Governo paralelo do Espírito Santo tem “general”

BRA^ES_AT O governo paralelo do Espíirito Santo tem até general. Nunca pegam o %22governador%22

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Globo: Jabor “palhaço” da casa, não deve ser levado a sério

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O Ano que Mudou Nossas Vidas

por Luiz Carlos Azenha

Era recém-chegado de ser correspondente da emissora em Nova York. Fui o repórter destacado para cobrir o candidato tucano Geraldo Alckmin durante a campanha de 2006. Ouvi, na redação de São Paulo, diretamente do então editor de economia do Jornal Nacional, Marco Aurélio Mello, que tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser “esquecidas”– tirar o pé, foi a frase — porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula.

Vi colegas, como Mariana Kotscho e Cecília Negrão, reclamando que a cobertura da emissora nas eleições presidenciais não era imparcial.

Um importante repórter da emissora ligava para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, dizendo que a Globo pretendia entregar a eleição para o tucano Geraldo Alckmin. Ouvi o telefonema. Mais tarde, instado pelo próprio ministro, confirmei o que era também minha impressão.

Pessoalmente, tive uma reportagem potencialmente danosa para o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, censurada. A reportagem dava conta de que Serra, enquanto ministro, tinha autorizado a maior parte das doações irregulares de ambulâncias a prefeituras.

Quando uma produtora localizou no interior de Minas Gerais o ex-assessor do ministro da Saúde Serra, Platão Fischer-Puller, que poderia esclarecer aspectos obscuros sobre a gestão do ministro no governo FHC, ela foi desencorajada a perseguí-lo, enquanto todos os recursos da emissora foram destinados a denunciar o contador do PT Delúbio Soares e o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, este posteriormente absolvido de todas as acusações.

Tive reportagem sobre Carlinhos Cachoeira — muito mais tarde revelado como fonte da revista Veja para escândalos do governo Lula — ‘deslocada’ de telejornal mais nobre da emissora para o Bom Dia Brasil, como pode atestar o então editor Marco Aurélio Mello.

Num episódio específico, fui perseguido na redação por um feitor munido de um rádio de comunicação com o qual falava diretamente com o Rio de Janeiro: tratava-se de obter minha assinatura para um abaixo-assinado em apoio a Ali Kamel sobre a cobertura das eleições de 2006.

Considero que isso caracteriza assédio moral, já que o beneficiado pelo abaixo-assinado era chefe e poderia promover ou prejudicar subordinados de acordo com a adesão.

Argumentei, então, que o comentarista de política da Globo, Arnaldo Jabor, havia dito em plena campanha eleitoral que Lula era comparável ao ditador da Coréia do Norte, Kim Il-Sung, e que não acreditava ser essa postura compatível com a suposta imparcialidade da emissora. Resposta do editor, que hoje ocupa importante cargo na hierarquia da Globo: Jabor era o “palhaço” da casa, não deveria ser levado a sério.

No dia do primeiro turno das eleições, alertado por colega, ouvi uma gravação entre o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno e um grupo de jornalistas, na qual eles combinavam como deveria ser feito o vazamento das fotos do dinheiro que teria sido usado pelo PT para comprar um dossiê contra o candidato Serra.

Achei o assunto relevante e reproduzi uma transcrição — confesso, defeituosa pela pressa – no Viomundo.

Fui advertido por telefone pelo atual chefão da Globo, Carlos Henrique Schroeder, de que não deveria ter revelado em meu blog pessoal, hospedado na Globo.com, informações levantadas durante meu trabalho como repórter da emissora.

Contestei: a gravação, em minha opinião, era jornalisticamente relevante para o entendimento de todo o contexto do vazamento, que se deu exatamente na véspera do primeiro turno.

Enojado com o que havia testemunhado ao longo de 2006, inclusive com a represália exercida contra colegas — dentre os quais Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e Carlos Dornelles — e interessado especialmente em conhecer o mundo da blogosfera — pedi antecipadamente a rescisão de meu contrato com a emissora, na qual ganhava salário de alto executivo, com mais de um ano de antecedência, assumindo o compromisso de não trabalhar para outra emissora antes do vencimento do contrato pelo qual já não recebia salário.

Ou seja, fiz isso apesar dos grandes danos para minha carreira profissional e meu sustento pessoal.
Apesar das mentiras, ilações e tentativas de assassinato de caráter, perpretradas pelo jornal O Globo* e colunistas associados de Veja, friso: sempre vivi de meu salário. Este site sempre foi mantido graças a meu próprio salário de jornalista-trabalhador.

O objetivo do Viomundo sempre foi o de defender o interesse público e os movimentos sociais, sub-representados na mídia corporativa. Declaramos oficialmente: não recebemos patrocínio de governos ou empresas públicas ou estatais, ao contrário da Folha, de O Globo ou do Estadão. Nem do governo federal, nem de governos estaduais ou municipais.

Porém, para tudo existe um limite. A ação que me foi movida pela TV Globo (nominalmente por Ali Kamel) me custou R$ 30 mil reais em honorários advocatícios.

Fora o que eventualmente terei de gastar para derrotá-la. Agora, pensem comigo: qual é o limite das Organizações Globo para gastar com advogados?

Sou arrimo de família: sustento mãe, irmão, ajudo irmã, filhas e mantenho este site graças a dinheiro de meu próprio bolso e da valiosa colaboração gratuita de milhares de leitores.

Cheguei ao extremo de meu limite financeiro, o que obviamente não é o caso das Organizações Globo, que concentram pelo menos 50% de todas as verbas publicitárias do Brasil, com o equivalente poder político, midiático e lobístico.

Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão — entre outros que teriam se beneficiado do regime de força — houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento e Pasquim.

Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual.

E, por mais que isso me doa profundamente no coração e na alma, devo admitir que perdemos. Não no campo político, mas no financeiro. Perdi. Ali Kamel e a Globo venceram. Calaram, pelo bolso, o Viomundo.

Estou certo de que meus queridíssimos leitores e apoiadores encontrarão alternativas à altura. O certo é que as Organizações Globo, uma das maiores empresas de jornalismo do mundo, nominalmente representadas aqui por Ali Kamel, mais uma vez impuseram seu monopólio informativo ao Brasil.

Eu os vejo por aí.

PS do Viomundo: Vem aí um livro escrito por mim com Rodrigo Vianna, Marco Aurelio Mello e outras testemunhas — identificadas ou não — narrando os bastidores da cobertura da eleição presidencial de 2006 na Globo, além de retratar tudo o que vocês testemunharam pessoalmente em 2010 e 2012.

PS do Viomundo 2: *Descreverei detalhadamente, em breve, como O Globo e associados tentaram praticar comigo o tradicional assassinato de caráter da mídia corporativa brasileira.

A Campanha Difamatória sobre o Pobre Kamel

por Luiz Carlos Azenha

justiça imprensa jornalista

Ali Kamel, o nem todo poderoso diretor da Central Globo de Jornalismo, venceu mais uma.
Fui condenado a pagar a ele a indenização de 30 mil reais por uma suposta “campanha difamatória”. O poderosíssimo Viomundo difamou uma das maiores empresas de comunicação do mundo! Cabe recurso e, obviamente, o dr. Cesar Kloury vai recorrer.

Kamel bate um recorde: 4 vitórias em 4 ações na primeira instância da Justiça carioca. Alguém tem dúvida sobre o resultado dos processos que ele também move contra Luís Nassif e o sr. Cloaca? Nem o Barcelona tem esse aproveitamento!

O fulcro da decisão judicial é de que ele teria sido citado em 28 postagens do Viomundo, que existe desde 2004. Só a versão mais recente do site tem 8.140 post publicados. Ou seja, Ali Kamel foi mencionado em 0,0034% dos posts aqui publicados, na suposta “campanha difamatória”.

Em um trecho da sentença, segundo o Portal Imprensa, a magistrada afirma que eu “teria elaborado uma série de criticas contra matérias publicadas pelos diversos veículos de comunicação vinculados às Organizações Globo, atribuindo-lhe [Nota do Viomundo: Ao Kamel] a responsabilidade pelo conteúdo editorial”.

Para a juíza, segundo o Consultor Jurídico, a vinculação de Ali Kamel com a linha editorial dos meios de comunicação da Globo é uma “falsa afirmação” (grifo meu), já que ele está subordinado a superiores hierárquicos e a empresa possui um Conselho Editorial composto pelos editores dos diversos veículos do grupo, incluindo Kamel.

Em outras palavras, descobriram que o Ali Kamel não manda na Globo, apenas psicografa as ordens do dr. Roberto. A recente ascensão dele ao cargo de diretor da Central Globo de Jornalismo foi apenas uma coincidência.

Ex e atuais funcionários da Globo: sobre o poder de Kamel, é tudo imaginação da parte de vocês!
Ali Kamel processou Rodrigo Vianna por causa de uma piada. Processou Marco Aurélio Mello por uma obra de ficção. E a mim por atribuir a ele poder que não tem. Porém, como ex-profissionais que atuamos nos bastidores da TV Globo, nas coberturas mais importantes, subordinados diretamente a ele, sabemos muito bem o que ele fez no verão passado.

Foi apenas por acaso, assim, à toa, que pedi a rescisão antecipada de meu contrato com a TV Globo, onde ganhava salário de executivo, com mais de um ano de antecipação. Não queria associar meu nome à falta de poder do Ali Kamel.

Em minha opinião, o texto definitivo sobre as represálias da Globo contra blogueiros, que se deram todas depois das eleições de 2010, foi escrito por Miguel do Rosário, aqui, quando da condenação de Rodrigo Vianna. Um trecho:
É inacreditável que o diretor de jornalismo da empresa que comete todo o tipo de abuso contra a democracia, contra a dignidade humana, a empresa que se empenha dia e noite para denegrir a imagem do Brasil, aqui e no exterior, cujos métodos de jornalismo fazem os crimes de Ruport Murdoch parecerem estrepolias de uma criança mimada, pretenda processar um blogueiro por causa de um chiste!
PS do Viomundo: Obrigado a todos os que manifestaram solidariedade. É o que nos dá força. A sentença abre uma possibilidade jurídica interessante: queremos a ata do Conselho Editorial da Globo que decidiu pela cobertura da bolinha de papel, por exemplo!

O verdadeiro simbolismo do ovo de Páscoa

ovo páscoa Madalena Jesus comércio SS
A febre consumista deturpa o simbolismo cristão do ovo de Páscoa.

Não vou teorizar. Vejamos primeiramente os símbolos:

In Dicionário de Hans Biedermann:
“De modo geral, o ovo é visto como símbolo de um embrião primordial, do qual mais tarde surgiu o mundo. (…) No âmbito cristão há a comparação entre Cristo, que ressurge da tumba, e o pintainho, que sai da casca; a cor branca da casca simboliza a pureza, a perfeição (…). Muitos costumes de fundo simbólico possuem o ovo, como por exemplo o simbolismo primaveril do ovo de Páscoa como signo do despertar da fertilidade natural, mas também associado com a já mencionada comparação com a ressurreição”.

Ainda Biedermann:
A lebre (ou coelho) “sua prolificidade e disponibilidade para a cópula fazem dela símbolo da lascívia, enquanto uma lebre branca, representada aos pés da Virgem Maria, expressaria a vitória sobre a `carnicidade`. O `coelho da Páscoa´, associado ao símbolo da fecundidade do ovo, desempenha um papel significativo no antigo hábito das festas primaveris da Europa Central”.

Poderia citar outros dicionários famosos: de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, de Juan-Eduardo Cirlot, mas a explicação vem dos Evangelhos Apócrifos, que são narrativas simples da vida de Cristo, possivelmente mais próximos do gosto e da crença do povo.

O ovo da Páscoa origina-se de um encontro casual de Maria Madalena com Pilatos. Por uma motivação diferente, de provar “a face eterna do feminino”, esse encontro é interpretado por Nancy Qualls-Corbett in A Prostituta Sagrada.

Que fique bem esclarecido que nos Evangelhos aparecem três Marias de Madalena (Magdala, local de origem). Assim como Jesus é chamado de Nazaré.

Maria Madalena discípula amada por Jesus não era prostituta, isso foi invencionice do papado.

Escreve Nancy: “Há mitos que representam a capacidade de Maria Madalena de operar milagres. Diz-se de quando ela viu e falou a Cristo ressuscitado, pois crê-se que ela foi a primeira a vê-lo. Ela saiu correndo para contar aos outros discípulos. No caminho, encontrou Pôncio Pilatos, e falou-lhe sobre a maravilhosa novidade. `Prove-o´, disse Pilatos. Naquele momento, passava uma mulher carregando uma cesta com ovos, e Maria Madalena tomou um nas mãos. Quando o ergueu diante de Pilatos, o ovo adquiriu cor vermelho vivo. Como testemunho desse feito lendário, na catedral em Jerusalém que porta seu nome há uma estátua de Maria Madalena segurando o ovo colorido”. 

Retrato de Maria Madalena, em catedral com seu nome, em Jerusalém
Maria Madalena, em catedral com seu nome, em Jerusalém

Ainda Nancy (daí a razão do título do livro A Prostitua Sagrada: “O ovo é muito apropriado nesse contexto, uma vez que é símbolo da nova vida e da capacidade de dar a luz. O ovo colorido é também associado a Astarte, deusa da primavera, de cujo nome nosso termo `Páscoa´ é derivado”.

Disse que não iria aprofundar este relato, que tanto enaltece Madalena. Os apóstolos perguntaram a Cristo: “Por que você a ama mais do que a nós todos?” O Salvador respondeu: “Por que não amo a vocês como amo a ela”.

Para terminar, lembro que o chocolate era considerado a bebida dos deuses indígenas.

Publiquei in meu blogue Jornalismo de Cordel, comunique-se.com, em 9 de abril de 2007

BRA_JVS Páscoa

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O SANTO ESQUIFE DE VELUDO VERMELHO

Procissão do Senhor Morto no Alto da Sé,  Olinda (Foto- Katherine Coutinho: G1)
Procissão do Senhor Morto no Alto da Sé, Olinda (Foto Katherine Coutinho: G1)



O vermelho manto
do Senhor Morto
destaca-lhe o branco
do branco gesso.
As velhas mulheres,
em um compacto luto,
trazem mais que o preto
das grosseiras vestes.
Deploram as feridas
de seculares dores:
as doenças incuráveis,
os maridos ausentes,
os filhos desempregados,
as filhas envelhecendo
solteiras e estéreis.

As velhas carpideiras
cantadeiras de excelência,
na cadência das matracas
macabras e agourentas,
jogam as últimas
desfalecidas esperanças
aos pés exangues do Santo Defunto,
por conta da crença
de que basta tocar
as rosas do esquife
para que todos os pedidos
sejam atendidos.

O santificável clima de morte
não comove o Morto,
insondável, no caixão
forrado de veludo.
O Morto não escuta
as repetidas lamúrias
das árvores ressequidas,
entorpecido pelo cheiro
acre-doce dos cravos,
do incenso e das velas
eternamente acesas.
O Morto não escuta
o sacerdote bater,
três vezes, o missal no púlpito.
O Morto não escuta
o sacerdote bater
com os pés o chão,
lembrando o tremor de terra,
o trovão na escuridão,
o desamparo extremo
de um corpo na cruz.


Talis Andrade, in livro Romance do Emparedado