Manifestantes tingem de vermelho fonte do Palácio de Richa

Ato foi realizado em repúdio à violência empregada pelos policiais militares contra os professores na última quarta-feira

por Sharon Abdalla/Gazeta Do Povo

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a APP-Sindicato, que representa os professores da rede estadual, fizeram um ato no Centro Cívico, em Curitiba, na manhã desta sexta-feira (1º). A concentração foi na Praça 19 de Dezembro e os manifestantes caminharam até o Palácio Iguaçu, onde iniciaram uma manifestação perto do meio-dia contra a violência empregada na última semana pelo governo do estado, quando os professores fizeram protestos contra a aprovação de mudanças na Paranaprevidência.

Quase todas as pessoas vestiam preto, em luto pelo confronto de quarta-feira, segundo a APP. A pauta da manifestação também englobava a oposição ao projeto de lei da terceirização. Cruzes com as imagens dos deputados que votaram a favor das mudanças na previdência estadual foram carregadas no protesto.

Manifestantes jogaram corante na água do chafariz do Palácio Iguaçu para lembrar a violência envolvida na contenção dos protestos da última semana (Crédito: Antônio More/Gazeta do Povo)
Manifestantes jogaram corante na água do chafariz do Palácio Iguaçu para lembrar a violência envolvida na contenção dos protestos da última semana (Crédito: Antônio More/Gazeta do Povo)
Manifestante mostra cruz com a frase: "Menos bala, mais giz" (Crédito: Antonio More/Gazeta do Povo)
Manifestante mostra cruz com a frase: “Menos bala, mais giz” (Crédito: Antonio More/Gazeta do Povo)
Quadros negros foram usados para transmitir mensagens na manifestação (Crédito: Antonio More/Gazeta do Povo)
Quadros negros foram usados para transmitir mensagens na manifestação (Crédito: Antonio More/Gazeta do Povo)

Prevista para sair às 10 horas, a passeata atrasou porque o motorista contratado para conduzir o carro de som do sindicato se recusou a ir até o Centro Cívico. Os manifestantes tiveram de esperar por outro veículo, que vinha de um encontro da CUT na Vila São Pedro.

A caminhada começou às 11 horas, com o acompanhamento de poucos policiais. No caminho, os participantes cantaram contra o que eles descreveram como a “ditadura de Beto, Traiano e Francischini” e perguntaram: “Por que não precisa de polícia hoje?”

Ao chegarem ao Palácio Iguaçu, eles desceram as bandeiras do Brasil e do Paraná a meio mastro. A água do chafariz em frente ao palácio foi tingida de vermelho, para lembrar a violência envolvida na contenção dos protestos da última semana.

O ato contou com a participação de Luciana Genro, que foi candidata à Presidência pelo PSOL nas últimas eleições, para começar a passeata. “Meu plano era passar o primeiro de maio no Rio Grande do Sul”, disse Luciana Genro. “Mas diante da repressão que assistimos na luta dos professores, senti a obrigação de vir prestar solidariedade e demonstrar repúdio ao governo Beto Richa.” Para ela, um governo que precisa cercar a Assembleia Legislativa demonstra fraqueza política.

“Este ato é uma resposta ao governo. As pessoas agredidas continuam nas ruas, enquanto os responsáveis pela agressão estão guardados no palácio”, disse o deputado estadual Tadeu Veneri (PT).

A professora Daiana Santurion levou a filha, de cinco anos, à manifestação. Ela conta que a criança “infelizmente” assistiu pela TV à violência empregada pelo governo e pela secretaria de segurança na última quarta-feira. “Queria que, hoje, ela tivesse uma lembrança mais positiva do Dia do Trabalho, por isso a trouxe para a mobilização em favor da educação e dos professores”, contou.

A designer de interiores Fernanda Rodrigues também acompanhou a marcha. “Era impossível ficar parada após ver os vídeos dos professores que me ensinaram sendo abatidos”, afirmou ela, referindo-se às cenas de violência da última quarta-feira.

Os sindicatos participantes convocaram os manifestantes para mais um ato na próxima semana, na terça-feira (5), às 9 horas. Os sindicatos também querem fazer uma greve geral para evitar a aprovação do projeto que libera a terceirização de atividades-fim.

Trabalhadores apontam distorções geradas em regime de contratação terceirizada

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Por Heloísa Mendonça/ El País/ Espanha

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* Terceirizados: muito exigidos, mas pouco reconhecidos
A lei da terceirização é boa? Depende se você é patrão ou funcionário
* Especialistas afirmam que empresários economizarão às custas do salário do trabalhador
* PT e sindicatos são derrotados em votação sobre terceirização de serviços

Definitivamente este primeiro de maio terá um gosto amargo para Edgard Aparecido Pescara, de 42 anos. Ele integra o grupo dos mais de 13 milhões de trabalhadores brasileiros terceirizados e acompanhou com grande frustração o desenrolar da lei que amplia esse tipo de mão de obra para todas as atividades de uma empresa. “É um retrocesso. Estamos bem apreensivos, torcendo para que esse projeto não passe no Senado e precarize ainda mais o mercado de trabalho brasileiro. A verdade é que o sonho de qualquer terceirizado é ser funcionário”, explica.

Ele trabalha há 8 anos como terceirizado na área de logística de uma das principais montadoras do país e vê, dia a dia, as diferenças entre ele e os funcionários contratados pela empresa. “Para começar, o meu salário é de 1.800 reais enquanto um contratado da montadora, que exerce a mesma função, ganha 4.500 reais. A PLR (Participação de Lucros e Resultado) deles chega a 16.000 reais e o meu não passa de 2.500”, ressalta Pescara.

Um levantamento realizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), há cinco anos, mostrou que os terceirizados recebiam em média 27% a menos que os contratados diretos.

No entanto, as diferenças não param por aí em alguns casos. Outros benefícios, como o seguro de saúde, possuem uma disparidade grande. “O do terceirizado é o básico e o do funcionário completo. Sem citar outro problemas que enfrento com a terceirizada que está atrasada com o nosso FGTS. Na montadora não vejo isso acontecer”, explica Pescara. “Não seria mais fácil migrar os milhões de terceirizados para o efetivo do que aumentar ainda mais as pessoas nessa situação?”, argumenta.

Para o terceirizado de logística, um dos grandes prejuízos nesse tipo de contratação é que não há garantia da filiação dos terceirizados no sindicato da atividade da empresa. “O meu sindicato, por exemplo, não é mais o dos metalúrgicos. É um sindicato de gaveta, apenas para constar, totalmente sem força”, diz.

Desde que o projeto entrou na pauta do Congresso foi dada a largada para um cabo de guerra entre os partidos e principalmente entre os empresários e os trabalhadores. Se, por um lado, trabalhadores representados pelos sindicatos argumentam que seria o fim dos direitos trabalhistas e o início de demissões e achatamento dos salários, do outro, os empresários dizem que as novas regras trarão competitividade e criarão novas vagas.

Na opinião de especialistas que apoiam a proposta, só o fato de regulamentar algo que hoje não é definido por lei já gera uma segurança jurídica. Hoje, a terceirização é regulada pela súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho e permite somente que as empresas terceirizem suas atividades-meio, como segurança e limpeza.

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“Você é exigido tanto quanto um funcionário, mas não é reconhecido da mesma forma”

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Porém, em um ambiente já complicado de crise econômica e crescimento do desemprego, o mais alto desde maio de 2011, o que os profissionais terceirizados ouvidos pela reportagem avaliam é que a medida dará aval para que empresários economizem as despesas das empresas às custas do salário mais baixo dos trabalhadores.

Ex-terceirizada de uma empresa da área de produção de aço, Letícia (nome fictício) afirma que a prática era comum na área de comunicação da companhia. “Eles tinham jornalistas contratados, mais muitos terceirizados também. É uma forma da empresa ter profissionais a um preço mais barato e de poder contratá-los em tempos de redução de mão de obra”, explica.

Há dois anos trabalhando como terceirizada na área de pesquisa de vacinas de uma empresa farmacêutica, Cristina, de 31 anos, não pensa em repetir a experiência em uma próxima oportunidade de emprego. “Você é exigido tanto quanto um funcionário, mas não é reconhecido da mesma forma”, explica. Cristina lamenta não possuir alguns benefícios exclusivos dos funcionários da farmacêutica: participação nos lucros, acesso ao ambulatório, estacionamento, convênio com farmácias.

“A diferença é gritante. E acabo recebendo ordem direta das duas empresas. No meu caso, tenho limitação até para acessar parte do sistema da empresa que é só permitido para contratados diretos. Não vejo como essa lei pode ajudar um trabalhador”, lamenta.

Ato Nacional Contra a Ascensão de Grupos Reacionários

ato nacional

 

A mobilização programada para esta sexta-feira em defesa do governo da presidente Dilma Rousseff e da Petrobras, em contraposição as manifestações contra o governo previstas para o domingo, visa não apenas defender a democracia, mas também lutar contra a ascensão de grupos reacionários.

Para o jornalista Breno Altman, “o fato é que o processo que terá início amanhã poderá abrir nova etapa na vida política do país (…)

Minoritárias no parlamento e atropeladas pelos monopólios de comunicação, as correntes de esquerda têm na mobilização militante e popular ferramenta decisiva para romper o cerco a que estão submetidas”.

Em seu artigo, Altman alerta que, a partir de agora, “está se abrindo capítulo decisivo da história nacional e da luta dos trabalhadores”.

Amanhã as forças progressistas, comandadas pelo movimento sindical, darão provas se têm vontade política e capacidade de mobilização para enfrentar a ascensão dos grupos reacionários.

Não se configura uma jornada puramente a favor do governo, a bem da verdade. Afinal, um dos três eixos da convocação se confronta com a política econômica, ao reivindicar a retirada das medidas provisórias do ajuste fiscal.

Mas as outras duas bandeiras centrais – a defesa da democracia e da Petrobrás – são claras contraposições à ofensiva conservadora que busca deslegitimar e interromper o mandato da presidente Dilma Rousseff.

O fato é que o processo que terá início amanhã poderá abrir nova etapa na vida política do país.

A disputa é pela praça pública e a voz das ruas.

Minoritárias no parlamento e atropeladas pelos monopólios de comunicação, as correntes de esquerda têm na mobilização militante e popular ferramenta decisiva para romper o cerco a que estão submetidas.

Desta vez, no entanto, há uma novidade: a direita está disposta e preparada para lutar por cada palmo de asfalto. Não se vivia situação desse tipo desde o período que antecedeu o golpe de 1964, quando as marchas com Deus e a família pavimentaram o caminho dos tanques.

Deve-se reconhecer, aliás, que a reação burguesa encontra-se em melhores e mais avançadas condições de combate que a esquerda.

Doze anos de estratégia predominantemente institucional e conciliatória, com renúncia à batalha de ideias e ao protagonismo do povo organizado, provocaram bizarrice histórica: os governos encabeçados pelo PT ostentam o feito, ao menos desde certo ponto, de terem mobilizado seus opositores e desmobilizado a própria base de apoio.

Esta deficiência, que agora atinge indiscutível visibilidade, tem que ser resolvida em momento de crise aguda, quando o tempo proíbe o erro e a hesitação.

Administrações progressistas de países com problemas econômicos muitíssimo mais graves, como a Venezuela ou a Argentina, contam com padrão de mobilização sensivelmente superior ao brasileiro simplesmente porque apostaram, cada qual a sua maneira, na construção de políticas e instrumentos para a luta pela hegemonia no Estado e na sociedade.

O ato do dia 13, contudo, terá ainda outros desafios a enfrentar.

O principal deles é que o governo Dilma, ao adotar pacote fiscal que descarrega o reequilíbrio das contas públicas nos ombros dos trabalhadores e do setor produtivo, criou clima de confusão, divisão e paralisia entre as fileiras de esquerda.

A jornada convocada pelas centrais e movimentos terá de combinar a defesa democrática do mandato de Dilma Rousseff com o protesto contra medidas antipopulares que está implantando.

Fosse outro o comportamento das principais entidades envolvidas na manifestação dessa sexta-feira, estaria assentado o terreno para a oposição capitalizar para seu projeto a insatisfação que começa a grassar entre os trabalhadores. Além disso, seria impensável a unidade de ação, multipartidária, que se deseja construir.

Não é uma situação confortável, que se exemplifica no tímido envolvimento da direção do PT e do ex-presidente Lula na mobilização. Não seria fácil, para as principais lideranças petistas, é evidente, subirem em um palanque cujo discurso inclui crítica frontal à política econômica estabelecida pelo governo.

Por essas e outras, é louvável a iniciativa da CUT e seus parceiros de empreitada, ao demarcar linha de resistência contra a escalada reacionária, em um momento no qual os partidos progressistas e o Palácio do Planalto parecem atônitos.

Trata-se de esforço para reconstruir o campo de alianças do segundo turno presidencial, atropelado pela guinada ortodoxa pós-outubro e o gabinete que a representa.

Nas próximas horas será dado o primeiro passo para a articulação de uma frente ampla contra o retrocesso e o golpismo, que simultaneamente disputa os rumos do governo e exige um programa mínimo que represente as classes e grupos dispostos a defender o mandato democrático e o aprofundamento das mudanças.

Oxalá dezenas ou centenas de milhares atendam o chamado do movimento sindical e popular. Talvez venha a ser demonstração de forças inferior àquela preparada pelo reacionarismo para o dia 15, mas começará a ser trilhado o caminho para uma nova estratégia política.

Não tenhamos dúvidas: está se abrindo capítulo decisivo da história nacional e da luta dos trabalhadores. Publicado na

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*Breno Altman é editor do Opera Mundi e colunista parceiro do 247

 

 

Marina, a velha política de carreirista do PT e fundadora da CUT

Marina Silva, no debate de ontem na TV Globo, disse para Dilma Rousseff: Você não tem experiência política, “por ter virado presidente da República” sem “ter sido vereadora”.

Sempre ambiciosa, Marina quando foi candidata pela primeira vez, não foi para vereador.

Se acreditava tão importante que o primeiro cargo que disputou foi de deputado federal. E se achava superior a Chico Mendes, líder sindical da CUT, representante dos seringueiros…

deputada marina

 

… e Marina era também líder sindical da CUT, representando os professores.

Marina perdeu a eleição para deputado federal em 1986. Em 1988, eleita vereadora pelo Rio Branco, passou dois anos no cargo. Eleita deputado estadual do Acre, em 1990, deu um pulo, não quis mais ser candidata a deputado federal. Em 1994, foi candidata a senador, aos 36 anos, tendo sido reeleita no pleito de 2002. Nomeada Ministra do Meio Ambiente no governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 1º de janeiro de 2003, ficou no cargo até 13 de maio de 2008.

Todas eleições que Marina venceu foram pelo PT.  Depois de Secretária Nacional do Meio Ambiente e Desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores, em 1995-96, e nomeada por Lula ministra do Meio Ambiente, no final do segundo mandato de senadora eleita pelo PT, Marina disputou a presidência da República em 2010, pelo partido Verde que criou. Perdeu. Tentou fundar outro partido, a Rede Sustentabilidade, parece nome de ONG e fundação de George Soros, e não conseguiu. Quando da campanha de busca de assinaturas, para registrar o partido, deu uma fugida para estudar na Argentina.  É candidata a presidente pelo PSB, legenda de aluguel.

Marina entrou em um convento católico, das Servas de Maria Reparadora, quando tinha 18 anos, matriculada na 5a. série do primeiro grau. Fez o supletivo e cursou História na Universidade Federal do Acre (UFAC), formada em 1984, quando participou da fundação da CUT, como vice-coordenadora.

Marina filiou-se ao clandestino Partido Revolucionário Comunista e entrou para um grupo de teatro, o Semente.

O PCR passou a funcionar no PT, comandado por José Genoíno.

 

Marina 1985 professora

 

Em 1985 exerceu seu primeiro emprego de professora, e abandonou a profissão em 1986 para se dedicar à política sindical e partidária. É uma veterana. Considerando os tempos da CUT, e da perdida campanha para deputada federal, tem mais de 30 anos de profissionalismo na política, apesar de toda vez que mudou de partido, depois de 2010, blasona que faz  nova política. Confunde partido novo com política nova.

 

Marina Silva, Jair Meneguelli, Avelino Ganzer e Jorge Viana, em reunião da CUT
Vestida estilo hippie, em moda na época, Marina Silva, Jair Meneguelli, Avelino Ganzer e Jorge Viana, em reunião da CUT
Marina Silva em protesto de professores, promovido pela CUT
Marina Silva em protesto de professores, promovido pela CUT

 

Marina, em Xapuri no Acre, diante da foto de Chico Mendes. Em Xapori trabalhava Fábio Vaz de Lima, como técnico agrícola.
Marina, em Xapuri no Acre, diante da foto de Chico Mendes. Em Xapori trabalhava Fábio Vaz de Lima, como técnico agrícola.

 

Marina Silva, ao lado de José Genoino, acompanha o julgamento do asssassinato de Chico Mendes, em Rio Branco. O líder seringueiro teve uma morte matada em 22 de dezembro de 1988
Marina Silva, ao lado de José Genoino, acompanha o julgamento do asssassinato de Chico Mendes, em Rio Branco. O líder seringueiro teve uma morte matada em 22 de dezembro de 1988

 

 

 

 

 

Celso Schröder e o salário do jornalista

Celso Schröder e o salário do jornalista. Ilustração Júcalo
Celso Schröder e o salário do jornalista. Ilustração Júcalo

Celso Shoröder continuará na presidência da Federação Nacional de Jornalistas. A nova posse acontecerá de 22 a 25 de agosto próximo.

O presidente reeleito da FENAJ, nos dias 16 e 17 últimos, agradeceu “o apoio de milhares de jornalistas que se mobilizaram [em Pernambuco sob o cutelo da CUT]  para garantir esta eleição direta, que nos orgulha por ser a FENAJ a única, tanto entre as federações de trabalhadores brasileiros, como nas organizações de jornalistas em nível mundial, a radicalizar a democracia e submeter-se à decisão direta da base”.

[Não sei que diabo é isso “radicalizar a democracia”?]

Na mensagem, Schröder também dirigiu-se à sociedade brasileira “para que, nestes momentos importantes e desafiadores à nossa jovem e custosa democracia, defenda a atividade jornalística como um patrimônio que não só custou vidas e liberdade de diversos jornalistas, mas também o sacrifício de centenas de brasileiros”.

[No blog da FENAJ, não existe nenhuma referência sobre jornalistas ameaçados de morte, ou exilados ou sob assédio judicial. Prefere o despiste de anunciar a desgraça doutros países, para esconder a vida de cão do jornalista brasileiro. Clique nos links.

Nenhuma proposta para o pisoteado salário piso. Será que pedirá o salário mínimo do operário argentino – 600 dólares – como salário piso do jornalista brasileiro?

Nem isso.

De que cuida a FENAJ?

Em nome da transparência, que os jornalistas tanto cobram dos políticos, devia primeiro colocar no blog uma prestação de contas do dinheiro que entra (origem) e gasta (o famoso onde? como? porquê?)

Seria uma boa novidade.

Vida de jornalista brasileiro. Ilustração Abdallah
Vida de jornalista brasileiro. Ilustração Abdallah

Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco e a arte de ganhar eleição

Da arte de enfiar quatro votos quadrados no buraco triangular de uma urna governista. Ilustração de Barnard Bouton
Da arte de enfiar quatro votos quadrados no buraco triangular de uma urna governista. Ilustração de Barnard Bouton

Os jornalistas secretários do governo que se encanta quando o povo vai para as ruas, as diretorias da chapa batida do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco e da Central Única dos Trabalhadores (Única no nome, que existem mais cinco ou seis centrais) – CUT e representantes do patronato estiveram reunidos durante a noite do dia 15 e madrugada do dia 16 deste mês para resolver o impasse de arranjar quatro votos para a Chapa Você Sabe Porquê.

Não era nada confortável para o Sindicato, que tem três mil filiados, que a oposição não tivesse nenhum voto.

E assim ficou decidido: que a capangada da CUT separasse quatro votos para os anticandidatos.

Idem permitir a entrada dos oposicionistas, que foram barrados na antevéspera do pleito, na redação do Jornal do Comércio.

Ilustração de Farhad Foroutanian
Ilustração de Farhad Foroutanian

Nada mais legal e democrático.

(Continua)

A chapa oposicionista do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco teve apenas quatro votos

TEVE MAIS URNAS VOADORAS QUE VOTOS NA CHAPA VOCÊ SABE PORQUÊ

quatro 1

Ricardo Antunes: Esse foi o presidente da Comissão Eleitoral. Até esse post abaixo, César Rocha tinha o meu respeito, embora não tivesse obedecido nem mesmo a orientação da OAB PE para a impugnação da urna com votos fantasmas, de ter colocado três brutamontes da CUT para contar os votos sem qualquer comunicação formal a chapa da oposição e de ter, pasmem, convidado um vendedor de amendoim, isso mesmo um vendedor de amendoim (eu até gosto) para ser mesário em uma das urnas. E aqui não vai demérito algum para o vendedor, mas será que não havia entre 5 mil jornalistas alguém mais habilitado para a função? Um vexame. Uma vergonha. Vejam os comentários. O Ministério Público irá tomar as providencias cabíveis.

xxx

Cesar Rocha: Tinha decidido não comentar nada, mas tenho ouvido tanta sandice aqui nos últimos dias sobre a eleição da diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco e da Fenaj, que não me contive. O processo foi absolutamente feito dentro da normalidade, talvez frio demais – daí o número tão alto de abstenção. Agora, eu queria apenas registrar o seguinte: os jornalistas de Pernambuco conhecem Ricardo Antunes . Tanto conhecem que a chapa liderada por ele teve ao final 15 votos, contra 224 da chapa vencedora.

quatro eu sou

Talis Andrade: 1 – Colocamos Ricardo Antunes na Chapa Você Sabe Porquê como aviso para a polícia do governador Eduardo Campos, e para a Justiça: Não aceitamos prisão de jornalistas no exercício da profissão. Nas manifestações de ruas, recentemente realizadas, jornalistas foram presos e soltos, e espancados pela mesma polícia. E o Sindicato deu uma notinha frouxa e submissa.

2 – Perdemos nas urnas voadoras para a Chapa Governista. Urnas conduzidas, secretamente, pela CUT. E mais: Urnas apuradas pela CUT. Tirando os votos dos candidatos, tivemos apenas quatro (4) votos. Mas moralmente me considero vitorioso.

3 – Abaixo o stalking policial, a censura judicial, a censura extrajudicial. No caso do Ricardo, que foi preso incomunicável e torturado, não acreditamos que ele tentou vender uma notícia por um milhão de dólares. Isso nunca aconteceu na história da Imprensa internacional.

4 – A sede do Sinjope é a cara dos eleitores da chapa do continuísmo.

5 – A história da prisão de Ricardo Antunes escrevi sem medo e sem ódio.

https://andradetalis.wordpress.com/tag/ricardo-antunes/

6 – Jornalismo se faz com debate, com opinião. O futuro da imprensa escrita está no jornalismo opinativo. Que a rádio informa instantaneamente. A tv mostra. Idem novo jornalismo on line.

xxx

Ricardo Antunes: Aliás, esse comentário de César Rocha me remete a uma coisa. Parece um post em que pede uma nova prisão para mim. Muito estranho mesmo…

xxx

Talis Andrade: Ricardo Antunes, fique com a certeza de que você receberá  o consolo do Sinjope. Fica prometida uma “visita humanitária”… O Sinjope assinará, novamente, um atestado médico de que você não está sendo torturado. E a polícia dirá: Obrigado, Sinjope!

Tem mais: nunca fui amigo de Ricardo Antunes. Mas estou cansado de defender jornalistas espancados, ameaçados de morte, presos, exilados. De pedir prisão para os assassinos de jornalistas e blogueiros. Tudo gente que não conheço.

quatro mão

Ricardo Antunes: É verdade, Talis Andrade. Se encontrei você 4 vezes foi muito nos meus 30 anos de profissão. Mas você, como alguns poucos, não foi covarde nem omisso.

(Continua)