Entrevista de Dilma proibida por Temer: A consulta popular é o único meio de lavar e enxaguar a lembrança desse governo golpista

Michel Temer ordenou que a EBC não colocasse no ar a entrevista de Dilma Rousseff concedida ao jornalista Luis Nassif. A TV Globo, porta-voz do governo golpista, tomou as dores do pequeno ditador e reclamou.

Lembra Nassif, respondendo às críticas da televisão dos irmãos Marinho: “Quem assistiu a entrevista viu uma primeira parte, em que questionei Dilma sobre todos seus erros. E uma segunda em que a deixei à vontade para falar.

Aliás, a ideia de que toda entrevista é um embate entre entrevistador e entrevistado, uma luta de boxe, é um tic típico de um certo jornalismo espetáculo. É colocar o entrevistador como personagem principal, e não o entrevistado. A maior das entrevistadoras brasileiras, Marilia Gabriela, torna-se quase uma confidente do entrevistado. Porque o que interessa é obter o maior número de revelações. E a entrevista de pugilato não busca a informação, mas transformar o entrevistado em escada para o entrevistador.

Todos os jornais deram uma cobertura decente para a entrevista e, lá no pé, deram o devido crédito ao entrevistador.

Menos os veículos da Globo“.

 

Governo Temer é a síntese do que pensa Eduardo Cunha

por Patricia Faermann

Em entrevista exclusiva a Luis Nassif, a presidente afastada expôs o papel de Eduardo Cunha, Michel Temer, Aécio Neves e a Lava Jato no seu impeachment

Jornal GGN – “O governo Temer é a síntese do que pensa o Eduardo Cunha”, disse a presidente afastada Dilma Rousseff sobre o desfecho do processo de derrubada do cargo mais importante da República, que começou com o PSDB em 2014, concluindo-se no movimento de centro-direita na ascensão do poderio de Cunha. Dilma também revela o papel da Operação Lava Jato, em entrevista exclusiva concedida a Luis Nassif, na TV Brasil.

Dilma Rousseff retorna dois anos atrás para explicar como Aécio Neves (PSDB-SP), a Lava Jato, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Michel Temer conectam-se nesse processo de tentativa de destituí-la do poder.

A primeira das empreitadas partiu do candidato derrotado, Aécio Neves (MG), nas eleições presidenciais de 2014. “A reação foi bastante atípica em relação ao que vinha ocorrendo no Brasil. Ninguém nunca pediu recontagem de votos, ele pediu. Ninguém nunca pediu para fazer auditoria nas urnas eletrônicas, que são tidas no Brasil como uma das grandes e positivas ações que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou nesse país”, lembrou, citando duas medidas tomadas pelo PSDB, ainda naquele ano, na insistência de não garantir à Dilma a conquista das urnas.

“Eu tinha de ser diplomada no início de dezembro. Mas em dezembro, eles entram no TSE alegando que a minha campanha tinha problemas e eu não podia ser diplomada”, também mencionou, completando que a tentativa foi fracassada, porque o Tribunal aprovou as contas da presidente Dilma, realizando a sua diplomação no dia 18 de dezembro. Apesar da aprovação do Judiciário, o partido de Aécio não desiste e entra com outro pedido, no mesmo dia, de cassação da candidatura da chapa vencedora.

Paralelamente às tentativas da oposição, Dilma relata que toma rigidez um movimento do PMDB à direita, sob o comando explícito do deputado Eduardo Cunha (RJ). Essa mudança atingiu o seu sucesso na ascensão de Cunha à presidência da Câmara. Mas o início dessa mobilização, relembra a presidente, foi estruturada em anos anteriores.

“Começa o que eu reputo ter sido extremamente grave. Já no final do meu governo, nos dois últimos anos, você via uma movimentação muito atípica para a direita dentro do centro. O centro começa a, no início bem lenta, mas muito clara, a convergir para a direita”, disse.

Citou a dificuldade enfrentada para aprovar dois projetos que trariam grandes benefícios ao Brasil: o Marco Civil da Internet e o Marco Regulatório dos Portos – este último, ainda, com grandes interesses do próprio peemedebista Eduardo Cunha.

“O que era a Lei de Portos? Tratava-se de abrir os portos para investimentos privados e renovar as concessões, através de processos públicos, do que havia de concessão extremamente antiga nos chamados portos públicos. Para aprovar isso, nós tivemos uma imensa dificuldade”, disse a presidente, concordando que, por outro lado, Cunha tinha um papel de lobby muito forte na aprovação.

“Enquanto [Eduardo Cunha] era líder do PMDB, porque ele ocupa uma liderança da direita dentro do centro, ele leva o centro para a direita, uma parte expressiva do PMDB e dos partidos que orbitam no centro. Este processo culmina com a eleição dele [na Presidência da Câmara]. Nós tivemos uma derrota ali”, afirmou.

Questionada se era viável abrir espaço de composição com Eduardo Cunha, como forma de garantir certa governabilidade, Dilma respondeu: “Sabe qual é o grande problema de compor com Eduardo Cunha? É simples. Ele tem pauta própria”, negando.

“[O PMDB] adota uma das pautas dos polos. Isso ocorreu no governo do Fernando Henrique Cardoso e nos governos do PT. No momento em que o centro passa a ter pauta própria e é uma pauta conservadora e de negócios, fica muito difícil a relação com o centro”, analisou Dilma.

E é nesse momento em que o então presidente da Câmara se vê em uma posição de domínio e controle sobre as pautas de seu interesse, diante do recuo do governo federal em negociar com o Legislativo, que Cunha passa a ser alvo de uma única obstrução ao seu avanço: torna-se investigado da Operação Lava Jato.

Para a presidente Dilma Rousseff, as investigações sobre os esquemas de corrupção da Petrobras a afetaram não diretamente, como analisam alguns jornais e especialistas: mas por colocar em risco políticos do Congresso, esses partidos tentaram negociar com o Planalto a impunidade como moeda de troca para salvar o seu mandato.

“Tem o efeito da Lava Jato, mas eu não acho que o efeito da Lava Jato seria o mesmo se o controle do centro estivesse em outras mãos”, defendeu Dilma Rousseff. Para a presidente afastada, foram dois movimentos que indicam a sua tese: a revelação recente de que caciques do PMDB tentaram se evadir das investigações, conforme mostraram as gravações do ex-diretor da Transpetro, Sérgio Machado, e a chantagem explícita de Eduardo Cunha em seu processo de cassação na Câmara.

“Isso fica claro no processo de aceitação do impeachment. Porque tem muita gente que defende que nós teríamos que abrir uma negociação [com o PMDB de Eduardo Cunha], como se fosse algo da má vontade do governo, inclusive atribuía-se a mim não ter conversado com parlamentares, não querer negociar”, respondeu a presidente.

“Não tem negociação possível com certo tipo de prática!”, defendeu Dilma.

Expondo a chantagem feita por Eduardo Cunha, a presidente afastada conta que com o avanço das investigações da Procuradoria-Geral da República sobre o peemedebista, a reação do deputado foi: “‘Ou vocês me dão três votos, ou eu aceito a questão que o Miguel Reale e a dr. Janaína entram naquele pedido de impeachment'”, contou.

“Ora, [Cunha] faz isso de forma pública. Toda a imprensa relata. No dia em que [o governo] não aceita os três votos, o próprio Miguel Reale, ex-ministro da Justiça do sr. Fernando Henrique Cardoso, diz: ‘trata-se de uma chantagem explícita'”, completa.

Dilma, contudo, mantém cautela e não generaliza a atuação do deputado a todo o partido. “Eu não acho que o mesmo tipo de política você poderia considerar entre o PMDB do Senado, acho que ele é qualitativamente diferente. Eu não quero entrar em um personograma, mas é diferente. Não tem a mesma pauta, tem uma pauta mais progressista e tem um nível de discussão de outro patamar”, afirmou.

Sobre o desfecho desse cenário de tratativas, iniciadas pelo PSDB logo após o resultado das urnas, em 2014, e seguidas pelo PMDB de Eduardo Cunha, o resultado visível, para Dilma, é o governo de Eduardo Cunha personificado na gestão do interino, Michel Temer.

“Está claro. O governo Temer é a síntese do que pensa o Eduardo Cunha. O governo Temer expressa claramente a pauta do Eduardo Cunha”, afirmou, completando que pauta de interesses próprios “é do Eduardo Cunha, porque ele hegemoniza este grupo que constitui o governo Temer”.

Em um dos exemplos de que o processo de impeachment foi a porta encontrada pelo interino Michel Temer para materializar a sequência do 3º turno, iniciada em 2014, Dilma citou um dos trechos em que é alvo do processo no Congresso:

“O plano Safra chega a ser ridículo, sequer eu assinei uma vírgula, porque não é o presidente que executa o Plano Safra. Ademais, eles dizem: ‘a presidenta conversava muito com a pessoa, o secretário que geria o Tesouro e o plano’. E esse secretário era, segundo eles, o Arno Augustin. Ocorre que, em 2015, o secretário do Planejamento não era o senhor Augustin, mas era o atual Secretário Executivo em exercício do Planejamento, Dyogo [de Oliveira]”, disse. “Um dos executores do Plano Safra é hoje ministro do Planejamento”, rebateu Dilma Rousseff, com a conclusão: “Obviamente, neste processo, eles estão absolutamente conscientes que não tem base para impeachment”.

 

Dilma faz o diagnóstico invisível da sua gestão econômica

por Patricia Faermann
Com colaboração de Tatiane Correia

A presidente afastada Dilma Rousseff apresentou um diagnóstico das medidas econômicas tomadas na metade de seu primeiro mandato e no segundo. Em entrevista exclusiva a Luis Nassif, na TV Brasil, explicou que as condições iam muito além das análises de mercado vistas de fora. Como obstáculos, Dilma apontou como fatores decisivos para as ações de sua equipe econômica a financeirização da economia brasileira, a grande pressão do Banco Central sobre a inflação, o fim do superciclo das commodities e, visto como um fator subestimado por olhares de fora, o cenário de seca não previsto que afetou a produção das hidrelétricas de 2012 até 2015.

Entre os motivos já visíveis, Dilma lembrou do cenário de política de controle da taxa de câmbio, taxas de juros, redução dos custos do trabalho e contribuições sobre a folha de pagamento. “Nós viemos a partir de um diagnóstico que a crise, mais cedo ou mais tarde, chegaria aos países emergentes. (…) E começa uma política, que eu diria que é uma política de controle da taxa de câmbio por parte dos países envolvidos, para criar condições para eles fazerem o superávit comercial. Diante disso, vimos que eles iriam diminuir aceleradamente e verticalmente a taxa de juros, o custo do capital, do ponto de vista da economia internacional e também o custo do trabalho”, relembrou.

A presidente lembra que a estratégia, à época, era investir em uma política anticíclica de combate à crise, que teve início no final do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre os anos de 2009 e 2010, e que foi intensificada na gestão da sucessora. “Nesse processo, nós buscamos de forma sistemática essas duas questões: reduzir o custo do trabalho e, por isso, reduzimos todas as contribuições sobre a folha de pagamento – deu algo em torno de uns R$ 28 bilhões”, contou, sobre as medidas adotadas já em seu segundo mandato, mas que afirmou já estar previsto desde a sua primeira gestão no Executivo. Entre as tomadas, Dilma também destacou a preocupação de seu governo na política de conteúdo nacional, como forma de evitar o “efeito violento da taxa de câmbio” sob a a competitividade, que fazia com que o país importava quase 35% dos automóveis, por exemplo.

“Todas essas políticas, junto também com o barateamento pelas condições internacionais da taxa de juros, foi possível reduzir as taxas de juros”, afirmou. O problema, ressaltou Dilma, foi a “sistemática crítica a esse processo” sofrida pelo governo, o que provocou um “efeito sob as expectativas”. “Tanto é que, com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) cobrando taxas de juros do programa de sustentação de investimento de 2,5%, você não consegue recuperar o investimento”, lembrou.

O jornalista Luis Nassif questionou, então, o fator da taxa Selic, que atingia 7,5% na ocasião, gerando uma expectativa nos fundos de pensão e fundos familiares de que o cenário se estenderia a longo prazo. A presidente admitiu que houve uma grande pressão do Banco Central sobre a taxa de inflação, além dos diversos interesses na rentabilidade financeira. “Ali, a política tradicional do Banco Central começa uma pressão, uma pressão sob a taxa da inflação. Tanto que nós tentamos uma série de medidas para impedir que houvesse uma explosão, principalmente, dos preços administrados”, contou.

“Tem um grau de financeirização na economia brasileira, em que todos os setores têm interesses. Havia, e acho que isso ficou patente, uma grande resistência à queda da taxa de juros. Não era algo trivial. Inclusive, porque diziam que estavam afetando o valor das ações na bolsa. Havia, então, uma situação que era bastante diversa para, não só aqueles que atuam especificamente no setor financeiro, mas também na indústria em geral e no setor serviços”, completou.

Entretanto, a presidente afastada defendeu que, apesar das pressões, a sua equipe econômica apostava no cenário de “virada”. “E percebemos que estava virando”, disse, completando que o momento em que a retomada passou a ocorrer é que não ajudou. “Vira em um momento muito estranho, porque se combina também com as manifestações de junho de 2013. Que são estranhíssimas naquele quadro em que se tinha uma taxa de juros caindo, uma taxa de investimento tentando ser alavancada, você tinha uma redução grande dos impostos”, analisou. Além disso, dentro da gestão econômica, Dilma ressaltou que o Orçamento, sobretudo em momento de crise econômica em que os riscos sofrem ainda mais pressões de interesses, entra para uma batalha “de disputa política”.

Em um momento de grande pressão sobre as taxas, que a presidente situa na metade de 2013, ela acredita ter ocorrido uma recuperação no fim daquele ano, quando as pressões estariam “palpáveis”, embora o governo não tenha conseguido “segurar”. “Mas nós ainda fizemos um esforço. Aí começa algo que vamos sentir aos poucos, não se tem noção disso de imediato, que é o fim do superciclo das commodities”, lembra Dilma, ao comentar sobre o segundo grande obstáculo em sua gestão. “O fim do superciclo das commodities começa lentamente, lá pelo início de 2014, o petróleo ainda está no patamar dos 80, 100 dólares o barril. A China ainda não tem uma aterrisagem mais profunda. Ela ainda está crescendo entre 8% e 9%. Não há uma indicação muito clara disso”, conta a presidente.

O terceiro fator – e que, em sua visão, foi subestimado pelo país – foi a seca vivida em 2012 e 2013, que teve uma expectativa de redução para o ano seguinte. Contudo, além da seca não ter se reduzido, o problema acabou se prolongando para 2015. “A expectativa é que ela tinha de ser mais suave. E os primeiros indícios, pelo final do ano (2013), dava a entender que ela não ia ser tão forte”, relembra. “Em 2015, nós temos uma intensificação violenta da seca, a ponto de chegar a 8% o reservatório de Furnas, que é o maior do país, já no final de 2014 e é muito forte no início de 2015”, contou.

Na época, o governo ainda sofreu pressão de diversos setores de que se deveria optar pelo racionamento, para evitar um colapso. “Não era necessário, porque tinha uma estrutura de térmicas”, disse, ressaltando o custo a ser pago: “Mas isso significava uma pressão muito forte na inflação. Muito forte. E nós tivemos uma alteração de preços relativo ali violenta”.

Para analisar e criar toda a estratégia econômica de seu governo, Dilma Rousseff disse que o responsável foi o então ministro da Fazenda Guido Mantega (que esteve no cargo até novembro de 2014) e sua equipe econômica. Revelou que, mesmo após a saída do ministro, foi o seu “delinear” deixado na equipe que formou as medidas de “ajuste rápido”, para recuperar a economia, logo no início de seu segundo mandato. “E se coloca a necessidade de duas coisas: da CPMF e da mudança dos juros sob o capital, a partir da discussão sobre dividendos e sobre heranças. Na nossa avaliação, nós teríamos de fazer um ajuste rápido, que teria como fundamento um corte de despesas, mantendo os programas sociais, e teríamos de iniciar, imediatamente, um processo para ampliar a receita. Primeiro, reduzindo as próprias desonerações que nós tínhamos dado. Segundo, ampliando os impostos”, disse.

Ao ser questionada sobre a visão de que, em um processo de crise, o ajuste fiscal pró-cíclico aprofunda a recessão, Dilma respondeu: “Nós temos clareza absoluta disso”. Entretanto, explicou que o limite do Orçamento não absorvia mais investimentos. “Se você absorve de forma contínua no Orçamento, no ajuste, naquelas condições que nós estávamos absorvendo, com a inflação saindo do controle, por uma pressão clara, e, ao mesmo tempo, se você embute no Orçamento toda uma política anticíclica, você não suporta”, disse. “Como você diminui a ‘pró-ciclidade’, vamos dizer assim, da política? Ao mesmo tempo que você corta despesas, refaz, porque nesse momento de crise fiscal você pode fazer alguns ajustes”.

 

Confira a íntegra da entrevista com a presidenta afastada Dilma Rousseff na TV Brasil

 

Luis Nassif entrevista Dilma Rousseff. Veja vídeo aqui

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Temer censura e pretende evitar que Dilma fale com o povo

O interino Michel Temer vem fechando o cerco para amordaçar e evitar qualquer contato de Dilma Rousseff com as multidões.

A decisão ditatorial começa pela proibição de usar aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para viajar a outros Estados do Brasil. Ficou permitido apenas deslocamentos a Porto Alegre, onde tem residência.

O avião presidencial agora é de uso restrito do casal Michel e Marcela e familiares e amigos íntimos.

Os meios de comunicação de massa também foram avisados: quem ousar noticiar manifestações contra o golpe terá a publicidade do governo da União cortada, e a determinação vale para todos os ministérios, bancos oficiais e empresas estatais. Uma circular secreta foi enviada aos governadores estaduais e prefeitos das capitais que apóiam a cassação de Dilma.

A lei da mordaça para a presidenta do Brasil vale inclusive para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Michel Temer (PMDB) colocou um pau mandado para assumir a estatal que tem como dever jornalístico divulgar a verdade, e abrir espaço para notícias de diferentes fontes.

Temer exonerou Ricardo Melo, mesmo tendo um mandato de quatro anos ainda por cumprir, e nomeou um testa de ferro, burocrata e fanático golpista Laerte Rimoli.

Segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a diferença entre o perfil dos dois comunicadores é notável. Rimoli já ocupou cargos públicos e ligados a partidos políticos, como assessor de imprensa do Ministério da Comunicação durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e coordenador de campanha de Aécio Neves (PSDB) durante a última corrida presidencial.

Em dezembro de 2015, aceitou o convite de Eduardo Cunha (PMDB) e assumiu o cargo de diretor de comunicação da Câmara dos Deputados. Além disso, o novo comandante da EBC coleciona publicações contra Dilma e Lula em redes sociais, como “Dilma não tem vergonha de ser ridícula” e “Xô PT. Xô Dilma. Xô Lula”. Tão farsante que apagou a conta no Twitter após ser indicado para comandar a empresa estatal.

A ilegal, execrável, absurda nomeação do títere Rimoli foi derrubada pela Justiça. Volta Ricardo Melo, que divulga uma entrevista proibida com Dilma. Desgostoso e contrariado, o pequeno ditador Michel pede a saída de Ricardo Melo.

Transcrevo do Clik Política: A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a revogação da decisão do ministro Dias Toffoli que permitiu o retorno ao cargo do diretor-presidente exonerado da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Ricardo Melo.

Na petição enviada ontem (9) ao ministro, a AGU alegou “desvio de finalidade” na decisão da presidenta afastada, Dilma Rousseff, que nomeou Melo para o cargo.

“É fato notório que a nomeação do Sr. Ricardo Pereira de Melo para o cargo de diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação foi feita nas vésperas do inevitável afastamento da presidenta Dilma Rousseff. Ora, a nomeação feita de forma apressada ocorreu unicamente para impedir que o futuro presidente [hoje em exercício] pudesse realizar a nomeação de acordo com critérios legítimos”, diz a petição.

Na manifestação, a AGU também afirma que “outros elementos caracterizadores desse desvio estão estampados pela linha editorial da EBC”. A alegação é a de que, sob o comando de Ricardo Melo, a empresa “assumiu, sem qualquer tipo de disfarce, a defesa indireta desta última [Dilma], contrariando os princípios e diretrizes estabelecidos pela Lei 11.652/08 [lei que criou a EBC], notadamente a não vinculação ideológica da empresa”.

Não há previsão sobre nova decisão do ministro Dias Toffoli sobre caso. A liminar garante Ricardo Melo no cargo até a decisão de mérito do mandado de segurança, ainda sem data para ocorrer.

Melo foi nomeado diretor-presidente da EBC por Dilma, no dia 3 de maio, uma semana antes de o Senado afastá-la temporariamente do cargo. Ao assumir interinamente a Presidência, Michel Temer nomeou para a presidência da EBC o jornalista Laerte Rimoli. Após a nomeação de Rimoli, Melo recorreu ao Supremo, e a liminar foi concedida pelo ministro Dias Toffoli no dia 1º de junho.

Ao recorrer da decisão presidencial, Melo argumentou que a lei que cria a EBC estabelece que os mandatos do diretor-presidente e do diretor-geral da empresa têm quatro anos e que seus ocupantes só podem ser destituídos por decisão do Conselho Curador da EBC (órgão composto por representantes da sociedade civil e do governo) ou por razões legais.

O argumento usado pela defesa de Melo foi que a exoneração “viola um ato jurídico perfeito, princípio fundamental do Estado de Direito, bem como um dos princípios específicos da radiodifusão pública, relacionado com sua autonomia em relação ao governo federal”.

Na decisão proferida no dia 1º de junho, o ministro Dias Toffoli entendeu que a obrigatoriedade de preservar o mandato de quatro anos para cargo de presidente da EBC, previsto na lei que criou a empresa, serve para assegurar autonomia à gestão da empresa.

“Parece-me que a intenção do legislador foi exatamente a de garantir certa autonomia ao corpo diretivo da EBC, o que se apresenta, em meu juízo precário, consentâneo com a posição da Empresa Brasileira de Comunicação, que tem por finalidade a prestação de serviços de radiodifusão pública, sob determinados princípios, dos quais destaco autonomia em relação ao Governo Federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo no sistema público de radiodifusão”, disse o ministro na decisão.

Em nota divulgada após a decisão de Dias Toffoli, o Conselho Curador da EBC elogiou a decisão do ministro. O conselho já havia se posicionado, anteriormente, contrário à exoneração de Ricardo Melo.

“Denunciamos y repudiamos el maltrato informativo, sesgado, machista y denigrante del que ha sido víctima la presidenta del Brasil, Dilma Rousseff, en los medios de comunicación masivos de su país”

UN ENCUENTRO INTERNACIONAL DE PERIODISTAS CON VISION DE GENERO LLAMO A ACTUAR EN CONTRA DEL SEXISMO EN LOS MEDIOS

 

“En momentos de crisis sube la violencia contra las mujeres”

 

Periodistas de 27 países se reunieron en Barcelona para fomentar una comunicación sin patrones patriarcales. Denunciaron el maltrato informativo, machista y denigrante, que sufre Dilma Rousseff en su país. La situación de las mujeres refugiadas.

 

Por Sonia Santoro

“Hacemos un llamado a las empresas periodísticas y de comunicación a actuar contra las informaciones de carácter sexista y con patrones patriarcales, además de la revisión de creación de manuales de estilo que refuercen la información y comunicación con perspectiva de género y sobre los derechos de las mujeres”. Así se pronunció el VI Encuentro de la Red Internacional de Periodistas con Visión de Género, que reunió en Barcelona a 157 periodistas de 27 países. Además, reclamó mayor cobertura informativa de la situación de las mujeres refugiadas y repudió el “maltrato informativo, sesgado, machista y denigrante del que ha sido víctima la presidenta del Brasil, Dilma Rousseff, en los medios de comunicación masivos de su país”.

El primer día del encuentro estuvo presente la alcaldesa de Barcelona, Ada Colau, primera mujer y feminista en ocupar ese puesto (ver aparte). Luego siguieron dos días de debate en los que se plantearon temas específicos a las distintas realidades de los continentes participantes: América latina y del Caribe, Europa, Asia y Africa. Así como problemas y desafíos comunes.

Entre ellos, el Encuentro dio cuenta de “la discriminación y las violencias que sufren las periodistas y comunicadoras en el mundo” y reclamó “una representación no estereotipada de las mujeres en los contenidos informativos, dando voz a las mujeres y reflejando toda su diversidad”.

Ante el incumplimiento del apartado J de los Acuerdos de la Conferencia de Mujeres realizada en Beijing en 1995, que se refiere al papel de los medios de comunicación para alcanzar la igualdad entre mujeres y varones, “solicitamos la creación de programas feministas y en defensa de los derechos de las mujeres en los medios, especialmente públicos, así como el auspicio efectivo a los que existen y surjan”, dice el pronunciamiento final.

El problema de los refugiados y refugiadas tuvo presencia fuerte, con la participación incluso de algunas refugiadas como Rawan al bash, periodista palestina de Siria que vive actualmente en España. “Cuando una es palestina tiene muchas cosas para explicar. Cuando una es siria más porque hay una guerra y la gente sale de Siria por la violencia del gobierno, del Isis”, comenzó su relato. Rawan contó que tuvo que dejar Siria porque el gobierno la perseguía por activista.

En ese sentido, el Encuentro manifestó “nuestro rechazo a las guerras que fuerzan el desplazamiento de las personas que buscan refugio y reclamamos la apertura de fronteras, puesto que emigrar es un derecho humano reconocido”. Además se exigió “una mayor cobertura informativa de la situación de las mujeres refugiadas que las muestre como protagonistas y visibilice las violencias a las que se ven sometidas. La casi nula comunicación de las instituciones europeas sobre la situación de las refugiadas significa una información sesgada”.

Se denunció también el aumento de la intimidación cibernética y las amenazas que sufren las mujeres periodistas, por el simple hecho de ser mujeres en el ejercicio de la profesión.

En momentos de crisis “siempre se cuestiona el poder sobre la mujer y sube la violencia contra las mujeres”, dijeron las coordinadoras salientes. Entre ellas, Liliana Hendel, por la Red Internacional de Periodistas con Visión de Género en Argentina, planteó que “en el mundo han crecido exponencialmente los proyectos voluntaristas en pequeñas radios e Internet, pero la ausencia de periodistas feministas (salvo casos aislados y muy escasos) y de programas con enfoque de género en los medios audiovisuales masivos es flagrante”. “El mayor problema es que nos han convencido de que ya llegamos y que somos iguales. Cuidado con este concepto porque es mentira”, dijo también. Por la red participaron además Miriam Bobadilla, Silvina Molina y esta cronista.

Entre las presentaciones de temáticas puntuales, la más movilizante fue la que hizo Carolina Escudero, argentina que reside en Barcelona, y comparó el robo de bebés realizado durante la última dictadura en Argentina, con lo sucedido durante el franquismo. “Según datos, hay 30 mil niños robados; según los familiares, 100 mil”, dijo. La presencia de varios familiares que siguen buscando a sus hijos e hijas conmovió a todo el auditorio de la Universidad Pompeu Fabra.

Sara Mas, corresponsal del Servicio de Noticias de la Mujer de Latinoamérica y el Caribe (SemLac) Cuba, habló sobre el trabajo que están haciendo periodísticamente para mostrar el impacto que los cambios económicos que se están produciendo en su país tienen en las mujeres. “La mayoría de los empleos no demandan altos niveles educacionales, cuando las mayoría de las personas formadas son mujeres”, dijo. Así como que los nuevos trabajos “surgen con enunciados sexistas, pensados para mujeres y para varones”. “El desafío como periodistas sigue siendo insertar la reflexión e incidir en políticas públicas para mujeres”, planteó.

Daniela Fuentes Moncada, de Ecuador, criticó que los medios de comunicación aborden la cuestión indígena como un todo homogéneo. “En mi país convivimos muchísimas nacionalidades y etnias diferentes. Es heterogéneo”, dijo.

A pedido de la brasileña Rachel Moreno, que denunció un “retroceso absoluto en todos los derechos alcanzados” en Brasil durante los últimos años, el Encuentro hizo un pronunciamiento de apoyo a Dilma Rousseff y de repudio a los intentos de golpe.

“Denunciamos y repudiamos el maltrato informativo, sesgado, machista y denigrante del que ha sido víctima la presidenta del Brasil, Dilma Rousseff, en los medios de comunicación masivos de su país”, dice el comunicado. “Exigimos que se respete el orden institucional que se deriva del cumplimiento del mandato de la elección presidencial de Dilma Rousseff”, continúa. Y finalmente rechaza “cualquier intento de golpe de Estado”.

Al final, se decidió que Brasil será sede del próximo Encuentro de la Red Internacional de Periodistas con Visión de Género, en 2018.

Montserrat Minobis, presidenta de la Red Internacional de Mujeres Periodistas y Comunicadoras de Cataluña, declaró que “hemos salido más fortalecidas y con el objetivo de llevar adelante proyectos comunes y, como recoge el manifiesto, continuar la lucha global contra la violencia y la defensa de los derechos de las mujeres, especialmente en cuanto a la cultura de la paz, y la defensa de las mujeres migradas y refugiadas”.

Medios, estereotipos, precarización, violencia, redes, periodistas, género, refugiadas, migrantes, indígenas… palabras, categorías que se nombraron y se debatieron por tres días en Barcelona. Problemas y soluciones que cada una llevó a su país de origen para intentar convertir en leyes, prácticas, políticas con perspectiva de género. In Pagina 12/ Argentina

Para jornal O Globo, Cunha merece ser consolado

Toda campanha de ódio deve ser banida. E de vingança. Que prevaleça sempre a Justiça. Mas o texto abaixo do Globo, que compartilho, e peço a leitura, vende um Cunha diferente. Um simples e piedoso cristão preocupado com a família. Quando sempre foi visto, por muitos aliados e adversários, como um psicopata. Um insensível que usou a presidência da Câmara como se fosse um primeiro-ministro, e o parlamentarismo o regime de governo do Brasil. Humilhou, ofendeu, e tudo fez para desestabilizar a presidenta Dilma, na conspiração de um golpe, pelo terceiro turno de Aécio Neves, pela traição de Michel Temer que já atua politicamente como presidente. Quem ousou tanto, tenha a coragem de enfrentar as consequências dos seus atos e fatos. Ninguém pode ficar impune, e acima da Constituição. Quem elegeu o presidente Eduardo Cunha e o vice Waldir Maranhão da câmara baixa do Congresso Nacional não foi o povo, e sim a maioria dos deputados federais que cassaram Dilma Rousseff. Um voto de quem sabia que, segundo o artigo 80 da Constituição brasileira, o presidente da Câmara dos Deputados é o segundo na linha de sucessão do presidente da República, logo após o vice-presidente, sendo chamado em caso de impedimento ou vacância de ambos os cargos. Isso ocorre para dar a maior legitimidade possível a decisão, pois os deputados são considerados representantes do povo e os senadores representantes dos estados. Após esse assumem o presidente do Senado Federal e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Quiçá fique assim explicado o comportamento tardio do STF ao afastar Cunha. Se Cunha era competente e justo e honesto para presidir a Casa do Povo e o Brasil, se faz campanha contra Waldir Maranhão. Por quê? O falso puritanismo republicano advém do voto do Waldir contra o impeachment.

O jornal O Globo, da família Marinho, roga o consolo dos deputados e senadores, e todo o carinho do povo para o transtornado e coitadidinho do Cunha. Leia aqui

 

 

 

 

Os empregos de mensageiro e testemunha

 

 

Fala-se muito em Liberdade de Imprensa, mas nenhuma redação no Brasil tem autonomia para selecionar as mensagens. A política editorial é imposta pelo patronato, via o mando abusivo dos capatazes que exercem cargos de chefia, cargos preenchidos pelos empregados da máxima confiança.

A primeira vez que falei de Estatuto de Jornalismo no Comunique-se, fui tachado de utópico, um velho Dom Quixote, (di)vagando na internete.

Os jornalistas sempre aceitaram que a opinião fica para o editorial. Que não leva assinatura. E deixa a dúvida se escrito pelo patrão analfabeto ou pelo diretor responsável.

No Brasil foi determinado que o jornalista não pode expressar opinião. É bicho que não pensa.

Relata o que viu, com a máxima objetividade, sendo apenas uma testemunha ocular da história, a frase safada repetida na abertura do Repórter Esso.

Ou transcreve, com a máxima fidelidade, o que lhe foi dito.

Um pau-mandado que, muitas vezes, desconhece o nome do proprietário, do amo, como acontece com os jornalistas que trabalham nas rádios, televisões, concessões do governo para laranjas. Idem no jornalismo on line.

Não existe liberdade sem direitos.

Quais são os direitos do jornalista brasileiro? Nenhum dos direitos fundamentais dos jornalistas portugueses, para um exemplo:

ESTATUTO DO JORNALISMO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

Artigo 6.º

Direitos

Constituem direitos fundamentais dos jornalistas:

a) A liberdade de expressão e de criação;

b) A liberdade de acesso às fontes de informação;

c) A garantia de sigilo profissional;

d) A garantia de independência;

e) A participação na orientação do respectivo órgão de informação
______

O jornalista brasileiro é pau para toda obra, mas não oferece nenhum pitaco na política editorial. Meteu-se a besta vai pra rua.

Adestrado, submisso, conhece o seu lugar: quem deseja opinar, que compre um jornal.

Brasil, Chile y el potencial proto-fascista de Sudamérica

por VÍCTOR HERRERO

La noticia más relevante para el futuro político de Chile no son los extraños e inconducentes cabildos constituyentes a los que ha convocado la Presidenta Michelle Bachelet, sino lo que sucedió anoche en Brasil.

En una votación transmitida en vivo por streaming en cientos de páginas Web de todo el mundo, la mayoría de la Cámara de Diputados de ese país decidió dar luz verde para iniciar el proceso de destitución (impeachment) de la mandataria Dilma Rouseff. Los congresistas partidarios de sacar a Rouseff del poder, quien fue reelegida como Presidenta hace menos de dos años con unos 50 millones de votos, actuaban anoche como una barra brava de fútbol. De hecho, cuando alcanzaron los 342 votos para iniciar el juicio político en contra de Rouseff, entonaron cánticos típicos de la fanaticada futbolera, que son los mismos en Brasil, Argentina, Uruguay o Chile.

Gran parte de los que votaron a favor de sacar a la gobernante del poder invocaron a Dios o Cristo, a sus propias esposas e hijos y, claro está, al etéreo mejor futuro para Brasil para fundamentar su voto.

Las revelaciones sobre la enorme red de corrupción pública que tiene como centro a la empresa semi-estatal Petrobras, así como un puñado de compañías de construcción gigantes y privadas, ciertamente han salpicado al oficialista Partido de los Trabajadores y sus máximos dirigentes. Pero también a decenas de políticos opositores del actual gobierno.

Sin ir más lejos, el presidente de la Cámara de Diputados, Eduardo Cunha, que ha sido uno de los principales impulsores del proceso de destitución de Rouseff, está involucrado en el escándalo Operação Lava Jato de Petrobras. La fiscalía brasileña lo acusa de aceptar sobornos de hasta 40 millones de dólares de la petrolera y de lavar dinero a través de iglesias evangélicas, por lo cual pide una sentencia de hasta 184 años de prisión. Pero anoche, Cunha se las daba de líder anti-corrupción. Es como si mañana, en nuestro país, los miembros del partido ultra derechista UDI Pablo Longueira, Jovino Novoa, Jaime Orpis o Ena von Baer se levantaran como faros en contra la corrupción política. Es como el viejo dicho: los gatos que cuidan la carnicería. O como afirma un observador brasileño: “Todo esto es una venganza entre ladrones”.

Los defensores de Dilma han argumentado de que todo este proceso oculta, en el fondo, un golpe de Estado. “Esto es un golpe en contra de la voluntad del pueblo, en contra de lo que dijeron las urnas hace menos de dos años, en contra de las políticas sociales, en contra de los pobres y del progreso social”, afirmó uno de los diputados que votó en contra del impeachment. Los vociferantes contrincantes, que lo abuchearon a él y todos los que votaron a favor de la Presidenta, lo ridiculizaron diciendo que en la votación de anoche no había ningún golpe, sino que era un mecanismo legal del ordenamiento jurídico brasileño. Después de todo, en diciembre de 1992 se había destituido al Presidente Fernando Collor de Mello por corrupción en un proceso similar.

Es verdad. Pero también lo es que en las últimas décadas los “golpes” en América Latina ya no son los clásicos movimientos encabezados por rabiosos militares, sino que golpes institucionales. Como sucedió, por ejemplo, en Honduras en 2009.

Sin embargo, el olor a un pseudo golpismo de antaño está en el aire. Antes de votar a favor de iniciar el proceso de destitución de Dilma, el diputado del Partido Social Cristiano, Jair Bolsonaro, un ex paracaidista de las fuerzas armadas, dedicó su voto a un coronel de las fuerzas armadas, el mismo que participó de las torturas a Rouseff cuando fue detenida por los servicios de seguridad de ese país en 1970.

¿Y qué tiene todo esto que ver con Chile? Mucho más de lo que se piensa. Cuando en 1964 los militares brasileños sacaron al mandatario socialdemócrata Joao Goulart del poder mediante un golpe de Estado, la derecha chilena lo celebró y lo tomó como un ejemplo de lo que había que hacer. Muy pronto, las nuevas autoridades militares aplicaron algunas políticas económicas liberales que entusiasmaron al conservadurismo chileno. “Los militares de Brasil habían hecho políticas de libre mercado. La gente de derecha en Chile opinaba que acá debían aplicarse similares recetas, pero el gobierno de la DC hacía todo lo contrario”, afirma el ex editorialista de El Mercurio Hermógenes Pérez de Arce en sus memorias.

De hecho, a mediados del año pasado los medios de prensa de derecha hicieron correr el rumor –o al menos la idea– de que, tal vez, la Presidenta Bachelet no iba a terminar su mandato y que lo mejor sería que alguien como Ricardo Lagos asumiera interinamente el gobierno. Algo similar sucedió en 1998, cuando después de la detención de Pinochet en Londres, muchos dirigentes de la derecha política y líderes gremiales, opinaron que lo mejor era retardar las presidenciales de 1999 dado el “delicado” momento político. En otras palabras, la derecha está siempre dispuesta a suspender los cronogramas democráticos. Y, con lo que sucedió ahora en Brasil, tienen una nueva herramienta en su arsenal anti-democrático.

Y esto no es una exageración. Si el mandatario venezolano Nicolás Maduro propusiera una Ley Mordaza a la prensa como la que la clase política chilena ha tratado pasar pillamente en la llamada agenda corta anti delincuencia y también en la nueva ley anti terrorista, El Mercurio y el resto del establishment mediático pondría el grito al cielo. Pero siendo Chile, los medios oficiales y columnistas oficialistas tratan de ponderar el derecho a la inocencia de los políticos y empresarios coludidos con el, para ellos, dudoso derecho a la información.

Como sea, lo que sucedió anoche en Brasil ni siquiera afecta sólo ese país. Lo ocurrido son muy malas noticias para la democracia de América Latina. Y el canto de barra brava futbolera de los opositores a Dilma Rouseff son peores noticias. Ahí está el potencial caldo de cultivo para un futuro proto-fascismo y golpismo sudamericano. Qué pena.

Publicado originalmente el 18 de abril 2016 en diarioUchile

Folha de S. Paulo retira apoio a Temer

Diante de três derrotas – o povo não apóia o golpe nem aceita o desconhecido Michel Temer, e o impeachment não passará – a Folha de S. Paulo apresenta uma fria proposta de “nem Dilma nem Temer”, sem dizer qual nome deseja impor como presidente, quando o segundo da linha sucessória é Eduardo Cunha.

Jamais a golpista Folha teria a coragem de propor aos seus leitores o nome do presidente da Câmara dos Deputados, que responde a vários processos por diferentes crimes, chegando ao desplante de envolver a própria esposa e uma filha.

Porque o impeachment não passará, a Folha de S. Paulo cai no disparate de exigir que Dilma renuncie, como se a família Frias tivesse poderes e hombridade para tanto.

 

Pedido de renúncia é anúncio de confronto

 

247/ Verdades Ocultas – Expresso num absurdo editorial da Folha de S. Paulo, o esforço dos adversários do governo para forçar Dilma Rousseff a pedir a renúncia do mandato presidencial possui dois significados.

O primeiro é jurídico. Equivale ao reconhecimento definitivo da fraqueza real do pedido de impeachment em discussão na Câmara, formulado com argumentos risíveis e desmascarado perante uma parcela crescente de brasileiros como uma constrangedora tentativa de golpe de Estado.

O segundo significado é político. Na conjuntura atual, um pedido de renúncia equivale a uma perversão. Não é apresentado como aquilo que é — uma decisão unilateral e voluntária de um ocupante de cargo público, seja um mandato de vereador no interior de São Paulo, seja a presidência da República — mas uma exigência dos adversários. Um ato contrário à vontade que Dilma tem manifestado de forma clara e firme.

Estamos falando de uma espécie de suicídio induzido por auto envenenamento, que todo aluno de curso médio aprende quando estuda a Grécia antiga, uma estranha democracia apoiada no trabalho escravo, onde Sócrates foi forçado a ingerir cicuta como punição por “corromper” a juventude. Pelo ritual, os verdadeiros criminosos escondiam sua culpa.

Falar em renúncia, no Brasil de 2016, é demonstrar disposição de confronto e perspectiva de enfrentamento.

Implica na tentativa de conduzir a luta política muito além dos limites razoáveis, aqueles que envolvem o respeito e as regras da democracia e da soberania popular.

Não estamos falando do confronto de ideias, do debate de divergências. Não é possível negar a necessidade de construção de um pacto político capaz de apontar uma saída para a crise do país. A mensagem de quem pede — na verdade, exige — a renúncia é: mesmo que a oposição seja incapaz de reunir os 342 votos necessários para abrir uma investigação contra a presidente na Câmara, não haverá trégua nem acordo.

Entramos na fase além do Estado Democrático de Direito. Com apoio da mídia, da polícia, do judiciário, os adversários do governo, vencidos em quatro eleições consecutivas, decidiram dar mais um passo na política de vale-tudo. Nós sabemos muito bem o que isso quer dizer.

Equivale a submissão do conjunto do sistema político a uma força que está muito além da soberania popular. Sua origem é um poder de classe,de natureza histórica, que não aceita ser desafiado pela regras que todos estão condenados a respeitar para preservar o regime democrático. Neste universo, não há leis e procedimentos que todos devam aceitar e cumprir, rem nome de valores que constroem um bem maior, que é uma nação soberana, onde a Constituição vale para cada um e para todos. Nada disso. Estamos falando de patrões de republiqueta.

O comportamento destrutivo desses personagens que se imaginam acima do Bem e do Mal explica o esforço permanente — um ano e seis meses — para impedir o governo de funcionar, mobilizando todas suas forças na direção da crise, do impasse e da paralisia, de modo implacável e sem descanso. Vale até destruir a 8a. economia do mundo, quebrar uma força que se tornou motivo de aplauso e respeito. A necessidade de recuperar o poder político ganhou prioridade sobre todas as coisas.

Cabe reconhecer, como óbvio, que o próprio governo tem uma parcela inegável de responsabilidade pelos impasses em que o país se encontra. Não dá para negar nem para discutir.

Com mandato até 2018, porém, o governo não pode ser impedido, porém, de exercer o direito legítimo de recompor suas próprias forças e buscar uma saída, numa situação na qual enfrenta uma articulada conspiração das elites que governam o país desde as caravelas de Cabral. São golpes sucessivos aplicados por farrapos morais que só lhe reservam ataques, infâmia e gestos de covardia.

Esta razão anti democrática está na origem de uma operação coordenada e multidisciplinar, pois envolve o Judiciário, o Congresso e especialmente a mídia grande, destinada a cassar os direitos políticos de Luiz Inácio Lula da Silva, que, pouco a pouco, começa a ser colocado numa posição que nos tempos da ditadura militar era chamada de semi legalidade.

Nessa condição, a pessoa até consegue encontrar os amigos, trocar ideias e manifestar suas opiniões na esfera privada. Em voz baixa, de preferência. Mas não tem o direito de travar seu combate no espaço público, quando propostas e soluções podem adquirir força material e influir nas decisões do Estado.

Alvo previsível da Lava Jato desde que a operação foi iniciada, com base no grampo de um assessor do PP e seu advogado — gravação de caráter ilegal, pois envolve a comunicação entre cliente e seu defensor — do ponto de vista dos fatos conhecidos e provados as intermináveis investigações sobre Lula equivalem a uma atestado de inocência.

O mesmo se pode dizer sobre o caso Celso Daniel. As hipóteses de investigação que tentaram envolver membros do Partido dos Trabalhadores num crime terrível foram derrubadas em três inquéritos policiais, produzidos por equipes diferentes, em épocas diversas. Simplesmente não apareceram fatos nem provas. Conduzidas ao Supremo Tribunal Federal, foram rejeitadas duas vezes. Numa delas, condenou-se o “denuncismo”, termo que dá uma ideia do caráter irresponsável da acusação. Em outra, configurou-se cerceamento da defesa — aquela prática pela qual não se respeita o princípio segundo o qual todos são inocentes até que se prove o contrário.

Temos hoje um caso vergonhosamente óbvio de perseguição política a Lula, destinada a produzir factóides negativos contra uma pessoa que não se consegue acusar com um mínimo de credibilidade. O plano real é tentar atingir a memória deixada pelo mais aplaudido dos presidentes brasileiros. Não é um comportamento novo, diga-se. A novidade é a urgência. Pois o principal instrumento para Lula defender-se reside na consciência da população, como ficou claro pela reação nacional a condução coercitiva para prestar depoimento a Polícia Federal.

Até há pouco acreditava-se, com a ingenuidade típica de quem não consegue enxergar a falta de escrúpulos presente nos planos adversários, que o massacre a Lula teria 2018 como horizonte. Era um jogo sujo, mas travado dentro das regras de um país com democracia estável, leis respeitadas, no qual um candidato com sua imensa representatividade e nenhuma culpa demonstrada poderia exercer o direito de candidatar-se na próxima eleição. Nada disso.

Os patrões de republiqueta querem que morra agora. Têm pressa. Estão aflitos. Com todas as cartas marcadas na manga, têm certeza da própria impunidade e não temem cometer aquilo que, sabemos todos, é um crime contra a honra e contra a história. Aceitam que Lula seja um meio ministro. Ou um meio cidadão. Não pode ser um brasileiro como os demais 200 milhões.

Não querem deixar passar aquilo que os cientistas políticos chamam de momentum. Até porque ele está passando mesmo. Basta andar na rua e se emocionar com lições universais de cidadania e democracia. Basta rir das desculpas de Lobão.

Esta é a questão real.