HOMEM É ATROPELADO APÓS AÇÃO DA GUARDA MUNICIPAL CONTRA DESPEJADOS DA FAVELA DA OI NO RIO

CINCO PESSOAS JÁ MORRERAM

estudante atropelado

Vídeo com imagens de VIK BIRBECK e GUILHERME CHALITA

Rio — Depois de quatro dias de vigília, na tarde de ontem, desabrigados da Favela da TELERJ foram informados de que não houve acordo com a Prefeitura, o que gerou revolta. Guardas municipais, então, bloquearam a passarela de acesso ao Metrô, estação Cidade Nova, obrigando os pedestres a atravessar a Avenida Presidente Vargas pela rua. Um homem foi atropelado e morreu momentos depois.

Após o atropelamento, veículos do monopólio anunciaram que o homem identificado como Luiz Fernando, 19 anos, estava praticado crimes nas imediações. Os desabrigados dizem que o homem era trabalhador e que Guardas Municipais teriam liberado o motorista que o atropelou. Hoje pela manhã, nossa redação pediu explicações à secretaria de segurança e à Guarda Municipal, sobre as acusações contra Luiz Fernando, porém não fomos respondidos em nenhuma das tentativas. Nas delegacias locais, nenhum registro de roubo ou furto foi registrado na tarde de ontem (15). In jornal A Nova Democracia

ATROPELADO É IDENTIFICADO

por Vik Birkbeck

Na Contra Mão:

Fernando morreu porquê a Prefeitura mandou a Guarda Municipal impedir as pessoas a utilizar a passarela pública para atravessar a via perigosa do Presidente Vargas. O carro que atropelou o estudante de Manguinhos, que participou da ocupação do antiga Telerj, parou para prestar socorro ao rapaz, mas o GM o mandou embora sem ao menos anotar a placa do carro. O rapaz chegou a ser levado para o Hospital Souza Aguia mas não resistiu aos ferimentos.

A Rede Esgoto, que não esteve presente, se apressou a dizer que o rapaz era assaltante, mantendo sua tradição de afirmar que pretos e pobres são sempre culpados da própria morte.

Como Fernando, milhares de pessoas ficarem desabrigados com a violenta invasão do antigo Telerj, edifício da união abandonado ha quase vinte anos. Muitas pessoas, sonhando com a possibilidade de uma casa própria, investirem todas suas economias na compra de madeira para fazer barraco. Hoje muitas dessas pessoas estão ao relento. A Prefeitura, ao invés de buscar uma solução, vai enxotando as pessoas de um lado para outro. Com a morte do Fernando sobe para cinco o numero de mortos.

O FB ESTA AMEAÇANDO TIRAR ESSA FOTO DO AR – “POR DENUNCIA”. VIOLENCIA PODE. O QUE NAO PODE É MOSTRAR O QUE ACONTECEU. In Facebook. Veja vídeo

ESTADO AUTORITÁRIO DE DIREITO PROMOVE DESPEJO DA FAVELA DA OI

por Daniel Mazola

 

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Na cidade dos megaeventos, onde será realizada a “Copa das Copas”, o sonho de muitas famílias foi atropelado por um contingente de mil policiais militares.

Os PMs chegaram ao local às 4h da madrugada para cumprir a ordem de reintegração de posse a “mando” da Oi, e do Estado reacionário. Foram registrados momentos de pânico dos moradores da ocupação, que não se intimidaram e enfrentaram a repressão. Em inúmeros momentos, jornalistas e midiativistas flagraram policiais disparando tiros de munição letal contra moradores com pedras e paus.

Policiais do Bope com touca ninja por baixo do capacete, armados com fuzis; agentes do Batalhão de Ação com Cães; bombeiros e guarda municipal. Muitas viaturas estacionadas e outras fazendo o transporte dos agentes. Muitos disparos de bala de borracha, mas também, (irresponsavelmente) foi possível ouvir som de disparo de arma de fogo.

Moradores da ocupação relataram que mesmo enquanto passavam crianças, a repressão continuava. Os sem teto gritavam: “criança passando, criança passando”, mas os agentes continuavam utilizando spray de pimenta muito perto e bombas de efeito moral. Um morador que foi atingido por bala de borracha foi para o hospital Salgado Filho e perdeu o olho.

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Um menino de 9 anos ficou ferido, também atingido por bala de borracha. Há diversos relatos de moradores que havia muitas mulheres grávidas na ocupação e também crianças recém nascidas. Seres humanos em pânico, covardia, truculência, crueldade, irresponsabilidade, violência, terror. Parece que esse será o único legado da Copa do Mundo no Brasil para o povão. “A rua agora é a nossa única casa!”, veja o vídeo produzido pelo jornal A Nova Democracia:

“Copa das Copas’, pra quem?

No estado autoritário de direito “vivemos” o drama secular da exclusão e da falta de políticas públicas de qualidade, em função disso, a partir dessa semana, as manifestações em torno de um dos maiores megaeventos do planeta vão explodir com mais intensidade por todo o Brasil.

Os protestos contra a Copa do Mundo representam a luta pelos interesses do povo e a defesa da dignidade humana, ferida por leis de exceção e pelo processo covarde de construção da Copa do Mundo da FIFA. Mas segundo Dona Dilma Rousseff: “Os brasileiros estão prontos para mostrar que sabem receber bem os turistas e contribuir para que esta seja a Copa das Copas”.

Copa das Copas pra quem? Para os turistas, as empreiteiras e a corrupção, para a mídia corporativa (Globo e similares). Para o povão, certamente que NÃO!

ATO Pelo fim das UPPs! Pelo fim das Remoções. Sem Saúde, Educação, Transporte e Moradia, Não Vai Ter Copa! Será na próxima terça feira, 15 de abril, às 18h na Candelária. Em apoio às lutas e manifestações, transcrevo a seguir o chamado e as reivindicações da Frente Independente Popular – RJ. Vamos pra rua!

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PELO FIM DAS UPPS! PELO FIM DAS REMOÇÕES!

O futebol é o esporte das multidões; esporte das mais intensas paixões dos povos ao redor do planeta. Não negamos a importância do futebol para o povo brasileiro nem mesmo o papel do esporte e do lazer em uma sociedade. Entretanto, a Copa do Mundo da FIFA não se resume a um evento esportivo.

O grito ‘NÃO VAI TER COPA’ surgiu nas ruas, no levante popular de junho de 2013, quando milhares de pessoas em diversas cidades do país lutaram por melhores condições de vida e de trabalho. Gritar ‘NÃO VAI TER COPA’ é se posicionar contra o total domínio do poder econômico e de seus interesses nas decisões políticas, que devem ser determinadas pelo povo e voltadas única e exclusivamente às suas reais necessidades. Não podemos fechar os olhos para os crimes que estão sendo cometidos em nome da Copa do Mundo. Calar-se para o ‘NÃO VAI TER COPA’ é trair o povo pobre, é trair a luta contra a desigualdade social. É TRAIR as ruas!

Por que gritamos NÃO VAI TER COPA?

REMOÇÕES

Em nome da Copa do Mundo e das Olimpíadas, despejos ilegais e graves violações aos direitos humanos foram e estão sendo cometidos. Comunidades inteiras foram e estão sendo riscadas do mapa, acabando com a vida de milhares de pessoas.

As remoções geram dor, tristeza, abandono e morte. Todo o processo é uma tortura. Desde a pichação para marcar as casas (que lembram práticas nazistas) que serão demolidas, a pressão covarde – com intimidação e ameaças – dos agentes públicos da SMH (Secretaria Municipal de Habitação), até a retirada à força, muitas vezes, com a polícia empunhando armas de fogo para as pessoas saírem de suas próprias casas.

O Estado Burguês brasileiro, conhecido como Estado Democrático de Direito, nega o direito de toda a pessoa a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família os serviços sociais indispensáveis à dignidade humana – saúde, educação, limpeza urbana, transporte e HABITAÇÃO. O direito à moradia é completamente negado pelo Estado Burguês.

A Copa reproduz a exclusão social e racial. Aprofunda problemas sociais e ambientais nunca solucionados.

Mais de 250.000 famílias foram removidas e/ou vivem ameaçadas de remoção. Os gastos para a Copa do Mundo no Brasil passam os incríveis R$ 30 Bilhões (até o momento). Em comparação, as últimas três Copas do Mundo somadas chegam a R$ 25 bilhões.

ENORMES GASTOS PÚBLICOS E ELEFANTES BRANCOS

O que são os Elefantes brancos? São obras extremamente caras, grandiosas e, no entanto, TOTALMENTE INEFICIENTES. Na linguagem popular é o famoso “jogar dinheiro no lixo”.

Os estádios de Brasília, Cuiabá, Manaus e Natal não deverão sair por menos que três bilhões de reais no total. A verba será financiada via BNDES e pelos governos estaduais, que são composições de verbas públicas, portanto, o nosso dinheiro.

O estádio Mané Garrincha, em Brasília, por exemplo, tem capacidade máxima para 71 mil pessoas. A contradição salta aos olhos quando olhamos para o público do primeiro jogo da final do campeonato brasiliense do ano passado: 1.956 pagantes. O mesmo cenário se repete nas outras três cidades mencionadas.

Em Manaus, o absurdo é ainda maior! O Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, ligado ao Tribunal de Justiça do Amazonas, levantou a hipótese de transformar o recém-construído estádio em um ‘presídio’ temporário.

A reforma do Maracanã custou quase dois bilhões de reais e apenas três jogos da Copa do Mundo serão realizados no estádio. Gastou-se um valor maior do que construir um novo! O novo estádio, agora “arena”, apagou a identidade histórica do Maracanã. Torcedores e até jogadores da seleção espanhola e italiana tiveram essa sensação ao entrar no novo estádio: “Cadê a geral?” “É muito europeu.” “Igual aos outros estádios, perdeu a mística…”

OPRESSÃO DE GÊNERO E RAÇA

A Copa do Mundo da FIFA reproduz as antigas práticas machistas e incentiva a mercantilização do corpo.

Um exemplo são as camisetas vendidas pela Adidas, uma das multinacionais que patrocinam o megaevento. As camisetas estampam bundas de mulheres, e numa alusão grosseira reforçam a opressão de gênero e, em especial, as cotidianas agressões sexistas contra as brasileiras.

Somado a isso está o racismo: a FIFA se cala sobre inúmeros casos de racismo nos campeonatos europeus e pelo mundo; por ser negro, um casal foi recusado pela FIFA, com respaldo do governo, de apresentar o sorteio dos grupos da Copa – com o discurso de que o casal não se enquadra aos “padrões europeus”.

A Copa só fará aquecer ainda mais as redes de aliciamento que se beneficiam do mercado da exploração sexual. Na África do Sul, por exemplo, o número estimado aumentou de 100 para 140 mil, durante o megaevento de 2010.

O Brasil possui um dos maiores níveis de exploração sexual infanto-juvenil do mundo. Há denúncias do aumento de exploração sexual, incluindo crianças e adolescentes, nos arredores dos estádios e das grandes obras urbanas da Copa, que revelou, por exemplo, que garotas de 11 a 14 anos estão se prostituindo na região do Itaquerão, Zona Leste de São Paulo.

ELITIZAÇÃO = SEGREGAÇÃO NOS ESTÁDIOS

Os novos estádios ou arenas, só ficam ao nível da aparência. Na prática, há um trágico efeito colateral em curso: os custos das novas “arenas” (pagos com o dinheiro público, sendo assim, nosso dinheiro) são embutidos no preço dos ingressos, que ficam mais caros, gerando uma elitização do futebol. É o resultado da privatização dos espaços públicos – empresas capitalistas que só visam o próprio lucro passam a controlar espaços públicos.

Os tradicionais torcedores, a classe trabalhadora, os mesmos que construíram os estádios ou arenas, são excluídos de seus direitos, pois um trabalhador(a) não tem como pagar um ingresso que chega a custar 50% (ou mais) do salário mínimo.

Uma recente pesquisa apontou que no atual Campeonato Brasileiro os ingressos das novas arenas estão em média 119% mais caros que os nos estádios antigos.

REPRESSÃO

Mais preocupante que a campanha orquestrada para desqualificar os que criticam a Copa do Mundo é o movimento orquestrado pelo Estado brasileiro para expandir o aparato repressivo visando sufocar protestos durante o megaevento – e muito provavelmente, depois.

Este movimento tem atuado em duas frentes: uma legislativa e outra ostensiva (policial e militar). Os projetos de lei que visam tipificar o crime de terrorismo no Brasil criam subterfúgios jurídicos para que o Judiciário possa enquadrar movimentos sociais e manifestantes como terroristas.

O governo federal agora envia Tropas Federais ao Rio de Janeiro com o discurso de conter o tráfico de drogas. O tráfico sempre existiu, nunca acabou. Por que agora? É uma ação dos governos (federal, estadual e municipal) para justificar a vinda das tropas federais, auxiliando na invasão das favelas, na instalação ou reforço das UPPs, ampliando o domínio e repressão do Estado e aumentado o lucro capitalista, já que a primeira ação do Estado é abrir as portas para que empresas privadas consigam novos consumidores.

Em um contexto de indignação e protestos, aumentam as forças repressivas para sufocar, reprimir e controlar as lutas populares, especialmente as seguidas revoltas que têm ocorrido nas favelas, locais de inúmeros focos de resistência. Pois é nas favelas que cotidianamente o povo pobre e negro é perseguido, torturado e assassinado.

O que aconteceu em Manguinhos foi mais uma revolta popular! Pois cerca de cem famílias ocuparam um galpão (vazio) atrás da biblioteca Parque de Manguinhos. A polícia militar tentou retirar as famílias à força. Diante da resistência dos moradores, os policiais atiraram bombas de gás e de efeito moral; a população respondeu com uma chuva de pedras e garrafas. Em seguida, os policiais começaram a atirar com armas de fogo. Várias pessoas ficaram feridas. Quatro jovens foram baleados. Um está em estado grave. É a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, das lutas e ocupações.

PROTESTOS

Diante de tantas arbitrariedades, violações de direitos humanos, processos de total exclusão social, apropriação do patrimônio público, desvio de verba pública, entre outros vários crimes contra o povo, protestar contra a realização da Copa da FIFA no Brasil não só é legítimo – é também um dever. Portanto, não se deixe intimidar por discursos mentirosos e por um patriotismo cego e incoerente com as necessidades do povo ou ainda por artigos escritos por jornalistas e intelectuais cujo verdadeiro compromisso é com determinado partido político ou com o próprio bolso.

A atuação da polícia contra as manifestações se intensifica, fato que ficou claro no protesto do último dia 25 de janeiro, quando o manifestante Fabrício Proteus Chaves foi baleado à queima roupa (quase o levando a morte) por policiais militares. Este covarde episódio que apenas representa a rotina nas favelas e periferias do Brasil, nos coloca em alerta para futuras manifestações.

Nem a violência policial nem o discurso mentiroso da desqualificação nos fará parar. Somos parte do povo e lutamos pelo povo e com o povo. Nada impedirá de desfrutarmos do direito constitucional de protestar, sobretudo contra uma Copa do Mundo mergulhada em podridão e crimes – que inclusive levou à prisão e morte pessoas que sofreram com as truculentas remoções ou pelo processo de “limpeza” social.

Os protestos contra a Copa do Mundo no Brasil representam a luta pelos interesses do povo e a defesa da dignidade da pessoa humana, ferida por leis de exceção e pelo processo covarde de construção desta Copa do Mundo da FIFA.

O ATO será nesta terça feira, 15 de abril, às 18h, Candelária – Pelo fim das UPPs! Pelo fim das Remoções. Sem Saúde, Educação, Transporte e Moradia, Não Vai Ter Copa!

 

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Fotos da equipe do jornal A Nova Democracia, com destaque para Patrick Granja.

Tempo de dizer: adeus, senzala!

Via Mídia Ninja – Tribuna da Imprensa
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Mais de mil garis, em sua maioria negros, pais e mães de família, moradores das periferias e favelas do Rio, foram ovacionados hoje pelos cariocas em uma inesquecível passeata que começou na Prefeitura do Rio e tomou o centro da cidade como uma verdadeira onda laranja abolicionista. Porque a primeira coisa que o Brasil precisa reconhecer é que a luta dos garis se ergue contra os resquícios de escravidão mais arraigados em nossa sociedade.
Foram sucessivas as tentativas de desqualificação do movimento grevista. Elas partiram tanto do executivo municipal quanto da mídia corporativa, os fiéis representantes das posições mais conservadoras de uma elite tão escravocrata que é capaz de conviver com uma das mais aberrantes desigualdades econômicas de todo o planeta e ainda patrocinar um genocídio cujo maior homicida é justamente o Estado, através da Polícia Militar.

Resquício de DITADURA e resquício de ESCRAVIDÃO combinados dantescamente na mesma cena. Mas havemos de amanhecer, há esperanças e os garis são a prova! A luta dos trabalhadores da Comlurb tocou o coração dos brasileiros e conquistou de imediato o apoio da população carioca que, emocionada, já vê como vitoriosa a luta protagonizada por eles.

Venceram um sindicato pelego. Venceram a intimidação e as ameaças do prefeito. Venceram o assédio desmobilizador da mídia que insiste na ‘versão oferecida pelo patrocinador’ em detrimento de sua própria função social. Venceram o açoite do tronco e a mão opressora do chicote no lombo.

Quem viu os carros do Choque seguindo os caminhões de lixo, viu com os próprios olhos que a greve dos garis é um levante da senzala. É povo pobre, negro e trabalhador daqui, inventando por si próprio este país que é seu. Não se pode perder a esperança num país em que os garis aproveitam o carnaval para derrubar os portões da senzala e sambar em cima do lixo, nas portas da Casa Grande.

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70% dos garis continuam em greve no Rio de Janeiro

O protesto dos garis que anunciaram que continuariam em greve nesta quinta-feira (6) terminou por volta das 15h35, em frente à Câmara Municipal do Rio, no Centro. Os manifestantes prometem um novo ato para esta sexta-feira (7), com concentração a partir das 10h, em frente à Prefeitura do Rio.

Na Câmara Municipal, líderes do movimento pronunciaram discursos e cantaram uma paródio do samba da Unidos da Tijuca, campeã do carnaval do Rio neste ano: “Acelera Comlurb que eu quero ver, esse lixo vai render”.

Fura-greves e trabalhadores avulsos, com escolta armada de guardas municipais e empresas de segurança, assumiram a coleta de lixo em alguns pontos da Cidade, conforme decisão do prefeito Eduardo Paes.

“Nós somos trabalhadores e decentes. Mobilizaram uma escolta armada pra que? Somos bandidos? Que venha bala de borracha e bomba de efeito moral. Quero meu direito de cidadão. A nossa proposta era de 1200 de salário básico, 40 por cento de insalubridade nesse valor, auxilio creche, salários diferenciados , tiquete refeição de 20 reais e a da prefeitura era de 800. Nós queremos um salário digno. Isso aqui é independente de sindicato, o sindicato nao nos representa mais. O nosso trabalho ninguém quer fazer. O prefeito nao quer pagar por isso. “, disse William Rocha de Oliveira, da comissão de greve da Comlurb.

Galeria de fotos da sujeira

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Mais uma molecagem de Eduardo Paes e Sérgio Cabral

por Garotinho

Como sempre as Organizações Globo (O Globo e Extra e RJ TV) cumprem seu papel de porta-voz oficial do PMDB – RJ. Afirmam que o PR estaria por trás da greve dos garis. Francamente, isso é um absurdo. Da mesma maneira que inventaram que o partido patrocinava os Black Blocs para salvar Cabral, agora querem nos por a culpa pela incompetência da prefeitura em resolver seus problemas.

Quero deixar claro que embora respeite o direito de greve dos garis, como de todos os trabalhadores, não tenho nenhuma participação no movimento. Aliás, soube da greve pelo jornal, que por sinal afirmava que eram apenas 300 garis de um total de 15 mil, enganando a população, que agora vê que 70% estavam parados.

O lixo que se acumula pelas ruas do Rio é um problema que deve ser resolvido pelo prefeito dialogando com as partes envolvidas. Querer usar uma foto de alguém que está à frente do movimento tirada comigo pelo fato de ter sido candidato a vereador nas últimas eleições é uma falta de compromisso com a verdade.

Cabral e Paes têm essa mania querem sempre arrumar um culpado para a incompetência deles. Quer dizer que agora o prefeito não se entende com os garis, o culpado é Garotinho? As UPPs vão mal, o culpado é Garotinho? Quem gastou em R$ 1,2 bilhão em publicidade e marketing nos últimos sete anos podia pelo menos arrumar uma desculpa melhor.

O Carnaval mais sujo da história do Rio de Janeiro

Os garis unidos contra o Sindicato submisso
Os garis unidos contra o Sindicato submisso
 
O Rio de Janeiro teve o Carnaval mais sujo de sua história. Sujeira do prefeito que mandou demitir 300 garis. Sujeira do Sindicato que traiu a classe. Sujeira da Polícia Militar e guardas municipais que bateram nos grevistas.
Prais do Leblon, hoje no Rio. (Foto: Renata Soares/G1)
Praia do Leblon, hoje no Rio. (Foto: Renata Soares/G1)
 A resposta dos garis, que decidiram escapar do mando da pelegada do Sincato, foi que o prefeito Eduardo Paes fosse varrer as ruas. Os lá de cima da Prefeitura não são de pegar no pesado. E sim noutras coisas. E o Rio foi uma sujeira só desde sábado de Carnaval. 
 

Por decisão do prefeito Eduardo Paes, escoltas armadas estão acompanhando todos os caminhões da Comlurb para garantir a coleta. Para  Paes, a maioria dos garis compareceu ao trabalho durante o carnaval, mas foi impedida de trabalhar por “delinquentes”, inclusive grupos armados. Isso não é verdade.

Os garis realizaram vários protestos. A polícia de Sérgio Cabral jogou bombas de gás lacrimogêneo e atirou com balas de borracha. Os líderes grevistas foram presos. 

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Ato contra demissão garis

Paes também disse que vai suspender a todas as demissões para os garis que retornarem ao trabalho. Derrotado, prometeu atender todas as reivindicações dos garis: uma alta salarial para R$ 1.200, o pagamento de horas extras e outros benefícios. 

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████████████████ Brasil realmente tem vivido tempos interessantes. Com a mais pura estratégia, garis paralisaram seus trabalhos durante o Carnaval no Rio de Janeiro, período de maior atenção e turismo na Cidade Maravilhosa. Ao parar, a Cidade fedeu, os lixos acumularam e o debate sobre a greve acendeu.

Direito a greve é mais do que uma garantia inscrita na Constituição Federal. Ao parar a exploração de seu trabalho, clama-se pelo reconhecimento da importância da função e acontraprestação oferecida. É um ativismo político dos mais sangrados, mas que, ainda hoje, oferece resistência e grandes resultados.

“Garis não são diplomados” – dirá a pessoa contra o aumento de salários. Para essa pessoa, a desigualdade é algo tão natural quanto o nascer do sol, e não imposto pelo sistema econômico. Além disso, menospreza-se o valor do trabalho pela ausência de diploma, como se a graduação fosse indicativo de nobreza, na pura tradução do pensamento aristocrático. Típico sintoma da alienação intelectual, onde acredita-se que o trabalho material não exige conhecimento, enquanto o trabalho intelectual é responsável unicamente pela criação de toda sabedoria, e portanto, merece a maior das remunerações. 

Argumenta-se ainda que os “Garis foram chantagistas”, ao escolher a fatídica época para interromperem a função. Ora, greve nada mais é do que parar as atividades para atrapalhar o funcionamento da máquina, tudo para forçar o debate sobre a valorização da função.

Infelizmente, no caso dos garis, em razão do elo fraco no cabo de guerra, os grevistas foram demitidos, numa clara demonstração de arbítrio e falta de diálogo. Hoje, funcionários intimidados pela demissão foram trabalhar, sob o protesto dos grevistas. Além disso, o Tribunal Regional do Trabalho julgou a greve ilegal. Ao que parece, a Greve não é permitida no carnaval da Democracia brasileira.

 
 

Prefeito do Rio chama de “filhinhos de papai mimados” o porteiro e o tatuador acusados de matar cinegrafista

Porteiro Caio Silva de Souza
Porteiro Caio Silva de Souza
aprendiz de tatuador
Fábio Rapozo aprendiz de tatuador

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB),  classificou de “filhinhos de papai mimados” os rapazes presos pela explosão do rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade.

Ao criticar a violência nas manifestações, o prefeito afirmou que “desta vez foi um bando de filhos de papai mimados” que destruiu a vida de uma pessoa. “Eles precisam ficar na cadeia por muito tempo. Precisamos é de menos impunidade no Brasil e no Rio de Janeiro. Protesto faz parte, o que não pode acontecer é sair na rua tirando seus recalques, atacando os outros com violência”, disse Paes.

O prefeito exagerou. “Desta vez”, como sempre acontece, foram dois pés-rapados conhecidos da polícia.

Um dos acusados, Caio Silva de Souza, mora em Nilópolis, na Baixada Fluminense, e trabalha no Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, na Zona Oeste da capital, como porteiro da unidade de saúde, contratado pela empresa Hope Serviços, que é contratada pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro. Deve receber um salário mínimo, e vive miseravelmente.

Caio Souza tem quatro registros na polícia do Rio. Em 2008, deu queixa dizendo ter sido agredido pelo irmão. Em 2010, foi levado duas vezes à delegacia  por suspeita de porte de drogas,  mas não chegou a ser acusado. E, em 2013, foi à polícia dizer que tinha sido agredido em um  protesto no Centro do Rio.

O outro, Fábio Raposo Barbosa, de 22 anos, foi preso na casa dos pais, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio.

Fábio Raposo já esteve detido, pelos menos, duas vezes. Uma delas foi registrada na 5 ª DP (Mem de Sá) no dia 7 de outubro de 2013. Na ocasião, o tatuador foi fichado pelos crimes de dano ao patrimônio público e associação criminosa. Há notícia do envolvimento de Fábio com drogas.

Em uma outra ocorrência, registrada no dia 22 de novembro de 2013 na 14ª DP (Leblon), Raposo foi autuado pelo crime de ameaça.

Fábio mora sozinho em um edifício no Méier, na zona Norte do Rio, e abandonou a faculdade de contabilidade para “tentar se tornar um tatuador”, informa a Folha de S. Paulo. Portanto, não tem trabalho fixo. O apartamento servia de residência e atelier.

Os governos de Sérgio Cabral e Eduardo Paes debaixos d’água

Maracanã hoje. É rezar para uma Copa do Mundo sem chuva. A reformou comeu mais de um bilhão... Dinheiro rasgado e molhado. Jogado na lama
Maracanã hoje. É rezar para uma Copa do Mundo sem chuva. A reformou comeu mais de um bilhão… Dinheiro rasgado e molhado. Jogado na lama

Falta pouco para a expressão “imagina na Copa” perder o sentido. A população do Rio de Janeiro, no entanto, ainda não tem razões para crer que problemas históricos, como as inundações causadas pelas chuvas de verão, os engarrafamentos, os arrastões na praia ou a penúria dos aeroportos estarão resolvidos a tempo do Mundial de 2014 – nem da Olimpíada de 2016. Particularmente em relação à chuva, não há mais esperanças: obras recém-inauguradas na cidade não resistiram ao primeiro temporal de verão e estão na mesma situação de prédios degradados, ruas esburacadas.

Símbolo da nova era da cidade, o recém-inaugurado estádio do Maracanã, o “novo Maracanã”, foi fotografado nesta quarta-feira como uma imensa nave boiando num espelho d’água turva na região da Grande Tijuca. O estádio foi reformado ao custo de 1 bilhão de reais, com o entorno também revirado para a adequação das galerias, redes de esgoto e toda a infraestrutura necessária para uma obra padrão Fifa. As obras de agora, no entanto, ainda parecem insuficientes para garantir que a região resista aos temporais de todo verão.

Outra obra finalizada recentemente também amanheceu alagada: o complexo Cidade da Polícia, no Jacaré, que passou a abrigar treze delegacias especializadas e a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), tropa de elite da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A área da cantina passou parte do dia com alguns palmos de altura de inundação. O estacionamento de viaturas ficou alagado e policiais temem que tenham sido danificadas picapes utilizadas em operações. A água é mais um problema para quem trabalha na Cidade da Polícia: policiais relatam que a falta de luz é uma constante no local.

Na Baixada Fluminense, mais um exemplo de obra recente que parece não estar preparada para as chuvas: como mostrou reportagem do site de VEJA, desde a quinta-feira da semana passada cerca de 100 apartamentos dos andares térreos do Condomínio Parque Valdariosa – que tem 1.500 unidades – foram invadidos pela água da chuva. Este é o maior empreendimento do Minha Casa, Minha Vida na Baixada. Nesta quarta-feira, o problema se repetiu: os apartamentos ficaram alagados pela água que retornava pelos ralos e vasos sanitários.

O condomínio foi construído para receber famílias de baixa renda, parte delas removidas de áreas com risco de deslizamento ou de enchentes. De acordo com o prefeito de Queimados, Max Rodrigues Lemos, engenheiros da Construtora Bairro Novo, que construiu os apartamentos, estão vistoriando o sistema de drenagem do condomínio para verificar se houve obstrução ou outro problema, como quebra de manilhas ou uso de manilhas menores do que o necessário.

“Existe um problema na drenagem do condomínio, segundo a construtora. De acordo com a empresa, foi um problema na execução. A construtora pediu uma semana para fazer um diagnóstico detalhado e apresentar um relatório. E se comprometeu a realizar as mudanças necessárias”, disse Lemos, após reunião com representantes da Bairro Novo e da Caixa Econômica Federal. Reportagem da revista Veja. Transcrevi trechos.

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A CIDADE POLICIAL DE “SEU” CABRAL

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Localizada próximo à Linha Amarela e na interseção das comunidades de Manguinhos e Jacarezinho, o governador Sérgio Cabral levantou a Cidade da Polícia, um complexo de 66 mil metros quadrados, inicialmente orçado em 72 milhões.

Grande parte da Cidade  ocupa os antigos galpões da Souza Cruz, mas as instalações do setor de segurança e controle, do estande de tiros, do canil e do Esquadrão Antibombas, além do quiosque, da quadra poliesportiva e da cabine de medição, são construções novas. No total, 25,5 mil metros quadrados de área construída, sem considerar as obras complementares a serem licitadas.

Três prédios já estão prontos: o setor de segurança e controle, o estande de tiros e a Unidade de Monitoramento e Inteligência (UMI). Esta última é a terceira maior unidade da Cidade de Polícia, com quase cinco mil metros quadrados de área construída e com dois pavimentos, onde se concentrarão sistemas e equipamentos dos mais modernos do mundo.

Os outros blocos do complexo estão com 55% de obras já executadas. A maior estrutura do complexo é o Pavilhão Central que tem quatro blocos e 8,8 mil metros quadrados de área construída. O pavilhão vai abrigar uma central de armamentos e as seguintes unidades especializadas: Decon (Delegacia do Consumidor); DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática); DDEF (Delegacia de Defraudações); DELFAZ (Delegacia Fazendária); DRF (Delegacia de Roubos e Furtos); DCOD (Delegacia de Combate às Drogas); DFAE (Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos); DC-Polinter (Divisão de Capturas – Polícia Interestadual); DRFA (Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis); DDSD (Delegacia de Defesa de Serviços Delegados); DRCPIM (Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial); DPMA (Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente); e DRFC (Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas).

Segundo maior prédio do complexo, a Central de Flagrantes, com 5,3 mil metros quadrados de área construída, concentrará todos os registros das delegacias especializadas e o efetivo da Coordenadoria de Operações Especiais (Core). Com metade da reforma pronta, a nova unidade aproveitou apenas a fachada de um antigo prédio. Toda a parte interna está sendo refeita. Aos fundos, foi construída a nova sede do Esquadrão Antibombas.

Logo após a portaria, fica o bloco social, um prédio antigo que está sendo reformado para acolher o setor de triagem, a área administrativa, uma enfermaria, o refeitório e uma cozinha industrial. Ao lado, estão a quadra poliesportiva e o quiosque,com uma área de convivência, que já estão prontos.

Parte das obras complementares, um prédio entre a UMI e o Pavilhão Central será reformado para abrigar a Semat (depósito destinado à guarda de material e equipamentos) e o setor de treinamento, inclusive com a construção de uma favela cenográfica para simular situações de confronto. Que os favelados são os principais inimigos das polícias civil e militar do governador Sérgio Cabral, conforme a estratégia de guerra interna criada pelo general Golbery.

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