‘Panama Papers’ atingem políticos de ao menos sete partidos brasileiros

PDT, PMDB, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB são as legendas cujos integrantes aparecem na lista.
O PMDB do vice-presidente Michel Temer foi a legenda com mais integrantes mencionados nos documentos da empresa panamenha. O PT e o Planalto podem respirar aliviados, uma vez que nenhuma offshore no exterior foi atribuída a seus correligionários.

Políticos de ao menos sete partidos brasileiros têm contas em empresas offshores no exterior abertas pela companhia panamenha Mossack Fonseca, especializada em camuflar ativos usando companhias sediadas em paraísos fiscais. PDT, PMDB, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB são as legendas cujos integrantes aparecem na lista batizada de Panama Papers, onde constam milhares de nomes de titulares de offshores. Os documentos foram obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo. No domingo, UOL, Estadão e Rede TV, veículos brasileiros ligados ao Consórcio, começaram a divulgar os nomes dos correntistas, com destaque para expoentes do PMDB: o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e o senador Edison Lobão (MA) – ambos investigados pela Operação Lava Jato. Ao menos 57 brasileiros já relacionados à investigação da Polícia Federal aparecem nos documentos, ligados a mais de cem offshores criadas em paraísos fiscais. Cunha e Lobão negam a titularidade das empresas.

Ainda é cedo para saber o impacto que estes vazamentos – e os que virão nos próximos dias – terão no já convulsionado cenário político brasileiro, uma vez que não está claro se as offshores localizadas são irregulares ou não. Isso porque ter conta ou empresa no exterior não é um crime de acordo com a legislação brasileira, mas os valores e operações financeiras precisam ser informados à Receita Federal para a tributação devida. Ainda não se sabe se os citados nos Panama Papers declararam estes ativos em outros países às autoridades. Frequentemente este tipo de operação envolvendo offshores é utilizada para pagamento ou recebimento de propina e lavagem de dinheiro por parte do crime organizado, empresários e políticos corruptos.

Até o momento, o PMDB do vice-presidente Michel Temer foi a legenda com mais integrantes mencionados nos documentos da empresa panamenha. O fato é que, ao menos por enquanto, o PT e o Planalto podem respirar aliviados, uma vez que nenhuma offshore no exterior foi atribuída até o momento a seus correligionários.

Nesta segunda-feira vieram à tona os nomes de outros políticos com contas no exterior. Novamente o PMDB ocupa lugar de destaque entre os dados divulgados. O deputado federal Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG) e seu pai, o ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso teriam usado empresas offshores abertas com a ajuda da Mossack Fonseca para comprar um helicóptero com valor estimado em 1,9 milhão de dólares (cerca de 8 milhões de reais) e um flat em Londres ao custo de 1,2 milhão de libras (6,3 milhões em valores corrigidos).

O que se sabe até agora corrobora parte da delação premiada de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras que disse à Justiça ter recebido ordens de Lobão para não “atrapalhar” um investimento do fundo de pensão da estatal petroleira no banco BVA. Um amigo do senador, José Augusto Ferreira dos Santos, é um dos donos do BVA, de acordo com o delator. Segundo os Panama Papers, Ferreira, por sua vez, é sócio de João Henriques, considerado operador do PMDB na Lava Jato, em uma empresa offshore e em uma conta na Suíça. A defesa do parlamentar afirmou ao jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, que Lobão nunca foi acusado de ter contas ou empresas no exterior.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que é réu no Supremo Tribunal Federal por seu envolvimento na Lava Jato e é acusado pela Procuradoria Geral da República de ter contas secretas no exterior, aparece nos Panama Papers como titular de ao menos uma offshore. Trata-se da Penbur Holdings, supostamente controlada pelo parlamentar mas que usaria dois panamenhos como ‘testas de ferro’ de forma a ocultar seu nome dos documentos.  Leia mais em El País, Espanha, que a imprensa brasileira tem escondido este escândalo de tráfico de moedas, sonegação fiscal e propinas. Texto de G.A.

Malafaia convoca evangélicos para apoiar o irmão maçom Michel Temer amanhã

Silas Malafaia cita passagens da bíblia para justificar impeachment de Dilma e inflama fieis a participarem de protesto. O pastor também é aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, investigado pela Operação Lava Jato.

Malafaia constuma chamar Temer de irmão. Porquê Temer, além de católico convicto, é maçom.

Escreve Wellington Oliveira, M.M.: “Na maçonaria os seus membros são chamados de Irmãos, pois unidos pelo Amor Fraternal, seja em qualquer Grau, recebem este tratamento, e seu significado é a condição adquirida com a participação de um mesmo ideal baseado na amizade.

Malafaia esconde que faz parte de um templo secreto da maçonaria. No portal Anti Nova Ordem Mundial indaga  Ronaldo Sarmento:  “Afinal Silas Malafaia é ou não é maçom?”

Argumenta Sarmento: “Pessoal gostava muito do programa do Pastor Silas Malafaia e suas mensagens, mas de um tempo para cá comecei a perceber que ele estava agindo a meu ver de maneira errada, respondendo dentro de seu programa críticas que um outro Líder da Igreja Universal vinha fazendo contra a pessoa dele, tipo com palavras agressivas num tom de ira, diferente de que penso de alguém que de fato é transformado pelo o verdadeiro evangelho.

Então resolvi pesquisar um pouco e vi alguns vídeos que dizem que o Silas é maçom, mas nada elucidativo. Certo dia dentro do mesmo programa dele, ele respondeu que não era maçom, mas também não comentou nem mais um segundo sobre o assunto. Achei estranho vindo da parte de um lider que com certeza sabe que a maçonaria é ligada ao demônio”.

Pragmatismo Político – Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o pastor Silas Malafaia, líder da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, convoca os evangélicos para as manifestações que pedirão o impeachment da presidente Dilma Rousseff neste domingo. Ele esconde o nome de Temer.

“Vamos todo mundo para a rua neste domingo. Vamos protestar”, conclama o pastor. Malafaia cita passagens da bíblia para justificar os ataques à Dilma. “Dai a César o que é de César, dai a Deus o que é de Deus’. O apóstolo Paulo, em Romanos 13:7, mais uma vez ressalta a nossa cidadania”, declarou.

Malafaia é aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e trabalhou por sua eleição para o comando da Casa. O pastor está inconformado com as investigações que apontam envolvimento de Cunha no escândalo da Petrobras e afirma que “estão armando” contra o aliado.

 

DF: delator diz que Temer recebeu dinheiro do mensalão do DEM

 

Temer estaria envolvido no mensalão do DEM, chefiado por outro maçom, o governador José Arruda. Escreve o escriba do golpe, Reinaldo Azevedo: O delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, envolveu o vice-presidente da República Michel Temer no esquema de compra de apoio político ao ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Em depoimento prestado à Justiça do DF, Barbosa disse que ouviu de Arruda que conseguiu em 2007 o apoio do PMDB nacional pagando R$ 1 milhão por mês a Tadeu Filippelli, então deputado federal e atual vice-governador. Durval disse que, segundo Arruda, parte deste dinheiro era destinado a Temer.

No depoimento, Durval Barbosa não dá detalhes de como seria essa suposta entrega de dinheiro. À época, o PMDB distrital era controlado pelo ex-governador Joaquim Roriz, adversário de Arruda. Roriz então saiu do PMDB e o partido passou a apoiar Arruda.

Portal Terra: “Segundo Durval Barbosa, o ex-governador teria afirmado, em reunião com a cúpula do governo, com cerca de 100 participantes, que o apoio do PMDB lhe custara R$ 1 milhão ao mês. Ainda conforme o delator, Arruda confessou que o dinheiro era distribuído por Tadeu Filippelli, então deputado e atual vice-governador, e dividido com outros quatro líderes do PMDB. “Michel Temer, Aluísio Alves e um tal ‘Cunha’, que não recordo o prenome. Havia um quinto participante, mas já morreu”, afirmou. Segundo Durval, Arruda teria dito ainda que, se Filippelli tivesse pedido o dobro do dinheiro em troca de apoio, ele pagaria.

 

Revista Forbes faz lista dos pastores evangélicos mais ricos 

 

“COMEÇAM A REVELAR OS PODRES DESSES MAÇONS QUE SE DIZEM PASTORES EVANGÉLICOS, MAS QUE NA VERDADE, ENRIQUECEM APROVEITANDO-SE DA BOA FÉ DO POVO HUMILDE QUE SÓ QUER SERVIR A DEUS EM ESPÍRITO E EM VERDADE. O FIM DESSA TURMA SERÁ O LAGO DE FOGO QUE ARDE EM ENXOFRE, POIS SÃO LOBOS VESTIDOS DE CORDEIROS” – IVAN ALPHOLYTHE

Escreve  Felipe Castanheira, em janeiro de 2013: “Conhecida por listar os maiores bilionários do mundo, a revista Forbes publicou nesta semana uma reportagem com os pastores mais ricos do Brasil.

O primeiro da lista é o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Pastor Edir Macedo, com uma fortuna calculada em 2 bilhões de reais. A revista também destacou o poder midiático do pastor, dono da TV Record e da Folha Universal do Reino de Déus, um jornal com circulação estimada em 2,5 milhões de exemplares. Não ficaram de fora os escândalos relacionados a Edir Macedo.

Em segundo lugar está o pastor Valdemiro Santiago, com R$ 450 milhões. Ex-pastor da Reino de Deus, da qual se desligou depois de entrar em atrito com Edir Macedo, Valdemiro tem 900 mil seguidores e mais de 4 mil igrejas pelo país.

Silas Malafaia, o terceiro da lista com uma riqueza estimada em R$ 306 milhões, é o maior líder pentecostal brasileiro e por diversas vezes já se envolveu com polêmicas contra a comunidade gay. Malafaia ostenta o ousado projeto de arrecadar um bilhão de reais através do “Clube de 1 Milhão de Almas” onde cada fiel deve depositar mil reais para se tornar membro. Atualmente, com mais de 62 mil pessoas, o Clube é uma estratégia para desenvolver uma rede de televisão internacional em 137 países.

Fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, o Pastor R. R. Soares é destacado como o mais multimídia dos evangélicos brasileiros. Pastor, cantor, apresentador e compositor, R. R. Soares chega a milhares de casas pela TV. O pastor aposta na compra de tempo de programação de pequenos canais para conquistar mais fieis. Sua riquesa é avaliada em R$250 milhões.

O apóstolo Hernandes e a Bispa Sônia fecham a lista, com uma riqueza de mais de R$130 milhões. Detidos em Miami com 56 mil dólares não declarados escondidos em uma bíblia e condenados pela morte de nove pessoas no desabamento do teto de um templo, Estevam Hernandes e Sônia Hernandes perderam poder e fieis nos últimos anos. Mais de 70% dos templos do casal já foram fechados e outras pendências judiciais ameaçam ainda mais a Igreja Renascer.

FHC comprou a reeleição. Golpistas vão embolsar 500 milhões para derrubar Dilma e Temer ser presidente

por Mauro Lopes

O GOLPE DO MEIO BILHÃO COM O SULTÃO E SUA BANCADA À FRENTE

O processo de impeachment contra a presidenta Dilma é um golpe em dois sentidos: político e financeiro. Não tem qualquer traço de legalidade. Há um trem pagador de mais de R$ 500 milhões de reais (meio bilhão) que patrocina o golpe contra uma presidente eleita e contra a qual não pesa sequer uma acusação de corrupção. O trem pagador tem um maquinista, Eduardo Cunha.

Segundo documentos do Ministério Público da Confederação Suíça enviados à Procuradoria Geral da República, o esquema suíço liderado por Cunha com outros participantes movimentou R$ 411 milhões em 29 contas bancárias entre 2007 e 2014 (o valor não inclui, portanto, o ano de 2015). Isso é apenas uma fração, aquilo que foi identificado Suíça. Há ainda o dinheiro não localizado na própria Suíça e mais uma série de paraísos fiscais não mensurados neste montante (veja reportagem do Correio Braziliense sobre os documentos suíços clicando aqui).

Entrevistado pelo programa Espaço Público TV Brasil da EBC em novembro de 2015, o ex-ministro Ciro Gomes estimou que deste volume imenso de recursos Cunha usou R$ 350 milhões para montar seu próprio bloco parlamentar: “Eduardo Cunha roubou algo ao redor de meio bilhão de reais e deve ter distribuído uns 350 (milhões de reais) por uns 150 a 200 picaretas” – assista aqui e veja a afirmação de Ciro sobre a montagem da bancada de Cunha, a tropa de choque do impeachment, aos 8min05 da entrevista. Se as contas de Ciro estiverem corretas (e use-se o número mais modesto, 150), Cunha repassou algo como R$ 2 milhões para cada um de seus apoiadore$ apenas na “operação Suiça”.

Mas não é só. Como a planilha da Odebrecht já deixou patente, Cunha é padrinho de muitas outras doações$. A planilha indica o poder de Cunha como intermediário. Tomo emprestada a formulação da jornalista Helena Sthephanowitz no blog da Helena, na Rede Brasil Atual sobre o assunto: “Eduardo Cunha aparece como beneficiário de uma doação do Grupo Odebrecht de R$ 1,1 milhão para seu partido, o PMDB. Se foi ou não devidamente registrada é outra discussão e deverá ser objeto de novas investigações. O curioso é ele aparecer como ‘padrinho’ de uma doação bem maior, de R$ 3 milhões, para o diretório nacional do PSC, atual partido do deputado Jair Bolsonaro. Cunha aparece também na planilha como ‘padrinho’ de outra doação, de R$ 900 mil, para o PR. Ou seja, só por essas indicações na planilha, em 2010 Eduardo Cunha operou como captador de R$ 5 milhões – isso apenas junto ao Grupo Odebrecht – para três partidos, justamente os que em Brasília compõem a chamada ‘bancada do Cunha’, ou seja, o grupo de parlamentares de vários estados que acompanha fielmente a liderança do atual presidente da Câmara em todas as votações.” – leia a íntegra da coluna aqui.

É impressionante. Cunha apadrinha R$ 5 milhões apenas na planilha de uma empreiteira em uma eleição. É a bancada da mala, estimada por Ciro Gomes em 150 deputados . Fiéis a Cunha até o fim –enquanto ele continuar doando, é claro. É disparadamente a maior bancada da Câmara, praticamente o dobro do maior bloco parlamentar da Casa, que conta com 87 deputados (PP, PTB, PSC e PHS).

É a tropa de choque de Cunha, majoritária na Comissão do Impeachment e capaz de tudo para impedir o prosseguimento do processo contra o “capo” na Comissão de Ética.

Mas há mais, muito mais dinheiro para comprar o impeachment de Dilma. Segundo o deputado Paulo Pereira da Silva, “tem muita gente querendo financiar esse negócio do impeachment”. Ouça aqui. É só o parlamentar interessado sinalizar que a grana aparece, segundo o deputado, conhecido como Paulinho da Força, líder do partido Solidariedade e que conhece um tipo de solidariedade que o fez réu em processo por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e crimes contra o sistema financeiro e figura em mais três inquéritos –ele está na comissão do impeachment, por óbvio.

Cunha é algo como um herói, um ícone para Paulinho. Na mesma gravação em que afirmou que está chovendo e vai continuar a chover nas hortas dos deputados golpistas, ele fez questão de ressaltar que ”esse negócio (isso mesmo, “negócio”) do impeachment tá indo, eu vou falar a verdade, por causa do Eduardo Cunha. O impeachment só tá acontecendo por causa do Eduardo Cunha.” Paulinho está certo. Retire-se Cunha e o processo de impeachment terá enorme dificuldade de seguir adiante, sem o devido combustível.

O cenário da Câmara dos Deputados é desolador e faz do Brasil o centro de um escândalo ao redor do mundo. O condutor do processo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é réu numa ação no Supremo por recebimento de propina e distribuiu recursos da ordem de centenas de milhões de reais; 61% dos deputados da comissão encarregada do processo receberam R$ 9 milhões de empresas investigadas na operação Lava a Jato (leia aqui); 31 dos 130 integrantes da comissão (titulares e suplentes) respondem a inquérito ou ação penal no Supremo, acusados de formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros crimes (leia aqui).

O relator da comissão do impeachment, deputado Jovair Arantes, é funcionário (ops, aliado) de Cunha. Atua no Conselho de Ética como um coronel do exército de Cunha nas manobras para paralisar o processo contra o chefe. Assumiu a relatoria do impeachment apenas depois de garantir aos golpistas que condenará Dilma –leia aqui. Jovair é um aliado de valor: teria cobrado R$ 4 milhões apenas para apoiar a recondução ao cargo do presidente da Agência Goiana de Meio Ambiente. Quem veiculou a denúncia? É até engraçado, mas foi a Veja! Isso mesmo, Veja desceu o cacete no deputado em 2012, quando considerava que isso prejudicava o governo do PT. Disse a revista na ocasião: “Num documento de 24 páginas assinado e entregue formalmente ao Ministério Público em dezembro passado, ele diz que, quando estava de saída da agência ambiental, ouviu uma proposta nada ortodoxa: Jovair, a quem caberia indicar o novo presidente do órgão, pediu 4 milhões de reais para apoiar sua recondução. ‘O deputado queria R$ 4 milhões para que o infraescrito fosse indicado para continuar na titularidade do órgão público’, escreveu”. Está tudo no link aqui, mas como Jovair agora é da famiglia dos Civita, não se sabe até quando estará no ar.

O crime contra o país acontece em clima de farra no Congresso –e numa escalada fascista sem precedentes na sociedade de nas ruas.

Farra para Cunha e os seus.

E que farra. A Procuradoria Geral da República (PGR), na denúncia apresentada ao Supremo contra Cunha em 4 de março de 2016 apresentou a vida de sultão de Cunha ao país (não, ao país não, porque a Globo e suas congêneres de menor expressão preferiram silenciar sobre o que você lerá a seguir pois, afinal, o pedalinho era mais importante). A expressão “vida de sultão” foi um preciso achado da reportagem de El País sobre a denúncia da Procuradoria –leia aqui e, se quiser, clique no link logo no início da reportagem para ter acesso à íntegra da peça da PGR).

Os números são dignos de um sultão mesmo, é só ir à denúncia, ler e deixar o queixo cair:

Virada de 2012/2013 – Em nove dias, numa viagem a Miami para a passagem de ano (entre 28 de dezembro e 5 de janeiro) Cunha, mulher e filha torraram R$ 170 mil. Isso mesmo! Mais de R$ 18 mil por dia (a cada dia ele gastou mais do que o salário mensal de um parlamentar à época, de R$ 17.794,76). Em Miami, a gastança foi antológica. Tudo em nove dias (a seguir apenas alguns exemplos dos gastos): almoço e jantar em restaurantes em Miami Beach em 28 de dezembro pela bagatela de R$ 7.500; uma refeição para celebrar o início de 2013 com a família no restaurante Prime Italian, em 01 de janeiro, no valor de R$ 6 mil; outras contas de valor similar em diversos restaurantes; apenas no dia 29 de dezembro, R$ 24.520 em comprinhas na Saks e na Salvatore Ferragamo. Mas não foi suficiente. Em 2 de janeiro, mais comprinhas, agora na Giorgio Armani e Ermenegildo Zegna, duas das grifes mais requintadas do planeta, somando outros R$ 20.504. Parece mentira, não é? Mas tudo registrado nos cartões de crédito do futuro “capo” do impeachment.

2013 estava apenas começando – em fevereiro, depois do festival Miami, Cunha, que não é de ferro, foi a Nova York. O ritmo não se reduziu. Entre 9 e 12 daquele mês, a PGR flagrou gastos de R$ 36.732 entre hotel, restaurantes e as grifes preferidas de Cunha. O atual presidente da Câmara é rápido no gatilho; dia 12 de fevereiro a gastança começou cedinho em NYC e continuou à noite em Zurique, na Suíça (ah, a Suíça): entre a noite de 12 e a manhã do dia 15 de fevereiro, a conta ficou em R$ 18.716. Mas não foi tudo: na noite de 15 de fevereiro, lá estava ele sentado à mesa do Le Grand Vefour, em Paris, para uma refeição de R$ 9.984. No dia 16, pagou R$ 23.900 de hospedagem no famoso Hotel Crillon, em Paris, cidade onde chegara na véspera! Fevereiro acabara, mas em março a festa precisava continuar: no dia 25, pagou uma conta de R$ 12.288 no Hotel W. Barcelona, na cidade do mesmo nome. Não há distâncias nem limites para Cunha: em 20 de junho, lá estava ele no restaurante Russkiy Ampir, em São Petesburgo (Rússia): conta de mais de R$ 12 mil. Este foi o padrão em 2013, que se repetiu em setembro, de novo em Nova York.

Os sapatos de Cunha – o presidente da Câmara gosta de conforto para os pés. Parece que estava adivinhando que seria eleito presidente da Casa e tratou de cuidar dos pezinhos. Em setembro de 2013, em Nova York, torrou R$ 32.464 na loja de sapatos masculinos Pravda Abbigliamento. Isto em apenas uma compra de sapatos. Podemos imaginar que Cunha não parou por aí, mas os documentos da PGR não alcançam outras aquisições de lotes de sapatos. Mas grifes como Zegna e Ferragamo, suas preferidas, têm linhas de calçados que não devem ter escapado ao seu interesse.

2014 – Cunha não parava -e não parou até hoje. Atravessou o Atlântico já em janeiro de 2014 para continuar a festança com o seu dinheiro em Paris. No dia 12, pagou uma conta de quase R$ 40 mil reais no Hotel Meurice, na Cidade Luz, sem contar as comprinhas de sempre. Em março, já estava em Roma, logo depois em Veneza e Florença –entre 2 e 7 daquele mês, lá se foram mais R$ 37 mil só em hotéis, algo como R$ 6.200 de diárias. Como Cunha não é de ferro, não custava nada (para ele) uma esticadinha à terrinha. Dia 8 de março lá estava o comandante das forças contra a corrupção em Cascais, porque afinal em Portugal é tudo mais barato, não é? Mais R$ 9.472 em dois dias de hospedagem no Grande Real Villa Hotel (quase uma pechincha para o deputado, que pagara diárias superiores a R$ 6 mil apenas dois dias antes na Itália!). Não, não acabou. Em abril, o sultão certamente sentiu-se em casa: mais R$ 23.708 no hotel Burj Al Arab, em Abu Dabi.

2015 – Até o início do último ano, Cunha não era ainda presidente da Câmara. A eleição, em 1 de fevereiro de 2015, não constrangeu o sultão. Lá estava ele, 15 dias depois de sua eleição, cuidando de renovar o guarda roupa em Paris. Uma conta de mais de R$ 32 mil reais na Textiles Astrum France. Hospedagem? Nada de monotonia. O Crillon, em 2013, e o Meurice, em 2014, não estavam à altura do terceiro homem na linha sucessória: era chegada a hora do Plaza Athenee! Cinco noites por R$ 63.520 (quase R$ 13 mil a diária). Era preciso mesmo celebrar, e de novo na terrinha, mais uma conta de quase R$ 6 mil reais por uma refeição no restaurante Os Arcos, em Paço D’Arcos e de novo no Grande Real Villa Hotel, em Cascais (ele gostou!): mais R$ 11.700.

A singeleza da mulher de Cunha, Cláudia – nada de listas extensas. Só os destaques. Em 2014: em Paris, em janeiro, R$ 30.828 na Chanel e mais R$ 16.736 na Charvet Place Vêndome (só os destaques, lembre-se); em Roma, em março, R$ 17.988,00; em Lisboa, também em março, outros R$ 14.144 na Louis Vuitton; e, claro, Dubai –R$ 15.196 na Chanel. Os destaques de 2014 (só os “high lights”!) somaram quase R$ 100 mil reais em roupas, sapatos e bolsas. Chanel é sempre Chanel: pra a grife, quase a metade, R$ 46.024. Importante mencionar duas compras de 2015 porque, afinal, o maridão estava eleito presidente da Câmara e era preciso caprichar e pensar nele; na favorita Charvet Place Vêndome com suas opções para homens e mulheres, R$ 26.148; e mais R$ 6.704 em gravatas na Hermès pra Cunha fazer bonito presidindo a Câmara. Tudo em fevereiro, um mês de compras pra família Cunha (junto com março, setembro, outubro, dezembro e janeiro compõem o semestre dourado dos cunhas anualmente).

A filhinha Danielle e suas delícias – a lista é enorme e tá cansando, começa a ficar monótono. Mas vale o registro que moçinha não deixou barato. Da extensa lista de Danielle, três que merecem realce: em janeiro de 2014, enquanto papai e mamãe passeavam na Europa, ela gastou quase R$ 21 mil na Chanel, em Nova York; mais R$ 20 mil na Neiman Marcus em Orlando, em abril do mesmo ano; e mais R$ 18.508 na Fendi em Nova York –afinal, Europa é pra velhos, não é?

Cunha gasta com um sultão. É o sonho de todos os manifestantes dos domingos na Paulista, das matilhas fascistas, dos pequenos, médios empresários e até alguns grandes empresários, dos parlamentares e jornalistas a serviço do golpe: querem todos gastar como sultões. Por isso Cunha desperta uma relação mal escondida de inveja e admiração: pois ele de verdade gasta como um sultão.

É um sultão que presta serviço ao ódio dos que desejam ser sultões como ele, mas, sobretudo, preferem a morte a ver um país em que os ricos tenham de abrir mão de parte de sua fortuna para que os pobres possam viver com dignidade. Preferem a morte a ter de abrir mão de farras como a de Cunha -ou do “direito” de sonhar com elas.

Não há solução para o escândalo da presença de Cunha à frente da Câmara no interior do próprio Congresso –sua bancada é a maior da Casa. Só há duas soluções possíveis para o caso Cunha no âmbito da democracia: as ruas ou o Judiciário.

Cunha é o que é. A imprensa faz de conta que não vê o meio bilhão do sultão e sua máquina de fazer bancada. Prefere cuidar dos pedalinhos do torneiro mecânico.

O golpe em marcha, entre centenas de milhões de reais, ódio, farra e um condutor: o sultão.

Publicado  no Caminhopracasa e Jornalistas Livres 

Na folha de pagamentos da Odebrecht está quase toda a república brasileira. Não estão Lula nem Dilma

por KATHLEEN GOMES/ Publico/ Portugal

 

O drama da política brasileira virou uma tragédia na quarta-feira com a divulgação de uma longa lista de pagamentos feitos a mais de 200 figuras de mais de 20 partidos pela maior construtora brasileira, a Odebrecht, envolvida no escândalo de corrupção da Petrobras. A Polícia Federal apreendeu dezenas de folhas de cálculo na casa do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Júnior – que era também um dos principais interlocutores do presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, na atribuição de doações financeiras a campanhas eleitorais –, que contêm duas centenas de nomes de todo o espectro político associados a montantes financeiros.

É uma lista “ecuménica”, como descreveu o jornal Folha de S. Paulo: estão lá ministros do governo, líderes da oposição, senadores, deputado, governadores, presidentes de câmara. Estão o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, também do PMDB. Estão o ex-ministro da Casa Civil e chefe de gabinete da Presidente Dilma Rousseff, Jaques Wagner, e o adversário de Dilma nas últimas eleições presidenciais, de 2014, Aécio Neves, do PSDB. Estão “petistas” (militantes do PT, o partido do governo) como o senador Lindbergh Farias e “tucanos” (militantes do PSDB) como José Serra. Estão o ex-Presidente brasileiro José Sarney, do PMDB, os actuais presidentes de câmara de São Paulo (Fernando Haddad) e Rio de Janeiro (Eduardo Paes), próximos do governo, o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, um adversário do governo, e pelo menos oito deputados que integram a comissão que vai avaliar o processo de impeachment (destituição) contra Dilma no Congresso. A lista é tão extensa que o Jornal Nacional da Globo, o principal noticiário da televisão brasileira, declarou, quarta-feira à noite, que não ia referir nome algum para não ser selectivo e que não teria tempo para divulgá-la por inteiro…

Quem não está na lista: nem Dilma, que corre o risco de perder a presidência no próximo mês, nem o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no último mês foi o principal alvo da Operação Lava Jato. Primeiro, foi levado de casa pela polícia para depor como se fosse ser preso; depois viu as suas conversas telefónicas, que estavam sob escuta por ordem judicial, serem divulgadas publicamente pelo juiz Sérgio Moro; e foi impedido de assumir o cargo de ministro do governo por causa das investigações em curso, apesar de não estar formalmente incriminado.

Do ponto de vista político, a actuação da Lava Jato, notam analistas brasileiros, tem estado sobretudo focada na relação entre a corrupção praticada dentro da companhia estatal Petrobras e o partido do governo, o PT. A revelação da lista da Odebrecht tem o potencial de ampliar as investigações para outros políticos e partidos, nota Thiago Bottino, professor de direito penal na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro. Ela teve um efeito imediato em Brasília: segundo a Folha, os documentos circularam por todo o Congresso na quarta-feira, e os deputados tentavam verificar se o seu nome estava na lista, ou o dos seus adversários.

A divulgação da lista pela imprensa ocorreu um dia depois de se ficar a saber que a Odebrecht tinha um departamento de contabilidade paralela que se dedicava a pagamentos ilícitos – por outras palavras, subornos. Não é claro se os valores atribuídos a cada nome são doações legais para campanhas eleitorais ou pagamentos ilícitos, ou ambos. As construtoras envolvidas no escândalo da Petrobras são as maiores financiadoras de campanhas eleitorais no Brasil. Horas depois de os documentos circularem, aparentemente sem a sua autorização, o juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, decretou que fossem colocados em segredo de justiça, afirmando, em despacho, ser “prematura” qualquer conclusão sobre a natureza dos pagamentos e lembrando que a Odebrecht realizou diversas doações eleitorais nos últimos anos. Muitos dos deputados mencionados na lista apressaram-se a dizer que os valores se referem a doações legais para campanhas, que foram declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral. Mas fica por explicar por que é que muitos dos políticos incluídos na lista estão associados a nomes de código ou alcunhas – o que, naturalmente, fez as delícias dos caricaturistas brasileiros. Uma pequena amostra: “Caranguejo”, “Drácula”, “Nervosinho”, “Viagra”, “Múmia”, “Colorido”… No departamento de “subornos” mantido pela Odebrecht, os beneficiários também eram mencionados por alcunhas, de forma a dificultar a sua identificação por terceiros.

O juiz Moro e a indústria da delação mais do que premiada

Em vídeo bomba, advogados enfrentam Moro em audiência da Lava Jato e o acusam de conduzir um processo ilegal

Advogados acusam Moro de conduzir um processo ilegal

 

De O Cafezinho, via GGN

Uma leitora amiga me manda um vídeo impressionante, que traz os advogados de Fernando Soares, um dos réus da Lava Jato, protestando veementemente contra as artimanhas do Ministério Público e do juiz Sergio Moro para enganar a defesa e manipular o processo.

A cena do vídeo é uma sala da 2ª Vara Federal de Curitiba, e os personagens principais são Sergio Moro, dois advogados de defesa, e um procurador que não aparece no vídeo.

Em determinado momento, um dos procuradores ofende o advogado, falando em chicana. Joaquim Barbosa, realmente, fez escola.

O advogado, porém, responde à altura.

São dois advogados. O segundo a falar é Nelio Machado, um dos maiores criminalistas do país, que denuncia: nunca, diz ele, em 30 anos de profissão, testemunhei um desrespeito tão gritante à Constituição e ao direito da defesa.

Machado falou que até mesmo a Constituição do Estado Novo, de inspiração fascista, trazia garantias na lei que respeitavam a defesa dos réus, garantias estas que Sergio Moro tem agredido sistematicamente, com vistas a promover, sabe-se lá com que intenções, um circo midiático-judicial.

(Sobre Nélio Machado, ler esse post, do professor Rogério Dultra).

Talvez Moro tenha intenção de seguir o exemplo de Ayres Brito e escrever o prefácio do próximo livro de Merval Pereira, e ganhar uma sinecura de luxo no Instituto Innovare, da Globo.

Machado explica ainda ao procurador mal educado e ignorante que o Ministério Público, segundo a Constituição cidadã de 88, tem como dever auxiliar a justiça. O procurador não é um justiceiro cuja função é apenas acusar. Sua função não é ver o réu como um “inimigo” a ser esmagado a qualquer custo. Não. Sua função, assim como a do advogado, é a de defender a lei.

“Não existe hierarquia entre advogado e Ministério Público, ambos são auxiliares da lei”, ensinou Machado.

O vídeo é uma bomba.

É notório, no vídeo, que Sergio Moro não atua como magistrado, mas como um rancoroso beleguim, um verdadeiro inimigo do réu e dos advogados de defesa, imitando o estilo Joaquim Barbosa.

Emblemático que ambos, Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, tenham ganho o prêmio Faz Diferença da Globo. Quer dizer, prêmio não. Propina. O prêmio Faz Diferença deveria ser encarado como propina e os magistrados que o recebem deveriam ser acusados de corrupção, porque é um prêmio que vale mais que dinheiro. Com esse prêmio em mãos, os magistrados podem ganhar dinheiro como celebridades políticas, fazendo palestras pagas com dinheiro público, como está fazendo, sem nenhuma vergonha, Joaquim Barbosa.

Qualquer um pode ganhar prêmio: políticos, empresários, artistas. Juiz não. Juiz não deve ganhar nenhum prêmio. O que ele faz é um dever público, uma obrigação, pela qual recebe os maiores salários e as maiores regalias oferecidas pelo contribuinte a um servidor: almoço, transporte, habitação até roupa grátis, longas férias anuais.

Por tudo isso, juízes tem de ser sérios, moderados e justos. Nunca devem se deixar levar por pressões de mídia e jamais devem se portar como acusadores ou inimigos dos réus.

A outra notícia bombástica é um regaste de uma informação publicada, ano passado, num dos blogs da Carta Capital.

O post confirma uma denúncia que já fizemos aqui, com base num depoimento de Roberto Bertholdo, advogado condenado na 2ª Vara Criminal de Curitiba, onde atua Sergio Moro.

Segundo consta em matéria da Folha de 11 de março de 2006, Bertholdo declarou que seria “condenado por um esquema montado na 2ª Vara Federal Criminal, que criou a ‘indústria da delação premiada’. Segundo ele, Youssef entregou doleiros no Brasil inteiro e se apropriou de seus clientes.”

Eu gostaria de saber: nenhum jornal jamais quis saber a validade dessa denúncia? Que indústria da delação é essa? E que história é essa de que o esquema foi montado dentro da 2ª Vara Federal Criminal, a mesma onde atuava e atua Sergio Moro?

Não vale falar que Bertholo é um condenado. Se a voz de Youssef é ouvida pela justiça, pelo ministério público e pela imprensa, porque não ouvir Bertholo?

A matéria publicada num dos blogs da Carta Capital, o blog do Serapião, confirma a denúncia de Bertholdo.

Youssef delatou os principais doleiros do país, por ocasião da “delação premiada” que lhe foi oferecida por Moro e pelos mesmos procuradores que hoje integram esta conspiração judicial em que se transformou a Lava Jato.

O doleiro vem operando, há tempos, como o personagem da série Black List, estrelada por James Spader: manipulando a delação para jogar o Estado contra seus inimigos e concorrentes, e beneficiar a si mesmo.

O “prêmio” que Youssef obteve, após suas primeiras delações, feitas em 2003, para o mesmo Sergio Moro, não foi uma mera redução de pena. Foi muito mais! Youssef tornou-se o maior doleiro do país, e ampliou suas conexões ilegais com figuras estratégicas da elite política.

É incrível que depois de ter feito isso, Youssef ainda tenha credibilidade na mídia e lhe seja oferecida novamente o privilégio da delação premiada, pelo mesmo Sergio Moro e pelos mesmos procuradores!

A indústria da delação premiada não só dá lucro como parece ser intocável! O sujeito delata seus concorrentes, conta um porção de mentiras à justiça, é solto, volta a roubar, agora na condição de maior doleiro do país, e se torna um heroi da mídia, sendo paparicado novamente por um juiz supostamente vingador e procuradores midiáticos (os mesmos da primeira delação!), e tudo porque aceita representar, com seu imenso talento para manipulação e a mentira, o papel de pivô de uma conspiração judicial.

A Lava Jato é uma repetição grotesca do que aconteceu na Ação Penal 470, e traz vários personagens repetidos, a começar por Sergio Moro, que escreveu o texto fascistoide com o qual Rosa Weber condenou Dirceu: aquele que traz uma frase que resumirá toda uma era de arbítrios midiático-judiciais: “Não tenho provas contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura assim me permite”.

Crédito do vídeo: Nilton Araújo. O original, mais longo, foi publicado no site Consultor Jurídico. Veja aqui

Moro debocha da deficiência física e Gilmar Mendes chama Lula de bêbado

Quando o ministro Gilmar Mendes chama Lula de bêbado, e seu partidário juiz Sergio Moro prefere o epíteto de aleijado, ficam escancarados o sectarismo, o fanatismo e o ódio dos dois polêmicos e exibicionistas magistrados, que deveriam alegar suspeição para julgar os petistas.

Hoje a imprensa noticia que o pai “de Sérgio Moro foi um dos fundadores do PSDB em Maringá Paraná e egresso dos quadros da ARENA, partido político que apoiava a Ditadura”.

Acrescenta Paulo Muzell: Sergio Moro, “religioso ao extremo, mãe carola. Idolatrava o pai, falecido em 2005, um professor muito respeitado, homem conservador, apoiador da ditadura, fundador e militante do PSDB de Maringá, que foi formado majoritariamente por quadros egressos da ARENA. O próprio Moro recentemente prestigiou um evento promovido pelo PSDB em companhia de João Dória. Sua esposa trabalhou como assessora jurídica do gabinete do governador José Richa (PSDB do Paraná)”.

Publica o portal Brasil 247:

Segundo o jornalista Ricardo Noblat, o juiz Sergio Moro se refere ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ‘Nine’, numa alusão a seus ‘nove dedos’; qualificar alguém em razão de uma deficiência física, como fez Ronaldo Caiado, com a camisa ‘Basta’, nas manifestações de março e abril deste ano, é uma atitude fascista; segundo Noblat, Moro ‘tem a esperanca’ de pegar o ex-presidente Lula; delatado por Alberto Youssef como dono de uma diretoria em Furnas que pagava mensalão de US$ 100 mil/mês a parlamentares no governo FHC, o senador Aécio Neves não foi atingido pela Lava Jato; Lula está na mira

 

Não é de hoje que os críticos mais rasos do ex-presidente Lula recorrem ao fato de ele ter um dedo a menos na mão esquerda (em decorrência de um acidente quando era torneiro mecânico) para tentar diminuir sua capacidade. A atitude, de caráter nitidamente preconceituoso, estaria sendo replicada pelo juiz Sérgio Moro (segundo o jornalista Ricardo Noblat), responsável pela operação Lava Jato, que investiga a corrupção em contratos de empreiteiras com a Petrobras. De acordo com Noblat, em seu Twitter, Moro se refere ao petista como “Nine” – nove em inglês -, quando está entre amigos. “Tem esperança de pegá-lo”, afirma o colunista de O Globo, em referência à fase mais recente da operação, que prendeu Marcelo Odebrecht, empreiteiro próximo de Lula.

Caso a afirmação de Noblat não seja rapidamente desmentida por Moro, ficará escancarada a intenção política do magistrado que comanda os rumos da Lava Jato. Neste fim de semana, todos os veículos da imprensa familiar – Folha, Veja e afins – dão como certo que o próximo passo da operação é tentar criar uma vinculação com Lula, para assim prendê-lo, o que traria consequências político-eleitorais muito negativas para ele e para o seu partido, o PT. Mas como esperar correção, imparcialidade e respeito nas investigações e decisões de um juiz que se refere a um ex-presidente da República não pelo nome, mas por uma vocativo fascista?

Ao chamar Lula de “Nine”, Moro se aproxima de políticos da extrema-direita brasileira, como Ronaldo Caiado, do DEM, que, nos protestos do início deste ano, vestiu uma camisa que trazia uma mão com quatro dedos sujas de petróleo acompanhadas da expressão “Basta”. A atitude reprovável de Caiado, que foi duramente criticado por tal indecência, não pode ser repetida por um magistrado responsável pelo julgamento de um processo que envolve políticos e empresários.

A forma pejorativa como faria referência ao ex-presidente guarda ainda outros significados. Além de demonstrar a posição adversa ao político e ao partido que ele lidera, tal atitude reforça a informação de Moro ignorou realmente trecho da delação do doleiro Alberto Youssef, que acusou o senador Aécio Neves (presidente nacional do PSDB e candidato derrotado a presidente no ano passado) como dono de uma diretoria em Furnas que pagava mensalão de US$ 100 mil/mês a parlamentares no governo tucano de FHC.