Pinheirinho de Sartori não é o Egito. Mulher brutalmente agredida lança onda de revolta

por Paula Cosme Pinto

As imagens são brutais. Uma mulher é arrastada no chão por militares, que lhe aplicam bastonadas e pontapés. O peito, já semi desnudo, é golpeado com toda a violência. No fim, descarregado o ódio, há um soldado que hesita por uma fração de segundos, quando os colegas seguem em busca de outros manifestantes, e cobre o ventre despido da mulher com o que sobra do seu casaco.

Egito
Egito

Estas imagens, e outras de violentas agressões a mulheres que se manifestavam este fim de semana no Cairo, foram captadas em vídeo e estão a correr mundo levantando ondas de indignação. Não que as agressões a mulheres nesta luta contra a repressão no mundo árabe sejam novidade. Mas, desta vez, as imagens são um testemunho da violência desmedida aplicada, sem dó nem piedade, pelos militares.

O Conselho Supremo das Forças Armadas disse “lamentar profundamente” o sucedido. Um dos membros do conselho militar, o general Adil Emara, afirmou depois que as agressões a mulheres foram um “incidente isolado”. Hipocrisia, meus senhores, é a única palavra que me ocorre.

“A nossa honra é inviolável”

E, pelos vistos, não foi só a mim. Contra todas as expectativas do mundo ocidental (e do próprio mundo árabe, diria eu), as mulheres egípcias saíram mais uma vez à rua para deixar clara um mensagem: “A nossa honra é inviolável”.

Mais de duas mil mulheres manifestaram-se ontem contra a violência das autoridades nos confrontos, que já se prolongam há cinco dias e que já fizeram 13 mortos. E fizeram-no com e sem burqa. Já uma vez o disse por aqui, mas volto a dizer: para mim, estas são verdadeiras mulheres-coragem. Tal como Aliaa Elmahdy , que publicou fotos suas nua, em protesto contra a violência, o racismo e o sexismo árabe.

Todas as mulheres que se atrevem a sair da redoma de uma sociedade de extremos, onde as mulheres ainda estão – e estarão – muito abaixo dos homens nos seus direitos, merecem um aplauso. Mulheres que, tal como disse ontem Hillary Clinton, foram “humilhadas nas mesmas ruas onde arriscaram a vida pela revolução”. E é por elas, e pelos seus gritos de revolta, que divulgo aqui estas imagens. Incómodas, é certo. Mas que o mundo não pode ver e ficar, simplesmente, indiferente:

ATENÇÃO: imagens com elevado grau de violência

Veja vídeo e galeria de fotos

Pinheirinho, Brasil
Pinheirinho, Brasil

Na destruição de Canudos, digo de Pinheirinho, a justiça PPV apenas permitiu a entrada dos repórteres da Globo, conhecidos espias dos sem terra e dos sem teto.

Mas sobram testemunhais de mulheres que foram espancadas e baleadas. Inclusive o relato do martírio de uma criança de colo. Uma investigação internacional já!

O mito do Brasil cordial não engana mais. É um país que metade da população tem uma rendimento mensal inferior a 370 reais. A fome, por si só, já é uma violência.

Vídeo

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Portugal. Ministra pede investigação às rendas dos tribunais

A ministra da Justiça disse hoje numa entrevista que enviou para a Procuradoria-Geral da República os contratos de arrendamento dos tribunais feitos nos moldes das parcerias público-privadas (PPP) que “pareciam indiciar ilicitudes”, estabelecidos pelo anterior governo.

Em entrevista ao “Diário de Notícias”, Paula Teixeira da Cruz refere que as “responsabilidades [sobre o arrendamento dos tribunais] serão apuradas em sede própria”, referindo também que a renegociação que fez de alguns contratos já permitiu ao ministério da Justiça poupar seis milhões de euros.

Em novembro, Paula Teixeira da Cruz, já tinha afirmado que no âmbito da reavaliação dos contratos de arrendamento dos tribunais, feitos nos moldes das parcerias público-privadas (PPP), tudo o que configurasse ilícito criminal seguiria o seu caminho rumo ao Ministério Público.

Gestão adequada

Na mesma altura, a ministra disse estar em condições de garantir ao país que todos os contratos seriam reavaliados e já tinha conseguido reduções substanciais nalgumas rendas.

“Fazer uma gestão patrimonial adequada” foi uma das metas traçadas por Paula Teixeira da Cruz nas declarações que proferiu na altura.

Já pensou o Executivo brasileiro pedir que se investigue os gastos do dinheiro do povo nos tribunais.

Por que dar dinheiro do povo aos banqueiros?

Fernando Henrique inventou o Proer dos bancos. Começou pelo banco das netinhas dele e de Magalhães Pinto.

Apenas para socorrer os bancos estaduais (Proes): R$ 90 bilhões

Revela a Folha: Com os R$ 90 bilhões gastos para cobrir os rombos dos bancos estaduais, o governo poderia:

Aumentar em 4,5 vezes os gastos com saúde pública.

Abrir 300 mil quilômetros de rodovias.

Ainda para a Folha, a ajuda aos bancos privados (Proer)  foi de apenas R$ 20,3 bilhões.

Quem queimou mais dinheiro

A União colocou dinheiro em 32 bancos estaduais. Veja os dez maiores rombos (Valor em bilhões de reais)
Banespa (SP) – R$ 45,5 bilhões
Nossa Caixa Nosso Banco (SP) – R$ 11 bilhões
Banestado (PR) – R$ 5,8 bilhões
Banerj (RJ) – R$ 5,5 bilhões
Bemge (MG) -R$ 2,5 bilhões
Sul Caixa (RS) – R$ 2,3 bilhões
Minas Caixa (MG) – R$ 2,3 bilhões
Besc (SC) – R$ 2,2 bilhões
Bandepe (PE) – R$ 2,2 bilhões
Baneb (BA) -R$ 1,7 bilhões

Com o Proer, o Banco Central cobriu os buracos de bancos privados. Veja as  maiores dívidas (Valor em bilhões de reais)
Nacional– R$ 5.9 bilhões
Econômico -R$ 5,2 bilhões
CEF – R$ 5,0 bilhões
Bamerindus -R$ 2,9 bilhões

Foi muito mais dinheiro. Basta dizer que existem mais bancos socorridos por FHC.

Lula da Silva também teve o Proer dele. Salvou Sílvio Santos, José Ermírio e outros. Por conta da desnacionalização de Fernando Henrique, ajudou bancos e seguradoras estrangeiras. Idem montadoras e latifúndios. Deu carta branca, e o absurdo do perdão antecipado para Meirelles, presidente do Banco Central, realizar as malandragens.

Uma dinheirama que precisa ser auditada. Idem a dívida.

Não esquecer que os rombos bancários viraram processos engavetados pela justiça.

Ocupar Wall Street e o poder constituinte da multidão

por Idelber Avelar

“A primeira verdade é que a liberdade da democracia não estará a salvo se o povo tolerar o crescimento do poder privado até o ponto em que ele se torne mais forte que o próprio estado democrático. Isso é, em essência, o fascismo — a posse do governo por um indivíduo, um grupo ou qualquer outro poder privado que o controle”. Enunciadas nos EUA em qualquer momento das últimas três décadas, estas frases pareceriam de autoria de algum perigoso comunista. Se perguntássemos a um estadunidense médio ou a algum comentarista de mídia quem foi o seu signatário, o mais provável é que ouvíssemos menção a Marx, Stalin, Chomsky ou outro “extremista”. O fato é que essas frases são de autoria de ninguém menos que o mais bem sucedido presidente dos EUA no século XX, Franklin Delano Roosevelt, em mensagem ao Congresso apresentada no dia 29 de abril de 1938. Leia mais

Los desafíos para erradicar el hambre en el mundo

La especulación es una causa importante de los precios altos
Entrevista José Graziano da Silva

– La especulación es, de hecho, una causa importante de los precios altos y extremadamente fluctuantes. Sólo beneficia a los bancos y a los fondos de cobertura, pero no a los productores, procesadores y compradores, y menos que nadie a los consumidores. La FAO sólo puede hacer dos cosas: puede proveer al mercado con datos, estudios y estadísticas para lograr que los mercados sean más transparentes, y puede estimular a los gobiernos a invertir más en agricultura.

– Los países industrializados deberían abrir finalmente sus mercados y eliminar los subsidios en agricultura. No es que sea demasiado optimista al respecto, pero sería la solución correcta.

– Por ejemplo, cuando Estados Unidos decidió terminar con los subsidios para producir etanol en base a maíz, el último verano boreal, el precio del grano cayó inmediatamente. Se sintió en los países pobres, como en América Central, donde el maíz se usa para consumo humano y como alimento del ganado, y también en África del Este, donde el maíz es un alimento básico. La decisión de Estados Unidos tuvo un efecto directo y positivo sobre la situación alimentaria.

– El factor decisivo es el acceso al alimento o a la tierra, de modo tal que la gente pueda comprar o producir comida por sí misma. A nivel mundial, hay suficiente comida para todos, pero para muchos -especialmente los pobres- es sencillamente demasiado cara. Tienen hambre, a pesar de que las estanterías revienten de comida.

– Por medio de programas de transferencia de dinero, desde 2005 aportamos dinero para las familias más pobres de Brasil, México y Colombia con el objetivo de que tengan un ingreso mínimo y puedan alimentarse por sí mismas. Cerca de 120 millones de personas satisficieron sus necesidades básicas de esa manera y sobrevivieron a la primera crisis de alimentos -con su agudo aumento de precios- mejor que en otros países. Debemos continuar con ese tipo de programas, no para reaccionar a las crisis actuales, sino para evitar las futuras.

– Al mismo tiempo, se benefició a los agricultores de forma tal que pudieran vender sus productos en mercados regionales a precios razonables. La agricultura local es el punto crucial. Los que producen regionalmente son menos dependientes de las fluctuaciones cambiarias, la especulación, los costos de transporte e incluso los desastres climáticos. En lugar de comprar leche, azúcar y arroz a costos muy altos en el mercado mundial, los países deberían recurrir a los productos locales. América Central podría dedicarse a los granos, por ejemplo, Chile a la quinua, y así.

– El hambre no es el único problema que tenemos que tratar. El número de personas con sobrepeso también creció a niveles alarmantes. Esas personas están muy desnutridas, pero de una forma diferente. Les faltan minerales esenciales y se enferman. Hasta se mueren. Es hora de que nos ocupemos de ese tema.

– Las personas que ahora compran en los supermercados ni siquiera saben de dónde proviene la comida. No tienen idea de lo que están comiendo. Tener una nutrición adecuada se ha vuelto un problema para la generación joven. ¡Y piense en todas las víctimas de bulimia! La anorexia también es un problema. Todas estas cosas son los desafíos del futuro.

La miseria es violencia

El Banco Mundial define la pobreza como “la inhabilidad para obtener un nivel mínimo de vida”. Probablemente pueda ser inhábil un impedido (un no-vidente, un parapléjico). Pero no lo son poblaciones completas. La imposibilidad de conseguir un nivel mínimo de subsistencia radica, en todo caso, en condiciones que trascienden lo personal. La pobreza creciente que agobia a sectores cada vez mayores en el mundo, la miseria absoluta en que tanta gente vive, no es sólo falta de habilidad para procurarse el sustento; habla, más bien, de un nuevo estilo de marginalidad, consecuencia de estructuras injustas. Habla de relaciones de poder que marginan, que violentan a otros seres humanos.

Es ahí cuando se hace palmariamente evidente que la miseria es una forma de violencia, cruel, despiadada.

Según datos de Naciones Unidas, hoy día en nuestro planeta 1.300 millones de personas viven con menos de un dólar diario; hay 1.000 millones de analfabetos; 1.200 millones viven sin agua potable. El hambre sigue siendo la principal causa de muerte: come en promedio más carne roja un perrito hogareño del Norte que un habitante del Sur. En la sociedad de la información, ahora que pasó a ser una frase casi obligada aquello de “el internet está cambiando nuestras vidas”, 1.000 millones están sin acceso, no ya a internet, sino a energía eléctrica. Hay alrededor de 200 millones de desempleados y ocho de cada diez trabajadores no gozan de protección adecuada y suficiente. Lacras como la esclavitud (¡esclavitud!, en pleno siglo XXI… se habla de casi 30 millones de personas a nivel global), la explotación infantil o el turismo sexual continúan siendo algo frecuente. El derecho sindical ha pasado a ser rémora del pasado. La situación de las mujeres trabajadoras es peor aún: además de todas las explotaciones mencionadas sufren más por su condición de género, siempre expuestas al acoso sexual, con más carga laboral (jornadas fuera y dentro de sus casas), eternamente desvalorizadas. Pero lo más trágico es que, según esos datos, puede verse que  el patrimonio de las 358 personas cuyos activos sobrepasan los 1.000 millones de dólares –selecto grupo que cabe en un Boeing 747, bien alimentados y probablemente también preocupados por esa “lucha contra la pobreza” para la que destinan algunos millones de dólares desde sus fundaciones – supera el ingreso anual combinado de países en los que vive el 45% de la población mundial. Con esos datos en la mano no pueden caber dudas que la situación actual es tremendamente injusta y que la pobreza no tiene más explicación que la mala distribución de la riqueza. No es un destino “instintivo”, definitivamente. Y aunque algunos (Onassis o Maradona, por dar unos ejemplos) hayan salido de pobres proviniendo de estratos humildes, eso no es la regla sino la más radical excepción.

Ahí está la cuestión de fondo: la pobreza no es sino el síntoma visible de una situación de injusticia social de base. En ese sentido “p obreza” significa no ser capaz de controlar la propia vida, ser absolutamente vulnerable a la voluntad de otros, rebajarse para conseguir sus fines propios, empezando por el más elemental de sobrevivir. Junto a ello, la pobreza significa no tener la oportunidad de una vida mejor en el futuro, estar condenado a seguir siendo pobre, con lo que la vida no tiene mayor atractivo más allá de poder asegurar la animalesca sobrevivencia, si es que se logra.

 La miseria en que vive tanta gente no es sino la expresión descarnada de la injustica de fondo en que está basada nuestra sociedad planetaria. Por tanto, luchar contra la pobreza y contra la miseria debe ser una acción dirigida a modificar esa injusticia. No es la miseria el objetivo final de esta lucha, como no lo podrían ser, por ejemplo, los niños de la calle, o la delincuencia juvenil, que son los efectos, las consecuencias. Esos son los síntomas visibles de fenómenos complejos. La lucha ha sido y continúa siendo la lucha por la justicia. Como dijo Joseph Wresinski: “Allí donde hay hombres condenados a vivir en la miseria, los derechos humanos son violados. Unirse para hacerlos respetar es un deber sagrado”. 

 Transcrevi trechos