Os filhos do namora gringo de Huck

Turismo sexual Copa Sexo por Cazo

 

Não sei em que ficou a promoção de Huck para as garotas de programas com gringos, via TV Globo.

A festança da Copa, no Brasil moreno, vai render suas crias nas farras e surubas musicais vendidas por comerciantes da noite, que apenas pensam naquilo… no dinheiro.

Lá da querida Natal, este excelente comentário de um dos maiores jornalistas brasileiros

Huck-twitter

rufianismo

 

 

A MÚSICA QUE PIOROU
por Woden Madruga

Era para escrever sobre a Copa que agora anda sugerindo um novo legado: os meninos que vão nascer em março do ano que vem. Os meninos gerados nos fanfestes e por trás das arquibancadas. Já tem gente associando a futura safra com a dos meninos de olhos azuis do tempo da Segunda Guerra Mundial, os americanos acampados pelos descampados de Ponta Negra, de Parnamirim Field a Miami Beach. Mas aí é preciso de muita sociologia para explicar essas coisas e o tempo é curto e, além do mais, falta quase nada para o começo do jogo. Mas tenho que mandar a coluna antes das três da tarde. E aí, como sempre acontece em tais situações, recorro à velha lição que me foi ensinado por Waldemar Araújo, querido e sempre saudoso mestre do jornalismo: usar a tesoura. Quer dizer: mande para a oficina um recorte de jornal, uma reportagem, um artigo, uma crônica. A edição não pode ser atrasada.

É o que faço, aqui e acolá, quando o tempo não tem mais tempo ou porque o assunto não chega à cabeça, sem falar na ligeira preguiça de todos os dias de quem já passou, com folga, dos setentanos. Mais das vezes também o que se lê em outros jornais (agora favorecidos pela internet) é tão oportuno, tão importante, tão bacana, que acho na obrigação de transcrever neste canto já cinquentão da Tribuna da Norte, presenteando o leitor fiel que, na maioria dos casos, não tem acesso àquelas fontes. Ah, digo comigo mesmo, vou dividir este meu prazer com a galera da Reta Tabajara ou com os convivas do Mestre Gaspar, sem esquecer do amigo Ambrósio Azevedo, meu oráculo de São Paulo do Potengi.

Exatamente o que pensei depois de ler a crônica de Ruy Castro, “Cultura reduzida”, publicada na edição do dia 30, na Folha de S. Paulo. Aliás, o texto deveria ser lido em todas as escolas deste vasto país. Lido e comentado. Lido, inclusive, pelas pessoas que dizem cuidar da cultura de sua terra, do gestor público ao artista de pose e de nariz arrebitado, “moderníssimo”. Bom, o jogo vai começar e já se prepara o som para os hinos do Brasil e da Colômbia. Passo, então, a palavra para Ruy Castro, um dos importantes escritores brasileiros contemporâneos, excepcional biógrafo, craque da crônica:

 

CULTURA REDUZIDA“

”
“Estudo recente, orientado pela cientista americana Nadine Gaab, do Laboratório de Neuociência Cognitiva do Hospital Infantil de Boston (EUA) e publicado pela revista ‘Plos One’, confrontou um grupo de 15 crianças, de 9 a 12 anos, que estavam aprendendo a tocar algum instrumento musical, com outro grupo que não passava por essa experiência.

Os que estudavam música pareceram mais aptos a reter e processar informações, resolver problemas, relacionar-se com os outros e desenvolver a atenção, a concentração e a capacidade motora. Ou seja, levaram vantagem nos testes de funções cognitivas, atividade cerebral e outros. Naturalmente, a música a que a pesquisadora se refere é a que contém seus componentes essenciais – melodia, harmonia e ritmo -, valoriza a beleza e se dirige à inteligência. Nada a ver com Justin Bieber.

Há 50 ou 60 anos, os jovens ouviam toda espécie de ritmos – sambas, baiões, foxes, mambos, fados, boleros, tangos, canções francesas e napolitanas, valsas vienenses, jazz, calipso, rock’n’roll. Sabiam identificar qualquer instrumento que vissem ou ouvissem – distinguiam entre um trompete e um trombone, sabiam escalar a família inteira dos saxes, citavam pelo menos dez variedades de cordas e conheciam a maioria dos instrumentos de uma sinfônica. Aprendíamos com o cinema, o rádio ou nossos pais.

A partir dos anos 70, a vida reduziu a guitarras, teclados e percussão. Os outros instrumentos deixaram de existir. Os ritmos nacionais se evaporam e a música popular ficou igual em toda parte. A educação musical dos garotos empobreceu. E os pais não podem ajudar, porque, já nascidos nesta realidade, seu conhecimento não é muito maior que o dos filhos.

Em breve, estudos como o da dra. Nadine serão impossíveis. Não haverá crianças em quantidade para fazê-los.”

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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