O SACRIFÍCIO DO MENOR MARCELO PESSEGHINI. A CHACINA DE UMA FAMÍLIA. CUMPLICIDADE OU OMISSÃO DO GOVERNO DE SÃO PAULO?

por George Sanguinetti

A honra proíbe atos que a lei tolera.
Sêneca 4 a.c 65 d.c.

A lei deve ter autoridade sobre os homens; não os homens sobre a lei.
Pausânias 115 a 180.

 

 

 

A lamentar, que artifícios estejam sendo usados, para impedir o esclarecimento dos homicídios múltiplos da família Pesseghini, com omissão ou cumplicidade de autoridades, que deveriam apontar os suspeitos e conduzir com dignidade a apuração do caso.

Há no inquérito, provas técnicas que mostram que a tese que o menor matou os familiares e, em seguida, cometeu suicídio é inverídica. O recheio de alegações fictícias, que não permitiram provar nada. E o desejo do condutor do inquérito para culpar o menor, e encerrar o caso. Mesmo assim, ganha-se tempo, esperando que este povo brasileiro, que “deitado eternamente em berço esplêndido…” como o Brasil, no nosso Hino Nacional, continue adormecido, aceitando tudo que é feito à margem da lei, pelos que deveriam respeitar a legislação.

Desde instâncias superiores, a lei segue o ritmo de interesses políticos, e vai fazendo escola nas instâncias inferiores e, sobretudo, nos inquéritos policiais, onde a “autoridade” acredita que, com o aval dos seus superiores (chega ao governador, por competência maior), pode concluir pelo que achar, não pelo que ficou provado.

75% da população não acredita que foi o menor, autor da chacina.

Se no caso Pesseghini há policiais militares envolvidos, motivados por denúncias de roubo em caixas eletrônicos, que sejam apontados. Que não se alegue que aguarda quebra de sigilo telefônico durante meses, que se festeje que alguém mentiu ao depor, e que tudo continue como está.

Quantos outros inquéritos estão nesta situação? Parece que a prática é corriqueira. Quantos inocentes acusados, presos e até condenados, para evitar o esclarecimento de um caso que envolva autoridade, correligionário do governante, etc.

Terá que haver uma revolução pelo voto ou sem o voto, mas a normalidade jurídica tem que voltar. O povo tem que acreditar nas instituições, e seus dirigentes têm que saber se fazer respeitar. Isto não está ocorrendo.

Preparem-se para convulsão social, movimentos de cobrança de volta à moralidade, desde o caso da compra da refinaria da Petrobrás, até um simples inquérito criminal. Do ponto de vista moral, pior que nos últimos dias do governo Jango. Comprometimento do cume à planície.

Clamo por um Brasil respeitado, com ORDEM E PROGRESSO. Não está havendo Ordem, e as práticas políticas impedem o Progresso. É um convite para o povo ir as ruas, as praças?

 

Dois grupos de PMs atuaram no assassinato de Cláudia: um que atirou e outro que carregou o cadáver

O trio que assassinou Cláudia Silva Ferreira, no Morro da Congonha, no Rio de Janeiro, jamais foi preso.

Apenas o trio que carregava o cadáver, possivelmente, como aconteceu com Amarildo, para um cemitério clandestino, teve uma prisão relâmpago, para enganar os bestas. Aconteceu de serem filmados.

O trio assassino e o trio violador de cadáver são partes de uma mesma quadrilha de soldados bandidos. Dois, comprovadamente, seriais quillers.

OS ASSASSINOS

Relata testemunha: “Os policiais dobraram a esquina e deram de frente com Cláudia (ela tinha saído de casa para comprar leite e pão). Um deles apontou a arma (um fuzil) e atirou umas seis vezes”. Falta investigar, conforme foi noticiado, se apenas três PMs participaram da execução.

OS COVEIROS  

Relata testemunha: “O corpo da Cláudia ficou abandonado na rua por mais de meia hora (um tiro penetrou o coração). Os policiais voltaram na maior calma”.

Assim o cadáver foi colocado em uma viatura policial. Afirmam os policiais coveiros que iam levar o cadáver para um hospital. O lugar menos provável para fazer desaparecer um defunto, quando apenas existiam dois destinos possíveis: o necrotério, para a autopsia, ou um cemitério clandestino, que o Rio de Janeiro é a capital dos desaparecidos. Tornou-se uma ação costumeira a velha expressão popular: negro não morre, desaparece.

brutaalidade AA

 

por Advogados Ativistas

████████████████ O Ministério Público Militar acatou o pedido de liberdade dos três PMs envolvidos na morte de Cláudia Silva Ferreira. De acordo com várias testemunhas, dentre elas alguns familiares, Cláudia foi executada sem qualquer motivo aparente e existe o vídeo chocante dela sendo arrastada pelas ruas do Rio. Mesmo assim o promotor do caso afirmou que não há elementos para mantê-los presos.

Não é novidade para ninguém que a polícia brasileira executa os cidadãos e camufla o fato sob autos de resistência. Um ponto importante que justifica esta ação é exatamente o “resgate” dos feridos, que na maioria das vezes já chegam mortos aos hospitais. Em São Paulo, após a proibição de o resgate ser feito por PMs, o número de mortos em confrontos caiu 35% de 2012 para 2013. Esta medida talvez tenha inibido a chacina escancarada que é promovida, porém, está longe de ser a solução.

Mesmo com tais fatos sendo públicos e notórios, o Ministério Público acha que não há elementos para manter os acusados presos. Voltando um pouco no tempo, mais precisamente em setembro de 2013, neste mesmo Rio de Janeiro, diversos manifestantes foram presos e encaminhados a Bangu, permanecendo por diversos dias presos. Como justificar esta seletividade?

Em um caso bastante parecido, assaltantes arrastaram e mataram o garoto João Hélio, de 06 anos, e a comoção foi enorme, a pauta novamente era o endurecimento de penas, redução da maioridade penal. A diferença para o caso da Claudia é que os autores eram pobres e negros, além da vítima ser uma criança filha de pessoas da classe média. Não que a histeria resolva a questão, mas o silêncio atual é bastante sintomático.

Países com melhor saúde democrática que a nossa estão menos suscetíveis ao bom humor de governantes e opinião pública. A lei anda em linha reta, os cães ladram, mas a caravana não para. Demos aqui alguns exemplos da falta de critério que acomete nossos órgãos e representantes públicos. A ação estatal de brutalização e restrição de direitos vai ser para sempre uma regra enquanto a seletividade continuar imperando.

Cláudia e as duas juízas

Tiros de fuzis, disparados pela polícia que torturou Amarildo, executaram Cláudia. Corpo ficou abandonado por 30 minutos

JORGE PENNY, no blogue Olga
JORGE PENNY, no blogue Olga

por Angélica Fernandes

“O corpo da Cláudia ficou abandonado na rua por mais de meia hora.” É com este desabafo que a única testemunha presente no momento em que Cláudia Silva Ferreira, de 38 anos, foi baleada, no último domingo, afirma, com riqueza de detalhes, que os policiais militares foram os responsáveis pela morte da servente. Segundo a testemunha, os PMs estavam a menos de três metros de distância de Cláudia quando fizeram os disparos.

“Os policiais dobraram a esquina e deram de frente com ela. Um deles apontou a arma (ela diz ser um fuzil) e atirou umas seis vezes”, relembra a testemunha, que é vizinha de Cláudia no Morro da Congonha, no Rio de Janeiro. No dia do crime, ela teria visto os dois policiais descendo da mata antes de os tiros serem disparados. De acordo com a moradora, os PMs estavam andando tranquilamente até se depararem com Cláudia. “Eu estava logo atrás deles e vi tudo”, conta a testemunha, que na sexta, prestou depoimento na 29ª DP (Madureira).

Após os tiros, a vizinha da servente voltou correndo para casa com medo. Dez minutos depois, ela saiu novamente e viu que Cláudia ainda estava lá. “Ela já estava morta. Fiquei apavorada e chamei os moradores. Trinta minutos depois, os policiais voltaram na maior calma”, explica a testemunha, que desmente outra versão dos PMs: a de que Cláudia foi no porta-malas porque não dava para abrir a porta traseira, já que a viatura estava em um beco. “Beco? Era uma rua normal, de cinco metros de largura”, acrescenta. Quando a viatura passou pela Avenida Intendente Magalhães, o corpo da servente ficou pendurado na mala e foi arrastado por 350 metros. Na sexta, os três policiais foram soltos, por uma decisão da Justiça.

Hoje, moradores da Congonha farão uma homenagem à servente na festa de aniversário dos filhos gêmeos dela, que completam 10 anos. “Faremos um minuto de silêncio e uma oração”, detalha o viúvo de Cláudia, Alexandre Fernandes.

Cláudia, por ADRIANO DE LUCA, no blogue Olga
Cláudia, por ADRIANO DE LUCA, no blogue Olga
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OS TRÊS POLICIAIS ASSASSINOS RONDAM A CIDADE DO RIO DE JANEIRO. FORAM SOLTOS PELA CORPORATIVISTA JUSTIÇA MILITAR
Dois dos três assassinos covardes
Dois dos policiais envolvidos na trama para esconder a morte de Cláudia
 [A polícia do Rio arma mais um inquérito fajuto. Que cidadão acredita na polícia? Com os psicopatas soltos, temerosas testemunhas inventam qualquer história. Não esqueçam que Cláudia quando foi colocada no porta-malas do rádio patrulha, feito um saco, já estava morta. Talvez estivesse sendo levada para algum cemitério clandestino. Onde está enterrado Amarildo]
Leia a farsa macabra publicada no jornal O Dia: Uma testemunha que prestou depoimento quinta-feira na 29ª DP (Madureira) contou que viu um adolescente abrir a fechadura da caçamba da viatura que “socorreu” a auxiliar de serviços gerais Cláudia da Silva Ferreira, de 38 anos. Vítima de um tiro que atravessou seu coração.Em depoimento ao qual O DIA teve acesso, essa testemunha, um homem que mora em Itaguaí, disse que foi à comunidade sozinho no último domingo para resgatar sua moto, que fora roubada. Ele falou que chegou pouco antes do tiroteio e ficou em uma padaria. Em seguida, ele teria visto moradores seguindo a viatura que entrou na comunidade e, apesar do clima tenso e não ser morador, foi ver o que acontecia.

A testemunha afirma que viu a viatura passar com a caçamba fechada e que um grupo de menores seguiu o carro a pé, de bicicleta e de moto. Um rapaz negro, que, segundo o motoqueiro, seria menor, teria mexido na fechadura quando a viatura parou para pegar a rua principal de saída da favela.

O homem relatou ainda que, depois disso, viu a tampa da mala abrir e fechar quando o carro se movimentou, mas que o motorista não viu. A testemunha não sabia que lá dentro havia uma pessoa. Ele alega não ter nenhuma ligação ou conhecer os policiais.

Investigados por suspeita de terem feito os disparos, o tenente Rodrigo Medeiros Boaventura e o sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno negaram em depoimento terem visto as vítimas durante o confronto. Além de Cláudia, também morreu o adolescente Willian Possidônio, 16, e foi baleado Ronald Felipe dos Santos.

Parentes de Cláudia prestaram depoimento ontem. O advogado João Tancredo pedirá a inclusão deles no Programa de Proteção a Testemunhas.

Vítima parecia desmaiada

O cabo Gustavo Meirelles, que ajudou o subtenente Adir Serrano Machado a colocar a vítima na caçamba, declarou que ela aparentava estar “desmaiada” no momento do socorro. Segundo o laudo de necrópsia, ela morreu devido ao tiro.

O delegado Carlos Henrique Machado disse que os laudos devem sair terça-feira. Ele quer saber se a morte foi instantânea [um tiro no coração…] e o tipo de munição que a atingiu. “A única certeza é de que a moradora foi vítima da guerra que nós vivemos do tráfico contra a polícia”, disse o delegado, que vai fazer reconstituição do caso. [Se tem tanta certeza…]

Alexandre criticou a soltura dos três PMs que arrastaram sua mulher. “É lamentável. Quem comete crime consegue habeas corpus. A soltura dos PMs dobra nosso medo. Se eu desse uma paulada em alguém, seria preso. Não há justiça para policiais”. [Dois dos assassinos de Cláudia são seriais killers]

DIOGO PONTES, no blogue Olga
DIOGO PONTES, no blogue Olga

Reportagem de Adriana Cruz, Roberta Trindade e Vânia Cunha 

Justiça militar. Mulher negra favelada não morre, desaparece. Sumido “saco”

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Uma decisão da juíza Ana Paula Pena Barros, da Auditoria da Justiça Militar, concedeu a liberdade provisória para os três policiais acusados de arrastar o corpo de Cláudia Silva Ferreira, morta após ser baleada durante uma ação da Polícia Militar no Morro da Congonha, em Madureira. Os subtenentes Rodney Miguel Archanjo e Adir Serrano Machado e o sargento Alex Sandro da Silva Alves estavam presos administrativamente desde a segunda-feira.

Presos pelo simplório motivo de não carregar direito, no porta-malas de uma rádio-patrulha, o corpo de uma mulher com duas balas. Eta país injusto, cruel, desumano, desigual, sádico, masoquista e kafkiano. O assassinato de Cláudia Silva Ferreira não foi o motivo da detenção. O arrastamento da cidadã Cláudia Silva Ferreira, baleada, sangrando, até que o corpo ficasse em carne viva, não foi o motivo da detenção ad-mi-nis-tra-ti-va. Eta país sem justiça.

Três assassinos soltos à procura da próxima vítima
Três assassinos soltos à procura da próxima vítima

Informa o portal Terra: Os três policiais militares (PMs) presos por terem arrastado a auxiliar de serviços Claudia Silva Ferreira, no Rio de Janeiro, constam como envolvidos em 62 autos de resistência (mortes de suspeitos em confrontos com a polícia). Pelo menos 69 pessoas morreram em supostos tiroteios com os três soldados estaduais desde 2000. As informações foram publicadas no jornal O Estado de S. Paulo.

O recordista é o subtenente Adir Serrano Machado, com envolvimento em 57 registros de autos de resistência (com 63 mortos). O subtenente Rodney Archanjo aparece em cinco ocorrências (com seis mortos). Já o sargento Alex Sandro da Silva Alves não tinha participação em nenhum auto de resistência até o último domingo, quando um adolescente de 16 anos, suspeito de envolvimento com o tráfico, morreu durante a operação no Morro da Congonha, em Madureira, zona norte, onde Claudia morava.

Acrescente à longa lista de assassinatos, mais um nome: o de Claudia Silva Ferreira.

Foi um crime que escandalizou a imprensa internacional. No Brasil, apenas um ato costumeiro de uma polícia racista, arbitrária e violenta com os favelados, os pobres, os moradores de rua, os sem teto, os sem terra, os bolsas-família, isto é, os negros.

 

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Um “saco” com quatro filhos

 

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A morte de uma mulher no Rio, após ser vítima de uma troca de tiros e ser arrastada por uma viatura policial, mostra como a vida continua perdendo valor no Brasil

 

por María Martín, El País, Espanha

 

O choro dos filhos
O choro dos filhos

primogênito

A morte de Cláudia Silva Ferreira, uma auxiliar de limpeza de 38 anos, vítima de bala perdida e cujo corpo ainda foi arrastado durante 250 metros por uma viatura da Polícia Militar, rebaixou mais um pouco a cotação de uma vida no Brasil.

Seria mais uma morte por um projétil sem rumo, cotidianas trajetórias fatais nas quais a responsabilidade do Estado ainda não foi definida, mas o episódio não acabou no alto do morro da Congonha, em Madureira, no norte do Rio de Janeiro.

Três policiais do 9º BPM (Rocha Miranda), que participaram de uma troca de tiros com supostos criminosos na favela, pegaram a mulher, ferida à bala no pescoço e nas costas, e a jogaram no porta-malas –e não no banco traseiro– de uma viatura. A intenção seria a de socorrê-la, pois o relatório da polícia afirma que a vítima ainda estava viva. Porém, essa prática tem sido questionada infinitas vezes pela quantidade de irregularidades e imprudências que podem ser cometidas dentro de um camburão –o Estado de São Paulo já proibiu em janeiro do ano passado que policiais socorram feridos a tiros.

Desta vez, não deu certo. Um motorista, que com aparente temor de ser surpreendido escondia o celular entre as pernas toda vez que podia ser visto pelos agentes, gravou parte do percurso de Cláudia até o Hospital Carlos Chagas. A gravação, publicada pelo site do jornal Extra, mostra o porta-malas da viatura aberto e o corpo de Cláudia pendurado pelas roupas, enquanto era arrastado ao ritmo da ultrapassagem apressada do veículo policial.

As primeiras informações indicam que vários pedestres e motoristas alertaram aos policiais que arrastavam o corpo de uma mulher, mas foi só em um semáforo que os agentes desceram e carregaram de novo no carro um corpo, agora, em carne viva.

Cláudia Silva, mãe de quarto filhos e responsável pelos cuidados de outros quatros sobrinhos, chegou morta no hospital. Sua filha Thaís Silva, de 18 anos, foi a primeira a encontrá-la sem vida. “Eles arrastaram minha mãe como se fosse um saco e a jogaram para dentro do camburão como um animal”, gritou aos choros a jovem à imprensa. Alexandre Fernandes da Silva, de 41 anos, marido de Cláudia há 20 anos, também disse abalado que arrastaram o corpo da sua mulher como se ela fosse um saco. “A perna dela ficou toda em carne viva. Não podiam ter feito isso com ela”.

A irmã de Cláudia, Jussara Silva Ferreira, de 39 anos, ficou revoltada ao ver o vídeo do traslado da irmã. “Acham que quem mora na comunidade é bandido. Tratam a gente como se fôssemos uma carne descartável. Isso não vai ficar impune. Esses PMs precisam responder pelo que fizeram”, afirmou ao jornal Extra.

Três policias foram detidos pelo episódio. “Eles estão presos em flagrante criminalmente e vão responder por causa da condução do corpo, que não é para ser feita daquele jeito. Vi irregularidades, sim”, afirmou ao Extra o comandante do 9º BPM, tenente-coronel Wagner Moretzsohn.

Em nota, a PM justificou que este tipo de conduta não condiz com um dos “principais valores da corporação, que é a preservação da vida e dignidade humana”.

O corpo de Cláudia, velado por mais de duzentas pessoas, foi sepultado, na tarde desta segunda-feira. O enterro foi seguido de um protesto dos moradores da comunidade contra a violência policial. A polícia não deu informações sobre a origem da bala que matou Cláudia quando ia comprar pão.

O doloroso adeus do esposo
O doloroso adeus do esposo

Subtenente matou 63 favelados e mais a mulher arrastada pelo carro da polícia de Sérgio Cabral

Como é possível um serial killer ficar solto nas ruas, depois de 63 mortes, a procurar nas favelas, na chamada ação pacificadora da polícia, sua próxima vítima?

Foi preso agora, porque filmado, na viatura militar que arrastou um mulher viva, pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro. Uma trabalhadora negra, mãe de quatro filhos, que se transformou na vítima n. 64. Isto é, apenas um número na longa e sangrenta lista de assassinatos de um bandido, pistoleiro fardado.

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Informa o portal Terra: Os três policiais militares (PMs) presos por terem arrastado a auxiliar de serviços Claudia Silva Ferreira, no Rio de Janeiro, constam como envolvidos em 62 autos de resistência (mortes de suspeitos em confrontos com a polícia). Pelo menos 69 pessoas morreram em supostos tiroteios com os três soldados estaduais desde 2000. As informações foram publicadas no jornal O Estado de S. Paulo.

O recordista é o subtenente Adir Serrano Machado, com envolvimento em 57 registros de autos de resistência (com 63 mortos). O subtenente Rodney Archanjo aparece em cinco ocorrências (com seis mortos). Já o sargento Alex Sandro da Silva Alves não tinha participação em nenhum auto de resistência até o último domingo, quando um adolescente de 16 anos, suspeito de envolvimento com o tráfico, morreu durante a operação no Morro da Congonha, em Madureira, zona norte, onde Claudia morava.

Os policiais foram presos em flagrante no domingo, por determinação do comando do 9º Batalhão da PM. Eles são acusados de negligência na prestação de socorro à auxiliar de serviços Cláudia Ferreira da Silva, após ser baleada no Morro da Congonha, durante operação da PM no último sábado, que acabou arrastada depois de cair do porta-mala do carro dos policiais. O trio foi enquadrado no crime de “deixar, no exercício de função, de observar lei, dando causa direta à prática de ato prejudicial à administração militar”, previsto no artigo 324 do Código Penal Militar.

Deviam ser acusados pelas monstruosidade de mais um assassinato frio, covarde, impiedoso, com a marca da brutalidade das invasões da polícia nas favelas.

E os outros trucidamentos serão investigados? Certamente que não.

Para a polícia, comandada por Sérgio Cabral, foi cousa de pouca conta, um “ato prejudicial à administração’, que teve um protesto sem importância política, com a presença de 50 moradores.

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Protesto de 50 negros. Isso não quer dizer nada
Protesto de 50 negros. Isso não quer dizer nada

Até agora a PM não liberou os retratos dos bandidos fardados.

Brasil sexualmente perturbado. E trinta crimes que abalaram o país

1988

Maníaco do Parque do Estado, na divisão de São Paulo e Diadema, seduzia as vítimas com falsas promessas de emprego em uma agência de modelo. Matou oito mulheres, entre 1987 e 1988.

2002

Assassinato da atriz Daniella Perez. Um crime que envolve sexo e fornecimento de drogas para o elenco das novelas da tv Globo.

Daniella Perez
Daniella Perez

Os irmãos Cravinhos matam o casal Manfred e Marísia von Richotofe. Não ficou esclarecida a verdadeira motivação da jovem Suzane, que estudava Direito, para participar da chacina dos pais

Suzane Richtofen
Suzane Richtofen

Também em 2002, o cirurgião plástico Farah Jorge Farah mata e esquarteja a amante.

2003

Liana Friedenbach, 16 anos, e o namorado Felipe Silva Caffé, 19 anos, foram acampar em um sítio abandonado na Grande São Paulo. Era um esconderijo de criminosos.  Mantidos em cativeiro, Felipe foi morto no primeiro dia. Liana, antes de morrer, sofreu tortura e estupros durante quatro dias.

 

Liana Friedenbach
Liana Friedenbach

2004

No norte do Rio Grande do Sul, Adriano da Silva confessou o assassinato e estupro de doze meninos, entre 2003 e janeiro de 2004.


A jornalista Beatriz Helena de Oliveira Rodrigues foi queimada viva pelo marido, empresário Luiz Henrique Sanfelice, em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul.

Beatriz Helena
Beatriz Helena

2006

A jornalista Sandra Gomide, vítima de assédio sexual no trabalho, é assassinada, em 2006, por Pimenta Neves, diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo.

Sandra Gomide
Sandra Gomide

2008

Desde 2004, com a ditadura militar, que jovens pegam sumiço na noite. O Brasil não mudou nada. Quem não teme uma batida policial? Foi o que aconteceu com a engenheira Patrícia Franco, 24 anos, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A lista de belas brasileiras desaparecidas são casos de estupro e morte.

Patrícia Amieiro Franco
Patrícia Amieiro Franco

A inglesa Cara Marie Burke foi esquartejada por Mohammed D’Ali Carvalho dos Santos, em Goiânia. Veja entrevista do frio assassino.

Cara Marie Burke
Cara Marie Burke

Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, morta com um tiro na cabeça, após ser mantida refém por quase 101 horas pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, de 22 anos, em Santo André, no ABC paulista.

Eloá Cristina Pimentel
Eloá Cristina Pimentel

2010

Entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010, em Luziania, Goiás, o pedreiro Ademar Jesus da Silva, sequestrou, abusou sexualmente e matou sete jovens entre 13 e 19 anos.

O goleiro Bruno, do Flamengo, mandou sequestrar e manteve em cativeiro a amante Eliza Samudio, que terminou esquartejada, e pedaços do corpo jogado aos cães, e o cadáver enterrado em um cemitério clandestino, possivelmente usado por policiais militares em Belo Horizonte. Cemitérios clandestinos criados na ditadura. Em um deles, no Rio de Janeiro, enterraram o pedreiro Amarildo.

Esta lista foi elaborada pelo Portal terra. Veja mais. Acrescentei fotos do arquivo do Google.

Na relação de crimes, sem conotação sexual, relacionaria as mortes anunciadas de togados e jornalistas no exercício da profissão, as chacinas dos sem terra e dos sem teto, dos moradores de rua, as vítimas dos despejos judiciais (suicídios), das demissões sem causa em datas de fortes emoções – aniversário, Natal, Ano Novo – , que também podem terminar em autodestruição. O histórico desses suicídios indicam casos de stalking, assédio moral e assédio sexual.

O que tem de escondido na entrevista do secretário de Segurança do governador Eduardo Campos?

polícia estudante passeata greve

Para a catarse da classe média, a transformação do secretário Damásio em bode expiatório, pela reveladora e sincera (sem cera) entrevista que concedeu.

O escândalo não está na confissão, mas nos atos e omissões. Nos crimes praticados, e impunes. Nas palavras que escancaram atrocidades contra o povo, que continuarão a ser cometidas pelo terrorismo policial.

Nenhuma fala sobre a repressão policial contra os Amarildos favelados; os meninos Marcelos Pesseghini, que de assassinado passou a ser serial killer; nem sobre o jovem Douglas Rodrigues, aquele que perguntou para um soldado: – Por que o senhor atirou em mim?

Damásio foi nomeado secretário por Eduardo Campos, e deixou o cargo porque quis, e saiu elogiado pelo governador.

A opinião constitui uma ação passiva, e ninguém, necessariamente deve ser punido por revelar seus pensamentos ou expressar suas opiniões, que são ações passivas; e sim quando as palavras se transformam em atitudes e comportamentos, que são ações ativas.

O que fez Damásio, para incomodar tanto? Mostrou que a polícia de Eduardo Campos não difere das polícias comandadas pelos governadores Alckmin, Sérgio Cabral e outros.

Nesta segunda-feira, a partir das 19h, nos escombros de casas demolidas para construção do Ramal da Copa, nas proximidades do Terminal Integrado da cidade da Região Metropolitana do Recife, removidos pelas obras da Copa do Mundo que receberam ou não suas indenizações prometem se reunir para um Natal diferente.

A visita ao Jesus despejado, que nasceu em uma manjedoura, reunirá famílias que moravam no Loteamento São Francisco (Camaragibe) e em outras comunidades atingidas pela Arena Pernambuco e por obras de mobilidade que estão sendo construídas para o Mundial de 2014 em Pernambuco.

No Estado, mais de 2.000 famílias foram ou serão removidas por obras do Mundial de 2014. Além dos removidos em Camaragibe, onde 129 residências estão sendo demolidas para as obras do Terminal Integrado da cidade e do Ramal da Copa, devem participar também representantes de outras comunidades como Cosme e Damião, São Lourenço da Mata e do Coque.

No Brasil, entre 170 mil e 250 mil pessoas estão sendo obrigadas a sair de suas casas para dar espaço a obras realizadas para o Mundial de 2014, segundo estudo da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa. Leia mais e veja galeria de fotos.

Que significa “mobilidade”, quando não se faz nada que preste para o povo?

Disse o Papa Francisco em sua mensagem natalina: “Há tantas famílias sem casa, seja porque nunca tiveram ou porque perderam por tantas razões diferentes. Famílias e casas andam de mãos dadas. É muito difícil de conduzir uma família para a frente sem ter uma casa”.

 

APAGÃO VERBAL, MENTAL E MORAL

polícia funk

por Dorrit Harazim, O Globo

A entrevista durou cerca de uma hora e meia e foi concedida na manhã da sexta-feira 22 de novembro.

Além de Wilson Damázio, secretário de Defesa Social de Pernambuco, estavam presentes na sala o corregedor adjunto Paulo Fernando Barbosa, o ouvidor Thomas Edison Xavier Leite de Oliveira e a gerente do Centro Integrado de Comunicação, Ana Paula Alvares Cysneiros.

O tema investigado pela repórter Fabiana Moraes, do “Jornal do Commercio”, eram as abordagens sexuais de policiais militares contra mulheres jovens, pobres e negras de Recife.

Mais especificamente, as denúncias de práticas abusivas por integrantes do Grupo de Ações Táticas Itinerantes (Gati), das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) e da Patrulha do Bairro, uma das principais vitrines da gestão do governador Eduardo Campos, provável candidato à Presidência em 2014.

A entrevista com Damázio encerrava a robusta série de artigos da repórter sobre o tema e foi publicada na edição desta quinta-feira. Vale repetir aqui, na íntegra, os trechos que desembocaram na demissão do secretário.

Não por representarem a parte dominante da entrevista. Em duração, são parte desprezível (pouco mais de um minuto, do total de 57 minutos de gravação). Em conteúdo, porém, ofuscam todo o resto e por isso mesmo merecem exposição nacional — até para não serem varridos para baixo da árvore de Natal.

Indagado sobre a ausência de registros de denúncias de policiais que pedem para ver os seios de meninas ao fazer uma abordagem ou praticam outros abusos, o secretário conjecturou:

“Desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu? Lógico que a homossexualidade não quer dizer bandidagem, mas foge ao padrão de comportamento da família brasileira tradicional. Então, em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia… né? A linha em que a polícia anda, ela é muito tênue, não é?”

De acordo com números do Centro de Vulnerabilidade Social LGBT, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, o levantamento parcial para o ano de 2013 lista 22 casos de homossexuais assassinados em Pernambuco.

Em 2012 os homicídios de gays computados pela entidade foram 35, embora o secretário Damázio contestasse o número afirmando que metade desses crimes possa ter tido motivação passional, interesse financeiro, drogas, bebida ou similares.

Entidades atuantes como o Grupo Gay da Bahia, contudo, há anos listam Pernambuco no topo dos estados brasileiros em número de crimes de homofobia proporcionais à população.

No início deste mês de dezembro o governo de Eduardo Campos tomou a alvissareira medida de transformar em crime casos de violência e discriminações contra a comunidade LGBT.

Voltando à entrevista. Já quase no final, a repórter mencionou um escândalo ocorrido em Fortaleza três anos atrás quando câmeras instaladas em carros de polícia filmaram agentes fazendo sexo oral em mulheres no interior dos próprios veículos.

Comentário do então ainda secretário de Defesa Social, na presença do corregedor adjunto, do ouvidor e da gerente de Comunicação:

“Tem muitos problemas com a polícia, mulheres, principalmente… O policial exerce um fascínio no dito sexo frágil… Eu não sei por que é que mulher gosta tanto de farda. Todo policial militar, civil eu não sei, dos mais antigos tem duas famílias, tem uma amante, duas. É um negócio. Eu sou policial federal, feio pra caramba… A gente ia pra Floresta (Sertão), pra esses lugares. Quando a gente chegava lá, colocava aquele colete, as meninas ficavam tudo (sic) saçaricadas e… Às vezes [tinham] namorado, às vezes [eram] mulheres casadas. A moral delas é diferente da gente. Pra elas, é o máximo tá dando pra um policial… Dentro da viatura, então, o fetiche dela vai lá em cima, é coisa de doido”.

A tóxica entrevista disseminou indignação de intensidade black bloc para todos os lados. Às três da tarde da própria quinta-feira, representantes de 26 entidades de direitos civis do estado já decidiam uma primeira tomada de posição.

Nas redes sociais o assunto fervia e a exoneração do secretário antes de o dia acabar não surpreendeu ninguém. Para usar as próprias palavras de Damázio, “em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia…”

Depois de 30 anos de carreira policial, primeiro como agente da Civil, depois como agente, delegado e superintendente da Federal, além das duas gestões consecutivas na secretaria, Damázio não soube evitar os cacoetes epistolares comuns a demissionários lotados de culpa.

Referiu-se a “declarações a mim atribuídas”, apesar de ele poder ouvir a gravação da própria voz na internet, se desejar. Sustentou que seus pensamentos não constituem seus pensamentos e declinou com estridência o verbo repelir. Também pediu desculpas a quem “porventura” tenha se ofendido com as declarações. Porventura?

“Não pensei duas vezes”, arrostou Eduardo Campos tonitruante ao justificar que aceitara a renúncia para não permitir que o episódio interferisse na sua política pública de segurança.

Tivesse pensado duas vezes talvez lhe ocorresse não lamentar a saída de Wilson Damázio. Nem se referir aos “bons serviços prestados” pelo secretário na nota protocolar de exoneração — há vezes em que mesmo frases obrigatórias soam melhor quando omitidas.

Damázio deveria ter sido demitido não por ter feito declarações que “motivaram críticas e cobranças”. Sequer deveria ter ocupado o cargo por pensar o que diz.

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