“Castração química para os nordestinos que votaram em Dilma”

preconceito_-_nordeste_ dilma

por María Martín/ El País/ Espanha

 

Os nomes e perfis dos usuários que inundaram as redes sociais de ataques preconceituosos contra os nordestinos já estão no Ministério Público Federal. As unidades de todo o Brasil receberam de domingo a quarta-feira 131 denúncias por racismo nas redes sociais, 85 delas atacavam especificamente os nordestinos, mais de 20 por dia, conforme um levantamento feito para o EL PAÍS. A procuradoria analisará cada uma dessas denúncias individualmente.

Os ataques vêm de todos os cantos. Uma auditora de Trabalho de Cuiabá, no Mato Grosso, desabafou:

“Desculpem nordestinos, mas essa região do Brasil merecia uma bomba como em Nagasaki, para nunca mais nascer uma flor sequer em 70 anos. #pqp #votocensitáriojá [sic]”. A piada pode lhe custar o cargo, depois da denúncia feita na ouvidoria do próprio Ministério.

E tem mais. Um coletivo de 100.000 médicos ou estudantes de medicina tem uma página própria no Facebook onde ficam à vontade para pedir a castração química dos nordestinos, pregar por um holocausto na região e fazer campanha pró-Aécio.

“70% de votos para Dilma no Nordeste! Médicos do Nordeste causem um holocausto por aí! Temos que mudar essa realidade!”, diz um dos posts. O curioso é que uma das regras para ser admitido no grupo é a seguinte: “Não admitimos desrespeito entre colegas, xingamentos, piadas desrespeitosas, ofensas, acusações descabidas ou condutas que não sejam dignas da classe”.

Lula

suplicy

“A maneira como as pessoas estão repudiando o PT, a quantidade de ódio e energia destinada, a demonstração de esse repúdio irracional não é só política. Essa queixa contra o voto dos nordestinos é uma forma de expressar o ódio de classe”, afirma Maria Eduarda da Mota Rocha, pesquisadora e professora de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco, que escreveu sobre este episódio rotineiro para o EL PAÍS. “No fim das contas ainda temos uma sociedade com um passado escravocrata muito próximo e que não consolidou a ideia de igualdade. Estamos vivendo um momento no Brasil de perda de privilégios exclusivos, uma ferida muito sensível para as elites”.

Para o pesquisador italiano Alessandro Pinzani, co-autor do livro Vozes do Bolsa Família, o episódio o recrudescimento dos ataque aos nordestinos em campanha eleitoral é um exemplo do “fim da cordialidade brasileira”. “Nos últimos anos se mostrou a verdadeira face da luta de classe no país, justamente porque o Governo petista começou a fazer políticas para população de baixa renda e imersos na pobreza extrema. O brasileiro tradicional da elite se sente inseguro respeito a isso, e transforma a insegurança em uma raiva que encontra como objeto, entre outros, o Governo”, afirma Pinzani.

O pesquisador, professor da Universidade Federal de Santa Catarina e há dez anos no Brasil, se mostra surpreso diante o rechaço ao Governo Dilma. “Morei nos Estados Unidos na época de George Bush filho e na Itália com Silvio Berlusconi e nunca vi este grau violento de rechaço que vemos aqui”, explica. “O que essa elite esquece, que sequer sabe, qual é o valor médio do Bolsa Família, e que é um dos cerca de 60 programas de combate a pobreza. O programa atinge uma parcela da população que não tem escolha. Ali não existe isso de aplicar o ditado de ‘ensinar a pescar ao invés de dar o peixe’. No sertão não tem peixe! Não tem nada!. E nunca vai ter nada. Porque nenhuma empresa vai abrir nada em meio do nada, sem uma infraestrutura, com uma população despreparada. Os beneficiários não querem isso por comodismo, eles não tem alternativa, além de emigrar”.

eleitor pt

sao paulo antipt

 

Até o comentário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre os eleitores do Partido dos Trabalhadores, colocou lenha na fogueira. “O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados”, disse FHC em uma entrevista.

Enquanto isso nordestinos como Bruno, nascido em Pernambuco, mas residente em São Paulo tem que acelerar o scroll da sua timelime para evitar algumas das barbaridades que vimos nesses dias. Ele conta como na noite da eleição encontrou sua mulher Karina chorando em frente à tela do computador.

– O que foi?

– Nada.

“Em seguida, reparei no que estava acontecendo”, lembra Bruno.

– Você ficou lendo coisas de nordestinos no Facebook, é isso né? Por favor, não ligue eu já estou acostumado com isso.

 

Transcrevi trechos. Ilustrações: Memes do arquivo Google e do blog anticomunista Homem Culto (todo nordestino é matuto, bronco, burro, pobre, analfabeto e não sabe votar)

 

 

Marina não acredita na medicina brasileira. Veja relato da incompetência dos médicos

mais médico contra afavor

 

“O Mais Médicos é, sem sombra de dúvida, um programa paliativo, disse Marina Silva (PSB).

Dilma (PT) respondeu: “O Mais Médicos não é um programa paliativo. Ninguém que está doente acha que sua saúde é paliativa”.

Os que defendem a medicina privada vão votar em Marina, e desconhecem o que ela pensa dos médicos brasileiros.

Relata Planeta Sustentável]: O inferno astral.

Marina Silva foi desenganada pelos médicos quatro vezes.

Na primeira delas, tinha 16 anos e ouviu um doutor do serviço público dizer para sua tia: “A alma dessa menina já está no inferno“.

Uma hepatite tratada como malária deixou a jovem prostrada na cama por um ano. Os remédios destruíram seu fígado. Para cuidar da saúde, Marina teve que abandonar o trabalho na extração de borracha em Seringal Bagaço e se mudar para a capital do Acre, a 70 quilômetros dali.

Ao ouvir a profecia do médico, a garota irritou-se e disse: “Eu não morro de jeito nenhum”. Salvou-se. Três anos depois, contraiu nova hepatite. Daquela vez, a situação era mais grave. Teve que ser internada. Certo dia, do leito, ouviu uma conversa entre um médico e uma freira. “Ela tem cirrose e vai morrer”, disse o doutor. “Vou morrer nada”, respondeu Marina. Resolveu deixar o hospital e foi obrigada a assinar um termo de compromisso isentando os médicos de responsabilidade caso o pior acontecesse. De lá, Marina seguiu para a residência de dom Moacir Grecchi, então bispo da cidade, e contou que morreria, se não fizesse um tratamento em São Paulo. O bispo providenciou para que a menina de 19 anos fosse encaminhada ao hospital São Camilo, na zona oeste paulistana. Após longo período de cuidados médicos, curou-se.

Em 1991, durante o mandado de deputada estadual e depois de ter enfrentado novas hepatites e malárias, Marina Silva recebeu seu terceiro aviso de morte. Sentia na boca um gosto terrível, como se chupasse moedas. Sofria de dores insuportáveis. Era virada e revirada pelos médicos do hospital Albert Einstein, centro de referência de saúde em São Paulo, e nada se descobria. Depois de incontáveis exames, detectou-se a presença de metais pesados no seu organismo. No passado, quando havia tido leishmaniose – uma doença que deixou uma cicatriz no seu nariz -, Marina tomou remédios tóxicos, que eram amplamente receitados para os doentes pobres da sua cidade natal. A fatura pela imprudência médica começava a chegar. Ela sarou da leishmaniose, mas foi contaminada por mercúrio. Marina passou um ano e oito meses deitada na cama da sogra, em Santos, no litoral paulista. No meio do calvário, descobriu-se esperando um bebê do marido, o técnico agrícola Fábio Vaz. Aos oito meses de gravidez, pesava 47 quilos. Dos médicos, ouviu que talvez não sobrevivesse ao parto. Repetiu o mantra: “Não morro de jeito nenhum”. A filha nasceu prematura e Marina ficou em tal estado de debilitação que mal conseguia manter-se de pé.

Três anos depois, no Senado, Marina Silva continuava com a saúde em frangalhos. Conseguia autorização especial para discursar sentada – o que é proibido pelo regimento interno da casa. Viajou para o Chile e os Estados Unidos para tratar da saúde. Não percebia nenhum sinal de melhora. Ao contrário, sentia-se até pior. Queixou-se a seu médico particular, Eduardo Gomes, de que nem mesmo a internação no Massachusetts Hospital havia melhorado seu estado. Ouviu, então, a seguinte frase: “A senhora não precisa de um médico. A senhora precisa de um milagre”.

Brasília erro médico hospital saúde

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saúde

Na Espanha, médicos estão realizando marchas e greves contra a privatização da saúde
Na Espanha, médicos estão realizando marchas e greves contra a privatização da saúde

As duas faces de Patrícia Poeta. A Bonner de saia justa entrevista Dilma Rousseff

A raivosa

Com cara de nojo e dedo em riste, Patrícia Poeta entrevista a presidente do Brasil
Com cara de nojo e dedo em riste, Patrícia Poeta entrevista a presidente do Brasil

A amorosa

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Patricia 2

De olhos fechados, Patrícia poeta com o veterano locutor Galvão Bueno
De olhos fechados, Patrícia poeta com o veterano locutor Galvão Bueno

Transcrevo do 247:

Foi inacreditável a ação eleitoral do Jornal Nacional contra a presidente Dilma Rousseff; William Bonner fez perguntas quilométricas; Patrícia Poeta chegou a fazer cara de nojo e a colocar o dedo em riste diante de Dilma em razão do “nada” que teria sido feito na área da saúde em 12 anos, ditos com ênfase pela apresentadora; Dilma mal teve a oportunidade de responder perguntas que eram acusações, como sua suposta incapacidade de se cercar de pessoas honestas e os números da economia; quando teve oportunidade falar, Dilma disse que seu governo “estruturou o combate à corrupção” e que “nenhum procurador foi chamado de engavetador-geral da República”; ela lembrou ainda o baixo desemprego e a inflação que se aproxima de zero nos últimos meses; não foi entrevista, foi agressão, fora de qualquer padrão civilizado de jornalismo; presidente conseguiu falar sobre o progama Mais Médicos e informar que a inflação está baixando, com zero de elevação em julho

VESTIDOS DE PRETO PELA MORTE DE CAMPOS, AGREDIRAM DILMA

247 – Com posturas até então desconhecidas do grande público, os apresentadores William Bonner e Patrícia Poeta deixaram a elegância de lado e partiram para o ataque sobre a presidente Dilma Rousseff, na entrevista ao Jornal Nacional concedida no Palácio da Alvorada, em Brasília, nesta segunda-feira 18. Ambos estavam vestidos de preto, indicando luto pela morte do ex-governador Eduardo Campos, cujo último compromisso eleitoral foi a entrevista da quarta-feira 13. Eles não dirigiram nenhuma pergunta sobre o fato à presidente.

Bonner parecia o mais irritado, mas Patrícia não quis ficar atrás. Ela chegou a apontar, em riste, o dedo para a face próxima da presidente, insistindo que o governo dela e do ex-presidente Lula não fizeram “nada” na área da saúde. A presidente conseguiu dizer, entre interrupções da entrevistadora, que hoje, ao contrário do passado, o atendimento de saúde pública atinge 50 milhões de brasileiros.

No início da entrevista, Bonner perguntou, por mais de um minuto, sobre “corrupção e malfeitos”, citando uma série de ministérios e também a Petrobras.

– Qual a dificuldade de formar uma equipe de governo com gente honesta?, questionou ele, mais ao estilo botequim de esquina do que o que emprega normalmente, todos os dias, à exceção dos domingos, na bancada do JN. O jogo de apertar a presidente ficou claro desde o primeiro momento.

A própria Dilma percebeu e não se intimidou com a postura da dupla. Procurou responder a todas as perguntas e manter a calma, mas não dando as respostas que Bonner e Patrícia esperavam. Dilma tinha argumentos na ponta da lingua.

– Fomos o governo que mais estruturou o combate à corrupção e aos malfeitos, respondeu ela.

– Nenhum procurador geral da República foi chamado no meu governo de engavetador geral da República”, acrescentou, numa referência nada sutil a Geraldo Brindeiro, dos tempos do governo Fernando Henrique.

BONNER NUNCA FIZERA PERGUNTAS TÃO LONGAS E EM TOM TÃO DURO

O âncora do Jornal Nacional insistiu no tema da corrupção, usando cada vez mais ênfase sobre a presidente:

– Um grupo de elite do seu partido foi condenado por corrupção, são corruptos, posso dizer por que a Justiça já julgou, mas o seu partido protegeu essas pessoas. O que a sra. acha dessa postura do seu partido?

Dilma não respondeu diretamente, optando por lembrar sua posição institucional:

– Enquanto eu for presidente da República, não externarei opinião pessoal sobre decisões do Supremo Tribunal Federal. Eu tenho a minha opinião, mas não vou externá-la.

– Mas o que a sra. diz sobre a postuta do seu partido? A sra. não diz nada?

– Olha, Bonner, eu não vou entrar nisso de me manifestar contra a decisão de um poder constitucional. Isso é muito delicado, merece o meu maior respeito.

PATRÍCIA APONTOU O DEDO EM RISTE PARA A PRESIDENTE

Patrícia, que até então estava calada, perguntou sobre saúde, afirmando que “nada fora feito” nos governo Dilma e Lula, e que “as filas se multiplicam nos hospitais e postos de saúde”. Dilma, outra vez, procurou responder sem aceitar a indagação como provocação.

Patrícia não gostou do que ouviu, e lá veio Bonner atacar de novo:

– A sra. considera justo culpar ora a crise econômica internacional, ora os pessimistas pelo baixíssimo crescimento da economia brasileira, pela inflação alta?

– A inflação cai desde abril, Bonner, agora mesmo saiu um dado oficial mostrando que houve zero por cento de aumento de preços em julho. Por outro lado, todos os dados antecedentes ao segundo semestre, aqueles que anunciam o que vai acontecer na economia, mostram que haverá crescimento em relação ao primeiro semestre.

Bonner não pareceu satisfeito com a resposta, mas em razão do tamanho das perguntas que havia feito antes, percebeu que o tempo de 15 minutos estava estourando. Foram, de fato, questionamentos quilométricos os que ele fez.

– Eu vou garantir um minuto para a sra. encerrar, disse ele, visivelmente insatisfeito.

– Obrigado, Bonner, eu quero dizer que acredito no Brasil, reiterou Dilma, que ainda foi mais duas vezes interrompida para que fosse cumprido o tempo estabelecido.

– Eu compreendo, vou suspender a minha fala, encerrou Dilma, com classe, diante dos entrevistadores que se mostraram em pleno ataque de nervos.

 

 

TV Globo ditadura

Médicos cubanos pegam as crianças pobres

O Mais Médicos e a derrota dos tucanos

Bebê fotografado pelo repórter Dario de Negreiros em Curralinho, Pará, cidade que recebeu médicos cubanos
Bebê fotografado pelo repórter Dario de Negreiros em Curralinho, Pará, cidade que recebeu médicos cubanos

“Mais Médicos” derrota os tucanos

Por Altamiro Borges, em seu blog, via Vermelho

Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), divulgada nesta quinta-feira, indica que o PSDB pode colher péssimos resultados por sua oposição raivosa, elitista e oportunista ao programa “Mais Médicos”. Segundo a sondagem, o apoio da sociedade à corajosa iniciativa do governo Dilma cresceu nos últimos meses e chega a 84,3%. Na pesquisa anterior, de setembro, o percentual dos que apoiavam o ”Mais Médicos” era 73,9% – em julho, era de 49,7%. Atualmente, apenas 12,8% dos entrevistados não apoiam o programa do governo federal.

Quando a presidenta Dilma anunciou a medida, ainda sob o impacto dos protestos de rua, os tucanos e mídia privatista fizeram de tudo para incendiar a rejeição ao programa. Eles apoiaram as entidades médicas que, por motivo corporativos, criticaram a iniciativa. Vários senadores tucanos esbravejaram contra o ”Mais Médicos” – em cenas deploráveis que estão gravadas. A população, porém, não caiu no discurso elitista e eleitoreiro. Como indica a mesma pesquisa da CNT, a questão da saúde pública é vista como um grave problema pela sociedade – 87,4% avaliam que o setor precisa de melhorias.

Nem mesmo a retórica xenófoba e racista dos setores mais reacionários conseguiu iludir a sociedade. Ainda de acordo com a pesquisa CNT, 66,8% dos consultados acreditam que os médicos estrangeiros estão capacitados para atender à população brasileira. Lançado em 8 de julho, o programa visa levar médicos – brasileiros e estrangeiros – a regiões mais carentes e com déficit de profissionais da saúde. Segundo o Ministério da Saúde, 2.167 médicos estrangeiros desembarcaram no Brasil em outubro e se somaram a outros 1.499 profissionais no atendimento a 13 milhões de brasileiros.

Diante dos êxitos, a oposição tucana e sua mídia farão de tudo agora para desqualificar o programa, apontando falhas pontuais e localizadas. Já os mais espertos — e por falta de oportunidade não faltam oportunistas neste mundo — tentarão pegar carona no “Mais Médicos”. José Serra, o eterno candidato, inclusive já afirma que sempre apoiou o programa do governo Dilma. Só falta dizer que é criação sua — como já fez com outros programas de sucesso.

mais médico pequena cidade

Leia também a série especial do Viomundo sobre os médicos cubanos no Pará:

Repórter visita médicos cubanos e pergunta: Onde está a blindagem?

Em Curralinho, tucano foi acusado de desviar R$ 9 mi da Saúde

“Parece que estou sonhando”, diz cubana que vai enfrentar o pior IDH

médico

mais médico graduação exterior

Larvas devoram o rosto e a dignidade de idoso largado no Hospital Geral do Estado de Alagoas

QUATRO DIAS DE DESCASO MÉDICO

por David Soares

 

A cena é de lamentável desrespeito aos Direitos Humanos. E despertou  a inércia deste blog. O paciente José Amaro da Silva, que deu entrada no Hospital Geral do Estado (HGE) no fim da tarde da última quinta-feira (31), desde então, agoniza em uma maca da unidade de saúde administrada pelo governo de Teotonio Vilela Filho (PSDB).

O paciente tem câncer de boca e uma colônia de larvas de moscas se movimentam no ferimento exposto. Não resisti em publicar as fotos sem desfocar sua castigada face, porque a imagem já desfigurada serve para mostrar a realidade da saúde pública no interior e na capital do Estado de Alagoas e deve ajudar a sensibilizar os gestores da unidade de saúde pública que parecem não enxergar tal descaso.

CARA DOS GOVERNADORES TUCANOS. Larvas devoram a dignidade do paciente em corredor do HGE
CARA DOS GOVERNADORES TUCANOS.
Larvas devoram a dignidade do paciente em corredor do Hospital Geral do Estado de Alagoas

 

O paciente é proveniente de Jundiá. E, segundo o denunciante, deveria ter sido atendido por um profissional da odontologia, que chegou a examinar o idoso, mas não fez nenhum procedimento de retirada das larvas ou limpeza do ferimento. Em vez disso, encaminhou o caso para especialistas em cabeça e pescoço, que até as 7h da manhã deste sábado (02) ainda não haviam realizado nenhum procedimento. E apesar de sua situação de risco, sua ficha não foi marcada devidamente, no campo “classificação de risco”.

 

A NECESSIDADE DE MÉDICOS ESTRANGEIROS NAS CAPITAiS. Ficha médica do paciente, que deu entrada na quinta-feira
DA NECESSIDADE DE CONVOCAR MÉDICOS ESTRANGEIROS PARA AS CAPITAiS.
Ficha médica do paciente, que deu entrada na quinta-feira

 

As imagens foram feitas por um profissional de saúde indignado, que chegou a apelar para estagiários de odontologia para encaminhar o paciente para o setor cirúrgico e amenizar a dor do senhor José Amaro, que tenta chamar por socorro, mesmo sem conseguir ser entendido. Os estagiários disseram que precisariam de autorização do odontólogo, que teria dito que “já fez o que poderia fazer”, ao encaminhar o problema para quem ainda não resolveu.

A fala do denunciante, em tom de desabafo, reproduzo na íntegra abaixo:

Paciente com câncer de boca infestado por larvas de mosca- miiase..agonizando no Hge, nos corredores..
Visão do inferno aqui na terra
Alagoas, terra de ninguém
Chamem a polícia, a swat, o Bope , alguma milícia pra fazer algo
Sadam russeim, osama bim ladem!
As larvas estão se mexendo, comendo os tecidos vivos e o resto de dignidade q o paciente ainda tem
Ver isso e nao fazer nada é outro absurdo, outra covardia…
Daí lembrei d vc, com suas palavras e seu poder d comunicação na mao.
Veja o q vc pode fazer q Alagoas agradece.
Abraço!

Conselhos e sindicatos de medicina vão conseguir se desmoralizar com o Mais Médicos

BRA_GDP médicos estrangeiros

Alguns Conselhos Regionais de Medicina e sindicatos de médicos do país vêm lutando, ao que parece, para se desmoralizar. No festival de implicância e conservadorismo, cinicamente disfarçado de “cuidado” com a população, para que médicos estrangeiros não tratem dos humildes, já se viu de tudo.  De vaia de patricinha médica a renúncia de presidente turrão de CRM. Até pat-jornalista entrou na onda do linchamento social comparando médicas cubanas a empregadas domésticas. O horror reacionário espuma.

A última notícia, sabida, em 2.out.2013, é da Advocacia-Geral da União (AGU) conseguindo na Justiça demonstrar que não houve qualquer ilegalidade na conduta de dois médicos de Pernambuco que funcionam como tutores do Programa Mais Médicos.

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), em discutidíssimo desvio de função, requereu abertura de processo administrativo ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) que, também em escancarado desvio de função agiu. Foi então “construída” uma falta ética aos médicos tutores. Mas a 3ª Vara Federal de Pernambuco não caiu na história. Instruída com provas pela AGU, ceifou a ideia de falha ética dos médicos Rodrigo Cariri e Paulo Roberto Santana, que precisaram de mandado de segurança contra o próprio órgão de classe, o CRM.

Médicos brasileiros, informalmente ouvidos, têm contestado o Programa Mais Médicos com um argumento no mínimo absurdo. Dizem que se eles aceitassem trabalhar nos rincões e confins do Brasil com “pouca infraestrutura” e se morresse um paciente atendido nestas situações, eles seriam “responsabilizados”. Haveria algum sentido nisso, se não se vivesse uma “guerra” pela ausência de médicos nos sertões, caatingas e zonas paupérrimas do Brasil.

Porém, o certo é que, nesta mesma guerra de ausência de profissionais, “qualquer” atendimento feito por um médico é melhor que nenhum. Por esta lógica perversa dos críticos, então, que morram várias pessoas pela ausência completa de médicos, já que não se pode enfrentar o risco de “uma” morte em mãos médicas. Ou o “medo” será de um processo judicial mesmo pela tal “possível” morte? Ou o medo é a revelação da incompetência? Várias questões se acumulam aí.

O Brasil jamais viveu uma perfeição clínica, médica, hospitalar e de atendimento aos desfavorecidos. Alegar ausência de “condições ideais” é, para falar pouco, farisaísmo. Ou canalhice mesmo. Ou, se se quiser, ideologia contrária ao Programa Mais Médicos, num descaramento político partidário em que se diz e alega tudo num pseudofundamento “técnico” para não se dizer, assumidamente, que o rechaço é porque o programa nasceu das entranhas do PT. E o povo? O povo que continue a se danar.

Medicina não obedece a estes argumentos. E ainda bem que o Judiciário – que está longe de pertencer ao PT-, tem cuidado para impedir falsas “razões” e “fundamentos”. O Programa Mais Médicos é um alento para desgraçados e necessitados, excluídos há décadas por um Brasil que continua a insistir em comparar negros e humildes com empregadas domésticas. OBSERVATÓRIO GERAL.

BRA^PR_DDC médico Ponta Grossa

mais médico cidade

 

Comentário do editor do blogue: Os conselhos e sindicatos defendem a privatização da medicina. E defendem a terceirização dos serviços médicos. Qaundo ninguém larga a mamata  da estabilidade dos empregos públicos como vantajosos bicos. (T.A.)

Defensores da medicina privatizada contra o Programa Mais Médicos para a saúde pública dos pobres

BRA_OG médicos barrados

O rico pega o jatinho particular e vai buscar cura no exterior. Nem sabe a língua do médico. Não é preciso. Existe a comunicação não verbal. Todo corpo fala.  Com o toque e a escuta  um médico conversa com qualquer corpo.

Por falta de tempo, uma consulta não dura cinco minutos. Taí os médicos brasileiros não usam mais o telescópio.

Os conselhos de medicina estão exigindo dos médicos estrangeiros o conhecimento da língua portuguesa. Mas existem outras exigências. Inclusive do STJ.

BRA^MA_OEDM médicos contra o povo

QUE OS MÉDICOS BRASILEIROS SEJAM PROIBIDOS DE PRATICAR A MEDICINA NO EXTERIOR. Eis a decisão:

O Superior Tribunal de Justiça confirmou validade da regra do programa Mais Médicos que impede a inscrição de estrangeiros oriundos de países que tenham profissionais abaixo da média do Brasil. Os ministros negaram pedido de um médico formado no Paraguai para continuar no processo seletivo do programa.

O profissional teve a inscrição recusada porque o Paraguai não pode participar do programa, pois tem relação de 1,1 médico por habitante. De acordo com as regras do programa, somente profissionais de países cuja média médica por habitante é igual ou superior a 1,8/1.000 podem se inscrever.

Segundo a AGU (Advocacia-Geral da União), que representa o governo na Justiça, o índice é usado com base em estudos da OMS (Organização Mundial da Saúde) para evitar que países com déficit de médicos cedam profissionais para outros países.

— O governo brasileiro optou por elaborar uma política pública que melhore a prestação dos serviços médicos no Brasil e não amplie o déficit nos sistemas de saúde de países que estão em pior situação que a brasileira.

BRA_DG médico

 O Brasil viola vários tratados internacionais. O STF nem sabe que os deslocamentos involuntários dos habitantes de favelas provocam suicídios, depressão e outras doenças psíquicas e físicas. Os despejos são assinados por juízes e desembargadores.
O STF, também, faz que não sabe que o uso de armas letais constitui crime hediondo. O Brasil gasta uma fortuna com balas de borracha, gás lacrimogêneo, pistolas de choque, canhão sônico etc.
Acrescente-se o costumeiro terrorismo dos sequestros e da tortura no país dos Amarildos.

BRA_OPOVO cocó

Por que enfermeiros e médicos brasileiros não usam o estetoscópio?

Stethoscope

Estetoscópio (do grego στηθοσκόπιο, de στήθος, stéthos – peito and σκοπή, skopé – exame), também chamado de fonendoscópio, é um instrumento utilizado por diversos profissionais, como médicos e enfermeiros, para amplificar sons corporais, entre eles:

Para usar o estetescópio é preciso

* Tempo (uma consulta brasileira dura menos de cinco minutos)
* Tocar o corpo do paciente (médico tem nojo do pobre povo pobre brasileiro)
* Privatização da medicina recomenda uma bateria de exames de laboratórios com seus sofisticados equipamentos importados. O comércio e a indústria agradecem

Clique nos links que você conhecerá a importância do uso do estetoscópio. Coisa dos médicos de antigamente.

O estetéscopio é um símbolo da profissão. Idem a bata. Bem que os estudantes gostam de exibi-lo. Raramente vi usado por uma enfermeira. Será que são proibidas pelo corporativismo?
O estetoscópio é um símbolo da profissão. Idem a bata. Bem que os estudantes gostam de exibi-lo. Raramente vi usado por uma enfermeira. Será que são proibidas pelo corporativismo?

Médica africana: no Brasil só é atendido quem tem dinheiro. “Um médico com um estetoscópio pode fazer muito mais tanto para o paciente quanto para a equipe”

Kátia Miranda é uma das médicas que participam do programa Mais Médicos. Foto Daia Oliver/R7
Kátia Miranda é uma das médicas que participam do programa Mais Médicos. Foto
Daia Oliver/R7

Nascida no Congo Belga, na África, especialista em medicina familiar e hematologia, Kátia Miranda, de 62 anos, atua há 36 anos na área.

Em conversa com o R7, ela revela que fala seis idiomas e já trabalhou em Portugal, Inglaterra, França, Bélgica, Espanha, Alemanha e Holanda.

— Sempre quis vir para cá e quando o meu filho casou com uma brasileira, essa vontade só aumentou. Não estou vindo pela conta bancária e, sim, pelas pessoas. Minha expectativa é ficar até o fim da vida aqui e usar meus anos de experiência para ajudar os brasileiros.

Kátia está impedida de trabalhar pelo Conselho de Medicina de São Paulo, que defende a privatização da Medicina, e contra o Programa de Mais Médicos.

Kátia se formou em Lisboa, e vai trabalhar em Indaiatuba, interior de São Paulo.

Escreve Brunna Mariel: Apesar de ter vivido muitas experiências em países desenvolvidos, a médica, filha de portugueses, disse que não vê diferença entre a infraestrutura da saúde pública do Brasil com a de países europeus, como Portugal e Espanha. Porém, ela revela que percebeu que existe uma grande diferença no tratamento do paciente.

Kátia diz que percebeu essas diferenças de postura não apenas durante seu treinamento de três semanas e na semana de acolhimento, mas também ao conhecer melhor a cidade de São Paulo.

— Você anda pela cidade e vê zonas muito pobres e zonas muito ricas. Sem contar as pessoas arrogantes que andam pela rua.

“Faltam médicos, não estrutura

Após visitar uma UBS (Unidade Pública de Saúde) no período do treinamento do programa, a estrangeira conta que notou que a infraestrutura das unidades “não deixa a desejar, mas que, sim, faltam médicos”.

— Vi que há uma grande equipe que tem vontade de trabalhar, mas faltam médicos. E um médico com um estetoscópio pode fazer muito mais tanto para o paciente quanto para a equipe.

— Aqui você é atendido de acordo com o dinheiro. Se você tem condições, você tem médico. Em países como a França, se você não tem condições de pagar a consulta de um especialista, o governo paga para você.

Ser médico no Brasil, um desafio para a reforma

por Catarina Gomes

Público/ Portugal

Espírito Santo
Espírito Santo

educação saúde

 

Busca de aventura e relações familiares são as razões da ida de médicos portugueses para o Brasil, onde o Governo criou um programa para preencher vagas em zonas carenciadas

Se não fosse o medo de cobras, a médica portuguesa Maria Teresa Pereira, de 59 anos, até poderia ter escolhido a Amazónia. Assim, dentro do desconhecido, optou por ir exercer para Almirante Tamandaré, na região de Curitiba, no Sul do Brasil. Não são médicos em início da carreira em busca de aventura, mas sim aposentados a maioria dos 17 médicos portugueses que saíram do país para exercer no Brasil, no âmbito de um programa do Governo brasileiro para colocar clínicos em zonas carenciadas. Maria Teresa encara a ida como “um desafio” na reforma. Depois de três semanas de formação, o trabalho no terreno começa esta semana.

Sempre leu literatura brasileira, sempre se sentiu ligada ao país, mas conhecer só mesmo o clássico: as férias no Nordeste brasileiro. Tinha pedido a reforma antecipada para fugir a mais cortes no salário e exercia medicina geral e familiar no sector privado, na Lourinhã, depois de ter passado a sua vida em centros de saúde. Criados os filhos, emigrados os filhos, há vários anos que ambicionava experimentar exercer medicina fora do país. Fazendo contas à esperança média de vida à nascença, Maria Teresa Pereira pode contar com mais duas décadas pela frente, e a vontade de desafios e de aprender não esmoreceu.

Tentava há anos ir para o Brasil, mas a burocracia e o que tinha de investir para o conseguir – só para equiparação do diploma teria de se deslocar ao país para fazer um teste escrito e outro oral – tinham adiado o projecto. Quando um doente lhe falou no programa Mais Médicos, que está a recrutar médicos para zonas carenciadas, nem hesitou. Toda a parte de equivalências era assegurada, e estava estipulado um salário mensal de 10 mil reais (cerca de 3200 euros). As ajudas de custo podem variar entre cerca de 30 mil reais (cerca de 9500 euros) e 20 mil (6500 euros), dependendo da região do Brasil.

Partiu sozinha. Esteve em formação três semanas e conheceu centenas de médicos de todo o mundo mas nenhum português, não faz ideia de quem são os outros. A Ordem dos Médicos não tem dados sobre estes clínicos, mas todos os que vieram contar a sua história são médicos que, entrados na reforma, procuram uma experiência profissional nova num país diferente, como Maria Teresa, ou que rumaram ao Brasil por razões familiares.

Miguel Soutim, médico reformado de 70 anos, enquadra-se na primeira categoria. “Em Portugal já me reformei e queria continuar a trabalhar”, contou à Lusa. “Nos últimos anos, fomos [Portugal] invadidos por brasileiros, médicos e doentes, agora as coisas viraram ao contrário, mas as relações são boas na mesma”, cita o site da Globo. O Departamento Económico e de Assuntos Sociais das Nações Unidas considera a rota Portugal-Brasil “um grande corredor migratório”. Em 2009, tinham ido para o Brasil 708 portugueses, em 2012 já foram 2247, cita a Lusa.

No caso da médica portuguesa Kátia Miranda, 61 anos, o que contou foi mesmo a família. Já trabalhou em diversos países além de Portugal, incluindo França, Inglaterra e Holanda, o último país onde esteve a morar. Agora, queria estar mais próxima do filho, casado com uma brasileira, e da neta, de sete anos, disse à Lusa.

Raul dos Reis Ramalho, 66 anos, especialista em cirurgia bucomaxilofacial, foi surpreeendido à chegada a Salvador da Baía. Por ter sido o primeiro médico estrangeiro a chegar à Baía teve direito a dezenas de microfones e câmaras de televisão. Os jornalistas queriam saber ao que vinha o estrangeiro. Afinal, não era assim tão estrangeiro. Morou em Salvador sete anos, entre 1976 e 1983. Neste período, formou-se na Faculdade Baiana de Medicina, escreveu o jornal local Correio. “Eu vim pela saudade, sempre sonhei voltar à Baía”, disse ele, aposentado em Portugal desde 2011. Há dois anos, um filho seu foi viver para Salvador com a mulher, uma baiana, para fugir à crise europeia. Foi ele quem lhe falou do programa.

Neste primeiro grupo, regressaram 27 brasileiros que estavam a exercer em Portugal. Maria José Cardoso da Silva, portuguesa, aposentada, de 64 anos, conheceu o marido, também médico mas brasileiro, Artur Cardoso da Silva, 65 anos, na Universidade de Coimbra, onde se formaram há 38 anos. Chegados a esta fase, acordaram que tinha chegado a altura de agora virem residir para o país dele. O casal, que morava no Porto, vai viver em Sabará, Minas Gerais. “Quando vimos este programa, meu marido insistiu comigo para vir. Eu senti muito que ele queria voltar”, cita o site Globo. “Estamos acostumados com programas comunitários, pois foi a nossa geração que implantou em Portugal o serviço de medicina comunitária.”

Dos 522 estrangeiros ou brasileiros formados no exterior que vão trabalhar no Brasil, a maior parte chega da Argentina (141) e de Espanha (100), mas também de Cuba (74). A seguir surge Portugal, com 45 médicos (os 17 médicos são os que já chegaram ao Brasil), e a Venezuela (42). Ao todo são de 32 países.

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