Dilma em Ufá, na Rússia, para a VII Cúpula do BRICs

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Ao desembarcar em Ufá, a presidenta foi recebida com a tradicional cerimônia russa do pão e sal, ritual para receber hóspedes importantes que chegam ao país, informou o Blog do Planalto.

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Mais tarde, a presidenta participou de um jantar típico oferecido pelo presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, em homenagem aos chefes de Estado e de governo do BRICS. Em seguida, foi realizado um encontro bilateral com o presidente Putin.
No último dia 3 de julho, entrou em vigor o Acordo sobre o Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS (NDB). Os líderes do bloco discutirão as perspectivas para a nova instituição.
Segundo o divulgado pelo site do Itamaraty, a Cúpula contará com a participação do Presidente do Banco, o indiano K. V. Kamath, eleito nesta terça-feira durante a primeira reunião do Conselho de Governadores do Banco, realizada em Moscou. A criação do NDB ocorreu em julho do ano passado, na última reunião dos países do grupo, em Fortaleza, no Ceará.
Brasil aposta no sucesso da cooperação entre os países do BRICS
Além disso, os chefes de Estado têm em pauta a implementação do Arranjo Contingente de Reservas do BRICS, que entra em vigor em 30 de julho. o Arranjo Contingente de Reservas (CRA, na sigla em inglês) no valor de US$ 100 bilhões, dos quais US$ 41 bilhões virão da China. O Brasil, a Rússia e a Índia contribuirão com US$ 18 bilhões cada, e a África do Sul aportará US$ 5 bilhões.
A cúpula do BRICS terá duração de dois dias. O presidente chinês, Xi Jinping, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente sul-africano, Jacob Zuma, também chegaram nesta quarta-feira a Ufá, onde tiveram encontros bilaterais com o presidente russo.
Os países do grupo representam um quinto da economia mundial e 40% da população do planeta.

Para onde foi o dinheiro emprestado à Grécia?

Apenas uma pequena fração dos 240 mil milhões de euros que fazem parte do resgate total da Grécia encontrou o seu caminho para os cofres do governo

por Lara Ferin

Svitalsky Bros
Svitalsky Bros

Apenas uma pequena fração dos 240 mil milhões de euros que fazem parte do resgate total da Grécia encontrou o seu caminho para os cofres do governo.

Uma grande parte do dinheiro foi para os bancos que disponibilizaram fundos para Atenas. O país foi forçado a reduzir drasticamente o seu défice, pressionando os pensionistas e reduzindo o salário mínimo.

Mas vamos a contas, estas feitas pelo The Guardian: 34 mil milhões de euros foram as medidas que tiveram de ser tomadas para a renegociação da dívida.

Quase 20% do dinheiro foi utilizado para salvar os bancos privados. Aqui somam-se 48.2 mil milhões para salvar os bancos gregos, que tinham sido forçados a assumir perdas, enfraquecendo a sua capacidade de se proteger e depositantes.

Apenas 10%, aproximadamente 24 mil milhões de euros, serviu para ajudar o governo grego, uma vez 140 mil milhões de euros serviram para pagar dívida e juros.

Onda de greves na Alemanha: A desintegração do “modelo alemão”

O país está a viver uma “ampla erosão das normas salariais formais e informais que por várias décadas mantiveram a paz no capitalismo alemão”, afirma o sociólogo económico Wolfgang Streeck, sublinhando que a vaga de paralisações “é mais do que um episódio conjuntural: é outra faceta da desintegração inexorável do que costumava ser o ‘modelo alemão”. In Esquerda Net

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“Este ano, a maior economia da Europa está prestes a bater um novo recorde de greves, com todos os trabalhadores – desde os maquinistas aos professores de jardins de infância e creches e trabalhadores dos correios – a promoverem paralisações nos últimos tempos. Esta onda de greves é mais do que um episódio conjuntural: é outra faceta da desintegração inexorável do que costumava ser o ‘modelo alemão’”, assinala Wolfgang Streeck num artigo publicado no Guardian.

“Os sindicatos das prósperas indústrias de exportação não são os únicos que estão em greve nos dias de hoje”, refere o sociólogo económico, exemplificando com as paralisações nos serviços domésticos, especialmente no setor público, que aparentam “ter vindo para ficar”.

Lembrando que “a concorrência internacional já não é apenas sobre a quota de mercado, mas também sobre o emprego”, o que veio, por exemplo, condicionar a ação dos sindicatos metalúrgicos, Wolfgang Streeck assinala que a contestação deslocou-se para os serviços, já que, neste caso, “a exportação do trabalho é mais difícil”.

O sociólogo refere também que “os empregadores públicos, na prossecução da consolidação orçamental, romperam o peculiar regime de contratação coletiva do setor público da Alemanha” que assegurava, no essencial, os mesmos aumentos salariais anuais para todos os trabalhadores. Por outro lado, Wolfgang Streeck aponta que várias ocupações – incluindo a dos maquinistas, professores e trabalhadores dos correios – deixaram de ser reguladas pela legislação específica da Função Pública.

“Além disso, a privatização progressiva dos serviços públicos, combinada com o desemprego e a de-sindicalização que veio com o mesmo, colocou cada vez mais os salários do sector público sob concorrência, levando a problemas até então desconhecidos para os sindicatos, desencadeados por aquilo que rapidamente se estava a tornar num sistema de dois níveis salariais”, avança.

Outro desenvolvimento que, segundo o sociólogo, contribuiu para o conflito laboral tem a ver com o surgimento de novas ocupações, especialmente as relacionadas com a educação dos filhos e cuidados com os idosos. Estes trabalhadores são mal pagos e precários, não obstante “a retórica do Governo sobre a indispensabilidade e a virtude moral do seu trabalho”, vinca Wolfgang Streeck.

A somar a estes fatores surge a forma como o patronato se serve do progresso tecnológico para exercer pressão sobre ocupações anteriormente privilegiadas, como pilotos de avião, controladores de tráfego aéreo e maquinistas, pondo em causa direitos já conquistados.

“Tudo isto resulta numa ampla erosão das normas salariais formais e informais que por várias décadas mantiveram a paz no capitalismo alemão”, salienta o sociólogo económico alemão.

A par da deterioração das condições de trabalho, da perda de rendimentos e dos cortes nos serviços públicos e prestações sociais a que é sujeita a maioria das famílias, os salários dos gestores de topo crescem “especialmente, mas não exclusivamente, na área financeira”, refere Streeck, que assinala um aumento das desigualdades salariais.

“O sistema de fixação dos salários alemã está a aproximar-se de uma condição de ausência de normas, semelhante ao que a Grã-Bretanha experimentou na década de 1970. À época, o sociólogo John Goldthorpe Oxford diagnosticou um estado de anomia laboral: uma ausência fundamental de consenso sobre os princípios legítimos de distribuição entre capital e trabalho, bem como entre grupos de trabalhadores”, afirma.

Segundo Wolfgang Streeck, “o governo alemão, com o seu ministro do Trabalho social-democrata, está a tentar suprimir a vaga de conflitos laborais reduzindo o direito de organização e de greve, ilegalizando as greves de sindicatos setoriais – como os maquinistas”.

“Mas isso irá falhar, muito provavelmente no Tribunal Constitucional e, certamente, na prática, num mundo em que a estrutura das empresas e sectores não é mais favorável ao sindicalismo que se baseia na doutrina ‘um local de trabalho, um sindicato’, e onde os maquinistas, pilotos e outros vão sentir-se no direito de se defender, se necessário, entrando em greve, diga a lei o que disser”, remata.

Vítimas de protestos de 2014 na Venezuela denunciam senadores brasileiros

por Eduardo Guimarães

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O grupo venezuelano autointitulado “Victimas de las guarimbas” reúne familiares de vítimas dos protestos organizados pela oposição venezuelana no ano passado, sob a batuta de Leopoldo Lopez, Antonio Ledezma e a deputada Maria Corina Machado. Os três declararam, publicamente, que o objetivo dos protestos era o de derrubar o governo. Veja vídeos 

Os protestos de rua de 2014 na Venezuela, equivalentes das “jornadas de junho” de 2013 no Brasil, tiveram início em 4 de fevereiro do ano passado na cidade de San Cristobal, no Estado Táchira.

A diferença entre os protestos brasileiros e os venezuelanos, porém, foi o nível de violência. Enquanto, aqui, houve apenas uma morte – um cinegrafista da tevê Bandeirantes foi atingido na cabeça por um rojão disparado por um manifestante contrário ao governo Dilma –, na Venezuela foram 43 mortos, dos dois lados em conflito.

A trinca de líderes daqueles movimentos (Lopez, Ledezma e a deputada Corina Machado) reuniu ao menos dois participantes da fracassada tentativa de golpe de Estado em 2002: Lopez e Ledezma.

Assim como ocorrera 12 anos antes, a oposição venezuelana apelou à violência para tentar retomar o poder. A diferença é que, em 2014, houve uma tática de estender a tentativa de golpe por meses em vez de tentar uma cartada só.

Ao longo dos protestos de 2014 na Venezuela, milícias antigovernistas apelaram para bloqueios das ruas com barricadas, ataques com coquetéis molotov contra prédios públicos e privados, assassinatos nas ruas com uso de franco-atiradores, incêndios ônibus do transporte público etc.

O saldo das ações da guerrilha oposicionista foi de 43 mortos – sendo, metade, composta, em maioria, por policiais – e 800 feridos. Os policiais foram, quase todos, mortos por franco-atiradores do grupo liderado por Lopez, Ledezma e Machado.

Ao fim do ano passado, as prisões de Lopes e Ledezma – então prefeito de Caracas – conseguiram pôr fim à violência. Naquele momento, surgiu o grupo de “Victimas de las Guarimbas”. O que seja, um grupo formado por familiares e amigos dos mortos e feridos daquele processo.

O termo “guarimba” foi cunhado na Venezuela para referir-se a ações de guerrilha, emboscadas. Surgiu durante a ditadura de Marcos Perez Jimenez (1952-1953). À época, a resistência à ditadura, organizada por membros do partido comunista venezuelano, utilizava táticas como a que se viu no ano passado.

Senadores brasileiros exigem a libertação de presos políticos responsáveis pela morte de 43 pessoas e 878 feridos  

Leopoldo López no comando de uma guarimba
Leopoldo López no comando de uma guarimba

Pouco antes da visita à Venezuela de senadores brasileiros de oposição ao governo Dilma Rousseff, o Comitê de Victimas de las Guarimbas divulgou nota de repúdio à iniciativa devido ao fato de que os oposicionistas brasileiros se recusaram a ouvir, também, suas razões.

Confira, abaixo, a íntegra da nota

Ante a visita que realizarão a nosso país alguns representantes da Comissão de Senadores da República Federativa do Brasil, encabezada pelo ex-candidato presidencial e senador Aécio Neves, as vítimas e familiares de vítimas dos atos de violência política que ocorreram na Venezuela no ano de 2014, comunicamos o seguinte:

Rechaçamos que esses senadores brasileiros advoguem pela libertação dos antores materiais e intelectuais dos atos de violência política que ocorreram em nosso país durante os meses de fevereiro a junho de 2014, especialmente de Leopoldo López e outros dirigentes políticos que promoveram o plano insurrecional “A Saída”, que gerou a morte de 43 pessoas e 878 feridos.

Condenamos a intromissão dos representantes da Comissão de Senadores da República Federativa do Brasil, encabeçada pelo ex-candidato presidencial e senador Aécio Neves, que busca promover a impunidado para os responsáveis por tão graves acontecimentos.

Exigimos que não continuem usando o tema “direitos humanos” como instrumento político para tentar justificar e legitimar atos que constituem verdadeiros atos de violência e delitos, e que não tentem “invisibilizar” as vítimas da violência instigada politicamente por setores radicais da oposição venezuelana.

Solicitamos a essa Comissão de Senadores do Brasil que aceite uma reunião com as vítimas e familiares de vítimas que este Comitê reúne para conhecerem os testemunhos de todas as famílias afetadas por atos delitivos.

Exortamos as autoridades do Estado venezuelano a rechaçarem as pressões que por diversas vias intentam gerar, e a manterem-se firmes em sua vontade de fazer justiça para as vítimas e deo penalijzar a todas as pessoas envolvidas nos lamentáveis acontecimentos, incluindo Leopoldo López e Daniel Ceballos.

Em Caracas, aos 17 dias do mês junho de 2015.

Ilegal la visita de Neves, convidado por la derecha venezolana

Delegación brasileña repudia acciones injerencistas 

 

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Caracas/ Ciudad CCS – La Delegación de la República Federativa de Brasil de visita en Venezuela rechaza las pretensiones injerencistas e intervencionistas de senadores brasileños que arribaron ayer al país con intenciones de visitar al dirigente de la ultraderecha Leopoldo López.

La referida comisión está conformada por el profesor de Derecho de la Universidad de Minas Gerais, Brasil, José Luiz Quadros Magalhaes; el presidente del Sindicato de Periodistas de Minas Gerais, Kerison Lopes, y el periodista bloguero, Miguel Rosario, quienes llegaron a la Patria para alzar su voz y traer la verdad sobre la visita, no solicitada, de quien encabeza el grupo de senadores, Aécio Neves.

“Verdaderamente es una injerencia, una intervención indebida de la comisión de senadores de la derecha brasilera en asuntos internos de Venezuela”, opinó Lopes durante una entrevista concedida a Ciudad CCS.

Reflexionó cuál sería la postura del Gobierno de Estados Unidos si de injerencismo se trata, en caso de que una delegación extrajera llegase a visitar el centro de detención de Guantánamo. Calificó de ilegal la visita de Neves, convidada por la derecha venezolana.

Lopes aseveró que Neves, quien fue gobernador de Minas de Gerais en Brasil “no tiene moral para hablar de libertad”, dijo que cuando ejerció su cargo censuró a periodistas contra la libertad de expresión.

Al respecto, el profesor Quadros coincidió en que la acción del grupo de senadores es una injerencia porque “Venezuela es un estado que tiene instituciones que funcionan muy bien; modernas y democráticas”.

Además, lamentó que las intenciones de ese señor apuntan a un “oportunismo político” y que el escenario actual se basa en una ofensiva de la derecha en el mundo.

Comentó que la oposición de América Latina pretende orquestar golpes de Estado contra sus gobiernos locales. Dijo que actualmente se presentan acciones desestabilizadoras en Ecuador, Bolivia, Argentina y Brasil. “El objetivo es un ataque brutal y sistemático contra los gobiernos de izquierda a través de guerras psicológicas”.

Instó a los pueblos del mundo a comprender que estas acciones imperiales son contra países en pleno desarrollo.

NEVES NO REPRESENTA A BRASIL

En ese sentido, el periodista Miguel Rosario apuntó que es evidente que un senador de derecha quiera venir al país a pretender apoyar a sectores de oposición. “Un senador de oposición no representa el Gobierno de Brasil” y menos a un país hermano de Venezuela.

Indicó que Neves no posee las funciones constitucionales de hacer política externa.

Rechazó que el presidente del Senado Federal de Brasil, Renan Calheiros, intercediera para que el gobierno local le prestara un avión para trasladar la comitiva hasta Venezuela. Aseguró que Aécio Neves “dijo que era un viaje de derechos humanos, acciones humanitarias”.

La delegación está de acuerdo en que la llegada de Neves “es una payasada, su actitud es de injerencia no tan intervencionista porque representan un sector de Brasil”.

UN TEATRO MEDIÁTICO

Con respecto a la situación ocurrida en la autopista Caracas-La Guaira a la llegada de Neves, tergiversada por la derecha, Quadros señaló que se trata de una acción de “teatro, es una matriz de opinión”.

Rosario dijo que “si se tratase de una manifestación” el Gobierno Bolivariano no intercedería por ser un Estado democrático y que sería una concentración de paz que busca exigir respeto ante agresiones de la derecha internacional.

Ante esto, Rosario convocó al pueblo venezolano y a los del mundo a “estar en la obligación de defender las conquistas revolucionarias mediante la movilización”.

Lopes reiteró que, en nombre de la delegación brasilera, exigen respeto para la Patria y para los países de América Latina.
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Por otra parte, calificaron de excelente la reciente visita, a ese país, del presidente de la Asamblea Nacional, Diosdado Cabello. Dijo que eso es la continuidad del legado del Comandante Hugo Chávez.

 

 

Aécio viajou para Venezuela com todo apoio do governo Dilma Rousseff

O governo Dilma Rousseff deu demasiado apoio aos senadores direitistas que foram pregar a guerra civil na Venezuela. Cedeu um avião da Aeronáutica com toda mordomia a bordo. E apoio da Embaixada do Brasil em Caracas. Além de seguranças.

O Brasil tem que respeitar a soberania doutros países, notadamente quando governados por presidentes eleitos pelo voto direto.

Na Venezuela e no Brasil, qualquer cidadão que pregue uma revolução e, principalmente, com intervenção militar estrangeira, deve ser preso. Esses golpistas, quinta-colunas nos Estados Unidos são classificados como terroristas, presos e levados para prisões secretas espalhadas por vários países vassalos.

Câmera filma interior do ônibus dos senadores e mostra o “cagaço tucano”

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Veja vídeo aqui

Gobierno de Rousseff asegura que la misión parlamentaria tenía apoyo oficial

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Los senadores brasileños que intentaron ayer visitar a opositores venezolanos presos y que fueron rodeados por partidarios del Gobierno de Caracas que protestaban por su presencia en Venezuela, reclamaron hoy que el Ejecutivo de Brasil denuncie la “falta de libertades” en Venezuela ante el Mercosur y la Unasur, informa EFE.

La mayoría de los miembros de la misión pertenecen al Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB) y a otros de la oposición a la presidenta de Brasil, Dilma Rousseff, aunque también estaba el senador Ricardo Ferraço, del oficialista Partido del Movimiento Democrático (PMDB) del vicepresidente brasileño, Michel Temer.

“Vamos a exigir una posición dura del Gobierno brasileño y, si no la hubiera, desde el punto de vista político y parlamentario vamos a impulsar la respuesta necesaria en defensa de la democracia”, dijo a los periodistas el senador y excandidato presidencial Aécio Neves, al llegar a Brasilia procedente de Caracas.

El opositor Neves encabezó la misión parlamentaria que viajó ayer jueves a la capital venezolana, pero no pudo ir mucho más allá del aeropuerto de Maiquetía, situado a unos 30 kilómetros de Caracas.

Los senadores aseguran que la camioneta que les trasladaba fue bloqueada por simpatizantes del Gobierno del presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, que rodearon el vehículo y llegaron a golpear los cristales con modos amenazadores, lo que mostraron en vídeos que publicaron en la internet.

“Fuimos recibidos por la intolerancia de un régimen que no admite posiciones contrarias”, dijo Neves en Brasilia, y apuntó que, “si había alguna duda de que hay una escalada autoritaria en ese país, esa duda ya no existe”.

El senador Aloysio Nunes, quien también formó parte de la misión que viajó a Caracas y preside la Comisión de Relaciones Exteriores de la Cámara Alta, dijo que exigirá al Gobierno brasileño que la “agresión” sufrida por los parlamentarios se denuncie al Mercosur y la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur).

Los incidentes ocurridos en los alrededores del aeropuerto de Maiquetía motivaron una fuerte reacción del Gobierno brasileño, que, en una nota oficial divulgada anoche, considera “inaceptables los actos hostiles contra parlamentarios brasileños”.

En el comunicado, el Gobierno de Rousseff asegura que la misión parlamentaria tenía apoyo oficial, hasta el punto de que se trasladó a Venezuela en un avión de la Fuerza Aérea Brasileña y fue asistida de forma permanente por la Embajada del país en Caracas.

La nota añade que, “a la luz de las tradicionales relaciones de amistad entre los dos países, el Gobierno brasileño solicitará al Gobierno venezolano, por los canales diplomáticos, un esclarecimiento debido de lo ocurrido”. EFE

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A mídia brasileira realiza campanha de ódio. Em ato pró-Aécio, convocado por dirigentes do PSDB no dia 26 de outubro último,  Fernão Lara Mesquita, dono do jornal “O Estado de S. Paulo”, caminhou pelas ruas de São Paulo com o cartaz: “Foda-se a Venezuela”
A mídia brasileira realiza campanha de ódio. Em ato pró-Aécio, convocado por dirigentes do PSDB no dia 26 de outubro último, Fernão Lara Mesquita, dono do jornal “O Estado de S. Paulo”, caminhou pelas ruas de São Paulo com o cartaz: “Foda-se a Venezuela”

Senadores brasileiros que embarcaram em ‘missão’ para ‘salvar’ a Venezuela são réus em processos que tratam de crimes de corrupção

Um dos integrantes da comitiva, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), já chegou a ter o mandato cassado pela Justiça quando foi governador

Senadores brasileiros liderados por Aécio pretendem ‘salvar’ a Venezuela [Para pronta entrega aos Estados Unidos]
Senadores brasileiros liderados por Aécio pretendem ‘salvar’ a Venezuela [Para pronta entrega aos Estados Unidos]
Pragmatismo Político – O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), trata sua ida à Venezuela como uma missão política e diplomática, para fazer “aquilo que o governo brasileiro deveria ter feito há muito tempo”. Esta foi a mensagem divulgada por ele em um vídeo publicado em sua página no Facebook pouco antes da viagem.
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Aécio está acompanhado dos senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP), Cassio Cunha Lima (PSDB-PB), José Agripino (DEM-RN), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), José Medeiros (PPS-MT) e Sérgio Petecão (PSD-AC).
“Estamos aqui no Legacy da FAB (…) embarcando para a Venezuela numa missão política e talvez também diplomática, fazendo aquilo que o governo brasileiro deveria ter feito há muito tempo, defendendo as liberdades da democracia, libertação dos presos políticos e eleições livres na Venezuela”, diz Aécio.
Por volta de 14h30 (horário de Brasília), o PSDB informou, via Twitter, que os parlamentares pousaram em Caracas. “Senadores da oposição já estão em Caracas para visita em solidariedade aos presos políticos do regime bolivariano de Nicolás Maduro. É a primeira vez que autoridades com mandato prestam solidariedade aos presos políticos venezuelanos”, diz a mensagem.
Veto
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Muito se falou durante a semana que a Venezuela havia impedido que o voo da FAB com os senadores oposicionistas brasileiros aterrizasse no país. A versão foi lançada pelo jornal O Globo, que atribuiu culpa ao governo de Nicolas Maduro.
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No entanto, fontes diplomáticas da Venezuela disseram que jamais houve uma negativa para a aterrissagem. A diplomacia afirmou ainda que a solicitação só chegou aos meios oficiais às 12h da última terça-feira, período após o qual foi emitida a autorização para o pouso — como trata-se de aeronave militar, é necessário o aval do governo venezuelano para realizar o deslocamento.
Procurada, a assessoria do senador Aécio Neves afirmou que interpretou como “uma negativa” a falta de pronunciamento do governo Maduro após o pedido de autorização.
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Contradições da viagem
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O jornalista Leandro Fortes questionou as “incoerências” na viagem de Aécio Neves (PSDB) e outros senadores de oposição à Venezuela para tentar conversar com opositores do presidente Nicolás Maduro.
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Para Fortes, a Força Aérea Brasileira (FAB) não é obrigada a ceder uma aeronave para os congressistas, apenas porque receberam um convite de opositores do presidente venezuelano. “Qualquer convite, de qualquer pessoa ou entidade, feito a senadores é oficial? Basta o Zé das Couves chamar a tropa para o churrasco da chácara e a FAB tem que disponibilizar um avião para as autoridades?”, pergunta.
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Fortes lembrou das críticas do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que integra a comitiva oposicionista, que em 2013 pediu informações ao Ministério da Defesa sobre o uso de aviões da FAB por autoridades do governo, entre eles o Alexandre Padilha, da Saúde, então pré-candidato ao governo de São Paulo, para as eleições de 2014.
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“Então, quanto custou aos cofres públicos essa arca de noé de lobos e coiotes montada para salvar a democracia venezuelana? Quanto custa cada diária paga pelo Senado a esses heroicos guerreiros da democracia? O combustível do Legacy? As diárias da tripulação?”, questiona.
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“Salvadores” da Venezuela

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Chama a atenção também o fato de vários dos senadores brasileiros que integram a comitiva para ‘salvar a democracia’ na Venezuela terem histórico de envolvimento em escândalos de corrupção e cerceamento da imprensa no Brasil. Tais incoerências estimulam o questionamento sobre quais são as verdadeiras intenções dos supracitados parlamentares brasileiros ao embarcarem rumo à Venezuela.
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José Agripino Maia (DEM-RN), por exemplo, é atualmente investigado pela Operação Sinal Fechado. Ao comentar a viagem, o parlamentar escreveu que o Brasil tem a “obrigação” de se posicionar contra a violação dos direitos humanos e a ausência de liberdade de expressão no país vizinho. A família de Agripino Maia é dona da TV Tropical e de várias emissoras de rádio no Rio Grande do Norte.
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O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), por sua vez, teve o mandato cassado na época em que era governador do estado da Paraíba. Hoje, Cássio é o líder do PSDB no Senado Federal. Embora tenha se candidatado e perdido a eleição para o governo da Paraíba em 2014, Cássio goza de apoio uníssono na imprensa local.
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O ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO) é acusado de ser financiado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.
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O próprio Aécio Neves (PSDB-MG), líder da comitiva que viajou à Venezuela, se mostrou indignado com o cerceamento à liberdade de expressão no país governado por Nicolás Maduro. No período em que governou Minas Gerais, no entanto, o atual senador tucano teve a sua gestão marcada por denúncias de aparelhamento da imprensa (Aécio é dono da rádio Arco íris-Jovem Pan) e perseguição a jornalistas independentes no estado. Foi preciso que a imprensa internacional, através de um documentário, denunciasse o estado de censura que Minas atravessou sob a gestão Aécio. Relembre abaixo:

É preciso vigiar as contas de políticos e magistrados

Comissão Europeia obriga vigilância apertada a negócios com “pessoas politicamente expostas”. Bom que a União dos Países da América do Sul adote a mesma vigilância. 

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A Comissão Europeia quer que os bancos de todos os Estados membros, incluindo Portugal, apertem a vigilância às operações financeiras que envolvam “pessoas politicamente expostas” e que determinem ainda a origem do património dessas mesmas pessoas.

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Na prática significa que quando esteja em causa uma transferência de dinheiro ou uma operação que envolva um presidente da República, primeiro ministro, ministros, secretários de Estado, deputados ou membros da direção de um partido – mesmo que já não ocupem os cargos – as instituições de crédito devem “não só ser capazes de determinar a sua qualidade, como obter autorização da hierarquia imediata antes de estabelecer relações de negócios com tais pessoas”, explica a advogada Filipa Marques Júnior.

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A Comissão enumera ainda que estas pessoas politicamente expostas podem ser membros do Supremo Tribunal de Justiça, do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas e órgãos de administração dos bancos centrais.

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O artigo 20º prevê que os Estados membros exijam que as entidades financeiras “obtenham autorização da direção de topo para estabelecer ou manter relações de negócio com tais pessoas, tomem medidas para determinar a origem do património e dos fundos envolvidos para assegurar uma vigilância contínua reforçada dessas relações de negócio”.

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Até aqui, e desde 2008, Portugal já atualizara a lei de combate à lavagem de dinheiro e aos financiamento do terrorismo e já previa que aos políticos ou ex-políticos o cerco apertasse mas apenas em relação aos “residentes fora do território nacional”.

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Agora, vai ser obrigado a reforçar essa vigilância e alterar a lei já que as novas regras implicam também com os que residem em território nacional.

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O vôo golpista dos tucanos no Brasil e Venezuela

AviaoTucanos

A imprensa brasileira noticia:

GOVERNO DA VENEZUELA PROÍBE QUE AVIÃO DE AÉCIO E ALOYSIO SOBREVOE OU POUSE NO PAÍS

De acordo com informações do Ministério da Defesa, o governo da Venezuela negou autorização para que avião militar com uma comitiva de Aécio Neves e companhia possa sobrevoar e pousar naquele país, no próximo dia 17.

O fato foi confirmado pelo senador tucano Aloysio Nunes Ferreira e pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves .

O Itamaraty disse que ainda não tem informações sobre o assunto. Aécio, Aloysio e Fernando Henrique e outros líderes da direita e da extrema-direita anunciaram viagem à Venezuela na próxima quinta-feira, para dar apoio a golpistas da oposição, que defendem uma intervenção militar dos Estado Unidos naquele país.

“Eu tenho dito que quando se fala de democracia e de liberdade não há que se respeitar fronteiras. Vamos, portanto, em um grupo suprapartidário, de forma absolutamente respeitosa, dizer que na nossa região o tempo do autoritarismo já passou”, proclamou Aécio.
Questionado sobre se temia alguma reação contrária do governo venezuelano à visita do grupo, alegando uma possível “intromissão” do Senado brasileiro em um assunto interno do país sul-americano, Aécio negou e disse que “não há mais espaço para presos políticos” no mundo atual.
“Eu espero que o governo venezuelano entenda essa nossa ida como uma manifestação do Congresso brasileiro em nome da esmagadora maioria brasileira, em nome da democracia e da liberdade”, complementou o tucano.
“Nós estaremos na verdade suprindo com o nosso gesto a omissão do governo brasileiro em relação a essa questão. Não estamos falando de apoio a A ou B, estamos falando de respeito à democracia”, concluiu o senador.

É entranhável que a Aeronáutica, com o dinheiro do povo brasileiro, banque essa viagem de conspiradores e inimigos da democracia, e que viola a autodeterminação dos povos.

Por que o Brasil mandar uma avião militar para a Venezuela, com dois notórios golpistas, para desestabilizar um governo democrático, eleito pelo voto direto e democrático do povo?

O golpismo e o retorno da ditadura militar motivaram Aécio e Aloysio, candidatos derrotados a presidente e vice nos primeiros e segundos turnos das eleições de outubro último, a convocar várias passeatas e marchas fracassadas nas capitais do Brasil. Os dois fazem parte do movimento para derrubar os presidentes Dilma Rousseff no Brasil, Nicolás Maduro na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Cristina Kirchner na Argentina, Rafael Correa no Equador.

Um movimento patrocinado pela extrema-direita, pelo colonialismo e pelo imperialismo para minar a União dos Países da América do Sul.

 Sponholz
Sponholz

A Venezuela impedir a invasão de Aécio constitui uma medida de precaução. Aécio faz pregação golpista. E depois é bom ter cuidado. Não se sabe se o senador Zezé Perrella faz parte da comitiva. Perrella é mineiro e amigo íntimo de Aécio e do presidente do Paraguai, Horacio Cartes, que responde a processos de contrabando no Brasil, e denunciado pelo envolvimento com o tráfico de drogas. Perrella é o dono do helicóptero, pego com meia tonelada de cocaína originária do Paraguai.

Tem mais: Foi encontrada cocaína em uma das duas fazendas de Aloysio. Cada fazenda, ele revelou para o cego tribunal eleitoral, vale um mísero real. Repetindo: dois reais o valor das duas fazendas. Ou latifúndios.

Para entender essa conspiração internacional leia:

A crônica de um desastre anunciado

Por Frederico Füllgraf

Jorge Alarminos
Jorge Alarminos

Finalmente Felipe González, advogado e ex-primeiro-ministro da Espanha (1982-1996), desembarcou na Venezuela para conseguir a liberdade de Antonio Ledezma e Leopoldo López, dois políticos acusados de conspiração e incitação ao golpe contra o governo Nicolás Maduro.

Em maio passado, as audiências nos tribunais venezuelanos foram adiadas, motivando o cancelamento provisório da “missão González”, cujo anúncio, em março, lançou mais lenha à fogueira desatada em 2014 pelo ex-presidente José Maria Aznar e pela recente “Declaração do Panamá sobre a Venezuela”, com a qual, à margem da última Assembleia Geral da OEA, 31 ex-presidentes ibero-americanos cobraram medidas internacionais contra o governo venezuelano.

González desembarcou, mas já retornou à Espanha após o veto da Justiça venezuelana de sua visita aos presos. No entanto, sua reunião com o oposicionista MUD – Mesa de la Unidad, cujas lideranças criticou pelas disputas internas em detrimento da unidade do movimento, deixa entrever a indisfarçada ingerência do líder espanhol na contenda entre governo e oposição, advertida por González para cerrar fileiras em torno da plataforma de Leopoldo López: exigir eleições parlamentares com observadores internacionais, o fim da perseguição aos opositores e a libertação dos presos políticos.

Deixando a Venezuela “pela porta dos fundos”, a bordo de um avião da Força Aérea Colombiana – especialmente enviado a Caracas pelo presidente Juan Manuel Santos –, Felipe González articulou seu protesto ao tratamento de persona non grata que lhe fora atribuído, abandonando a agenda do diálogo, agora trocada pela da confrontação.

Com a mobilização dos ex-presidentes Andrés Pastrana (Colômbia), Fernando Henrique Cardoso (Brasil) e Ricardo Lagos (Chile), que deveriam acompanhá-lo em comitiva a Caracas – mobilização na qual embarcou o candidato derrotado do PSDB, Aécio Neves, que viajará a Caracas em 17 de junho –, González definitivamente internacionalizou a queda de braço com o governo Maduro, simultaneamente articulando uma frente conservadora na América Latina e instigando a União Europeia para sanções contra a Venezuela – sanções esperadas durante a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) com a União Europeia, ocorrida em Bruxelas, até 11 de junho.

Uma dramaturgia sem dúvida exitosa, mediante um arranjo orquestrado com a imprensa espanhola e o discreto movimento de peões do maior conglomerado da mídia venezuelana, o Grupo Cisneros.

O eixo Espanha-Chile

Em fins de março deste ano, os correspondentes estrangeiros oficialmente credenciados no Chile fomos convidados a uma entrevista coletiva do ex-presidente Ricardo Lagos, na sede de sua Fundação Democracia y Desarrollo, em Santiago.

De início, desconfiamos que a pauta “aberta” escondia a intenção de Lagos de “vender-nos” sua recém-lançada página interativa na internet, que estimula a participação cidadã na coleta de propostas para a reforma constitucional prometida pela presidente Michelle Bachelet.
Ricardo Lagos (Foto: Frederico Füllgraf)

Com meia hora de conversa trivial, então o astuto Lagos surpreendeu-nos com um “furo”. Confidenciou-nos que em breve o ex-primeiro-ministro espanhol, Felipe González, empreenderia uma missão politica à Venezuela, à qual teria convidado os ex-presidentes Andrés Pastrana e Fernando Henrique Cardoso. Ele, Ricardo Lagos, sentia-se honrado como o terceiro na lista do espanhol, que cobrava representatividade continental à sua missão.

Politico calejado, o socialista Lagos não teve papas na língua, acusando o “regime bolivariano” de violar os direitos humanos e justificando uma ação concertada em nível internacional para “restabelecer a constitucionalidade” ultrajada – palavras que poderiam ter sido pronunciadas por seu conterrâneo e também ex-presidente, o conservador multibilionário Sebastián Piñera, que em janeiro viajara a Caracas em companhia de Pastrana para visitar Leopoldo López na prisão de Ramo Verde. Barrados pela polícia, os dois ex-presidentes foram reconduzidos ao centro de Caracas sob escolta do Servicio Bolivariano de Inteligencia Nacional (Sebin).

Em defesa de Piñera, no final de janeiro, outro ex-presidente chileno, o democrata-cristão Eduardo Frei Tagle, partiu para o ataque frontal, afirmando que a Venezuela é “um país que não respeita a democracia”.

Nem mesmo Isabel Allende – filha do mitológico presidente chileno e presidenta simultânea do Senado e do Partido Socialista – se conteve. “O governo do Chile deve manifestar sua preocupação pela detenção de Ledezma na Venezuela”, disparou pelo Twitter, na ocasião da prisão. Em seguida endureceu o discurso: “O governo da Venezuela não é socialista, é uma ditadura militar, com tudo o que isso significa (…)”, disparate do qual finalmente recuou, corrigindo-se: “Eu não qualifico Maduro de ditador, ele foi eleito democraticamente (…) Não o comparo com Pinochet, nada que ver, são situações radicalmente diferentes”.

O “golpe baixo” de Ricardo Lagos e o cerco conservador a Bachelet

A certa altura da coletiva de Lagos, perguntei-lhe sobre o papel mediador das missões da Unasul em Caracas, que cobraram o diálogo entre o governo Maduro e a oposição. A resposta do ex-presidente, reverberada no dia seguinte pela mídia internacional, foi que admitia, sim, um “esforço significativo” de Ernesto Samper – ex-presidente colombiano e secretário-geral do organismo – mas que não era o suficiente.

Poucos dias depois, Lagos posava para foto da imprensa chilena, ladeado por Mitzy Capriles Ledezma e Lilian Tintori – respectivamente esposas de Antonio Ledezma e Leopoldo López – durante escala em Santiago do Chile de sua turnê pela América do Sul, em busca de apoio político à libertação de seus maridos.

E então Lagos cravou a seguinte comparação: “Há mais de 80 presos políticos [na Venezuela], creio que deve-se cobrar ao governo Maduro que a Cruz Vermelha seja aceita para visitar as prisões e ver as condições dos detentos… Não sei se direi uma impertinência, mas em seu momento Pinochet aceitou que a Cruz Vermelha viesse ao Chile”.

Foi a “bomba”.

Com o destemido título “El golpe bajo de Ricardo Lagos”, no Diario Radio Universidad de Chile (14/4/2015), a socióloga e colunista Antonia Garcia Castro assestou um agravo demolidor, aqui citado no original espanhol:

“Ricardo Lagos debe saber si se trata o no de una impertinencia. No puede no saberlo. No puede no conocer el valor que tiene cada palabra que se pronuncia en el espacio público, con toda la fuerza simbólica que otorga, además, el hecho de ser un ex Presidente de la República. ¿Qué está diciendo Ricardo Lagos? ¿Que “hasta” Pinochet tuvo un gesto “humanista” y/o “democrático”?”

E dirigindo-se diretamente ao ex-presidente, fulminou:

“Que usted lo cite a Augusto Pinochet para desarrollar un argumento supuestamente democrático y respetuoso del derecho es algo más que una impertinencia. Es una vergüenza. Es un golpe bajo. Es no haber entendido la propia historia”.

Entre coletivas com Lagos e abraços com Piñera, as esposas dos dois políticos venezuelanos acusados de conspiração tentavam forçar a agenda de Michelle Bachelet para recebê-las, mas a presidente permaneceu firme e seu então porta-voz, Alvaro Elizalde, foi taxativo: “O governo do Chile tem um compromisso com o roteiro traçado pela Unasul para fortalecer o diálogo entre o governo e a oposição venezuelanos” – ponto.

hitler pinochet indignados

Com nova escala em Buenos Aires – onde sua recepção festiva pelo prefeito Mauricio Macri, ferrenho adversário conservador de Cristina Fernández de Kirchner, foi ruidosamente repudiada por centenas de intelectuais, artistas e círculos simpáticos ao “chavismo” – finalmente, no dia 5 de maio, Mitzy Capriles Ledezma e Lilian Tintori concluíam seu tour com uma recepção no Brasil. Por Fernando Henrique Cardoso.

No Chile, a mais alta esfera do poder político as deixara de mãos abanando, mas em 20 de maio – véspera do “Dia das Glórias Navais” e com Michelle Bachelet distraída com a preparação do discurso de prestação de contas de seu primeiro ano de governo –, por 66 votos a favor, 26 contra e 10 abstenções, em Valparaíso, a Câmara de Deputados aprovava uma resolução cobrando da presidente retirar da Venezuela o embaixador Pedro Ramírez para consultas, “até que se resolva a situação do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma; e do líder opositor, Leopoldo López”.

Extrema e hostil, com a medida as forças conservadoras do Legislativo chileno pretendem estremecer as – até agora – tranquilas relações oficiais entre Chile e Venezuela, agravando a polarização buscada pelo espanhol Felipe González, ao montar sua “frente de ex-presidentes” à margem das missões da Unasul, respeitada até mesmo por Henrique Capriles, governador do estado de Miranda e candidato à presidência derrotado em 2013 por Nicolás Maduro pela margem mínima de 1,5% dos votos.

Tramas paralelas: Teodoro Petkoff, El País e o “fator Cisneros”

Contudo, no tabuleiro do xadrez político venezuelano operam dois “bispos” com notável poder de articulação dentro e fora do país, ambos vinculados aos meios de comunicação não oficialistas: Teodoro Petkoff e Gustavo Cisneros.

O primeiro, um ex-comunista, ex-guerrilheiro, dublê de ex-ministro de Economia do governo Carlos Andrés Perez, na década de 1980 e, há alguns anos, publisher do jornal oposicionista Tal Cual. O segundo, o homem mais rico e poderoso da Venezuela, dono do Grupo Cisneros de Comunicação, de oposição ao “chavismo”, mas considerado “intocável”.

Longe de Caracas, no dia 4 de maio, Petkoff deveria receber em Madri o Prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (15 mil euros e uma obra do artista plástico Sebastián Eduardo Chillida), outorgado a profissionais que se destacam na “defesa das liberdades, da independência e do rigor, como virtudes essenciais do jornalismo”.

Criado em 1984 pelo jornal El País, do Grupo Prisa – que na comercialização de conteúdo audiovisual é parceiro do Grupo Telefónica e que na Espanha lidera a campanha midiática contra o chavismo, com colunistas ultraconservadores como o argentino Héctor E. Schamis, da Universidade de Georgetown (EUA) – o prêmio foi para o venezuelano de descendência búlgara, porque seus jurados o consideram “símbolo da resistência democrática”.

Mas Petkoff não tinha permissão para deixar a Venezuela, porque enfrenta uma ação judicial protocolada pelo presidente da Assembleia (Congresso) Nacional, o “chavista” duro Diosdado Cabello, que se sente difamado por um artigo de opinião publicado pelo Tal Cual em janeiro de 2014.

Quem recebeu o prêmio em nome de Petkoff foi Felipe González.

Embora taxado à esquerda como “privatizador agressivo” – que em 1989 adotou medidas de austeridade e silenciou o levante dos pobres da capital, massacrados por Andrés Pérez no temível episódio conhecido como “Caracazo” –, hoje Petkoff poderia ser definido como socialdemocrata com tentações neoliberais, “un izquierdista a modo”, segundo línguas ferinas, porém jamais como articulador da direita golpista. No entanto, como ironiza o também ex-privatizador Felipe González e em seu momento lobista de empresas espanholas na América do Sul, quando opina Teodordo Petkoff “treme o regime” de Nicolás Maduro.

Já Cisneros, “cubano por nascimento e venezuelano de coração” – proprietário dos conglomerados Venevisión e Venevisión Plus, da operadora de TV por satélite DirecTV, da franquia da Pepsi Cola na Venezuela e um dos mais requintados colecionadores de arte do mundo, dono de patrimônio líquido de 4 bilhões de dólares (Forbes, 2015) depositados nos EUA – comportou-se sempre como aliado de plantão de vários poderosos, entre os quais cita Carlos Andrés Pérez, George Bush pai e Felipe González.

Anticastrista figadal, por outro lado Cisneros tem se desempenhado como articulador de laços estratégicos da Venezuela com a Espanha e os Estados Unidos, sobretudo como facilitador das recentes reuniões-relâmpago do subsecretário de Estado dos EUA Thomas Shannon com Nicolás Maduro, em Caracas.

É nas mansões de Cisneros em Nova York, Madri e Aspen (Colorado) que costumam juntar-se líderes conservadores do mais alto coturno, como os espanhóis José María Aznar e Felipe González e o colombiano Alvaro Uribe, para sofisticadas tertúlias nos campos da arte, mas obviamente com um olho no mercado financeiro e outro no tabuleiro político.

Já em Caracas, no dia 14 de fevereiro, durante o lançamento do “Plano de Paz” – cujo objetivo é reduzir a criminalidade e a violência que assolam a Venezuela –, Nicolás Maduro surpreendeu a assistência abraçando Gustavo Cisneros como copatrocinador do programa. Episódio inusitado, indicando que para Cisneros é útil acomodar-se a “novas maneiras de fazer negócios”, enquanto que para Maduro o ombro a ombro com o mais poderoso dos empresários funciona como munição publicitária.

Felipe González e a internacionalização da crise venezuelana

Assinada pelo argentino Fernando de la Rúa, o brasileiro Fernando Henrique Cardoso, o chileno Ricardo Lagos, os mexicanos Felipe Calderón e Vicente Fox, os uruguaios Luis Alberto Lacalle e Julio María Sanguinetti e os espanhóis José María Aznar e Felipe González, a Declaração do Panamá faz um alerta à “grave alteração institucional, política, econômica e social que afeta sem distinções os nossos irmãos venezuelanos” , e denuncia a “ausência de independência da Justiça, a perseguição judicial dos que se manifestam e se expressam politicamente como dissidentes frente ao referido Governo [além da] presença reiterada de atos de tortura por funcionários do Estado, a existência de grupos paraestatais armados e de apoio ao próprio Governo, em um ambiente de total impunidade”.

Neste tom, os signatários afirmam promover “um clima de paz e de negociações”, a rigor desprezando esforços para o reatamento do diálogo e, figurativamente, jogando mais gasolina na fogueira.

A iniciativa para a declaração partiu de González e do atual primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, escolhido pelo Parlamento Europeu para tomar “todas as iniciativas pertinentes” e conseguir “a libertação imediata” de Ledezma, López y Ceballos. Com a delegação à Espanha do papel de trator, o Legislativo europeu finalmente dá pernas à sua resolução de 21 de dezembro de 2014, aprovada com esmagadora maioria de 476 votos contra 109 e 49 abstenções, mediante a qual condenou a “prisão de manifestantes pacíficos, estudantes e líderes políticos” – resolução que Nicolás Maduro desancou como “medida de despiste da crise europeia”.

O modus operandi de González em sua recente visita a Caracas não deixa dúvidas: para muito além da preocupação retórica com os direitos humanos dos presos, a estratégia hispano-europeia visa mesmo a interferir no processo eleitoral venezuelano, com a escolha de um lado.

Os crimes de López e Ledezma e o coro da tergiversação

Não é preciso ser “chavista”, mas apenas profissional em busca “da independência e do rigor, como virtudes essenciais do jornalismo”, como reza o Prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset, para perceber um fenômeno perturbador: um poderoso coro político-midiático-internacional tenta transformar Ledezma, López e Ceballos em heróis da resistência democrática, omitindo do noticiário e do debate a gravidade de seus atos.

Quais são as efetivas transgressões dos dois ex-prefeitos?

Em primeiro lugar, Antonio Ledezma não está mais encarcerado e, sim, usufruindo de prisão domiciliar, após submeter-se a uma cirurgia. Detido em 19 de fevereiro, é acusado pela Promotoria venezuelana de conspiração e associação criminosa ocorrida em setembro de 2014. Pano de fundo é seu contato com os paramilitares Lorent Gómez Saleh e Gabriel Valles, segundo o ex-ministro do Interior venezuelano Miguel Rodríguez Torres, associados ao ex-presidente colombiano Álvaro Uribe. Ledezma confirmou conhecer os dois agentes, mas negou envolvimento em planos de desestabilização do governo Maduro.

Ex-governador do Distrito Federal, eleito em 2008 com 52% dos votos para o cargo de prefeito de Caracas – cargo cujo poder Hugo Chávez esvaziou, criando a figura do “Chefe de Governo de Caracas” – Ledezma é antigo desafeto do “chavismo”, contra o qual já protestou com greves de fome e manifestações públicas.

A acusação de sua vinculação aos paramilitares do ex-presidente ultradireitista colombiano Uribe é grave, e soma-se à denúncia do colombiano como autor intelectual do assassinato do jovem deputado “chavista” Robert Serra, ocorrido em 2014, logo atribuído pela oposição venezuelana a “acertos de contas” entre os próprios “chavistas”.

As acusações contra Uribe – encarniçado desafeto do “chavismo” – não são invencionices ou mais uma “madurada” do presidente venezuelano, que desde sua posse, em 2013, denunciou mais de 12 conspirações golpistas. Cabe lembrar que em agosto de 2014, a Segunda Comissão do Senado da Colômbia deu início a demorado ciclo de debates sobre o eventual envolvimento de Uribe com o narcotráfico e a manutenção de bandos paramilitares clandestinos; debates que deverão gerar investigações.

Conterrâneo de Uribe, o secretário-geral da Unasul Ernesto Samper advertiu ao The Guardian (9/10/2014) que “o assassinato do jovem legislador Robert Serra, na Venezuela, é um sinal preocupante da infiltração do paramilitarismo colombiano”.

Já Lepoldo López encarna sem dúvida a facção mais agressiva da oposição venezuelana, cuja liderança disputa com Henrique Capriles, tentando atrair os seguidores deste para uma plataforma mais radical, de aberta ruptura com a institucionalidade democrática. Contra ele pesam graves acusações, envolvendo a marcha oposicionista de 12 de fevereiro de 2015, em Caracas, durante a qual López conclamou a massa pela derrubada de Maduro, ocasionando a morte de três e o ferimento de dezenas de pessoas.

Segundo Luis Vicente León, diretor do instituo de pesquisa de opinião Datanálisis, simpatizante da oposição, “López tinha perdido terreno, pois já não era prefeito (do distrito de Chacao) e estava inabilitado politicamente”. Uma vez que Capriles fora consagrado como líder inquestionável da oposição, segundo León, “o radicalismo foi a única saída enxergada por López para recuperar sua suposta liderança”.

Como derradeiro lance, ao entregar-se voluntariamente López apostou em sua martirização, mas a conta não fechou. Preso, as acusações da Promotoria foram do homicídio ao terrorismo, logo atenuadas para “instigação ao delito, danos materiais, incêndio de edificação pública e associação criminosa”.

Projetada sobre esse cenário, a intenção de Felipe González – com sua mirada de soslaio para a conjuntura espanhola e na ressurreição eleitoral do PSOE – de “reinserir os direitos humanos no topo da agenda latinoamericana” merece toda a desconfiança como manobra demagógica.

Nicolás Maduro em seu labirinto

Marcando distância da direita, mas também do “chavismo” empedernido, ganha credibilidade e respeito a posição da presidente Dilma Rousseff, quando adverte em recentes entrevistas à TV francesa e à Deutsche Welle TV que o Brasil não incentiva o golpismo, nem é intervencionista, mas aposta na garantia das liberdades individuais e insiste no diálogo como método imperativo para dirimir conflitos e salvaguardar a prevalência do Estado de Direito – um recado para a direita gorila e sua imprensa, mas também ao governo Maduro.

Na Venezuela não impera uma ditadura. Talvez o estilo “chavista” de governar possa ser descrito como “hegemonismo radical” com tinturas autoritárias; intransigente e pouco criativo.

Ao Brasil não interessa o prolongamento da interminável crise venezuelana, mas seu governo não se tem deixado pressionar pela “missão González”, preferindo agir cautelosamente, por vezes, nos bastidores.

Tentativas golpistas para varrer do mapa os governos do PSUV na Venezuela foram notórias, com Hugo Chávez vítima de uma delas, em 2002. Porém, não escapa à observação da diplomacia brasileira que, tanto Chávez como Maduro têm apelado à “Ley Habilitante” para governar por decreto; decisões que soem provocar urticária no Planalto

São notórias também duas inabilidades de Nicolás Maduro. Primeiro, sua impaciência ou inapetência para insistir no diálogo com a oposição, ainda que setores desta se revelassem embirradas e recalcitrantes. Denunciando seu confrontacionismo, Maduro e o núcleo duro do PSUV teimam em cair na armadilha, apostando, eles mesmos, na confrontação e desse modo engessando o diálogo genuíno . Foi o que advertiu José Pepe Mujica, durante sua presidência pro tempore da Unasul, cansado de insistir na necessidade de paciência e crença no diálogo.

A segunda e catastrófica imperícia de Maduro consiste em não articular a divisão da oposição e investir em pactos pontuais com Henrique Capriles, afastando-o dos setores abertamente golpistas. Sem falar de sua boquirrotice e seu destempero no tratamento de personalidades do cenário internacional, que ao invés de impulsionarem a solidariedade mais contribuíram, se não para o isolamento da Venezuela, pelo menos para a ridicularização de seu mandatário.

Em Caracas continua o jogo da polarização e não há sinal de que seus atores queiram mudar a tática de seus times.

Infelizmente, o tempo não corre a favor de Nicolás Maduro.

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Frederico Füllgraf é jornalista em Santiago (Chile). Transcrito do Observatório da Imprensa.