Chão de Estrelas

por Sílvio Caldas e Orestes Barbosa

 

Morro do Salgueiro, Rio de Janeiro
Morro do Salgueiro, Rio de Janeiro

 

Minha vida
Era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris
Dos corações

Meu barracão no morro do salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje,
Quando do sol,
A claridade
Cobre o meu barracão,
Sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou

Nossas roupas comuns
Dependuradas
Na corda,
Qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival!
Festa dos nossos trapos
Coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional

A porta do barraco
Era sem trinco
E a lua, furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas
O nosso chão…
E tu
Tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida,
É a cabrocha,
O luar
E o violão…

A porta do barraco
Era sem trinco
E a lua, furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas
O nosso chão…
E tu
Tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida,
É a cabrocha,
O luar
E o violão…

 

 

 

 

Salários desproporcionais no executivo, no judiciário, no legislativo e nas empresas

O Brasil não é uma democracia. Nunca foi. Não se faz democracia sem plebiscito, sem referendo. Veja que o suíço está votando hoje:

Iniciativa popular propõe que o salário da pessoa mais bem paga da empresa não possa ser mais do que 12 vezes a remuneração da mais mal paga

Abdallah
Abdallah

por Maria João Guimarães

Nas ruas de várias cidades suíças, voluntários distribuíram bolachas de chocolate, de graça. Ofereciam até 12 bolachas – mas ninguém aceitava tantas, porque não queriam ser gananciosos. O motivo, argumentava quem dava as bolachas, é o mesmo pelo qual o executivo mais bem-pago de uma empresa não deveria ganhar mais de 12 vezes mais do que o empregado mais mal pago: é tão excessivo como levar 12 bolachas.

Os suíços vão votar neste domingo uma iniciativa popular que propõe ilegalizar uma disparidade maior do que 1:12. A ideia por trás da proporção é que numa empresa ninguém ganhe mais num mês do que outros ganham num ano inteiro.

É a segunda vez que, este ano, é votada na Suíça uma medida contra os grandes salários dos gestores das grandes empresas – há nove meses foi aprovada a iniciativa Minder, segundo a qual os accionistas das empresas vão ter de ser consultados sobre os salários dos executivos, e passam a ser proibidos os “bónus de ouro” de contratação ou despedida.

Para o sucesso da iniciativa Minder terá contribuído a indignação pública com a notícia de que a farmacêutica Novartis se preparava para pagar ao seu chefe, Daniel Vasella, cerca de 58,5 milhões de euros contra a promessa deste não ir trabalhar para a concorrência. Após a polémica, a companhia acabou por dar lhe uma quantia mais reduzida, de cerca de quatro milhões de euros.

No entanto, desta vez, não se espera que a iniciativa 1:12 seja aprovada. A última sondagem, feita entre os dias 1 e 8 de Novembro pelo instituto gfs.bern, mostrava 54% de inquiridos são contra a iniciativa, 36% são a favor, e 10% estão indecisos. Uma sondagem do mesmo instituto em Outubro mostrava 44% de inquiridos a favor e 44% contra.

Maioria das iniciativas não passa
A evolução das intenções de voto não espanta a professora de ciência política da Universidade de Berna Michelle Beyeler. É normal, explicou Beyeler ao PÚBLICO numa entrevista telefónica, que as iniciativas populares comecem com uma taxa de aprovação alta e vão baixando.

“Propõe-se uma iniciativa para resolver um problema. A maioria das pessoas concorda que há um problema, e a taxa de apoio é alta”, diz Michelle Beyeler. “Mas quando a atenção se vira para a solução proposta, e se discute essa solução durante a campanha, surgem possíveis consequências negativas e as pessoas questionam se será uma boa solução. E começa a surgir mais discordância.”

A maioria deste tipo de iniciativas não passa: entre as 110 iniciativas populares votadas nos últimos 32 anos (mais de 70 delas nos últimos dez anos), apenas 20 foram aprovadas. São diferentes dos referendos, porque estes referme-se a propostas do Parlamento e as iniciativas populares podem ser propostas por qualquer cidadão, bastando juntar cem mil assinaturas para que vá a votos.

No caso da iniciativa 1:12, juntam-se vários factores contra a aprovação. Primeiro, ainda há nove meses os suíços aprovaram a iniciativa Minder, que lida com a mesma questão, e há quem argumente que se vai aprovar uma outra solução sem ter visto o resultado da primeira, que entrará em vigor no início do próximo ano. Segundo, só seriam afectadas pouco mais de 3000 empresas, nota Beyeler. “Para algumas empresas, seria fácil resolver a questão, as empresas onde o salário mais alto é 14 vezes o mais baixo, por exemplo”, diz.

Em terceiro lugar, há o risco de outras empresas não encontrarem soluções: “Em multinacionais onde se contrata no mercado internacional os salários são realmente altos, e estas não iriam alterar tanto o top management nem aumentar tanto os salários mais baixos.” Nesses casos, alertam as associações de empresários, corria-se o risco das empresas simplesmente deixarem a Suíça, ou encontrarem soluções como “reestruturações criativas” que permitissem contornar uma lei deste género, deixando os salários mais baixos em empresas subcontratadas, por exemplo.

O povo acima de tudo
No sistema suíço, em que “o povo está acima de tudo – do Governo, do Parlamento, etc.”, sublinha Beyeler, as iniciativas populares precisam apenas de uma maioria (melhor, de uma dupla maioria, de votos e de cantões) para se tornarem leis – não há qualquer limite de participação na votação necessário (a participação costuma andar entre os 30% e 50%, diz). Uma vez aprovadas, as propostas não se tornam numa lei qualquer: são inscritas na Constituição.

Mais recentemente, diz Beyeler, o número de iniciativas tem vindo a aumentar. E mais importante, estas têm sido cada vez mais usadas pelos partidos políticos para porem na agenda questões que lhes interessem. Mas apesar de dois casos particularmente conhecidos – o da construção de minaretes e o da expulsão de estrangeiros que tenham cometido crimes – Beyeler defende que “o populismo não tem sido um problema”. Mesmo propostas que à partida agradariam a todos, como a de uma semana extra de férias a juntar às quatro obrigatórias por lei, não são aprovadas. “As pessoas perceberam o argumento das empresas de que teriam de baixas os salários para dar esta semana extra”, diz.

O mesmo se passará agora. “Se perguntam se alguém deve ganhar doze vezes um salário, eu penso em quanto ganho, multiplico por doze, e respondo que não”, comenta a professora de ciência política. Mas ao verificar que a solução proposta pode não resolver a questão, muitas pessoas acabam por decidir votar contra.

A Suíça é um país muito associado com alta finança e riqueza, daí poder causar estranheza que esta iniciativa surja precisamente aqui. Michelle Beyeler diz exactamente o contrário: “Eu diria que uma iniciativa destas tinha de ser suíça, porque nenhum outro país tem estes instrumentos – talvez os EUA, mas só a nível de estados.” “Pode dizer-se que a proposta não reflecte os estereótipos”, concede a professora, “mas há muitos pontos de vista políticos diferentes na Suíça. Temos partidos de esquerda, talvez não tanto como noutros países, mas temos, e há quem não apoie o segredo bancário.”

No jornal norte-americano The New York Times, o escritor suíço Peter Stamm sublinhava que só após a II Guerra Mundial é que a Suíça se tornou uma peça chave no sector financeiro internacional. “Apesar da nossa reputação no estrangeiro, é talvez por isso que os bancos não entram realmente no nosso sentimento de quem somos”, escreveu Stamm.

Durante a discussão da lei, foram ouvidos pequenos empresários de empresas de manufactura: Thomas Gerber, presidente de uma empresa de cozinha e mobiliário, ganha 1,3 vezes mais do que os seus empregados. Kurt Schaer, dono e director de uma empresa de bicicletas eléctricas, ganha cinco vezes mais do que os funcionários. À emissora britânica BBC, ambos dizem que não querem ganhar mais. Mas enquanto o primeiro concorda que não se devem manter “salários exorbitantes” para os administradores, o segundo diz que o limite não deve ser imposto de fora, justificando com o custo extra de empregar auditores para provar às autoridades que a empresa cumpre a lei.

Júcalo
Júcalo

Moradia popular. Não se faz nada que preste para o povo

Taí mais um caso de polícia. Que a justiça faz que não está vendo. Se faz de cega.

Quem vai investigar este conto do vigário? Um mil e oitocentas famílias enganadas, atraiçoadas, burladas, espoliadas, fraudadas, iludidas, lesadas, ludibriadas, trapaceadas pelos espertalhões. Tem na jogada uma cachoeira de dinheiro. Os moradores dessa geringonça, em Goiânia, estão pagando (que os governantes brasileiros não realizam nada de graça para o povo), mensalmente, o equivalente a 10% da renda familiar por um período de 10 anos.

Jardim Cerrado VII foi inaugurado há menos de um ano, mas as casas apresentam defeitos estruturais

Escreve Catherine Moraes:

Rachaduras no chão e nas paredes,  teto  do  banheiro desabado, problemas hidráulicos, elétricos e inúmeras  infiltrações. Estes são apenas alguns dos problemas sofridos pelas 1.808 famílias moradoras do Jardim Cerrado  VII,  beneficiadas  pelo programa  “Minha Casa Minha Vida”. As casas, entregues pela prefeitura  em  dezembro  de 2011, ainda não completaram um ano  já são alvo de críticas, processos e reclamação popular. Os moradores, que pagam 10% da renda pelo local, reclamam  de Estrutura  precária. Anteontem,  a  construtora Brookfield, responsável pela obra, foi autuada pelo Procon Goiás.

O conjunto habitacional é dividido  em  quadras,  sendo que cada uma delas possui vários  blocos.  Nestes,  quatro apartamentos  são  divididos em  dois  andares.  O bairro conta ainda com creches, escola e Cais, todos construídos pela Brookfield,  e,  segundo moradores, todos os projetos estão com as mesmas  falhas. Por esse motivo, eles estão se organizando em grupos para dar entrada em processos contra a construtora.

“Os apartamentos são entregues sem cerâmica no chão e eu coloquei o piso em minha sala. Agora, descobri que o meu vizinho que mora embaixo está sofrendo infiltração. O que me disseram é que vou ter de retirar minha cerâmica toda para poder solucionar o problema. Eu me mudei em 31 de dezembro e, desde então, tenho sofrido vários problemas. As escadas estão cedendo, as rachaduras são inúmeras. Precisamos de uma solução”, indigna-se a manicure Gislaine de Souza.

Impedido

Segundo Regina Célia de Oliveira, síndica do condomínio 34, a fiação elétrica é feita no chão e, com a chuva, está acumulando areia e água junto aos fios, causando mau contato na energia. O motorista Walter de Paula Ramos, 39, sofre isso na pele. Há dias, ele está impedido de  ligar todos os eletrodomésticos na tomada e por pouco não foi vítima de um incêndio.

“Eu trabalhei na empresa e afirmo: nem todos os contratados são capacitados para o serviço. A mão de obra está escassa  e muitas  construtoras contratam  pessoal  inexperiente. Além disso, não fornecem cursos. É tudo muito malfeito, rachaduras,  energia, o disjuntor, por exemplo,  fica a meio  quarteirão  da  minha casa. Quando cai a energia, preciso  ir lá  ligar de novo. É um absurdo”, reclama Walter.

Walter  reclama  ainda  de problemas de planta, como a caixa  de  esgoto que  fica  em frente às casas. “Onde o engenheiro  estava  com  a  cabeça quando fez isso? Minha janela não fecha, meu chão está completamente rachado. Não temos nenhuma segurança, não existe estética. É notória a diferença, por exemplo, de casas particulares, construídas também pela Brookfield aqui no bairro. O material é de outra qualidade, o projeto existe de verdade. Estamos pagando por essa casa, merecemos respeito. Estou cansado de reclamar e não ser atendido, não perceber nenhuma solução”, completa.

Em algumas residências, o gesso do teto do banheiro caiu, mas depois de denunciada por uma emissora de televisão, a construtora providenciou os ajustes necessários.

Acessibilidade

Ordália Borges Oliveira, de 80  anos, mora  sozinha  e,  já usuária de uma cadeira de rodas, não possui casa adaptada. De forma otimista, ela fala que desce sozinha as escadas que dão acesso à rua do condomínio. O banheiro também sem corrimão não possui  instalações adequadas para a  idosa. Ainda assim, ela diz que  “dá um
jeitinho”.

Moradias rachadas. E dinheiro rachado
Moradias rachadas. E dinheiro rachado
Prefeito Paulo Garcia (PT) na festança de inauguração
Prefeito Paulo Garcia (PT) na festança de inauguração

Brasília. O PIB dos marajás, Marias Candelária, empreteiros, comedores de toco e lobistas

Juscelino desapropriou as terras profetizadas por Dom Bosco para construir Brasília. Terras que viraram concessões de grileiros e outras almas sebosas.

Realmente o PIB de 1% de Brasília é de dar inveja a qualquer rico do primeiro mundo. Com seus palácios e cortes. Casas à beira do lago (os bilionários pagam o imposto terreno de marinha? O recifense sim, morando à beira de canais esgotos). Desconforme PIB de luxuosos condomínios fechados. De granjas do Torto, do esquerdo & de todos os pecados capitais. Coisa da capital da República. Dos que vivem no luxo e na luxúria.

Essa gente do alto PIB convive com os moradores pendurados no bolsa família, com os trabalhadores que recebem 545 reais, o segundo pior salário mínimo da América do Sul. Idem pensões e aposentadrias de igual valor. A igualdade nivelada por baixo. Na miséria. No atraso. Veja os escondidos retratos de Brasília

Recanto das Emas
Recanto das Emas
Samambaia
Samambaia
Sobradinho
Sobradinho
Taguatinga
Taguatinga
Brasília mostra tua cara
Brasília mostra tua cara