Festivais comprovam a degeneração da música brasileira

Lollapalooza faz propaganda de grupos políticos ligados à direita estadunidense 

Acontece de 12 a 13 de março de 2016. Já começou a propaganda do festival de música estrangeira no Brasil dos alienados
Acontece de 12 a 13 de março de 2016. Já começou a propaganda do festival de música estrangeira no Brasil dos alienados

Lollapalooza é um festival de música anual composto por gêneros como rock alternativo, heavy metal, punk rock e performances de comédia e danças, além de estandes de artesanato. Também fornece uma plataforma para grupos políticos e sem fins lucrativos. Lollapalooza tem apresentado uma grande variedade de bandas e ajudou a expor e popularizar artistas como, Alice in Chains, Tool, Red Hot Chili Peppers, Pearl Jam, The Cure, Primus, Rage Against the Machine, Soundgarden, Arcade Fire, Nine Inch Nails, Nick Cave, L7, Janes Addiction, X Japan, The Killers, Siouxsie and the Banshees, The Smashing Pumpkins, Muse, Hole, 30 Seconds to Mars, The Strokes, Arctic Monkeys, Foo Fighters, Green Day, Lady Gaga e Fun.

Concebido e criado em 1991 pelo cantor do Jane’s Addiction, Perry Farrell, como uma turnê de despedida para sua banda, o Lollapalooza aconteceu até o ano de 1997 e foi revivido em 2003. Desde a sua criação até 1997 e em seu renascimento em 2003, o festival percorreu a América do Norte. Em 2004, os organizadores do festival decidiram ampliar a permanência do festival para dois dias por cidade, mas a fraca venda de ingressos forçou o cancelamento da turnê de 2004. Em 2005, Farrell e a Agência William Morris fizeram uma parceria com a empresa Capital Sports Entertainment (atual C3 Presents), sediada em Austin, no Texas, e reformularam o festival para o seu formato atual, como um evento fixo em Grant Park, Chicago, Illinois.

Em 2010, foi anunciada a estreia do Lollapalooza no exterior, com um ramo do festival sediado em Santiago, no Chile, em 2 e 3 abril de 2011, onde estabeleceu uma parceria com a empresa chilena Lotus. Em 2011, a empresa Geo Eventos confirmou a primeira versão brasileira do evento, que foi sediada no Jockey Club, em São Paulo nos dias 7 e 8 de abril de 2012. Foi anunciado que o primeiro Festival Lollapalooza será realizado na Europa em setembro de 2015, na capital alemã,Berlim, no histórico aeroporto Tempelhof.

Lollapalooza de 2009 em Chicago
Lollapalooza de 2009 em Chicago

A palavra, algumas vezes pronunciada como lollapalootza ou lalapaloosa, vem dos séculos XIX e XX, de uma expressão americana que significa “uma extraordinária ou incomum coisa, pessoa, ou evento; um exemplo excepcional ou circunstância.” Com o tempo, o termo passou também a um grande pirulito (em inglês lollipop). Farrell, em busca de um nome para seu festival, gostou da sonoridade do termo ao ouvi-lo em um filme dos Três Patetas. Em homenagem ao duplo significado do termo, um personagem no logo original do festival segura um pirulito.

Lolla 2012

Em 1997, no entanto, o conceito Lollapalooza tinha acabado, e em 1998, os esforços não conseguiram encontrar uma banda principal adequada, assim resultando no cancelamento do festival. O cancelamento serviu como um significante declínio da popularidade do rock alternativo. Em meio aos problemas do festival, Spin disse, “Lollapalooza é como um coma para o rock alternativo agora.”

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Morto o festival, apelaram para a ressurreição em países colonizados.

Em 2010, foi anunciado que Lollapalooza iria estrear na América do Sul, com um ramo do festival produzido na capital do Chile, Santiago de 2 a 3 de Abril de 2011. A lineup incluia Kanye West, Jane’s Addiction, 30 Seconds to Mars, The National, Manny and Gil the Latin, The Drums, Los Bunkers,The Killers, Ana Tijoux, Javiera Mena, Fatboy Slim, Deftones, Los Plumabits, Cypress Hill, 311, The Flaming Lips e outros.

Em 2011, foi confirmado a versão brasileira do evento, que foi feita no Jockey Club em São Paulo nos dias 7 e 8 de abril de 2012.

Veja todas as atrações do Lollapalooza 2016 na ordem divulgada pelo festival:
Eminem, Florence + The Machine, Jack Ü, Mumford & Sons, Snoop Dogg, Noel Gallagher, Tame Impala, Alabama Shakes, Zedd, Kaskade, Die Antwoord, Of Monsters and Men, Marina and the Diamonds, Cold War Kids, Odesza, Zeds Dead, Flosstradamus, RL Grime, Emicida, Bad Religion, Walk the Moon, Twenty One Pilots, Halsey, Matanza, Jungle, Marrero, Eagles of Death Metal, A-trak, Seed, Albert Hammond Jr., The Joy Formidable, Gramatik, Maglore, Vintage Trouble, Supercombo, Matthew Koma, Jack Novak, Dônica, Versalle, Groove Delight, Zerb, Karol Conka, The Baggios, Funky Fat, Dingo Bells.

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As onerosas repartições públicas das secretarias e Ministério da Cultura não promovem a música brasileira. Nem os artistas novos. Prefere mega eventos de shows superfaturados dos cantores da TV Globo.

O Lolla mantém outra que é sua principal característica: apostar em grupos não tão conhecidos no Brasil. Entre eles, o mais destacado no line-up é o Mumford & Sons, estreante por aqui. Representantes do novo rock dançante, Walk the Moon e Twenty One Pilots têm em comum o fato de serem do estado americano de Ohio.

É o cantar na língua inglesa. Precisamente no inglês dos Estados Unidos. Que mortos estão os ritmos brasileiros.

o último jogral

No festival são proibidas as músicas de Tom Jobim, João Gilberto,  Chico Buarque, Caetano Veloso, Noel Rosa, Cartola, Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Pixinguinha,  Luiz Gonzaga, Paulinho da Viola. Vinicius de Moraes, Milton Nascimento, Baden Powell, Ary Barroso, Nelson Cavaquinho,
Zé Ramalho, Adoniran Barbosa, Sivuca, Capiba, Nelson Ferreira, Getúlio Cavalcanti, entre outros mil da Pátria Amada Brasil.

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Uma seleção latino-americana de cantos de trabalho para entoar, celebrando, mais que o Dia do Trabalho, o do Trabalhador

O grupo baiano 'As ganhadeiras de Itapuã'
O grupo baiano ‘As ganhadeiras de Itapuã’
Trilha sonora de quem (e para quem) põe a mão na massa

Quem canta, seus males espanta, e se o trabalho está pesado, cantar se faz ainda mais necessário – faz a lida fluir. Os cantos de trabalho são uma manifestação cultural tão antiga quanto o mesmo ato de trabalhar.

Na América Latina, eles sempre acompanharam o trabalhador, da colheita do arroz e do milho à construção de casas e à abertura de estradas, emprestando ritmo e encanto sobretudo às atividades coletivas, como se fossem feitiços hipnóticos. Um efeito próximo da magia.

Do norte do México ao sul da Argentina, os cantos de trabalho nascem no ambiente rural e aí permanecem por muito tempo. Mas as transformações do progresso levam o trabalho dos campos às fábricas e as pessoas da terra ao concreto, sem que a música deixe de acompanhá-los.

Escute aqui. Leia Camila Moraes

Que outros prefeitos sigam o exemplo: SP ganha primeiro prédio de moradia popular para abrigar artistas com mais de 60 anos

Palacete dos Artistas faz parte do projeto da Prefeitura de ocupação do Centro de São Paulo (Foto Olivia Florência/ G1)
Palacete dos Artistas faz parte do projeto da Prefeitura de ocupação do Centro de São Paulo (Foto Olivia Florência/ G1)

Que sejam contemplados todos os artistas. Incluídos os poetas, os escritores, os escultores, os arquitetos, os jornalistas

 

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, inaugurou o edifício Palacete dos Artistas, destinado a moradia popular de artistas com mais de 60 anos e renda familiar de um a três salários mínimos.

Os 50 artistas beneficiados terão que pagar de 10% a 12% da renda mensal deles pelo apartamento. O contrato será renovado a cada quatro anos.

O imóvel permanecerá como propriedade pública. “Uma locação social a um preço bastante módico para permitir que o prédio seja sempre destinado a artistas que dependam de locação”, explicou Haddad.

Os 50 apartamentos são destinados a entidades como Sindicato dos Artistas, Movimento de Moradia dos Artistas e Técnicos, Cooperativa Paulista de Teatro, Associação Cultural de Condomínio dos Artistas e Técnicos, Ordem dos Músicos, Balé Stagium, GARMIC (Grupo de Articulação para Moradia do Idoso da Capital) e Associação Nova Conquista.

A idéia do prefeito Haddad é louvável e exemplar, e outros prefeitos e, inclusive, governadores deviam realizar o mesmo feito, que para isso existem secretarias de Cultura e Habitação em todos os Estados e Municípios.

POETAS MORREM DE FOME NO BRASIL DA DEGRADAÇÃO CULTURAL

O estigma da pobreza dos artistas é universal. Basta lembrar que, na Europa, morreram na miséria os pintores Van Gogh e Modigliani. No Brasil, colonizado Brasil, o índice de leitura é a cara da TV Globo. O índice de leitura dos brasileiros é de quatro livros por ano. Não há como viver de literatura.

Raros os escritores que conseguem viver no Brasil, exclusivamente, da venda de livros. A 14ª edição do reality show Big Brother Brasil, exibida de 14 de janeiro a 1 de abril de 2014, ofereceu um prêmio de R$ 1,5 milhão para o participante vencedor. Um poeta jamais conseguirá tanto dinheiro em toda sua vida de poesia.

Mas a pobreza não é exclusividade de nenhuma arte. E um programa de moradia precisa beneficiar todas as artes. Todas.

In Wikipédia: A numeração das artes refere-se ao hábito de estabelecer números para designar determinadas manifestações artísticas.

1ª Arte – Música (som);
2ª Arte – Dança/Coreografia (movimento);
3ª Arte – Pintura (cor);
4ª Arte – Escultura/Arquitectura (volume);
5ª Arte – Teatro (representação);
6ª Arte – Literatura (palavra);
7ª Arte – Cinema (integra os elementos das artes anteriores)

MORADIA PARA  OS CANTORES DE RÁDIO E TELEVISÃO

Vender 500 mil discos pode render algumas capas de revistas e assédio dos fãs, mas vale lembrar que glamour nem sempre paga contas – nem mesmo o aluguel. Após fazer sucesso entre as décadas de 70 e 80, o cantor Raimundo José volta a sorrir. O motivo não é a música, mas a inauguração do Palacete dos Artistas, um prédio no centro de São Paulo (SP) que foi reformado para ser a casa de 50 artistas com mais de 60 anos, – entre eles, Raimundo.

Localizado na Avenida São João, a poucos metros do cruzamento com a Avenida Ipiranga, o prédio, construído em 1910, era o antigo Hotel Cineasta e estava há anos abandonado. Após um investimento, por parte da Prefeitura, de R$ 8,2 milhões – sendo R$ 4,2 milhões gastos apenas com a desapropriação do edifício – e dois anos de reforma, os apartamentos de 40 metros quadrados estão prontos para serem habitados. Os moradores são músicos, cantores, atores e diretores de teatro com mais de 60 anos, renda de até três salários mínimos e que estejam ligados a entidades como o Sindicato dos Artistas e o Movimento de Moradia dos Artistas e Técnicos.

A Prefeitura possui outros três prédios no centro da cidade, um deles já em reforma, e outros 31 edifícios que estão em processo de desapropriação. “Este é o reencontro da cidade com seu centro histórico”, afirmou o prefeito Fernando Haddad durante a inauguração do Palacete dos Artistas.

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O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, na inauguração do edifício Palacete dos Artistas, em 12 de dezembro de 2014. Fotos Fabio Arantes
O prefeito de São Paulo Fernando Haddad na inauguração do edifício Palacete dos Artistas, em 12 de dezembro de 2014. Fotos Fabio Arantes

O inteligente brasileiro funk & Ariano Suassuna “um velho burro, burro e burro”

RS

 

O que sei de Alex Antunes? Nadinha de nada. Li na internet: “Jornalista, escritor e produtor musical, escreve ou já escreveu para a Rolling Stone, Veja, Folha Ilustrada, Bravo! e outras publicações. Foi diretor de redação das revistas Bizz e Set. Seu livro a Estratégia de Lilith foi adaptado para o cinema, no filme Augustas (em finalização). É estudioso de xamanismo e de rituais de transe”.

Produtor musical sempre usa dinheiro dos governos da União, estados, municípios e empresas estatais e privatizadas. Mais ainda quando faz cinema. Também não sei se é o caso de Alex Antunes.

A abertura de um filme parece mais uma lista de classificados de empresas multinacionais. Todo filme lava mais branco as faturas frias do mecenato brasileiro para desconto no imposto de renda. O Brasil produz assim uma cultura de esquentar faturas numa verdadeira feira e queima de dinheiro público, notadamente de impostos sonegados e vaidades e vaidades.

Passei muitas tardes de domingo, na tranquilidade da Várzea, no Recife, conversando com Francisco Julião, fundador das Ligas Camponesas, no seu velho casarão colonial de senhor de engenho. E questionei suas imunidades, isso antes de 64. E ele me respondeu: “Um líder só deve ser preso quando convém ao movimento”.

Aqui lembro a sabedoria de João Grilo. Graciliano Ramos saiu da cadeia de Vargas para trabalhar no DIP, convidado por Lourival Fontesque, o Goebbels de Getúlio Vargas.

Prestes, o líder máximo do comunismo no Brasil, também saiu da prisão para apoiar a volta de seu carcereiro à presidência.

No Brasil, da última ditadura militar, valeu o ame-o ou deixe-o. E muita gente brincou de exílio como Fernando Henrique. Saia e voltava quando queria. Milhares foram mortos. Principalmente camponeses, operários, negros e índios. E continuam sendo trucidados, principalmente os negros e os índios. Nunca se faz a contagem dos anônimos. Vide lista de desaparecidos, hojemente, no Brasil da ditadura judicial-policial nos Estados.

Os que tentaram a luta armada foram mortos. Escaparam os julgados pela justiça militar. Caso de Dilma Rousseff.

Os que deram uma de João Grilo foram salvos. Nem todos os funcionários do governo de Hitler eram nazistas. Nem todos os funcionários do governo de Stalin eram comunistas. Nem todos os soldados de Israel defendem o genocídio de Gaza.

E para completar, a contribuição do negro escravo na cultura do Brasil foi pequena, e está sendo destruída pela imposição da cultura estadunidense, via gêneros afro-culturais como rock and roll, blues, country, rhythm and blues, jazz, pop, techno, hip hop, soul, funk, inclusive a música religiosa (gospel) divulgada por igrejas Neopentecostais, apoiadas pela CIA e pela ditadura militar, como revide à Teologia da Libertação, apesar de seu criador ser um presbiteriano, o esquecido Rubem Alves, que também faleceu neste fatídico mês de julho de 2014.

“Jornalista e poeta, João Suassuna, pai de Ariano, escrevia para jornais do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Compunha versos e tocava violão, executando música do cancioneiro popular. Apaixonado pelas coisas do Sertão, mesmo quando presidente do Estado, costumava realizar festivais de violeiros em sua residência ou no palácio do governo. Estimulou a publicação de livros, entre os quais o romance A Bagaceira, de José Américo de Almeida, que teve repercussão imediatamente ao seu lançamento”.

Nair de Tefé von Hoonholtz1 (Petrópolis, 10 de junho de 1886 — Rio de Janeiro, 10 de junho de 1981), mais conhecida como Nair de Tefé, foi uma pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. Considerada, por Hermes Lima e por artistas e intelectuais, a primeira caricaturista mulher do mundo. Wikipédia Além disso, Nair de Tefé foi a primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914.
Nair de Tefé von Hoonholtz1 (Petrópolis, 10 de junho de 1886 — Rio de Janeiro, 10 de junho de 1981), mais conhecida como Nair de Tefé, foi uma pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. Considerada, por Hermes Lima e por artistas e intelectuais, a primeira caricaturista mulher do mundo.
Além disso, Nair de Tefé foi a primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914 (Wikipédia)

Também de pele branca, Nair de Tefé, filha de barão e esposa do marechal presidente Hermes da Fonseca, “promovia saraus noutro palácio, o do Catete – o palácio presidencial da época -, que ficaram famosos por introduzir o violão nos salões da sociedade. Sua paixão por música popular reunia amigos para recitais de modinhas.

As interpretações de Catulo da Paixão Cearense fizeram sucesso e, em 1914, incentivaram Nair de Teffé a organizar um recital de lançamento do Corta Jaca, um maxixe composto por Chiquinha Gonzaga (sua amiga). Foram feitos críticas ao governo e retumbantes comentários sobre os ‘escândalos’ no palácio, pela promoção e divulgação de músicas cujas origens estavam nas danças lascivas e vulgares, segundo a concepção da elite social. Levar para o palácio presidencial do Brasil a música popular foi considerado, na época, uma quebra de protocolo, causando polêmica nas altas esferas da sociedade e entre políticos. Rui Barbosa chegou a pronunciar o seguinte discurso no Senado Federal a 7.11.1914:

‘Uma das folhas de ontem estampou em fac-símile o programa de recepção presidencial em que, diante do corpo diplomático, da mais fina sociedade do Rio de Janeiro, aqueles que deviam dar ao país o exemplo das maneiras mais distintas e dos costumes mais reservados elevaram o Corta-jaca à altura de uma instituição social. Mas o Corta-jaca de que eu ouvira falar há muito tempo, o que vem a ser ele, sr. Presidente? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais o Corta-jaca é executado com todas as honras da música de Wagner, e não se quer que a consciência deste país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que a mocidade se ria!”

O que a mulata tem para oferecer no Globeleza e nas escolas de samba?
O que a mulata tem para oferecer no Globeleza e nas escolas de samba?

Não vejo nativismo (os índios eram chamados de negros da terra), negritude, nem brasilidade na Globeleza, nas escolas de samba da TV Globo, na música brega, no funk, nas revistas Rolling Stone, Veja, em Lilith, no monarquista e escravocrata Zambi.

Transcrevo o transe:

Suassuna, velho burro

por Alex Antunes

 

João Grilo e Nossa Senhora
João Grilo e Nossa Senhora

Me perguntei algumas vezes se deveria escrever este texto. Porque o principal que tenho a dizer sobre Ariano Suassuna é que ele era um velho burro e chato. E o homem, como se sabe, acabou de morrer – o que o eleva automaticamente aos píncaros da genialidade e da infalibilidade nos textos que se espalham pela imprensa.

Mau momento para lembrar o seu principal defeito: a profunda e total incompreensão da natureza da cultura pop. Eu tinha desistido de escrever. Mas eis que a televisão de domingo o mostra numa entrevista, atacando, com volúpia e deboche, Michael Jackson e Madonna, além da réplica da estátua da Liberdade na Barra da Tijuca.

Ora, é fácil concordar com ele que a réplica da estátua é um monumento à imbecilidade playba. E que Michael Jackson (esse trecho não passou no domingo) é digno de pena, pela forma como foi explorado e depois massacrado pela mesma indústria cultural.

Mas Suassuna os atacava pelas razões erradas. Não há “superioridade” da cultura brasileira, e em particular da nordestina, sobre a cultura pop internacional. Por uma razão muito simples: o sistema arquetípico sobre o qual elas se constroem é exatamente o mesmo.

A mesma graça que há nos modos e sotaques regionais pode ser vista em expressões culturais globais. A cultura pop é simplesmente o “folclore sintético”. O que está por trás do Batman, do Super Homem, dos filmes policiais negros da blaxploitation ou da Madonna são os mesmíssimos arquétipos que animam os mitos gregos do Monte Olimpo, as lendas dos orixás das religiões africanas ou os arcanos do Tarô.

Não é à toa que Suassuna implicou tanto com os tropicalistas (de maioria baiana) quanto com o manguebeat que surgiu no seu estado de adoção, Pernambuco. Dizia que falaria com Chico se ele tirasse o Science do nome, e que a música da Nação Zumbi era “de quarta categoria”.

Suassuna se irritava porque esses nordestinos decifraram as matrizes em comum que existem na cultura popular brasileira e em qualquer expressão cultural. Ao mesmo tempo em que escapavam do purismo elitista e castrador, propunham uma forma nacional, desinibida e não-colonizada de cultura pop.

Diz uma letra do Mundo Livre SA, “O Ariano e o Africano”, de 1998:
“Há quatro séculos a alma africana tem sido um motor
Da inquietação, da resistência, da transgressão
O negro sempre quis sair do gueto
Fugir da opressão fazendo história
Ganhando o mundo com estilo
E é assim que a alma africana sobrevive com brilho e vigor
Em todo o novo continente o africano foi levado para sofrer no norte e gerou,
entre outras coisas, o jazz, o blues, gospel, soul,
r&b, funk, rock’n’roll
No centro, o suor africano fomentou o mambo, o ska,
o calipso, a rumba, o reggae, dub, ragga,
o merengue e a lambada, dancehall e muito mais
Mas é o ariano que ignora o africano ou
é o africano que ignora o ariano?
E ao sul a inquietude negra fez nascer,
entre outros beats, o bumba, o maracatu, o afoxé,
o xote, o choro, o samba, o baião, o coco, a embolada
Entre outros, os Jacksons e os Ferreiras,
os Pixinguinhas e os Gonzagas,
as Lias, os Silvas e os Moreiras
A alma africana sempre esteve no olho do furacão
Dendê no bacalhau, legítima e generosa transgressão
É Dr. Dre e é maracatu
É hip hop e é Mestre Salu
Mas é o ariano que ignora o africano ou é o
africano que ignora o ariano?”

Ariano Suassuana
Ariano Suassuana

É um flagra perfeito da condição elitista de Suassuna, branco cristão e filho do governador assassinado da Paraíba em 1930, que abraçou concepções culturais marxistas, não para libertar a cultura popular mas, pelo contrário, para mantê-la sob controle.

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Suassuna era um artista inspirado. Surpreendentemente pop, a se julgar, por exemplo, pelo filme e microssérie da Globo “O Auto da Compadecida”. E o seu Movimento Armorial teve grande impacto na cultura pernambucana. Mas fazia sempre a trajetória inversa do tropicalismo, do manguebeat e do modernismo antropofágico – as mais generosas e brasileiras das expressões, exatamente pelo não-purismo.

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Suassuna não aceitava os aspectos bastardos da cultura popular; pelo contrário, queria adensá-la e refiná-la numa expressão erudita. Ou seja, como pensador cultural, era um conservador odioso. Declarava-se “inimigo da colonização e do poder do dinheiro”, mas ele mesmo um colonizador de consciências e um guardião do status quo.

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Não é de se estranhar que Ariano tenha sido membro-fundador, um dos “cardeais” do Conselho Nacional de Cultura. Uma estranha convergência entre intelectuais (inclusive de esquerda) e a ditadura militar entre 1967 e o anos 70, baseada na busca de uma identidade de Brasil com um sentido cívico, tradicionalista e otimista. Foi a experiência no Conselho que impulsionou Suassuna na organização do movimento Armorial em Recife.

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Acontece que o negro, ou qualquer oprimido que busca sua libertação na lida cultural, como bem explica a letra do Mundo Livre, é amigo da eletricidade, da cultura em movimento e reinvenção, da provocação bastarda e dessacralizada, da incorporação e inversão de termos pejorativos (funk, punk, junky, nigga etc) – e não do reconhecimento institucional.

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O momento mais memético de Suassuna na internet é um fruto, bastante humorístico, de seus equívocos. Em suas aulas-espetáculo gostava de contar o causo de um músico punk ou funk que cantou-lhe uma letra. Ela falava de modelos atômicos, dos físicos Rutherford e Bohr, de um cavalo morto e que “fora do buraco tudo é beira”. Naturalmente sua “interpretação” jocosa da tal letra virou um vídeo viral, o “Funk do Suassuna”.

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Reza a lenda que Suassuna se divertiu com a adaptação (parece que com o trocadilho no nome do bloco carnavalesco Arriano Sua Sunga ele já não lidou tão bem). E, mesmo brigado com o manguebeat, chorou copiosamente no velório de Chico Science. Seria essa sua dimensão humana e generosa.

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Mas sua teoria cultural elitista e (anti) popular continua inaceitável. O pior de dois mundos, a convergência da culpa cristã com a marxista. Se Michael Jackson e Madonna são meramente “lixo cultural”, como gostava de dizer de boca cheia, Ariano Suassuna era um velho burro, burro e burro.

 

Os filhos do namora gringo de Huck

Turismo sexual Copa Sexo por Cazo

 

Não sei em que ficou a promoção de Huck para as garotas de programas com gringos, via TV Globo.

A festança da Copa, no Brasil moreno, vai render suas crias nas farras e surubas musicais vendidas por comerciantes da noite, que apenas pensam naquilo… no dinheiro.

Lá da querida Natal, este excelente comentário de um dos maiores jornalistas brasileiros

Huck-twitter

rufianismo

 

 

A MÚSICA QUE PIOROU
por Woden Madruga

Era para escrever sobre a Copa que agora anda sugerindo um novo legado: os meninos que vão nascer em março do ano que vem. Os meninos gerados nos fanfestes e por trás das arquibancadas. Já tem gente associando a futura safra com a dos meninos de olhos azuis do tempo da Segunda Guerra Mundial, os americanos acampados pelos descampados de Ponta Negra, de Parnamirim Field a Miami Beach. Mas aí é preciso de muita sociologia para explicar essas coisas e o tempo é curto e, além do mais, falta quase nada para o começo do jogo. Mas tenho que mandar a coluna antes das três da tarde. E aí, como sempre acontece em tais situações, recorro à velha lição que me foi ensinado por Waldemar Araújo, querido e sempre saudoso mestre do jornalismo: usar a tesoura. Quer dizer: mande para a oficina um recorte de jornal, uma reportagem, um artigo, uma crônica. A edição não pode ser atrasada.

É o que faço, aqui e acolá, quando o tempo não tem mais tempo ou porque o assunto não chega à cabeça, sem falar na ligeira preguiça de todos os dias de quem já passou, com folga, dos setentanos. Mais das vezes também o que se lê em outros jornais (agora favorecidos pela internet) é tão oportuno, tão importante, tão bacana, que acho na obrigação de transcrever neste canto já cinquentão da Tribuna da Norte, presenteando o leitor fiel que, na maioria dos casos, não tem acesso àquelas fontes. Ah, digo comigo mesmo, vou dividir este meu prazer com a galera da Reta Tabajara ou com os convivas do Mestre Gaspar, sem esquecer do amigo Ambrósio Azevedo, meu oráculo de São Paulo do Potengi.

Exatamente o que pensei depois de ler a crônica de Ruy Castro, “Cultura reduzida”, publicada na edição do dia 30, na Folha de S. Paulo. Aliás, o texto deveria ser lido em todas as escolas deste vasto país. Lido e comentado. Lido, inclusive, pelas pessoas que dizem cuidar da cultura de sua terra, do gestor público ao artista de pose e de nariz arrebitado, “moderníssimo”. Bom, o jogo vai começar e já se prepara o som para os hinos do Brasil e da Colômbia. Passo, então, a palavra para Ruy Castro, um dos importantes escritores brasileiros contemporâneos, excepcional biógrafo, craque da crônica:

 

CULTURA REDUZIDA“

”
“Estudo recente, orientado pela cientista americana Nadine Gaab, do Laboratório de Neuociência Cognitiva do Hospital Infantil de Boston (EUA) e publicado pela revista ‘Plos One’, confrontou um grupo de 15 crianças, de 9 a 12 anos, que estavam aprendendo a tocar algum instrumento musical, com outro grupo que não passava por essa experiência.

Os que estudavam música pareceram mais aptos a reter e processar informações, resolver problemas, relacionar-se com os outros e desenvolver a atenção, a concentração e a capacidade motora. Ou seja, levaram vantagem nos testes de funções cognitivas, atividade cerebral e outros. Naturalmente, a música a que a pesquisadora se refere é a que contém seus componentes essenciais – melodia, harmonia e ritmo -, valoriza a beleza e se dirige à inteligência. Nada a ver com Justin Bieber.

Há 50 ou 60 anos, os jovens ouviam toda espécie de ritmos – sambas, baiões, foxes, mambos, fados, boleros, tangos, canções francesas e napolitanas, valsas vienenses, jazz, calipso, rock’n’roll. Sabiam identificar qualquer instrumento que vissem ou ouvissem – distinguiam entre um trompete e um trombone, sabiam escalar a família inteira dos saxes, citavam pelo menos dez variedades de cordas e conheciam a maioria dos instrumentos de uma sinfônica. Aprendíamos com o cinema, o rádio ou nossos pais.

A partir dos anos 70, a vida reduziu a guitarras, teclados e percussão. Os outros instrumentos deixaram de existir. Os ritmos nacionais se evaporam e a música popular ficou igual em toda parte. A educação musical dos garotos empobreceu. E os pais não podem ajudar, porque, já nascidos nesta realidade, seu conhecimento não é muito maior que o dos filhos.

Em breve, estudos como o da dra. Nadine serão impossíveis. Não haverá crianças em quantidade para fazê-los.”

 

MARISA MONTE. Una voz mundial

ENTREVISTA A LA CANTANTE Y COMPOSITORA BRASILEÑA

 

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Por Karina Micheletto

La cantante y compositora brasileña es ejemplo de una envidiable tradición en la cultura de ese país: sus canciones suenan en las telenovelas más populares y, al mismo tiempo, son tan elaboradas como profundas en su contenido. Lo ideal es verla y escucharla. Para eso está Verdade uma ilusao, su último DVD, próximo a ser editado en la Argentina.

 

La entrevista está pactada llamando “al número del estudio” de Marisa Monte. Muy pronto saldrá a la venta en la Argentina Verdade uma ilusao, el DVD que acaba de editarse en Brasil, que registra el concierto que la cantante y compositora dio el año pasado en el Great Hall de Río de Janeiro, el mismo que mostró el año pasado por estas tierras. Esa es, entonces, la excusa para hablar con una de las artistas más originales del Brasil, autora de canciones contundentes en su belleza. El primero que atiende es un contestador muy hogareño, con la voz de una niña: “¡Deje su mensaje!”. ¿Es que Marisa Monte tiene ese estudio en la casa? “Bueno, hoy todo el mundo dice ‘tengo mi estudio’, y lo que tenés es una computadora y un lugar para tocar”, advierte ella. “Con la tecnología todo se ha simplificado mucho. La mayoría de los músicos tienen un equipamiento muy simple, con el que pueden grabar con calidad muy buena. En ese sentido, el avance tecnológico fue muy bueno para nosotros: democratizó los medios de producción”, describe.

Algo del orden de esa simpleza buena transmite la carioca, tanto en la charla como en sus canciones, hechas de melodías pegadizas, estribillos contundentes y letras que van un poco más allá de lo obvio. Marisa Monte es un ejemplo de eso envidiable que ocurre en el Brasil –además de su condición de sede mundialista–: sus canciones suenan en las telenovelas más vistas y, al mismo tiempo, son tan elaboradas como profundas en su contenido. Ahora, por ejemplo, Monte ha decidido apuntar al tema de la verdad: su último disco de estudio, de un par de años atrás, se llamó O que vôcé quer saber de verdade, y ahora ha tomado el nombre de una de las canciones de ese disco, “Verdade uma ilusao”, para llamar al DVD que reúne desde el vivo esas y otras viejas canciones. Un nombre que surge, dice Monte, casi a modo de respuesta.

Más allá de esta edición que próximamente hará aquí Universal, Monte se ha propuesto ya desde el disco anterior aprovechar el costado democratizador de Internet y, por ejemplo, lanzar primero desde allí sus canciones. “Vamos lanzando los videos o las canciones de a uno por día, o cada dos días. Me gusta eso que tienen las redes: han hecho que las distancias entre los músicos y su público sean más cortas. A mí me han ayudado a encontrar un contacto directo con la gente que escucha mis canciones. Y eso es algo que agradezco”, dice.

 

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–Lo suyo parecería ir en contra de la idea misma del disco…

–No es más que oficializar un movimiento que naturalmente ya ocurre, porque cuando uno lanza un disco, o como en este caso un DVD, automáticamente son los mismos fans los que empiezan a subir cosas. Eso es natural, es por otro lado un modo de demostrar interés por tu trabajo, y sería tonto pelearse con eso.

–Pero muchos lo hacen.

–No me parece una estrategia muy inteligente: va contra la realidad. Responde en todo caso a una idea antigua, de cuando la industria estaba en contra de la tecnología. Fue un primer impulso, una primera respuesta, que evidentemente no se ajustó a una realidad que la superó.

–¿Cómo fue gestado este nuevo disco y por qué la decisión de tomar el vivo de este teatro de Río?

–Son muchas mis actuaciones en ese escenario, empecé actuando allí aun antes de mi primer disco en vivo, lo cual también es una cosa bastante atípica. Y esta gira fue muy larga y muy intensa, fuimos a muchas, muchas ciudades de Brasil, también al exterior; recuerdo particularmente el concierto que dimos en la Argentina. Fue un show que tenía un aspecto visual muy fuerte, y queríamos dejar constancia de eso. Era importante el registro, porque tengo un límite físico en las temporadas, no puedo ir a todos los lugares, mucha gente quiere ver, cumple esa función de estar ahí para más gente por más tiempo y está disponible para personas que no pudieron ver a través de otros tiempos. Pudimos registrar también la actuación de Lautaro Greco, ese gran bandoneonista argentino, en la versión de “El pañuelito” (el tango de Juan de Dios Filiberto y Gabino Coria Peñaloza, la misma dupla autoral de “Caminito”), que aquí se adaptó como “Lencinho querido”. Es una versión en portugués de ese tango muy clásico que aquí cantaba Amalia de la Vega. A mí me interesó e investigué mucho esa intersección entre el tango y la música brasileña, encontré muchos ejemplos de los años ’40 y ’50, cuando era muy común que los grandes cantores brasileños interpretaran tango.

–Como “cultura de la canción”, ¿qué cree que tiene que tener un buen tema, qué le interesa a usted cantar?

–¡Canciones y músicas que me gusten, básicamente! Parece una obviedad, pero no sé si lo es tanto. Lo primero que busco en una canción es que me guste a mí. Quiero decir, me tiene que gustar para que pueda servirme como vehículo de comunicación, porque allí está todo, en esa búsqueda de comunicación. Yo busco en las canciones un instrumento melódico, un instrumento también desde la palabra, y en definitiva busco a través del canto encontrar una manera para comunicarme con los otros, la manera que siento más buena para mí.

–En este repaso presenta muchas canciones de amor. ¿Es por alguna razón en especial?

–No, no creo que haya un tema preponderante. Obviamente, el amor aparece, como aparece para la mayoría de los seres humanos, ¿no? No sólo el amor por un compañero o un par, no sólo el amor con deseo, con pasión: también el amor en este mundo contemporáneo, con los seres humanos tan ocupados en tantas cosas que nos distraen, con tanto ruido de por medio. Quiero decir, también hablo de amor de otras maneras colectivas, menos personales.

–El disco anterior se llamaba O que vôcé quer saber de verdade. Y éste toma también una de las canciones de ese trabajo, para nombrarlo afirmando Verdade uma ilusao. ¿Por qué esta fijación con el tema de la verdad?

–Son dos canciones que funcionan como un contrapunto, como si una respondiera a la otra. La primera habla sobre un mundo de información, mejor dicho sobre el exceso de información con el que debemos convivir. Esa necesidad de silencio que aparece en un mundo como éste, el silencio necesario para poder escuchar las necesidades del alma. Y habla también de cómo el ser humano tiene dificultades de encontrar ese sentido realmente importante para cada uno de nosotros, cómo en un mundo contemporáneo, con tanta información, se hace finalmente difícil –cuando no imposible– encontrar la verdad. Y, por otro lado, la otra canción habla de que no existe la verdad de una forma colectiva: la verdad, en todo caso, es un concepto individual, un concepto íntimo de cada uno de nosotros. Entonces, al mismo tiempo que digo esto, hablo de esa necesidad de contemplación que surge en este mundo que engendra tanta información, de ese silencio necesario. Hallo un contrapunto interesante ahí, por eso quise destacarlo desde los títulos de los discos.

–Se toma bastante tiempo, años, entre un disco y otro. ¿Por qué?

–Hago giras muy grandes, muy largas. Ahora, por ejemplo, vengo de dos años de gira. No puedo tirarme de cabeza a grabar un nuevo disco, necesito tomarme un tiempo que para mí es natural, no me parece nada especial. Es un ciclo que funciona para mí, hasta que encuentro que las cosas están prontas. Cuando termino una gira larga, necesito estar en casa, escuchar música, leer, ir al cine, estar con amigos, charlar, andar por ahí… ¡No necesito tocar la guitarra! El tiempo que se viene después de una gira es un tiempo necesariamente calmo, tengo que darme un espacio para la vida más cotidiana, para encontrarme con mis compañeros, para viajar sin trabajo de por medio. Para poder crear después, necesito de ese tiempo. Es un círculo normal de creación, y hay etapas en que necesito tiempos mayores, cuando nacieron mis hijos, por ejemplo, o después de otras cosas que me fueron sucediendo. En fin, el trabajo es una consecuencia de la vida y no al revés… Y por eso mi trabajo está bien ligado al ritmo de las cosas que van aconteciendo en mi vida.

–¿Y en qué momento de ese círculo de creación se encuentra ahora?

–Acabo de terminar esta gran gira, hemos lanzado el DVD, ahora mismo estoy dando entrevistas (risas). Pasará todavía un tiempo para que entonces sí pueda empezar a pensar en un disco nuevo.

–Es inevitable: tengo que preguntarle por el Mundial. ¿Cómo lo está viviendo, de local?

–Este ha sido un Mundial con mucha agitación política de por medio. La larga dictadura que vivimos en Brasil dejó su marca, entre otras cosas en una gran despolitización de muchos años, algo que se va revirtiendo, pero muy de a poco. A los brasileños nos tomó mucho tiempo darnos cuenta de que no basta votar para vivir en democracia, que hace falta comprometernos en los temas públicos, que tenemos que dejar de sentarnos a esperar que alguien, otro, el gobierno o quien sea, resuelva todo por nosotros. Y éste es un año de mucha sensibilidad, es un año político, un año de elecciones. En medio de toda esta agitación política es que llega este Mundial. Lo estoy viviendo con esa tensión.

 

 

 

 

Barraco, palavra proibida

por Sandra Santos

 

barraco

 

Num protesto solitário contra a inclusão da palavra “barraco” na lista de palavras proibidas da Cartilha do Politicamente Correto; e também por tudo que está acontecendo no morro: fiz este sambinha aqui…

BARRACO

Por lei de nosso sinhô
– presidente do Brasil –
Nosso barraco
condenado à morte está

Mestre Adoniran
– que Deus o tenha –
há de se abismá
– onde nóis foi feliz, Isabé
não vai ser mais

Nosso barraco não tá mais lá
e ninguém pode falá
Ninguém qué ouvir nem explicá:
Mas com verbo pode sê
até deputado federá

 

Imagem: Releituras da Arte Moderna através do Graffiti (dentro do projeto Escola Aberta)