VITÓRIA DOS GARIS E DERROTA DA MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA! PRESSÃO E APOIO POPULAR FORÇOU A PREFEITURA A CONCEDER AUMENTO DE 37% NO SALÁRIO-BASE DA CATEGORIA

por Daniel Mazola 
 
jb lixo gari rio
 
Após oito dias de paralisação, a greve dos garis chegou ao fim. A Prefeitura aceitou a contraproposta dos trabalhadores de R$ 1.100 e com todos os devidos adicionais, incluindo hora extra, e o sonhado ticket alimentação de R$ 20 que os trabalhadores exigiam na pauta de reivindicações. Coube aos garis do Rio uma vitória histórica que aponta novos caminhos e muda o rumo da luta dos trabalhadores, e do povo pobre do Brasil.
 
Não foram poucos os obstáculos que os grevistas enfrentaram para chegar a este acordo. Primeiro, o seu próprio sindicato, que vinha pelegando e fechando acordos ilegítimos com a Prefeitura, no intuito de encerrar a greve de maneira arbitrária. Houve também a tentativa de desqualificar a greve, dizendo que eram apenas 300 em paralisação, apesar das montanhas de lixo acumulado pela cidade provando o contrário.
 
Os guerreiros que não se renderam ao sindicato pelego, muito menos ao prefeito Pinóquio-autoritário-carreirista, à manipulação dos “principais” veículos de comunicação, ao abuso policialesco, nem a chantagem alguma, conquistaramum novo acordo salarial que elevou o piso da categoria.
A organização e a resistência de um dos setores mais explorados do serviço público do país pode ser um divisor de águas, e abre um novo capítulo na luta por direitos, iniciada nas jornadas de junho. Vem aí o tempo de vitórias públicas que impactem na vida dos brasileiros, que nos garantam ampliar direitos e viver com Democracia real e justiça social.
 
Só podemos agradecer e aprender com os valorosos e indispensáveis Garis, assim mesmo com letra maiúscula. Vocês estão contribuindo com a luta de classes, fazendo o povão enxergar que precisa voltar, ou ir, para as ruas. Estão colaborando com a tarefa de abrir o caminho das lutas vitoriosas de 2014, nos lembrando o quanto é importante à organização popular. Clareando e limpando nossas esperanças.
 
Acordo firmado entre a COMLURB, a Prefeitura Municipal, o Sindicato dos Garis, a Comissão de Greve e a OAB definiu o fim da Greve dos Garis com novo piso salarial acertado em R$ 1100,00 + Hora Extra + Ticket Alimentação. Na segunda feira o movimento estará atento a publicação dos termos no Diário Oficial e promete nova paralisação caso o acordo não seja rapidamente cumprido
Acordo firmado entre a COMLURB, a Prefeitura Municipal, o Sindicato dos Garis, a Comissão de Greve e a OAB definiu o fim da Greve dos Garis com novo piso salarial acertado em R$ 1100,00 + Hora Extra + Ticket Alimentação. Na segunda feira o movimento estará atento a publicação dos termos no Diário Oficial e promete nova paralisação caso o acordo não seja rapidamente cumprido

“Liberdade de empresa”

O jornalismo de mercado, em especial as Organizações Globo, durante toda a semana omitiu informações, fez o que de pior se pode fazer em matéria de jornalismo. A cobertura da TV Globo minimizou a importante luta e as manifestações, criminalizou o movimento grevista, esteve sempre ao lado da Prefeitura e de um sindicado pelego que não responde ao conjunto das reivindicações dos trabalhadores. Chegou a dizer que haviam partidos políticos por trás da greve, assim como no caso das manifestações populares e na morte do cinegrafista da Band.

As jornadas de junho evidenciaram para as camadas mais pobres da sociedade que precisamos de outra imprensa, de jornalismo crítico, que possa expor e debater todas as mazelas do sistema. A cobertura da greve feita pela mídia corporativa reforçou a evidência e o caráter venal do TV Globo e similares. O Blog Tribuna da Imprensa online e a imprensa alternativa, cumpriram um papel relevante, reportar e informar os fatos reais. O descrédito, cada vez maior, é a marca do jornalismo de mercado que só pensa na “liberdade de empresa”.

Formação politica de rua e mídias-redes! A mídia de mobilização nas redes impulsionou a onda laranja para além das ruas e dos guetos. Depois de uma semana de desqualificação, suspeitas e dissuasão do movimento dos garis, pela mídia corporativa, o Jornal Nacional deu “uma linha” seca e rápida sobre o fim vitorioso da greve, sem qualquer imagem de celebração!

Nas redes sociais, as imagens dos garis postadas pelos midialivristas ou mídiativistas inundaram as timelines. A transmissão ao vivo pela Midia Ninja mostrou o movimento desde o primeiro ato e fez circular fotos lindíssimas. Imagens que produzem comoção. O “ao vivo” nas redes traz a experiência de “estar na rua” e é hoje uma ferramenta decisiva para os movimentos populares.

Muitos garis compartilharam suas imagens pelos celulares. A linguagem usada nas ruas de um carnaval-politico, com marchinhas criticas, a linguagem do humor e dos memes nas redes, e a própria estratégia dos garis de deixar o lixo acumular, apodrecer, feder e incomodar até o limite, são formas complementares e táticas de pressão e visibilidade.
Essa greve foi uma aula de ativismo e de comunicação com a cidade. Essa vitória foi mais que especial, apesar de parcial, ainda não atende as necessidades básicas para a subsistência, mas vermos os garis nas ruas, não varrendo, mas lutando e conquistando seus objetivos foi uma imensa satisfação.

Os Garis de forma pacífica fazendo uma despedida simbólica do carro da Rede Globo, na porta do TRT, que durante toda a semana omitiu informações, minimizou as manifestações, criminalizou o movimento grevista e esteve sempre ao lado da Prefeitura. Viva os Garis e o povo que luta pelos seus direitos!
Os Garis de forma pacífica fazendo uma despedida simbólica do carro da Rede Globo, na porta do TRT, que durante toda a semana omitiu informações, minimizou as manifestações, criminalizou o movimento grevista e esteve sempre ao lado da Prefeitura. Viva os Garis e o povo que luta pelos seus direitos!

VITÓRIA HISTÓRICA DOS GARIS!!!

* Garis conquistam aumento do piso salarial para R$ 1100
* Reviravolta evidencia jogo sujo usado pela prefeitura 
* Leia abaixo um breve histórico da greve
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por Chico Alencar

 

Latuff
Latuff

Foi uma luta duríssima, que termina agora com uma vitória histórica. Os garis deram uma lição de perseverança e garra a todos os cariocas.

Não foi fácil. Tudo começou com o anúncio de um aumento de apenas 9% para o piso salarial de R$802 (sem contar os descontos), após uma negociação a portas fechadas e sem participação da categoria.

Os garis não aceitaram. Denunciaram suas péssimas condições de trabalho, os conchavos do sindicato com os patrões e ameaçaram greve para o Carnaval. Sem resposta, a GREVE estourou.

A resposta foi CRUEL, revoltante, vergonhosa. O prefeito Eduardo Paes, a Comlurb e representantes sindicais iniciaram um jogo sujo de desinformação e de deslegitimação dos trabalhadores.

Ignorando o pleito dos garis (R$1200 de piso, R$20 de vale alimentação, adicional de insalubridade e horas extras), foram para a imprensa afirmar que não se tratava de greve, mas de um ‘motim’ feito por uma ‘minoria’ de ‘200 ou 300’ garis ‘manipulados’ por lideranças que teriam ‘vínculos partidários’ e ‘interesses escusos’.

Mas não foi só isso, a prefeitura ainda conseguiu fazer pior: demitiu arbitrariamente, por telefone, 300 funcionários. Contratou escolta privada, destacou até o Batalhão de Choque. Foi para a imprensa novamente e disse que os grevistas estavam ameaçando os que queriam trabalhar.

Não adiantou. A greve continuou e se fortaleceu. As montanhas de lixo acumuladas pela cidade mostravam que o movimento era forte e não era de uma ‘minoria’. Uma onda laranja tomou as ruas do Rio.

Lamentavelmente, a maioria dos meios de comunicação de maior circulação – e de forma notável, os meios das Organizações Globo – deram pouquíssima importância para a beleza das passeatas, para o apoio popular e para a força do movimento.

O prefeito aumentou o tom, na mesma linha. Hoje mesmo, em largos minutos de entrevista no RJTV e na GloboNews, Eduardo Paes disse, textualmente: “É um grupo de marginais coagindo quem quer trabalhar, num processo de guerrilha”.

O que aconteceu da hora do almoço – quando se deu essa entrevista – até o início da noite, não sabemos. Talvez o medo de uma tragédia, com a chuva incessante. Talvez o resultado de alguma pesquisa que mostrasse o apoio da população ao movimento grevista. Não se sabe.

O fato é que os garis foram guerreiros e venceram os gigantes. Conseguiram entrar em uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho para a qual não tinham sido convidados e lograram um piso salarial de R$1100 + Vale Alimentação de R$20 + hora extra + adicional de insalubridade.

A VITÓRIA DOS GARIS É HISTÓRICA E É UM CALA-BOCA EM TODOS QUE TENTAM DESLEGITIMAR A LUTA DE TRABALHADORES ORGANIZADOS E BRIOSOS.

A VITÓRIA DOS GARIS É UM CALA-BOCA EM TODOS QUE AINDA NÃO ENTENDERAM QUE NÃO PODERÃO MAIS CONTINUAR SEUS MÉTODOS AUTORITÁRIOS.

A VITÓRIA DOS GARIS É O MAIS CLARO EXEMPLO DE QUE QUEM LUTA CONQUISTA!

VIVA ELES!
VIVA A LUTA DO POVO DO RIO E DO BRASIL!

 

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Leia Latuff na marcha vitoriosa dos garis (texto e fotos)

 

 

De mal parecido sofrem os professores

Jean Wyllys

Lixo-no-Rio-3 Netto

Quando a reivindicação de uma categoria é justa, quando essa categoria está unida, determinada, acontece o que estamos vendo nas ruas da Cidade Maravilhosa. O Rio de Janeiro tem uma das piores distribuições de renda e uma burguesia com mentalidade ainda escravista. Um gari no Rio, trabalhando em condições insalubres, ganha muito pouco.

Todo mundo sabe que R$ 803,00, salário antes do reajuste de 9%, não faz jus aos que livram a cidade dos seus dejetos. Eles defendem que o piso vá de R$ 803,00 para R$ 1,200,00, mais adicional e outros direitos trabalhistas: o que pedem é tão pouco que a resposta do prefeito dá vergonha alheia; eles têm direito a muito mais! A população está reclamando que pagam caro, que suas ruas estão imundas, que é um absurdo, mas não compra a briga. Não são poucos os que não veem problema em atacar a greve para defender um governo que os escraviza.

Será que quem se diz contra a paralisação e ataca o legítimo movimento de um grupo de homens e mulheres que ganha 803 reais por mês aceitaria fazer uma experiência de um dia na função? Ou acham que resolvem o problemas de salários defasados desde o governo de Cesar Maia somando um adicional de insalubridade para fingir que é maior do que realmente é? A maioria que se posiciona contra os garis afirma que foi oportunismo da parte deles ter iniciado a greve justo durante o carnaval. Devem pensar: “Ah…que absurdo pararem de nos servir logo no carnaval, que é quando a gente mais gosta de emporcalhar a cidade”. É também vergonhosa a postura do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio do Rio de Janeiro, que não tem apoio das bases. Seus dirigentes criminalizam os grevistas e, para dar fim aos atos, acertaram com a Prefeitura a demissão dos que não voltassem ao trabalho após a assinatura de um acordo que é apenas vantajoso para o lado dos mais fortes.

Ah, e ainda inventaram que há infiltração partidária na greve. Por acaso, como sempre, do Psol. Quem me dera todos esses garis serem filiados ao Psol! Eu teria muito orgulho disso! Mas quem fala em infiltração partidária esquece de falar das doações à campanha do prefeito de algumas lideranças do sindicato que hoje se colocam do lado dos patrões, da filiação de alguns deles a partidos da base governista, enfim… parece que aí não veem interesses políticos. Enquanto isso, a Prefeitura não recebe os garis; prefere colocar escolta armada para forçar o trabalho dos que não estão no movimento por medo de perder seus empregos, já que foram anunciadas a demissão de 300 profissionais. Escolta? Estão tratando garis como bandidos! Agora parece que todo aquele que protesta e exerce seus direitos constitucionais é um bandido no Rio de Janeiro. Os garis afirmam estar sendo ameaçados caso não furarem a greve. A Justiça do Trabalho também considera a greve ilegal. Como pode um gari, um serviçal invisível que tem “apenas” a função de limpar a nossa sujeira, reivindicar aumento? Gostaria de ver esses juízes tentando sustentar suas famílias com o salário de um gari…

De mal parecido, sofrem os professores do ensino público que também ganham um salário que mais parece piada de mau gosto para ajudar a construir o futuro do país, e a resposta do prefeito Eduardo Paes sempre é a mesma: bala de borracha! Gás lacrimogêneo! Ele já parece o policial do vídeo do Porta dos Fundos! Nossos garis são verdadeiros heróis. Essa bravura merece ser valorizada com a pressão e a solidariedade da sociedade!

Ao prefeito porcalhão

por Helio Fernandes

Rio-de-Janeiro Netto

Como carioca que nasceu e sempre viveu no Rio, constrangido e envergonhado com a sujeira da cidade. Vergonha e constrangimento que Paes não tem.

Como cidadão, estou revoltado com o que fazem e pagam a esses garis, simpaticíssimos, eles e os “bombeiros do fogo”, sempre aplaudidos.

Mas depois de somar tudo, com os 40% de insalubridade, chegam a um mil, 124 reais. Comparem essa miséria com os supersalários da Câmara, Senado, Justiça e até do ínclito Tribunal de Contas, e concluam.

Parabéns à Justiça, que está multando diariamente os “sindicatos governistas”, que condenam a greve. É preciso uma solução imediata, mesmo que não fique isolada sob o comando desse prefeito do “Engenhão”. URGENTÍSSIMO.

VARREDURA

por Talis Andrade

 

 

morte chacina Kike Estrada

 

O rico visita

o outro rico

cada um em seu palácio

cercado de grades

cercado de guardas

 

A raia miúda

entra na casa

do rico

a serviço

 

Uma legião de lacaios

varre o lixo

 

Os vigilantes

e os homens da lei

varrem o lixo

 

Varrem o caminho

retirando os intrusos

os pedintes

 

Todos varrem

os cadáveres do caminho

para os ricos passarem

sem sujar os sapatos

no sangue das chacinas

e massacres

 

Todos varrem o lixo

estendem os tapetes

vermelhos

Tempo de dizer: adeus, senzala!

Via Mídia Ninja – Tribuna da Imprensa
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Mais de mil garis, em sua maioria negros, pais e mães de família, moradores das periferias e favelas do Rio, foram ovacionados hoje pelos cariocas em uma inesquecível passeata que começou na Prefeitura do Rio e tomou o centro da cidade como uma verdadeira onda laranja abolicionista. Porque a primeira coisa que o Brasil precisa reconhecer é que a luta dos garis se ergue contra os resquícios de escravidão mais arraigados em nossa sociedade.
Foram sucessivas as tentativas de desqualificação do movimento grevista. Elas partiram tanto do executivo municipal quanto da mídia corporativa, os fiéis representantes das posições mais conservadoras de uma elite tão escravocrata que é capaz de conviver com uma das mais aberrantes desigualdades econômicas de todo o planeta e ainda patrocinar um genocídio cujo maior homicida é justamente o Estado, através da Polícia Militar.

Resquício de DITADURA e resquício de ESCRAVIDÃO combinados dantescamente na mesma cena. Mas havemos de amanhecer, há esperanças e os garis são a prova! A luta dos trabalhadores da Comlurb tocou o coração dos brasileiros e conquistou de imediato o apoio da população carioca que, emocionada, já vê como vitoriosa a luta protagonizada por eles.

Venceram um sindicato pelego. Venceram a intimidação e as ameaças do prefeito. Venceram o assédio desmobilizador da mídia que insiste na ‘versão oferecida pelo patrocinador’ em detrimento de sua própria função social. Venceram o açoite do tronco e a mão opressora do chicote no lombo.

Quem viu os carros do Choque seguindo os caminhões de lixo, viu com os próprios olhos que a greve dos garis é um levante da senzala. É povo pobre, negro e trabalhador daqui, inventando por si próprio este país que é seu. Não se pode perder a esperança num país em que os garis aproveitam o carnaval para derrubar os portões da senzala e sambar em cima do lixo, nas portas da Casa Grande.

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TRIPLO DESRESPEITO AOS GARIS DO RIO DE JANEIRO

por Chico Alencar

 

Garis

1 – Considerar que sua mobilização é de uma “minoria amotinada”;

2 – Achar que eles não têm capacidade de se organizar e reivindicar, só fazendo isso porque são “manipulados”;

3 – Dizer que o movimento tem caráter “partidário”, pelo fato de uma das lideranças ter disputado eleições no passado.

Melhor faria a prefeitura  em reconhecer que o pleito é justo e abrir o diálogo, ao invés de apelar para mentiras ridículas, demissões arbitrárias, ameaças e Batalhão de Choque.

Os ladrões da merenda escolar

Ano par, ano ímpar os Estados brasileiros investigam denúncias de desvio de recursos para aquisição de merenda escolar, de armazenamento inadequado e fornecimento insuficiente de alimentos para escolas. E constatados indícios de sobrepreço e aquisição de alimentos sem licitação ou contratos de fornecimento. As irregularidades são apuradas pelos Ministérios Públicos estaduais e Federal, e por fiscalizações da Controladoria Geral da União. Ninguém vai preso. Nunca investigam m. nenhuma as duas polícias que existem para bater no povo: a Polícia Militar e a polícia civil.

Inquéritos e inquéritos denunciam a permanência das  máfias da merenda: grupo de empresas que simulam licitações com ajuda de servidores públicos e secretários municipais.

Lá na ex-Cidade Maravilhosa querem culpar os garis. Eta manchete safada, mentirosa, jornalismo marrom e protetor da bandidagem:

br_extra. garis

 

70% dos garis continuam em greve no Rio de Janeiro

O protesto dos garis que anunciaram que continuariam em greve nesta quinta-feira (6) terminou por volta das 15h35, em frente à Câmara Municipal do Rio, no Centro. Os manifestantes prometem um novo ato para esta sexta-feira (7), com concentração a partir das 10h, em frente à Prefeitura do Rio.

Na Câmara Municipal, líderes do movimento pronunciaram discursos e cantaram uma paródio do samba da Unidos da Tijuca, campeã do carnaval do Rio neste ano: “Acelera Comlurb que eu quero ver, esse lixo vai render”.

Fura-greves e trabalhadores avulsos, com escolta armada de guardas municipais e empresas de segurança, assumiram a coleta de lixo em alguns pontos da Cidade, conforme decisão do prefeito Eduardo Paes.

“Nós somos trabalhadores e decentes. Mobilizaram uma escolta armada pra que? Somos bandidos? Que venha bala de borracha e bomba de efeito moral. Quero meu direito de cidadão. A nossa proposta era de 1200 de salário básico, 40 por cento de insalubridade nesse valor, auxilio creche, salários diferenciados , tiquete refeição de 20 reais e a da prefeitura era de 800. Nós queremos um salário digno. Isso aqui é independente de sindicato, o sindicato nao nos representa mais. O nosso trabalho ninguém quer fazer. O prefeito nao quer pagar por isso. “, disse William Rocha de Oliveira, da comissão de greve da Comlurb.

Galeria de fotos da sujeira

AcordoColetivo2014full

Mais uma molecagem de Eduardo Paes e Sérgio Cabral

por Garotinho

Como sempre as Organizações Globo (O Globo e Extra e RJ TV) cumprem seu papel de porta-voz oficial do PMDB – RJ. Afirmam que o PR estaria por trás da greve dos garis. Francamente, isso é um absurdo. Da mesma maneira que inventaram que o partido patrocinava os Black Blocs para salvar Cabral, agora querem nos por a culpa pela incompetência da prefeitura em resolver seus problemas.

Quero deixar claro que embora respeite o direito de greve dos garis, como de todos os trabalhadores, não tenho nenhuma participação no movimento. Aliás, soube da greve pelo jornal, que por sinal afirmava que eram apenas 300 garis de um total de 15 mil, enganando a população, que agora vê que 70% estavam parados.

O lixo que se acumula pelas ruas do Rio é um problema que deve ser resolvido pelo prefeito dialogando com as partes envolvidas. Querer usar uma foto de alguém que está à frente do movimento tirada comigo pelo fato de ter sido candidato a vereador nas últimas eleições é uma falta de compromisso com a verdade.

Cabral e Paes têm essa mania querem sempre arrumar um culpado para a incompetência deles. Quer dizer que agora o prefeito não se entende com os garis, o culpado é Garotinho? As UPPs vão mal, o culpado é Garotinho? Quem gastou em R$ 1,2 bilhão em publicidade e marketing nos últimos sete anos podia pelo menos arrumar uma desculpa melhor.

O Carnaval mais sujo da história do Rio de Janeiro

Os garis unidos contra o Sindicato submisso
Os garis unidos contra o Sindicato submisso
 
O Rio de Janeiro teve o Carnaval mais sujo de sua história. Sujeira do prefeito que mandou demitir 300 garis. Sujeira do Sindicato que traiu a classe. Sujeira da Polícia Militar e guardas municipais que bateram nos grevistas.
Prais do Leblon, hoje no Rio. (Foto: Renata Soares/G1)
Praia do Leblon, hoje no Rio. (Foto: Renata Soares/G1)
 A resposta dos garis, que decidiram escapar do mando da pelegada do Sincato, foi que o prefeito Eduardo Paes fosse varrer as ruas. Os lá de cima da Prefeitura não são de pegar no pesado. E sim noutras coisas. E o Rio foi uma sujeira só desde sábado de Carnaval. 
 

Por decisão do prefeito Eduardo Paes, escoltas armadas estão acompanhando todos os caminhões da Comlurb para garantir a coleta. Para  Paes, a maioria dos garis compareceu ao trabalho durante o carnaval, mas foi impedida de trabalhar por “delinquentes”, inclusive grupos armados. Isso não é verdade.

Os garis realizaram vários protestos. A polícia de Sérgio Cabral jogou bombas de gás lacrimogêneo e atirou com balas de borracha. Os líderes grevistas foram presos. 

gari 1

garis 2

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Garis 4 dia

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Ato contra demissão garis

Paes também disse que vai suspender a todas as demissões para os garis que retornarem ao trabalho. Derrotado, prometeu atender todas as reivindicações dos garis: uma alta salarial para R$ 1.200, o pagamento de horas extras e outros benefícios. 

salário gari

garis título adv ativistas
 
████████████████ Brasil realmente tem vivido tempos interessantes. Com a mais pura estratégia, garis paralisaram seus trabalhos durante o Carnaval no Rio de Janeiro, período de maior atenção e turismo na Cidade Maravilhosa. Ao parar, a Cidade fedeu, os lixos acumularam e o debate sobre a greve acendeu.

Direito a greve é mais do que uma garantia inscrita na Constituição Federal. Ao parar a exploração de seu trabalho, clama-se pelo reconhecimento da importância da função e acontraprestação oferecida. É um ativismo político dos mais sangrados, mas que, ainda hoje, oferece resistência e grandes resultados.

“Garis não são diplomados” – dirá a pessoa contra o aumento de salários. Para essa pessoa, a desigualdade é algo tão natural quanto o nascer do sol, e não imposto pelo sistema econômico. Além disso, menospreza-se o valor do trabalho pela ausência de diploma, como se a graduação fosse indicativo de nobreza, na pura tradução do pensamento aristocrático. Típico sintoma da alienação intelectual, onde acredita-se que o trabalho material não exige conhecimento, enquanto o trabalho intelectual é responsável unicamente pela criação de toda sabedoria, e portanto, merece a maior das remunerações. 

Argumenta-se ainda que os “Garis foram chantagistas”, ao escolher a fatídica época para interromperem a função. Ora, greve nada mais é do que parar as atividades para atrapalhar o funcionamento da máquina, tudo para forçar o debate sobre a valorização da função.

Infelizmente, no caso dos garis, em razão do elo fraco no cabo de guerra, os grevistas foram demitidos, numa clara demonstração de arbítrio e falta de diálogo. Hoje, funcionários intimidados pela demissão foram trabalhar, sob o protesto dos grevistas. Além disso, o Tribunal Regional do Trabalho julgou a greve ilegal. Ao que parece, a Greve não é permitida no carnaval da Democracia brasileira.