Arquivo da categoria ‘Violência urbana’

incitação

 

Exemplos de incitação ao crime:

pedir o retorno da ditadura,
defender uma intervenção militar,
propagar um golpe, que levará o Brasil a uma guerra interna.

A pena de detenção deve ser bem maior. Que uma guerra civil mata milhares de pessoas.

Pedir a intervenção de um exército estrangeiro é crime de traição à Pátria.

O que aconteceu de novo, na política, nestes cem dias de governo de Dilma?

Os tucanos e aliados, derrotados no primeiro e segundo turnos, elegeram Eduardo Cunha presidente da Câmara dos Deputados. E desejam o impeachment de Dilma, por atos e fatos debatidos na campanha eleitoral, e julgados pelo povo nas urnas.

Toda ditadura mata a Liberdade, a Democracia, a Fraternidade.

Por uma justiça social, por uma polícia social, por um governo do povo, pelo povo, para o povo, nunca mais ditadura.

A tortura é um crime hediondo. Tortura nunca mais.
Nunca mais tirania. Nem colonialismo.
Independência ou Morte!

Repressão, censura, porões.
Resistência, greves, guerrilhas, movimentos culturais.
A ascensão e declínio do regime, em obras importantes do cinema brasileiro.
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51 filmes para conhecer a fundo a ditadura.
O terror de 21 anos de escuridão.
Eis alguns cartazes

zuzu

pra-frente-brasil

perdao mister fiel

O dia que durou 21 anos

memórias de chumbo

jango_10

em-teu-nome-cartaz

batismo de sangue

Sempre fez parte da campanha de combate a dengue não guardar água em balde.

Com a seca na Região Metropolitana de São Paulo, a recomendação passou a não existir.

A verdade verdadeira é que o governador de São Paulo até hoje nega o racionamento no serviço de abastecimento de água.

 Ali Divandari

Ali Divandari

E quando é verão, e quando falta água, a dengue se transforma em uma epidemia. E mortal epidemia.

De repente a imprensa parou de informar sobre a dengue em São Paulo.

Mas Carlos Tramontina furou a censura. O apresentador do telejornal SPTV – 2ª edição, da TV Globo, informou através de sua página no Facebook que está com dengue e, portanto, ficará longe do trabalho por uma semana.

“Meus amigos, o mosquito me pegou. Estou em casa, muito bem, me recuperando da dengue. Repito, estou bem. Na semana que vem eu volto. A gente se encontra. Abraços.”, escreveu em post na rede social.

Tramontina está devendo uma reportagem sobre a dengue em São Paulo.

Em Recife, para outro exemplo, são inimagináveis as seguintes cenas de combate ao mosquito noutras cidades brasileiras:

combate-dengue

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1 COMBATE A DENGUE

Nos três principais jornais do País, Globo, Folha e Estado de S. Paulo, a imagem de destaque é a briga entre militantes do PT e um simpatizante do impeachment; tumulto ocorreu no Rio de Janeiro, antes do ato em defesa da Petrobras e do modelo de partilha no pré-sal; no mesmo dia, foi divulgado o vídeo dos insultos ao ex-ministro Guido Mantega, que foi expulso do hospital Albert Einstein; clima de radicalização política, com a criminalização do PT estimulada por meios de comunicação, intoxica o ambiente e cria condições para novas agressões; dia 15 de março, data em que estão agendados protestos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, promete mais violência

sem paz

Léo Bueno: Qual é a diferença entre isso e as brigas de torcidas organizadas? É a hipocrisia. A grande imprensa critica as absurdinhas torcidas, porque elas são, oh, tão más, ao passo que fomenta essa intolerância dizendo “a culpa não é minha”.

Fábio José de Mello: É, Léo Bueno, nós estamos no trecho há alguns anos. Não sei quanto ao amigo, mas não me lembro de um momento político tão violento.

Léo Bueno: Não, também não lembro. Meus pais viveram um momento ainda pior, mas eu ainda não tinha nascido. O que me apavora é não sentir que as pessoas que têm o papel de zelar pelo estado de direito estejam apegadas a ele.

Fábio José de Mello: Sim, tudo muito tímido. Mas tem também uma maioria silenciosa que está só de olho no movimento. Quero só ver a hora em que o ovo da serpente eclodir. E ele vai eclodir.

Léo Bueno: Mas é uma luta contra gente de muito, muito dinheiro.

Fábio José de Mello: E contra interesses transnacionais… Lembrando: no blood for oil!

Isaías Gomes de Lima: COISA FEIA! O PIOR É QUE AS PESSOAS VÃO SE ACOSTUMANDO A VER COMO ALGO NATURAL!!! JÁ VI ESSE FILME… HÁ MAIS DE 30 ANOS VI COISAS ASSIM…

INTOLERÂNCIA POLÍTICA PODE ATIRAR O BRASIL NO ABISMO

247 – Nos três principais jornais do País, Folha de S. Paulo, Globo e Estado de S. Paulo, a cena de destaque é a mesma: o confronto, ocorrido na tarde de ontem, entre militantes do PT e simpatizantes do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O episódio ocorreu no Rio de Janeiro, pouco antes do ato em defesa da Petrobras e do modelo de partilha do pré-sal, em que o ex-presidente Lula afirmou: “Eu quero paz e democracia, mas se eles querem guerra, eu sei lutar também” (saiba mais aqui).

As imagens estampadas nos três jornais prometem acirrar ainda mais os ânimos.

Eis a legenda da Folha: BRUTALIDADE – Em ato da CUT e do PT em defesa da Petrobras perto da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio, petista agride homem que pedia o impeachment de Dilma.

Legenda do Estado: Pancadaria no Rio – Em ato de petroleiros no Rio, que teve agressões entre manifestantes, o ex-presidente Lula disse que Dilma Rousseff ‘não pode ficar dando trela’ sobre as investigações na Petrobras e ‘tem de levantar a cabeça’.

Legenda do Globo: Intolerância – Homens com camisa do PT partem para a briga com manifestantes que pedem a saída de Dilma em frente à ABI, no Rio, onde aliados do governo fizeram ato.

A intolerância denunciada pelo Globo tem sido estimulada pela política de criminalização do PT, estimulada pelos meios de comunicação – em especial pelos veículos da família Marinho.

Resultado disso foi a agressão sofrida pelo ministro Guido Mantega, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, de onde foi expulso aos gritos de ‘vai pra Cuba’ e ‘filho da puta’ (leia mais aqui).

Aonde isso vai parar, ninguém sabe. Mas as imagens de ontem, estampadas nos jornais de hoje, certamente elevarão a temperatura do dia 15 de março, dia em que estão previstos protestos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“É como se vivêssemos numa sociedade completamente polarizada, na Espanha da Guerra Civil”, avalia Milton Lahuerta, professor da Unesp, em declaração ao jornal Estado de S. Paulo. “Estamos vivendo um momento de acirramento do debate político, decorrente de um processo eleitoral que terminou mas parece continuar”, afirmou Marco Antonio Teixeira, professor da FGV.

 

 

Marcado para morrer pela polícia petista. Enderson Araújo no bairro de Sussuarana, periferia de Salvador, onde mora

Marcado para morrer pela polícia petista. Enderson Araújo no bairro de Sussuarana, periferia de Salvador, onde mora

 

O editor-chefe do blog Mídia Periférica, Enderson Araújo, denunciou abusos de policiais militares na Bahia, sofreu ameaças e deixou Salvador. Marcado para morrer, ele está em local desconhecido.

Araújo foi abordado por um policial militar ao sair de uma padaria no último dia 9. “Ele disse que era melhor eu segurar o dedo e parar de escrever porque ficaria sem segurança”. Para o ativista em direitos humanos, a ameaça foi motivada por uma matéria dele publicada no site de CartaCapital sobre recentes ações da Polícia Militar (PM) em Salvador, que deixaram 15 jovens negros mortos em três dias.

Na madrugada do último dia 6, a PM matou 12 jovens no bairro do Cabula, em Salvador. A polícia matou dois jovens no bairro de Cosme de Farias no dia seguinte (7) e mais um jovem no bairro Sussuarana, onde Araújo vive, no dia 8.

O blogueiro também publicou um vídeo em que policiais ordenavam a dois jovens que tirassem a roupa para facilitar a revista durante a operação em Sussuarana. “O vídeo e a matéria [publicados] em um veículo de circulação nacional como a CartaCapital, questionando os métodos da PM, irritaram alguns policiais.”

PM da Bahia: humilha e mata

PM da Bahia: humilha e mata

A Polícia Militar da Bahia alega que em todos os casos houve resistência à abordagem e parte dos mortos tinha passagem por roubo, tráfico de drogas, posse de explosivos e de armas de alto calibre. Movimentos sociais questionam a versão e alegam que a maioria dos mortos é jovem, pobre e inocente. A maioria deles sequer tinha passagem pela polícia e, apesar da versão de “troca de tiros”, nenhum policial foi morto ou ferido nas ações.

Araújo acionou a Superintendência de Direitos Humanos da Bahia e o governo federal, por meio da Secretaria Nacional de Juventude e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Ele recebeu a oferta de entrar no programa de proteção a testemunhas, mas recusou a proposta. “Não posso abandonar meu trabalho de militância e de articulação. Se entrasse nesse tipo de programa, seria silenciado para sempre.”

O Ministério Público Federal está acompanhando as investigações. Araújo defende uma perícia externa dos corpos. “A Polícia Militar da Bahia já fez uma perícia, mas o ideal seria que o governo federal entrasse na investigação”, alega. Até agora o único caso de ameaça explícita ocorreu com Araújo, mas o blogueiro acredita que vários ativistas foram coagidos. “A polícia monitora as redes sociais e os telefones dos ativistas. Certamente, mais pessoas foram acuadas nos últimos dias, mas não denunciaram por medo.”

A presidenta do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra da Bahia, Vilma Reis, cobra que a PM baiana investigue a ameaça ao blogueiro de forma imparcial. “Coações como essas são inaceitáveis no Estado Democrático de Direito. O serviço de inteligência da polícia tem de funcionar para investigar a polícia”, diz.

Vilma relata que as mães dos jovens mortos no bairro do Cabula ouviram provocações de policiais durante manifestação na última quinta-feira (12). “Agentes se infiltraram no protesto e insultavam as mães. Tivemos de pedir ao comandante [da operação] que retirasse os agentes do meio da manifestação para evitar um confronto.”

Durante o trajeto manifestantes foram xingados e ameaçados pelos policiais.  Foto Rafael Bonifácio/ Ponte Jornalismo

Durante o trajeto manifestantes foram xingados e ameaçados pelos policiais. Foto Rafael Bonifácio/ Ponte Jornalismo

O secretário nacional de Juventude, Gabriel Medina, diz que o governo federal, embora não esteja oficialmente envolvido na investigação, está monitorando o caso. “É importante ressaltar que, enquanto a investigação não acabar, não estão confirmadas as chacinas porque a Polícia Militar alega auto de resistência. Estamos em contato permanente com a rede de ativistas, aguardando o desenrolar da história, e o Conanda [Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente] soltou uma nota expressando a preocupação com as mortes em Salvador.”

A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar da Bahia, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem. A superintendente de Direitos Humanos do estado, Anhamona de Brito, disse que, recentemente, esteve com Araújo e ouviu seus relatos sobre as ameaças.

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Leia

A Bahia está mergulhada num mar de sangue 

Comunidade protesta contra chacina no Cabula, em Salvador. PM intimida

 

Enderson Araújo entrevista Lula

Enderson Araújo entrevista Lula

 

Das polícias estaduais violentas, as ameaças de morte para jornalistas. Confira links.

O Brasil viveu 21 anos de ditadura militar. E as polícias estaduais continuam torturando e matando, porque comandadas por governadores tiranos ou frouxos.

O chato que, no noticiário internacional, a presidente Dilma é quem aparece como culpada que, certos governadores de m. não são citados pelos correspondentes estrangeiros. São nomes inexpressivos, provincianos, chinfrins.

É o caso do governador da Bahia

Chacina do Cabula: blogueiro é ameaçado

….

por Wellton Máximo/ Agência Brasil

O editor-chefe do blog Mídia Periférica, Enderson Araújo, denunciou abusos de policiais militares na Bahia, sofreu ameaças e deixou Salvador, alegando temer pela própria vida. Ele está em local desconhecido. A Superintendência de Direitos Humanos da Bahia e a Secretaria Nacional de Juventude acompanham o caso.

Araújo diz ter sido abordado por um policial militar ao sair de uma padaria no último dia 9. “Ele disse que era melhor eu segurar o dedo e parar de escrever porque ficaria sem segurança”, recorda. Para o ativista em direitos humanos, a ameaça foi motivada por uma matéria dele publicada na revista Carta Capital sobre recentes ações da Polícia Militar (PM) em Salvador, que deixaram 15 jovens negros mortos em três dias.

Na madrugada do último dia 6, a PM matou 12 jovens no bairro do Cabula, em Salvador, após uma troca de tiros. A polícia matou dois jovens no bairro de Cosme de Farias no dia seguinte (7) e mais um jovem no bairro Sussuarana, onde Araújo vive, no dia 8. O blogueiro também publicou um vídeo em que policiais ordenavam a dois jovens que tirassem a roupa para facilitar a revista durante a operação em Sussuarana. “O vídeo e a matéria [publicados] em um veículo de circulação nacional, questionando os métodos da PM, irritaram alguns policiais.”

por Aganju Shakur JiJaga

(Fotografia- Morgana Damásio. A foto foi tirada na II Marcha (Inter)Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro, organizada pela Campanha Reaja ou será mort@ Foto

 II Marcha (Inter)Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro, organizada pela Campanha Reaja ou Será Mort@ Foto Morgana Damásio

Arão de Paula Santos, 23 anos, Luan Lucas Vieira de Oliveira, 20, Elenilson Santana da Conceição, 22, são três, dos treze jovens negros executados sumariamente por policiais militares da Rondesp em uma operação policial na madrugada da última sexta feira (06/02/2015) em Salvador-BA. Não foram um, dois, muito menos seis. São 13 jovens executados pela política de segurança pública genocida do governo democrático popular (PT) agora sobre o comando do Governador Ruí Costa.

A Chacina do Cabula ratifica os dados lançados recentemente pelo Índice de Homicídios na Adolescência, em que a Bahia é o segundo Estado brasileiro com maior concentração de assassinatos de jovens entre 12 e 18 anos. Ou mesmo as estatísticas levantadas pelo Mapa da Violência (2014) que apontam que o Brasil é o país que mais mata NEGROS no mundo. Além, é claro, dos dados dos próprios policias. Os Anuários da Segurança Pública (2012-2014) assinalam que a polícia da Bahia é a que mais matou em termos relativos em todo Brasil.
O Estado brasileiro é o país que mais mata negros/as no mundo e têm na policia da Bahia o principal agente impulsionador do aspecto mais manifesto do Genocídio do Povo Negro: o extermínio sistemático de jovens negros. Se a vida é bem mais que a luta de classes, como já disse Hamilton Cardoso, nós da Campanha Reaja ou Será Morta/o temos demonstrado nos últimos 10 anos que nossas mortes são bem mais que estatísticas: é política racial de Estado. Sendo assim, a Chacina dos 13 releva aspectos conjunturais e estratégicos da luta política Contra o Genocídio do Povo Negro.

Do ponto de vista conjuntural a atuação letal da Rondesp é reflexo de uma política de segurança pública pautada em uma lógica genocida, que coloca a instituição policial como um instrumento belicista a serviço do Estado e coordenado pelos partidos políticos, que tem o único e claro objetivo de abater o inimigo interno da nação: negros/as. É um fato inconteste que esse aspecto genocida da política de segurança pública na Bahia toma uma nova dimensão durante a gestão do governo democrático popular do Partido dos Trabalhadores (2006-2015), que vem nos últimos anos, através da atuação de “forças policiais especiais”, como a Rondesp (Salvador), Peto (Recôncavo) e Caatinga (Sertão da Bahia), tornando-se um Partido que se especializou tecnicamente e logisticamente em capturar e abater negros/as.

De fato a polícia da Bahia não tem nada a aprender com o Bope. Chacina para essa corja é sinônimo de trabalho bem feito, medalha de honra e declaração de apoio do secretário de segurança pública Maurício Barbosa, que em entrevista disse em alto e bom som sobre a chacina: “A resposta é essa. O estado tem que atuar de forma enérgica no combate a criminalidade e ao crime organizado. Defendo muito a vida dos meus policiais, o que importa é a vida dos policiais e da sociedade” (Mauricio Barbosa, em entrevista ao Jornal A Tarde).

Em perfeito consenso com às declarações do Secretário de Segurança pública foram às afirmações em entrevista coletiva do então Governador da Bahia Ruí Costa (PT):
“É como um artilheiro em frente a um gol, que tem que decidir em alguns segundos como é para colocar a bola para fazer um gol. Depois que a jogada termina, todos os torcedores da arquibancada, se foi feito o gol vai dizer que fez um golaço e vai repetir várias vezes na televisão. Se o gol foi perdido, o artilheiro vai ser condenado, se tivesse chutasse desse ou daquele jeito teria entrada”, afirmou o governador. Segundo ele, no entanto, a polícia deve agir como determina a legislação. “A polícia, assim como manda a constituição e a lei, tem que definir a cada momento, e nem sempre é fácil fazer isso. Qual o limite de energia e de força? Tem que ter a frieza necessária e a calma necessária e a escolha muitas vezes não resta muito tempo. São alguns segundos que nós temos para decisão”. (Entrevista coletiva)

No discurso do governo democrático popular as vidas de negros/as são comparadas a um jogo. O jogo do baralho do crime. O jogo dos contêineres utilizados para “estocar” presos. O jogo das operações lombrosianas: Saneamento I e Quilombo II. E agora um jogo de futebol onde faz mais gols quem mata mais preto. A Rondesp é o artilheiro em campo e o PT é o grande técnico e cartola dessa seleção da morte. A guerra arrasada contra as comunidades negras ganha um novo no hall na recente gestão do Governador Rui Costa, que já avisou que vai sentar o aço nos pretos favelados.

De fato as declarações do Governador não nos choca. Como já havíamos afirmado durante o ano eleitoral, esquerda e direita no Brasil possuem uma matriz racial-cultural comum, alicerçada no racismo e na consolidação de uma política de governabilidade da morte negra.

Rui Costa, desde o começo de sua campanha deixou bem claro para que veio, defendendo a pena de morte legal e apoiando senador que discursou a favor da prisão perpetua e redução da maioridade penal.

Não sem, é claro, o apoio político de um setor majoritário do Movimento Negro, a turma do “voto negro consciente” que mesmo lambendo muito saco dos supremacistas brancos de esquerda, perderam o lobe da “promoção da igualdade racial” e tiveram que engolir guela abaixo uma composição ministerial majoritariamente de homens brancos e uma SEPROMI hegemonizada por um grupo político que historicamente nunca pautou a questão racial.
Como é de costume, o governo, a polícia e a mídia tá botando tudo na conta do tráfico. Em nota o comando da polícia militar disse:

A Polícia Militar da Bahia esclarece que, na madruga desta sexta-feira (6), por volta das 2h40, policiais da Rondesp-Central receberam, via Centel, uma informação levantada através do Serviço de Inteligência da SSP, que um grupo suspeito composto por cerca de 30 pessoas planejava arrombar uma agência bancária na Estrada das Barreiras. Durante a diligência, a guarnição encontrou um veículo abandonado naquela região. Ao realizar a verificação da ocorrência, perceberam que os bandidos, cerca de 30 homens, estavam escondidos em uma baixada. Os policiais foram recebidos a tiros, e, neste momento, um sargento foi atingindo de raspão na cabeça. Em defesa, os PMs reagiram e atingiram 15 homens. Onze baleados morreram no local, três formam socorridos para o Hospital Roberto Santos e passaram por cirurgia, e um não corre risco de morte. O sargento da PM foi socorrido, medicado e liberado. Com os criminosos foram encontradas 16 armas, muitas de calibre restrito com carregadores alongados, e farta quantidade de droga (Nota da polícia militar).

A farsa se revela a todo o momento. De acordo fotos divulgadas pelos próprios policiais, os jovens tiveram os corpos perfurados pelos projeteis da Rondesp nas costas e cabeça, um forte indício de execução sumária. Também vários moradores, familiares e amigos já relataram que os jovens foram enfileirados nas viaturas e assassinados como cães. E a tese do comando da polícia militar de que ocorreria uma tentativa de roubo a caixas eletrônicos é uma grande piada, não precisa ser especialista em segurança, ladrão ou ter lido Manual do Guerrilheiro urbano, para saber que essas ideias não batem.

Na Bahia a morte negra é pensada politicamente pelo Partido dos Trabalhadores e gerida pela secretaria de segurança pública, que protege e justifica a matança desenfreada de negros/as, a partir de uma lógica de governabilidade alicerçada no racismo, colonialismo e no supremacismo branco de esquerda. Nós não somos a “sociedade”, somos menos que bichos, ou mesmo escravos, nós somos o inimigo a ser eliminado.

Ato Público contra Violência Policial dos Grupos de Extermínio e Desaparecimentos Forçados

Violência Policial. Ato público contra os Grupos de Extermínio e Desaparecimentos Forçados

No que concerne aspectos estratégicos da luta contra o genocídio do povo negro, a Cachina na Estrada das Barreiras também nos diz muito. Há 10 anos a Campanha reaja abriu caminho na (re)construção de uma política racial baseada nos princípios da ação direta nas ruas, no trabalho comunitário permanente em favelas, vilas, malocas, quilombos, cadeias e no enfrentamento direto e centralizado ao Genocídio do Povo Negro. Não Genocídio da população negra, muitos menos, genocídio da juventude negra. A luta política em curso é civilizacional e diz respeito à luta de libertação nacional de um Povo encarcerado em território hostil. Somos uma tradição radical de luta negra. Temos uma cultura política própria. Temos um modus operandi característico. Nós temos nossos marcos históricos e não é nenhum segredo que nos referenciamos no Black Party Panther, somos panteristas, nós acreditamos que PODER NEGRO é, sobretudo, autonomia e dignidade.

Estamos apontando para estruturação de um movimento social de maioria negra, que construa uma plataforma pan-africanista de enfrentamento ao Genocídio do Povo Negro, especialmente em seus aspectos mais manifestos: o extermínio sistemático de jovens negros e o encarceramento em massa do povo negro. Não somos sabidinhos, pelo contrário, nós instituímos a má educação na política racial. E é um fato latente que somos um perigo para elite política negra que, durante os últimos 12 anos, tem se sustentado na governabilidade supremacista branca de esquerda, através do silêncio e colaboração com o genocídio negro em curso. Esse grupo é nosso maior entrave organizacional, fizeram escola e tem muito menino/a nova geração 2000, de turbante, batinha da hora e textinho gringo trilhando o mesmo caminho, muitos escondendo-se entre nós. Não inimigos, muito menos aliados.

Ato Público contra Violência Policial. Ato público contra os Grupos de Extermínio e Desaparecimentos Forçados

Violência Policial. Ato público contra os Grupos de Extermínio e Desaparecimentos Forçados

Não foram três, quatro, seis, ou 10, foram 13 jovens negros executados pela Rondesp na estrada das barreiras. Não vai ter charge de Latuff, muito menos texto “polêmico” de Sakamoto. Aqui é Bahia disgraça! Sem massagem e solidariedade com os pretos da Bahia. Não vai ter campanha: Somos Todos Estrada das Barreiras, ou mesmo, passeatas como em Ferguson. No entanto, mesmo a turma da “promoção da igualdade” fingindo que não vê e os afrocentados preocupados em terminar o próximo capítulo do Dra. Karenga, por aqui, quando os policias matam pretos como baratas em nossas comunidades, se queima ônibus e barricadas são levantadas todas as semanas – Não tá no face, muito menos na TV.

Nós respeitamos as barricadas. Respeitamos os ônibus incendiados. É entre o ônibus incendiado e o choro das mães que estamos consolidando nossa tradição radical de luta negra. Pelas vielas, morros e becos a trilha sonora do levante negro bate alto nos alto falantes dos tabletes.
Aganju Shakur JiJaga, articulador da Campanha Reaja ou Será Morta/o
Cachoeira-BA, Fevereiro de 2015

 

Revista