Brasil das chacinas sem cadáveres, dos assaltos sem dinheiro

Fiestoforo
Fiestoforo

Declaração de bandido, de ladrão, de cabra safado, quem acredita na hora, de mão beijada, é também bandido, ladrão e cabra safado.

Declaração de alma sebosa tem que ser primeiro comprovada.

Vem o indivíduo, sem nenhum caráter, como é costume do machismo, e espalha que viu a nudez da mulher do próximo. E a mulher de César fica sob suspeita.

Para os europeus: brasileira é sinônimo de puta.

Delação premiada sem prova, para atender inconfessáveis interesses, não pode ser acreditada por pessoas do bem, pelos que amam a Verdade, a Virtude.

Essa de ladrão receber prêmios e mais prêmios por sujar o nome do inimigo de um delegado, de um juiz, de um dono de jornal, do adversário de um político, de um concorrente de um empresário, sempre aconteceu na história da humanidade.

O Brasil, hojemente, o sujeito confessa que comeu toco para entregar o dinheiro a fulano e sicrano, e que não ficou com nenhum tostão furado.

Vem um doleiro, estabelecido no mercado negro há mais de vinte anos, e de atuação conhecida de um juiz e de um delegado, e não revela em que ilha fiscal enterrou o tesouro.

É um assassinato sem cadáver. É um assalto aos cofres públicos sem dinheiro.

É isso aí. Tem que revelar o destino do dinheiro. Colchão ou banco, o dinheiro está em algum lugar. Ou virou casa, fazenda, ações das estatais vendidas a preço de banana.

É preciso que o assassino revele onde sepultou o cadáver. O local da cova. Ou que cemitério clandestino.

Se aparecer o dinheiro como prova. Puro acaso. Que seja contado, e entregue ao verdadeiro dono, o povo em geral.

O principal é que as riquezas roubadas do Brasil sejam devolvidas a todos os brasileiros. Porque o ouro, os diamantes, entregues por mãos honestas ou desonestas, sempre ficam com uma minoria. Para o luxo e a luxúria de 1% da população.

Contra traficante de cocaína seguir a carreira política

No Facebook tem uma página com o nome “Regime militar eu apoio”, que publicou o seguinte meme:

 

meme do Regime Militar

Fiz o seguinte comentário: Na Indonésia não existe regime militar. O presidente é eleito pelo povo. Regime militar acontece nos países quintais do império, nas republiquetas de banana, onde o povo é frouxo e/ou escravo.

Lugar de gorila é na jaula. Ditadura nunca mais. Tortura nunca mais. Nem pena de morte, principalmente pelo desaparecimento de presos políticos.

A cocaína foi introduzida no Brasil durante o regime militar, na campanha do “faça o amor, não faça a guerra”. No caso, guerrilha. No “ame-o ou deixe-o”.

Em tempo: A página faz a propaganda contra o atual governo democrático da República Federativa do Brasil. Faz a apologia da ditadura de 64. E defende o retorno do regime militar. Confira

 

 

 

 

 

bolsonaro

 

Bolsonaro deveria ser cassado pelos vários crimes que praticou. Principalmente por fazer a apologia da ditadura, da tortura, do ódio, de uma guerra civil entre brasileiros. É um inimigo da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos.

Da bancada da bala, da qual participa violentos delegados de polícia e corruptos coronéis da polícia, selecionei alguns dos seus petardos mais divulgados.

 

Tortura. Assassinato de presos políticos. Cemitérios clandestinos

 “O único erro foi torturar e não matar.”

“O objetivo é fazer o cara abrir a boca. O cara tem que ser arrebentado para abrir o bico.”

“Gastaram muito chumbo com o Lamarca. Ele devia ter sido morto a coronhadas.”

“Pinochet devia ter matado mais gente.”

“Quem procura osso é cachorro.”

 

Violência contra a mulher. Homofobia. Racismo. 

“Já que está difícil ter macho por aí, eu estou me apresentando como macho e ela aloprou. Não pode ver um heterossexual na frente. Ela deu azar duas vezes: uma que sou casado e outra que ela não me interessa. É muito ruim, não me interessa.”

“Não vou estuprar você porque você não merece.”

“Eu não corro esse risco. Meus filhos foram bem educados”(Respondendo pergunta de Preta Gil, como reagiria caso um filho se relacionasse com uma negra)

 

Política. Fidelidade partidária. Corrupção. Nepotismo e curral eleitoral

“Competência? É problema do deputado. Se quiser botar uma prostituta no meu gabinete, eu boto. Se quiser botar a minha mãe, eu boto. É problema meu!”

“O kit gay não foi sepultado ainda. Dilma Rousseff, pare de mentir. Se gosta de homossexual, assume. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma”

frase-deveriam-ter-sido-fuzilados-uns-30-mil-corruptos-a-comecar-pelo-presidente-fernando-henrique-jair-bolsonaro-127058

Bolsonaro já mudou de partido, mais do que Marina Silva. Faz campanha com Aloysio Nunes, que foi candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves, para derrubar Dilma Rousseff.  Aloysio participou da guerrilha urbana e praticou vários atos terroristas.

Convocou cinco fracassadas marchas, depois do segundo turno em São Paulo, pelo retorno da ditadura.

 

Foi casado com Rogéria Bolsonaro, a quem ajudou a eleger vereadora da capital fluminense em 1992 e 1996, com que teve três filhos: Flávio Bolsonaro — deputado estadual fluminense —, Carlos Bolsonaro — assim como o pai e mãe, vereador da cidade do Rio de Janeiro —, e Eduardo. De seu segundo casamento com Ana Cristina, teve Renan.

Em 1988 entrou na vida publica elegendo-se vereador da cidade do Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão. Nas eleições de 1990, elegeu-se deputado federal pelo mesmo partido. Seguiriam-se outros quatro mandatos seguidos. Foi filiado ao PPR (1993-95), PPB (1995-2003), PTB (2003-2005), PFL, hoje DEM (2005), e desde 2005 integra o PP.

 

A ONU pede a cassação de Bolsonaro

 

Bolsonaro cascos

Um órgão de defesa dos direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) condenou, nesta segunda-feira (15), uma declaração do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), que durante discurso na Câmara, na última terça (9), disse à colega Maria do Rosário (PT-RS) que “não a estupraria” porque ela “não merece”.

“As declarações são uma ofensa não apenas para a deputada, mas também para a dignidade das mulheres e de todas as vítimas de abusos graves como violência sexual e estupro”, disse o representante para a América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Amerigo Incalcaterra. Segundo ele, esse tipo de afirmação é “inaceitável” em uma democracia como a brasileira, principalmente quando se trata de autoridades públicas eleitas por voto popular.

Em nota, Incalcaterra manifestou apoio à representação protocolada contra Bolsonaro, após o episódio, pela Secretaria de Direitos Humanos e o Conselho Nacional de Direitos Humanos na Procuradoria Geral da República. “Fazemos um chamado ao Congresso Nacional, às autoridades políticas, judiciárias e a toda a sociedade brasileira a condenar amplamente este tipo de discurso de ódio e a defender a dignidade humana em todo momento”, afirmou.

Conhecido principalmente pela postura polêmica, o deputado do PP atacou Rosário, que é ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, ao rebater um discurso feito pela petista em defesa da Comissão da Verdade e das investigações de crimes cometidos por agentes do Estado durante a ditadura militar.

“Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí. Há poucos dias [na verdade a discussão ocorreu há alguns anos] você me chamou de estuprador no Salão Verde e eu falei que eu não estuprava você porque você não merece. Fique aqui para ouvir“, disse.

Foi a segunda vez em que Bolsonaro, na condição de deputado, fez afirmação do tipo a Rosário. Em novembro de 2003, os dois discutiram diante das câmeras da RedeTV! no Congresso Nacional.

 

petardos bolsonaro

Em São Paulo sem água, um bando de terroristas pede sangue

Passeata em Sampa. Imaginei que  para reclamar a falta de água.

E coisa rara, sem pancadaria da polícia e sem infiltrados e espionagem.

 

Viva a PM! Viva Bolsonaro! Viva Lobão!

 

gorila

 

por Fábio Chap

Acabei de voltar de uma manifestação em que:

– 93% dos presentes gritavam: ‘Viva a PM! Viva a PM!’

– 52% dos presentes pediam a intervenção militar, ou seja, o retorno da ditadura militar no Brasil

– 97,8% dos presentes comemoraram quando foi dito no megafone que o congresso derrubou  a ‘medida bolivariana’ da Dilma que propunha participação popular na política brasileira

– Foi anunciado no carro de som que a ‘Fulana de Alguma Coisa’ tinha perdido seu cartão de crédito e poderia retirar no próprio caminhão. (Adoro manifestações em que eu posso recuperar meu cartão de crédito quando o perco.)

– 94% aplaudiu fervorosamente o Lobão quando ele subiu no carro de som

– 86% aplaudiu fervorosamente o filho de Bolsonaro, e ficou gritando: ‘Bolsonaro! Bolsonaro! Bolsonaro!’

– Discuti com uma mulher que cismou que eu era comunista quando eu disse que o Aécio bateu na esposa. Ela disse que eu preciso estudar mais e que se ele bateu na esposa, isso é problema particular deles, não nosso

– Uma menina bonita e bem vestida, por volta dos 20 anos, disse que o PT acabou  com a juventude dela

– Uma mulher começou a gritar ‘Dilma, Dilma, Dilma’ e ouviu de contra-argumento que ela era maconheira, sapatona e vagabunda. O homem que a xingou estava vestido de azul e deveria ter por volta de seus 60 anos.

Nesses rolês eu aprendo muito sobre o ÓDIO. E quanto mais eu vejo essas pessoas odiosas vomitarem suas verdades pequenas e particulares, mais eu desejo que elas descubram um pouco mais sobre o amor.

Quem sabe um dia.

 

Hidrante como enfeite

 

Boca de incêncio
Boca de incêncio

O governador Geraldo Alckmin mandou a polícia militar não reprimir a passeata. Ora, ora, era uma passeata favorável à polícia.

Estavam proibidos desta vez, o uso de bombas de efeito moral, balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo.

O governador aprovou apenas o uso de canhões de água contra os petistas, que não apareceram.

Os soldados estaduais testaram os hidrantes para ligar suas mangueiras. Não encontraram nenhum em funcionamento.

Alckmin ainda acredita que existe água em São Paulo.

E se acontecer um incêndio?

 

Os filhos da mídia foram protestar na Paulista

 

gorilas

 

por Paulo Nogueira

 

Os filhos da mídia foram neste sábado para as ruas protestar contra, bem, contra sei lá o quê.

Contra terem perdido nas urnas e, portanto, contra a democracia.

Disse “filhos”, mas poderia ter dito “vítimas”.

Porque em sua louca cavalgada antidemocrática eles foram intoxicados mentalmente pelo que a mídia deu nestas últimas semanas.

Eles pareciam saídos das páginas da Veja e dos comentários de gente como Jabor.

Pediam o impeachment de Dilma pelo caso Petrobras.

São os efeitos colaterais da capa criminosa que a Veja deu às vésperas das eleições.

Os manifestantes da Paulista tomaram aquilo como uma verdade indiscutível.

Isso mostra que é necessário aplicar uma punição exemplar à Veja. É uma tentativa de golpe branco fazer o que a revista fez – sem uma única prova – em cima de uma eleição tão disputada.

A Veja tem que enfrentar – rapidamente — as consequências do que fez. Ou vamos esperar que um lunático, inspirado pela revista, comece a matar petistas?

A mídia está também por trás do disparatado pedido de auditoria de votos feito pelo PSDB.

Os tucanos só fizeram isso por saberem que têm as costas quentes com a imprensa. Ou então se refreariam antes de atentar contra as instituições com um pedido tão esdrúxulo.

As dúvidas não resistem a um minuto de reflexão. Considere. O Datafolha deu, na véspera, 52% a 48% para Dilma. A diferença ficou nos decimais: 51,64% versus 48,36%.

A desconfiança nasce também, assinale-se, de trapaças do PSDB não devidamente cobradas pela mídia.

Aécio usou dados enganosos de uma pesquisa do instituto Veritás que lhe dava ampla vantagem em Minas, onde perdera no primeiro turno.

O dono do Veritás avisou que era um erro, ou crime, utilizar os números que Aécio brandiu publicamente, nos debates, contra Dilma. O estatístico também.

E mesmo assim Aécio não se deteve.

O que pensa um fanático antipetista quando vê uma coisa dessas? Num dia, numa pesquisa, seu candidato está ganhando amplamente em Minas. No dia seguinte, no mundo real, o candidato perde.

Farsa, é a conclusão.

E a frustração se converte em raiva depois que analistas afirmam que Aécio perdeu a presidência por causa dos votos que não teve em Minas.

Manifestações como a de hoje mostram como a sociedade está sendo agredida por uma mídia interessada apenas na manutenção de seus formidáveis privilégios.

Pensava-se que o ataque da mídia à democracia cessaria com as eleições.

Não cessou.

É hora de o Estado proteger a democracia, antes que seja tarde demais.

paulista5

 

Leia também: “Se eu fosse você, temeria pela sua integridade física”: nosso repórter na manifestação pelo impeachment em SP

 

Será que vai ter água?

 

Sergei Tunin
Sergei Tunin

Silêncio cúmplice. Que pessoal da polícia militar tem as chaves dos cemitérios clandestinos do Rio de Janeiro?

Quais candidatos a governador, senador, deputado federal e deputado estadual vão lembrar os trucidamentos da Polícia Militar do Rio de Janeiro. São milhares de desaparecidos.

Onde estão os assassinos de Márcia? Onde enterraram Amarildo?

 

Amarildo um ano

DIDi HELENE
DIDi HELENE
ESTEVÃO RIBEIRO
ESTEVÃO RIBEIRO
MARA OLIVEIRA
MARA OLIVEIRA
 HARETE
HARETE

O enterro de um torturador abandonado pelos comparsas de 21 anos de ditadura e mais um risível laudo policial

br_atarde. malhães

 

Tudo que o coronel Paulo Malhães fez em vida terminou acontecendo na hora da morte.  Faleceu sozinho, depois de duas ou oito horas de tortura, e enterrado sem os velhos amigos dos porões do golpe de 64. Apenas 51 pessoas acompanharam o cadáver. A única diferença que o corpo foi entregue aos familiares para o sepultamento. Que o Brasil continua com milhares de desaparecidos ocultados em valas comuns nos cemitérios oficiais e clandestinos. Ou os corpos jogados no alto mar. Ou cremados em fornos de fábricas de empresários que financiaram o CCC – Comando de Caça aos Comunistas.

A imprensa publica hoje o press release da polícia: O coronel reformado do Exército morreu de “causas naturais, vítima de edema pulmonar, isquemia de miocárdio e miocardiopatia hipertrófica”, conforme a Guia de Sepultamento do militar entregue, ontem, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, onde foi sepultado. Isso apenas contasta o óbvio:  o ancião, quem tem mais de 70 anos, não suportou a tortura.

O documento, que é necessário para que o enterro seja realizado, contraria algumas linhas de investigação da polícia, que apura se houve violência na morte do militar, e avaliação da Comissão da Verdade do Rio, que classificou o óbito como “queima de arquivo”.

Coronel foi enterrado na tarde deste sábado
Coronel foi enterrado na tarde deste sábado

 

O coronel confessor ter participado de assassinatos, torturas e desaparecimentos durante a ditadura. Em depoimento à Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, a mulher dele, Cristina Batista Malhães, e o caseiro deles, Rogério, que não teve divulgado seu sobrenome, afirmaram que chegaram ao sítio em Nova Iguaçu às 14h de quinta-feira e encontraram três homens na casa. Um estava encapuzado – mascarado porque conhecido – e rendeu Cristina, outro imobilizou o caseiro e o terceiro levou Malhães para um quarto. A polícia calcula que Malhães morreu por volta das 16h — duas horas depois da rendição. Considero um escárnio quando a polícia “calcula”.

Segundo os depoimentos, os homens que ficaram com Rogério e Cristina mandavam que eles mantivessem a cabeça abaixada. Foram roubados do sítio um computador, uma impressora e pelo menos três armas antigas — uma de cano longo e duas de cano curto. Na primeira versão da morte, para fortalecer a tese de latrocínio, foi dito que Malhães era um “colecionador de armas”.

Parece piada: O delegado Fábio Salvadoretti disparou que na região há quadrilhas de traficantes que poderiam ter interesse nas armas. Os assassinos buscavam o computador e documentos.

Cristina e Rogério disseram que não ouviram gritos de tortura vindos do quarto, e que foram libertados, gentilmente, pelos próprios invasores quando eles deixavam a casa, depois de oito ou nove horas. O coronel foi amordaçado.

Um mês antes de morrer, Malhães falou sobre o desaparecimento dos restos mortais do deputado federal Rubens Paiva, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade no dia 25 de março. Também informou que agentes do Centro de Informação do Exército (CIE) mutilavam corpos de vítimas da repressão na Casa da Morte (Petrópolis) arrancando arcadas dentárias e pontas dos dedos para impedir identificação.

Ontem, o administrador Joaquim Sarmento Souza, 25, afilhado do coronel, relatou uma conversa que teve com a viúva do militar, logo após o crime, na qual ela afirmou que os criminosos citaram ter ordens para “matar ele”. “A mulher dele (Cristina) contou que os bandidos se falavam o tempo todo por rádio. E recebiam ordens: ‘Ainda não matou ele? Tá demorando muito. A ordem é matar ele’. Perguntavam se o meu padrinho não lembrava da família que ele matou em (Duque de) Caxias e ele respondia que não”, disse Souza. Fica a pergunta: por que demoraram nove horas?

O rapaz diz crer que o crime foi motivado por vingança, de uma das vítimas torturadas no passado ou de algum ex-empregado de Malhães, já que o oficial se desentendia com frequência com eles. “Ele sempre teve muito problema com funcionário, desde o cara que cuidava dos animais ao que capinava o mato no entorno da casa”, lembrou. Um empregado de salário mínimo com equipamento moderno de comunicação e, pelos menos, dois veículos.

Mais velha dos cinco filhos do coronel, Karla Malhães, afirmou que o pai tinha alguns problemas de saúde e inclusive era hipertenso “o que é normal para a idade”, destacou. Na última quinta-feira (24) quando foi encontrado no sítio em que morava com a mulher Cristina Batista Malhães, o corpo de Malhães estava de bruços, com o rosto contra o travesseiro e apresentava sinais de cianose, característicos de sufocamento.

Carla Malhães afirmou que o depoimento do pai, confessando ter participado de crimes durante a ditadura, acabou “expondo ele mesmo e toda a família. “O depoimento dele foi muito contundente. Nós mesmos nos surpreendemos”.

Karla acrescentou que a família não tem acompanhado o andamento das investigações. “Não pensamos em nada disso (investigação). Isso é com a polícia. Estamos nos despedindo de nosso pai”. Ela disse que os filhos não sabiam do papel exercido pelo pai durante a ditadura. “Para nós ele era apenas pai. E um bom pai. Para vocês, era um coronel da ditadura. É tudo muito doloroso”, acrescentou a filha.

Irmão mais novo de Karla, Paulo Malhães Junior afirmou que o pai nunca falou sobre possíveis ameaças. “(Ele) não chegou a comentar nada. Não sabemos de nada. Estamos tão perdidos quanto vocês (sobre as motivações do assassinato)”.

"Nós acabamos de enterrar nosso pai, o marido da Cristina. O coronel, o tirano, fica para vocês", disse Karla Malhães, uma das filhas do coronel
“Nós acabamos de enterrar nosso pai, o marido da Cristina. O coronel, o tirano, fica para vocês”, disse Karla Malhães, uma das filhas do coronel

Escreveu Vania Cunha: “Um homem controverso

Aos 77 anos, completados há uma semana, Paulo Malhães vivia recluso em seu sítio em Nova Iguaçu há quase três décadas. Recebia poucas visitas e morava apenas com a mulher. O homem que chocou o Brasil ao dizer que matou ‘tantas pessoas quanto foram necessárias’ durante a ditadura agora passava os dias cuidando dos cachorros e cultivando uma coleção de orquídeas.

Nos últimos 30 anos, o militar vivia recluso no sítio de Marapicu. Ultimamente, tinha poucos contatos com os filhos e morava só com a mulher. Foto:  Juliana Dal Piva
Nos últimos 30 anos, o militar vivia recluso no sítio de Marapicu. Ultimamente, tinha poucos contatos com os filhos e morava só com a mulher. Foto: Juliana Dal Piva

Nos últimos dois anos, estava com os movimentos limitados devido a uma queda durante uma reforma da casa. Passava os dias sentado nas cadeiras da varanda . A relação com a família era distante. Ele tinha cinco filhos e estava no sexto casamento. Colocado na reserva em 1985, logo após o fim da ditadura, Malhães guardava uma imensa mágoa do Exército, por quem dizia ter sido abandonado. Um dos maiores orgulhos do coronel Malhães era o que dizia ser a sua especialidade: formar infiltrados. ‘Eu adorava meu trabalho’, costumava dizer.

Ex-chefe do DOI-Codi assassinado em 2012

O coronel reformado Paulo Malhães não é o primeiro militar ligado ao desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva a ser assassinado. Em 1º novembro de 2012, o coronel da reserva Júlio Miguel Molina Dias, de 78 anos, ex-chefe do Departamento de Operações de Informação do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) no Rio, foi morto com seis tiros quando chegava de carro a sua casa em Porto Alegre.

Peritos encontraram num arquivo pessoal de Molina documentos comprovando que, levado por uma equipe do Centro de Inteligência da Aeronáutica em 20 de janeiro de 1971, Paiva desapareceu numa estabelecimento do Exército.

O militar gaúcho havia sido chefe do DOI-Codi carioca até início dos anos de 1980. As anotações estavam em uma folha de ofício já amarelada pelo tempo e havia sido retirada do arquivo que as Forças Armadas negam existir.

No ano passado, a Justiça gaúcha condenou dois policiais da Brigada Militar pelo crime. Eles teriam matado Molina para roubar 20 armas que o militar guardava em casa”.

Para mídia europeia, morte de coronel Malhães é queima de arquivo

A morte de Malhães tem repercussão na mídia internacional. O jornal espanhol El Pais afirma que “as feridas da ditadura militar brasileira seguem abertas e ainda há muitas coisas para saber sobre esse período, trinta anos após a redemocratização do país”. O jornal comenta que “as pessoas que mataram Malhães podem ter pretendido mandar um recado a todos os convocados a testemunhar na Comissão da Verdade”. El Pais evoca a frieza com que Malhães relatou à CNV as mutilações que executava nos presos políticos para evitar sua indentificação.

O jornal O Público, de Portugal, diz que “a morte de Paulo Malhães trouxe a lembrança do caso de Júlio Molinas Dias, outro ex-coronel que foi morto em novembro de 2012 na porta de casa”. O diário português reproduz comentários de membros da CNV que atribuem a morte de Malhães a uma queima de arquivo.

Queima de arquivo

Segundo Pedro Dallari, no longo depoimento que o coronel concedeu à CNV no dia 25 de março, “ficou evidente que ele dispunha de mais informações”. Na opinião de Dallari, “o assassinato de Malhães deve ter sido praticado com a finalidade que ele não voltasse a depor e e também para inibir o depoimento de outras testemunhas que poderiam colaborar ou que ainda podem colaborar com os trabalhos da Comissão da Verdade”. Uma clássica queima de arquivo.

 

O menino de 11 anos que procurou a justiça

Bernardo Boldrini, 11 anos, procurou o Ministério Público por conta própria, pedindo para não morar mais com o pai e a madrasta. E indicou duas famílias com as quais gostaria de ficar.

Em janeiro, o menino esteve no MP de Três Passos, no Rio Grande do Sul, e relatou detalhes de sua rotina, marcada pela indiferença e pelo desamor na casa em que vivia. O pai, o médico Leandro Boldrini, 38 anos, a madrasta, a enfermeira Graciele Ugulini, 32, e uma meia-irmã, de um ano — de quem relatou ser proibido de se aproximar.

O juiz da Vara da Infância e da Juventude do Fórum de Três Passos, Fernando Vieira dos Santos, 34 anos, chorou ao lembrar que o caso do menino passou pelas mãos dele no processo movido pelo Ministério Público do município. O garoto pediu ajuda ao Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, órgão ligado à prefeitura, e a queixa chegou ao MP, que a transformou em um processo. A ação acabou na mesa de Santos, que intimou as partes. Como não havia registro de violência física, o magistrado optou por tentar preservar os laços familiares, suspendendo o processo por 60 dias para dar chance de uma reaproximação.

A negligência afetiva em relação a Bernardo chegou ao conhecimento do MP em meados de novembro. Na ocasião, um expediente foi instaurado para apurar o caso. A promotora da Infância e da Juventude de Três Passos, Dinamárcia Maciel de Oliveira, pediu informações a órgãos da rede de proteção, como o Conselho Tutelar e a escola em que o menino estudava, e fez levantamentos sobre parentes que poderiam assumir a guarda do menino.

No início do ano, Bernardo foi levado ao MP por um agente da rede de proteção. Apesar de ter negado sofrer maus-tratos e violência, disse que o pai era indiferente e que a madrasta implicava com ele. No fim de janeiro, a promotora ingressou com ação na Justiça pedindo que a guarda provisória fosse dada à avó materna, que mora em Santa Maria (RS). Desde então, nenhuma informação sobre problemas na relação familiar chegou ao MP.

Bernardo Uglione Boldrini desapareceu no dia 4 deste mês, quando foi assassinado com uma injeção letal aplicada pela madrasta enfermeira, e o corpo ocultado em uma cova cavada em um matagal próximo ao leito do rio Mico, em Frederico Westphalen.

Foi a denúncia do menino que fez a polícia, desde o início das investigações, a suspeitar que os assassinos eram o pai e a madrasta.

BRA_DG ninguém cuidou de marcelo

 

Noelia Brito: Esse caso é um dos mais absurdos de conivência da justiça com a violência contra as crianças. O casal é de psicopatas sádicos que deveriam ter sido avaliados minuciosamente por profissionais capacitados. Quantos casos de violência doméstica não estarão sendo tratados com desleixo por nossas autoridades nesse exato momento?

Renato Janine Ribeiro: Nesse crime horroroso que terá sido o assassinato do pequeno Bernardo pela madrasta e pelo pai, me choca saber que o garoto, com apenas 11 anos, foi reclamar ao Conselho Tutelar – e não adiantou nada. Isso não o salvou. O juiz agora chora. Mas não seria melhor, nesses casos, proteger o indefeso? Se uma ação tão difícil quanto uma criança procurar o órgão competente – o que exige um nível de formação elevado – não dá certo, o que fazer para evitar novos infanticídios a domicílio?

Prazeres Barros: Fiquei chocada com esse caso. Como pode um PAI tratar o filho com tanto desprezo e indiferença? E a madrasta bandida que no perfil no Facebook ( fui olhar), além de não ter uma foto do garoto, não faz nenhuma referência a ele. É como se não existisse. Todos merecem apodrecer na cadeia, mas o pai é o pior para mim, pois cabia a ele a defesa do filho.

Rosemary Siqueira: OS MAGISTRADOS TAMBÉM TEM SUA CULPA, DEPOIS DA CRIANÇA TER IDO AO FÓRUM FAZER A DENÚNCIA, O JUIZ ACEITA E/OU PROPÕE UM ACORDO DE CONVIVÊNCIA MELHOR ENTRE PAI E FILHO, MAS NÃO ACOMPANHA … É COMO SE DISSESSE: ” PROBLEMA RESOLVIDO”

José Mário: Só pra constar, conselho tutelar hoje é mero aparelhamento dos governos…

Ricardo Antunes: Na dúvida o juiz deveria ter optado pelo que dizia a criança. Foi acreditar no pai e o garoto morreu duas vezes como disse em belo texto o professor Talis Andrade. É a justiça dos poderosos.

Janise Carvalho: Quando pensei que já tinha visto de tudo, o caso Nardoni volta a assombrar nossas noites: Me perguntando quantos Nardoni’s ainda precisamos conhecer

 

Graciele Uglini e Leandro Boldrini
Graciele Uglini e Leandro Boldrini

In Noelia Brito