Arquivo da categoria ‘Cultura’

Este título peguei emprestado do amigo e jornalista maior do País da Geral, José de Souza Castro que, para honra minha escreveu o prefácio do meu livro de poesia

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Revelou Castro: “Vim a conhecer Talis Andrade há uns quatro anos, por causa dos comentários dele na coluna de Moacir Japiassu, no Comunique-se, e de seus sábios escritos em três blogs do próprio poeta: Arte e Versos, Aqui não dá e Jornalismo de cordel. Não sei como, aos 70 anos, ele acha tempo para manter atualizados esses blogs e escrever poesia, ganhando um salário mínimo de aposentadoria pelo INSS. É um mistério: como um poeta brasileiro, ainda por cima nordestino, sobrevive?”

Olha, gente, jamais seria salvo pela poesia, mesmo que “eu me chamasse Drummond”. Ascenso, no leito de morte, disse para mim e o governador Paulo Guerra, que ser poeta é um “mal de raiz”.

Danação de vida. Sempre tive de exercer, penosa e comitantemente, três malsinadas profissões. Professor, jornalista e barnabé.  Que o salário de uma não sustenta nenhum vivente.

Não tenho a grandeza de um Luiz Carlos Maciel, mas me ofereço, que não me faltam gosto nem fôlego, para exercer profissões da minha vocação e aprendizado.

Luiz Carlos Maciel, 77,

filósofo desempregado

por José de Souza Castro

Luiz Carlos Maciel

Luiz Carlos Maciel

Leio no blog do poeta pernambucano Flávio Chaves que o filósofo Luiz Carlos Maciel está desempregado há quase um ano. Tem 77 anos e está sem dinheiro. Ele se oferece para trabalhar, avisando que só não canta e dança. No mais, o que vier, “eu traço”.

É possível que algum leitor nunca tenha ouvido falar de Luiz Carlos Maciel. Foi um dos fundadores de O Pasquim, surgido seis meses depois do AI-5, quando a ditadura militar se impunha como nunca. E o jornal se revelou como flor do lodo, no brejo político e social em que se transformara o Brasil: em pouco tempo, vendia mais de 200 mil exemplares por edição.

Posso poupar tempo, encaminhando o leitor a este artigo escrito em julho de 2004 pela historiadora paulistana Patrícia Marcondes de Barros. Um resumo:

“Jornalista, dramaturgo, roteirista de cinema, filósofo, poeta e escritor. Apesar de sua vasta atuação no cenário cultural brasileiro, Luiz Carlos Maciel é comumente lembrado por sua participação no Pasquim, com a coluna Underground, quando então escrevia artigos sobre os movimentos alternativos que eclodiam no mundo, assim como as manifestações anteriores que lhes serviram de base, como o romantismo, o surrealismo, o existencialismo sartreano, a literatura da Beat Generation, o marxismo, entre muitos horizontes (re)descobertos na época. Este trabalho de difusão da contracultura lhe valeu o estereótipo de ‘guru da contracultura brasileira’ ”.

No final do artigo há uma breve cronologia dos trabalhos realizados por Luiz Carlos Maciel até 2004. Uma lista impressionante. Vivesse nos Estados Unidos ou na Europa, onde a cultura tem valor, esse gaúcho não teria chegado aos 77 anos desempregado e sem dinheiro.

Mas ele vive no Brasil. País onde cultura e velhice são desprezadas. Pior, se além de velho, é mulher, negra e faxineira.

No mesmo dia em que tomei conhecimento do caso de Luiz Carlos Maciel, soube do que aconteceu com a faxineira de um prédio residencial num bairro de classe média alta de Belo Horizonte. Um prédio de oito andares, com um apartamento de quatro quartos por andar.

Até agosto de 2012, o prédio tinha contrato de administração assinado com empresa especializada. O condomínio pagara a essa empresa, em 12 meses, um total superior a R$ 10 mil, incluindo salário da faxineira, INSS, FGTS e vale transporte. Havia faxina cinco dias por semana.

Para economizar, o condomínio decidiu cancelar o contrato e pagar diretamente a duas faxineiras que, conforme a lei, não têm qualquer direito trabalhista. Uma delas trabalha quatro horas por dia, dois dias por semana; outra, um dia por semana, durante oito horas. O gasto total caiu para R$ 9.520 no ano.

As faxineiras são as mesmas, até agora. Mas houve uma mudança: a que trabalhava um dia por semana, durante oito horas, passou a trabalhar por quatro horas, há cerca de três meses. O salário foi reduzido também pela metade. Mas a perda para ela é maior do que 50%, pois enquanto gastava com ônibus “x”, tirado de seu salário “y”, agora gasta o mesmo “x” tirado de metade do “y”. Um matemático pode calcular melhor do que eu a perda da faxineira.

Ela aceitou, sem reclamar da decisão da síndica. “O que eu podia fazer?”, perguntou-me ela. “Tenho 69 anos, e ninguém vai me empregar para fazer faxina, mesmo que eu possa trabalhar direitinho com essa idade. É melhor pingar do que secar”, filosofa.

“O que vier, eu traço”, diz o filósofo desempregado Luiz Carlos Maciel, oito anos mais velho.
A culpa é da crise econômica, que pesa mais para os mais fracos. Só dela? Não pesa nada na consciência dos mais ricos – não é, papa Francisco?

O grupo baiano 'As ganhadeiras de Itapuã'

O grupo baiano ‘As ganhadeiras de Itapuã’

Trilha sonora de quem (e para quem) põe a mão na massa

Quem canta, seus males espanta, e se o trabalho está pesado, cantar se faz ainda mais necessário – faz a lida fluir. Os cantos de trabalho são uma manifestação cultural tão antiga quanto o mesmo ato de trabalhar.

Na América Latina, eles sempre acompanharam o trabalhador, da colheita do arroz e do milho à construção de casas e à abertura de estradas, emprestando ritmo e encanto sobretudo às atividades coletivas, como se fossem feitiços hipnóticos. Um efeito próximo da magia.

Do norte do México ao sul da Argentina, os cantos de trabalho nascem no ambiente rural e aí permanecem por muito tempo. Mas as transformações do progresso levam o trabalho dos campos às fábricas e as pessoas da terra ao concreto, sem que a música deixe de acompanhá-los.

Escute aqui. Leia Camila Moraes

Palacete dos Artistas faz parte do projeto da Prefeitura de ocupação do Centro de São Paulo (Foto Olivia Florência/ G1)

Palacete dos Artistas faz parte do projeto da Prefeitura de ocupação do Centro de São Paulo (Foto Olivia Florência/ G1)

Que sejam contemplados todos os artistas. Incluídos os poetas, os escritores, os escultores, os arquitetos, os jornalistas

 

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, inaugurou o edifício Palacete dos Artistas, destinado a moradia popular de artistas com mais de 60 anos e renda familiar de um a três salários mínimos.

Os 50 artistas beneficiados terão que pagar de 10% a 12% da renda mensal deles pelo apartamento. O contrato será renovado a cada quatro anos.

O imóvel permanecerá como propriedade pública. “Uma locação social a um preço bastante módico para permitir que o prédio seja sempre destinado a artistas que dependam de locação”, explicou Haddad.

Os 50 apartamentos são destinados a entidades como Sindicato dos Artistas, Movimento de Moradia dos Artistas e Técnicos, Cooperativa Paulista de Teatro, Associação Cultural de Condomínio dos Artistas e Técnicos, Ordem dos Músicos, Balé Stagium, GARMIC (Grupo de Articulação para Moradia do Idoso da Capital) e Associação Nova Conquista.

A idéia do prefeito Haddad é louvável e exemplar, e outros prefeitos e, inclusive, governadores deviam realizar o mesmo feito, que para isso existem secretarias de Cultura e Habitação em todos os Estados e Municípios.

POETAS MORREM DE FOME NO BRASIL DA DEGRADAÇÃO CULTURAL

O estigma da pobreza dos artistas é universal. Basta lembrar que, na Europa, morreram na miséria os pintores Van Gogh e Modigliani. No Brasil, colonizado Brasil, o índice de leitura é a cara da TV Globo. O índice de leitura dos brasileiros é de quatro livros por ano. Não há como viver de literatura.

Raros os escritores que conseguem viver no Brasil, exclusivamente, da venda de livros. A 14ª edição do reality show Big Brother Brasil, exibida de 14 de janeiro a 1 de abril de 2014, ofereceu um prêmio de R$ 1,5 milhão para o participante vencedor. Um poeta jamais conseguirá tanto dinheiro em toda sua vida de poesia.

Mas a pobreza não é exclusividade de nenhuma arte. E um programa de moradia precisa beneficiar todas as artes. Todas.

In Wikipédia: A numeração das artes refere-se ao hábito de estabelecer números para designar determinadas manifestações artísticas.

1ª Arte – Música (som);
2ª Arte – Dança/Coreografia (movimento);
3ª Arte – Pintura (cor);
4ª Arte – Escultura/Arquitectura (volume);
5ª Arte – Teatro (representação);
6ª Arte – Literatura (palavra);
7ª Arte – Cinema (integra os elementos das artes anteriores)

MORADIA PARA  OS CANTORES DE RÁDIO E TELEVISÃO

Vender 500 mil discos pode render algumas capas de revistas e assédio dos fãs, mas vale lembrar que glamour nem sempre paga contas – nem mesmo o aluguel. Após fazer sucesso entre as décadas de 70 e 80, o cantor Raimundo José volta a sorrir. O motivo não é a música, mas a inauguração do Palacete dos Artistas, um prédio no centro de São Paulo (SP) que foi reformado para ser a casa de 50 artistas com mais de 60 anos, – entre eles, Raimundo.

Localizado na Avenida São João, a poucos metros do cruzamento com a Avenida Ipiranga, o prédio, construído em 1910, era o antigo Hotel Cineasta e estava há anos abandonado. Após um investimento, por parte da Prefeitura, de R$ 8,2 milhões – sendo R$ 4,2 milhões gastos apenas com a desapropriação do edifício – e dois anos de reforma, os apartamentos de 40 metros quadrados estão prontos para serem habitados. Os moradores são músicos, cantores, atores e diretores de teatro com mais de 60 anos, renda de até três salários mínimos e que estejam ligados a entidades como o Sindicato dos Artistas e o Movimento de Moradia dos Artistas e Técnicos.

A Prefeitura possui outros três prédios no centro da cidade, um deles já em reforma, e outros 31 edifícios que estão em processo de desapropriação. “Este é o reencontro da cidade com seu centro histórico”, afirmou o prefeito Fernando Haddad durante a inauguração do Palacete dos Artistas.

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O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, na inauguração do edifício Palacete dos Artistas, em 12 de dezembro de 2014. Fotos Fabio Arantes

O prefeito de São Paulo Fernando Haddad na inauguração do edifício Palacete dos Artistas, em 12 de dezembro de 2014. Fotos Fabio Arantes

 

 

 

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Mortes de doze rapazes ocorreram há quase dois meses, após operação policial na comunidade da capital baiana

 

 

Os laudos cadavéricos produzidos pelo Departamento de Polícia Técnica da Bahia apontam que as doze vítimas da operação policial, que ficou conhecida como Chacina do Cabula, em Salvador (BA),  foram executadas. As informações são do jornal baiano Correio.

De acordo com os relatórios, parte dos disparos foi realizada de cima para baixo. Além disso, alguns dos rapazes baleados apresentam perfurações na palma da mão, braços e antebraços. As análises indicam ainda que a maioria possuía pelo menos cinco marcas de tiros — alguns deles disparados a curtas distâncias, de menos de 1,5 metro.

Em um dos casos, as perfurações em um dos suspeitos dá a entender que o projétil entrou pela base da cabeça e saiu pelo queixo. Consultada pelo Correio, uma fonte ligada à investigação declarou que disparos desse tipo ocorrem normalmente quando as vítimas foram mortas em posição de defesa, e afirmou que há “sinais evidentes de execução”.

Também procurado pela reportagem, um perito baiano que preferiu permanecer anônimo disse que os diparos de cima para baixo indicam “que a pessoa morta está numa região mais baixa do que quem atirou”. “Isso subentende que a pessoa baleada estava deitada, agachada ou ajoelhada”, adiciona. Quanto aos corpos com marcas de perfurações no antebraço e braço, a situação sugere que a pessoa deve ter sido “pega de surpresa e que por isso elevou o braço”.

Relembre o caso

Chacina da polícia petista

Chacina do Cabula 

As doze mortes ocorreram há quase dois meses, na madrugada do dia 6 de fevereiro, durante ação levada a cabo por policias militares das Rondas Especiais (Rondesp). A versão da PM é a de que o grupo – suspeito de planejar um assalto a uma agência bancária –, ao perceber a chegada das viaturas, disparou em direção a elas. Em resposta, os agentes teriam iniciado o tiroteio. Os homens fugiram e adentraram um matagal, onde se encontravam outros integrantes da quadrilha, em um total de trinta pessoas. A ocorrência deixou, ao todo, 16 baleados.

No entanto, os moradores da comunidade de Vila Moisés, onde tudo aconteceu, contam outra história. Testemunhas afirmam que os “suspeitos” foram executados. “De repente, ouvi rajadas. Me abaixei. Quando ouvi que não tinha mais nada, todos os rapazes estavam no chão”, contou um dos moradores da região.

 

Caboclinhos

Caboclinhos

Desculpem o trocadilho. Ninguém sabe quanto as prefeituras e o governo do Estado investem no nosso autêntico Carnaval, realizado por clubes e troças e grupos folclóricos que divulgam o frevo, o maracatu, a ciranda, o coco, os caboclinhos, entre outros ritmos.

Jamildo Melo denuncia: Entenda porquê artistas nacionais vão às lágrimas, como Fafá de Belém, ao falar do Carnaval de Pernambuco

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Acrescenta Jamildo: “No Carnaval de Pernambuco, a Empetur está dando uma força para as bandas de fora para que toquem no interior. Os gastos parciais foram compilados com base no Diário Oficial de Pernambuco e a relação dos principais contratos. Curiosamente, o Maestro Spok, homenageado do Carnaval do Recife, só recebeu um contrato para tocar fora do Recife. O seu cachê de apenas R$ 35 mil é mais barato que o show de Waleska Popusuda no Baile dos Artistas”.

Essa gente vai descaracterizar o Carnaval interiorano. Que as cidades têm seus carnavais típicos, como Nazaré da Mata com o Maracatu Rural, Bezerros com os Papangus, Pesqueira com o Carnaval dos Caiporas, Triunfo com o Carnaval dos Caretas.

 

Maracatu Rural

Maracatu Rural

Caiporas, foto de Ricardo Moura

Caiporas, foto de Ricardo Moura

Papangus

Papangus

Caretas

Caretas

A variedade de ritmos, de manifestações carnavalescas representa uma diversidade que enriquece nossa Cultura. Basta o exemplo de que o Carnaval do Recife é totalmente diferente do Carnaval de Olinda.

Os shows patrocinados pela Empetur visam uma unicidade que corrompe em todos os sentidos do termo. Corrompe o comportamento do povo, nossos costumes, marginalizam os grupos folclóricos, principais responsáveis pela autenticidade do Carnaval pernambucano, festa do povo, feita realizada e patrocinada pelo povo, que o dinheiro dos governos estadual e municipais o rei Momo não sabe bem o destino.

 

 

 

 

Moacir Japiassu2

 

Chance & risco
Chamada de capa do UOL:

Estocar água
eleva chance de
afogamento
infantil em casa

Janistraquis só não deu risada porque o assunto é sério:

“Para o redator do UOL, se você encher um balde grande e não providenciar cerca de proteção, terá boa chance, ou seja, terá ótimas possibilidades de ver um filho morto. Note bem: o comprador do balde não corre o risco de afogar a criança, só aumenta a chance da tragédia… Pois se eu fosse diretor do UOL, o responsável pela chamada seria escalado para cobrir baile gay na terça-feira de Carnaval!!!”

 

Céu e inferno

Por sugestão do considerado Elio Gaspari em sua coluna, Janistraquis visitou o endereço do YouTube abaixo reproduzido e adorou a “campanha eleitoral” de Maviael Melo, compositor, poeta, cantador e cordelista pernambucano.

 

Samba-enredo

Mais uma do nosso Roldão, em carta publicada na Folha de quinta-feira, 12/2:

Um fantástico patrimônio cultural brasileiro –a música de Carnaval– vem sendo desprezado. Explico: as músicas de Carnaval, com harmonia e melodia, acabaram. Há mais de 50 anos, só existe o samba-enredo, que é uma batucada, uma marcha acelerada para apressar o desfile.

 

(Transcrevi trechos. Leia mais)

por Gilberto Prado

 

Amarildo

Amarildo

Wesley Safadão, Nando Reis, Jota Quest, O Rappa, Del Rey e Tiesto, contratados para o Carnaval do Marco Zero. Só pergunto. Esse pessoal tem alguma identidade com o evento? Será que o Recife trocou “seis por meia-dúzia”, substituindo os Joãos (Paulo e da Costa) pelo atual prefeito? Como é triste ser enganado. O “monturo é o mesmo”.