Quem vai indenizar as vítimas do avião fantasma que matou Eduardo Campos?

Acusado de ter assassinado o candidato a presidente Eduardo Campos, o PT perdeu as eleições em Pernambuco, e jamais cobrou dos candidatos beneficiados uma resposta clara: se os eleitos governador Paulo Câmara e o senador Fernando Bezerra Coelho concordam com a denúncia, que também beneficiou eleitoralmente Marina Silva.

Eis uma tragédia que muita gente quer agora esquecer, mas que exige a cada dia vários esclarecimentos. Notadamente o pagamento das indenizações às vítimas do voo e aos moradores afetados em solo.

"Minha vida era tranquila, até o dia em que caiu a turbina de uma aeronave dentro da nossa sala, enquanto a minha filha assistia desenho no apartamento que a gente morava no Boqueirão. Minha família sobreviveu, mas nós perdemos todos os bens. Recomeçar do zero não é fácil. Apesar de ter recebido muitas doações de roupas e cestas básicas, tive que comprar muitas coisas e a minha vida se transformou num caos. Já se passaram mais de 3 meses da tragédia e não fui ressarcida de nada. As empresas envolvidas esqueceram que eu existo. Espero que um dia eu tenha a minha vida tranquila de volta."
“Minha vida era tranquila, até o dia em que caiu a turbina de uma aeronave dentro da nossa sala, enquanto a minha filha assistia desenho no apartamento que a gente morava no Boqueirão. Minha família sobreviveu, mas nós perdemos todos os bens. Recomeçar do zero não é fácil. Apesar de ter recebido muitas doações de roupas e cestas básicas, tive que comprar muitas coisas e a minha vida se transformou num caos. Já se passaram mais de 3 meses da tragédia e não fui ressarcida de nada. As empresas envolvidas esqueceram que eu existo. Espero que um dia eu tenha a minha vida tranquila de volta.”

Escreve Paulo Moreira Leite: Depois que o nome de Eduardo Campos surgiu na delação de Paulo Roberto da Costa, Marina Silva tenta nos convencer de que é possível entrar na chuva e não se molhar.

Explico. Ao mesmo tempo em que tenta entrar no coro conservador ao falar do ‘apadrinhamento, da corrupção, do uso político’ na Petrobras, Marina afirma que ‘não quer uma segunda morte de Eduardo Campos por leviandade.’ Pode?

Ou a candidata denuncia a leviandade – e neste caso não lhe cabe fazer afirmações levianas sobre a maior empresa brasileira, colocando seu tijolo na preservação do mítico ‘mar-de-lama’ criado por Carlos Lacerda para atacar as conquistas do governo Getúlio Vargas.

Ou então utiliza argumentos de natureza emocional (‘segunda morte’) para fugir do debate real, finge que sua campanha não tem nada a ver com isso e segue na corrida atrás de votos procurando a criminalizar os adversários.

O que não dá é ficar em posturas opostas, quando convém. Ora vítima de uma possível injustiça, ora candidata imaculada. Existe algo mais ‘velha política’?

 

Aroeira
Aroeira

(…) Marina agiu de forma parecida quando se verificou que o PSB fazia campanha com um avião registrado em nome de laranjas.

Ela própria só não embarcou no voo da tragédia porque naquela manhã Eduardo Campos se dirigia para um seminário ao qual a vice não tinha interesse em comparecer.

Marina viajou seis vezes no Cessna que caiu em Santos. Prometeu solenemente dar explicações que nunca vieram. Mas segue falando em ‘corrupção’, ‘apadrinhamento’, ‘uso político’.

Isso acontece porque o moralismo – que é uso seletivo e maroto de princípios éticos com fins políticos – é uma moeda de troca eleitoral. O mensalão do PSDB-MG segue a grande prova definitiva a respeito”.

 

Meme da campanha eleitoral
Meme da campanha eleitoral

De acordo com os números pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha do PSB arrecadou e gastou exatamente o mesmo valor: R$ 62.066.728,32.

Os recursos representam a prestação final das contas da campanha pessebista, ou seja, levam em consideração também o período em que o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em agosto, era o candidato da coligação.

O detalhamento das receitas e despesas de Marina, no entanto, não explica o pagamento do jato que caiu em Santos.

No fim de agosto, o PSB divulgou uma nota na qual dizia que o partido iria contabilizar e declarar à Justiça Eleitoral o empréstimo da aeronave somente na prestação final de contas da campanha, o que não aconteceu.

O avião continua fantasma.

marina tchau

O PSB de Marina Silva não quer pagar a conta. O advogado e escritor Antônio Ricardo Accioly Campos, irmão do ex-governador Eduardo Campos, pretende que a União e a Cessna, fabricante da aeronave, paguem as indenizações às vítimas do voo e aos moradores afetados em solo.

No final de agosto, o irmão de Campos visitou os moradores e prometeu apoio às famílias. “Eu não prometo uma coisa sem fazer. O partido [PSB] admite, no futuro, a possibilidade de ajudar em caso de ausência da seguradora”, afirmou.

A representação na Procuradoria tem como alvo a União porque, segundo ele, a base aérea de Santos não poderia ter autorizado o pouso da aeronave com o tempo ruim do dia do acidente.

O advogado alega também que o sistema de auxílio de voo da base é “muito antigo e praticamente inoperante”, o que “pode também ter influenciado”. A base aérea de Santos é de responsabilidade da Força Aérea Brasileira.

Ele aponta ainda falhas estruturais no avião, como a caixa-preta, que não teria gravado as últimas horas de voo.

“Não é normal uma caixa-preta não estar funcionando. Se cai no fundo do mar, se acha e continua funcionando”, disse.

Além disso, ele entende que há um “erro de projeto” sobre o recolhimento de flaps em alta velocidade.

Fica explícito que Antônio Campos não acredita em atentado político. A causa da morte de Eduardo Campos foi acidental.

 

Claves de la victoria y retos para el PT

Claves de la victoria y retos para el PT

 

 Lucas Nine
Lucas Nine

por Luismi Uharte

La cuarta victoria electoral consecutiva del PT en las presidenciales brasileñas, por un estrecho margen frente al liberal PSDB, nos plantea tres importantes interrogantes: quién gana y quién pierde, las razones de la victoria, y los retos fundamentales para el próximo periodo de gobierno.
Quién gana y quién pierde. Los análisis más superficiales y condescendientes con el partido de gobierno afirman que el triunfo de Dilma Rousseff supone una victoria de la izquierda frente a la derecha. Sin embargo, la diversidad de los intereses en juego obliga a una lectura de los resultados mucho más compleja y precavida.

En primera instancia, es cierto que la derecha tradicional y su elite económica han sido derrotadas “políticamente” de nuevo, al no haber conseguido desalojar al PT del Palacio de Planalto. La agresiva estrategia de campaña que articuló un feroz ataque comunicacional por parte del latifundio mediático, tanto local (grupo Globo, Folha, etc.) como global (The Economist, Wall Street Journal…), la cooptación política (Marina Silva), y la amenaza económica (caída de la Bolsa de Sao Paulo), no fueron suficientes para devolver el sillón presidencial a sus ‘dueños habituales’. La derrota “política”, sin embargo, no implica especiales consecuencias económicas para el conglomerado financiero, agro-ganadero e industrial que durante estos años ha hecho jugosos negocios en el marco del neo-desarrollismo lulista.

La victoria pírrica y agridulce es para el Partido de los Trabajadores (PT), que tras 12 años de gestión se ha alejado sustancialmente de una agenda de izquierda. Su desgaste es evidente, ya que la amplia ventaja cosechada por Lula en sus triunfos electorales de 2002 y 2006 (20% de diferencia), se redujo a 12 puntos en el 2010 (primera presidencia de Dilma) y en estas últimas la distancia es de apenas 3%.

También se pueden considerar ganadores esos millones de brasileñas/os anónimos que hicieron un esfuerzo extra para frenar la reconquista de los neoliberales y de su programa de recortes de salarios y servicios sociales. Y para finalizar, todos los aliados latinoamericanos de Brasil y sus socios del BRICS.

Claves de la victoria. Diversos factores explican la remontada de última hora de Rousseff. Por un lado, la activación del “voto del miedo” en amplias franjas de la población que veían con suma preocupación la posibilidad de regresar a la década de los noventa, cuando el Consenso de Washington hizo estragos. Todavía se siente cerca la ‘halitosis neoliberal’, aunque el paso del tiempo y la llegada de generaciones más jóvenes tienden a desactivar este efecto.

Por otro lado, el voto leal y en cierta manera cautivo de los sectores más empobrecidos de la población, principalmente en el Nordeste del país, donde el programa ‘Bolsa Familia’ tiene una fuerte implantación. Dilma arrasó en esta región con más del 70%, compensando el importante retroceso en el centro y sur del país. A esto hay que agregar el flujo importante de sufragios que en la primera vuelta votaron por Marina Silva, y que en la segunda se decantaron por Rousseff, a pesar de que aquella pidió el voto para Aécio Neves.

El papel del expresidente Lula fue otro factor decisivo, ya que se volcó en la campaña tras la primera vuelta. El alto prestigio que mantiene fue capitalizado por Dilma en el último tramo de la contienda. Paralelamente, el apoyo crítico y a su vez desesperado de los grupos políticos de izquierda y del movimiento sindical y popular fue otro aporte nada desdeñable. Por último, la propuesta de política exterior de la derecha de privilegiar las relaciones con EE.UU. y la U.E. y desactivar instrumentos de integración como Mercosur, Unasur, etc., supuso un torpe ataque al imaginario de “Brasil Potencia” que se ha ido construyendo durante la última década y que se ha convertido en un exponente de orgullo nacional.

Retos múltiples. Los logros de la década lulista son indudables, según el Centro de Investigación en Economía y Política: reducción de la pobreza del 35,8% al 15,9% y de la extrema del 15,2% al 5,3%; bajada del desempleo del 13% al 4,9% y aumento notable del salario mínimo, el de empleados públicos y pensiones; incremento del gasto social del 13% al 16% del PIB (en educación del 4,6% al 6,1%). Sin embargo, uno de los grandes desafíos va a ser la inclusión de amplias franjas de pobres urbanos y sectores medios, golpeados por la contra-reforma urbana (el nuevo extractivismo que expulsa pobres de las favelas) y el deterioro de servicios sociales (sanidad) y públicos (transporte). El retroceso electoral en Sao Paulo, la mayor urbe del país, es un indicador muy relevante.

El neo-desarrollismo, por su parte, evidencia sus límites y contradicciones. La impostergable reforma agraria volverá a chocarse de frente con la dependencia exportadora de productos del agro-negocio (principalmente soja transgénica), bajo control de grandes terratenientes que han aumentado su presencia en el Congreso (de los 89 representantes del 2003 a los 257 del actual). Los conflictos sociales y ambientales se agudizarán por la expansión de grandes obras de producción de energía (mega-hidroeléctricas, fracking) y de grandes infraestructuras viarias y de transporte (TAV), negocio multimillonario para los grandes consorcios de la construcción brasileña (Odebrecht, Andrade Gutierrez, etc.)

El problema de la deuda será otro de los campos de batalla. De la reducción de la deuda externa del 41,8% del PIB al 13,7% se ha pasado al ‘negocio’ (para los bancos prestamistas) de la deuda pública que supone una sangría anual en los presupuestos de la nación.

El impulso a una nueva ley de medios que reduzca el poder desmesurado de los grandes grupos de comunicación, es señalado como otro gran reto. A esto hay que agregar la prometida reforma política para afrontar la corrupción e introducir mecanismos de democracia participativa. La vía de la Asamblea Constituyente puede ser una opción, aunque la composición cada vez más oligárquica del Congreso será un obstáculo evidente.

Por último, desde los sectores más a la izquierda, se sigue soñando con que el PT redefina su estrategia y facilite las condiciones para una etapa de movilizaciones de calle, desburocratización y repolitización militante. Como esto probablemente no ocurrirá, la sombra de Lula comenzará a proyectarse para una nueva disputa electoral en el 2018.

Luismi Uharte. Parte Hartuz Ikerketa Taldea

 

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Petrobras requer que Justiça interrogue ex-diretor sobre Mensalão Pernambucano do PSDB e PSB

Esquema de corrupção comandado por PSDB e PSB desviou recursos da obra de Abreu e Lima

 

Hora da verdade.  Petrobras quer que Paulo Roberto Costa conte como PSDB e PSB atuavam na refinaria Abreu e Lima
Hora da verdade. Petrobras quer que Paulo Roberto Costa conte como PSDB e PSB atuavam na refinaria Abreu e Lima

 

 

A pedido da Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, irá prestar novo depoimento sobre desvios em Pernambuco, onde a estatal constrói a refinaria Abreu e Lima.
A Agência PT de Notícias, em reportagem publicada duas semanas atrás, revelou um esquema de desvio de recursos públicos relatados em investigações conduzidas pela Polícia Federal, a partir de 2007, no empreendimento. Na época, o governador do estado era Eduardo Campos, do PSB, falecido em um acidente de avião, em agosto.
Só na terraplanagem da refinaria e na escavação do leito oceânico a ser utilizado pelo estaleiro Atlântico Sul, foram desviados cerca de R$ 6 milhões, segundo a PF. As obras integram o complexo do porto de Suape, em Pernambuco.
Dessa vez, o depoimento de Costa foi solicitado pela estatal à Justiça Federal, para apurar desvios nas obras de construção da Refinaria Abreu e Lima, próxima a Recife, e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). O pedido tornou-se necessário devido à condição de prisioneiro do ex-diretor. A Justiça precisa liberá-lo para o depoimento.

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Investigação interna – A Petrobras alega, no pedido à Justiça, que esse novo depoimento integra os procedimentos internos de investigação sobre o escândalo conduzidos pela estatal. A empresa conta agora, inclusive, com a ajuda de duas empresas independentes, contratadas para apurar e auditar os procedimentos investigativos.
O objetivo da contratação das empresas, segundo nota divulgada pela Petrobras, é o de “apurar a natureza, extensão e impacto das ações que porventura tenham sido cometidas no contexto das alegações feitas pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, bem como apurar fatos e circunstâncias correlatos que tenham impacto material sobre os negócios da companhia”.
São elas a brasileira Trench, Rossi e Watanabe Advogados, e a americana Gibson, Dunn & Crutcher LLP. O procedimento é uma exigência das regras americanas para casos de corrupção como o relatado por Costa, na delação premiada firmada com a Justiça Federal, em empresas que comercializam papéis nas bolsas de valores dos Estados Unidos.

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Denunciados – O caso do esquema PSB-PSDB virou processo do Ministério Público de Pernambuco contra dezenas de denunciados. Entre eles, vereadores e ex-vereadores, a filha de um prefeito, funcionários da prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, servidores do governo estadual e coordenadores das campanhas presidenciais e locais do tucano Aécio Neves e do ex-governador Eduardo Campos.
No processo pernambucano, a Polícia Federal apresentou o resultado de investigações sobre o esquema de corrupção que identificaram 29 núcleos criminosos coordenados por políticos. Eles se utilizavam dos serviços de um empresário e doleiro local para lavagem do dinheiro obtido com a cobrança de 5% a 35% de comissão sobre os contratos intermediados pela quadrilha.
Tais núcleos atuavam em várias áreas de interesse do governo local, inclusive no “negócio do petróleo” – como os investigados nas interceptações telefônicas da PF se referem às obras da refinaria Abreu e Lima. Os grampos das conversas das autoridades locais foram autorizados pela Justiça.
A quadrilha, segundo a PF, era comandada por um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves em Pernambuco, Geraldo Cisneiros, e pelo o ex-deputado federal pelo PSDB Bruno Rodrigues, agora no PSB, com ramificações por diversos órgãos estaduais.

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Depoimento – Um questionário a ser submetido a Costa foi apresentado ao Judiciário pela Petrobras. Nele, a empresa solicita do ex-diretor esclarecimentos sobre o teor das reuniões internas, realizadas entre 2005 e 2006, sobre a Abreu e Lima.
Costa também será indagado pela Petrobras sobre a atuação do ex-diretor Internacional Nestor Cerveró. Ele foi o responsável pela assinatura de um acordo com a estatal de petróleo venezuelana PDVSA relativo às obras da refinaria.
Por Márcio Morais, da Agência PT de Notícias. Leia mais AQUI. Marina Silva sabia do contrato de R$ 120 milhões da empresa de seu coordenador de campanha com a Petrobras para as obras de Abreu e Lima e das doações de areia de Bezerra Coelho pra empreiteiras? Transcrito do Blog de Noelia Brito, excelente jornalista. Não esqueça: esse e outros crimes são escondidos pela imprensa pernambucana: Jornal do Comércio, Folha de Pernambuco e Diário de Pernambuco. A pedra fundamental da refinaria foi lançada pelos presidentes Lula da Silva e Hugo Chávez da Venezuela, um empreendimento internacional, na época avaliado em 2 bilhões de dólares, que foi, misteriosamente, rompido.

As consequências mundiais da vitória de Dilma Rousseff

Intelectual ressalta o papel do Brasil na construção de instituições latino e sul-americanas, o que manteve os EUA e seu poder mais distantes da região

 

Immanuel Wallerstein

 

Por Immanuel Wallerstein | Tradução: Vinicius Gomes

 

Em 26 de outubro, a presidenta do Brasil Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi reeleita no segundo turno por uma estreita margem contra Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Apesar do nome do PSDB, esse foi um claro embate entre esquerda-direita, onde os eleitores votaram – de maneira genérica – de acordo com sua classe social, apesar de os programas de governo dos dois partidos serem, em muitas frentes, mais centristas do que de esquerda ou direita.

Para compreender o que isso significa, nós precisamos analisar as particularidades políticas do Brasil, que em muitos aspectos estão muito mais próximas da Europa Ocidental e da América do Norte do que qualquer outro país do Sul Global. Como os países do Norte, os confrontos eleitorais acabam, no fim, se tornando uma batalha entre um partido de centro-esquerda e um partido de centro-direita. As eleições são regulares e os eleitores tendem a votar de acordo com os interesses de sua classe, apesar das políticas de centro dos dois principais partidos que geralmente se alternam no poder. O resultado é a constante insatisfação dos eleitores com o “seus” partidos e constantes tentativas das verdadeiras esquerda ou direita para forçarem políticas em suas direções.

Como esses grupos de esquerda e direita perseguem seus objetivos dependem um pouco da estrutura formal das eleições. Muitos países têm um sistema de fato de dois turnos. Isso permite que a esquerda e a direita escolham seus próprios candidatos no primeiro turno e então votem no candidato dos principais partidos no segundo. A maior exceção a esse sistema de dois turnos são os EUA, que forçam a esquerda e a direita a entrarem nos principais partidos e depois passem a lutar de dentro (com as primárias).

O Brasil possui um traço excepcional: enquanto em todos esses países os políticos mudam de partido de tempos em tempos, na maioria dos países estes formam um pequeno grupo. No Brasil, tal mudança de partido é virtualmente uma ocorrência cotidiana na legislatura nacional, isso força os principais partidos a gastar enormes quantidades de energia em reestruturar alianças constantemente e corresponde a uma maior visibilidade em corrupção.

Nessa eleição, o PT estava sofrendo de grande desilusão de seus eleitores. A candidata Marina Silva tentou oferecer uma terceira via. Ela era conhecida por três características: ambientalista, evangélica e uma “não-branca” de origem muito pobre. No começo, ela pareceu decolar. Mas enquanto começava a propor um programa muito neoliberal, sua popularidade entrou em colapso e os eleitores se voltaram para Aécio Neves, um direitista mais tradicional.

As desilusões com o PT eram principalmente sobre sua falha em cortar relações estruturais com a ortodoxia econômica, além do fracasso em cumprir suas promessas sobre reforma agrária, preocupações ambientais e a defesa dos direitos dos povos indígenas. Ele também reprimiu demonstrações populares de movimentos de esquerda, notoriamente os de junho de 2013. Apesar disso, os movimentos sociais da esquerda uniram forças de maneira muito forte com o partido no segundo turno.

Por que? Por conta das mudanças positivas de 12 anos de governos do PT. Primeiramente, havia a grande expansão do programa Bolsa Família, que paga subsídios mensais ao mais pobres da população brasileira – que tiveram melhoras significativas em suas vidas. Em seguida, e pouco mencionado na imprensa ocidental, havia o enorme sucesso do Brasil em sua política externa – seu enorme papel na construção de instituições latino e sul-americanas que manteve longe o poder dos EUA na região. A esquerda tinha certeza que Neves iria reduzir as políticas de bem estar social do PT e se aliar novamente aos EUA no cenário internacional. A esquerda do Brasil votou por esses dois pontos positivos, apesar de todos os pontos negativos.

No mesmo final de semana, ocorreram três grandes eleições no mundo: Uruguai, Ucrânia e Tunísia. A eleição no Uruguai foi bem similar à brasileira. Era o primeiro turno e o partido de situação no poder desde 2004, a Frente Ampla, tem como candidato Tabaré Vázquez. Esse partido é bem amplo – indo de centro-esquerdistas para comunistas a ex-guerrilheiros. Vásquez encarou um clássico candidato de direita, Luis Lacalle Pou do Partido Nacional, mas também Pedro Bordaberry do Partido Colorado, um dos dois partidos que governaram o país de maneira repressiva por mais de meio século.

No primeiro turno, Vázquez conseguiu 46,5%, enquanto Lacalle contou com 31%, ou seja, não o suficiente para não haver o segundo turno. Bordaberry, que teve cerca de 13%, anunciou seu apoio a Lacalle, mas é provável que Vázquez vença por conta, mais ou menos, das mesmas razões que levaram Dilma Rousseff à vitória. Além disso, ao contrário do Brasil, seu partido possui o controle do Legislativo uruguaio, assim sendo, o Uruguai também reafirmará o esforço para construir uma estrutura geopolítica autônoma na América Latina.

O caso da Ucrânia é totalmente diferente. Longe de estar estruturada em um embate de esquerda-direita com dois partidos centrais tentando vencer as eleições, a política na Ucrânia tem agora como base uma divisão regional etnico-linguística. Nessas eleições, o governo pró-Ocidente realizou eleições excluindo qualquer participação dos supostos movimentos separatistas do leste da Ucrânia. Estes, então, boicotaram as eleições e anunciaram que manteriam suas administrações regionais autônomas. Na capital Kiev, parece que aqueles que agora governam: o presidente Petro Poroshenko aliado a seu rival, o primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk, irão se manter no poder, excluindo o verdadeiro ultranacionalista Setor Direito de qualquer papel.

Finalmente, na Tunísia o que ocorreu foi bem diferente. A Tunísia foi vista como a propulsora da chamada Primavera Árabe e hoje, parece ser sua única remanescente. Ennahda, o partido islâmico que venceu as primeiras eleições, perdeu consideravelmente sua força ao correr atrás de um programa de islamização da política tunisiana. Acabaram forçados, alguns meses atrás, a dar lugar a um governo interino tecnocrata e perdeu muitos eleitores (até mesmo de islamitas) na segunda eleição.

O partido vencedor foi Nadaa Tunis (O Chamado da Tunísia). Suas políticas são de certa maneira claras: é um partido secular. Seu líder é venerado político de 88 anos chamado Beji Caid Essebsi, que serviu nos governos Destourian que governou o país após a independência até que por fim se tornou um grande dissidente. Seu problema é manter unido a coalizão que conta com enormes variedades de forças secularistas – principalmente os jovens que lideraram o levante contra o presidente Zine el Abidine Bem Ali, em 2011, e diversos membros daquele governo que agora retornaram à arena política.

De qualquer maneira, Nadaa Tunis conta com 85 assentos parlamentares dos 217, enquanto o Ennahda foi reduzido a 69, sendo que os outros estão espalhados entre partidos menores. Será necessário um governo de coalizão, envolvendo praticamente todos os partidos. Então, enquanto os jovens revolucionários da Tunísia estão celebrando a vitória contra o Ennahda, ninguém sabe ao certo aonde isso terminará.

Eu digo “urra!” para o Brasil, onde aconteceu a mais importante dessas quatro eleições. Mas lá, assim em como em outros lugares, o jogo ainda não terminou. Não mesmo!

O “nós podemos” de Obama virou credo de Marina e Aécio

O velho apoio de Marina, decidido desde o final das eleições do primeiro turno, foi capa hoje de todos os jornais brasileiros como exemplo de nova política.

O “nós podemos” da campanha de Obama a presidente é repetido no Brasil, que a mídia pretende transformar em quintal do Tio Sam.

Que Aécio representa o retrocesso, a velha política colonial do se “é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

 

O "nós phodemos" das elites
O “nós phodemos” das elites

 

Propostas de Aécio, “música” aos senhores da riqueza financeira

Paulo Copacabana, em especial para o Viomundo, escreveu que as propostas de Marina eram música para os “senhores da riqueza financeira”. Troquei o nome de Marina pelo de Aécio. Por vários motivos.

Que Marina se vendeu a Aécio. Em troca do apoio, quer um ministério todinho pra ela, um mandato de quatro anos para presidente, e ser candidata do PSDB em 2018.

Miguel
Miguel

Finalmente, tirou a máscara de fada defensora da floresta, e desconstruiu o mito de Nossa Senhora das Dores, de uma infância parecida com a de Santa Joana d’Árc, a analfabeta que salvou a França, e o sofrimento de Santa Benadette. Santas que fizeram parte da devo√ação de Marina, noviça da Congregação das Irmãs Servas de Maria Reparadoras, em Rio Branco (AC).

“Maria Osmarina da Silva, a Marina Silva, chegou à casa das irmãs em 19 de fevereiro de 1976, 11 dias depois de completar 18 anos.

(…) ‘É a primeira vez que vive com as irmãs’, afirma o documento, guardado no arquivo da entidade.

No período de um ano e cinco meses em que ficou lá, Marina ocupava uma das três camas do quarto 07, de cerca de 25 metros quadrados ao final de um amplo corredor de paredes verde-claras que liga a sala aos quartos das aspirantes. O cômodo mantém a decoração: alguns dos móveis simples de madeira e até as colchas daquela época.

O casarão com varandas é amplo e fresco nos dias de brisa da incomum friagem (período de queda de temperatura) da equatorial Rio Branco. Tem oito quartos – para quatro moradoras e visitantes –, cozinha e copa espaçosas e um grande terreno gramado, com seringueiras e um pomar com pés de enormes laranjas e de cupuaçu. Era o seu canto favorito. ‘Ela era muito voltada à contemplação, gostava de ficar no quintal, junto às árvores, talvez um ambiente parecido com aquele em que vivia antes’, diz a irmã Eva, repetindo relatos.

O restante do tempo dividia entre as aulas no Instituto Imaculada Conceição – hoje com cerca de 700 alunos e ainda mantido pela ordem – e os estudos religiosos. ‘Ela entrou para a família religiosa com o intuito de ser irmã, mas chegou o momento em que não se encaixou e, depois de conversas, decidiu sair. A pessoa entra, conhece a estrutura e o jeito de viver, mas às vezes não se encaixa, é comum. É uma vida muito rigorosa, difícil’.

As Irmãs Servas de Maria Reparadoras tiveram origem na Itália, em 1900, voltada a ajudar e educar crianças órfãs. Chegou em 1921 ao Brasil e se instalou em Sena Madureira (AC). É da corrente progressista da Igreja Católica e atua na educação, saúde e contra violações de direitos humanos. ‘Uma moça sem ligação com educação não fica. Talvez tenha inspirado Marina, depois professora, não sei o que ela pensa disso, mas acho que influenciou nas suas opções’, disse irmã Eva, que não deve votar na ex-companheira. ‘Não fiz a opção ainda. Talvez a opção seja outra.’

Os sinais da saúde frágil já apareciam, mostra o livro. ‘Em 29/7/76, estando com gripe acompanhada de tosse, foi consultada pelo Dr. Silvestre; este solicitou uma radiografia dos campos pulmonares, a qual foi tirada no mesmo dia. Resultado: normal.’

Em julho de 1977, Marina desistiu da vida religiosa. ‘A própria candidata disse não ter vocação’ é a anotação do livro. O pai, Pedro, tem outra versão. ‘Ela queria emprego para ajudar nossa família, mas lá o dinheiro fica na comunidade. Aí desistiu”.

Sinfronio
Sinfronio

Marina nunca gostou de trabalhar. No seringal de onde saiu perto de completar 16 anos não foi seringueira, trabalho proibido para as mulheres. Principalmente para uma criança. Pelos perigos de ficar solta na floresta. Perigos de todos os tipos. Não se quebra, facilmente, os tabus de pequenas comunidades.

No mais, Marina teve os poderes, eleita pelo PT, de vereadora, deputada estadual, duas vezes senadora, ministra de Lula; tem as amizades das maiores fortunas do Brasil; e o pai, com 87 anos, vive no alagado de uma favela do Rio Branco, em casa de madeira.

Tem irmãs que ainda vivem nas mesmas terras de sua infância feliz.

Pedro Augusto, 87 anos, pai de Marina
Pedro Augusto, 87 anos, pai de Marina

Marina pai

 

É um conto de fadas de Cinderela: Marina empregada doméstica. O pai não ia deixar a filha sair de casa (Marina vivia e foi criada pela avó, parteira) para a cidade grande, sem ter para aonde ir. Para ficar na rua. Marina viajou para um endereço certo.  A casa do tio delegado, de onde saiu por maltrato não explicado. Antes de entrar no convento ficou em uma casa tão pobre quanto a do pai dela hoje. Como agregada.

Não confundir pobreza com vida de miserável, de abandono.

Do convento, Marina saiu para estudar história em uma universidade, quando fundou a CUT, e foi candidata derrotada a deputado federal, tendo Chico Mendes como candidato a deputado estadual. Era a Marina sindicalista e comunista.

Senadora conheceu as maiores fortunas do Brasil, e foi candidata a presidente em 2010, tendo como vice um dos homens mais ricos do Brasil, explorador da Floresta da Amazônia, dono de uma empresa com o nome bem sugestivo, Natura. Este ano foi candidata, pela segunda vez, tendo como vice um latifundiário do Rio Grande do Sul, líder da bancada ruralista na Câmara dos Deputados, e defensor das empresas de álcool, fumo e armas, lóbi que não casa com Marina evangélica, parceira dos pastores Silas Malafaia e Marco Feliciano.

nani mudança marina

Qual a diferença entre Maria Alice Setubal, dona do Banco Itaú e mentora do plano econômico de Marina, e Armínio Fraga, também banqueiro, que coordena a campanha de Aécio Neves?

Os dois defendem a autonomia do Banco Central, contra o Mercosul, o BRICS; e a volta do FMI e das privatizações de Fernando Henrique, o tudo para “os senhores da riqueza financeira”, e neca para o povo pobre e para os miseráveis.

Aécio lucro

Armínio Fraga

Armínio Fraga era um empregado de George Soros, indicado para presidir o Banco Central no governo entreguista de Fernando Henrique.

Bancário que era virou banqueiro.

No governo de FHC, Soros se tornou o principal acionista da Vale do Rio Mais do que Doce.

A imprensa vendida brasileira informou que Soros trocou as ações da Vale por ações da Petrobras. Acho que não existe esse tipo de transa. Assim sendo, a Petrobras passou a ser sócia da Vale. Coisa pouca: 634 milhões de dólares.

O noticiário da campanha de Aécio jura que Soros, temeroso de uma vitória de Dilma, passou essas ações para não se sabe quem. Queira Deus que sim. Soros é um especulador, um predador internacional. Ladrão todo. Se aparecer na Rússia vai preso. Patrocina a atual guerra da Ucrânia e outras. Pela teoria da conspiração, mandou matar Eduardo Campos. Não acredito que seja verdade, mas que ele é capaz disso é, e de coisas piores.

Na Ucrânia, muitos dos participantes das manifestações em Kiev assumiram fazer parte de determinadas Organizações Não Governamentais (ONGs) responsáveis por treiná-los em táticas de guerrilha urbana, em numerosos cursos e conferências promovidos pela Fundação do Renascimento Internacional (IRF, em inglês), criada por Soros. A IRF, fundada e financiada pelo multimilionário, orgulha-se de ter feito “mais do que qualquer outra organização” para a “transformação democrática” da Ucrânia, afirmou.

A ação de Soros, no entanto, permitiu que ultranacionalistas passassem a controlar os serviços de segurança ucranianos, como a polícia e as forças armadas. Em abril, o secretário do Conselho de Segurança Nacional e da Defesa, Andréi Parubiy, foi acusado por testemunhas de aceitar suborno da CIA para ajudar no combate àqueles que se opõem ao governo autoproclamado. Ainda segundo o InfoWars, a operação militar de Kiev, com seu caráter violento, incluindo o incêndio na sede de um sindicato em Odesa, no qual morreram mais de 80 pessoas, também pode ser atribuído ao ativismo de George Soros e das outras organizações ligadas à IRF.

Estas mesmas ONGs foram detectadas no Brasil com um serviço semelhante àqueles prestados pela IRF à ultradireita na Ucrânia. A ONG Brazil No Corrupt seria mais uma na lista de organizações patrocinadas por organismos internacionais para a promoção de atos de vandalismo e de violência nas manifestações de rua.

No Brasil, antes e durante e depois da Copa do Mundo, no movimento #naovaitercopa. Compete, ainda, a estas organizações, o patrocínio de páginas nas redes sociais, como a TV Revolta, entre outras, criadas para disseminar o ódio e promover a desestabilização do governo instituído, em manifestações violentas nas principais capitais, com infiltrados das polícias de São Paulo e Rio de Janeiro.

Em Pernambuco, a campanha do governador eleito Paulo Câmara Ardente denunciou que “O PT mandou matar Eduardo Campos”. Resultado: o PT não elegeu o senador, e nenhum deputado federal. Os pernambucanos colocaram nas urnas o voto justiceiro. As eleições representaram um verdadeiro linchamento dos “assassinos”. Sobrou para Dilma e Armando Monteiro, candidato a governador.

Incompetência da propaganda petista. Bastaria completar a frase pichada nos muros: “O PT matou Eduardo Campos” para eleger Marina ou Aécio.

 

 

Frank
Frank

 

Eis o texto de Paulo Copacabana:

Não tem como fazer omeletes sem quebrar os ovos.

Esta frase, para mim, resume os desafios políticos que temos pela frente para melhorarmos nosso país nos próximos anos.

A Nova Política só começará com uma ampla discussão e mobilização popular sobre uma reforma política que permita três coisas: ampliar os canais de participação da sociedade na definição do seu próprio destino, reduzir o poder do dinheiro sobre a política e ampliar a representação das classes populares nos parlamentos brasileiros.

Para isso, precisamos de partidos fortes, democracia interna e idéias claras sobre suas posições.

Para Marina Silva representar efetivamente este ideal, não basta dizer que representa a Nova Política. Os aliados que ela carrega e o jatinho que usou financiado por caixa 2 e empresas laranjas desmentem a todo momento esta sua profissão de fé.

Ela precisa rapidamente dizer quando, como, em que direção e com quem fará uma reforma política no Brasil, já no início do seu governo.

A princípio, Marina não parece se preocupar com partidos fortes ou idéias claras. Parece carregar apenas o “espírito do tempo”, marcada por vontades de mudanças abstratas, sem saber exatamente para onde e como. Uma certa continuidade e vertente eleitoral das jornadas de junho de 2013.

Os apolíticos e os antipolíticos parecem finalmente se juntar aos reacionários e àqueles que representam a infantilização da política (quero tudo agora e de qualquer jeito).

As dificuldades de Marina em construir a Nova Política residem exatamente nesta sua frágil base politica de sustentação.

Precisará dos movimentos sociais e trabalhadores organizados para aprofundar a democracia no Brasil. Quando e se quiser fazer este aceno, será rapidamente abandonada pela sua base eleitoral. Crise política à vista.

Por outro lado, na economia política, Marina já encarna o papel de melhor guardiã da financeirização da riqueza. As poucas famílias, empresas não financeiras e bancos, que aplicam suas riquezas em diversos produtos financeiros, estão indo ao delírio com as propostas dos gurus econômicos de Marina.

Banco Central independente, altíssimas taxas de juros que procurem levar a inflação a níveis suíços, câmbio livre, cortes nos gastos públicos, redução dos salários e “outras maldades” já reveladas soam como música aos senhores da riqueza financeira.

Deve começar seu governo já refém destes interesses poderosos. Uma verdadeira crise econômica se avizinha.

Paralisia política e crise econômica pode ser o resultado mais esperado do seu governo. Marina já acenou que planeja ficar apenas quatro anos.

Não terá outra saída. De qualquer modo, já terá cumprido o papel para os senhores do dinheiro.

Para o país, uma lição a mais: a infantilização da política não produz avanços.

 

Dilma Aécio nova políitca

 

Partidarismo e jornalismo marrom. TV Globo promete um debate hoje para desfavorecer Dilma

Simch
Simch

 

Até na chamada para o debate de hoje, a TV Globo faz propaganda contra Dilma. Transcrevo:

“A três dias da votação, os candidatos à Presidência da República fazem nesta quinta-feira o último debate antes do primeiro turno. Estão confirmadas no encontro, promovido pela TV Globo, a partir das 22h30m, as participações de Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Eduardo Jorge (PV), Levy Fidélix (PRTB), Luciana Genro (PSOL) e Pastor Everaldo (PSC).

O dia é de esforço concentrado. Candidata à reeleição, Dilma Rousseff, que já está no Rio, passará o dia reunida com assessores. O mesmo fará Marina Silva, que disputa com Aécio Neves o segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos. Ambos devem disparar artilharia em direção à presidente. Em queda, a candidata do PSB deve afiar o discurso sobre corrupção no governo federal. O tucano, por sua vez, também deve aproveitar a última oportunidade para se mostrar familiar ao eleitor”.

É muita safadeza, parcialidade, propaganda indireta enganosa, tomada de partido. Não se fala sobre corrupção no governo de Minas Gerais, quando Aécio Neves era governador, nem no mensalão tucano que está engavetado etc, Não se fala sobre as denúncias de corrupção praticada pelo marido da Marina, nem na corrupção do governo Eduardo Campos que era o cabeça de chapa do PSB, nem no avião da campanha, nem sobre o apoio dos banqueiros e a viagem secreta de Marina aos Estados Unidos.

De Marina, propaga a TV Glovo que ela “deve afiar o discurso sobre corrupção no governo federal”.

 

marina choro

 

O debate de hoje da TV Globo deve ser conduzido com a finalidade de prejudicar Dilma. Isso se faz não só com perguntas safadamente selecionadas, mas com a divulgação desfavoráveis de cenas durante e fora do debate. Cenas de cansaço, de curiosidade, de riso com a resposta de algum candidato etc, que a comunicação não verbal tem um efeito mais eficaz do que qualquer pergunta e resposta. Confira

Quando a TV Globo anuncia que “a candidata do PSB deve afiar o discurso sobre corrupção no governo federal” faz um link para a seguinte notícia:

“Marina, em queda nas pesquisas de intenção de voto, deve adotar a mesma linha do discurso feito na terça-feira em reunião com apoiadores de sua candidatura, quando acusou a petista de mentir. Na ocasião, disse que não ‘quer se parecer com essa gente’ 

(…) Marina deve, durante o debate, explorar com firmeza as acusações de corrupção no governo federal. Aliados dizem que a postura da candidata, com um tom diferente do mostrado até agora na campanha, vai surpreender. A vida pessoal da candidata também vai ser abordada. A ideia é que Marina faça referências aos episódios sofridos de vida, reforçando a frase adotada como um novo slogan nesta reta final do primeiro turno: ‘não é um discurso é uma vida”. Isso é jornalismo marrom, partidário, de quem defende os banqueiros, a autonomia do Banco Central, a terceirização do trabalho, a mão-de-obra barata, o capitalismo selvagem e a anistia política para assassinos e torturadores. Leia mais e vide links.

Marina baixaria