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Menina palestina chora após ouvir resposta indesejada de Angela Merkel

Em debate na Alemanha, menina palestina chora quando a Angela Merkel explica que o país expulsará os refugiados

Em debate na Alemanha, menina palestina chora quando a Angela Merkel explica que o país expulsará os refugiados

Em debate, menina palestina refugiada na Alemanha fala sobre seu desejo de progredir e cursar uma faculdade. A resposta de Angela Merkel, no entanto, fez a jovem de 13 anos – que está sob risco de deportação – ir às lágrimas

Um vídeo [ver abaixo] que mostra a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, em um debate sobre política de asilo que levou uma adolescente às lágrimas gera polêmica nas redes sociais.

No debate, Merkel ouve a declaração de uma menina palestina, em alemão fluente, sobre seu desejo de ir à universidade e progredir. “Eu tenho metas como qualquer pessoa. Eu quero estudar como eles. É muito desagradável ver como os outros podem aproveitar a vida, e eu não posso”, afirmou a jovem.
Sob risco de ser deportada, Reem, de 13 anos, vive com a família na Alemanha há quatro. Eles vieram do Líbano, onde vivem cerca de 450 mil palestinos em 12 campos de refugiados, segundo a Organização das Nações Unidas.

Merkel diz entendê-la, mas destaca que, no entanto, a política é, muitas vezes, difícil. Merkel acrescenta que, como a menina sabe, há milhares de refugiados palestinos no Líbano. “Se dissermos que todos vocês podem vir, e que todos vocês da África podem vir, que todos podem vir, não daremos conta”, disse.

Ao ouvir a resposta, Reem começa a chorar, sendo, imediatamente, confortada por Merkel. “Você se saiu bem”, disse a chanceler, que foi, em seguida, contestada pelo moderador do debate. Ele diz que a questão não é se a adolescente se saiu bem ao expressar sua visão, mas, sim, a difícil situação em que ela se encontra.

merkel alemanha grécia

Merkel diz saber disso, mas, que ainda assim, queria ‘fazer um carinho’ na menina. A resposta, considerada desajeitada, chegou a virar trending topic no Twitter da Alemanha, com a hashtag #MerkelStreichelt (Merkel faz carinho, em alemão).

O debate ocorreu em uma escola na cidade de Rostock, no norte da Alemanha, e contou com a participação de adolescentes de 14 a 17.

Muitos usuários de diferentes plataformas de redes sociais apoiaram o conteúdo da resposta e a reação de Merkel. “Realista diante da crise que o país vive”, disse, no Facebook, um alemão. Mas não faltaram críticas. “Toda a crueldade da política de imigração em um clipe”, atacou um jornalista.

O vídeo suscitou ainda discussões sobre a política alemã para o Oriente Médio, com usuários sugerindo que, se Merkel quer menos refugiados palestinos na Alemanha, deveria ter um papel ativo para que a Palestina seja reconhecida internacionalmente e pela retirada de tropas israelenses de territórios palestinos ocupados.

“Um abraço e uma batidinha nas costas antes de deportá-los para uma favela no Oriente Médio não é suficiente”, disse um leitor, em comentário com mais de mil curtidas no Facebook.

Segundo a ONU, os palestinos, que representam cerca de 10% da população do Líbano, não gozam dos mesmos direitos de cidadãos libaneses. Não podem, por exemplo, trabalhar em 20 diferentes profissões. Por não serem formalmente considerados cidadãos de outro país, não têm como requerer direitos como outros estrangeiros. A situação nos campos é precária e muitos vivem em pobreza absoluta.

refugiados palestinos líbano

Campos de refugiados palestinos no Líbano

Campos de refugiados palestinos no Líbano

A crise no sistema de asilo na Alemanha vem sendo provocada, por um lado, por um aumento nos pedidos de vários países (cerca de 4,5 mil pedidos de asilo neste ano, praticamente o dobro de 2014) e, por outro, pela falta de agilidade em lidar com casos específicos que resultem em deportação ou aprovação do pedido. Transcrito de Pragmatismo Político

Veja Vídeos:

Michel Moro Gomez (Moro)

Michel Moro Gomez (Moro)

Finalmente, José Maria Marin vai ser punido por um dos vários crimes que praticou, principalmente neste Brasil de demasiadas leis e nenhuma justiça.

É um dos sete presos em Zurique, por corrupção na Federação Internacional de Futebol (Fifa), feito pelo governo dos Estados Unidos. Que se dependesse do Brasil jamais tocaria piano.

Antes de ser um cartola, Marin foi medíocre jogador profissional de pequenos times de São Paulo.

Marin também fez carreira política, pela extrema-direita. Em 1963, filiado pelo Partido de Representação Popular, fundado pelo integralista (nazista) Plínio Salgado, foi eleito vereador de São Paulo.

Apoiou a derrubada de Jango em 1964 e, com a reeleição de Dilma Rousseff presidenta do Brasil, passou a participar de fracassadas marchas golpistas convocadas por Aécio Neves e Bolsonaro, pelo retorno da ditadura.

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Foi vice de Paulo Maluf, e exerceu o governo de São Paulo entre 1982 e 1983, durante a ditadura de João Figueiredo, que presidiu o Brasil de 15 de março de 1979 a 15 de março de 1985.

Zé das Medalhas
Escolhido como o sucessor de Ricardo Teixeira, presidente da CBF durante 23 anos, Marin iniciou sua gestão precisando dar explicações sobre a polêmica medalha roubada na premiação da Copa São Paulo de Juniores, três meses antes. Na ocasião, foi flagrado por câmeras de televisão colocando, no bolso, uma das medalhas destinadas aos jogadores do Corinthias, campeões do torneio. O episódio lhe rendeu o apelido de “Zé das Medalhas”, em referência ao personagem da novela “Roque Santeiro”, da TV Globo.

Dedo duro da ditadura
Durante a gestão na CBF, Marín ainda teve que lidar com as acusações de ser o delator do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto em outubro de 1975, no DOI-Codi, em São Paulo.

Na época, Marin era deputado estadual, cargo que ocupou de 1971 a 1979. Áudios divulgados pelo GLOBO em abril de 2013 mostram discursos de Marin na Assembleia Legislativa de São Paulo cobrando providências sobre denúncias envolvendo o então diretor de Jornalismo da TV Cultura e elogiando o delegado Sergio Paranhos Fleury, que trabalhava no órgão de repressão.

Marin

Investigação do FBI e prisão na Suíça
Em 27 de maio de 2015, foi preso na Suíça, acompanhado de outros seis executivos da FIFA, em investigação liderada pelo FBI. De acordo com informações publicadas pelo The New York Times, mais de uma dúzia de policiais suíços à paisana chegaram sem aviso prévio ao Baur au Lac Hotel, local no qual executivos se hospedavam para o congresso anual da organização, marcado para os dias 28 e 29 de maio, e renderam os acusados de corrupção em ação pacífica, sem menor resistência dos envolvidos.

Também foi banido pela FIFA de qualquer atividade relacionada ao futebol. E assim, por via indireta, caiu fora do mando da CBF.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou ter indiciado 14 pessoas por fraude, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Segundo os investigadores, os acusados movimentaram cerca de 150 milhões de dólares (mais de 470 milhões de reais) em um esquema que já existiria há pelo menos 24 anos. Os negócios envolveriam direitos de transmissão e acordos de marketing em campeonatos na América Latina. Notadamente no Brasil. Que a CPI do Futebol não esqueça.

A Justiça da Suíça anunciou hoje que extraditou para os Estados Unidos o primeiro dos sete executivos da Fifa presos em Zurique desde o dia 27 de maio.

Chegou a hora de uma mudança de sistema

papa bolívia

O papa Francisco afirmou nesta quinta-feira, diante de integrantes dos movimentos sociais em Santa Cruz, no segundo dia de sua visita à Bolívia, que “chegou o momento de uma mudança em um sistema que já não se sustenta”.

Queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estrutura. Este sistema já não se sustenta, não sustenta os camponeses, não sustenta os trabalhadores, não sustenta as comunidades, não sustenta os Povos. E a Terra também não sustenta esse sistema, a irmã ‘Mãe Terra’ como dizia São Francisco“, declarou o papa.

Além disso, Francisco esclareceu que seu discurso era sobre “os problemas comuns de todos os latino-americanos e, em geral, de toda a humanidade”.

“Reconhecemos que as coisas não andam bem em um mundo onde há tantos camponeses sem-terra, tantas famílias sem-teto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas com suas dignidades feridas?”, questionou o papa.

Em seguida, o pontífice exclamou: “Vamos dizer sem medo: precisamos e queremos uma mudança!” e indicou que “muitos esperam uma mudança que os liberte dessa tristeza individualista que escraviza”.

No discurso mais longo que pronunciou desde que chegou à América Latina, Francisco pediu que os movimentos não brigassem entre si porque parece que “o tempo está acabando”. Inclusive, o papa argentino brincou sobre seu longo discurso ao dizer: “o padre fala muito”.

“A terra, os povos e as pessoas estão sendo castigadas de um modo quase selvagem. E, por trás de tanta dor, tanta morte e destruição, é possível sentir o cheiro daquilo que Basílio de Cesareia (330-379) chamava de ‘o esterco do diabo’ (dinheiro)”, assinalou.

O papa criticou a idolatria ao dinheiro, que, afirmou, é responsável por conduzir “as escolhas dos seres humanos”. “Quando a avidez pelo dinheiro tutela todo o sistema socioeconômico, ela arruína a sociedade, condena o homem e o transforma em escravo”, sentenciou.

E, então, Francisco convocou todos os movimentos populares a se mobilizarem porque “podem fazer muito” para mudar o mundo.

“Vocês, os mais humildes, os que são explorados, os pobres e excluídos, podem e fazem muito. Me atrevo a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, em suas mãos”, declarou Francisco.

O papa repetiu a mensagem que já havia pronunciado em outubro, no Vaticano, quando celebrou a primeira reunião dos movimentos sociais, que, assim como hoje, contou com a presença do presidente boliviano, Evo Morales, ao pedir “os três ‘Ts': trabalho, teto e terra”.

“Não se diminuam!”, disse Francisco aos presentes, para em seguida convidá-los “a construir uma alternativa humana à globalização excludente”.

Apesar de ter afirmado que não tem receitas prontas, Francisco fez recomendações para essa mudança, como “colocar a economia a serviço dos povos” e se opor a “uma economia de exclusão e desigualdade”.

O pontífice também defendeu que se devolvam “aos pobres e aos povos o que lhes pertence” e considerou que “a propriedade, muito especialmente quando afeta os recursos naturais, deve estar sempre em função das necessidades das pessoas”.

Além disso, o papa afirmou que “nenhum poder fático e constituído tem o direito de privar os países pobres do pleno exercício de sua soberania” e lamentou o fato de que isto alimente “novas formas de colonialismo que afetam seriamente as possibilidades de paz e de justiça”.

Aos movimentos sociais, Francisco pediu união, citando o sonho da chamada “Pátria Grande”, para que “a região cresça em paz e justiça”.

O pontífice também alertou sobre o perigo do “novo colonialismo” que chega pelas mãos de “alguns tratados denominados de livre comércio e a imposição de medidas de austeridade, que sempre apertam o cinto dos trabalhadores e dos pobres”.

Em outras ocasiões, acrescentou o papa, o colonialismo aparece “sob a nobre roupagem da luta contra a corrupção, contra o narcotráfico e o terrorismo” e que para isso são impostas medidas que “pouco têm a ver com a resolução desses problemas e, muitas vezes, só pioram as coisas”.

Francisco fez críticas a todos os setores e também falou da “concentração monopólica dos meios de comunicação social”. Além disso, lamentou que “o colonialismo, novo e velho, reduz os países pobres a meros fornecedores de matéria-prima e trabalho barato”.

“Digamos não às velhas e às novas formas de colonialismo. Digamos SIM ao encontro entre povos e culturas. Felizes são aqueles que trabalham pela paz”, concluiu Francisco em seu discurso. Terra

Outin

Ao desembarcar em Ufá, a presidenta foi recebida com a tradicional cerimônia russa do pão e sal, ritual para receber hóspedes importantes que chegam ao país, informou o Blog do Planalto.

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Mais tarde, a presidenta participou de um jantar típico oferecido pelo presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, em homenagem aos chefes de Estado e de governo do BRICS. Em seguida, foi realizado um encontro bilateral com o presidente Putin.
No último dia 3 de julho, entrou em vigor o Acordo sobre o Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS (NDB). Os líderes do bloco discutirão as perspectivas para a nova instituição.
Segundo o divulgado pelo site do Itamaraty, a Cúpula contará com a participação do Presidente do Banco, o indiano K. V. Kamath, eleito nesta terça-feira durante a primeira reunião do Conselho de Governadores do Banco, realizada em Moscou. A criação do NDB ocorreu em julho do ano passado, na última reunião dos países do grupo, em Fortaleza, no Ceará.
Brasil aposta no sucesso da cooperação entre os países do BRICS
Além disso, os chefes de Estado têm em pauta a implementação do Arranjo Contingente de Reservas do BRICS, que entra em vigor em 30 de julho. o Arranjo Contingente de Reservas (CRA, na sigla em inglês) no valor de US$ 100 bilhões, dos quais US$ 41 bilhões virão da China. O Brasil, a Rússia e a Índia contribuirão com US$ 18 bilhões cada, e a África do Sul aportará US$ 5 bilhões.
A cúpula do BRICS terá duração de dois dias. O presidente chinês, Xi Jinping, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente sul-africano, Jacob Zuma, também chegaram nesta quarta-feira a Ufá, onde tiveram encontros bilaterais com o presidente russo.
Os países do grupo representam um quinto da economia mundial e 40% da população do planeta.

Apenas uma pequena fração dos 240 mil milhões de euros que fazem parte do resgate total da Grécia encontrou o seu caminho para os cofres do governo

por Lara Ferin

Svitalsky Bros

Svitalsky Bros

Apenas uma pequena fração dos 240 mil milhões de euros que fazem parte do resgate total da Grécia encontrou o seu caminho para os cofres do governo.

Uma grande parte do dinheiro foi para os bancos que disponibilizaram fundos para Atenas. O país foi forçado a reduzir drasticamente o seu défice, pressionando os pensionistas e reduzindo o salário mínimo.

Mas vamos a contas, estas feitas pelo The Guardian: 34 mil milhões de euros foram as medidas que tiveram de ser tomadas para a renegociação da dívida.

Quase 20% do dinheiro foi utilizado para salvar os bancos privados. Aqui somam-se 48.2 mil milhões para salvar os bancos gregos, que tinham sido forçados a assumir perdas, enfraquecendo a sua capacidade de se proteger e depositantes.

Apenas 10%, aproximadamente 24 mil milhões de euros, serviu para ajudar o governo grego, uma vez 140 mil milhões de euros serviram para pagar dívida e juros.

O país está a viver uma “ampla erosão das normas salariais formais e informais que por várias décadas mantiveram a paz no capitalismo alemão”, afirma o sociólogo económico Wolfgang Streeck, sublinhando que a vaga de paralisações “é mais do que um episódio conjuntural: é outra faceta da desintegração inexorável do que costumava ser o ‘modelo alemão”. In Esquerda Net

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“Este ano, a maior economia da Europa está prestes a bater um novo recorde de greves, com todos os trabalhadores – desde os maquinistas aos professores de jardins de infância e creches e trabalhadores dos correios – a promoverem paralisações nos últimos tempos. Esta onda de greves é mais do que um episódio conjuntural: é outra faceta da desintegração inexorável do que costumava ser o ‘modelo alemão’”, assinala Wolfgang Streeck num artigo publicado no Guardian.

“Os sindicatos das prósperas indústrias de exportação não são os únicos que estão em greve nos dias de hoje”, refere o sociólogo económico, exemplificando com as paralisações nos serviços domésticos, especialmente no setor público, que aparentam “ter vindo para ficar”.

Lembrando que “a concorrência internacional já não é apenas sobre a quota de mercado, mas também sobre o emprego”, o que veio, por exemplo, condicionar a ação dos sindicatos metalúrgicos, Wolfgang Streeck assinala que a contestação deslocou-se para os serviços, já que, neste caso, “a exportação do trabalho é mais difícil”.

O sociólogo refere também que “os empregadores públicos, na prossecução da consolidação orçamental, romperam o peculiar regime de contratação coletiva do setor público da Alemanha” que assegurava, no essencial, os mesmos aumentos salariais anuais para todos os trabalhadores. Por outro lado, Wolfgang Streeck aponta que várias ocupações – incluindo a dos maquinistas, professores e trabalhadores dos correios – deixaram de ser reguladas pela legislação específica da Função Pública.

“Além disso, a privatização progressiva dos serviços públicos, combinada com o desemprego e a de-sindicalização que veio com o mesmo, colocou cada vez mais os salários do sector público sob concorrência, levando a problemas até então desconhecidos para os sindicatos, desencadeados por aquilo que rapidamente se estava a tornar num sistema de dois níveis salariais”, avança.

Outro desenvolvimento que, segundo o sociólogo, contribuiu para o conflito laboral tem a ver com o surgimento de novas ocupações, especialmente as relacionadas com a educação dos filhos e cuidados com os idosos. Estes trabalhadores são mal pagos e precários, não obstante “a retórica do Governo sobre a indispensabilidade e a virtude moral do seu trabalho”, vinca Wolfgang Streeck.

A somar a estes fatores surge a forma como o patronato se serve do progresso tecnológico para exercer pressão sobre ocupações anteriormente privilegiadas, como pilotos de avião, controladores de tráfego aéreo e maquinistas, pondo em causa direitos já conquistados.

“Tudo isto resulta numa ampla erosão das normas salariais formais e informais que por várias décadas mantiveram a paz no capitalismo alemão”, salienta o sociólogo económico alemão.

A par da deterioração das condições de trabalho, da perda de rendimentos e dos cortes nos serviços públicos e prestações sociais a que é sujeita a maioria das famílias, os salários dos gestores de topo crescem “especialmente, mas não exclusivamente, na área financeira”, refere Streeck, que assinala um aumento das desigualdades salariais.

“O sistema de fixação dos salários alemã está a aproximar-se de uma condição de ausência de normas, semelhante ao que a Grã-Bretanha experimentou na década de 1970. À época, o sociólogo John Goldthorpe Oxford diagnosticou um estado de anomia laboral: uma ausência fundamental de consenso sobre os princípios legítimos de distribuição entre capital e trabalho, bem como entre grupos de trabalhadores”, afirma.

Segundo Wolfgang Streeck, “o governo alemão, com o seu ministro do Trabalho social-democrata, está a tentar suprimir a vaga de conflitos laborais reduzindo o direito de organização e de greve, ilegalizando as greves de sindicatos setoriais – como os maquinistas”.

“Mas isso irá falhar, muito provavelmente no Tribunal Constitucional e, certamente, na prática, num mundo em que a estrutura das empresas e sectores não é mais favorável ao sindicalismo que se baseia na doutrina ‘um local de trabalho, um sindicato’, e onde os maquinistas, pilotos e outros vão sentir-se no direito de se defender, se necessário, entrando em greve, diga a lei o que disser”, remata.

por Eduardo Guimarães

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O grupo venezuelano autointitulado “Victimas de las guarimbas” reúne familiares de vítimas dos protestos organizados pela oposição venezuelana no ano passado, sob a batuta de Leopoldo Lopez, Antonio Ledezma e a deputada Maria Corina Machado. Os três declararam, publicamente, que o objetivo dos protestos era o de derrubar o governo. Veja vídeos 

Os protestos de rua de 2014 na Venezuela, equivalentes das “jornadas de junho” de 2013 no Brasil, tiveram início em 4 de fevereiro do ano passado na cidade de San Cristobal, no Estado Táchira.

A diferença entre os protestos brasileiros e os venezuelanos, porém, foi o nível de violência. Enquanto, aqui, houve apenas uma morte – um cinegrafista da tevê Bandeirantes foi atingido na cabeça por um rojão disparado por um manifestante contrário ao governo Dilma –, na Venezuela foram 43 mortos, dos dois lados em conflito.

A trinca de líderes daqueles movimentos (Lopez, Ledezma e a deputada Corina Machado) reuniu ao menos dois participantes da fracassada tentativa de golpe de Estado em 2002: Lopez e Ledezma.

Assim como ocorrera 12 anos antes, a oposição venezuelana apelou à violência para tentar retomar o poder. A diferença é que, em 2014, houve uma tática de estender a tentativa de golpe por meses em vez de tentar uma cartada só.

Ao longo dos protestos de 2014 na Venezuela, milícias antigovernistas apelaram para bloqueios das ruas com barricadas, ataques com coquetéis molotov contra prédios públicos e privados, assassinatos nas ruas com uso de franco-atiradores, incêndios ônibus do transporte público etc.

O saldo das ações da guerrilha oposicionista foi de 43 mortos – sendo, metade, composta, em maioria, por policiais – e 800 feridos. Os policiais foram, quase todos, mortos por franco-atiradores do grupo liderado por Lopez, Ledezma e Machado.

Ao fim do ano passado, as prisões de Lopes e Ledezma – então prefeito de Caracas – conseguiram pôr fim à violência. Naquele momento, surgiu o grupo de “Victimas de las Guarimbas”. O que seja, um grupo formado por familiares e amigos dos mortos e feridos daquele processo.

O termo “guarimba” foi cunhado na Venezuela para referir-se a ações de guerrilha, emboscadas. Surgiu durante a ditadura de Marcos Perez Jimenez (1952-1953). À época, a resistência à ditadura, organizada por membros do partido comunista venezuelano, utilizava táticas como a que se viu no ano passado.

Senadores brasileiros exigem a libertação de presos políticos responsáveis pela morte de 43 pessoas e 878 feridos  

Leopoldo López no comando de uma guarimba

Leopoldo López no comando de uma guarimba

Pouco antes da visita à Venezuela de senadores brasileiros de oposição ao governo Dilma Rousseff, o Comitê de Victimas de las Guarimbas divulgou nota de repúdio à iniciativa devido ao fato de que os oposicionistas brasileiros se recusaram a ouvir, também, suas razões.

Confira, abaixo, a íntegra da nota

Ante a visita que realizarão a nosso país alguns representantes da Comissão de Senadores da República Federativa do Brasil, encabezada pelo ex-candidato presidencial e senador Aécio Neves, as vítimas e familiares de vítimas dos atos de violência política que ocorreram na Venezuela no ano de 2014, comunicamos o seguinte:

Rechaçamos que esses senadores brasileiros advoguem pela libertação dos antores materiais e intelectuais dos atos de violência política que ocorreram em nosso país durante os meses de fevereiro a junho de 2014, especialmente de Leopoldo López e outros dirigentes políticos que promoveram o plano insurrecional “A Saída”, que gerou a morte de 43 pessoas e 878 feridos.

Condenamos a intromissão dos representantes da Comissão de Senadores da República Federativa do Brasil, encabeçada pelo ex-candidato presidencial e senador Aécio Neves, que busca promover a impunidado para os responsáveis por tão graves acontecimentos.

Exigimos que não continuem usando o tema “direitos humanos” como instrumento político para tentar justificar e legitimar atos que constituem verdadeiros atos de violência e delitos, e que não tentem “invisibilizar” as vítimas da violência instigada politicamente por setores radicais da oposição venezuelana.

Solicitamos a essa Comissão de Senadores do Brasil que aceite uma reunião com as vítimas e familiares de vítimas que este Comitê reúne para conhecerem os testemunhos de todas as famílias afetadas por atos delitivos.

Exortamos as autoridades do Estado venezuelano a rechaçarem as pressões que por diversas vias intentam gerar, e a manterem-se firmes em sua vontade de fazer justiça para as vítimas e deo penalijzar a todas as pessoas envolvidas nos lamentáveis acontecimentos, incluindo Leopoldo López e Daniel Ceballos.

Em Caracas, aos 17 dias do mês junho de 2015.