “leito único”, nome oficial para substituição de camas por capim

Esgoto era fonte de água de internos

Entrar na Colônia era a decretação de uma sentença de morte. Sem remédios, comida, roupas e infraestrutura, os pacientes definhavam. Ficavam nus e descalços na maior parte do tempo. No local onde haviam guardas no lugar de enfermeiros, o sentido de dignidade era desconhecido. Os internos defecavam em público e se alimentavam das próprias fezes. Faziam do esgoto que cortava os pavilhões a principal fonte de água. “Muitas das doenças eram causadas por vermes das fezes que eles comiam. A coisa era muito pior do que parece. Cheguei a ver alimentos sendo jogados em cochos, e os doidos avançando para comer, como animais. Visitei o campo de Auschwitz e não vi diferença. O que acontece lá é a desumanidade, a crueldade planejada. No hospício, tira-se o caráter humano de uma pessoa, e ela deixa de ser gente. Havia um total desinteresse pela sorte. Basta dizer que os eletrochoques eram dados indiscriminadamente. Às vezes, a energia elétrica da cidade não era suficiente para aguentar a carga. Muitos morriam, outros sofriam fraturas graves”, revela o psiquiatra e escritor Ronaldo Simões Coelho, 80 anos, que trabalhou na Colônia no início da década de 60 como secretário geral da recém-criada Fundação Estadual de Assistência Psiquiátrica, substituída, em 77, pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). A Fhemig continua responsável pela instituição, reformulada a partir de 1980 e, recentemente, transformada em hospital regional. Hoje, o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB) atende um universo de 50 cidades e uma população estimada em 700 mil pessoas. Leia mais 

Confira o álbum com as fotos no Facebook

 

Dez sequestros famosos no Primeiro Mundo

Sequestrada aos doze anos
Sequestrada aos doze anos

No Terceiro Mundo não existe sequestro famoso. É coisa banal e corriqueira. Quantos jovens estão desaparecidos no Brasil? Ninguém sabe. Nem a justiça. Nem o governo. Existe até um ditado: negro não morre, desaparece.

No Brasil escravocrata, nas grandes cidades, os negros eram jogados na rua. Como animais mortos.

Os cemitérios dos negros, em nome do politicamente correto, desapareceram. E os negros, e os pobres são enterrados em covas rasas. Depois de um ano são desenterrados, para novos cadáveres ocuparem os sete palmos de terra da reforma agrária brasileira.

Acontece com os países em crise na Europa, e dou Portugal como exemplo: Os parentes esquecem seus mortos nos hospitais. Deixam para o governo a conta do enterro. Que é cada vez mais caro morrer. Principalmente no Brasil, país que, inclusive, promove o tráfico de cadáveres para escolas  e transplantes da medicina de vanguarda.

Os prefeitos brasileiros não constroem cemitérios, e apostam na privatização da rendosa indústria da morte.

Ninguém localiza os cemitérios clandestinos – da ditadura militar, do governo paralelo e milícias e justiceiros.

Em um cemitério clandestino, a polícia de Sérgio Cabral enterrou Amarildo.

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o comércio dos papa-defuntos
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O sequestrador, o torturador, sempre, sempre é um serial killer e psicopata.

Dez sequestros famosos. Compare as sentenças da justiça.

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Brasil e Paraguai sem pontaria

 

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Bala perdida sempre encontra uma criança. Não acredito muito que um atirador errou o alvo. No caso da menina brasileira temos, pelo menos, dois assassinos. A polícia nunca investiga. Nas mortes por bala perdida e acidente de trânsito, de desconhecida autoria, a lei deveria proibir a doação de órgãos para transplante. Neste mundo cruel, de tráfico de pessoas, tudo é possível.

¿Hay mercado después de la muerte?

Depois de 13 anos, a Justiça concluiu o processo que apurava um esquema de tráfico de corpos na Faculdade de Medicina em Rio Preto. Duas ex-funcionárias foram condenadas a 3 anos de prisão por furto e venda de cadáveres.  A Justiça conseguiu comprovar que 15 corpos foram vendidos para faculdades da região. Eles eram de pacientes de um Hospital Psiquiátrico e de Asilos, geralmente pessoas sem contato com a família. As investigações apontaram três responsáveis pelo crime. O médico Aid Badui Tannus, que morreu há 8 anos, e as ex-funcionárias, Maria de Oliveira Ferreira e Marly Aparecida Dias. Os três negociavam a venda e a entrega dos corpos. Depois dividiam o lucro.  A polícia e o Ministério Público também investigaram outros funcionários, médicos e os diretores de seis Faculdades Medicina e Odontologia, onde os corpos foram encontrados. Portal Ternura,  02.06.2011
Brasil. Depois de 13 anos, a Justiça concluiu o processo que apurava um esquema de tráfico de corpos na Faculdade de Medicina em Rio Preto. Duas ex-funcionárias foram condenadas a 3 anos de prisão por furto e venda de cadáveres. A Justiça conseguiu comprovar que 15 corpos foram vendidos para faculdades da região. Eles eram de pacientes de um Hospital Psiquiátrico e de Asilos, geralmente pessoas sem contato com a família. As investigações apontaram três responsáveis pelo crime. O médico Aid Badui Tannus, que morreu há 8 anos, e as ex-funcionárias, Maria de Oliveira Ferreira e Marly Aparecida Dias. Os três negociavam a venda e a entrega dos corpos. Depois dividiam o lucro. A polícia e o Ministério Público também investigaram outros funcionários, médicos e os diretores de seis Faculdades Medicina e Odontologia, onde os corpos foram encontrados. Portal Ternura, 02.06.2011

por Santiago Alba Rico

Es una historia muy dura. El pasado 24 de febrero la policía ucraniana descubrió en el interior de una furgoneta huesos y tejidos humanos mezclados con fajos de billete. No se trataba del crimen de un mafioso vengativo o de un sociópata desalmado sino de los flecos de un negocio banal. Ucrania forma parte de la ruta internacional de “ingredientes” para la fabricación de artículos farmacológicos -implantes dentales, prótesis y cremas antiarrugas- vendidos en todo el mundo y muy especialmente en Estados Unidos, máximo receptor de este tipo de productos. La investigación, en efecto, reveló que restos de ciudadanos ucranianos eran enviados a una fábrica en Alemania, subsidiaria a su vez de una compañía norteamericana de productos médicos con sede en Florida, la RTI Biologics, que factura todos los años 169 millones de dólares gracias al “reciclaje de material anatómico”.

Uno de los problemas es que el sistema de donación de tejido humano está sometido a una regulación mucho más liviana que el de semillas o el de juguetes de plástico y, desde luego, claramente más tolerante que el de sangre u órganos para trasplante. Es difícil seguir la pista al tráfico legal de piel, huesos y válvulas sanguíneas y la mayoría de sus beneficiarios -en clínicas y hospitales de todo el mundo- no conocen la procedencia del perno que le han instalado en la dentadura o de la prótesis gracias a la cual ha dejado de cojear. Más grave aún: una parte importante de este tráfico no procede de donaciones sino de una red ilegal de saqueo y comercio de cadáveres cuyos beneficios oscilan entre 80.000 y 200.000 dólares por “unidad corporal”. Entre los restos encontrados en la furgoneta se encontraban algunos pertenecientes a Oleksandr Frolov, de 35 años, muerto a causa de un ataque de epilepsia. “De camino al cementerio, cuando estábamos en el cortejo fúnebre, notamos que uno de los zapatos se caía, parecía estar suelto”, contó su madre. “Cuando mi nuera lo tocó, dijo que el pie estaba vacío”. Más tarde, la policía le mostró una lista de lo que había sido extraído del cuerpo de su hijo: dos costillas, dos talones de Aquiles, dos codos, dos tímpanos y dos dientes.

La historia viene de lejos. En marzo de 2003, la policía de Letonia investigó si el proveedor local de Tutogen, la subsidiaria alemana de RTI Biologics, había extraído tejidos de unos 400 cuerpos depositados en el instituto médico forense del Estado sin el consentimiento pertinente. Dos años más tarde, Michael Mastromarino, propietario de la Biomedical Tissues, fue procesado por comprar a los enterradores de Nueva York y Pensilvania hasta 1.000 cadáveres a fin de fabricar y vender productos biomédicos en Canadá, Turquía, Suiza y Australia. Tanto en el caso de Tutogen como en el de Mastromarino los cadáveres, despojados de sus entrañas y rellenos de telas, madera y tubos, eran devueltos a sus familias, que los enterraban sin sospechar nada. Mastromarino, hoy en la cárcel como “ladrón de cadáveres”, declaró con toda naturalidad: “Esta es una industria. Es una mercancía. Como la harina en el mercado. No es diferente”. Y añadió: “yo tomé atajos. Pero sabía dónde podía hacerlo. Proporcionábamos un producto fantástico”.

Al morir, un cuerpo se convierte definitivamente en objeto. El cadáver está solo y es vulnerable y dependiente. Requiere cuidados. Tras una despedida solemne, es necesario enterrarlo o quemarlo -paradójicamente- para que no vuelva a la vida; es decir, para que no se convierta en otra cosa de lo que era. Los procesos de descomposición -invasión de un nuevo bullicio vital de otro orden- desbaratan la completud final del muerto, que conserva todavía un instante la dignidad inerte, pasiva, desprotegida, de lo que fue nuestra madre, nuestro tío o nuestro amigo. Ese objeto -el cadáver- es terrible porque es humano e inhumano al mismo tiempo y porque nuestro esfuerzo por mantenerlo en la humanidad, siempre fracasado, implica su renuncia a él. Es nuestro porque nos aseguramos de que nadie va a tocarlo; es de todos porque nos aseguramos de que no será privatizado por un extraño. Comerciar con el sexo, con las semillas o con el agua es un atentado sin duda a la seriedad colectiva del mundo; pero comerciar con los muertos es como arrancarle todas las vértebras, y dejar sin venas ni huesos, a la Humanidad entera.

(Transcrevi trechos)

 Polícia indiana descobre "fábrica de ossos" humanos na região de Bengala e prende seis pessoas por furto de cadáveres e tráfico ilegal de esqueletos. UOL, 25. 05.2007
Polícia indiana descobre “fábrica de ossos” humanos na região de Bengala e prende seis pessoas por furto de cadáveres e tráfico ilegal de esqueletos. UOL, 25. 05.2007