Festivais comprovam a degeneração da música brasileira

Lollapalooza faz propaganda de grupos políticos ligados à direita estadunidense 

Acontece de 12 a 13 de março de 2016. Já começou a propaganda do festival de música estrangeira no Brasil dos alienados
Acontece de 12 a 13 de março de 2016. Já começou a propaganda do festival de música estrangeira no Brasil dos alienados

Lollapalooza é um festival de música anual composto por gêneros como rock alternativo, heavy metal, punk rock e performances de comédia e danças, além de estandes de artesanato. Também fornece uma plataforma para grupos políticos e sem fins lucrativos. Lollapalooza tem apresentado uma grande variedade de bandas e ajudou a expor e popularizar artistas como, Alice in Chains, Tool, Red Hot Chili Peppers, Pearl Jam, The Cure, Primus, Rage Against the Machine, Soundgarden, Arcade Fire, Nine Inch Nails, Nick Cave, L7, Janes Addiction, X Japan, The Killers, Siouxsie and the Banshees, The Smashing Pumpkins, Muse, Hole, 30 Seconds to Mars, The Strokes, Arctic Monkeys, Foo Fighters, Green Day, Lady Gaga e Fun.

Concebido e criado em 1991 pelo cantor do Jane’s Addiction, Perry Farrell, como uma turnê de despedida para sua banda, o Lollapalooza aconteceu até o ano de 1997 e foi revivido em 2003. Desde a sua criação até 1997 e em seu renascimento em 2003, o festival percorreu a América do Norte. Em 2004, os organizadores do festival decidiram ampliar a permanência do festival para dois dias por cidade, mas a fraca venda de ingressos forçou o cancelamento da turnê de 2004. Em 2005, Farrell e a Agência William Morris fizeram uma parceria com a empresa Capital Sports Entertainment (atual C3 Presents), sediada em Austin, no Texas, e reformularam o festival para o seu formato atual, como um evento fixo em Grant Park, Chicago, Illinois.

Em 2010, foi anunciada a estreia do Lollapalooza no exterior, com um ramo do festival sediado em Santiago, no Chile, em 2 e 3 abril de 2011, onde estabeleceu uma parceria com a empresa chilena Lotus. Em 2011, a empresa Geo Eventos confirmou a primeira versão brasileira do evento, que foi sediada no Jockey Club, em São Paulo nos dias 7 e 8 de abril de 2012. Foi anunciado que o primeiro Festival Lollapalooza será realizado na Europa em setembro de 2015, na capital alemã,Berlim, no histórico aeroporto Tempelhof.

Lollapalooza de 2009 em Chicago
Lollapalooza de 2009 em Chicago

A palavra, algumas vezes pronunciada como lollapalootza ou lalapaloosa, vem dos séculos XIX e XX, de uma expressão americana que significa “uma extraordinária ou incomum coisa, pessoa, ou evento; um exemplo excepcional ou circunstância.” Com o tempo, o termo passou também a um grande pirulito (em inglês lollipop). Farrell, em busca de um nome para seu festival, gostou da sonoridade do termo ao ouvi-lo em um filme dos Três Patetas. Em homenagem ao duplo significado do termo, um personagem no logo original do festival segura um pirulito.

Lolla 2012

Em 1997, no entanto, o conceito Lollapalooza tinha acabado, e em 1998, os esforços não conseguiram encontrar uma banda principal adequada, assim resultando no cancelamento do festival. O cancelamento serviu como um significante declínio da popularidade do rock alternativo. Em meio aos problemas do festival, Spin disse, “Lollapalooza é como um coma para o rock alternativo agora.”

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Morto o festival, apelaram para a ressurreição em países colonizados.

Em 2010, foi anunciado que Lollapalooza iria estrear na América do Sul, com um ramo do festival produzido na capital do Chile, Santiago de 2 a 3 de Abril de 2011. A lineup incluia Kanye West, Jane’s Addiction, 30 Seconds to Mars, The National, Manny and Gil the Latin, The Drums, Los Bunkers,The Killers, Ana Tijoux, Javiera Mena, Fatboy Slim, Deftones, Los Plumabits, Cypress Hill, 311, The Flaming Lips e outros.

Em 2011, foi confirmado a versão brasileira do evento, que foi feita no Jockey Club em São Paulo nos dias 7 e 8 de abril de 2012.

Veja todas as atrações do Lollapalooza 2016 na ordem divulgada pelo festival:
Eminem, Florence + The Machine, Jack Ü, Mumford & Sons, Snoop Dogg, Noel Gallagher, Tame Impala, Alabama Shakes, Zedd, Kaskade, Die Antwoord, Of Monsters and Men, Marina and the Diamonds, Cold War Kids, Odesza, Zeds Dead, Flosstradamus, RL Grime, Emicida, Bad Religion, Walk the Moon, Twenty One Pilots, Halsey, Matanza, Jungle, Marrero, Eagles of Death Metal, A-trak, Seed, Albert Hammond Jr., The Joy Formidable, Gramatik, Maglore, Vintage Trouble, Supercombo, Matthew Koma, Jack Novak, Dônica, Versalle, Groove Delight, Zerb, Karol Conka, The Baggios, Funky Fat, Dingo Bells.

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As onerosas repartições públicas das secretarias e Ministério da Cultura não promovem a música brasileira. Nem os artistas novos. Prefere mega eventos de shows superfaturados dos cantores da TV Globo.

O Lolla mantém outra que é sua principal característica: apostar em grupos não tão conhecidos no Brasil. Entre eles, o mais destacado no line-up é o Mumford & Sons, estreante por aqui. Representantes do novo rock dançante, Walk the Moon e Twenty One Pilots têm em comum o fato de serem do estado americano de Ohio.

É o cantar na língua inglesa. Precisamente no inglês dos Estados Unidos. Que mortos estão os ritmos brasileiros.

o último jogral

No festival são proibidas as músicas de Tom Jobim, João Gilberto,  Chico Buarque, Caetano Veloso, Noel Rosa, Cartola, Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Pixinguinha,  Luiz Gonzaga, Paulinho da Viola. Vinicius de Moraes, Milton Nascimento, Baden Powell, Ary Barroso, Nelson Cavaquinho,
Zé Ramalho, Adoniran Barbosa, Sivuca, Capiba, Nelson Ferreira, Getúlio Cavalcanti, entre outros mil da Pátria Amada Brasil.

Empetur paga caro para fazer um carnaval sem a cara de Pernambuco

Caboclinhos
Caboclinhos

Desculpem o trocadilho. Ninguém sabe quanto as prefeituras e o governo do Estado investem no nosso autêntico Carnaval, realizado por clubes e troças e grupos folclóricos que divulgam o frevo, o maracatu, a ciranda, o coco, os caboclinhos, entre outros ritmos.

Jamildo Melo denuncia: Entenda porquê artistas nacionais vão às lágrimas, como Fafá de Belém, ao falar do Carnaval de Pernambuco

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Acrescenta Jamildo: “No Carnaval de Pernambuco, a Empetur está dando uma força para as bandas de fora para que toquem no interior. Os gastos parciais foram compilados com base no Diário Oficial de Pernambuco e a relação dos principais contratos. Curiosamente, o Maestro Spok, homenageado do Carnaval do Recife, só recebeu um contrato para tocar fora do Recife. O seu cachê de apenas R$ 35 mil é mais barato que o show de Waleska Popusuda no Baile dos Artistas”.

Essa gente vai descaracterizar o Carnaval interiorano. Que as cidades têm seus carnavais típicos, como Nazaré da Mata com o Maracatu Rural, Bezerros com os Papangus, Pesqueira com o Carnaval dos Caiporas, Triunfo com o Carnaval dos Caretas.

 

Maracatu Rural
Maracatu Rural
Caiporas, foto de Ricardo Moura
Caiporas, foto de Ricardo Moura
Papangus
Papangus
Caretas
Caretas

A variedade de ritmos, de manifestações carnavalescas representa uma diversidade que enriquece nossa Cultura. Basta o exemplo de que o Carnaval do Recife é totalmente diferente do Carnaval de Olinda.

Os shows patrocinados pela Empetur visam uma unicidade que corrompe em todos os sentidos do termo. Corrompe o comportamento do povo, nossos costumes, marginalizam os grupos folclóricos, principais responsáveis pela autenticidade do Carnaval pernambucano, festa do povo, feita realizada e patrocinada pelo povo, que o dinheiro dos governos estadual e municipais o rei Momo não sabe bem o destino.

 

 

 

 

Escreve Moacir Japiassu

Moacir Japiassu2

 

Chance & risco
Chamada de capa do UOL:

Estocar água
eleva chance de
afogamento
infantil em casa

Janistraquis só não deu risada porque o assunto é sério:

“Para o redator do UOL, se você encher um balde grande e não providenciar cerca de proteção, terá boa chance, ou seja, terá ótimas possibilidades de ver um filho morto. Note bem: o comprador do balde não corre o risco de afogar a criança, só aumenta a chance da tragédia… Pois se eu fosse diretor do UOL, o responsável pela chamada seria escalado para cobrir baile gay na terça-feira de Carnaval!!!”

 

Céu e inferno

Por sugestão do considerado Elio Gaspari em sua coluna, Janistraquis visitou o endereço do YouTube abaixo reproduzido e adorou a “campanha eleitoral” de Maviael Melo, compositor, poeta, cantador e cordelista pernambucano.

 

Samba-enredo

Mais uma do nosso Roldão, em carta publicada na Folha de quinta-feira, 12/2:

Um fantástico patrimônio cultural brasileiro –a música de Carnaval– vem sendo desprezado. Explico: as músicas de Carnaval, com harmonia e melodia, acabaram. Há mais de 50 anos, só existe o samba-enredo, que é uma batucada, uma marcha acelerada para apressar o desfile.

 

(Transcrevi trechos. Leia mais)

SÓ TROCARAM AS MOSCAS

por Gilberto Prado

 

Amarildo
Amarildo

Wesley Safadão, Nando Reis, Jota Quest, O Rappa, Del Rey e Tiesto, contratados para o Carnaval do Marco Zero. Só pergunto. Esse pessoal tem alguma identidade com o evento? Será que o Recife trocou “seis por meia-dúzia”, substituindo os Joãos (Paulo e da Costa) pelo atual prefeito? Como é triste ser enganado. O “monturo é o mesmo”.

 

 

 

Livro relata envolvimento de FHC com a CIA

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Está esgotado nas duas maiores livrarias do Rio o livro da escritora Frances Stonor Saunders Quem pagou a conta? A CIA na Guerra Fria da cultura, no qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é acusado, frontalmente, de receber dinheiro da agência norte-americana de espionagem, para ajudar os EUA a “venderem melhor sua cultura aos povos nativos da América do Sul”.

O exemplar, cujo preço varia de R$ 72 a R$ 75,00, leva entre 35 e 60 dias para chegar ao leitor, mesmo assim, de acordo com a disponibilidade no estoque. O interesse sobre a obra da escritora e ex-editora de Artes da revista britânica The New Statesman, no Brasil, pode ser avaliado ao longo dos cinco anos de seu lançamento.

Quem pagou a conta?, segundo os editores, recebeu “uma ampla cobertura pela mídia quando foi lançado no exterior”, em 1999. Na obra, Frances Stonor Saunders narra em detalhes como e por que a CIA, durante a Guerra Fria, financiou artistas, publicações e intelectuais de centro e centro-esquerda, num esforço para mantê-los distantes da ideologia comunista. Cheia de personagens instigantes e memoráveis, entre eles o ex-presidente brasileiro, “esta é uma das maiores histórias de corrupção intelectual e artística pelo poder”.

“Não é segredo para ninguém que, com o término da Segunda Guerra Mundial, a CIA passou a financiar artistas e intelectuais de direita; o que poucos sabem é que ela também cortejou personalidades de centro e de esquerda, num esforço para afastar a intelligentsia do comunismo e aproximá-la do American way of life.

No livro, Saunders detalha como e por que a CIA promoveu congressos culturais, exposições e concertos, bem como as razões que a levaram a publicar e traduzir nos Estados Unidos autores alinhados com o governo norte-americano e a patrocinar a arte abstrata, como tentativa de reduzir o espaço para qualquer arte com conteúdo social.

Além disso, por todo o mundo, subsidiou jornais críticos do marxismo, do comunismo e de políticas revolucionárias. Com esta política, foi capaz de angariar o apoio de alguns dos maiores expoentes do mundo ocidental, a ponto de muitos passarem a fazer parte de sua folha de pagamentos”.

As publicações Partisan Review, Kenyon Review, New Leader e Encounter foram algumas das publicações que receberam apoio direto ou indireto dos cofres da CIA.

Entre os intelectuais patrocinados ou promovidos pela CIA, além de FHC, estavam Irving Kristol, Melvin Lasky, Isaiah Berlin, Stephen Spender, Sidney Hook, Daniel Bell, Dwight MacDonald, Robert Lowell e Mary McCarthy, entre outros.

Na Europa, havia um interesse especial na Esquerda Democrática e em ex-esquerdistas, como Ignacio Silone, Arthur Koestler, Raymond Aron, Michael Josselson e George Orwell.

O jornalista Sebastião Nery, em 1999, quando o diário conservador carioca Tribuna da Imprensa ainda circulava em sua versão impressa, comentou em sua coluna que não seria possível resumir a obra em tão pouco espaço: “São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas”, afirmou.

Fonte: Jornal Correio do Brasil

O inteligente brasileiro funk & Ariano Suassuna “um velho burro, burro e burro”

RS

 

O que sei de Alex Antunes? Nadinha de nada. Li na internet: “Jornalista, escritor e produtor musical, escreve ou já escreveu para a Rolling Stone, Veja, Folha Ilustrada, Bravo! e outras publicações. Foi diretor de redação das revistas Bizz e Set. Seu livro a Estratégia de Lilith foi adaptado para o cinema, no filme Augustas (em finalização). É estudioso de xamanismo e de rituais de transe”.

Produtor musical sempre usa dinheiro dos governos da União, estados, municípios e empresas estatais e privatizadas. Mais ainda quando faz cinema. Também não sei se é o caso de Alex Antunes.

A abertura de um filme parece mais uma lista de classificados de empresas multinacionais. Todo filme lava mais branco as faturas frias do mecenato brasileiro para desconto no imposto de renda. O Brasil produz assim uma cultura de esquentar faturas numa verdadeira feira e queima de dinheiro público, notadamente de impostos sonegados e vaidades e vaidades.

Passei muitas tardes de domingo, na tranquilidade da Várzea, no Recife, conversando com Francisco Julião, fundador das Ligas Camponesas, no seu velho casarão colonial de senhor de engenho. E questionei suas imunidades, isso antes de 64. E ele me respondeu: “Um líder só deve ser preso quando convém ao movimento”.

Aqui lembro a sabedoria de João Grilo. Graciliano Ramos saiu da cadeia de Vargas para trabalhar no DIP, convidado por Lourival Fontesque, o Goebbels de Getúlio Vargas.

Prestes, o líder máximo do comunismo no Brasil, também saiu da prisão para apoiar a volta de seu carcereiro à presidência.

No Brasil, da última ditadura militar, valeu o ame-o ou deixe-o. E muita gente brincou de exílio como Fernando Henrique. Saia e voltava quando queria. Milhares foram mortos. Principalmente camponeses, operários, negros e índios. E continuam sendo trucidados, principalmente os negros e os índios. Nunca se faz a contagem dos anônimos. Vide lista de desaparecidos, hojemente, no Brasil da ditadura judicial-policial nos Estados.

Os que tentaram a luta armada foram mortos. Escaparam os julgados pela justiça militar. Caso de Dilma Rousseff.

Os que deram uma de João Grilo foram salvos. Nem todos os funcionários do governo de Hitler eram nazistas. Nem todos os funcionários do governo de Stalin eram comunistas. Nem todos os soldados de Israel defendem o genocídio de Gaza.

E para completar, a contribuição do negro escravo na cultura do Brasil foi pequena, e está sendo destruída pela imposição da cultura estadunidense, via gêneros afro-culturais como rock and roll, blues, country, rhythm and blues, jazz, pop, techno, hip hop, soul, funk, inclusive a música religiosa (gospel) divulgada por igrejas Neopentecostais, apoiadas pela CIA e pela ditadura militar, como revide à Teologia da Libertação, apesar de seu criador ser um presbiteriano, o esquecido Rubem Alves, que também faleceu neste fatídico mês de julho de 2014.

“Jornalista e poeta, João Suassuna, pai de Ariano, escrevia para jornais do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Compunha versos e tocava violão, executando música do cancioneiro popular. Apaixonado pelas coisas do Sertão, mesmo quando presidente do Estado, costumava realizar festivais de violeiros em sua residência ou no palácio do governo. Estimulou a publicação de livros, entre os quais o romance A Bagaceira, de José Américo de Almeida, que teve repercussão imediatamente ao seu lançamento”.

Nair de Tefé von Hoonholtz1 (Petrópolis, 10 de junho de 1886 — Rio de Janeiro, 10 de junho de 1981), mais conhecida como Nair de Tefé, foi uma pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. Considerada, por Hermes Lima e por artistas e intelectuais, a primeira caricaturista mulher do mundo. Wikipédia Além disso, Nair de Tefé foi a primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914.
Nair de Tefé von Hoonholtz1 (Petrópolis, 10 de junho de 1886 — Rio de Janeiro, 10 de junho de 1981), mais conhecida como Nair de Tefé, foi uma pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. Considerada, por Hermes Lima e por artistas e intelectuais, a primeira caricaturista mulher do mundo.
Além disso, Nair de Tefé foi a primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914 (Wikipédia)

Também de pele branca, Nair de Tefé, filha de barão e esposa do marechal presidente Hermes da Fonseca, “promovia saraus noutro palácio, o do Catete – o palácio presidencial da época -, que ficaram famosos por introduzir o violão nos salões da sociedade. Sua paixão por música popular reunia amigos para recitais de modinhas.

As interpretações de Catulo da Paixão Cearense fizeram sucesso e, em 1914, incentivaram Nair de Teffé a organizar um recital de lançamento do Corta Jaca, um maxixe composto por Chiquinha Gonzaga (sua amiga). Foram feitos críticas ao governo e retumbantes comentários sobre os ‘escândalos’ no palácio, pela promoção e divulgação de músicas cujas origens estavam nas danças lascivas e vulgares, segundo a concepção da elite social. Levar para o palácio presidencial do Brasil a música popular foi considerado, na época, uma quebra de protocolo, causando polêmica nas altas esferas da sociedade e entre políticos. Rui Barbosa chegou a pronunciar o seguinte discurso no Senado Federal a 7.11.1914:

‘Uma das folhas de ontem estampou em fac-símile o programa de recepção presidencial em que, diante do corpo diplomático, da mais fina sociedade do Rio de Janeiro, aqueles que deviam dar ao país o exemplo das maneiras mais distintas e dos costumes mais reservados elevaram o Corta-jaca à altura de uma instituição social. Mas o Corta-jaca de que eu ouvira falar há muito tempo, o que vem a ser ele, sr. Presidente? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais o Corta-jaca é executado com todas as honras da música de Wagner, e não se quer que a consciência deste país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que a mocidade se ria!”

O que a mulata tem para oferecer no Globeleza e nas escolas de samba?
O que a mulata tem para oferecer no Globeleza e nas escolas de samba?

Não vejo nativismo (os índios eram chamados de negros da terra), negritude, nem brasilidade na Globeleza, nas escolas de samba da TV Globo, na música brega, no funk, nas revistas Rolling Stone, Veja, em Lilith, no monarquista e escravocrata Zambi.

Transcrevo o transe:

Suassuna, velho burro

por Alex Antunes

 

João Grilo e Nossa Senhora
João Grilo e Nossa Senhora

Me perguntei algumas vezes se deveria escrever este texto. Porque o principal que tenho a dizer sobre Ariano Suassuna é que ele era um velho burro e chato. E o homem, como se sabe, acabou de morrer – o que o eleva automaticamente aos píncaros da genialidade e da infalibilidade nos textos que se espalham pela imprensa.

Mau momento para lembrar o seu principal defeito: a profunda e total incompreensão da natureza da cultura pop. Eu tinha desistido de escrever. Mas eis que a televisão de domingo o mostra numa entrevista, atacando, com volúpia e deboche, Michael Jackson e Madonna, além da réplica da estátua da Liberdade na Barra da Tijuca.

Ora, é fácil concordar com ele que a réplica da estátua é um monumento à imbecilidade playba. E que Michael Jackson (esse trecho não passou no domingo) é digno de pena, pela forma como foi explorado e depois massacrado pela mesma indústria cultural.

Mas Suassuna os atacava pelas razões erradas. Não há “superioridade” da cultura brasileira, e em particular da nordestina, sobre a cultura pop internacional. Por uma razão muito simples: o sistema arquetípico sobre o qual elas se constroem é exatamente o mesmo.

A mesma graça que há nos modos e sotaques regionais pode ser vista em expressões culturais globais. A cultura pop é simplesmente o “folclore sintético”. O que está por trás do Batman, do Super Homem, dos filmes policiais negros da blaxploitation ou da Madonna são os mesmíssimos arquétipos que animam os mitos gregos do Monte Olimpo, as lendas dos orixás das religiões africanas ou os arcanos do Tarô.

Não é à toa que Suassuna implicou tanto com os tropicalistas (de maioria baiana) quanto com o manguebeat que surgiu no seu estado de adoção, Pernambuco. Dizia que falaria com Chico se ele tirasse o Science do nome, e que a música da Nação Zumbi era “de quarta categoria”.

Suassuna se irritava porque esses nordestinos decifraram as matrizes em comum que existem na cultura popular brasileira e em qualquer expressão cultural. Ao mesmo tempo em que escapavam do purismo elitista e castrador, propunham uma forma nacional, desinibida e não-colonizada de cultura pop.

Diz uma letra do Mundo Livre SA, “O Ariano e o Africano”, de 1998:
“Há quatro séculos a alma africana tem sido um motor
Da inquietação, da resistência, da transgressão
O negro sempre quis sair do gueto
Fugir da opressão fazendo história
Ganhando o mundo com estilo
E é assim que a alma africana sobrevive com brilho e vigor
Em todo o novo continente o africano foi levado para sofrer no norte e gerou,
entre outras coisas, o jazz, o blues, gospel, soul,
r&b, funk, rock’n’roll
No centro, o suor africano fomentou o mambo, o ska,
o calipso, a rumba, o reggae, dub, ragga,
o merengue e a lambada, dancehall e muito mais
Mas é o ariano que ignora o africano ou
é o africano que ignora o ariano?
E ao sul a inquietude negra fez nascer,
entre outros beats, o bumba, o maracatu, o afoxé,
o xote, o choro, o samba, o baião, o coco, a embolada
Entre outros, os Jacksons e os Ferreiras,
os Pixinguinhas e os Gonzagas,
as Lias, os Silvas e os Moreiras
A alma africana sempre esteve no olho do furacão
Dendê no bacalhau, legítima e generosa transgressão
É Dr. Dre e é maracatu
É hip hop e é Mestre Salu
Mas é o ariano que ignora o africano ou é o
africano que ignora o ariano?”

Ariano Suassuana
Ariano Suassuana

É um flagra perfeito da condição elitista de Suassuna, branco cristão e filho do governador assassinado da Paraíba em 1930, que abraçou concepções culturais marxistas, não para libertar a cultura popular mas, pelo contrário, para mantê-la sob controle.

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Suassuna era um artista inspirado. Surpreendentemente pop, a se julgar, por exemplo, pelo filme e microssérie da Globo “O Auto da Compadecida”. E o seu Movimento Armorial teve grande impacto na cultura pernambucana. Mas fazia sempre a trajetória inversa do tropicalismo, do manguebeat e do modernismo antropofágico – as mais generosas e brasileiras das expressões, exatamente pelo não-purismo.

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Suassuna não aceitava os aspectos bastardos da cultura popular; pelo contrário, queria adensá-la e refiná-la numa expressão erudita. Ou seja, como pensador cultural, era um conservador odioso. Declarava-se “inimigo da colonização e do poder do dinheiro”, mas ele mesmo um colonizador de consciências e um guardião do status quo.

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Não é de se estranhar que Ariano tenha sido membro-fundador, um dos “cardeais” do Conselho Nacional de Cultura. Uma estranha convergência entre intelectuais (inclusive de esquerda) e a ditadura militar entre 1967 e o anos 70, baseada na busca de uma identidade de Brasil com um sentido cívico, tradicionalista e otimista. Foi a experiência no Conselho que impulsionou Suassuna na organização do movimento Armorial em Recife.

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Acontece que o negro, ou qualquer oprimido que busca sua libertação na lida cultural, como bem explica a letra do Mundo Livre, é amigo da eletricidade, da cultura em movimento e reinvenção, da provocação bastarda e dessacralizada, da incorporação e inversão de termos pejorativos (funk, punk, junky, nigga etc) – e não do reconhecimento institucional.

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O momento mais memético de Suassuna na internet é um fruto, bastante humorístico, de seus equívocos. Em suas aulas-espetáculo gostava de contar o causo de um músico punk ou funk que cantou-lhe uma letra. Ela falava de modelos atômicos, dos físicos Rutherford e Bohr, de um cavalo morto e que “fora do buraco tudo é beira”. Naturalmente sua “interpretação” jocosa da tal letra virou um vídeo viral, o “Funk do Suassuna”.

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Reza a lenda que Suassuna se divertiu com a adaptação (parece que com o trocadilho no nome do bloco carnavalesco Arriano Sua Sunga ele já não lidou tão bem). E, mesmo brigado com o manguebeat, chorou copiosamente no velório de Chico Science. Seria essa sua dimensão humana e generosa.

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Mas sua teoria cultural elitista e (anti) popular continua inaceitável. O pior de dois mundos, a convergência da culpa cristã com a marxista. Se Michael Jackson e Madonna são meramente “lixo cultural”, como gostava de dizer de boca cheia, Ariano Suassuna era um velho burro, burro e burro.

 

Diário de Pernambuco reconhece o óbvio: Não deu tempo para escrever a grande obra literária da Copa Brasil 2014

O Diário de Pernambuco abrir espaço para escritores, a maioria deles renegados pelos Associados, causa espanto, que a cultura brasileira não participa do cotidiano da imprensa, notadamente dos jornalões, dos monopólios da televisão, e dos grandes portais na internet.

Sempre  ensino: a leitura dos jornais – depois da internet – depende de sua volta às origens. Realizar o jornalismo opinativo, promover debates, lançar romances em capítulos, ter uma redação que valesse este nome. No DP, convivi com Costa Porto, Gilvan Lemos, Paulo Fernando Craveiro, Paulo Azevedo Chaves, César Leal, Edmir Domigues, Mauro Mota, Raimundo Carrero, Waldimir Maia Leite, Selênio Siqueira, Edmundo Moraes, Antonio Camelo, Roberto Benjamin, Jaime Griz, Flávio Guerra, Potyguar Matos. E a redação do DP perdia feio para a do Jornal do Comércio.

Eis que, na sua campanha contra a Copa do Mundo (a finalidade é atingir Dilma Roussef, quando aqui o estádio foi construído na Mata de São Lourenço, por  Eduardo Campos), o DP publica a seguinte enquete, realizada por Fellipe Torres:

“NO CAMPOS LITERÁRIO, SEGUNDA COPA NO BRASIL PERDE FEIO PARA MUNDIAL DE 1950

Quando o país sediou o torneio pela primeira vez, há 64 anos, surgiam grandes obras literárias em todo o mundo. De olho em 2014, escritores, críticos e acadêmicos indicam quais livros podem (ou não) entrar para a história”

A Copa nem terminou, e o Diário de Pernambuco cobra uma grande obra literária. Parece piada. Ou aquela reportagem que se faz com adivinhos no final de cada ano…

Temos 64 anos de literatura desde a última Copa, não há como comparar com obras que ainda serão escritas. Temos mais 64 anos pela frente se queremos ser justos. Mas se apressa Luís Serguilha, poeta e crítico literário:

“Este ano sinceramente não vejo livros assim tão marcantes, nem no ano passado. São nomes marcantes no pensamento atual (literário-científico-filosófico): James Lovelock, Umberto Eco, Jacques Ranciere, Ernst Tugendhat, Noham Chomsky… Instigantíssimos! A literatura jamais poderá se separar deles. É contaminada por eles e muito”. Não citou nenhum brasileiro.

 

Condeno a enquete pelo título enganoso, safado, escandaloso e orquestrado. Quando o próprio Fellipe Torres reconhece:

“Ninguém seria capaz, naquela época, de antecipar a força de tais obras, como é corriqueiro no meio editorial. Agora, quando o país recebe o mundial pela segunda vez, ouvimos escritores, críticos literários e pesquisadores para – irresponsavelmente – ‘brincar’ de futurismo e refletir sobre a força da literatura contemporânea. Quais livros lançados em 2014 são capazes de entrar para a história a ponto de serem lembrados e reverenciados daqui a mais 64 anos? Façam suas apostas”.

Alguns entrevistados aproveitaram para mostrar que o Brasil, cujas livrarias não vendem livros de autores brasileiros, e as bibliotecas públicas são raras. No Brasil da corrupção existem várias bibliotecas fantasmas, como acontece em Jaboatão. Recife tem apenas uma, construída por Aderbal Jurema, salvo engano, no aterro do Parque 13 de Maio, para a realização do Ano Eucarístico em 1950, quando o América do poeta João Cabral de Melo Neto foi campeão de Pernambuco.

LOURIVAL HOLANDA, PESQUISADOR E PROFESSOR DA UFPE
“A RESERVA EM OURO ANTIGO [O QUE FICOU DOS ANOS 50] GARANTE O INVESTIMENTO DE AGORA”.

Lourival

Há distanciamento bastante que facilita ver o que valeu e ficou [em literatura] dos anos 50 — mas: os 5 ou 6 meses, deste 2014, é muito pouco pra apostar no que vai ficar…

Esse recentíssimo Mil rosas roubadas, de Silviano Santiago [já tem idade de clássico…], pode ficar — pelo frescor [ôpa!] da narração renovada, pela maestria da linguagem; O Mia Couto que saiu esse ano, só segue a linha ascendente, é bom também; ou: ainda; é possível que fique esse livro do Luiz Rufatto [Flores artificiais]: é bom; Carola Saavedra acaba de sair com livro novo, assim como o Marcelo Ferroni [Das paredes, meu amor, os escravos nos contemplam] — nada disso me impressionou.

Dos anos 50 houve/há ainda/sempre Hilda Hilst, Mário Faustino, a crônica de Paulo Mendes Campo; tudo isso ainda se lê bem. Nos próximos 50, será que Reprodução, de Bernardo Carvalho, fica? É um livro forte, sim; O drible, de Sérgio Rodrigues, muito surpreendente; e o Almir Bettega [Barreira]; esse, queria que ele ficasse, tempos a fora.

Enfim, essas são as apostas; incertas, claro, mas a reserva em ouro antigo [o que ficou dos anos 50] garante o investimento de agora.

URARIANO MOTA, ESCRITOR
“O QUE ESCREVEMOS E PUBLICAMOS AGORA SOMENTE VERÁ RECONHECIDO O SEU VALOR MUITOS ANOS OU DÉCADAS ADIANTE DESTE 2014”

Urariano

Do ponto de vista literário, a comparação entre os anos de 1950 e 2014 é impossível ou desvantajosa para o presente. Digo impossível porque olhamos para aquele 1950 com olhos que são filtros seguros, ou crisóis, que depuram e salvaram apenas o que se tornou obra permanente. E no entanto, não podemos fazer o mesmo com os lançamentos deste novo ano da Copa no Brasil.

Quero dizer, o que escrevemos e publicamos agora somente verá reconhecido o seu valor muitos anos ou décadas adiante deste 2014. A literatura é arte que subjuga o tempo. Mas o tempo dela se vinga escolhendo sem pressa o que será verdadeira literatura.

Digo também que a comparação entre a literatura dos anos de 1950 e de 2014 é desvantajosa porque não vemos, hoje, nada que se compare à revolução de Eu, robô, de Isaac Asimov, ou de Crônicas marcianas, de Ray Bradbury, ou à fecundação do Canto geral, de Pablo Neruda, ou de O cão sem plumas, de João Cabral, todas obras vindas à luz em 1950.

É até covardia a comparação. E covardia não tanto pela impossibilidade de construirmos grande literatura hoje, mas covardia porque iríamos medir com o metro da tradição os livros mais recentes, que não podem ser avaliados por nossos olhos viciados pelo já visto.

Mas não tenhamos dúvida: ainda superaremos 1950, no futebol e na arte. A literatura que será grande já se publica neste 2014. Quem e o quê sobreviverá? Amanhã saberemos. Lei mais 

[O Brasil tem excelentes romancistas. Começa pelos pernambucanos Urariano Mota, Fernando Carrero, Angelo Monteiro. E poetas que deveriam ter merecido o Prêmio Nobel: os “João, Joaquim e Manoel” de Carlos Pena Filho, poetas maiores que os direitistas Fernando Pessoa, Rainer Maria Rilke, influenciados pela Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Não vou cobrar de Ivan Maurício, temos vários jornalistas – fora do batente – que deveriam ser musicados, para exaltação merecida da Poesia, e para combater a degeneração da MPB, e para tirar do esquecimento os ritmos pernambucanos.

Não vou cobrar de Ivan, exemplo do bom jornalismo, porque tem apenas mais cinco meses de secretariado.

Mas considero que a Secretaria de Imprensa, além de informar os atos e fatos do governo, deveria influenciar na dignificação dos jornalistas.

Outro grande jornalista, o potiguar Woden Madruga recomenda que o texto (crônica) de Ruy Castro, “”Cultura reduzida””, publicado na edição do dia 30, na Folha de S. Paulo, “deveria ser lido em todas as escolas deste vasto país. Lido e comentado. Lido, inclusive, pelas pessoas que dizem cuidar da cultura de sua terra, do gestor público ao artista de pose e de nariz arrebitado, “moderníssimo””. Certo Woden, gente que prefere citar autores estrangeiros, por conta do complexo vira-lata.

Diz Ruy Castro: “Há 50 ou 60 anos, os jovens ouviam toda espécie de ritmos – sambas, baiões, foxes, mambos, fados, boleros, tangos, canções francesas e napolitanas, valsas vienenses, jazz, calipso, rock’n’roll. Sabiam identificar qualquer instrumento que vissem ou ouvissem – distinguiam entre um trompete e um trombone, sabiam escalar a família inteira dos saxes, citavam pelo menos dez variedades de cordas e conheciam a maioria dos instrumentos de uma sinfônica. Aprendíamos com o cinema, o rádio ou nossos pais.

A partir dos anos 70, a vida reduziu a guitarras, teclados e percussão. Os outros instrumentos deixaram de existir. Os ritmos nacionais se evaporam e a música popular ficou igual em toda parte. A educação musical dos garotos empobreceu. E os pais não podem ajudar, porque, já nascidos nesta realidade, seu conhecimento não é muito maior que o dos filhos”.

Eis o que acontece quando jornalistas pernambucanos são musicados: