A IMPRENSA ESCONDE: PSDB, DEM E PSB RECEBERAM R$ 160 MI DA LAVA JATO

Valor não inclui doações efetuadas para o segundo turno, cujo prazo de prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se encerra na próxima semana

 

por Márcio de Morais

 

Aécio e Bláblá afagados pela Lava Jato
Aécio e Bláblá afagados pela Lava Jato

O “clube” formado pelas empreiteiras acusadas de integrar o esquema de corrupção denunciado à Justiça pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, no âmbito da operação Lava Jato da Polícia Federal, repassou R$ 160,7 milhões aos principais partidos de oposição ao governo federal no Congresso Nacional. Do total, R$ 129,34 milhões foram destinados ao PSDB, R$ 15,85 milhões ao DEM e R$ 15,57 milhões, ao PSB.

O “clube”, como os próprios membros se autodenominam nos grampos autorizados pela Justiça é formado por dez empresas investigadas por formação de cartel destinado a controlar as obras da estatal em projetos de expansão e construção de polos petroquímicos, refinarias e extração de petróleo.

Além das construtoras Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Iesa, Engevix e Toyo Setal, o grupo reconhecia dentro do próprio esquema uma hierarquização que classificava como “VIP” as suas comparsas Camargo Correa, UTC, OAS, Odebrecht e Andrade Gutierrez, consideradas as maiores do país.

As doações contribuíram para eleger candidatos tucanos como os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Beto Richa (PR) e os senadores José Serra (SP), Álvaro Dias (PR), Antônio Anastasia (MG).

Também financiou candidaturas tucanas derrotadas à Presidência e governos estaduais, como as do senador mineiro Aécio Neves e Pimenta da Veiga, que concorreu e perdeu o governo de Minas para o petista Fernando Pimentel.

Os recursos financiaram, ainda, a candidatura da ex-senadora Marina Silva (PSB), sucessora dos recursos destinados ao falecido ex-governador pernambucano Eduardo Campos, candidato socialista morto em 13 de agosto na queda do avião Cessna Citation em Santos (SP), em que viajava para compromissos eleitorais no Guarujá.

Valor parcial – Para obter os dados relativos ao repasse de financiamento eleitoral, a Agência PT de Notícias fez minucioso levantamento no sistema compulsório de prestação de contas de partidos e candidatos, disponível na página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na internet. Os dados ainda não são definitivos e podem ser ainda maiores. As doações aos candidatos que foram ao segundo turno, como Aécio Neves, são apenas parciais. Referem-se aos valores efetivamente repassados antes de 5 de outubro, data do primeiro turno de votação.

O valor de R$ 160,7 milhões diz respeito apenas às doações aos partidos, que são apresentadas destacadamente dos valores repassados individualmente a cada candidato. Desse subtotal ainda não constam as doações do segundo turno das eleições realizadas em 26 de outubro, cujo prazo para prestação de contas à Justiça Eleitoral encerra-se na próxima terça-feira, dia 25, exatos 30 dias após o término do pleito.

Apesar disso, os dados mostram que as construtoras Odebrecht e OAS doaram R$ 2 milhões cada uma ao candidato tucano apenas na primeira etapa da eleição. Individualmente, Aécio Neves recebeu doações totais de quase R$ 40,7 milhões até o dia 2 de setembro, última prestação relatada pelo TSE na web.

O maior arrecadador do grupo oposicionista é o PSDB. Ao diretório nacional foram destinados pouco mais de R$ 165 milhões e, ao comitê presidencial, R$ 140,6 milhões. O partido foi a quem o ”clube” destinou maior volume de dinheiro para campanha: pouco mais de R$ 78 milhões, ou cerca de 55% dos recursos de financiamento ao candidato à Presidência.

O DEM aparece em segundo lugar, com pouco mais de R$ 53 milhões de arrecadação total, sendo que R$ 15,8 milhões saíram do “clube”. Como não tinha candidato próprio ao Planalto, não há registro de doações ao comitê presidencial do partido.

Já PSB recebeu quase R$ 36 milhões em doações até o primeiro turno, segundo o TSE. Cerca de 40% do total, ou seja, R$ 15,57 milhões, tiveram origem no “clube”, sendo R$ 10,6 milhões registrados em nome do diretório nacional e os demais R$ 4,95 milhões no comitê presidencial. In Plantão Brasil

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Dança da chuva no dia terminal da campanha de Aécio em São Paulo

Reservatório do Sistema Cantareira
Reservatório do Sistema Cantareira
Steve Greenberg
Steve Greenberg

O governador Geraldo Alckmin programou e convida o povo da Grande São Paulo para o mega evento da dança da chuva, que considera como a única solução técnica do seu governo para encher de água as represas que abastecem a Capital e cidades do Estado.

Apesar de escondido pela imprensa, o fornecimento de água vem sendo realizado com caminhões-pipa.

A medida visa que o eleitor tenha água nas torneiras, e vote no segundo turno com o corpo lavado em um banho de chuveiro, hoje só possível nos palácios, palacetes, condomínios de luxo e hotéis cinco estrelas.

A dança da chuva foi decidida em uma reunião da cúpula do PSDB e coordenadores da campanha de Aécio Neves.

Os pastores Silas Malafaia e Marco Feliciano mandaram um ultimato para o candidato Aécio Neves não comparecer a esse ritual pagão e sacrílego. Marina Silva garantiu que ia, depois disse que não, depois disse que sim. Ela através de sua fundação e ONGs ficou de arranjar um índio para a dança, assim revelou Alckmin.

Água índio

Enquanto o evento não acontece, associações de bairros e líderes do Primeiro Comando da Capital estão sendo convocadas para treinar os moradores eleitores para o grande dia da dança da chuva.

Instruções

1
Forme duas linhas paralelas uma à outra com cerca de 1 m de distância. Os homens ficam em uma linha, as mulheres em outra.

2
Dê um passo a frente com o seu pé esquerdo.

3
Levante o pé direito enquanto se move para a frente e leve esse pé ao chão. Os homens podem pisar com mais vigor do que as mulheres.

4
Continue a avançar desta maneira — pé esquerdo, pé direito mais alto, pise firme ao chão. Ao contrário de outras danças nativas americanas realizadas em um círculo, dançarinos da chuva movem-se em um quadrado pelos lados da sala ou área em que estão dançando.

5
Durante uma parte da canção, e enquanto se move para a frente, vire o seu rosto para a direita. Durante a próxima parte, vire-o para a esquerda. Um padrão em zigue-zague é formado enquanto você continuar dessa maneira.

6
Entre as partes, os dançarinos podem parar e rodar, imitando o vento, que simboliza a promessa de chuva. As mulheres podem entoar ou cantar a música que está tocando, e os homens podem gritar com a batida.

 

 

 

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Janio chama Marina Silva de ‘divisora’. Rede e PSB contra Aécio

Ricardo da Costa: Detalhe de uma pintura mural do Egito antigo, tumba (Tebas) de Userhat (reinado de Amen-hotep II, XVIII dinastia, c. 1428 e 1397 a. C). São quatro mulheres de luto, vestidas de branco, sentadas, duas segurando a cabeça com as mãos e chorando compulsivamente. Elas também estão pegando pó para jogá-lo sobre suas cabeças, ato muito comum e recorrente nas sociedades pré-industriais. Todo esse pranto, toda essa dor pela perda do esposo não nos deve impressionar, insensíveis que nos tornamos. Nas sociedades pré-industriais, as pessoas sentiam as coisas muito mais intensamente do que nós hoje. Embrutecemos. O historiador Johan Huizinga (1872-1945), há quase cem anos, em sua famosa obra O Outono da Idade Média (1919) já alertara para a notável sensibilidade à flor da pele das culturas antigas, dos medievais: tudo era muito mais sentido, sofrido e regozijado.
Ricardo da Costa: Detalhe de uma pintura mural do Egito antigo, tumba (Tebas) de Userhat (reinado de Amen-hotep II, XVIII dinastia, c. 1428 e 1397 a. C). São quatro mulheres de luto, vestidas de branco, sentadas, duas segurando a cabeça com as mãos e chorando compulsivamente. Elas também estão pegando pó para jogá-lo sobre suas cabeças, ato muito comum e recorrente nas sociedades pré-industriais.
Todo esse pranto, toda essa dor pela perda do esposo não nos deve impressionar, insensíveis que nos tornamos. Nas sociedades pré-industriais, as pessoas sentiam as coisas muito mais intensamente do que nós hoje. Embrutecemos. O historiador Johan Huizinga (1872-1945), há quase cem anos, em sua famosa obra O Outono da Idade Média (1919) já alertara para a notável sensibilidade à flor da pele das culturas antigas, dos medievais: tudo era muito mais sentido, sofrido e regozijado.

Marino velório

Segundo o colunista Janio de Freitas, ao demorar para anunciar seu apoio a Aécio Neves (PSDB), Marina Silva “instalou a implosão em dois partidos”: “proporcionou tempo para que uma ala do PSB, com o estandarte da viúva de Eduardo Campos, articulasse o abandono da linha tradicional do partido, de centro-esquerda”, e um racha de parte da Rede, que considerou a adesão “grave erro” e contrária ao projeto original

247 – O colunista Janio de Freitas atribui a Marina Silva o apelido de “divisora”. Segundo ele, ao ‘espichar as atenções por mais uns dias sobre sua posição no 2° turno, ela instalou a implosão em dois partidos’.

No PSB, diz que ela proporcionou tempo para que uma ala, com o estandarte da viúva de Eduardo Campos, articulasse o abandono da linha tradicional do partido, de centro-esquerda, e a necessária derrubada dos dirigentes mais identificados com sua formação.

Quanto a Rede, lembra que parte da sigla considerou adesão a Aécio, decidida por Marina, “grave erro” e contrária ao “projeto original”, ao torná-la “parte da polarização PT x PSDB”.

 

Marina Divisora
Jarbas
Jarbas

por Janio de Freitas

A adesão de Marina Silva a Aécio Neves é o seu caminho convencional, mas, para formular os argumentos vazios que invocou, não precisava de tantos dias, bastavam minutos. Além disso, Marina já tem convivência bastante com a política para saber que nenhuma condição exigida de Aécio tem valor algum: se eleito e por ela cobrado, não esqueceria o velho refrão político “as circunstâncias mudaram”. Ao espichar as atenções por mais uns dias, no entanto, Marina instalou a implosão em dois partidos. Um feito, sem dúvida.

A demora de Marina proporcionou tempo para que uma ala do Partido Socialista Brasileiro, com o estandarte da viúva de Eduardo Campos, articulasse o abandono da linha tradicional do partido, de centro-esquerda, e a necessária derrubada dos dirigentes mais identificados com o PSB. Novo rumo: adesão a Aécio.

Em termos partidários, é como se o PSB fosse extinto, com uma descaracterização que preserva apenas o nome e a sigla. Não de todo, aliás, com o humor já se referindo ao “novo PV”: não de Partido Verde, mas Partido da Viúva.

O manifesto “A favor da nova política” tem argumentos consideráveis e reúne, em corrente própria, os que se integraram à Rede Sustentabilidade, partido de Marina, para construir novos modos de fazer política. E consideram a adesão a Aécio, decidida por Marina, “grave erro” e contrária ao “projeto original da Rede Sustentabilidade”, ao torná-la “parte da polarização PT x PSDB”. A adesão agrava-se porque Aécio, diz o manifesto, tem “integração orgânica à desconstituição de direitos, aos ruralistas e ao capital financeiro”, três frentes a que a Rede se opõe por princípio.

Para contornar a reação de correligionários valiosos, Marina Silva precisará de argumentos melhores do que lhe bastaram para aderir ao candidato do PSDB, em vez de “rejeitar as duas candidaturas”. Rede se remenda. O PSB, não.

 

Apoio a Aécio provoca debandada na cúpula da Rede
Casso
Casso

Jornal GGN – Sete coordenadores do Rede Sustentabilidade em São Paulo saíram do partido em protesto à adesão de Marina Silva à candidatura de Aécio Neves. São eles os coordenadores executivos Valfredo Pires e Marcelo Pilon; os coordenadores de comunicação Emílio Franco e Renato Ribeiro; os coordenadores de finanças Gérson Moura e Marcelo Saes e o coordenador de organização Washington Carvalho.

Na parte mais dura do manifesto, o grupos salienta que “As nossas esperanças de um Brasil mais justo, mais ético e mais sustentável mostraram-se como mercadorias, à venda por promessas que não surtirão resultados a médio e a longo prazo”.

Folha de S. Paulo (por Gustavo Uribe) – Em carta, sete coordenadores do partido pediram renúncia de suas atribuições

No texto, o grupo afirma que o apoio a qualquer um dos candidatos à sucessão presidencial neste segundo turno reforça a polarização entre PT e PSDB, criticada pela Rede no primeiro turno da disputa eleitoral.

Em uma crítica ao PSDB, o grupo afirma que não pode servir indiretamente a um projeto de poder que “já foi testado” e com o qual não concorda. Ele ressalta ainda que não responderá pelo “assassinato” de ideais e princípios que o atraíram à Rede.

“No primeiro turno, a Rede tinha como discurso sair da polarização entre PSDB e PT. E, agora, quebra-se essa posição”, criticou Pires.

 

“Traição à luta”
Jrobson
Jrobson

O presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, divulgou neste sábado (11) uma carta aberta em que apoia a reeleição de Dilma Rousseff (PT) e afirma que seu partido “traiu a luta” do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos ao se aliar a Aécio Neves (PSDB).

Amaral diz na carta que ao se aliar “acriticamente” à candidatura Aécio Neves, o bloco que controla o partido “renega compromissos programáticos e estatutários” e “joga no lixo o legado de seus fundadores”.

“Ao aliar-se à candidatura Aécio Neves, o PSB traiu a luta de Eduardo Campos, encampada após sua morte por Marina Silva, no sentido de enriquecer o debate programático pondo em xeque a nociva e artificial polarização entre PT e PSDB.”

Por vingança, dentro do PSB, um grupo de dirigentes em Pernambuco pretende tirar Roberto Amaral da presidência da sigla. O mais cotado para o cargo seria o gaúcho Beto Albuquerque, líder da bancada ruralista na Câmara dos Deputados,e lobista das empresas de fumo, armas e transgênicos, que concorreu como vice de Marina, que se declarou herdeira da Campos e viúva.

Leia abaixo a íntegra da carta aberta:

Mensagem aos militantes do PSB e ao povo brasileiro

A luta interna no PSB, latente há algum tempo e agora aberta, tem como cerne a definição do país que queremos e, por consequência, do Partido que queremos. A querela em torno da nova Executiva e o método patriarcal de escolha de seu próximo presidente são pretextos para sombrear as questões essenciais. Tampouco estão em jogo nossas críticas, seja ao governo Dilma, seja ao PT, seja à atrasada dicotomia PT-PSDB – denunciada, na campanha, por Eduardo e Marina como do puro e exclusivo interesse das forças que de fato dominam o país e decidem o poder.

Ao aliar-se acriticamente à candidatura Aécio Neves, o bloco que hoje controla o partido, porém, renega compromissos programáticos e estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o legado de seus fundadores – entre os quais me incluo – e menospreza o árduo esforço de construção de uma resistência de esquerda, socialista e democrática.

Esse caminhar tortuoso contradiz a oposição que o Partido sustentou ao longo do período de políticas neoliberais e desconhece sua própria contribuição nos últimos anos, quando, sob os governos Lula dirigiu de forma renovadora a política de ciência e tecnologia do Brasil e, na administração Dilma Rousseff, ocupou o Ministério da Integração Nacional.

Ao aliar-se à candidatura Aécio Neves, o PSB traiu a luta de Eduardo Campos, encampada após sua morte por Marina Silva, no sentido de enriquecer o debate programático pondo em xeque a nociva e artificial polarização entre PT e PSDB. A sociedade brasileira, ampla e multifacetada, não cabe nestas duas agremiações. Por isso mesmo e, coerentemente, votei, na companhia honrosa de Luiza Erundina, Lídice da Mata, Antonio Carlos Valadares, Glauber Braga, Joilson Cardoso, Kátia Born e Bruno da Mata, a favor da liberação dos militantes.

Como honrar o legado do PSB optando pelo polo mais atrasado? Em momento crucial para o futuro do país, o debate interno do PSB restringiu-se à disputa rastaquera dos que buscam sinecuras e recompensas nos desvãos do Estado. Nas ante-salas de nossa sede em Brasília já se escolhem os ministros que o PSB ocuparia num eventual governo tucano. A tragédia do PT e de outros partidos a caminho da descaracterização ideológica não serviu de lição: nenhuma agremiação política pode prescindir da primazia do debate programático sério e aprofundado. Quem não aprende com a História condena-se a errar seguidamente.

Estamos em face de uma das fontes da crise brasileira: a visão pobre, míope, curta, dos processos históricos, visão na qual o acessório toma a vez do principal, o episódico substitui o estrutural, as miragens tomam o lugar da realidade. Diante da floresta, o medíocre contempla uma ou outra árvore. Perde a noção do rumo histórico.

Ao menosprezar seu próprio trajeto, ao ignorar as lições de seus fundadores – entre eles João Mangabeira, Antônio Houaiss, Jamil Haddad e Miguel Arraes –, o PSB renunciou à posição que lhe cabia na construção do socialismo do século XXI, o socialismo democrático, optando pela covarde rendição ao statu quo. Renunciou à luta pelas reformas que podem conduzir a sociedade a um patamar condizente com suas legítimas aspirações.

Qual o papel de um partido socialista no Brasil de hoje? Não será o de promover a conciliação com o capital em detrimento do trabalho; não será o de aceitar a pobreza e a exploração do homem pelo homem como fenômeno natural e irrecorrível; não será o de desaparelhar o Estado em favor do grande capital, nem renunciar à soberania e subordinar-se ao capital financeiro que construiu a crise de 2008 e construirá tantas outras quantas sejam necessárias à expansão do seu domínio, movendo mesmo guerras odientas para atender aos insaciáveis interesses monopolísticos.

O papel de um partido socialista no Brasil de hoje é o de impulsionar a redistribuição da riqueza, alargando as políticas sociais e promovendo a reforma agrária em larga escala; é o de proteger o patrimônio natural e cultural; é o de combater todas as formas de atentado à dignidade humana; é o de extinguir as desigualdades espaciais do desenvolvimento; é o de alargar as chances para uma juventude prenhe de aspirações; é o de garantir a segurança do cidadão, em particular aquele em situação de risco; é o de assegurar, através de tecnologias avançadas, a defesa militar contra a ganância estrangeira; é o de promover a aproximação com nossos vizinhos latino-americanos e africanos; é o de prover as possibilidades de escolher soberanamente suas parcerias internacionais. É o de aprofundar a democracia.

Como presidente do PSB, procurei manter-me equidistante das disputas, embora minha opção fosse publicamente conhecida. Assumi a Presidência do Partido no grave momento que se sucedeu à tragédia que nos levou Eduardo Campos; conduzi o Partido durante a honrada campanha de Marina Silva. Anunciados os números do primeiro turno, ouvi, como magistrado, todas as correntes e dirigi até o final a reunião da Comissão Executiva que escolheu o suicídio político-ideológico.

Recebi com bons modos a visita do candidato escolhido pela nova maioria. Cumprido o papel a que as circunstâncias me constrangeram, sinto-me livre para lutar pelo Brasil com o qual os brasileiros sonhamos, convencido de que o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff é, neste momento, a única alternativa para a esquerda socialista e democrática. Sem declinar das nossas diferenças, que nos colocaram em campanhas distintas no primeiro turno, o apoio a Dilma representa mais avanços e menos retrocessos, ou seja, é, nas atuais circunstâncias, a que mais contribui na direção do resgate de dívidas históricas com seu próprio povo, como também de sua inserção tão autônoma quanto possível no cenário global.

Denunciamos a estreiteza do maniqueísmo PT-PSBD, oferecemos nossa alternativa e fomos derrotados: prevaleceu a dicotomia, e diante dela cumpre optar. E a opção é clara para quem se mantém fiel aos princípios e à trajetória do PSB.
O Brasil não pode retroagir.

Convido todos, dentro e fora do PSB, a atuar comigo em defesa da sociedade brasileira, para integrar esse histórico movimento em defesa de um país desenvolvido, democrático e soberano.

Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2014.

Roberto Amaral

O “nós podemos” de Obama virou credo de Marina e Aécio

O velho apoio de Marina, decidido desde o final das eleições do primeiro turno, foi capa hoje de todos os jornais brasileiros como exemplo de nova política.

O “nós podemos” da campanha de Obama a presidente é repetido no Brasil, que a mídia pretende transformar em quintal do Tio Sam.

Que Aécio representa o retrocesso, a velha política colonial do se “é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

 

O "nós phodemos" das elites
O “nós phodemos” das elites

 

Propostas de Aécio, “música” aos senhores da riqueza financeira

Paulo Copacabana, em especial para o Viomundo, escreveu que as propostas de Marina eram música para os “senhores da riqueza financeira”. Troquei o nome de Marina pelo de Aécio. Por vários motivos.

Que Marina se vendeu a Aécio. Em troca do apoio, quer um ministério todinho pra ela, um mandato de quatro anos para presidente, e ser candidata do PSDB em 2018.

Miguel
Miguel

Finalmente, tirou a máscara de fada defensora da floresta, e desconstruiu o mito de Nossa Senhora das Dores, de uma infância parecida com a de Santa Joana d’Árc, a analfabeta que salvou a França, e o sofrimento de Santa Benadette. Santas que fizeram parte da devo√ação de Marina, noviça da Congregação das Irmãs Servas de Maria Reparadoras, em Rio Branco (AC).

“Maria Osmarina da Silva, a Marina Silva, chegou à casa das irmãs em 19 de fevereiro de 1976, 11 dias depois de completar 18 anos.

(…) ‘É a primeira vez que vive com as irmãs’, afirma o documento, guardado no arquivo da entidade.

No período de um ano e cinco meses em que ficou lá, Marina ocupava uma das três camas do quarto 07, de cerca de 25 metros quadrados ao final de um amplo corredor de paredes verde-claras que liga a sala aos quartos das aspirantes. O cômodo mantém a decoração: alguns dos móveis simples de madeira e até as colchas daquela época.

O casarão com varandas é amplo e fresco nos dias de brisa da incomum friagem (período de queda de temperatura) da equatorial Rio Branco. Tem oito quartos – para quatro moradoras e visitantes –, cozinha e copa espaçosas e um grande terreno gramado, com seringueiras e um pomar com pés de enormes laranjas e de cupuaçu. Era o seu canto favorito. ‘Ela era muito voltada à contemplação, gostava de ficar no quintal, junto às árvores, talvez um ambiente parecido com aquele em que vivia antes’, diz a irmã Eva, repetindo relatos.

O restante do tempo dividia entre as aulas no Instituto Imaculada Conceição – hoje com cerca de 700 alunos e ainda mantido pela ordem – e os estudos religiosos. ‘Ela entrou para a família religiosa com o intuito de ser irmã, mas chegou o momento em que não se encaixou e, depois de conversas, decidiu sair. A pessoa entra, conhece a estrutura e o jeito de viver, mas às vezes não se encaixa, é comum. É uma vida muito rigorosa, difícil’.

As Irmãs Servas de Maria Reparadoras tiveram origem na Itália, em 1900, voltada a ajudar e educar crianças órfãs. Chegou em 1921 ao Brasil e se instalou em Sena Madureira (AC). É da corrente progressista da Igreja Católica e atua na educação, saúde e contra violações de direitos humanos. ‘Uma moça sem ligação com educação não fica. Talvez tenha inspirado Marina, depois professora, não sei o que ela pensa disso, mas acho que influenciou nas suas opções’, disse irmã Eva, que não deve votar na ex-companheira. ‘Não fiz a opção ainda. Talvez a opção seja outra.’

Os sinais da saúde frágil já apareciam, mostra o livro. ‘Em 29/7/76, estando com gripe acompanhada de tosse, foi consultada pelo Dr. Silvestre; este solicitou uma radiografia dos campos pulmonares, a qual foi tirada no mesmo dia. Resultado: normal.’

Em julho de 1977, Marina desistiu da vida religiosa. ‘A própria candidata disse não ter vocação’ é a anotação do livro. O pai, Pedro, tem outra versão. ‘Ela queria emprego para ajudar nossa família, mas lá o dinheiro fica na comunidade. Aí desistiu”.

Sinfronio
Sinfronio

Marina nunca gostou de trabalhar. No seringal de onde saiu perto de completar 16 anos não foi seringueira, trabalho proibido para as mulheres. Principalmente para uma criança. Pelos perigos de ficar solta na floresta. Perigos de todos os tipos. Não se quebra, facilmente, os tabus de pequenas comunidades.

No mais, Marina teve os poderes, eleita pelo PT, de vereadora, deputada estadual, duas vezes senadora, ministra de Lula; tem as amizades das maiores fortunas do Brasil; e o pai, com 87 anos, vive no alagado de uma favela do Rio Branco, em casa de madeira.

Tem irmãs que ainda vivem nas mesmas terras de sua infância feliz.

Pedro Augusto, 87 anos, pai de Marina
Pedro Augusto, 87 anos, pai de Marina

Marina pai

 

É um conto de fadas de Cinderela: Marina empregada doméstica. O pai não ia deixar a filha sair de casa (Marina vivia e foi criada pela avó, parteira) para a cidade grande, sem ter para aonde ir. Para ficar na rua. Marina viajou para um endereço certo.  A casa do tio delegado, de onde saiu por maltrato não explicado. Antes de entrar no convento ficou em uma casa tão pobre quanto a do pai dela hoje. Como agregada.

Não confundir pobreza com vida de miserável, de abandono.

Do convento, Marina saiu para estudar história em uma universidade, quando fundou a CUT, e foi candidata derrotada a deputado federal, tendo Chico Mendes como candidato a deputado estadual. Era a Marina sindicalista e comunista.

Senadora conheceu as maiores fortunas do Brasil, e foi candidata a presidente em 2010, tendo como vice um dos homens mais ricos do Brasil, explorador da Floresta da Amazônia, dono de uma empresa com o nome bem sugestivo, Natura. Este ano foi candidata, pela segunda vez, tendo como vice um latifundiário do Rio Grande do Sul, líder da bancada ruralista na Câmara dos Deputados, e defensor das empresas de álcool, fumo e armas, lóbi que não casa com Marina evangélica, parceira dos pastores Silas Malafaia e Marco Feliciano.

nani mudança marina

Qual a diferença entre Maria Alice Setubal, dona do Banco Itaú e mentora do plano econômico de Marina, e Armínio Fraga, também banqueiro, que coordena a campanha de Aécio Neves?

Os dois defendem a autonomia do Banco Central, contra o Mercosul, o BRICS; e a volta do FMI e das privatizações de Fernando Henrique, o tudo para “os senhores da riqueza financeira”, e neca para o povo pobre e para os miseráveis.

Aécio lucro

Armínio Fraga

Armínio Fraga era um empregado de George Soros, indicado para presidir o Banco Central no governo entreguista de Fernando Henrique.

Bancário que era virou banqueiro.

No governo de FHC, Soros se tornou o principal acionista da Vale do Rio Mais do que Doce.

A imprensa vendida brasileira informou que Soros trocou as ações da Vale por ações da Petrobras. Acho que não existe esse tipo de transa. Assim sendo, a Petrobras passou a ser sócia da Vale. Coisa pouca: 634 milhões de dólares.

O noticiário da campanha de Aécio jura que Soros, temeroso de uma vitória de Dilma, passou essas ações para não se sabe quem. Queira Deus que sim. Soros é um especulador, um predador internacional. Ladrão todo. Se aparecer na Rússia vai preso. Patrocina a atual guerra da Ucrânia e outras. Pela teoria da conspiração, mandou matar Eduardo Campos. Não acredito que seja verdade, mas que ele é capaz disso é, e de coisas piores.

Na Ucrânia, muitos dos participantes das manifestações em Kiev assumiram fazer parte de determinadas Organizações Não Governamentais (ONGs) responsáveis por treiná-los em táticas de guerrilha urbana, em numerosos cursos e conferências promovidos pela Fundação do Renascimento Internacional (IRF, em inglês), criada por Soros. A IRF, fundada e financiada pelo multimilionário, orgulha-se de ter feito “mais do que qualquer outra organização” para a “transformação democrática” da Ucrânia, afirmou.

A ação de Soros, no entanto, permitiu que ultranacionalistas passassem a controlar os serviços de segurança ucranianos, como a polícia e as forças armadas. Em abril, o secretário do Conselho de Segurança Nacional e da Defesa, Andréi Parubiy, foi acusado por testemunhas de aceitar suborno da CIA para ajudar no combate àqueles que se opõem ao governo autoproclamado. Ainda segundo o InfoWars, a operação militar de Kiev, com seu caráter violento, incluindo o incêndio na sede de um sindicato em Odesa, no qual morreram mais de 80 pessoas, também pode ser atribuído ao ativismo de George Soros e das outras organizações ligadas à IRF.

Estas mesmas ONGs foram detectadas no Brasil com um serviço semelhante àqueles prestados pela IRF à ultradireita na Ucrânia. A ONG Brazil No Corrupt seria mais uma na lista de organizações patrocinadas por organismos internacionais para a promoção de atos de vandalismo e de violência nas manifestações de rua.

No Brasil, antes e durante e depois da Copa do Mundo, no movimento #naovaitercopa. Compete, ainda, a estas organizações, o patrocínio de páginas nas redes sociais, como a TV Revolta, entre outras, criadas para disseminar o ódio e promover a desestabilização do governo instituído, em manifestações violentas nas principais capitais, com infiltrados das polícias de São Paulo e Rio de Janeiro.

Em Pernambuco, a campanha do governador eleito Paulo Câmara Ardente denunciou que “O PT mandou matar Eduardo Campos”. Resultado: o PT não elegeu o senador, e nenhum deputado federal. Os pernambucanos colocaram nas urnas o voto justiceiro. As eleições representaram um verdadeiro linchamento dos “assassinos”. Sobrou para Dilma e Armando Monteiro, candidato a governador.

Incompetência da propaganda petista. Bastaria completar a frase pichada nos muros: “O PT matou Eduardo Campos” para eleger Marina ou Aécio.

 

 

Frank
Frank

 

Eis o texto de Paulo Copacabana:

Não tem como fazer omeletes sem quebrar os ovos.

Esta frase, para mim, resume os desafios políticos que temos pela frente para melhorarmos nosso país nos próximos anos.

A Nova Política só começará com uma ampla discussão e mobilização popular sobre uma reforma política que permita três coisas: ampliar os canais de participação da sociedade na definição do seu próprio destino, reduzir o poder do dinheiro sobre a política e ampliar a representação das classes populares nos parlamentos brasileiros.

Para isso, precisamos de partidos fortes, democracia interna e idéias claras sobre suas posições.

Para Marina Silva representar efetivamente este ideal, não basta dizer que representa a Nova Política. Os aliados que ela carrega e o jatinho que usou financiado por caixa 2 e empresas laranjas desmentem a todo momento esta sua profissão de fé.

Ela precisa rapidamente dizer quando, como, em que direção e com quem fará uma reforma política no Brasil, já no início do seu governo.

A princípio, Marina não parece se preocupar com partidos fortes ou idéias claras. Parece carregar apenas o “espírito do tempo”, marcada por vontades de mudanças abstratas, sem saber exatamente para onde e como. Uma certa continuidade e vertente eleitoral das jornadas de junho de 2013.

Os apolíticos e os antipolíticos parecem finalmente se juntar aos reacionários e àqueles que representam a infantilização da política (quero tudo agora e de qualquer jeito).

As dificuldades de Marina em construir a Nova Política residem exatamente nesta sua frágil base politica de sustentação.

Precisará dos movimentos sociais e trabalhadores organizados para aprofundar a democracia no Brasil. Quando e se quiser fazer este aceno, será rapidamente abandonada pela sua base eleitoral. Crise política à vista.

Por outro lado, na economia política, Marina já encarna o papel de melhor guardiã da financeirização da riqueza. As poucas famílias, empresas não financeiras e bancos, que aplicam suas riquezas em diversos produtos financeiros, estão indo ao delírio com as propostas dos gurus econômicos de Marina.

Banco Central independente, altíssimas taxas de juros que procurem levar a inflação a níveis suíços, câmbio livre, cortes nos gastos públicos, redução dos salários e “outras maldades” já reveladas soam como música aos senhores da riqueza financeira.

Deve começar seu governo já refém destes interesses poderosos. Uma verdadeira crise econômica se avizinha.

Paralisia política e crise econômica pode ser o resultado mais esperado do seu governo. Marina já acenou que planeja ficar apenas quatro anos.

Não terá outra saída. De qualquer modo, já terá cumprido o papel para os senhores do dinheiro.

Para o país, uma lição a mais: a infantilização da política não produz avanços.

 

Dilma Aécio nova políitca

 

VENEZUELA. La integración brasileña con Latinoamérica y los Brics

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Expectativas tras la primera vuelta de las elecciones presidenciales

por Nils Castro

Contra las expectativas sembradas hace algunas semanas, Dilma Rousseff le sacó más de 7 puntos de ventaja a Aécio Neves quien, a su vez, relegó a Marina Silva, en unas elecciones en las que participó más del 80% de los votantes. ¿Ahora qué va a pasar?

La candidatura de Marina, pese a este desplome, cumplió su papel: gracias a la muerte de Eduardo Campos. Su fugaz ascenso al papel de favorita permitió mandar a segunda vuelta una elección que antes pareció que Dilma le ganaría a Aécio en la primera.

Sin embargo, parte sustantiva de ese temporal apoyo a Marina no vino del voto ecologista ni del evangélico, sino de los sectores de izquierda inconformes con el PT. Pero en la próxima vuelta ni los ambientalistas ni esas izquierdas le darán su voto a Aécio, candidato neoliberal del PSDB, los grupos financieros y la gran prensa.

Ello no hace de Aécio un contrincante deleznable. En la contienda por la segunda vuelta le sobrará respaldo financiero y los medios recrudecerán vigorosamente su campaña contra Dilma y el PT. Todo el espectro de las derechas hará de esto una cruzada.

Aécio vender Brasil

No obstante, uno de los principales temas de campaña volverá a ser el de la corrupción y, en este campo, Aécio es bastante vulnerable. Luego de gobernar el estado de Minas Gerais durante los dos últimos períodos, allí su candidato fue derrotado por el del PT precisamente por esto. El escándalo mayor fue el del “aeciopuerto”, el nuevo aeropuerto que como gobernador él ordenó construir con fondos públicos sobre tierras de su familia.

En la campaña que viene veremos enfrentarse dos personalidades opuestas. Dilma ya no es solo la profesional eficaz que hace cuatro años se estrenó como candidata; ahora es “corazón valiente”, la Jefa de Estado que durante este período expandió los programas sociales creados por Lula, incrementó la eficacia del gobierno e impulsó la integración brasileña con Latinoamérica y los Brics.

Aécio, nombrado líder por su abuelo antes de sudar la camisa, y tutoreado por Fernando Enrique Cardoso, deberá remontar su aureola del play boy para resistir durante las próximas tres semanas la ofensiva concentrada de esa veterana luchadora, de Lula y el PT, ahora que ya no hay Marina que los distraiga.

 

El Mercosur en el debate

JB
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por Mercedes López San Miguel

 


La contienda entre Dilma Rousseff y Aécio Neves representa dos modelos de inserción internacional en pugna: uno apuesta a la integración regional y el otro se propone debilitar el Mercosur para hacerlo más abierto al mundo. Estados Unidos vería con buenos ojos que se eliminara la cláusula 32 que obliga a los socios del Sur a negociar juntamente acuerdos de libre comercio con otros bloques o países. Ese punto, que hasta ahora no se tocó, nació con el Tratado de Asunción de 1991.

El opositor Neves propone flexibilizar las reglas del Mercosur para que Brasil pueda realizar acuerdos bilaterales en caso de que no adhieran a la idea los otros socios (Argentina, Paraguay, Uruguay y Venezuela). “No se trata de salir del Mercosur, sino de pedir flexibilidad”, declaró el titular de la socialdemocracia. El ex gobernador del estado de Minas Gerais sostiene que el tratado de libre comercio que se negocia desde hace más de una década entre la Unión Europea y el Mercosur es “extremadamente estratégico para Brasil”, pero se mantiene estancado por las posiciones “ideológicas” de algunos países miembro, entre los que mencionó a la Argentina – la Cancillería argentina advirtió que el acuerdo podría generar un impulso pobre en términos de crecimiento —. Para Neves, abierto antichavista, el ejemplo a seguir es la Alianza del Pacífico (México, Colombia, Perú y Chile), que es lo más afín al proyecto norteamericano de integración hemisférica con apertura comercial.

Rousseff dio continuidad a la política externa de su antecesor, Lula da Silva. Brasil firmó a favor del ingreso de Caracas al Mercosur y reforzó el bloque de los Brics (formado por Brasil, Rusia, India, China y Sudáfrica). La mandataria este año lideró el acercamiento de los países de la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) con el grupo Brics. Asimismo, enfrió las relaciones con Estados Unidos tras la revelación del megaespionaje norteamericano el año pasado, suspendiendo un encuentro bilateral con Barack Obama y resistiendo las presiones para la compra de aviones de guerra estadounidenses.

El 26 de octubre se pondrán en juego dos apuestas regionales. Con Aécio Neves como presidente se auguran tormentas con los socios del Mercosur y cantos de sirena para los defensores del librecambio. Con la reelección de Dilma Rousseff se garantiza la continuidad de un bloque fuerte.

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Argentina. Aécio tuvo una doble derrota en su provincia natal, Minas Gerais

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Dilma Rousseff competirá en el ballottage con Aécio Neves, quien hace poco más de un mes parecía al borde de renunciar

por Eric Nepomuceno

 

Terminado el conteo de los votos, Dilma Rousseff obtuvo – en números aproximados – 41,5 por ciento del electorado. Y la disputa por el segundo lugar en el ballottage se dio como era esperado: Aécio Neves, del neoliberal PSDB, derrotó a Marina Silva, del PSB.

Sin embargo, hubo sorpresas. Si los institutos de sondeo de opinión dieron en el blanco en lo relacionado a tendencia, se equivocaron, y mucho, con los resultados. Aécio Neves, en lugar de algo alrededor de los 24 o 25 por ciento previstos, logró hacerse con 33,6 por ciento de los votos. Y Marina Silva tuvo que contentarse con un escuálido 21 por ciento del electorado, una votación –alrededor de 21 millones electores – muy similar a la que obtuvo hace cuatro años, cuando disputó e igualmente quedó fuera de la segunda vuelta.

No se trata exactamente del mejor escenario para Dilma. Primero, porque su votación disminuyó sensiblemente comparada con la que obtuvo en la primera vuelta en 2010 (46,9 por ciento – una diferencia que se traduce en cuatro millones menos de votos –). Segundo, porque en tres de los cuatro mayores colegios electorales brasileños, ella no logró una ventaja realmente impactante: superó a Aécio por 700 mil votos en Río, 400 mil en el estado natal de ambos, Minas Gerais, y escasos 110 mil votos en Rio Grande do Sul. Ya en San Pablo, mayor colegio electoral – responde por 22 por ciento del total de votantes brasileños –, la ventaja obtenida por Neves supera los cuatro millones de votos. Y tercero, porque su adversario en ese tramo decisivo contará con el respaldo sustancial de los electores de Marina Silva, para no mencionar el respaldo firme de la totalidad de los medios de comunicación, donde se concentra la oposición más feroz y determinada al PT, en general, y a Rousseff, en particular.

Es verdad que Neves tuvo una doble – e importante – derrota en su provincia natal, Minas Gerais. No logró superar a Dilma (aunque por escasa diferencia) y vio cómo su candidato a la gobernación local fue aplastado por Fernando Pimentel, del PT, ex ministro y amigo personal de Dilma. En Río, tercer colegio electoral brasileño, su votación fue de poco impacto. Así, su sorprendente votación se debió principalmente a San Pablo, donde el actual gobernador, Geraldo Alckmin, de su mismo PSDB, logró una sonora victoria en la primera vuelta, superando hasta las más optimistas previsiones de sus propios correligionarios.

El tradicional adversario de Neves dentro del PSDB, José Serra, obtuvo una contundente ventaja sobre Eduardo Suplicy, derrotándolo en la carrera para el Senado y terminando con 32 años de legislatura del veterano militante del PT.

Así, en la segunda vuelta, cuya disputa empieza hoy mismo, Neves sale acelerado. Cuenta con el respaldo del electorado conservador y antipetista de San Pablo, donde contará con los esfuerzos de un gobernador reelegido de manera formidable. Y cuenta, además, con los problemas que el PT enfrenta en algunas provincias importantes, principalmente Rio Grande do Sul y Río de Janeiro.

La gran incógnita se refiere a la posición que será adoptada por Marina Silva, la gran derrotada en todo ese proceso. La tendencia natural de parte significativa de los votos dirigidos a Silva será que se desvíen a Neves. Los estrategas de Dilma creen que será necesario “recuperar” al menos 30 por ciento de los 21 millones de votos de Marina, lo que significaría unos 6 millones de electores que supuestamente abandonaron a la actual mandataria en medio del trayecto. No será, desde luego, una tarea fácil.

La duda que prevaleció en las horas siguientes al resultado de ayer es sobre cuál será la decisión personal de la candidata derrotada. Para los estrategas del PSDB, a empezar por el ex presidente Fernando Henrique Cardoso, es fundamental que Marina declare formal y oficialmente su respaldo a Neves. Y más: que su partido, el PSB, tradicional aliado del PT, se asuma ahora como parte de una nueva alianza, la que pretende conducir a Neves a la presidencia.

Ocurre que Marina, además de centralizadora y autoritaria, es imprevisible. Tanto puede salir hoy mismo en fervorosa defensa de quien la atacó duramente durante la primera etapa de la campaña como puede cerrarse en silencio por algunos días y luego declararse neutral.

En el PT, se da por seguro de que una parte mayoritaria del electorado de la evangélica ambientalista confirmará su antipetismo y acarreará sus votos para Neves. La cuestión es cómo recuperar la parte significativa que, desilusionada con el PT y Dilma, pasó a apoyar a Silva pero igualmente rechaza el neoliberalismo enfático del otro candidato.

En dos colegios electorales importantes, Minas Gerais y San Pablo, Dilma salió en la delantera en la primera vuelta, y ahora tratará de ampliar su ventaja. En Bahía, también muy importante, el candidato del PT, Rui Costa, en un vuelco espectacular logró derrotar al derechista Paulo Souto, aliado a Neves, y ganar la gobernación en la primera vuelta. Será un respaldo muy importante.

En otra provincia importante, Rio Grande do Sul, el cuadro es bastante más complicado. El actual gobernador, Tarso Genro, petista histórico, obtuvo un resultado inferior a lo esperado: 32,5 por ciento de los votos. Su adversario en la segunda vuelta es José Sartori, del PMDB, quien obtuvo sorprendentes 40,4 por ciento (hace tres semanas no pasaba de los 10 por ciento en los sondeos: ha sido otro vuelco espectacular en una jornada electoral plagada de sorpresas). Pese a que los dos partidos, PT y PMDB, son aliados en el plan nacional, desde luego en Rio Grande do Sul la situación permanece en suspenso. Hay varios sectores del PMDB, en todo el país, que se pasaron a Aécio. ¿Cómo será en Rio Grande do Sul?

Hay, finalmente, dos factores que tendrán que ser tenidos en cuenta. Primero: Lula da Silva estuvo un tanto al margen en esa primera etapa. Pese a estar presente en una gran cantidad de actos pro Dilma, la verdad es que su participación en el comando y en la estrategia de la campaña ha sido más bien discreta. ¿Cómo será ahora? Segundo: al contrario del PT, su rival PSDB carece de militancia de base, capaz de promocionar grandes movilizaciones populares. En esta primera etapa, esa militancia petista poco apareció. ¿Habrá condiciones de llenar calles de manifestaciones masivas en la segunda y definitiva vuelta?

Del lado del PSDB, el cuadro es considerado, por los estrategas de Neves, como muy positivo. Al fin y al cabo, el candidato que hace poco más de un mes parecía al borde de renunciar frente a la estampida de Marina Silva logró un arranque formidable, y llega a la segunda vuelta de la campaña en curva ascendente, mientras que Dilma quedó estacionada. La diferencia entre los dos, de ocho puntos, es considerada vulnerable por la campaña de Aécio. Y a la falta de militancia de base, capaz de movilizar gente, y también a la falta de capilaridad entre las camadas más populares, la campaña pretende responder con un programa electoral fuerte y propositivo en radio y televisión. Ahora, los dos disponen del mismo tiempo, diez minutos al mediodía y otros diez por la noche, además de un número igual de spots publicitarios a lo largo de todo el día.

El blanco preferencial del PSDB está en las clases medias urbanas, especialmente de las regiones más ricas del país, el sur y el sudeste, donde se concentra el mayor contingente de electores. Para eso, contará, además de sus propios recursos, con un apoyo esencial, el de los grandes grupos mediáticos. A Dilma y al PT les espera un largo y complicado camino, pero hoy por hoy, ella sigue ocupando el sitio de favorita.