Eric Toussaint no regresso da Comissão de Auditoria à Dívida Grega

A Comissão para a Auditoria e Verdade sobre a Dívida Grega voltou a reunir esta semana, ainda sob a presidência de Zoe Konstantopoulou. O responsável técnico pela Comissão, Eric Toussaint, resumiu a importância dos trabalhos e das conclusões alcançadas a nível internacional, como a recente resolução da ONU sobre a restruturação da dívida.

arton Grécia
Na sua intervenção, a presidente do Parlamento grego destacou o “enorme interesse da população pelo trabalho da Comissão, em especial da juventude” e apelou à difusão deste trabalho por todo o mundo.

O relatório preliminar das conclusões está publicado em livro (em francês) e preparam-se traduções noutras línguas, como o alemão, castelhano e português. O texto está disponível gratuitamente em pdf aqui.

A Comissão reuniu durante quatro dias e um deles foi dedicado aos negócios militares do país, que foram dos grandes responsáveis pelo aumento da dívida, com o testemunho do ex-ministro adjunto da Defesa, Costas Isychos.

O ex-governante do Syriza reconheceu que o terceiro memorando vai cortar na área da Defesa, mas chamou a atenção para a natureza dos cortes previstos: custos com pessoal, manutenção de infraestruturas e hospitais militares, em vez da aquisição de material militar aos grandes fabricantes mundiais de armamento, como inscrito nos programas da NATO.

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Grécia já recuperou 80 milhões do dinheiro enviado pelo HSBC para os paraísos fiscais. O Brasil nenhum tostão furado

Investigação à “Lista Lagarde”

HSBC

A lista entregue em 2010 ao governo grego contém 1725 nomes. Mas a investigação só começou a dar frutos este ano e 170 pessoas e empresas já pagaram multas e impostos em atraso no valor de 80 milhões de euros.

Os procuradores Panagiotis Athanasiou e Galinos Bris são os responsáveis pelo combate ao crime financeiro dos depositantes no ramo suíço do banco HSBC. Com base na lista divulgada pelo ex-funcionário Hervé Falciani, a justiça grega concluiu a investigação aos primeiros 170 nomes e a fase atual envolve mais 350.

Para pressionar quem fugiu ao fisco através daquele banco, os procuradores têm arrestado bens aos suspeitos. E os resultados apareceram, com alguns a aproveitarem a lei de repatriação dos rendimentos, da autoria da ex-ministra adjunta Nadia Valavani, que rompeu com o Syriza e concorreu nas listas da Unidade Popular às eleições do passado domingo. Dos 80 milhões de receita arrecadada, cerca de 13.5 milhões em impostos foram recuperados através desta amnistia.

Para além da fuga ao fisco, as autoridades gregas investigam também suspeitas de uma rede de branqueamento de capitais e outros crimes associados à chamada “lista Lagarde”, que foi entregue pela então ministra francesa ao governo grego e ficou em “banho maria” durante quatro anos.

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Levy joga pesado para derrubar Dilma

Da escola de Chigago, Joaquim Vieira Ferreira Levy trabalhou para a Troika, e foi agente do Banco Central Europeu, e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Não é de admirar que queira para o Brasil a mesma política aplicada contra a Grécia.

Na Universidade de Chicago e nos bancos do imperialismo e do colonialismo fez seu aprendizado, que lhe credenciou a exercer os cargos do governo de Fernando Henrique Cardoso de  secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, em 2000; e economista-chefe do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, em 2001.

Em janeiro de 2003, pelos bons serviços prestados, foi designado, por FHC, secretário do Tesouro Nacional, onde ficou até 2006.

Não sei se Levy era um petista infiltrado no ninho tucano, mas executa no governo de Dilma a mesma política econômica dos oito anos do governo corrupto e anti-povo de Fernando Henrique.

Para completar, a biografia suspeita do ministro da Fazenda de Dilma possui dois lances que mereciam ser investigados.

  1. Saiu do governo do PSDB para ser secretário da Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, no primeiro mandato de Sérgio Cabral Filho. Isto é, pagava as contas de um governo marcado por escândalos e crimes.
  2. Depois da passagem em dois governos corruptos, virou chefe da divisão de gestão de ativos do Banco Bradesco (Bradesco Asset Management), ocupando o cargo de diretor-superintendente. Não esquecer que o Bradesco, o Itaú, o Santader e o Citbank criaram a Contax, uma empresa de terceirização de serviços, que reintroduziu no Brasil o trabalho escravo.

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Grécia. “Os parlamentos não podem reduzir-se a carimbos para aprovar normas que são ditadas e foram rejeitadas pelo povo”, defendeu Zoe Konstantopoulou

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No seu discurso na IV Conferência Mundial de Líderes de Parlamentos, realizada nas Nações Unidas, Zoe Konstantopoulou resumiu a situação política grega nos últimos meses, em que a democracia foi vítima da “coerção da dívida”.

A ex-presidente do Parlamento denunciou o ultimato dos credores e a sua tentativa de aterrorizar o povo com o controlo de capitais e os bancos fechados, que não foi suficiente para impedir “um rotundo não a políticas suicidas”. Mas o que se seguiu foi pior, prosseguiu Zoe, falando da autêntica “extorsão” das medidas prévias ao novo memorando, que obrigaram o parlamento a aprovar mais de mil páginas de legislação em menos de 24 horas.

Com a resistência de alguns deputados – incluindo ela própria – a votarem naquelas condições, “o parlamento foi dissolvido para assegurar uma maioria mais estável para implementar o que o povo rejeitou”, acrescentou.

“Os parlamentos não podem reduzir-se a carimbos para aprovar normas que são ditadas e foram rejeitadas pelo povo”, defendeu Zoe Konstantopoulou, que apresentou na sua intervenção as principais conclusões do comité criado pelo parlamento para auditar a dívida pública, que reconhece a ilegalidade e ilegitimidade da maior parte da dívida grega.

“Apelo-vos enquanto parlamentares de todo o mundo a apoiarem a democracia e a soberania parlamentar contra a coerção da dívida”, prosseguiu Zoe, lançando um desafio aos seus antigos homólogos: “Não permitam que a democracia seja aniquilada no lugar onde nasceu nem que qualquer outro parlamento volte a votar contra a vontade do seu povo e o mandato dos seus deputados”. Veja vídeo em inglês

Grécia propõe corte de 15% no salário dos políticos

Alexis Tsipras diz que a medida não está incluída nas negociações com a troika e já fazia parte das promessas eleitorais do Syriza.

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“Quando está na mesa das negociações a questão da supressão dos benefícios fiscais dos agricultores, não podemos ficar indiferentes em relação às nossas próprias vantagens”, sublinhou Tsipras à saída de uma reunião com o ministros-adjuntos da Reforma administrativa e das Finanças.

Segundo a agência ANA-MPA, o pacote em preparação pelo governo grego inclui o corte de 15% nos salários dos membros do governo, deputados, secretários-gerais e conselheiros dos ministérios, um teto salarial para os administradores de empresas públicas no valor de 80% do salário de um ministro, e um teto de ajudas de custo equiparado ao salário do presidente do Supremo Tribunal.

Os deputados irão passar a ver os seus salários e ajudas de custo taxados por inteiro (atualmente apenas 75% do salário é taxado e as ajudas de custo são livres de impostos).

“É uma iniciativa política que não tem apenas por objetivo garantir economias, mas também possui um significado simbólico”, acrescentou o primeiro-ministro grego.

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“A Grécia está a ser usada para encobrir o escândalo do salvamento dos bancos europeus”

Veja aqui o vídeo com a entrevista a Maria Lucia Fattorelli, a especialista brasileira sobre a dívida pública que participou nos trabalhos da Comissão para a Auditoria e Verdade da Dívida Pública organizada pelo parlamento da Grécia.

Ajuda aos bancos
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O PODER DO COLONIALISMO. Uma Grécia parecida com o Brasil de FHC

Tudo que vem sendo imposto à Grécia, o Brasil já fez desde os tempos do entreguismo, das privatizações, da globalização unilateral, do Proer dos Bancos e dos empregos terceirizados  do governo de Fernando Henrique.

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