51 filmes que você precisa recomendar. É hora de erradicar o analfabetismo político no Brasil

Repressão, censura, porões.
Resistência, greves, guerrilhas, movimentos culturais.
A ascensão e declínio do regime, em obras importantes do cinema brasileiro.
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51 filmes para conhecer a fundo a ditadura.
O terror de 21 anos de escuridão.
Eis alguns cartazes

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O dia que durou 21 anos

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Para a revista Veja tanto faz: golpe eleitoral ou militar

Sempre escrevi que a revista Veja pratica qualquer crime, como quinta-coluna do Império, para favorecer os interesses da pirataria e dos especuladores internacionais, associados ou não com corruptos e corruptores brasileiros.

Para municiar o Partido da Imprensa Golpista (PIG), o “jornalista” e bicheiro Carlinhos Cachoeira criou uma agência clandestina de notícias, com a participação de jornalistas da Veja e arapongas dos porões da ditadura militar.

Esta podridão da Veja vem de suas origens, quando se apresentava como virgem e imaculada, e levou à falência a revista Manchete, que desbancou a revista Cruzeiro, e todas realizaram o mesmo papel de porta-voz dos ditadores, sob o comando dos generais Golbery e Octavio Costa.

A revista Veja foi cria da propaganda do governo Médici, que se apossou do slogan hippie “faça o amor, não faça a guerra”, adotado pela publicidade das empresas que apoiavam o regime.

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Ainda no governo Médici, o grupo Abril, que edita a Veja, veredou por outros negócios como o da hotelaria, criando uma rede de hotéis cinco estrelas, com o apoio de prefeitos e governadores nomeados.

Na redemocratização, os presidentes civis continuaram investindo na Veja e nas suas negociatas, finalmente cortadas pelos governos Lula e Dilma Rousseff.

Sem as tetas do governo, o Grupo Abril passou a propagar, descaradamente, o ódio ao PT, o retrocesso do governo Fernando Henrique, o golpe eleitoral para favorecer Aécio Neves.

A Veja topa qualquer parada. O seu pastoril ressuscita um Pinochet. Que golpe é golpe. Seja militar ou eleitoral.

 

Apagando a memória, por Latuff
Apagando a memória, por Latuff

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O inteligente brasileiro funk & Ariano Suassuna “um velho burro, burro e burro”

RS

 

O que sei de Alex Antunes? Nadinha de nada. Li na internet: “Jornalista, escritor e produtor musical, escreve ou já escreveu para a Rolling Stone, Veja, Folha Ilustrada, Bravo! e outras publicações. Foi diretor de redação das revistas Bizz e Set. Seu livro a Estratégia de Lilith foi adaptado para o cinema, no filme Augustas (em finalização). É estudioso de xamanismo e de rituais de transe”.

Produtor musical sempre usa dinheiro dos governos da União, estados, municípios e empresas estatais e privatizadas. Mais ainda quando faz cinema. Também não sei se é o caso de Alex Antunes.

A abertura de um filme parece mais uma lista de classificados de empresas multinacionais. Todo filme lava mais branco as faturas frias do mecenato brasileiro para desconto no imposto de renda. O Brasil produz assim uma cultura de esquentar faturas numa verdadeira feira e queima de dinheiro público, notadamente de impostos sonegados e vaidades e vaidades.

Passei muitas tardes de domingo, na tranquilidade da Várzea, no Recife, conversando com Francisco Julião, fundador das Ligas Camponesas, no seu velho casarão colonial de senhor de engenho. E questionei suas imunidades, isso antes de 64. E ele me respondeu: “Um líder só deve ser preso quando convém ao movimento”.

Aqui lembro a sabedoria de João Grilo. Graciliano Ramos saiu da cadeia de Vargas para trabalhar no DIP, convidado por Lourival Fontesque, o Goebbels de Getúlio Vargas.

Prestes, o líder máximo do comunismo no Brasil, também saiu da prisão para apoiar a volta de seu carcereiro à presidência.

No Brasil, da última ditadura militar, valeu o ame-o ou deixe-o. E muita gente brincou de exílio como Fernando Henrique. Saia e voltava quando queria. Milhares foram mortos. Principalmente camponeses, operários, negros e índios. E continuam sendo trucidados, principalmente os negros e os índios. Nunca se faz a contagem dos anônimos. Vide lista de desaparecidos, hojemente, no Brasil da ditadura judicial-policial nos Estados.

Os que tentaram a luta armada foram mortos. Escaparam os julgados pela justiça militar. Caso de Dilma Rousseff.

Os que deram uma de João Grilo foram salvos. Nem todos os funcionários do governo de Hitler eram nazistas. Nem todos os funcionários do governo de Stalin eram comunistas. Nem todos os soldados de Israel defendem o genocídio de Gaza.

E para completar, a contribuição do negro escravo na cultura do Brasil foi pequena, e está sendo destruída pela imposição da cultura estadunidense, via gêneros afro-culturais como rock and roll, blues, country, rhythm and blues, jazz, pop, techno, hip hop, soul, funk, inclusive a música religiosa (gospel) divulgada por igrejas Neopentecostais, apoiadas pela CIA e pela ditadura militar, como revide à Teologia da Libertação, apesar de seu criador ser um presbiteriano, o esquecido Rubem Alves, que também faleceu neste fatídico mês de julho de 2014.

“Jornalista e poeta, João Suassuna, pai de Ariano, escrevia para jornais do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Compunha versos e tocava violão, executando música do cancioneiro popular. Apaixonado pelas coisas do Sertão, mesmo quando presidente do Estado, costumava realizar festivais de violeiros em sua residência ou no palácio do governo. Estimulou a publicação de livros, entre os quais o romance A Bagaceira, de José Américo de Almeida, que teve repercussão imediatamente ao seu lançamento”.

Nair de Tefé von Hoonholtz1 (Petrópolis, 10 de junho de 1886 — Rio de Janeiro, 10 de junho de 1981), mais conhecida como Nair de Tefé, foi uma pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. Considerada, por Hermes Lima e por artistas e intelectuais, a primeira caricaturista mulher do mundo. Wikipédia Além disso, Nair de Tefé foi a primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914.
Nair de Tefé von Hoonholtz1 (Petrópolis, 10 de junho de 1886 — Rio de Janeiro, 10 de junho de 1981), mais conhecida como Nair de Tefé, foi uma pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. Considerada, por Hermes Lima e por artistas e intelectuais, a primeira caricaturista mulher do mundo.
Além disso, Nair de Tefé foi a primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914 (Wikipédia)

Também de pele branca, Nair de Tefé, filha de barão e esposa do marechal presidente Hermes da Fonseca, “promovia saraus noutro palácio, o do Catete – o palácio presidencial da época -, que ficaram famosos por introduzir o violão nos salões da sociedade. Sua paixão por música popular reunia amigos para recitais de modinhas.

As interpretações de Catulo da Paixão Cearense fizeram sucesso e, em 1914, incentivaram Nair de Teffé a organizar um recital de lançamento do Corta Jaca, um maxixe composto por Chiquinha Gonzaga (sua amiga). Foram feitos críticas ao governo e retumbantes comentários sobre os ‘escândalos’ no palácio, pela promoção e divulgação de músicas cujas origens estavam nas danças lascivas e vulgares, segundo a concepção da elite social. Levar para o palácio presidencial do Brasil a música popular foi considerado, na época, uma quebra de protocolo, causando polêmica nas altas esferas da sociedade e entre políticos. Rui Barbosa chegou a pronunciar o seguinte discurso no Senado Federal a 7.11.1914:

‘Uma das folhas de ontem estampou em fac-símile o programa de recepção presidencial em que, diante do corpo diplomático, da mais fina sociedade do Rio de Janeiro, aqueles que deviam dar ao país o exemplo das maneiras mais distintas e dos costumes mais reservados elevaram o Corta-jaca à altura de uma instituição social. Mas o Corta-jaca de que eu ouvira falar há muito tempo, o que vem a ser ele, sr. Presidente? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais o Corta-jaca é executado com todas as honras da música de Wagner, e não se quer que a consciência deste país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que a mocidade se ria!”

O que a mulata tem para oferecer no Globeleza e nas escolas de samba?
O que a mulata tem para oferecer no Globeleza e nas escolas de samba?

Não vejo nativismo (os índios eram chamados de negros da terra), negritude, nem brasilidade na Globeleza, nas escolas de samba da TV Globo, na música brega, no funk, nas revistas Rolling Stone, Veja, em Lilith, no monarquista e escravocrata Zambi.

Transcrevo o transe:

Suassuna, velho burro

por Alex Antunes

 

João Grilo e Nossa Senhora
João Grilo e Nossa Senhora

Me perguntei algumas vezes se deveria escrever este texto. Porque o principal que tenho a dizer sobre Ariano Suassuna é que ele era um velho burro e chato. E o homem, como se sabe, acabou de morrer – o que o eleva automaticamente aos píncaros da genialidade e da infalibilidade nos textos que se espalham pela imprensa.

Mau momento para lembrar o seu principal defeito: a profunda e total incompreensão da natureza da cultura pop. Eu tinha desistido de escrever. Mas eis que a televisão de domingo o mostra numa entrevista, atacando, com volúpia e deboche, Michael Jackson e Madonna, além da réplica da estátua da Liberdade na Barra da Tijuca.

Ora, é fácil concordar com ele que a réplica da estátua é um monumento à imbecilidade playba. E que Michael Jackson (esse trecho não passou no domingo) é digno de pena, pela forma como foi explorado e depois massacrado pela mesma indústria cultural.

Mas Suassuna os atacava pelas razões erradas. Não há “superioridade” da cultura brasileira, e em particular da nordestina, sobre a cultura pop internacional. Por uma razão muito simples: o sistema arquetípico sobre o qual elas se constroem é exatamente o mesmo.

A mesma graça que há nos modos e sotaques regionais pode ser vista em expressões culturais globais. A cultura pop é simplesmente o “folclore sintético”. O que está por trás do Batman, do Super Homem, dos filmes policiais negros da blaxploitation ou da Madonna são os mesmíssimos arquétipos que animam os mitos gregos do Monte Olimpo, as lendas dos orixás das religiões africanas ou os arcanos do Tarô.

Não é à toa que Suassuna implicou tanto com os tropicalistas (de maioria baiana) quanto com o manguebeat que surgiu no seu estado de adoção, Pernambuco. Dizia que falaria com Chico se ele tirasse o Science do nome, e que a música da Nação Zumbi era “de quarta categoria”.

Suassuna se irritava porque esses nordestinos decifraram as matrizes em comum que existem na cultura popular brasileira e em qualquer expressão cultural. Ao mesmo tempo em que escapavam do purismo elitista e castrador, propunham uma forma nacional, desinibida e não-colonizada de cultura pop.

Diz uma letra do Mundo Livre SA, “O Ariano e o Africano”, de 1998:
“Há quatro séculos a alma africana tem sido um motor
Da inquietação, da resistência, da transgressão
O negro sempre quis sair do gueto
Fugir da opressão fazendo história
Ganhando o mundo com estilo
E é assim que a alma africana sobrevive com brilho e vigor
Em todo o novo continente o africano foi levado para sofrer no norte e gerou,
entre outras coisas, o jazz, o blues, gospel, soul,
r&b, funk, rock’n’roll
No centro, o suor africano fomentou o mambo, o ska,
o calipso, a rumba, o reggae, dub, ragga,
o merengue e a lambada, dancehall e muito mais
Mas é o ariano que ignora o africano ou
é o africano que ignora o ariano?
E ao sul a inquietude negra fez nascer,
entre outros beats, o bumba, o maracatu, o afoxé,
o xote, o choro, o samba, o baião, o coco, a embolada
Entre outros, os Jacksons e os Ferreiras,
os Pixinguinhas e os Gonzagas,
as Lias, os Silvas e os Moreiras
A alma africana sempre esteve no olho do furacão
Dendê no bacalhau, legítima e generosa transgressão
É Dr. Dre e é maracatu
É hip hop e é Mestre Salu
Mas é o ariano que ignora o africano ou é o
africano que ignora o ariano?”

Ariano Suassuana
Ariano Suassuana

É um flagra perfeito da condição elitista de Suassuna, branco cristão e filho do governador assassinado da Paraíba em 1930, que abraçou concepções culturais marxistas, não para libertar a cultura popular mas, pelo contrário, para mantê-la sob controle.

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Suassuna era um artista inspirado. Surpreendentemente pop, a se julgar, por exemplo, pelo filme e microssérie da Globo “O Auto da Compadecida”. E o seu Movimento Armorial teve grande impacto na cultura pernambucana. Mas fazia sempre a trajetória inversa do tropicalismo, do manguebeat e do modernismo antropofágico – as mais generosas e brasileiras das expressões, exatamente pelo não-purismo.

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Suassuna não aceitava os aspectos bastardos da cultura popular; pelo contrário, queria adensá-la e refiná-la numa expressão erudita. Ou seja, como pensador cultural, era um conservador odioso. Declarava-se “inimigo da colonização e do poder do dinheiro”, mas ele mesmo um colonizador de consciências e um guardião do status quo.

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Não é de se estranhar que Ariano tenha sido membro-fundador, um dos “cardeais” do Conselho Nacional de Cultura. Uma estranha convergência entre intelectuais (inclusive de esquerda) e a ditadura militar entre 1967 e o anos 70, baseada na busca de uma identidade de Brasil com um sentido cívico, tradicionalista e otimista. Foi a experiência no Conselho que impulsionou Suassuna na organização do movimento Armorial em Recife.

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Acontece que o negro, ou qualquer oprimido que busca sua libertação na lida cultural, como bem explica a letra do Mundo Livre, é amigo da eletricidade, da cultura em movimento e reinvenção, da provocação bastarda e dessacralizada, da incorporação e inversão de termos pejorativos (funk, punk, junky, nigga etc) – e não do reconhecimento institucional.

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O momento mais memético de Suassuna na internet é um fruto, bastante humorístico, de seus equívocos. Em suas aulas-espetáculo gostava de contar o causo de um músico punk ou funk que cantou-lhe uma letra. Ela falava de modelos atômicos, dos físicos Rutherford e Bohr, de um cavalo morto e que “fora do buraco tudo é beira”. Naturalmente sua “interpretação” jocosa da tal letra virou um vídeo viral, o “Funk do Suassuna”.

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Reza a lenda que Suassuna se divertiu com a adaptação (parece que com o trocadilho no nome do bloco carnavalesco Arriano Sua Sunga ele já não lidou tão bem). E, mesmo brigado com o manguebeat, chorou copiosamente no velório de Chico Science. Seria essa sua dimensão humana e generosa.

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Mas sua teoria cultural elitista e (anti) popular continua inaceitável. O pior de dois mundos, a convergência da culpa cristã com a marxista. Se Michael Jackson e Madonna são meramente “lixo cultural”, como gostava de dizer de boca cheia, Ariano Suassuna era um velho burro, burro e burro.

 

As brasileiras recorrem à segunda virgindade?

Acontecia no Brasil, antes das viagens de secundaristas e universitárias, para conhecer o Brasil, através dos projetos Mauá e Rondon – a adaptação do lema hippie  “faça o amor, não faça a guerra”, pela ditadura militar.

Até a década de setenta, pipocavam boatos e perseguições contra cirurgiões plásticos que realizavam reconstituições de hímen. O homem, inclusive podia pedir a anulação do casamento, com a comprovação de que a esposa não era virgem na primeira noite de núpcias.

Coisa parecida com os ambulatórios clandestinos de médicos que praticam abortos.

Os brasileiros ocupam o segundo lugar no mundo entre os que perdem a virgindade mais cedo. A idade média é de 17,4 anos, ficando atrás apenas da Áustria, com 17,3 anos. Os números fazem parte da pesquisa The Face of Global Sex 2007 – First sex: an opportunity of a lifetime (Primeira relação sexual: uma oportunidade para toda a vida), realizada por uma fabricante de preservativos com 26 mil entrevistados em 26 países.

Não acredito nessa pesquisa. Quanto mais pobre uma adolescente, mas fácil a perda da virgindade. Não causa nenhuma indignação o Brasil possuir 250 mil prostitutas infantis, conforme dados da Polícia Federal e Unesco; 500 mil, para as ONGs.

Adolescentes iniciam sua atividade sexual na faixa entre os 13 e os 17 anos de idade. Essa é uma das conclusões de pesquisa realizada pelo Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

O estudo foi feito de 2000 a 2004 e envolveu dois mil alunos de 1,3 mil escolas públicas e 700 particulares da cidade de São Paulo.Coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo, o trabalho revela que 97% dos jovens de 15 a17 anos conhecem bem os riscos para a saúde provocados pela atividade sexual e os cuidados que devem ser tomados para evitá-los.

No entanto, outros dados, coletados pelo Ministério da Saúde, revelam que há sete anos, a maioria das internações de meninas de 14 a19 anos no Sistema Único de Saúde (SUS) são para trabalho de parto. “Acredito que a situação não tenha mudado”, opina a médica.

As pesquisas não batem. Outro estudo realizado, em 2005, afirma que a média total no mundo para perda da virgindade é de 17,3 anos. Sendo 17,2 anos para as mulheres e 17,5 para os homens.

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Faltam dados atualizados, para o devido combate à prostituição infantil e doenças sexuais transmissíveis, inclusive Aids.

tunisiana

Publica, hoje, a Tribuna de Macau, colônia chinesa: Pressionadas por uma sociedade que se mantém conservadora por trás de uma fachada moderna, são cada vez mais as mulheres na Tunísia que se submetem à reconstrução do hímen para chegar à noite de núpcias na condição de virgens. Dessa forma, querem evitar ser rejeitadas por homens que afirmam, sem rodeios, que nunca se casariam com mulheres “já usadas”.

Segundo a agência AFP, a operação de reconstrução do hímen, uma pequena membrana situada na entrada da vagina, dura apenas meia hora.

“O número de mulheres que recorre à himenoplastia, a virgindade de forma duradoura, ou à himenorrafia, a virgindade por alguns dias, aumentou muito nos últimos anos”, disse um médico tunisino, que opera anualmente cerca de uma centena de mulheres, de 18 a 45 anos, que chegam ao consultório “com o rosto tapado por um véu ou lenço e com grandes óculos escuros)”. Entre as clientes também há argelinas e líbias.

 

Os governadores e a degeneração da música brasileira

Não entendo o fascínio dos governadores e prefeitos, notadamente de

Governador Eduardo Campos e Cláudia Leitte
Governador Eduardo Campos e Cláudia Leitte

Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Ceará, por Ivete Sangalo, e o pagamento de cachês amplificados de cantores bregas, e estilizadas e descaracterizadas músicas de origem negra dos Estados Unidos e África hodierna.

Eis que aparece nesta lista Claudia Leitte. Escreve Rafael Albuquerque: “Pouca gente sabe da recente falta de elegância da artista em encontro com Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, pediu um título de cidadania: ‘Quero ser cidadã pernambucana’, declarou rindo. O governador, desconcertado, de pronto deu um jeito de atender ao pedido da fluminense. Como o único representante do Legislativo presente na reunião era o líder do governo, Waldemar Borges, coube a ele a missão de encaminhar um projeto de resolução”. Não sei se o deputado protocolou o pedido de cidadania.

Seria consolidar a banalização do título. Que, em 5 de agosto de 2002, foi concedido a Ivete Sangalo.

Que fez Ivete Sangalo, além da degeneração da Música Popular Brasileira (MPB)? Degeneração que o crítico Rafael Teodoro chama de MIB – Música Imbecil Brasileira.

Escreve Rafael Teodoro: “Ivete Sangalo merece uma atenção especial. Originalmente vocalista da Banda Eva, seguiu o caminho para o qual todo ‘artista’ de axé está direcionado: a carreira solo. Sangalo soube aproveitar como ninguém a catapulta. Carismática e muito bem assessorada, ela sabia que seu repertório grotesco não a sustentaria mais do que alguns verões fora de Salvador. Assim, tratou de cultivar uma imagem que a projetasse como cantora para além da axé music, que principiava a agonizar nas vendas das gravadoras. Hoje, contando com o apoio de quase toda a mass media brasileira, que a tem por ‘grande cantora’, é empurrada ‘goela abaixo’ do público pela televisão, que lhe dá um espaço imenso nos principais canais abertos, sem contar os sucessivos apelos propagandísticos. Mas nem toda a máquina publicitária pode esconder a péssima qualidade do seu repertório, que não resiste a um exame qualitativo mais minucioso. ‘Carro velho’, sucesso comercial na sua voz, revela bem o quão criativa é a leitura de mundo da cantora: ‘Cheiro de pneu queimado. Carburador furado. Coração dilacerado. Quero meu negão do lado. Cabelo penteado. No meu carro envenenado. Eu vou, eu vou, então venha. Pois eu sei. Que amar a pé, amor. É lenha’.

Nos anos 2000, no entanto, a axé music entrou em colapso no mercado. Os carnavais fora de época (micaretas) foram aos poucos desaparecendo pela perda crescente de público. Os grupos ‘clássicos’ do período deixaram de existir não por brigas de seus integrantes, mas pela simples falta de shows. O mercado usou e abusou da axé music enquanto era lucrativa. Quando deixou de sê-lo, descartou-a, substituída que foi, nas rádios comerciais, pelo forró universitário e pelo funk carioca (cuja nomenclatura correta é ‘batidão’). Nem mesmo o movimento da ‘suingueira’, capitaneado por ‘pérolas’ do nível de ‘Re­bolation’, associado a um amplo apelo midiático que tem por diretriz espicaçar os ‘sucessos do carnaval’, conseguiu ressuscitar o declínio inexorável daquele gênero musical moribundo”. Continue lendo.

Há um complô – o Projeto Camelot – das redes de televisão, criadas pela ditadura militar de 64 – contra a Cultura brasileira. Um projeto de desnacionalização, que beneficia a indústria de cultura de massa globalizada. Uma internacionalização que envolve a editoração de livros, a desvalorização dos autores brasileiros; o cinema, pela reserva de mercado para o cinema estadunidense. E assim vai. Todo processo de colonização, desde as conquistas do Império Romano, começa pela cultura. A construção do Templo de Jerusalém, por Herodes, o Grande, provocou a divisão religiosa dos judeus.

Não sei bem a motivação de governadores e prefeitos pelas cantoras brancas do MIB. Talvez os cachês pagos.  A procuradora do Recife Noélia Brito ingressou com pedidos no Tribunal de Contas de Pernambuco e na Promotoria Pública, questionando os gastos da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes com o show de Cláudia Leitte. Leia. É uma excelente, exemplar e pioneira denúncia.

Na Universidade Livre, Noélia Brito participou de um debate sobre a MPB,  com os jornalistas Ricardo Antunes, Antonio Nelson e Lúcia Helena Valle, cujas opiniões transcrevo, nos trechos acordados. Vou chamar de texto coletivo, e para maior autenticidade deixo o verbo na primeira pessoa e não faço distinção de gênero:

Divas da música brasileira… onde se encaixa Ivete?

Ivete Sangalo em Ipojuca, o segundo maior PIB de Pernambuco depois do Recife
Ivete Sangalo em Ipojuca, o segundo maior PIB de Pernambuco depois do Recife

“Diva… cantora… intérprete… Cada uma das palavras aqui tem sua força, quando falamos em música.  E não há como pensar em grandes interpretações – imortalizadas pelas grandes vozes que cravaram nas canções sua marca indelével – sem pensar em seus intérpretes… Quem consegue ouvir ‘Como Nossos Pais’ sem, de algum modo, lembrar-se de Elis Regina? Ou, como esquecer a releitura de Marisa Monte em Luiz Gonzaga, cantando-o como Blues, em ‘Xote das Meninas’?

Aqui, não vai nenhuma crítica ou azedume explícito direcionado à tal senhora do título deste artigo: Ivete Sangalo. Até porque eu gostaria muitíssimo de ter o que criticar: Ivete canta em tons muito altos… Seu repertório traz elementos ecléticos de mais (ou de menos)… sua postura em apresentações precisa ser revista… e por aí vai. Mas, como criticar uma arquiteta por má prática da medicina? Ou, como criticar uma animadora de palco por ser uma cantora medíocre? Não dá. Ela precisaria desenvolver ainda outras tantas habilidades que não possui, tadinha. Para que eu pudesse criticá-la como cantora.

Na atual cultura musical, basta ser amigo do Faustão para ser ‘canonizado’ cantor e intérprete. Ou do Luciano Huck. Pronto: virou ‘intocável’. A questão é: onde fica TODO aquele legado deixado por Elis, Maysa, Nara Leão [A Divina, Elizeth Cardoso] , enfim, simplesmente esquecer que já tivemos legítimos representantes de nossa cultura, rica em diversidade, sons, arranjos, cores e jeitos? Não, meus senhores, obrigada: vocês me violentam obrigando-me a ouvir interpretações tão vazias como a cabeça dessa senhora.

Exemplo? Ah, bem, vamos lá. O que dizer da obra-prima: ‘Que vai rolar a festa/ Vai rolar!/ O povo do gueto/ Mandou avisar…’  Lindo, né? Desde que a galera do ‘gueto’ fique lá mesmo, viu, ‘zifio’? As letras são racistas, colocando o ‘povão’ no seu devido lugar, perpetuando uma cultura escravocrata de mentalidade colonial que ainda – e assombrosamente – teima em existir em um país de mestiços.

A interpretação de Ivete é menos que medíocre. Nunca vi ninguém que vai a seu show  dizer: ‘mas ela canta muito! Trouxe arranjos diferentes, interpretou magistralmente!’. Já vi muita gente comentar: sua ‘energia’,  ‘presença de palco’ e  ‘animação’. Até onde sei, essas não são qualidades necessárias a uma grande intérprete da música. Toda essa ‘energia, traz o que, em termos de música? Nada. E, como ouvintes idiotizados de sua música, prosseguimos com ela. Uma legião.

Então entra a galera da ‘éducassão’ pra clamar pela falta dela. Mas, se nossas ‘divas da música’ atacam políticos do alto de seus trios elétricos, e se dirigem a eles com uma linguagem própria de qualquer profissional da estiva, e se sagram el máximo, como exigir desse público um comportamento diferenciado? Infelizmente, a idiotização dessa parte da população chega mais rápido quando fomentada por Ivetes Sangalo da vida”.

 Um pedido de beijo na boca do prefeito

Cartazete na internet
Cartazete na internet

Claudia Leitte pede um título de cidadania para Eduardo Campos. Ivete Sangalo, um beijo do prefeito de Salvador.

Narra a Folha de S. Paulo: “Ao passar pelo camarote da Prefeitura de Salvador, a cantora Ivete Sangalo constrangeu o prefeito ACM Neto (DEM) nesta terça-feira (12).

A cantora interrompeu a música que cantava e brincou com o político, pai de duas meninas –de cinco e dois anos– e solteiro desde o fim de 2011.

‘Que moça bonita, Neto, parece a Carla Bruni. Como é seu nome? Para a gente ficar logo amiga e você me jogar na comitiva…’, disse a cantora.

‘Neto, deixe eu lhe dizer uma coisa: não é porque eu sou cantora que não faço xixi, não é porque você é prefeito que não vai ser miseravão [gíria baiana para namorador]. Quero ver um pitoco. Se quiser de língua, também pode’, disse Ivete, antes de puxar o coro: ‘Beija, beija’.

O prefeito gesticulava que não e sorria enquanto a multidão gritava.

‘Não adianta, prefeito, eu só vou sair daqui quando você beijar. Esse homem sempre foi tímido’, disse Ivete.

O pedido, porém, não foi aceito, e a cantora teve de seguir adiante.”

Esse “ataque político”, de Ivete, ao invadir o camarote do prefeito, demonstra que perdeu o censo ao comparar, em uma ensolarada tarde de Salvador, uma menina de cinco anos com Carla Bruni, ex-primeira dama da França, e pedir um beijo de língua para uma pai, na frente das filhas crianças. Esse pode tudo das “divas” não tem lógica, além da ostentação de novas ricas. A soma do sucesso passageiro + dinheiro.

Volto a repetir: insondável o rasga dinheiro do povo, pela secretárias estaduais de Cultura, na desmoralização da música brasileira, com o apoio da Tv Globo que, para Flávio Ricco, faz o mesmo com as novelas.

“Ninguém exige das novelas perfeição absoluta em todos os detalhes. Determinadas coisas podem perfeitamente passar batido, sem incomodar quem quer que seja, até os mais exigentes. O que não se deve é subestimar a inteligência do público ou não calcular o estrago que o uso errado das palavras pode causar na vida de muitas pessoas. É preciso tomar muito cuidado com isso”, analisa Ricco, que demonstra o papel nocivo da televisão:

“É uma situação semelhante ao ‘vareia‘ do Renato Aragão, de há muitos anos, que de tanto ele usar virou vício para tristeza das nossas escolas e dos seus educadores. A televisão, como agora está fazendo, só tratou de espalhar o que não deveria.

Por que não evitar essas coisas? Vale lembrar aos nossos autores que existem zilhões de situações que podem ser engraçados nas novelas ou programas. Falar e ensinar errado, com toda certeza, não precisa ser incluída no meio delas”.

A idiotice musical vai longe. Tanto que ninguém reclama quando um cantor brega esconde o nome do letrista e do compositor de um música comercial.

Outra faceta –  costumeiro abuso capitalista:  comprar uma letra e/ou uma composição, e registrar como criação de autoria de algum interprete.

Na música clássica e popular, a poesia foi musicada por imortais compositores. São raros os nomes de cantores que a história registra.  O primeiro aparelho capaz de gravar e reproduzir sons foi inventado em 1877, por Thomas Edson.

Excelentes compositores e letristas existem, no anonimato, e não são os responsáveis pela degeneração da música brasileira. É que a música como espetáculo, indústria – um fenômeno mundial -, sucesso descartável de uma Madona, de uma Ivete Sangalo, visa ser “eterna enquanto dure nas paradas”. 

Ceará

A desfiguração da maior festa popular do Brasil

Geraldo Julio, Eduardo Campos e Felipe Carreras
Geraldo Julio, Eduardo Campos e Felipe Carreras

Dinheiro para festanças, para o circo sem pão, e obras faraônicas nunca faltou.

O “melhor” dessas festas, que os governadores e prefeitos promovem nas cidades com imensos currais eleitorais, acontece nos camarotes, montados nas alturas, das autoridades e lobistas das empreiteiras.

Escreve Noélia Brito: “A Secretaria de Turismo do Recife, comandada pelo empresário Felipe Carreras, por meio de inexigibilidade de licitação, vai desembolsar nada menos que R$ 1.625.000,00 para patrocinar três eventos no final de 2013 e início de 2014, em nossa cidade.

Só para patrocinar a Copa da Nações de Beach Soccer 2013 e a Copa América de Beach Soccer, a Prefeitura do Recife vai pagar à empresa Koch Tavares Promoções e Eventos a bagatela de R$ 1 milhão.

Para o patrocínio do tradicional Baile do Menino Deus, a empresa Relicário Produções Culturais e Ediatoriais receberá R$ 625 mil. Confiram

São festas mil. Veja mais uma. Informa Antonio Nelson: “O contratante é a Fundação de Cultura do Recife. Na virada do ano, no polo de Boa Viagem, sobem ao palco Titãs, Patusco, Elba Ramalho e Spok Frevo Orquestra – músicos pernambucanos -.

Titãs receberá R$ 275.000,00 para única apresentação. Os artistas locais – a Spok Frevo aufirerá R$ 60.000,00.

Já Elba R$ 160.000,00. O show da artista, no São João, saiu no valor de R$ 90.000,00. Já no “Ciclo Natalino 2013″ a Fundação paga R$ 160.000,00.” Veja os contratos

Não se faz nada que preste para o povo. Boa Viagem, cercada por favelas, não possui nenhum mercado público. O governo municipal, com as escolas e postos de saúde sucatados, não tem biblioteca pública, e não investe nada em eventos culturais. Prefere gastar dinheiro na degeneração da música brasileira. Na descaracterização do nosso folclore.

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A MAIOR FESTA POPULAR DO BRASIL

Escreveu Câmara Cascudo (1962): “Natal é a maior festa popular do Brasil, determinando um verdadeiro ciclo, com bailados, autos tradicionais, bailes, alimentos típicos, reuniões etc. De meados de dezembro até Dia de Reis, 6 de janeiro, uma série de festas ocorre por todo o Brasil, especialmente pelo interior, onde a tradição é mais viva e sensível. O bumba-meu-boi, boi, boi-calemba, cheganças, marujadas ou fandango, pastoris com as velhas lapinhas de outrora, congadas ou congos, reisados estão nos dias mais prestigiados”.

A Tv Globo cuidou, conforme o Projeto Camelot, de acabar com “todos esses divertimentos, públicos, nas festas particulares ou  nas sociedades”. Um Projeto da Ditadura Militar que continua.

É! não se faz nada que preste para o povo.

Não se investe em lazer. Recife não tem nenhum passeio público.