Janio chama Marina Silva de ‘divisora’. Rede e PSB contra Aécio

Ricardo da Costa: Detalhe de uma pintura mural do Egito antigo, tumba (Tebas) de Userhat (reinado de Amen-hotep II, XVIII dinastia, c. 1428 e 1397 a. C). São quatro mulheres de luto, vestidas de branco, sentadas, duas segurando a cabeça com as mãos e chorando compulsivamente. Elas também estão pegando pó para jogá-lo sobre suas cabeças, ato muito comum e recorrente nas sociedades pré-industriais. Todo esse pranto, toda essa dor pela perda do esposo não nos deve impressionar, insensíveis que nos tornamos. Nas sociedades pré-industriais, as pessoas sentiam as coisas muito mais intensamente do que nós hoje. Embrutecemos. O historiador Johan Huizinga (1872-1945), há quase cem anos, em sua famosa obra O Outono da Idade Média (1919) já alertara para a notável sensibilidade à flor da pele das culturas antigas, dos medievais: tudo era muito mais sentido, sofrido e regozijado.
Ricardo da Costa: Detalhe de uma pintura mural do Egito antigo, tumba (Tebas) de Userhat (reinado de Amen-hotep II, XVIII dinastia, c. 1428 e 1397 a. C). São quatro mulheres de luto, vestidas de branco, sentadas, duas segurando a cabeça com as mãos e chorando compulsivamente. Elas também estão pegando pó para jogá-lo sobre suas cabeças, ato muito comum e recorrente nas sociedades pré-industriais.
Todo esse pranto, toda essa dor pela perda do esposo não nos deve impressionar, insensíveis que nos tornamos. Nas sociedades pré-industriais, as pessoas sentiam as coisas muito mais intensamente do que nós hoje. Embrutecemos. O historiador Johan Huizinga (1872-1945), há quase cem anos, em sua famosa obra O Outono da Idade Média (1919) já alertara para a notável sensibilidade à flor da pele das culturas antigas, dos medievais: tudo era muito mais sentido, sofrido e regozijado.

Marino velório

Segundo o colunista Janio de Freitas, ao demorar para anunciar seu apoio a Aécio Neves (PSDB), Marina Silva “instalou a implosão em dois partidos”: “proporcionou tempo para que uma ala do PSB, com o estandarte da viúva de Eduardo Campos, articulasse o abandono da linha tradicional do partido, de centro-esquerda”, e um racha de parte da Rede, que considerou a adesão “grave erro” e contrária ao projeto original

247 – O colunista Janio de Freitas atribui a Marina Silva o apelido de “divisora”. Segundo ele, ao ‘espichar as atenções por mais uns dias sobre sua posição no 2° turno, ela instalou a implosão em dois partidos’.

No PSB, diz que ela proporcionou tempo para que uma ala, com o estandarte da viúva de Eduardo Campos, articulasse o abandono da linha tradicional do partido, de centro-esquerda, e a necessária derrubada dos dirigentes mais identificados com sua formação.

Quanto a Rede, lembra que parte da sigla considerou adesão a Aécio, decidida por Marina, “grave erro” e contrária ao “projeto original”, ao torná-la “parte da polarização PT x PSDB”.

 

Marina Divisora
Jarbas
Jarbas

por Janio de Freitas

A adesão de Marina Silva a Aécio Neves é o seu caminho convencional, mas, para formular os argumentos vazios que invocou, não precisava de tantos dias, bastavam minutos. Além disso, Marina já tem convivência bastante com a política para saber que nenhuma condição exigida de Aécio tem valor algum: se eleito e por ela cobrado, não esqueceria o velho refrão político “as circunstâncias mudaram”. Ao espichar as atenções por mais uns dias, no entanto, Marina instalou a implosão em dois partidos. Um feito, sem dúvida.

A demora de Marina proporcionou tempo para que uma ala do Partido Socialista Brasileiro, com o estandarte da viúva de Eduardo Campos, articulasse o abandono da linha tradicional do partido, de centro-esquerda, e a necessária derrubada dos dirigentes mais identificados com o PSB. Novo rumo: adesão a Aécio.

Em termos partidários, é como se o PSB fosse extinto, com uma descaracterização que preserva apenas o nome e a sigla. Não de todo, aliás, com o humor já se referindo ao “novo PV”: não de Partido Verde, mas Partido da Viúva.

O manifesto “A favor da nova política” tem argumentos consideráveis e reúne, em corrente própria, os que se integraram à Rede Sustentabilidade, partido de Marina, para construir novos modos de fazer política. E consideram a adesão a Aécio, decidida por Marina, “grave erro” e contrária ao “projeto original da Rede Sustentabilidade”, ao torná-la “parte da polarização PT x PSDB”. A adesão agrava-se porque Aécio, diz o manifesto, tem “integração orgânica à desconstituição de direitos, aos ruralistas e ao capital financeiro”, três frentes a que a Rede se opõe por princípio.

Para contornar a reação de correligionários valiosos, Marina Silva precisará de argumentos melhores do que lhe bastaram para aderir ao candidato do PSDB, em vez de “rejeitar as duas candidaturas”. Rede se remenda. O PSB, não.

 

Apoio a Aécio provoca debandada na cúpula da Rede
Casso
Casso

Jornal GGN – Sete coordenadores do Rede Sustentabilidade em São Paulo saíram do partido em protesto à adesão de Marina Silva à candidatura de Aécio Neves. São eles os coordenadores executivos Valfredo Pires e Marcelo Pilon; os coordenadores de comunicação Emílio Franco e Renato Ribeiro; os coordenadores de finanças Gérson Moura e Marcelo Saes e o coordenador de organização Washington Carvalho.

Na parte mais dura do manifesto, o grupos salienta que “As nossas esperanças de um Brasil mais justo, mais ético e mais sustentável mostraram-se como mercadorias, à venda por promessas que não surtirão resultados a médio e a longo prazo”.

Folha de S. Paulo (por Gustavo Uribe) – Em carta, sete coordenadores do partido pediram renúncia de suas atribuições

No texto, o grupo afirma que o apoio a qualquer um dos candidatos à sucessão presidencial neste segundo turno reforça a polarização entre PT e PSDB, criticada pela Rede no primeiro turno da disputa eleitoral.

Em uma crítica ao PSDB, o grupo afirma que não pode servir indiretamente a um projeto de poder que “já foi testado” e com o qual não concorda. Ele ressalta ainda que não responderá pelo “assassinato” de ideais e princípios que o atraíram à Rede.

“No primeiro turno, a Rede tinha como discurso sair da polarização entre PSDB e PT. E, agora, quebra-se essa posição”, criticou Pires.

 

“Traição à luta”
Jrobson
Jrobson

O presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, divulgou neste sábado (11) uma carta aberta em que apoia a reeleição de Dilma Rousseff (PT) e afirma que seu partido “traiu a luta” do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos ao se aliar a Aécio Neves (PSDB).

Amaral diz na carta que ao se aliar “acriticamente” à candidatura Aécio Neves, o bloco que controla o partido “renega compromissos programáticos e estatutários” e “joga no lixo o legado de seus fundadores”.

“Ao aliar-se à candidatura Aécio Neves, o PSB traiu a luta de Eduardo Campos, encampada após sua morte por Marina Silva, no sentido de enriquecer o debate programático pondo em xeque a nociva e artificial polarização entre PT e PSDB.”

Por vingança, dentro do PSB, um grupo de dirigentes em Pernambuco pretende tirar Roberto Amaral da presidência da sigla. O mais cotado para o cargo seria o gaúcho Beto Albuquerque, líder da bancada ruralista na Câmara dos Deputados,e lobista das empresas de fumo, armas e transgênicos, que concorreu como vice de Marina, que se declarou herdeira da Campos e viúva.

Leia abaixo a íntegra da carta aberta:

Mensagem aos militantes do PSB e ao povo brasileiro

A luta interna no PSB, latente há algum tempo e agora aberta, tem como cerne a definição do país que queremos e, por consequência, do Partido que queremos. A querela em torno da nova Executiva e o método patriarcal de escolha de seu próximo presidente são pretextos para sombrear as questões essenciais. Tampouco estão em jogo nossas críticas, seja ao governo Dilma, seja ao PT, seja à atrasada dicotomia PT-PSDB – denunciada, na campanha, por Eduardo e Marina como do puro e exclusivo interesse das forças que de fato dominam o país e decidem o poder.

Ao aliar-se acriticamente à candidatura Aécio Neves, o bloco que hoje controla o partido, porém, renega compromissos programáticos e estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o legado de seus fundadores – entre os quais me incluo – e menospreza o árduo esforço de construção de uma resistência de esquerda, socialista e democrática.

Esse caminhar tortuoso contradiz a oposição que o Partido sustentou ao longo do período de políticas neoliberais e desconhece sua própria contribuição nos últimos anos, quando, sob os governos Lula dirigiu de forma renovadora a política de ciência e tecnologia do Brasil e, na administração Dilma Rousseff, ocupou o Ministério da Integração Nacional.

Ao aliar-se à candidatura Aécio Neves, o PSB traiu a luta de Eduardo Campos, encampada após sua morte por Marina Silva, no sentido de enriquecer o debate programático pondo em xeque a nociva e artificial polarização entre PT e PSDB. A sociedade brasileira, ampla e multifacetada, não cabe nestas duas agremiações. Por isso mesmo e, coerentemente, votei, na companhia honrosa de Luiza Erundina, Lídice da Mata, Antonio Carlos Valadares, Glauber Braga, Joilson Cardoso, Kátia Born e Bruno da Mata, a favor da liberação dos militantes.

Como honrar o legado do PSB optando pelo polo mais atrasado? Em momento crucial para o futuro do país, o debate interno do PSB restringiu-se à disputa rastaquera dos que buscam sinecuras e recompensas nos desvãos do Estado. Nas ante-salas de nossa sede em Brasília já se escolhem os ministros que o PSB ocuparia num eventual governo tucano. A tragédia do PT e de outros partidos a caminho da descaracterização ideológica não serviu de lição: nenhuma agremiação política pode prescindir da primazia do debate programático sério e aprofundado. Quem não aprende com a História condena-se a errar seguidamente.

Estamos em face de uma das fontes da crise brasileira: a visão pobre, míope, curta, dos processos históricos, visão na qual o acessório toma a vez do principal, o episódico substitui o estrutural, as miragens tomam o lugar da realidade. Diante da floresta, o medíocre contempla uma ou outra árvore. Perde a noção do rumo histórico.

Ao menosprezar seu próprio trajeto, ao ignorar as lições de seus fundadores – entre eles João Mangabeira, Antônio Houaiss, Jamil Haddad e Miguel Arraes –, o PSB renunciou à posição que lhe cabia na construção do socialismo do século XXI, o socialismo democrático, optando pela covarde rendição ao statu quo. Renunciou à luta pelas reformas que podem conduzir a sociedade a um patamar condizente com suas legítimas aspirações.

Qual o papel de um partido socialista no Brasil de hoje? Não será o de promover a conciliação com o capital em detrimento do trabalho; não será o de aceitar a pobreza e a exploração do homem pelo homem como fenômeno natural e irrecorrível; não será o de desaparelhar o Estado em favor do grande capital, nem renunciar à soberania e subordinar-se ao capital financeiro que construiu a crise de 2008 e construirá tantas outras quantas sejam necessárias à expansão do seu domínio, movendo mesmo guerras odientas para atender aos insaciáveis interesses monopolísticos.

O papel de um partido socialista no Brasil de hoje é o de impulsionar a redistribuição da riqueza, alargando as políticas sociais e promovendo a reforma agrária em larga escala; é o de proteger o patrimônio natural e cultural; é o de combater todas as formas de atentado à dignidade humana; é o de extinguir as desigualdades espaciais do desenvolvimento; é o de alargar as chances para uma juventude prenhe de aspirações; é o de garantir a segurança do cidadão, em particular aquele em situação de risco; é o de assegurar, através de tecnologias avançadas, a defesa militar contra a ganância estrangeira; é o de promover a aproximação com nossos vizinhos latino-americanos e africanos; é o de prover as possibilidades de escolher soberanamente suas parcerias internacionais. É o de aprofundar a democracia.

Como presidente do PSB, procurei manter-me equidistante das disputas, embora minha opção fosse publicamente conhecida. Assumi a Presidência do Partido no grave momento que se sucedeu à tragédia que nos levou Eduardo Campos; conduzi o Partido durante a honrada campanha de Marina Silva. Anunciados os números do primeiro turno, ouvi, como magistrado, todas as correntes e dirigi até o final a reunião da Comissão Executiva que escolheu o suicídio político-ideológico.

Recebi com bons modos a visita do candidato escolhido pela nova maioria. Cumprido o papel a que as circunstâncias me constrangeram, sinto-me livre para lutar pelo Brasil com o qual os brasileiros sonhamos, convencido de que o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff é, neste momento, a única alternativa para a esquerda socialista e democrática. Sem declinar das nossas diferenças, que nos colocaram em campanhas distintas no primeiro turno, o apoio a Dilma representa mais avanços e menos retrocessos, ou seja, é, nas atuais circunstâncias, a que mais contribui na direção do resgate de dívidas históricas com seu próprio povo, como também de sua inserção tão autônoma quanto possível no cenário global.

Denunciamos a estreiteza do maniqueísmo PT-PSBD, oferecemos nossa alternativa e fomos derrotados: prevaleceu a dicotomia, e diante dela cumpre optar. E a opção é clara para quem se mantém fiel aos princípios e à trajetória do PSB.
O Brasil não pode retroagir.

Convido todos, dentro e fora do PSB, a atuar comigo em defesa da sociedade brasileira, para integrar esse histórico movimento em defesa de um país desenvolvido, democrático e soberano.

Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2014.

Roberto Amaral

A memória de Arraes e o PSB

Para a nova face do PSB, que ainda mantém o nome de Partido Socialista Brasileiro, foi decisivo o papel da direção partidária de Pernambuco. Nesta nova face, que alguns já chamam de novo fascio, têm lugares decisivos o avô Miguel Arraes e o neto Eduardo Campos. Mas como opostos e ruptura em um processo de morte, enterro e transformação. Façamos um brevíssimo recuo.
por Urariano Mota
O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) cumprimenta Beto Albuquerque, durante reunião em que o partido de Marina Silva declarou apoio a Aécio no segundo turno, nesta quarta-feira Sergio Lima/ Folhapress
O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) cumprimenta Beto Albuquerque, durante reunião em que o partido de Marina Silva declarou apoio a Aécio no segundo turno, nesta quarta-feira Sergio Lima/ Folhapress

 

Em 13 de agosto de 2005, escrevi que os obituários, sempre tão generosos no olho e olfato de abutres, pois sempre esvoaçam e rondam a agonia dos grandes homens, daquela vez haviam falhado no alcance e na mira. Sempre tão bons no faro e argúcia, daquela vez os obituários haviam errado o cadáver do brasileiro Miguel Arraes. No entanto hoje, no mais recente outubro de 2014, que continua o trágico 13 de agosto deste ano, o cadáver é outro. Ou melhor, Eduardo Campos ainda não é um cadáver, como foi o socialista e avô em 2005. Hoje, Eduardo Campos se tornou um fantasma, que ronda o Brasil a partir de Pernambuco.

A mudança no perfil do PSB foi de tal forma, que não devemos falar em diferenças. Talvez devêssemos falar na decomposição de um nobre que gerou um vampiro. Quando era presidente nacional do PSB, Miguel Arraes alertava que as eleições não deviam contaminar o partido. Mas o que Arraes dizia, os valores pelos quais o pensador de esquerda Miguel Arraes lutava têm agora a moldura de marketing. As ideias de Arraes não mais lutam, hoje apenas enlutam. Em lugar da luta, o luto, das suas ideias. Para o luto de Eduardo Campos.

Desde o velório, diante do seu corpo, os sinais de esgotamento do PSB pulavam entre os vivos. De fato, no contexto armado do show mortuário em frente ao palácio do governo de Pernambuco, cujo mote era uma tragédia, entre os telões com os atores políticos e pessoas com bandeiras eleitorais do PSB e de Marina Silva, a ressurreição falava mais perto à terra. Porque o significado era mais simples e baixo, nas condições do show eleitoral criado em torno da missa: a ressurreição era para Marina Silva e a inclinação à direita.

Ali começou a campanha da onipresença da direita no Recife e no Brasil, de modo sufocante e matador da sensibilidade e inteligência. A trágica morte de Eduardo Campos foi usada sem nenhum pudor. Desde o velório, plantaram-se boatos de que Dilma e o PT eram responsáveis pela morte física de Eduardo Campos. Durante toda a campanha, Eduardo Campos se tornou o personagem El Cid, aquele que morto teve o cadáver posto, amarrado a um cavalo, a cavalgar na batalha, para que desse a ilusão de vida e assim melhor ânimo espalhasse na tropa. Mas o caminho à direita já estava aberto bem antes do feito heroico do novo El Cid.

Para o PSB, Arraes como pensamento já era passamento, morte, anterior ao desastre de 13 de agosto de 2014. A sua prática, do avô, a sua destruição, pelo neto, estava em queda antes da tragédia do avião. Aquele abraçar contrários, ex-adversários, inimigos do avô Arraes, como Jarbas Vasconcelos, ao mesmo tempo que se voltava para um lugar distante de aliados, amigos de esquerda e socialistas históricos, a quem antes havia abraçado, isso já estava claro, porque se fazia a olhos vistos. Mas sempre com um sorriso aberto, que era um passaporte para a mordida, que a maioria de nós não víamos.

Uma das maiores contribuições de Maquiavel foi abstrair da análise política os propósitos virtuosos, repletos de valores éticos e edificantes. Mas isso não significa que a moral, no reino até dos animais, tenha deixado de existir. Daí que lembramos de passagem a mudança assustadora do PSB em Pernambuco, que se transformou também em partido fincado em laços de amizade e genéticos. Com Arraes, naquele tempo que se apagou definitivo, havia ex-companheiros do tempo da resistência democrática que o acusavam de concentrador, porque não distribuía generoso cargos, valores e representações, e, pior, não abria espaço para que os ex-companheiros também ascendessem ao poder no tempo das vacas gordas. Quanta ironia, quando se compara com o PSB que Eduardo Campos construiu. O neto não seguiu o avô, embora tenha usado a sua memória mais de uma vez para receber apoios na esquerda e receber atenções materiais dos governos Lula e Dilma.

Quando se olha a administração pública, pela incidência de nomes vinculados aos Campos e Arraes, temos a impressão de que estamos diante de novos nobres, ou um clã de novos Kennedys. A comparação, a lembrança do nome Kennedy, não vem por acaso, mas não cabe um aprofundamento nos limites deste artigo. O fato é que o DNA Arraes aparece em todos os caros cargos da administração. Segundo uma pesquisa publicada no site Vi o Mundo, em reportagem de Conceição Lemes, Chico Diniz e Daniel Bento, os parentes de Eduardo Campos se estendiam da mãe Ana Arraes, no Tribunal de Contas da União, a sobrinhos, tia, sogro, cunhada, ex-cunhado e primos em cargos relevantes de Pernambuco. O que mais chamava a atenção na lista era a presença de três gerações de familiares de Eduardo e Renata Campos na administração estadual, inclusive jovens. (Em http://www.viomundo.com.br/denuncias/eduardo-campos-tem-parentes-no-governo-secretario-nega-nepotismo.html ) É uma família de gênios, reconheçamos. Da mãe aos primos e filhos, a quem já prometem um futuro venturoso na política.

Que diferença, para os princípios “atrasados“ do velho Arraes, que exigia da filha Mariana uma prática de jornalismo sem privilégios, pois a deixava correr perigo em programa de rádio de Direitos Humanos, como fui testemunha e com quem trabalhei. Para o velho pensador, para o socialista Miguel Arraes, a família era acima de tudo os trabalhadores espoliados. Uma das maiores dificuldades de Gregório Bezerra, no primeiro de abril de 1964, foi convencer camponeses a não virem ao Recife. Massas de trabalhadores se dispunham a vir à luta armados apenas de facões, facas e enxadas contra fuzis e tanques do exército brasileiro. Bastaria esse fato para dar a dimensão do velho. Mas ainda é pouco. A coisa dita assim, até parece que massas ignorantes, fanatizadas, dispunham-se ao sacrifício, a entregar o próprio corpo ao genocídio. Mas não. Tal amor era manifestação testemunhal por atos concretos do que foi o primeiro governo Miguel Arraes. É com ele que surge o revolucionário, o pioneiro e odiado “Acordo do Campo”: trabalhadores da cana-de-açúcar tiveram os mesmos direitos que os trabalhadores urbanos de Pernambuco: salário, décimo terceiro, carteira assinada… deixavam de ser escravos. Daí o fanatismo daquela grande família.

As últimas notícias falam que na portaria da sede do PSB, a quem os jornais chamam com acerto de “sigla”, na região central de Brasília, chegaram a ser pregadas folhas com a inscrição: “Aqui o socialismo resiste. #nenhumvotonoPSDB”. Coitados dos idealistas, tão inocentes. E tão frágeis, porque afinal se mantiveram neste novo PSB, que nega e renega o que foi o partido de Miguel Arraes. O compressor da direita de Eduardo Campos foi mais pesado.

Há nove anos, em um 13 de agosto, escrevi “Arraes, urgente”. Naquele dia, para a memória de um dos mais ilustres brasileiros, lembrei uma declaração de princípios do velho político: “Como homem público, tenho que esperar tudo, sem queixa, porque é minha obrigação ir pra cadeia, se é pra manter a minha posição de defesa do povo e não capitular diante dele. É minha obrigação ir pro exílio, se não posso ficar na minha terra”.

Quantas ciladas a vida nos prega. Hoje, com o apoio do PSB à direita brasileira, a história responde com o fantasma do neto Eduardo Campos: Arraes, adeus.

O perigo do vice de Marina assumir

Pelo que confessa, com lágrimas nos olhos, ou como diz sua biógrafa Marília de Camargo César, Marina Silva possui a graça dos santos estigmas de “ferida de Deus” (uma réplica de Nossa Senhora das Dores, comemorada no dia 15 de setembro).

Para os profanos, os mundanos, os heréticos, os endemoniados, Marina tem uma saúde muito frágil.

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Comenta Gilmar Crestani:

A dieta da vítima

Cardápio da manipulação mafiomidiática entra mais uma matéria para transformar Marina em vítima. A Folha apela ao coitadismo para tornar Marina uma figura frágil, para criar uma cortina de fumaça e impedir que ela seja questionada. Não lembro de outra vez na história que um jornal trouxesse para a capa matéria a respeito da dieta de um governante para, com isso, interditar o debate.

Não há na Folha uma matéria consistente, explicativa a respeito do jato com duas caixas, a caixa preta e o caixa 2. Não há na Folha matéria que informe quem é o proprietário do apartamento emprestado a Marina em São Paulo, nem como o Itaú finanCIA Marina. Mas, em compensação, há uma longa matéria sobre a dieta da Marina.

Reportagem da Folha de S. Paulo, [editada dois dias depois das tradicionais comemorações dedicadas à Nossa Senhora das Dores]:

Cardápio restrito

Alérgica, Marina teve que excluir vários tipos de alimentos da dieta devido a doenças adquiridas em seringal no Acre, onde cresceu. [Marina viveu no seringal até os 15 anos]

por Natuza Neryde e Marina Dias

 

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Alimento sagrado, o milho é o pão do índio. Também fazia parte da dieta alimentar a mandioca. Também considerada pão. Importantes alimentos que foram retirados da mesa dos brasileiros pela exportação do arroz e trigo
Alimento sagrado, o milho é o pão do índio. Também a mandioca.  Importantes alimentos que foram retirados da mesa dos brasileiros pela exportação do arroz e trigo
Marina Silva voltou a passar fome. [Exagerado título. Marina, no seringal, vivia na casa da avó paterna. Que era parteira, uma profissão respeitada nas cidades sem médico do Brasil. Parteiras, curandeiras e bezendeiras não passam fome. Funciona o escambo.]

 

A candidata do PSB já não sofre a privação da infância, quando, certo dia, teve de dividir um ovo (e um punhado de farinha e sal) com sete irmãos. O caso foi narrado em seu programa de TV veiculado na terça-feira (16) como argumento de que nunca acabará com o Bolsa Família. [Marina conta que aconteceu em uma noite de Natal, em Rio Branco. Não foi no seringal].

A dieta da ex-ministra do Meio Ambiente, sem dúvida, melhorou. Mas está longe do ideal. [Que mentira! Ela tem uma dieta salutar. Ideal para uma vida saudável e longa]. Nos últimos dois dias, Marina não consegue disfarçar a voz rouca e os sinais de cansaço. Ela perdeu três quilos depois que a morte de Eduardo Campos, em 13 de agosto, levou-a a assumir a cabeça de chapa pelo PSB.

Na última semana, a agenda carregada deixou espaço para apenas uma refeição por dia. Reclamou de fome. [Uma refeição por dia? Não foi falta de dinheiro. Dinheiro existe de sobra na campanha do PSB].

Assessores buscaram a ajuda de uma nutricionista para reforçar sua alimentação. Querem reduzir o ritmo de sua agenda eleitoral. Não se esquecem de uma lancheira com frutas para a candidata.

Mas a presidenciável não tem conseguido sequer repor as calorias que perde no seu acelerado ritmo de campanha. Nesta semana, visitou quatro Estados em dois dias. Uma pessoa, em média, perde 1.200 calorias apenas dormindo. No caso de Marina, nutricionistas estimam um gasto diário total de 2.400. [Coisa de quem está desacostumada. Mais trabalhadeira terá se for presidente. As outras candidatas a presidente, Dilma e Luciana Genro, também perdem calorias. Ou será que Marina esconde alguma doença? Aconteceu com Tancredo]

RESTRIÇÕES

A candidata sofre de sérias restrições alimentares resultantes de uma coleção de doenças adquiridas antes dos 16 anos no seringal Bagaço, onde cresceu, a 70 km da capital acriana, Rio Branco.

Lá, teve malária por cinco vezes; leishmaniose, uma, e hepatite, três. Remédios para curar parte da extensa lista de enfermidades geraram outro efeito colateral: contaminação por mercúrio. [Toda esta coleção de doenças antes de completar 16 anos? Coitada! Não sei como essa menina conseguia forças para exercer a profissão de seringueira? Força e tempo. Porque conforme relato das irmãs, de volta do seringal, Marina ia brincar, como faz qualquer outra criança].

Se, no passado, dividiu um ovo com os irmãos, hoje Marina já não pode comer nem clara nem gema.

Não bebe leite nem iogurte. Não come queijo, manteiga, doce de leite ou qualquer outro laticínio. Camarão, frutos do mar, carne de vaca, carne de porco, soja e derivados também estão excluídos de sua dieta. Nem mesmo gergelim é permitido.

O que sobra: peixe de rio, frango, feijão, arroz integral, alface (desde que sem tempero), mandioca, milho (sem ser de lata) e frutas. [Tirando o frango, o alface, o arroz, esta a dieta básica das nações indígenas, antes da mudança alimentar provocada pelo o homem branco invasor].

Os alimentos só podem ser cozidos com água e sal.

Nada disso é por convicção natureba. Marina foi aprendendo a evitar muitos alimentos por ter graves alergias.

Em um compromisso de campanha, passava com aliados perto de uma barraquinha de venda de camarão quando o cheiro do crustáceo fechou sua glote. A candidata teve de abandonar imediatamente o local.

Esta, aliás, era uma semelhança que ela dividia com Eduardo Campos. Também alérgico, o pernambucano teve uma séria intoxicação após ingerir camarão.

Outra ocasião de campanha e outro mercado deram à candidata a oportunidade para uma “desforra” alimentar. Numa banca que vendia bijus, assessores a abasteceram de uma quantidade que foi devorada em velocidade assustadora. [Bijus, que sofisticado!]

Feito sem manteiga, o biscoito leva açúcar suficiente para suprir, se consumido em abundância, necessidades calóricas de emergência. [Pelo relato, graças a Deus, Marina não tem pressão alta, nem diabetes. Apesar da “providência divina” que protege Marina, navegar é preciso na vida de Beto Albuquerque, que a República nossa costuma transformar vices em presidentes].

PEGADA HOLÍSTICA

Quando a candidata é convidada para algum almoço ou jantar de trabalho, sua equipe se apressa em enviar um cardápio com recomendações em negrito e letras maiúsculas.  [Costumes de rico, de quem frequenta restaurantes de luxo, com pratos internacionais. Em qualquer boteco, padaria, restaurante popular, e nas residências da maioria dos brasileiros, diferentes iguarias do milho e da mandioca]

No campo destinado à sugestão do que beber, só um item: água morna. Há mais de um ano, Marina decidiu seguir as orientações de um homeopata. Ou, como definiu um assessor, “um médico holístico com pegada mais naturalista”.

Com fortes dores no nervo ciático, ela resolveu deixar de beber água fria ou gelada, por recomendação do médico Mauro Carbonar.

Tradicionalmente empregada pela medicina oriental, a prescrição não é adotada exclusivamente por alternativos. Água morna ajuda a relaxar as cadeias musculares e melhora as articulações.

De lá para cá, ela não sai de casa sem levar uma garrafa térmica.

Os acréscimos entre parênteses é do editor do blogue

Vice de Marina alimenta teoria da conspiração. Mas esquece de nomear os interessados e beneficiados com a morte de Eduardo Campos

Marina avião

Disse o deputado Beto Albuquerque, que se tornou candidato à vice-presidente no lugar de Marina que ganhou o lugar de Eduardo Campos na disputa presidencial: “Continuamos querendo explicações das causas do acidente, como ele caiu e porquê”.

Este “porque”, persiste na cabeça do povo, e motiva o voto justiceiro que beneficia a candidata socialista Marina Silva e o próprio Beto, que sempre teve o apoio dos latifundiários, e ligado à indústria de armas, que abastece as polícias estaduais dos governadores.

O voto justiceiro é um voto de vingança. Boatos e rumores e palavras senhas como “caixa preta”, “drones”, “providência divina”, “avião fantasma” provocam a derrota de Dilma e Aécio, antes considerados vitoriosos pelas pesquisas.

Slogan tipo “não vou desistir do Brasil” faz renascer a profecia do sebastianismo, que persiste no inconsciente popular, e ressuscita Eduardo Campos, “vivo” e encarnado em uma santa Marina Silva, sacerdotisa de uma “nova política”.

 

O AVIÃO DA CAMPANHA DE EDUARDO CAMPOS E MARINA

Beto

 

 

247 – O PSB continua encontrando dificuldades para explicar a quem pertencia o avião que vitimou Eduardo Campos e outras seis pessoas, na recente tragédia aérea em Santos. Os antigos proprietários, do grupo AF Andrade, alegam ter vendido a aeronave a pessoas próximas a Eduardo Campos. O empresário que teria intermediado a transação, o pernambucano Aldo Guedes, sócio de Campos numa fazenda, nega ter adquirido a aeronave. O problema é que, tanto em um caso como em outro, o avião não poderia ter sido cedido à campanha, por não pertencer a uma empresa de táxi aéreo. E ninguém se dispõe a assumir a propriedade, uma vez que teria que arcar com os custos de indenizações às vítimas do acidentes.

Caso o imbróglio persista, a candidatura do PSB à presidência da República, encampada por Marina Silva, poderá até ser impugnada, uma vez que o uso da aeronave, também utilizada por Marina em outros voos, configuraria fraude à Justiça Eleitoral (leia mais aqui).

É uma situação tão delicada que Marina Silva, que fez campanha hoje em São Paulo, se negou a falar sobre o caso. Quem se pronunciou foi seu vice, Beto Albuquerque (PSB-RS), em tom de desafio à Polícia Federal, instando as autoridades policiais a provar qualquer irregularidade – na verdade, caberá ao PSB provar que o avião tinha dono, poderia ter sido usado como táxi aéreo e foi, de fato, contratado pela campanha.

Leia, abaixo, trecho da reportagem da Agência Brasil sobre a evasiva de Marina Silva e a declaração de Beto Albuquerque:

Ao ser questionada sobre notícia publicada hoje pela Folha de S.Paulo de que a Polícia Federal vai investigar se a aeronave do acidente que matou Eduardo Campos foi comprada com dinheiro de caixa 2 do PSB, Marina deixou que seu vice, Beto Albuquerque, respondesse à pergunta. “Continuamos querendo explicações das causas do acidente, como ele caiu e porque a caixa-preta não tinha gravado [a conversa no avião]. Não sei o que a Polícia Federal está falando, mas se ela está falando, ela precisa apurar antes de falar. O partido prestará informações a todos sobre as condições daquele contrato”, falou ele, acrescentando que o PSB deve se pronunciar durante a semana sobre o assunto.

marina avião

[P.S. Não esquecer que, no primeiro debate, Marina Silva pediu uma investigação da Polícia Federal. A investigação está sendo realizada, mas ela mudou, como sempre, de opinião. Não quer mais a polícia federal. Talvez prefira uma investigação exclusiva da polícia de Alckmin ou do Tio Sam.]

 

Enio
Enio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“A Marina que a direita gosta”, por Urariano Mota

O retrato cubista de Marina

por Urariano Mota

 

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Mais de uma pessoa já notou o quanto Marina Silva se tornou feia, em menos de 30 dias. No seu natural, ela nunca foi bonita. Mas havia nela uma face que, sem ser um feitiço para os olhos, despertava em toda a gente um afeto, uma admiração, uma, já disse o bloco de carnaval do Rio de Janeiro, uma simpatia que era quase amor. Agora, não. Aquela voz que jamais anunciaria voo de avião no aeroporto, desagradável, áspera, aguda, agora vem trêmula, vacilante, mecânica, que lembra mais um discurso de robô em peito de lata.

E aqui eu faço uma breve suspensão para o cubismo. Com absoluta certeza, muitos já viram quadros de Picasso, em especial o “Retrato de Dora Maar”. Ou melhor, para maior choque, o quadro “Dora Maar com gato”. Para a nossa vista acostumada a volumes, ou à ilusão de volume que tem um desenho em perspectiva, o quadro é um horror. É um quadro cubista. Isso quer dizer: no cubismo, os objetos e pessoas representadas quebram-se em muitas faces, decompõem-se. O artista procura a visão total da figura, examinando-a em todos os ângulos ao mesmo tempo. E devido à fragmentação excessiva dos objetos, torna-se quase impossível a identificação da figura original. A pintura apresenta duas, três ou mais caras juntas em um mesmo rosto.

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Pois assim tem sido Marina Silva. No último debate dos candidatos na Band, as suas muitas faces em um só plano eram quebradas, fragmentadas, expostas, mas reunidas todas em um só rosto. Mas sem harmonia para os olhos, aqui substituídos pelo que conhecemos dela. Por exemplo, ao ser questionada sobre as idas e vindas em São Paulo, sobre a sua candidatura estar ao lado de Alckmin e ao mesmo tempo não estar, ela afirmou: “Eu me sinto inteiramente coerente”. Aí vêm as coerências de um rosto cubista, porque assim falou Marina Silva: “Quando eu disse que não ia subir nos palanques que havia antes acordado com o nosso saudoso Eduardo Campos…” Notem o saudoso de passagem, mas saudade aí tem um conteúdo bem diferente do sentir falta.

Enio
Enio

Mas continuemos a reproduzir a fala da Marina saudosa, no sentido de quem tem uma alegre saudade: “Quando eu digo que quero governar com os melhores do PT, do PSDB e do PMDB…” Notem que ela substitui uma harmonia de ideias e valores partidários por uma seleção de melhores. Ótimo, para os ingênuos. Mas sob qual critério, os melhores serão eleitos por Marina, ela própria, que se acha a melhor dos melhores? E continua a rara orquídea decomposta em faces de um cubo: Ela criará o “Estado Mobilizador”, mas que diabo será isso? Uma injeção para uma corrida de 100 metros rasos? Não, é o Estado que nem é mínimo nem é provedor – e provedor vocês sabem o que é: é o Estado do Minha Casa, Minha Vida, por exemplo. Já o Estado Mobilizador é aquele capaz de mobilizar a iniciativa privada, empreendedorismo social, no atendimento das necessidades da população… Pelamordedeus: onde já se viu a iniciativa privada atender às necessidades da população? O valor do empresário, d aqueles mais empreendedores, é o lucro. Ponto.

Mas continuemos em outras faces e fases de Marina que ela justapõe no mesmo rosto. No debate da Band ela cravou: “Quero combater essa visão de apartar o Brasil, de que temos de combater as elites. O Guilherme, da Natura, faz parte da elite, mas os ianomâmis também. A Neca é parte da elite, mas o Chico Mendes também é parte da elite. Essa visão tacanha de ter de combater a elite deve ser combatida”. Meus amigos, essa eu vi e ouvi. Isso valeria para um atestado de óbito de um ex-militante socialista. Mas em Marina é apenas mais uma absurda face. A Neca, no caso, é acionista e herdeira do Banco Itaú, que para Marina é apenas uma educadora social. O Guilherme é um chapa, um cara legal, desinteressado, que não joga dinheiro fora por nada, só por amor ao retrato de Dora Maar. E Chico Mendes, bem, é aquele cara que foi morto na luta na floresta. Mas todos estão juntos e na elite, lado ao lado dos ianomâmis. Não é piada, é um escárnio, que já vem pronto.

“O senhor Leal, da Natura, deve bilhões ao fisco”, respondeu Fidelix, outro candidato. E mais: “A gente sabe também que o banco Itaú não quer pagar R$ 18 bilhões pela compra do Itaú-Unibanco. E a senhora está com essas pessoas”. A isso Marina respondeu que os empresários que respondam, porque ela mesma está acima de coisas tão mesquinhas. Mas continuemos.

Em outra face do seu retrato cubista, Marina hoje se declara contra a esquerda, ao mesmo tempo que se filia à luta da militância no Acre, quando lhe é conveniente. E critica, e chama de “velha esquerda”, a que se acha dona da verdade, que acha que vai começar tudo do zero. Na educação, sobre o ensino do criacionismo em escolas, Marina defendeu uma educação “plural”: “Se você coloca claramente para as pessoas que existe uma outra visão, a do evolucionismo, não vejo nenhum demérito nisso”, Mas o evolucionismo não é uma outra visão, para ser posta ao lado da criação do mundo por Deus. É a diferença entre ciência e crença medieval.

Disse antes que nos últimos tempos Marina se transformou num retrato cubista e cometi um pecado. Cubismo é arte. Ele está há séculos e anos-luz de distância das muitas faces de Marina Silva, em um só plano. E o plano dela é, o que reúne todas as suas faces: chegar à presidência da República. Nesse novo retrato dos últimos tempos, Marina é a encarnação de um amontoado de faces. Da falsa viúva à madona falsa, mas sempre de cabelos presos e com bastante pudor. Daqueles que a direita brasileira adora.

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Guilherme Leal foi o vice de Marina, candidata a presidente pela Partido Verde, em 2010
Bilionário Guilherme Leal foi o vice de Marina, candidata a presidente pela Partido Verde, em 2010
O candidato a vice de Marina (PSB) passou a ser Beto Albuquerque, defensor dos transgênicos e dos agronegócios. Membro da Banca Ruralista é contra a reforma agrária e os sem terra
O candidato a vice de Marina (PSB) passou a ser Beto Albuquerque, defensor dos transgênicos e dos agronegócios. Membro da Banca Ruralista é contra a reforma agrária e os sem terra
CHEGA DE INTERMEDIÁRIAS- NECA PARA PRESIDENTE! Legenda e foto do portal 247
CHEGA DE INTERMEDIÁRIAS- NECA PARA PRESIDENTE! Legenda e foto do portal 247
Dora Maar, fotografada por Man Ray
Dora Maar, fotografada por Man Ray

As legendas das fotos são do editor do blogue (T.A.)

O povo acredita que Eduardo Campos foi vítima de um atentado político.

Mais paradoxal que seja, Marina não vence sem a teoria da conspiração. Milhões de brasileiros e brasileiras acreditam que Eduardo Campos foi assassinado. Esta suspeita de atentado político foi repassada, implicitamente pela mídia, nos sete dias de trégua de luto pela morte de Eduardo.

Eis a razão da declaração de hoje do vice de Marina, Beto Albuquerque: “Que a Polícia Federal e o Ministério Público aprofundem as investigações tanto sobre a compra como sobre as causas do acidente”.

O vice cobrou ainda que o Ministério Público Federal em Santos investigue a suspeita de que a queda do avião possa ter sido causada por um choque com um drone. “Isso precisa ser esclarecido e não pode ser colocado embaixo do tapete”, disse.

Marina Silva, nas últimas entrevistas, e no debate da Band, também apelou para a Polícia Federal. Disse: que acredita mais na investigação policial do que na investigação jornalística.

Permanece na lembrança de muitos a suspeita morte de ex-presidentes e presidenciáveis, inclusive as doenças de presidentes (o efeito Hugo Chaves). Na História do Brasil eis alguns exemplos: a queda do avião de Siqueira Campos, o assassinato de João Pessoa, a morte de Agamenon Magalhães, a queda do avião de Castelo Branco, o enfarte de Costa e Silva dentro de um avião, a morte de Juscelino, os envenamentos de Carlos Lacerda, João Goular, a morte de Tancredo na véspera da posse, os cânceres de Lula e Dilma.

Jornalistas estadunidenses afirmaram que Eduardo foi vítima de um complô arquitetado pela CIA e por George Soros e seus associados banqueiros e empresários de multinacionais.

O gestual dos filhos de Eduardo Campos, em uma noite de intensa emoção, marcada pelo sentimento de perda, de dor,  de natural revolta pela morte inesperada, uma morte jamais prevista de um amado e carinhoso pai, reforçou a teoria do complô.

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A chegada do corpo de Eduardo Campos para o velório no Palácio das Princesas
A chegada do corpo de Eduardo Campos para o velório no Palácio das Princesas

Escreve Luís Antônio Giron: “Os punhos erguidos e fechados se popularizaram a partir de 1917, com a Revolução Bolchevique. Expressam o desafio aos poderosos e a solidariedade entre os explorados do mundo inteiro. Evocaram a luta das esquerdas contra a exploração do trabalho operário. A imagem de Lênin em 1917, dos Panteras Negras nos Estados Unidos nos anos 60 e dos anarquistas de Maio de 1968 (para não citar o gesto de vitória do saudoso jogador de futebol e homem de esquerda Sócrates são suficientemente eloquentes

Rodrigo Constantino: “Tal gesto de punho cerrado. Era muito comum entre ditadores comunistas ou nacional-socialistas. Vejam:”

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Abdias Duque de Abrantes: “A saudação com o punho fechado tem sido mais usada ao longo da história por grupos de esquerda e de defesa de grupos oprimidos. A saudação junta sinais de resistência, solidariedade, orgulho e militância num gesto simples. O punho fechado simboliza a luta por melhores condições de vida e a resistência contra o fascismo e contra o capitalismo. Simboliza a luta de classes. O gesto alude à resistência, à vitória, ao êxito na batalha, enfim. O punho fechado foi o símbolo do Partido Negro Revolucionário estadunidense, fundado em 1966 em Oakland – Califórnia, por Huey Newton e Bobby Seale, originalmente chamado Partido Pantera Negra para Autodefesa (no original, “Black Panther Party for Self-Defense”, depois, mais conhecido como “Black Panther Party” (Panteras Negras)). Um movimento americano anti-racista, anti-capitalismo, marxista-leninista e socialista. Eles enfrentaram a opinião pública americana contra os vestígios da Ku Klux Kan, notadamente os do Sul dos Estados Unidos.

Segundo o psicólogo Oliver James. “É um modo de indicar que pretendes combater uma força poderosa, malévola e institucional, com a tua própria força – és um indivíduo que se sente ligado a outros indivíduos para lutar contra um ‘ status quo ‘ opressivo.”

FireHead:”Segundo a BBC, a saudação com o punho fechado tem sido mais usado ao longo da História por grupos de esquerda e de defesa de grupos oprimidos do que pelos de direita. Há punhos fechados em cartazes de sindicatos em 1917, em fotografias de anti-fascistas espanhóis nos anos 1930, e ainda no logótipo feminista do punho fechado dentro do símbolo do género feminino. A emissora britânica fez questão de lembrar que Lee Harvey Oswald fez a mesma saudação depois de ter sido detido pela morte de John F. Kennedy, e Carlos “o Chacal”, também. O psicólogo Oliver James afirma que o sinal é popular “porque junta conotações de resistência, solidariedade, orgulho e militância num gesto simples”: “É um modo de indicar que pretendes combater uma força poderosa, malévola e institucional, com a tua própria força – és um indivíduo que se sente ligado a outros indivíduos para lutar um statu quo opressivo.”

Escreve Ronaldo Souza: “O que aqueles homens fizeram com os filhos de Eduardo Campos foi absolutamente execrável.

Ali nada reverenciava Eduardo Campos.

Filhos não enterram o político. Filhos enterram o pai.

A dor dessa hora não pode ser substituída por camisetas e punhos cerrados. Aquilo não era uma batalha a vencer”.

Marina Silva: “Há uma lenda de que eu sou contra os transgênicos. Mas isso não é verdade”

A entrevista da candidata do PSB, Marina Silva, ao Jornal dito Nacional – Segunda Parte

 

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William Bonner: Queria falar sobre a sua chapa.  O vice na sua chapa: Beto Albuquerque. Ele foi um dos principais articuladores no Congresso Nacional da aprovação da medida provisória que aprovou o cultivo da soja transgênica aqui no Brasil. Ele também foi favorável a pesquisas com células-tronco embrionárias, são dois pontos em que eles se opõem a posições suas do passado. Além disso, ele aceitou doações de campanha – quando candidato – de setores da economia que a senhora não admitiria, setor de fabricantes de armas, fabricantes de bebidas. Esses exemplos não mostram que Marina e Beto Albuquerque são a união de opostos, aquela união de opostos tão comum na velha política, apenas para viabilizar uma chapa, para viabilizar uma eleição. O que que há de novo nessa política, candidata?

Marina Silva: Em primeiro lugar, mais uma vez eu quero trazer as informações para que a gente possa trabalhar com a realidade dos fatos. Uma questão fundamental: nós somos diferentes e a nova política sabe trabalhar na diversidade e na diferença. Agora, o fato do Beto ter uma posição diferente da minha em relação a transgênico em um aspecto. Há uma lenda de que eu sou contra os transgênicos. Mas isso não é verdade. Sabe o que que eu defendia quando era ministra do Meio Ambiente? O modelo de coexistência, o que significa áreas com transgênico e áreas livres de transgênico. Infelizmente no Congresso Nacional não passou a proposta do modelo de coexistência.

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A contaminação genética

[“Áreas com transgênico e área livres de transgênico” é empulhação, conversa de demagogo, uma política velha que apenas engana os tolos.

A separação por área já existe, mas os riscos de contaminação ambiental são altos.  Sobremaneira a polinização cruzada, como topografia, ventos, umidade, polinizadores etc.

La coexistencia de cultivos orgánicos con cultivos de transgénicos en el campo ha sido uno de los temas controversiales desde que fueron desarrolladas semillas genéticamente modificadas. Estados Unidos ha sido el país pionero en adoptar prácticas de agricultura industrial desde 1996, pero también el primero en experimentar los efectos negativos de éstas.

Uno de cada 3 productores orgánicos han tenido problemas de contaminación de cultivos transgénicos cercanos a sus terrenos.

Además, el 80% de los agricultores encuestados dicen estar preocupados por el impacto de los organismos genéticamente modificados en sus cultivos, y cerca del 60% están “muy preocupados” por ello.

Debido al boom que la industria biotecnológica ha tenido a nivel mundial, es inevitable ver la experiencia de Estados Unidos como indicador de lo que podría pasar en otros países que apenas empiezan a adoptar estas tecnologías.

En especial, en los países en los que los costos ambientales, sociales, culturales y económicos podrían ser mayores.

La biodiversidad y los cultivos europeos están amenazados por los transgénicos, incluso en países donde está prohibido su cultivo, como demuestran recientes estudios científicos.

A pesar de que no está autorizado su cultivo en Europa, salvo para cultivos experimentales, el derrame accidental de granos de colza transgénica durante su transporte es especialmente peligroso debido a la gran capacidad que tienen las especies del género Brassica para cruzarse y dar descendientes fértiles (la colza pertenece a la especie Brassica napus).

Los resultados de numerosas investigaciones llevadas a cabo en los últimos años han estado advirtiendo de un fenómeno denominado “contaminación genética” por el que los transgenes pasan a formar parte de plantas y alimentos no transgénicos. La contaminación genética es una grave agresión para el medio ambiente y la salud de las personas, y las causas que pueden ocasionarla son varias. De especial preocupación resulta cuando los genes contaminantes acaban en nuestros alimentos y son consumidos sin ningún tipo de conocimiento. No hay que ser un experto en la materia para deducir que las experimentaciones a pequeña escala en parcelas reducidas pueden significar focos de contaminación y filtración impredecibles y desconocidos. Porque, en realidad, se desconoce el comportamiento y las características de esos genes transgénicos una vez sometidos a la dinámica propia de los agrosistemas de una determinada zona].

Continua

Monsanto transgênicos