O QUE ESTÁ POR TRÁS DA DEMISSÃO DO DIRETOR DA VEJA

Eurípides vivia, pelas páginas da revista, anunciando a queda de Dilma. Mas quem caiu foi ele

 

 
por Paulo Nogueira

Muito pouco, muito tarde.

A remoção do diretor da Veja Eurípides Alcântara chegou com anos de atraso, e a rigor não significa quase nada exceto o desespero da Editora Abril.

É como um time de futebol que troca o técnico diante da ameaça do rebaixamento.

O novo diretor, André Petry, embora com uma longa passagem pela Veja no passado, é menos comprometido com o jornalismo criminoso adotado pela revista na Era PT.

Para mudar alguma coisa verdadeiramente você teria que mudar os donos da Abril, os Civitas.

E mesmo assim seria virtualmente impossível reconquistar a credibilidade destruída semana após semana. Recuperar a credibilidade jornalística é como recuperar a virgindade.

Há aspectos financeiros e comerciais no movimento. A Veja de 2016 não tem mais nenhuma condição de pagar o salário de um diretor como Eurípides, promovido nos dias de fausto da Abril.

Também deve ser considerada a esperança de voltar a receber dinheiro do governo mediante publicidade. Depois da capa indecente pró-Aécio no fim de semana da eleição, o Planalto, com fabuloso atraso, parou de anunciar na Veja e na Abril.

Nenhuma empresa jornalística brasileira sobrevive sem o governo, tanto mais na Era Digital. É uma dependência visceral, coisa de bebê com mãe.

Recentemente, um representante da Abril foi a Brasília pedir – suplicar – pelo retorno das verbas suprimidas. A missão foi um fracasso, naturalmente. Como dar dinheiro a uma revista e a uma empresa tão empenhadas num golpe a qualquer preço?

É presumível que a Abril retorne em breve a Brasília para mais uma vez mendigar recursos públicos, mas agora com um “fato novo”, um gesto de boa vontade.

Para que haja alguma chance, por absurdo que seja dar nova oportunidade a uma empresa com uma folha de crimes de tal monta, a Veja teria que ser reinventada imediatamente.

Aí começam os problemas.

O que você faz com os leitores de hoje, que se habituaram a um jornalismo primitivo, manipulador, sob medida para analfabetos políticos ávidos por bater panelas, ir para a Paulista embalados em camisas da seleção e pedir coisas como a volta do regime militar?

O que você faz com símbolos editoriais de tudo isso, como Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes?

Há um toque de comédia em tudo isso. Eurípides vivia, pelas páginas da revista, anunciando a queda de Dilma.

Mas quem caiu foi ele.

Foi, de longe, o pior diretor da Veja. Se ele poderia atribuir a Roberto Civita a linha abjeta da revista, depois da morte do patrão essa desculpa deixou de existir.

Fora um editor inepto e mal-intencionado Eurípides será lembrado como o pai do boimate, a mistura de boi e tomate que a Veja publicou nos anos 1980 ao tomar como verdade uma piada de Primeiro de Abril de uma revista científica americana.

Foi ele que editou essa aberração.

O historiador e colunista britânico Paul Johnson disse que não há nada mais morto que um editor aposentado.

Há sim: um ex-editor canalha.

Jornal de João Carlos Paes Mendonça ridiculariza Dilma Rousseff

Na campanha golpista para derrubar Dilma Rousseff, o Jornal do Comércio (Recife) divulga, nas versões impressa e on line, uma série de memes criados pelos movimentos de retorno da ditadura, e como propaganda de uma marcha programada para hoje de apoio a Eduardo Cunha, o ladrão que preside a Câmara dos Deputados, com o apoio dos “taradinhos do impeachment”.

coxinhas milhões cunha

Dos memes publicados, selecionei apenas dois relacionados com o texto sórdido e desonroso.

Eis a reportagem sacana, escruto deboche de um jornalismo marrom, vergonhoso, sectário, fanático e de lesa-majestade:

Memes de Dilma viralizam na internet com pérolas da presidente

De uma saudação à mandioca até a necessidade de uma tecnologia para o estoque de vento são os destaques

meme contra dilma

De uma “saudação à mandioca” até a necessidade de uma tecnologia para o “estoque de vento”.

Algumas frases da presidente Dilma Rousseff, incompreensíveis para qualquer homo sapiens sapiens – ou “mulheres sapiens”–, têm encontrado um terreno fértil na mente dos internautas que não perdoam e transformam em galhofa os deslizes da mandatária.

Os analistas apontam que tais representações, que lembram as tradicionais charges políticas, são mais comuns em anos eleitorais, mas estão aparecendo muito agora por conta da crise brasileira. Desde que não insultem, as representações precisam ser vistas com bom humor e não como uma agressão pessoal.

Até agora, a pérola mais célebre e replicada nas redes sociais foi dita na apresentação dos Planos e Metas do Programa Pronatec Jovem Aprendiz, em julho, quando Dilma solenemente proferiu: “Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta”. Pronto, é só colocar hoje no Google a palavra “meta” para que o buscador dê, entre outras, a opção “meta Dilma”, que leva o internauta ao conjunto de piadas feitas a partir da fala confusa da petista.

O cientista político e especialista em comunicação política Flávio Falcão lembra que não só a presidente é alvo dos memes, e que esse tipo de manifestação é usada, principalmente com teor crítico, em todas as áreas da sociedade. “Mas a atual conjuntura no Brasil leva a presidente para o centro das atenções. O ex-presidente Lula tinha frases tão célebres quanto Dilma, mas o petista não era tão retratado quanto ela pela popularidade que tinha”, explica. “É um resquício ainda da campanha eleitoral em que, nos debates, se faltaram propostas concretas para o País, foram férteis em momentos que permitiram os memes.”

O que o especialista pontua é a diferença entre meme e agressão, não se enquadrando na categoria do primeiro os insultos que também são vistos circulando na rede.

Outro que bombou na web foi a exaltação feita pela presidente à mandioca. Em discurso no lançamento dos Primeiros Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, em junho, ela saudou algo que, pelo menos em discursos oficiais, nenhuma outra autoridade tinha tido a sensibilidade de lembrar. “Então, aqui, hoje, eu tô saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil”, disse ela. A plateia sorriu e aplaudiu, bem diferente do que aconteceu nas redes sociais, com uma enxurrada de memes e críticas.

O especialista em marketing político digital Flávio Mendes recomenda que o melhor a fazer pela equipe da presidente, como de outro político que for alvo dos memes, é ter bom humor e tornar a brincadeira um trunfo em que a imagem do político seja associada a algo leve. “É um fenômeno mais ligado ao envolvimento maior da população com a internet do que com as falas, muitas vezes, sem sentido”, afirma. No mais, é só um aperitivo da criatividade do brasileiro que vai ser ainda mais explorada nas eleições do ano que vem.

meme contra dilma 2

Cunha não tem poder para derrubar Dilma. Principalmente depois de incriminado pela justiça da Suíça

Outra manchete golpista e mentirosa

BRA_CB correio mentira cunha

Dependesse de Eduardo Cunha, Dilma Rousseff estaria degolada, presa ou exilada, e o Brasil presidido pelo pmdebista Michel Temer.

A conspiração de todo o poder para o PMDB (apenas um deputado do partido, Jarbas Vasconcelos, assinou o pedido de cassação de Cunha) nunca vingou e, agora, ficou impossível: o povo conhece os crimes de Cunha, e ele não pode como presidente da Câmara substituir Temer na presidência da República.

O PSDB e o DEM firmaram nota recomendando apenas o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Isto é, uma folga, ou férias para jogar tênis ou cuidar das contas secretas nos paraísos fiscais.

Naturalmente Dilma luta contra os golpistas, mas a perda do mandato de Cunha passa pela aprovação da Câmara e/ou condenação da Justiça.

Ronaldo
Ronaldo

.BRA_ZH força de cunha

Juiz Sérgio Moro manda prender o preso preso Zé Dirceu

BRA_OG globo

Prender quem já está preso é coisa que só acontece no Brasil. Escrevem Carlos Rollsing e Humberto Trezzi no Zero Hora:

“Dirceu estava cumprindo prisão domiciliar em Brasília, onde foi detido. Ele ganhou esse benefício em outubro de 2014, após um período na Penitenciária da Papuda.

A nova ação da PF é denominada Operação Pixuleco (apelido pelo qual alguns dos indiciados na Lava-Jato se referiam à propina). São 40 mandados judiciais, sendo três de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e seis de condução coercitiva (quando o suspeito é conduzido para depor em delegacias). A ação acontece em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

A Polícia Federal prendeu ao amanhecer (desta segunda-feira 13 de agosto)  o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. A prisão preventiva foi decretada pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, no âmbito da Operação Lava-Jato, que investiga corrupção dentro da Petrobras”.

Como chamar a prisão de um preso?

Às 20h30m da sexta-feira 15 de novembro de 2013, Zé Dirceu se entregou à Polícia Federal, e nunca mais foi solto.

Parece que o juiz Sérgio Moro desconhecia que o José Dirceu já estava preso.

Prisioneiro é prisioneiro, não importa o lugar em que esteja detido.

Esse espalhafato da imprensa de anunciar a fantástica, esdrúxula,  aberrante prisão de um preso,  não passa de orquestrada manobra de propaganda política, coisa que o juiz Moro sabe fazer com maestria: transformar seus encarceramentos em manchetes sensacionalistas da imprensa dos quatro esses: sexo, sport, sangue e safada.

BRA^MG_EDM minas

Imprensa terrorista faz a apologia de um golpe da extrema-direita, apoiado pelos banqueiros

Ditadura PM polícia

Lauro Jardim escreve no seu blogue, publicado na falida revista Veja: “Um ex-ministro de Dilma Rousseff aconselhou na semana passada um afoito banqueiro que já fazia planos do pós-Dilma: ‘Só não conte com ela. A Dilma vai resistir até o fim’.

A propósito, algumas alas do PMDB – também afoitas – já discutem como seria o ministério de Michel Temer, caso ele assuma a presidência”. Pronto. Terminou todo antijornalismo desse jardim de espinhos. Confira.

A primeira fonte de Jardim é um ex-ministro sem nome, que aconselha um “afoito banqueiro” sem nome, que “só não conte com ela”, Dilma, para aceitar, passivamente, um golpe brando ou na marra. Porque a presidente, obviamente, “vai resistir até o fim”.

Depois dessas duas fontes anônimas, Lauro Jardim apresenta dezenas de golpistas, todos também desconhecidos. “Alas do PMDB – também afoitas – já discutem como seria o ministério de Michel Temer”, que assumiria a presidência.

Os golpistas de Lauro Jardim ou são frouxos, covardes, traiçoeiros, ou tudo não passa de um balão de ensaio, de notícia inventada, mentirosa, de propaganda marrom, de apologia do golpe, que pode ser transformado em uma guerra civil, sendo Temer, na visão malandra de Lauro Jardim, um boi de piranha para o retorno da ditadura pregada por Bolsonaro, pelos pastores Marco Feliciano e Silas Malafaia.

Não acredito em jornalismo com fontes anônimas, e o uso do verbo no condicional. Jornalista que mente, e inventa, não merece nenhum crédito. Principalmente quando conspira contra a liberdade, a democracia, a legalidade, a paz, para servir estranhos e secretos interesses, Que o verdadeiro jornalismo se faz com coragem e sonho. A defesa da Pátria Grande, livre das investidas do colonialismo, do imperialismo, da pirataria internacional, e do terrorismo financeiro.

Bolsonaro cemitério clandestino osso desaparecido ditadura

Manipulação da imprensa em campanha pelo ‘Sim’ na Grécia. Um terrorismo financeiro que acontece no Brasil

A imprensa da elite promove no Brasil um antidemocrático e escandaloso terrorismo financeiro, visando desestabilizar o governo de Dilma Rousseff. Começa por pesquisas forjadas da Folha de S. Paulo, propriedade da família Frias, que esquenta os movimentos direitistas pelo retorno da ditadura.

A Folha é um jornal sabida e decladamente oposicionista, e faz das manchetes e pesquisas que realiza armas de propaganda destrutiva.

A Esquerda Net, de Portugal, mostra como esse tipo de jornalismo marrom vem sendo realizado na Europa, para defender os interesses dos banqueiros e do neonazismo.

Uma vítima do terramoto da Turquia “transformado” em pensionista grego em lágrimas na capa de um diário é o último exemplo de manipulação da imprensa a fazer furor nas redes sociais.

O diário Star publicou esta semana na capa a foto de um pensionista grego em lágrimas por causa do controlo de capitais. Na realidade, este “pensionista” é uma vítima do terramoto na Turquia em 1999
O diário Star publicou esta semana na capa a foto de um pensionista grego em lágrimas por causa do controlo de capitais. Na realidade, este “pensionista” é uma vítima do terramoto na Turquia em 1999

A esmagadora maioria dos jornais e tv’s privadas da Grécia, detidos por grupos ligados à oligarquia que tem dominado a finança do país, faz abertamente campanha pelo ‘Sim’.

O diário Star publicou esta semana na capa a foto de um pensionista grego em lágrimas por causa do controlo de capitais. Na realidade, este “pensionista” é uma vítima do terramoto na Turquia em 1999, agora recuperado para ilustrar ao povo grego o suposto desespero da terceira idade à porta dos bancos.

Se durante o fim de semana, as televisões criaram o clima da “corrida aos bancos”, com diretos intermináveis junto às caixas multibancos até que de facto as filas se começassem a formar por gente preocupada com o que via na tv, isso não bastou para alguns canais.

Uma das imagens mais impressionantes foi a desta idosa a proteger a amiga de olhares curiosos sobre o pin de multibanco por parte da suposta multidão na fila para levantar dinheiro. Mas na verdade, a foto era de 2012 e mostrava que não havia mais ninguém próximo da caixa.

Artigo publicado em infogrecia.net

Uma das imagens mais impressionantes foi a desta idosa a proteger a amiga de olhares curiosos sobre o pin de multibanco por parte da suposta multidão na fila para levantar dinheiro. Mas na verdade, a foto era de 2012 e mostrava que não havia mais ninguém próximo da caixa
Uma das imagens mais impressionantes foi a desta idosa a proteger a amiga de olhares curiosos sobre o pin de multibanco por parte da suposta multidão na fila para levantar dinheiro. Mas na verdade, a foto era de 2012 e mostrava que não havia mais ninguém próximo da caixa