O inteligente brasileiro funk & Ariano Suassuna “um velho burro, burro e burro”

RS

 

O que sei de Alex Antunes? Nadinha de nada. Li na internet: “Jornalista, escritor e produtor musical, escreve ou já escreveu para a Rolling Stone, Veja, Folha Ilustrada, Bravo! e outras publicações. Foi diretor de redação das revistas Bizz e Set. Seu livro a Estratégia de Lilith foi adaptado para o cinema, no filme Augustas (em finalização). É estudioso de xamanismo e de rituais de transe”.

Produtor musical sempre usa dinheiro dos governos da União, estados, municípios e empresas estatais e privatizadas. Mais ainda quando faz cinema. Também não sei se é o caso de Alex Antunes.

A abertura de um filme parece mais uma lista de classificados de empresas multinacionais. Todo filme lava mais branco as faturas frias do mecenato brasileiro para desconto no imposto de renda. O Brasil produz assim uma cultura de esquentar faturas numa verdadeira feira e queima de dinheiro público, notadamente de impostos sonegados e vaidades e vaidades.

Passei muitas tardes de domingo, na tranquilidade da Várzea, no Recife, conversando com Francisco Julião, fundador das Ligas Camponesas, no seu velho casarão colonial de senhor de engenho. E questionei suas imunidades, isso antes de 64. E ele me respondeu: “Um líder só deve ser preso quando convém ao movimento”.

Aqui lembro a sabedoria de João Grilo. Graciliano Ramos saiu da cadeia de Vargas para trabalhar no DIP, convidado por Lourival Fontesque, o Goebbels de Getúlio Vargas.

Prestes, o líder máximo do comunismo no Brasil, também saiu da prisão para apoiar a volta de seu carcereiro à presidência.

No Brasil, da última ditadura militar, valeu o ame-o ou deixe-o. E muita gente brincou de exílio como Fernando Henrique. Saia e voltava quando queria. Milhares foram mortos. Principalmente camponeses, operários, negros e índios. E continuam sendo trucidados, principalmente os negros e os índios. Nunca se faz a contagem dos anônimos. Vide lista de desaparecidos, hojemente, no Brasil da ditadura judicial-policial nos Estados.

Os que tentaram a luta armada foram mortos. Escaparam os julgados pela justiça militar. Caso de Dilma Rousseff.

Os que deram uma de João Grilo foram salvos. Nem todos os funcionários do governo de Hitler eram nazistas. Nem todos os funcionários do governo de Stalin eram comunistas. Nem todos os soldados de Israel defendem o genocídio de Gaza.

E para completar, a contribuição do negro escravo na cultura do Brasil foi pequena, e está sendo destruída pela imposição da cultura estadunidense, via gêneros afro-culturais como rock and roll, blues, country, rhythm and blues, jazz, pop, techno, hip hop, soul, funk, inclusive a música religiosa (gospel) divulgada por igrejas Neopentecostais, apoiadas pela CIA e pela ditadura militar, como revide à Teologia da Libertação, apesar de seu criador ser um presbiteriano, o esquecido Rubem Alves, que também faleceu neste fatídico mês de julho de 2014.

“Jornalista e poeta, João Suassuna, pai de Ariano, escrevia para jornais do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Compunha versos e tocava violão, executando música do cancioneiro popular. Apaixonado pelas coisas do Sertão, mesmo quando presidente do Estado, costumava realizar festivais de violeiros em sua residência ou no palácio do governo. Estimulou a publicação de livros, entre os quais o romance A Bagaceira, de José Américo de Almeida, que teve repercussão imediatamente ao seu lançamento”.

Nair de Tefé von Hoonholtz1 (Petrópolis, 10 de junho de 1886 — Rio de Janeiro, 10 de junho de 1981), mais conhecida como Nair de Tefé, foi uma pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. Considerada, por Hermes Lima e por artistas e intelectuais, a primeira caricaturista mulher do mundo. Wikipédia Além disso, Nair de Tefé foi a primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914.
Nair de Tefé von Hoonholtz1 (Petrópolis, 10 de junho de 1886 — Rio de Janeiro, 10 de junho de 1981), mais conhecida como Nair de Tefé, foi uma pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. Considerada, por Hermes Lima e por artistas e intelectuais, a primeira caricaturista mulher do mundo.
Além disso, Nair de Tefé foi a primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914 (Wikipédia)

Também de pele branca, Nair de Tefé, filha de barão e esposa do marechal presidente Hermes da Fonseca, “promovia saraus noutro palácio, o do Catete – o palácio presidencial da época -, que ficaram famosos por introduzir o violão nos salões da sociedade. Sua paixão por música popular reunia amigos para recitais de modinhas.

As interpretações de Catulo da Paixão Cearense fizeram sucesso e, em 1914, incentivaram Nair de Teffé a organizar um recital de lançamento do Corta Jaca, um maxixe composto por Chiquinha Gonzaga (sua amiga). Foram feitos críticas ao governo e retumbantes comentários sobre os ‘escândalos’ no palácio, pela promoção e divulgação de músicas cujas origens estavam nas danças lascivas e vulgares, segundo a concepção da elite social. Levar para o palácio presidencial do Brasil a música popular foi considerado, na época, uma quebra de protocolo, causando polêmica nas altas esferas da sociedade e entre políticos. Rui Barbosa chegou a pronunciar o seguinte discurso no Senado Federal a 7.11.1914:

‘Uma das folhas de ontem estampou em fac-símile o programa de recepção presidencial em que, diante do corpo diplomático, da mais fina sociedade do Rio de Janeiro, aqueles que deviam dar ao país o exemplo das maneiras mais distintas e dos costumes mais reservados elevaram o Corta-jaca à altura de uma instituição social. Mas o Corta-jaca de que eu ouvira falar há muito tempo, o que vem a ser ele, sr. Presidente? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais o Corta-jaca é executado com todas as honras da música de Wagner, e não se quer que a consciência deste país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que a mocidade se ria!”

O que a mulata tem para oferecer no Globeleza e nas escolas de samba?
O que a mulata tem para oferecer no Globeleza e nas escolas de samba?

Não vejo nativismo (os índios eram chamados de negros da terra), negritude, nem brasilidade na Globeleza, nas escolas de samba da TV Globo, na música brega, no funk, nas revistas Rolling Stone, Veja, em Lilith, no monarquista e escravocrata Zambi.

Transcrevo o transe:

Suassuna, velho burro

por Alex Antunes

 

João Grilo e Nossa Senhora
João Grilo e Nossa Senhora

Me perguntei algumas vezes se deveria escrever este texto. Porque o principal que tenho a dizer sobre Ariano Suassuna é que ele era um velho burro e chato. E o homem, como se sabe, acabou de morrer – o que o eleva automaticamente aos píncaros da genialidade e da infalibilidade nos textos que se espalham pela imprensa.

Mau momento para lembrar o seu principal defeito: a profunda e total incompreensão da natureza da cultura pop. Eu tinha desistido de escrever. Mas eis que a televisão de domingo o mostra numa entrevista, atacando, com volúpia e deboche, Michael Jackson e Madonna, além da réplica da estátua da Liberdade na Barra da Tijuca.

Ora, é fácil concordar com ele que a réplica da estátua é um monumento à imbecilidade playba. E que Michael Jackson (esse trecho não passou no domingo) é digno de pena, pela forma como foi explorado e depois massacrado pela mesma indústria cultural.

Mas Suassuna os atacava pelas razões erradas. Não há “superioridade” da cultura brasileira, e em particular da nordestina, sobre a cultura pop internacional. Por uma razão muito simples: o sistema arquetípico sobre o qual elas se constroem é exatamente o mesmo.

A mesma graça que há nos modos e sotaques regionais pode ser vista em expressões culturais globais. A cultura pop é simplesmente o “folclore sintético”. O que está por trás do Batman, do Super Homem, dos filmes policiais negros da blaxploitation ou da Madonna são os mesmíssimos arquétipos que animam os mitos gregos do Monte Olimpo, as lendas dos orixás das religiões africanas ou os arcanos do Tarô.

Não é à toa que Suassuna implicou tanto com os tropicalistas (de maioria baiana) quanto com o manguebeat que surgiu no seu estado de adoção, Pernambuco. Dizia que falaria com Chico se ele tirasse o Science do nome, e que a música da Nação Zumbi era “de quarta categoria”.

Suassuna se irritava porque esses nordestinos decifraram as matrizes em comum que existem na cultura popular brasileira e em qualquer expressão cultural. Ao mesmo tempo em que escapavam do purismo elitista e castrador, propunham uma forma nacional, desinibida e não-colonizada de cultura pop.

Diz uma letra do Mundo Livre SA, “O Ariano e o Africano”, de 1998:
“Há quatro séculos a alma africana tem sido um motor
Da inquietação, da resistência, da transgressão
O negro sempre quis sair do gueto
Fugir da opressão fazendo história
Ganhando o mundo com estilo
E é assim que a alma africana sobrevive com brilho e vigor
Em todo o novo continente o africano foi levado para sofrer no norte e gerou,
entre outras coisas, o jazz, o blues, gospel, soul,
r&b, funk, rock’n’roll
No centro, o suor africano fomentou o mambo, o ska,
o calipso, a rumba, o reggae, dub, ragga,
o merengue e a lambada, dancehall e muito mais
Mas é o ariano que ignora o africano ou
é o africano que ignora o ariano?
E ao sul a inquietude negra fez nascer,
entre outros beats, o bumba, o maracatu, o afoxé,
o xote, o choro, o samba, o baião, o coco, a embolada
Entre outros, os Jacksons e os Ferreiras,
os Pixinguinhas e os Gonzagas,
as Lias, os Silvas e os Moreiras
A alma africana sempre esteve no olho do furacão
Dendê no bacalhau, legítima e generosa transgressão
É Dr. Dre e é maracatu
É hip hop e é Mestre Salu
Mas é o ariano que ignora o africano ou é o
africano que ignora o ariano?”

Ariano Suassuana
Ariano Suassuana

É um flagra perfeito da condição elitista de Suassuna, branco cristão e filho do governador assassinado da Paraíba em 1930, que abraçou concepções culturais marxistas, não para libertar a cultura popular mas, pelo contrário, para mantê-la sob controle.

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Suassuna era um artista inspirado. Surpreendentemente pop, a se julgar, por exemplo, pelo filme e microssérie da Globo “O Auto da Compadecida”. E o seu Movimento Armorial teve grande impacto na cultura pernambucana. Mas fazia sempre a trajetória inversa do tropicalismo, do manguebeat e do modernismo antropofágico – as mais generosas e brasileiras das expressões, exatamente pelo não-purismo.

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Suassuna não aceitava os aspectos bastardos da cultura popular; pelo contrário, queria adensá-la e refiná-la numa expressão erudita. Ou seja, como pensador cultural, era um conservador odioso. Declarava-se “inimigo da colonização e do poder do dinheiro”, mas ele mesmo um colonizador de consciências e um guardião do status quo.

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Não é de se estranhar que Ariano tenha sido membro-fundador, um dos “cardeais” do Conselho Nacional de Cultura. Uma estranha convergência entre intelectuais (inclusive de esquerda) e a ditadura militar entre 1967 e o anos 70, baseada na busca de uma identidade de Brasil com um sentido cívico, tradicionalista e otimista. Foi a experiência no Conselho que impulsionou Suassuna na organização do movimento Armorial em Recife.

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Acontece que o negro, ou qualquer oprimido que busca sua libertação na lida cultural, como bem explica a letra do Mundo Livre, é amigo da eletricidade, da cultura em movimento e reinvenção, da provocação bastarda e dessacralizada, da incorporação e inversão de termos pejorativos (funk, punk, junky, nigga etc) – e não do reconhecimento institucional.

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O momento mais memético de Suassuna na internet é um fruto, bastante humorístico, de seus equívocos. Em suas aulas-espetáculo gostava de contar o causo de um músico punk ou funk que cantou-lhe uma letra. Ela falava de modelos atômicos, dos físicos Rutherford e Bohr, de um cavalo morto e que “fora do buraco tudo é beira”. Naturalmente sua “interpretação” jocosa da tal letra virou um vídeo viral, o “Funk do Suassuna”.

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Reza a lenda que Suassuna se divertiu com a adaptação (parece que com o trocadilho no nome do bloco carnavalesco Arriano Sua Sunga ele já não lidou tão bem). E, mesmo brigado com o manguebeat, chorou copiosamente no velório de Chico Science. Seria essa sua dimensão humana e generosa.

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Mas sua teoria cultural elitista e (anti) popular continua inaceitável. O pior de dois mundos, a convergência da culpa cristã com a marxista. Se Michael Jackson e Madonna são meramente “lixo cultural”, como gostava de dizer de boca cheia, Ariano Suassuna era um velho burro, burro e burro.

 

Futuro Indígena Resiste

Uma criança que tem medo, tem razão e Tupã no coração.
Deus para ela é uma arvore com sua sombra que anda no chão. Deus é o rio, a força do vento, as frutas.
Deus chora quando chove, Deus castiga quando faz seca, quando seca o rio.

Os Tupã são assim: eles não vêm só pra trazer chuva, vêm também para nos proteger.

Eles não caminham em vão.
Pois nós não vemos os seres que nos fazem mal.
Somente eles podem ver os seres que nos fazem mal.

Os Mbya há muito circulam por um amplo território ao sul do Continente Sul-Americano.
Um espaço territorial que foram forçados a compartilhar com os não indígenas, que hoje lhes exigem documentos para que possam ocupar e se deslocar dentro deste território.

O território existencial Mbya se impõe burlando as fronteiras nacionais que tentam fragmenta-los, só que está cada dia mais difícil caminhar nesse território, o indígena foi obrigado a ter registro geral, obrigado a ser tornar parte da maquina, e por isso chora ao ver um não indígena, o homem que não respeita os Tupãs, não deveria ser visto por nenhum Mbya, mas assusta qualquer criança que o veja.

Pois estas não deveriam ver os seres que nos fazem mal. Aqui sonhar com fogo, plantação queimando: é doença. E se a plantação queimar toda, é certo que é morte.

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FOTO: Jonathas Branco Campos
TEXTO: Fotógrafos Ativistas

AUDIODESCRIÇÃO: Foto em Colorida. Pequena criança Índia da aldeia Guarani – Tekoa Anhetengua – da Lomba do Pinheiro – RS, está apoiando/segurando a quina de um batente de madeira. Com os olhos tristes e com medo, trás a nítida sensação de medo, em destaque um desenho de coração vermelho pintado no seu rosto. Rosto de uma criança indígena. Linda.

criança índia brasil

Os evangélicos do asfalto e a eterna presença da irmãzinha Genoveva

Genoveva, irmãzinha de Jesus
Genoveva, irmãzinha de Jesus

 

Vou transcrever trechos de pesquisa de Júlia Adão Bernardes – Modernização: A Lógica do Capital e  o Direito dos Excluídos – para a louvação da irmã, irmãzinha Veva, Genoveva que, no Mato Grosso, fez crescer e multiplicar pessoas, enfrentando o apartheid indígena.

Introdução

Mato Grosso constitui um laboratório onde as experiências de ino- vações, vinculadas a mudanças no atual paradigma técnico-científico, indicam determinado rumo. Contudo, tais experiências não podem ser consideradas como um modelo acabado, porque isso significaria ignorar as especificidades históricas, econômicas, culturais e espaciais que não podem ser transplantadas para outra realidade.

O presente trabalho está voltado para a compreensão de algumas dessas experiências que resultam na constituição dos novos espaços pro- dutivos, buscando apreender as novas formas de organização da sociedade e as relações emergentes, onde vão se instituindo processos que envolvem a implantação e a articulação de atividades modernas, impulsionados pela dinâmica de reprodução do capital, significando novas possibilidades de uso do território no cerrado.

Trata da expansão da empresa capitalista na área de influência da BR- 158, de como se constituiu nos anos 70 uma nova fronteira da agricultura moderna na porção sul desse corredor de exportação e, na parte norte, de como se deu a implantação dos grandes projetos agropecuários, procuran- do identificar as contradições que essa expansão envolvia, assim como as distintas visões de modernidade e os valores subjacentes às mesmas.

Aborda, também, o movimento de disseminação recente da empresa capitalista na parte norte do eixo da BR-158, favorecida por uma nova logística de escoamento da produção na direção sul/norte, buscando analisar como o capital avança sempre associado à propriedade da terra, identificando as possibilidades e dificuldades dos pequenos produtores agrícolas, assentados, posseiros e trabalhadores rurais face ao novo pro- cesso de imposição de novos usos ao território usado.

Captar o fenômeno de expansão da agricultura moderna significa perceber a substituição de atividades menos rentáveis por outras mais lucrativas, a concentração e a centralização da terra e do capital e, conse- qüentemente, do poder, o agravamento da inviabilidade dos pequenos pro- dutores agrícolas sobreviventes na área, o aumento do trabalho temporário e da precarização do mesmo, os problemas de ordem ambiental, significa ver o território para a ação política, o que exige lê-lo como totalidade.

A irmã Genoveva na Amazônia
A irmã Genoveva na Amazônia

Progresso e atraso, moderno e tradicional

Comecemos com a exposição de três fatos importantes percebidos no trabalho de campo, no Vale do Araguaia, em julho de 2007. Em nos- sas incursões na BR-158 mato-grossense um dos aspectos que primeiro atraiu a atenção dos pesquisadores foi a diversidade de situações no que concerne ao uso do território e à organização dos grupos sociais, os quais apresentavam distintos níveis de complexidade, combinando processo histórico, exploração da terra e organização social de diferentes formas, em sua face visível.

Enquanto na parte sul domina o modelo sócio-econômico agroin- dustrial moderno, na porção norte esse estágio ainda não foi alcançado, predominando a pecuária extensiva e formas tradicionais de uso da terra. Foi exatamente nesta última que aconteceram as lutas populares no campo nos anos 70, no contexto da ditadura militar, lideradas pela igreja católica que atuava na linha da teologia da libertação, irradiados a partir da prelazia de São Félix do Araguaia, onde se destacava a figura do bispo Dom Pedro Casaldáliga. Tais movimentos eclodiram para apoiar os posseiros expulsos de suas terras devido à implantação de grandes projetos agropecuários na região. No processo de resistência, lideranças locais emergiram e novas foram forjadas nas lutas, deixando marcas que permanecem de distintas formas até os dias atuais. Este constituiu o primeiro aspecto marcante da pesquisa de campo.

Um segundo fato diz respeito à entrevista realizada no município de Santa Terezinha, na tribo Tapirapé, um povo do grupo tupi que vive às margens do rio Tapirapé, com uma Irmãzinha de Jesus, a qual, juntamente com outras duas Irmãzinhas, desde 1952 vive na região do Araguaia, junto desse grupo indígena. A irmã Genoveva nos contou que escolheram os Tapirapé porque na época estavam doentes e desnutridos, perdendo as terras, eram apenas cinquenta e se encontravam ameaçados de extinção face às incursões dos Kayapó. Permaneceram com eles não para catequizá- los, mas para ficar ao seu lado, simplesmente para mostrar-lhes que eles eram importantes, que tinham valor.

Nesses quase 50 anos de permanência, trataram de suas doenças, já que uma Irmãzinha era enfermeira, os Tapirapé recuperaram suas terras, a auto estima, muitos estudaram fora, e hoje são aproximadamente oito- centos. No livro “O renascer do Povo Tapirapé”, diário das Irmãzinhas de Jesus, Beozzo (2002, p.13) assinala que o que há de singular na ida das Irmãzinhas ao Tapirapé é “sua atitude de aprendizado e convivência”, é “a escolha dos meios pobres”, passando a morar como eles, aprendendo com as crianças e jovens o idioma e as formas de sobrevivência na mata.

Um terceiro fato relaciona-se à entrevista realizada com o colonizador da região, ao fim daquela viagem, o pastor luterano alemão Ênio Schwantes, um dos responsáveis pela expansão do agronegócio nos anos 80. Após relatos sobre como se deu o processo de colonização da área, o avanço da agricultura moderna, as dificuldades e os desafios, o pastor Schwantes finalizou, afirmando: “Aqui nós trouxemos o progresso, trouxemos asfalto, técnica, máquinas, soja, cidades modernas. Aquele lá em cima, o Pedro Casaldáliga, o que trouxe? Nada. Lá tudo continua no mesmo”. Essas são as três narrativas das quais fui testemunha. Leia mais

 

Fraternidade das Irmãzinhas de Jesus e Pedro
Fraternidade das Irmãzinhas de Jesus e Pedro Casaldáliga

 

“Demasiada tierra para pocos indígenas”

funai latuf

  “La carrera hacia el saqueo de los recursos naturales no renovables no conduce en ningún país al verdadero progreso. Normalmente sólo sirve para enriquecer a alguien, dejando que la deuda la paguen las futuras generaciones”
por Paolo Moiola

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La poderosa bancada ruralista intenta cambiar leyes para despojar a pueblos indígenas de sus territorios.

índio

La Constitución brasileña —en su artículo 231— reconoce a los pueblos indígenas, su organización social, costumbres, lenguas, creencias y tradiciones, y los derechos originarios sobre las tierras que tradicionalmente ocupan, correspondiendo al Estado demarcarlas, protegerlas y hacer que se respeten todos sus bienes. Sin embargo, dichos pueblos son víctimas de permanentes ataques desde el poder político y económico que buscan desplazarlos de sus territorios.

La población indígena en Brasil es de alrededor de 900,000 personas —pertenecientes a 305 grupos étnicos— de un total de más de 200 millones de habitantes. Para Carlo Zacquini, misionero italiano de la Orden de la Consolata que vive desde hace 48 años en el estado de Roraima, en el extremo norte, la situación es muy grave.

“Unos meses después de mi llegada a Brasil, era el 1 de mayo de 1965, en la desembocadura del río Apiaú, tuve la suerte de conocer a algunos indígenas que entonces eran llamados vaiká. Hoy sé que eran yanomami de la aldea Yõkositheri. Fue amor a primera vista. Más tarde tuve varios contactos siempre con el mismo grupo, hasta que [más adelante], tuve la oportunidad de comenzar a vivir entre los yanomami del río Catrimani. Poco a poco, mientras trataba de sobrevivir en ese lugar, muchas veces sin lo mínimo necesario, aprendí uno de sus idiomas y me puse a investigar su cultura”.

El hermano Zacquini habla de los indígenas como si fueran su familia. Y ciertamente lo son, hoy como ayer, cuando son objeto de ataques aún más vergonzosos que los del pasado por cuanto provienen de representantes del Congreso nacional que pertenecen a la poderosa bancada ruralista que intenta dejar sin efecto el alcance del capítulo correspondiente a los pueblos indígenas de la Constitución de 1988.

Uno de los casos más recientes y clamorosos es el proyecto de ley complementaria 227/2012, presentado por el diputado Homero Pereira —presidente de la bancada ruralista constituida por más de 230 legisladores entre deputados y senadores— que busca reglamentar el apartado 6 del artículo 231 de la Constitución. En particular, trata de someter las tierras indígenas al “interés público superior del Estado brasileño” anulando el derecho a la posesión y el uso exclusivo de los pueblos indígenas. Eso significaría justificar el latifundio y abrir las puertas a carreteras, oleoductos, centrales hidroeléctricas, ferrocarriles, minería, asentamientos humanos.

La propuesta de enmienda constitucional 215/2000 —presentada por el diputado Almir Sá— busca, por su parte, poner bajo el control del Congreso nacional, y por tanto de la bancada ruralista, la demarcación de las tierras indígenas, hasta ahora garantizada por la Constitución.

“Un pequeño número de ‘blancos’ —dice el hermano Zacquini— se ha apoderado de enormes extensiones de tierra y domina el gobierno nacional a través de ‘sus’ representantes. La vasta extensión del país, la confusión en la propiedad de la tierra y el poder económico han prevalecido sobre el sentido común y sobre la ley. Una ley que, si es favorable a los pueblos indígenas se  la cambia, como está sucediendo ahora. A fin de cuentas, se dice a modo de justificación, las leyes vigentes, quienes las han hecho —y por tanto quienes pueden modificarlas— no son los indígenas”.

Charge Bancada Ruralista

Territorios ambicionados
La bancada ruralista, llamada oficialmente Frente Parlamentario Agropecuario, sus poderosos patrocinadores —la Confederación Nacional de Agricultura, constituida por grandes propietarios agrícolas, grupos empresariales de la agroindustria y de la minería— y los medios de comunicación más influyentes, sostienen que 113 millones de hectáreas del territorio brasileño (13.3% del total, según datos de la organización no gubernamental Instituto Socioambiental) en manos de los pueblos indígenas son demasiados. “Demasiada tierra para pocos indígenas”, señalan.

Hay que decir —entre otras cosas— que a menudo se trata de una posesión teórica. Una parte considerable de las tierras indígenas es, de hecho, objeto de invasiones constantes y prolongadas por diversos actores: ganaderos, mineros, comerciantes de maderas preciosas, traficantes de la biodiversidad.

“¿Por qué, incluso en el caso de pueblos que han obtenido el reconocimiento de sus tierras, el gobierno no interviene con prontitud y eficiencia contra los invasores? De este modo se alimenta la mentalidad de que invadir tierras indígenas y destruir la naturaleza no representa un delito. Incentivadas por la impunidad, las invasiones se multiplican. Si los infractores fuesen los indígenas, muy rápidamente actuarían las fuerzas del orden para reprimirlos, incluso con violencia”, dice Zacquini.

El problema es que muchas veces ni siquiera el Estado respeta los territorios indígenas. Sucede, por ejemplo, con las megaobras previstas por el Programa de Aceleración del Crecimiento (PAC). Según la gubernamental Fundación Nacional del Indio (FUNAI), 201 obras del PAC afectan tierras indígenas. Las más impactantes son las centrales hidroeléctricas, en particular Jirau y Santo Antônio en el río Madeira (Rondônia), Teles Pires (Mato Grosso) y São Luiz (Pará) en el río Tapajós y la más grande de todas, la de Belo Monte en el río Xingú (Pará).

Obras devastadoras para el medio ambiente y para la existencia de decenas de pueblos indígenas, dan testimonio además de la falta de respeto al Convenio 169 sobre pueblos indígenas y tribales de la Organización Internacional del Trabajo, del cual Brasil es adherente.

Según el artículo 16 del Convenio, “los pueblos interesados no deberán ser trasladados de las tierras que ocupan. Cuando excepcionalmente el traslado y la reubicación de esos pueblos se consideren necesarios, sólo deberán efectuarse con su consentimiento, dado libremente y con pleno conocimiento de causa”. Su violación por parte del gobierno brasileño es patente.

“¿Por qué —se pregunta con razón el hermano Zacquini— cuando se piensa en el ‘progreso’, no se piensa casi nunca en las tierras de los latifundistas, a menudo sin cultivar, sino siempre y solamente en las indígenas?”. La afirmación se basa en números claros: en Brasil, cerca de 70,000 personas son propietarias de 228 millones de hectáreas de tierras improductivas, según datos del estatal Instituto Brasileño de Geografía y Estadística.

“Por tanto —concluye—, dadas las dimensiones continentales del país, no se puede decir [de buena fe] que, demarcadas las tierras indígenas, los demás habitantes no tendrán tierra donde vivir, trabajar y desarrollar todas las actividades posibles. Y, aparte de esto, se debe siempre recordar que los pueblos indígenas no devastan la naturaleza y los territorios como sí lo hacen los ‘avanzados’ y ‘cultos’ no indígenas”.

Ruralistas

Carrera hacia el saqueo


En Roraima, donde vive el hermano Zacquini, están el Territorio Indígena de los Yanomami y la Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, donde habitan varios pueblos: Makuxi, Vapichana, Ingarikó, entre otros. Ambos territorios tienen reconocimiento oficial, pero los problemas persisten.

“Son decenas las propuestas de ley presentadas por congresistas, varios de Roraima, para eliminar o reducir los derechos de los pueblos indígenas”, señala el misionero.

Por encima y por debajo de los territorios indígenas existen recursos naturales que son codiciados y por ellos muchos están dispuestos a todo, como testimonia el proyecto de ley 1610/96 —presentado por el senador Romero Jucá— que pretende abrir la explotación de minerales en tierras indígenas.

“¿Es necesario explotar estos recursos? ¿La destrucción del medio ambiente no causa más daño que toda la ayuda que los recursos podrían dar? Si se reconoce honestamente que estos recursos son necesarios, ¿no se debería dar prioridad al mismo tipo de recursos existente en tierras no indígenas? Por último, en el caso de la explotación de las tierras indígenas, lo menos que se debería hacer sería debatir la cuestión con los interesados directos y elaborar con ellos programas y actividades no extemporáneos, para preparar a la población y hacerla partícipe de los eventuales beneficios”, afirma Zacquini.

“La carrera hacia el saqueo de los recursos naturales no renovables no conduce en ningún país al verdadero progreso. Normalmente sólo sirve para enriquecer a alguien, dejando que la deuda la paguen las futuras generaciones”, concluye el misionero italiano. —Noticias Aliadas

questão florestal

Memoria de un genocidio

El Relatorio Figueiredo es un informe de 1968 que recoge la sistemática violación de derechos humanos sufrida por las poblaciones indígenas de Brasil. Durante decenios estuvo perdido. Su reciente descubrimiento ha vuelto a poner de actualidad una realidad trágica con más de quinientos años de historia.

foto massacre índio

por Juanma COSTOYA

Alo largo de cuarenta años se habló en Brasil del Relatorio Figueiredo como de una leyenda. Se le consideraba perdido o censurado y la versión más difundida estimaba que toda la comprometida documentación agrupada bajo este nombre se había quemado en un incendio ocurrido hace decenios en el Ministerio de Agricultura brasileño. La incomodidad de su contenido y el destino había determinado que las cincuenta cajas que contenían las más de siete mil páginas del Relatorio Figueiredo hubieran permanecido simplemente ignoradas, acumulando polvo en un oscuro almacén gubernamental. La donación por parte del organismo gubernamental FUNAI (Fundación de Ayuda al Indio) del conjunto de cajas sin catalogar y su traslado al Museo del Indio de Río de Janeiro permitieron, hace escasas semanas, su localización por uno de los abogados que trabajan para la Comisión Nacional de la Verdad, creada en 2012, a fin de esclarecer los crímenes cometidos contra la población indígena del país carioca entre los años 1946 y 1988.

Como hace siglos, la realidad de los indígenas americanos sigue en el centro del huracán. La prensa brasileña habla del auge del lobby ruralista, compuesto, en una parte importante por terratenientes y compañías mineras. Su influencia es grande en el Congreso y Dilma Rousseff, la actual presidenta del país, no puede desdeñar casi ningún apoyo.

Jader de Figueiredo

El Relatorio Figueiredo lleva el nombre de su autor, el procurador Jader de Figueiredo Correia. Siguiendo los dictados del Ministerio de Interior brasileño, el funcionario Figueiredo inició a comienzos de 1967 un viaje de 14.000 kilómetros por el interior de su inmenso país, visitando 18 estados y contactando con 130 puestos indígenas. En su transcurso fueron entrevistados docenas de miembros del SPI (Servicio de Protección al Indio) y se tomaron gran número de fotografías. Las conclusiones del colosal informe fueron espeluznantes.

En esas páginas, que se muestran amarillentas a día de hoy, redactadas a máquina y a doble espacio y presididas por el escudo del Ministerio del Interior brasileño, se habla de desvío de recursos, de la venta ilegítima de tierras indígenas, de asesinatos masivos y torturas, de envenenamientos y secuestros, de prostitución de las jóvenes indígenas, de esclavitud y de todo un catálogo de horrores coronados por la impunidad más absoluta.

Medios internacionales como «The New York Times» o «Der Spiegel» se hicieron en su día eco del informe poniendo a la dictadura brasileña del presidente Emilio Garrastazu (1969-74) en una situación incómoda. Jader de Figueiredo, por su parte, fue amenazado de muerte en repetidas ocasiones, sufrió atentados, y su familia en Fortaleza precisó de escolta durante varios años.

El propio Figueiredo se reveló como un verso suelto en la polarizada sociedad brasileña de la época. Tenaz e incorruptible, denostado por la derecha y, sobre todo, por los representantes de estancieros, empresas mineras y terratenientes, tampoco se hizo querer por la izquierda debido a su condición de funcionario de la dictadura.

Figueiredo moriría en 1976, a los 53 años, en un accidente de autobús. La última etapa de su existencia fue amarga. El colosal esfuerzo invertido en su Relatorio y los riesgos corridos se saldaron únicamente con unas cuantas dimisiones y algún cese. Ningún responsable de las matanzas y de los terribles abusos cometidos conoció la prisión. El siniestro Servicio de Protección al Indio fue refundado y se convertiría en el FUNAI.

En el fondo, nada trascendente había sucedido y los abusos simplemente se enmascararon para poder continuar.

Norman Lewis

A pesar de todo, el Relatorio Figueiredo cayó como una bomba en determinados ambientes. Lo que era un secreto a voces acabó por tener confirmación oficial. Un decenio antes de que se hiciera público el informe, el antropólogo francés Claude Lévi-Strauss ya había denunciado en su obra «Tristes Trópicos» (1955) prácticas criminales al servicio de intereses especuladores, los grao fino de la sociedad brasileña de 1930. De los hospitales, por ejemplo, se recolectaba ropa de enfermos infectados por la viruela. Estas prendas envenenadas eran después donadas a tribus o abandonadas, en forma de presentes, en los caminos frecuentados por los indígenas. Se buscaba una mortandad inmediata y devastadora. Strauss también recoge que los mismos que toleraban y hasta fomentaban estas prácticas mantenían una doctrina oficial de lamento y escándalo por las matanzas perpetradas por los exploradores europeos del XVI en su país.

El Relatorio tampoco pasaría desapercibido en Europa. El escritor Norman Lewis (1908-2003) redactó, en 1969, para «The Sunday Times», un largo reportaje en el que reflejaba sus experiencias viajeras por América del Sur contrastándolas con las conclusiones del informe Figueiredo al que consideraba verídico hasta en sus últimos detalles. El reportaje provocó tal conmoción en Europa que fue el detonante de la formación de Survival International, la organización no gubernamental que nació con la vocación de velar por los derechos indígenas en el mundo.

El encabezamiento del reportaje de Lewis ha quedado como una lección de historia resumida en dos líneas. «Del fuego a la espada al arsénico y las balas, la civilización condenó a seis millones de indios a la extinción». En su largo artículo, Lewis incluía al padre Las Casas, el dominico sevillano autor de la celebérrima «Brevísima relación de la destrucción de las Indias» (1552) y a Lévi Strauss como autoridades intelectuales que habían denunciado el silencioso genocidio indígena con casi cinco siglos de diferencia. Lewis incluía en su escrito una reveladora declaración literal del antropólogo francés: «Los indígenas no son gente del pasado o retrasados, por el contrario atesoran un genio para la acción y la invención que se sitúa muy lejos de muchos logros de la gente llamada civilizada».

«Dios contra los indios»

Norman Lewis, al que el Graham Greene calificó como uno de los mejores escritores del siglo XX, fue, al igual que Jader de Figueiredo, otro verso suelto. A diferencia de los grandes escritores británicos de viajes no vino al mundo en el seno de una familia de aristócratas o funcionarios coloniales. Desde muy joven hubo de trabajar para ganarse la vida y lo hizo en los más variados oficios, desde paragüero hasta fotógrafo o vendedor comercial. Ni rastro en su biografía de la elitista camaradería de los happy few, los educados a caballo entre Eton y Oxford o Cambridge. En una entrevista dejó clara su visión del mundo al afirmar que en sus viajes a alguna de las regiones más remotas del mundo nunca se había sentido superior a la gente a la que trataba.

Las sociedades indígenas de América del Sur le causaron honda conmoción. En sus largos y continuos viajes a esta zona del mundo pronto descubrió que el genocidio indígena no era solo cosa del pasado. Una nueva hecatombe se estaba produciendo en esos mismos momentos y por obra de aquellos a quienes la sociedad consideraba como garantes de los derechos de los más débiles: los misioneros. De Guatemala a Paraguay y de Bolivia a la cuenca amazónica las sectas evangelistas norteamericanas actuaban con inmunidad y letal eficacia. Arrastrados por un celo fanático e ignorante y en connivencia en muchas ocasiones con intereses económicos y estratégicos por completo ajenos a las sociedades indígenas, los misioneros lograban en tiempo récord la aculturización de los nativos, paso previo a una desorientación vital y a una apatía generalizadas, lo que, más temprano que tarde, desembocaba en patologías que segaban la vida de sociedades enteras.

Testigo impotente de esta situación, Norman Lewis escribió un libro memorable «Misioneros. Dios contra los indios» (1988). Esta obra, publicada en su día por la editorial Herder y hoy descatalogada y a la que solo es posible acceder por medio de librerías cuyos fondos se exhiban en la red, destila humanidad y sentido común frente al cerrilismo criminal y obtuso de los misioneros evangelistas norteamericanos.

Como si no hubieran pasado cinco siglos desde que Las Casas advirtiera de las tropelías de la colonización española en América, volvían a repetirse a finales del siglo XX la esclavitud encubierta, el tráfico de seres humanos, las indagaciones en busca de materias primas y minerales estratégicos y los trapicheos con plumas de aves y pieles de jaguares, todo ello mezclado y encubierto con una teología medievalizante, mercantilizadora y puritana que sería cómica de no ser tan trágica.

Claude Lévi-Strauss

Lévi-Strauss (1908-2009) pasa por ser uno de los intelectuales de referencia del siglo XX. Fundador de la antropología estructural y de la Asociación Internacional de Lingüística, su público más amplio le conoce por su obra «Tristes Trópicos». Es célebre y polémica la frase que da origen a esta obra: «Odio los viajes y los exploradores». De forma paradójica, en este ensayo novelado reflexiona sobre las expediciones científicas que llevó a cabo en algunas de las áreas más apartadas del Brasil de finales de los años 30. El jurado del Premio Goncourt dijo lamentar no poder premiarlo ya que, en rigor, no era una obra de ficción.

El autor afirma haber conocido a muchos misioneros y sentir aprecio por la labor humana y científica de muchos de ellos. Hace, sin embargo, una salvedad clara, la de los misioneros norteamericanos que trataban de introducirse en su área de estudio entonces, el Mato Grosso central. Asegura de ellos que provenían de familias campesinas educadas en los ambientes rurales de Nebraska o Dakota, creyentes en la literalidad del infierno bíblico y los calderos de aceite hirviendo; convencidos de su salvación «como se contrata un seguro». Dueños de un fanatismo y una ignorancia proporcionales, Lévi-Strauss les acusaba también de una crueldad y de una falta de humanidad escandalosa en el trato con los indígenas.

Brasil. Memoria de una masacre indígena

por Fernando Gualdoni

massacre

Esta semana en Brasil sucedió un hecho clave para su historia. Tras 45 años perdido o creído extinto, reapareció un tristemente célebre informe sobre las atrocidades cometidas contra los indígenas de Brasil entre los años cuarenta y sesenta por parte de los terratenientes y el propio Servicio de Protección Indígena (SPI).

El conocido como Informe Figueiredo, presentado en 1967 por el fiscal Jader de Figueiredo Correia, describe las torturas, los robos de tierras, los envenenamientos, las violaciones y el genocidio de las tribus indígenas. Algunas de estas comunidades desaparecieron o quedaron al borde de la extinción. Cuando se hizo público el documento de 7.000 páginas hubo un gran revuelo internacional por las brutalidades que describía. Dio pie a una investigación que acabó con 134 funcionarios acusados de cometer más de un millar de crímenes de toda índole. Apenas una cuarentena fueron destituidos y ninguno fue a prisión.

Poco después de salir a la luz, el informe supuestamente quedó destruido en un incendio. Se achacó a la dictadura una maniobra para hacer desaparecer el documento, en un intento de echar tierra sobre el escándalo y de paso lavar la imagen de muchos latifundistas aliados del régimen. Sin embargo, 45 años después el texto fue hallado en el Museo del Indio de Brasil.

Entre las atrocidades recogidas en el informe, se describe la “masacre del paralelo 11”, en la que se arrojó dinamita desde un pequeño avión sobre una comunidad de indígenas Cinta Larga. Treinta indígenas murieron, y solo dos sobrevivieron para contarlo. También se da cuenta del envenenamiento de cientos de indígenas con azúcar mezclada con arsénico, y brutales métodos de tortura como aplastar lentamente los tobillos de las víctimas con un instrumento conocido como el “tronco”.

En 1969, en un artículo titulado Genocidio que apareció en el Sunday Times británico, el cronista Norman Lewis escribió: “Desde el fuego y la espada al arsénico y las balas: la civilización ha enviado a seis millones de indígenas a la extinción”. El artículo motivó a un pequeño grupo de personas a fundar Survival International ese mismo año. De acuerdo con la ONG Survival, el informe será considerado por la Comisión Nacional para la Verdad de Brasil, que investiga las violaciones de derechos humanos que tuvieron lugar entre 1946 y 1988.

Relatório Figueiredo

Indígenas de Brasil 

Foto da reportagem

Foto da reportagem Genocide 

A ORIGEM DOS LATIFÚNDIOS NA DITADURA DE 64

A matança de nações indígenas começou no ano de 1536, em Pernambuco.

Invadir terras e casas dos bugres é coisa costumeira. No Rio de Janeiro, para doar o prédio Museu do Índio, para Eike Batista demolir (acredito que o governo realizará o serviço sujo da implosão), e construir um estacionamento, o governador Sérgio Cabral já despejou os “selvagens”. Tudo legalizado pela justiça.

Índio quer apito, cantam os mestiços brasileiros.

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Documento que registra extermínio de índios é resgatado após décadas desaparecido

por Felipe Canêdo

Depois de 45 anos desaparecido, um dos documentos mais importantes produzidos pelo Estado brasileiro no último século, o chamado Relatório Figueiredo, que apurou matanças de tribos inteiras, torturas e toda sorte de crueldades praticadas contra indígenas no país – principalmente por latifundiários e funcionários do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI) –, ressurge quase intacto. Supostamente eliminado em um incêndio no Ministério da Agricultura, ele foi encontrado recentemente no Museu do Índio, no Rio, com mais de 7 mil páginas preservadas e contendo 29 dos 30 tomos originais.

Em uma das inúmeras passagens brutais do texto, a que o Estado de Minas teve acesso e publica na data em que se comemora o Dia do Índio, um instrumento de tortura apontado como o mais comum nos postos do SPI à época, chamado “tronco”, é descrito da seguinte maneira: “Consistia na trituração dos tornozelos das vítimas, colocadas entre duas estacas enterradas juntas em um ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”.

Entre denúncias de caçadas humanas promovidas com metralhadoras e dinamites atiradas de aviões, inoculações propositais de varíola em povoados isolados e doações de açúcar misturado a estricnina, o texto redigido pelo então procurador Jader de Figueiredo Correia ressuscita incontáveis fantasmas e pode se tornar agora um trunfo para a Comissão da Verdade, que apura violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988.

A investigação, feita em 1967, em plena ditadura, a pedido do então ministro do Interior, Albuquerque Lima, tendo como base comissões parlamentares de inquérito de 1962 e 1963 e denúncias posteriores de deputados, foi o resultado de uma expedição que percorreu mais de 16 mil quilômetros, entrevistou dezenas de agentes do SPI e visitou mais de 130 postos indígenas. Jader de Figueiredo e sua equipe constataram diversos crimes, propuseram a investigação de muitos mais que lhes foram relatados pelos índios, se chocaram com a crueldade e bestialidade de agentes públicos. Ao final, no entanto, o Brasil foi privado da possibilidade de fazer justiça nos anos seguintes. Albuquerque Lima chegou a recomendar a demissão de 33 pessoas do SPI e a suspensão de 17, mas, posteriormente, muitas delas foram inocentadas pela Justiça.