O dia da vingança de PC Farias, o troco do Renangate e o golpe dos senadores corruptos

Renan Calheiros presidiu a sessão em que o senador Delcídio do Amaral perdeu o mandato, esquecido de que, para não ser cassado, renunciou a presidência do Senado e o mandato de senador em 2007, após várias denúncias de corrupção.

Outra curiosidade, Fernando Collor, derrubado da presidência da República por um impeachment, em 1992, participa da conspiração do golpe contra Dilma Rousseff.

O bizarro, indicativo de que “o Brasil não é um país sério”: “No Senado que julgará Dilma, 60% respondem a processos na Justiça”, manchete de hoje do principal jornal da Espanha. Leia aqui

Apesar de delatados por doleiros mais do que premiados, o juiz Sergio Fernando Moro jamais investigou e o Superior Tribunal Federal não quer saber. Renan Calheiros, foi  vice-presidente executivo da Petrobras Química S.A. (Petroquisa, de 1993 a 1994).

Delcídio do Amaral, depois de viver dois anos na Europa, trabalhando para a Shell, voltou ao Brasil, para comandar a Eletrosul em 1991, responsável pelo planejamento energético da região sul.

Em março de 1994 ocupou a secretaria executiva do Ministério de Minas e Energia, onde permaneceu até setembro. No final do governo Itamar Franco foi ministro de Minas e Energia, de setembro de 1994 a janeiro de 1995.

No governo Fernando Henrique Cardoso, foi diretor de Gás e Energia da Petrobrás, entre 2000 e 2001, quando trabalhou com Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, dois dos delatores da Operação Lava Jato.

 

O escândalo do Renangate

 

Manifestantes caracterizados como presidiários protestam diante do Congresso Nacional contra a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros.
Um conjunto de denúncias de corrupção atingindo Renan Calheiros ocupou as manchetes da imprensa brasileira em 2007. O caso foi chamado de Renangate, neologismo aludindo ao escândalo do Watergate e outros que usaram a mesma terminação -gate. A crise começou em 25 de maio, com a circulação da notícia sobre o pagamento da empresa Mendes Júnior à ex-amante de Renan, e perdurou até 11 de novembro, quando ele renunciou à Presidência do Senado.

As denúncias começaram com a revelação, em reportagem de capa da revista Veja, de que a empreiteira Mendes Júnior pagava 12 mil reais por mês à jornalista Mônica Veloso. Segundo a revista, Mônica havia sido amante de Renan e tivera um filho com ele. A partir de então, uma sequência de denúncias na mídia relatou: a compra de rádios em Alagoas, em sociedade com João Lyra, em nome de laranjas; o ganho com tráfico de influência, junto à empresa Schincariol, na compra de uma fábrica de refrigerantes, com recompensa milionária; o uso de notas fiscais frias, em nome de empresas fantasmas, para comprovar seus rendimentos; a montagem de um esquema de desvio de dinheiro público em ministérios comandados pelo PMDB; e a montagem de um esquema de espionagem contra senadores da oposição ao governo Lula. Ao todo, houve seis representações no Conselho de Ética do Senado do Brasil, por seus pares, pedindo a cassação de Renan. Sob pressão do público, Renan desistiu da presidência, embora sem abandonar o mandato. O senador foi absolvido de todas as acusações (quebra de decoro parlamentar, ter despesas pagas por lobistas de empreiteiras e de ter praticado tráfico de influências) e as denúncias e processos foram arquivados. Leia mais aqui

 

Estudantes Caras-Pintadas derrubam Collor. Hoje estão com Dilma 

 

Em meados de 1991, denúncias de irregularidades começaram a surgir na imprensa, envolvendo pessoas do círculo próximo de Fernando Collor, como ministros, amigos do presidente e mesmo a primeira-dama Rosane Collor. Em entrevista à Revista Veja em maio de 1992, Pedro Collor de Mello, irmão do presidente, revelou o esquema de corrupção que envolvia o ex-tesoureiro da campanha Paulo César Farias, entre outros fatos comprometedores para o presidente. Em meio à forte comoção popular, promovida nas ruas pelos Caras-Pintadas,  é instalada em 27 de maio uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a responsabilidade do presidente sobre os fatos divulgados. Em 1° de junho, a CPI começa seus trabalhos com forte cobertura dos meios de comunicação. A Revista IstoÉ publica em 24 de junho uma matéria na qual Eriberto França, motorista da secretária de Collor, revela que ele próprio pagava as despesas pessoais do presidente com dinheiro de uma conta fantasma mantida por Paulo César Farias, reforçando a tese do irmão do presidente. Em 2 de setembro é aberto o processo de impeachment na Câmara dos Deputados proposto por Barbosa Lima Sobrinho e Marcello Lavenére Machado, impulsionado pela maciça presença do povo nas ruas, como o movimento dos Caras-pintadas.

Em 29 de setembro, por 441 a 38 votos, a Câmara vota pelo impeachment do presidente, que é afastado do cargo. A presidência é assumida no dia 2 de outubro pelo então vice-presidente, Itamar Franco. Em 29 de dezembro de 1992, Collor renunciou à presidência da República, horas antes de ser condenado pelo Senado por crime de responsabilidade, tendo seus direitos políticos suspensos por oito anos.

Foi a primeira vez na história republicana do Brasil que um presidente eleito pelo voto direto era afastado por um impeachment. Houve uma tentativa contra Getúlio Vargas, mas ele escapou das investidas golpistas de Carlos Lacerda.

 

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Durou dois anos o namoro do deputado pastor Marco Feliciano com o ator Alexandre Frota

No programa Morning Show, da Rede TV. O ator Alexandre Frota afirmou que
namorou o pastor e deputado Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, que recentemente aprovou um projeto de lei apelidado ‘cura gay’.

“Eu conheço bem ele. Ele foi meu namorado. Nós tivemos um relacionamento durante
dois anos. Eu acho estranho ele dizer isso [em referência a um vídeo em que o pastor
fala do projeto de lei apelidado como ‘cura gay’] porque não era bem isso que ele me
falava na cama (…)

Frota [falando para a câmera] ‘Amor, eu estou estranhando essa sua posição. Eu não estranhava as outras posições. Mas eu acho que, assim, por tudo o que a gente viveu Má, eu te amava, você sabe que eu te chamava de Dundum. Por tudo o que nós vivemos, por tudo o que você me falou, no pé do ouvido, eu esperava mais de você. E quando você puder, me liga por favor’”, disse o ator. Confira o vídeo aqui

Pergunto: Marco Feliciano está cu rado?

 

TRINTA ANOS DE EXÍLIO. Mirian Dutra volta ao Brasil para provar que era sustentada por empresas alcoviteiras de FHC que comprou para o filho deles um apartamento de 200 mil euros

Mírian Dutra volta do exílio para denunciar as alcoviteiras de Fernando Henrique: a proxeneta Brasif e a cafetina TV Globo. A Polícia Federal propaga os depoimentos na Lava Jato, desde que sejam contrários ao PT e partidos aliados. O juiz Sergio Morou vai além do crime de vazamento, para entregar para TV Globo os grampos de conversas da presidente Dilma Rousseff. Clique nos links. Miriam vem apenas provar o que todo mundo já sabe. Foi forçada a ir para o exílio, depois de oito anos de concubinato com Fernando Henrique. Um exílio pago pela TV Globo e pela Brasif. Trinta anos de exílio. Só não está explicado como Fernando Henrique arranjou dinheiro para comprar um aparamento de 200 mil euros para o filho dele com Mirian na Espanha. Comprou um apartamento em Paris. Recentemente comprou um terceiro para a atual esposa, conforme contrato nupcial. Haja dinheiro

 

EXCLUSIVO: MÍRIAN DUTRA MARCA DEPOIMENTO À POLÍCIA FEDERAL EM INQUÉRITO SOBRE FHC

 

por Joaquim de Carvalho

 

Já tem data marcada o depoimento da jornalista Mírian Dutra à Polícia Federal. Será no dia 7 de abril, às 10 horas. Mírian mora em Madri, mas preferiu depor em São Paulo, na presença de seu advogado, José Diogo Bastos.

Na declaração que me deu, depois que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a citou numa entrevista ao Estadão, Mírian disse: “Estou esperando essa solicitação da Polícia Federal para depor e contar o que realmente acontecia. O senhor Fernando Henrique Cardoso não pode esquecer que tenho todos os recibos, e tenho os contratos comigo. Não se iluda.”

Mírian recebeu ontem de manhã o telefonema de um escrivão da Polícia Federal em Brasília, e hoje um adido da PF em Madri ligou novamente, para dizer que ela poderia depor na capital espanhola, se quisesse. Seu advogado retornou o contato da Polícia Federal em Brasília e marcou a data do depoimento, que será em São Paulo.

Mírian vai depor como testemunha, num inquérito que tem como alvo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A investigação foi aberta depois que a Folha de S. Paulo publicou a cópia do contrato que Mírian Dutra assinou com a Brasif quando Fernando Henrique Cardoso ainda era presidente da República e ela trabalhava na TV Globo.

“Eu nunca trabalhei para a Brasif. O que aconteceu na época é que a TV Globo cortou 40 por cento do meu salário, e o Fernando Henrique arrumou esse contrato para complementar minha renda”, disse Mírian Dutra.

Eram 3 mil dólares por mês, depositados na conta da jornalista Mírian Dutra. Em 2009, sem que Mírian soubesse, Fernando Henrique divulgou à imprensa que tinha reconhecido a paternidade de Tomás, então com 18 anos, num cartório da Espanha. Em 2011, também sem que Mírian soubesse, ele disse ter feito exame de DNA e descoberto que o filho não era dele.

Em 2014, o advogado de Mírian notificou duas vezes Fernando Henrique Cardoso para que apresentasse os documentos de reconhecimento de paternidade e o resultado do DNA. O ex-presidente não respondeu às notificações, e alguns meses depois comprou para Tomás um apartamento em Barcelona. Pagou em dinheiro: 200 mil euros.

O caso Brasif chamou a atenção da PF porque a empresa era concessionária do governo federal. Controlava as lojas duty free dos aeroportos brasileiros, e seu proprietário recebeu pelo menos onze concessões de TV durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, em sociedade com Alberico de Souza Cruz, que foi diretor de jornalismo da Rede Globo e chefe de Mírian quando ela decidiu se mudar para a Europa, e acabou contratada por uma TV de Roberto Marinho em Portugal.

Além disso, remessas de dinheiro através de contratos fraudulentos indicam a existência de lavagem de dinheiro. É o que a Polícia Federal, em tese, deve apurar.

 

 

AS JORNALISTAS MARQUESA DE SANTOS DA POLÍTICA BRASILEIRA

O jornalismo anda de moral baixa. Todo escândalo político tem uma jornalista como amante. Assim como em todo assassinato de jornalista a participação de um policial.

As belas mulheres saem das páginas dos principais jornais e revistas, e das telas da TV Globo as ancoras que levaram Renan Calheiros a renunciar um mandato de senador, Fernando Henrique a comprar um apartamento de 200 mil euros na Espanha para um filho bastardo, e Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, pagar lições de tênis nos Estados Unidos. Umas casam, outras descasam. É no que dá escolher jornalista pela beleza.

Publica o Diário do Centro do Mundo hoje:

O QUE SE FALA EM BRASÍLIA SOBRE OS BASTIDORES DA DELAÇÃO DE DELCÍDIO

O mais novo escândalo sexual de Brasília envolve a diretora da IstoÉ em Brasília, Débora Bergamasco, que abandonou o marido, o jornalista Marcelo Moraes, diretor do Estadão, também em Brasília, para ir viver com José Eduardo Cardozo, então ministro da Justiça.

Débora, antes de ser da IstoÉ, passou uma temporada chefiando a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, ironicamente indicada pelo marido, que foi obrigado a tirá-la do Estadão por conta de sua ação errática como repórter.

Na IstoÉ, Débora foi autora de uma entrevista com Cardozo, de quem já era namorada, chamada “A resposta de Cardozo”, feita para isentá-lo das responsabilidades em relação à atuação da PF.

Hoje, Débora Bergamasco publica com exclusividade a delação premiada de Delcídio Amaral, que provavelmente ela já tinha em mãos, graças a sua ligação com Cardozo.

É uma matéria que, apesar de não ter uma única prova que não sejam as falas de, levanta denúncias graves contra Lula e Dilma, e a autora é atual mulher do atual Advogado Geral da União.

FHC entregou 100.000 dólares à Brasif para que fosse remetendo valores dessa soma à amante jornalista

Revelações da jornalista Mirian Dutra, de 55 anos, ex-amante do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sacudiram a já convulsionada vida política do Brasil. A jornalista, que atualmente vive em Madri, afirmou que uma empresa, a Brasif S.A. Exportação e Importação, que operava na época, entre outras coisas, as lojas de duty free de vários aeroportos, lhe enviava todos os meses, de 2002 a 2006, cerca de 3.000 dólares mensais em virtude de um contrato falso que, na realidade, era um pagamento encoberto de uma pensão que o ex-presidente dava a Dutra para ajudar na manutenção do filho de ambos, Tomás. O menino nasceu em 1991, fruto de uma relação que o político e a jornalista haviam mantido desde 1985. Em uma entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, a jornalista disse que Fernando Henrique Cardoso lhe pediu inclusive que abortasse, mas ela preferiu seguir em frente com a gravidez. “Fui para Portugal e a rede Globo me contratou, mas eu não ganhava o suficiente para manter meus filhos (…) anos depois, quando vivia em Barcelona, me senti exilada porque quis voltar ao Brasil e não me deixaram”.

A autora da entrevista lhe perguntou, então, quem não a deixou, e Dutra responde: “[O então senador] Antônio Carlos Magalhães e seu filho Luis Eduardo Magalhães (aliados políticos de Henrique Cardoso na época) estavam envolvidos na reeleição [do ex-presidente]”. Assim, a história do pagamento começou por meio de uma empresa intermediária para complementar o salário da jornalista na rede Globo.

Segundo explica Dutra, Cardoso, que governou o país de 1995 a 2002, entregou 100.000 dólares à Brasif para que fosse remetendo valores dessa soma à jornalista, à base de 3.000 dólares ao mês. O contrato, reproduzido em parte pela Folha de S.Paulo, especifica que Dutra realizava o “serviço de acompanhamento e análise do mercado de vendas a varejo a viajantes”. A ex-jornalista comenta que “jamais pisou em uma loja” em sua vida para trabalhar. A Brasif confirmou em nota que contratou a jornalista Mirian Dutra e que o ex-presidente não teve qualquer interferência nessa contratação, além de não ter feito depósitos em nenhuma empresa do grupo. Transcrevi trechos de artigo de Antonio Jiménez Barca, in El País, Espanha

Mirian Dutra ilumina a engrenagem rapinosa

por Paulo Henrique Amorim

Leblon: o PiG foge desse garimpo porque é parte indissociável da lama

Mirian Dutra abre o quarto de despejo dos anos 90
A cumplicidade entre o dinheiro, a soberba e a mídia contém uma atualidade demolidora. A mídia foge desse garimpo porque é parte indissociável da lama.

Por que só agora que o PT está a um degrau do cadafalso?

A suspeição que o jornalismo tucano consegue balbuciar em meio às alvejantes declarações de Mirian Dutra sobre a parceria público privada para silenciá-la no governo FHC, carrega um efeito bumerangue demolidor.

Pode ser respondida com uma arguição.

‘Quem publicaria antes, a história que furou um cerco de 23 anos de obsequiosa cumplicidade da mídia brasileira com esses acontecimentos, para somente agora vir a público num relato demolidoramente crível? (‘Só eu tenho condições de levar este país’, dizia o príncipe à jovem plebeia, há um mês da conquista).

Mirian Dutra abriu o quartinho de despejo dos anos 90. E mostra o que tem lá dentro.

Sua fala carrega a credibilidade de quem –convencida ou conivente– fez parte do acervo.

O que avulta nessa visitação retrospectiva são os bastidores de um projeto de poder e de interesses que se blindaram para mudar a lógica do desenvolvimento brasileiro.

‘Coveiros do ciclo Vargas’ não era assim que se jactavam aos mercados? Terceirizar o timão brasileiro ao mercado internacional requeria um método para vencer a travessia politicamente espinhosa.

O método, baseado num pacto granítico entre a mídia, os interesses afluentes e o vale tudo ético, é o que guarda o quartinho escuro escancarado agora.

Mirian, num dado momento, tornou-se um cisco no olho guloso do visionário do neo- renascimento bancado pelo capital financeiro global, e que se via como o Micheangelo Buonarroti da Capela Cistina brasileira.

Foi preciso expurga-la. O que se fez com a mesma determinação ética e a coesão grupal dos interesses que se fundiram na travessia preconizada para o país.

Surpreende que a mídia isenta tenha fugido dessa personagem por 23 longos anos, dispensando-lhe uma mordaça de silencio e dissimulação conivente?

Que veículo ou editor da chamada grande mídia teria bancado antes, e com o destaque merecido, a nova e demolidora entrevista concedida pela ex de Fernando Henrique Cardoso, neste final de semana, a um veículo alternativo?

Será necessário lembrar que na anterior, feita pela Folha de São Paulo, perguntas e nominações essenciais envolvendo a mídia foram evitadas?

E que depois disso o veículo dos Frias –cumprida a formalidade das aparências— suprimiu o assunto da primeira página mostrando estranha inapetência investigativa diante de pautas que gritam?

Quais?

Por exemplo, a história do jornalista lobista, já falecido, Fernando Lemos. Personagem expressivamente próximo de FHC, cunhado de Mirian Dutra, foi ele que mediou a participação da Brasif na operação para tirar Mirian do país e assim salvaguardar o tucano de constrangimentos na reeleição.

Lemos fez dinheiro no governo FHC com serviços de consultoria. Muito dinheiro. Participou do círculo estrito do poder que decidia inclusive as campanhas políticas de FH. Sua viúva, Margrit Schmidt, segundo a própria irmã contou ao Diário do Centro do Mundo, possui ‘apartamentos, um terreno em Trancoso que vale ‘um milhão’ e conta no Canadá’.

Mas ainda recebe recursos públicos como funcionária lotada no gabinete de José Serra, onde nunca comparece. Resquícios da ‘modernização’ das capitanias hereditárias pelo avanço neoliberal.

Eterno aspirante à presidência da República, Serra se declara velho amigo e parceiro de ideias da funcionária-fantasma, que brada contra a corrupção e a ‘corja’ do PT’ no facebook. Serra também é amigo muito próximo do pecuarista Jonas Barcellos, que bancou Mirian e ganhou rios de dinheiro com o monopólio dos freeshops no governo do PSDB.

Guarda esse tipo de álbum de recordações o quartinho de despejo dos anos 90 agora entreaberto, mas que a mídia quer lacrar e implodir.

A indiferença ética, o tráfico de influência e a lubrificação do dinheiro público a serviço do interesse particular condensados no episódio Mirian Dutra, não formam, como se vê, um ponto fora da curva no modo tucano de governar as relações entre Estado e mercado; entre capitalismo e democracia, enfim, com papel subalterno ao segundo elemento da equação.

Se pouco disso transparece ainda no debate político, deve-se ao protagonista ubíquo dessa trama.

A mídia figura como o grande Rasputin a coordenar os personagens desse ambiente farsesco em que as aparências não apenas são avalizadas, mas diretamente modeladas, conduzidas mesmo pelo poder midiático até a asfixiante rendição à narrativa pronta nas redações.

Ou Mirian Dutra não foi ‘induzida’ a dizer à Veja a frase para a qual Veja já tinha espaço, lugar e título, antes que a personagem soubesse que sua boca iria emiti-la?

Esse o paradigma da isenção que ordenava e ainda rege o sistema do monopólio emissor consolidado sob as asas do ciclo do PSDB na presidência do Brasil.

O maior conglomerado de comunicação do país e a principal revista semanal do mercado brasileiro –as Organizações Globo e a semanal Veja– não apenas informaram um script conveniente à reeleição de FH.

Elas ajudaram ativamente a produzi-lo –a exemplo do que fez a Folha nos anos 70, quando cedeu carros à repressão.

O tour de force para despachar Mirian é só um exemplo em ponto pequeno do empenho que movimentou grandes massas de interesses para o ciclo privatizante que viria então.

Nenhuma delação extraída pelo método da chantagem coercitiva, tão bem manuseado pela República do Paraná, carrega a delicadeza convincente desse desabafo –ao que tudo indica apenas iniciado—de uma mulher que talvez não tenha mais nada a perder.

Recém demitida pela Globo, Mirian provavelmente perdeu também a mesada que recebia de FHC e viu a relação com o filho ser trincada pela intempestiva intervenção do tucano que –em troca de um DNA polêmico– supriu Tomás com mesada própria, comprou-lhe um apartamento, pagou-lhe os estudos em caras universidades norte-americanas.

A mãe do filho que FHC lhe dizia que não poderia ter em seu nome decidiu agora reagir com o que tem de mais letal: a memória.

Mirian Dutra apenas começou a falar. Parece que tem muito a dizer: ‘Serra eu conheço bem…’, cutucou de relance na última entrevista.

Desde o início desse episódio Carta Maior tem insistido em que as relações entre um homem e uma mulher formam um assunto privado.

Mas a participação da mídia, de concessionárias públicas, bancos estatais e paraísos fiscais no caso fazem dele um tema público.

Foi a cobiça e a ganância econômica que politizaram o encontro entre o sociólogo cinquentão e a jornalista jovem; não o inverso.

A descrição impressionantemente crível, repita-se, do método tucano que Mirian Dutra relata em detalhes dá materialidade a tudo o que o PSDB ora denuncia e atribui aos adversários, sobretudo ao PT.

É um revés de dimensões esfarelantes.

As revelações em conta gotas trazem um olhar de dentro do fastígio das elites no poder nos anos 90.

Um olhar de alguém que circulou nas vísceras do condomínio cristalizado na farra da privatização, quando se desferiu um dos mais virulentos ataques à luta pelo direito a um desenvolvimento justo e soberano.

Conhece-se o custo contábil do desmanche patrimonial que fragilizou a capacidade articuladora do Estado e definhou a governabilidade democrática, subordinada desde então à supremacia dos capitais desregulados.

Abre-se a possibilidade agora de se iluminar o interior da engrenagem rapinosa.

Não para produzir uma arqueologia do revide.

Não para se nivelar ao vale tudo dos que buscam aniquilar as forças e lideranças empenhadas na reversão do desmonte para construir uma democracia social no coração da América Latina.

O que está em jogo não é o passado; é a urgência de se devolver esperança ao futuro.

O passo seguinte do desenvolvimento brasileiro enfrenta uma encruzilhada histórica. Um ciclo de crescimento se esgotou; outro precisa ser repactuado em novas bases.

Muitos dos personagens e interesses econômicos que atuaram no episódio Mirian Dutra – FHC, Organizações Globo, Veja, Jorge Bornhausen, José Serra etc— compõem a linha de frente da ofensiva conservadora atual, determinada a retomar o poder, custe o que custar, para concluir o serviço dos anos 90.

O mapeamento dessas peças do xadrez ganha luminosidade desconcertante nas revelações de Mirian Dutra.

Elas permitem recompor a seta do tempo que une a lógica e a ética dos anos 90 ao projeto intrínseco ao golpismo em 2016 .

Detalhar essa cruzada é uma das tarefas jornalísticas mais importantes do momento.

A ela se debruça Carta Maior na matéria ‘Lei para Todos’, desta edição.

Estão radiografados ali elos explícitos e dissimulados.

É impressionante como os elementos se interligam e convergem, muitas vezes para um mesmo espaço: os paraísos fiscais: FHC, Brasif, negócios e propriedades dos Marinhos, BNDES, lobistas, empresas de fachada, mansões, helicópteros e personagens referenciais da extrema direita brasileira, como Jorge Bornhausen.

O colunismo da indignação seletiva não fará esse garimpo do qual é a parte mais comprometida cascalho.

O ressentimento autoexplicativo de Eliane Cantanhede (‘ que sempre soube dessa história’, fuzilou Mirian Dutra) mostra como o jornalismo ‘isento’ sentiu o golpe de uma peça lateral do acervo, que mobilizou a parte graúda do tabuleiro para ser deslocada há 23 anos, e agora volta ao jogo revirando a mesa.

Ao falar é como se Miriam gritasse: ‘O Rei está nu’.

Não só ele, porém; toda a corte ao seu redor e, sobretudo, o seu projeto de volta ao poder.

Daí o alvoroço dos mensageiros do trono.

A amante exilada de Fernando Henrique presidente

BOMBA! MIRIAN DUTRA SCHMIDT FALA PELA PRIMEIRA VEZ EM 30 ANOS!

Revista Brazil com Z – A nossa matéria de capa: “Mirian Dutra Schmidt quebra o silêncio depois de 30 anos”, uma entrevista com a ex- jornalista da Globo que teve um relacionamento amoroso durante 6 anos com o ex- presidente da República do Brasil Fernando Henrique Cardoso. Mirian teve um filho com FHC. Uma mulher que escolheu o exílio no exterior para proteger- se e proteger os seus filhos (ela tem uma filha do primeiro casamento). Mirian também conta como foram os 35 anos trabalhando na Rede Globo e todas as dificuldades que enfrentou morando na Europa. Leia aqui

Paulo Henrique Amorim – Mirian: FHC usou empresa para me bancar no exterior. “Por que ninguém nunca investigou as contas dele aqui fora?

Em tempo: de novo, o PiG protegeu Fernando Henrique. O Globo ignorou a Mirian, sua funcionária zelosa e leal. A Fel-lha e o Estadão se perderam numa questiúncula: Mirian duvida do exame de DNA que atestou – duas vezes – que FHC não é o pai do filho dela.

Inútil discussão.

O moralista sem moral, o maior de todos os vivos Tartufos, já tinha reconhecido a paternidade e, portanto, o jovem é herdeiro da incalculável fortuna do suposto pai.

Em tempo2: a Fel-lha diz que tentou entrevistar todo mundo para fazer um texto mínimo e ridículo. Se esqueceu de entrevistar um seu próprio colonista. Quá, quá, quá! É tudo a mesma sopa, diria o Mino: a Fel-lha, o FHC, o Conde e a Mirian!

Em tempo3: faltou um ilustre personagem nessa gloriosa página tucana. Alberico de Souza Cruz, então diretor de Jornalismo da Globo. Segundo Palmério Dória, no clássico “Príncipe da Privataria”, Alberico foi o padrinho do suposto filho de FHC e mandou a Mirian para fora do Brasil: para proteger o moralista sem moral.

Segundo Palmério, a operação para esconder Mirian em Portugal contou com a frenética participação de alguns heróis do tucanismo: o Padim Pade Cerra, o então Ministro comprador de reeleiçto, Serjão Mota, e o embaixador do Brasil em Lisboa, Jorge Bornhausen.

É tudo a mesma sopa: Cerra, Serjão, Bornhausen, Conde, Mirian, FHC, a Fel-lha e a Globo!

O FHC que emerge da entrevista bomba da antiga amante

Por Paulo Nogueira

É devastador o retrato de FHC que emerge da entrevista em que, finalmente, a jornalista Mírian Dutra conta sua versão do romance que tiveram. Ela chamou FHC de “completamente manipulador” e disse que ele gosta de “fazer tudo sorrateiramente e posar de bom moço”.

Como em tantas coisas negativas de FHC, era um fato que a imprensa sabia mas não noticiava.

Mírian aparentemente resolveu falar porque enfim saiu da Globo – que a mandou para o exterior para não prejudicar as chances de FHC em sua tentativa de se eleger presidente. É possível também que o casamento dias atrás de FHC com uma funcionária do seu instituto a tenha animado a ferir o ex-namorado.

A entrevista foi dada na Espanha, onde ela mora, para uma publicação desconhecida, a revista digital BRAZILCOMZ, dedicada aos brasileiros que vivem na Europa.

A repercussão, pouco tempo depois de a revista ir ao ar, já é estrondosa. As redes sociais falam dela freneticamente. O objetivo de Mírian foi plenamente atingido.

É provável que Mírian tenha escolhido uma revista tão exótica por saber que a mídia brasileira protege FHC e não lhe daria voz.

A mídia foi cúmplice de FHC sempre. Primeiro e mais que tudo, a Globo, que empurrou Mírian para longe e, pelo que ela dá a entender, a obrigou a se calar em troca de mantê-la na folha de pagamentos. A raiva é tanta que, num determinado momento, lhe falta a palavra exata para dizer o que pensa da Globo, “uma empresa tão …”. Está claro que a palavra não pronunciada é filha da puta.

Como a Globo não dá nada de graça, é legítimo perguntar o que a empresa levou em troca. Dinheiro público é a melhor resposta. Não apenas na forma de publicidade multimilionária do governo FHC mas também em financiamentos de bancos estatais. O BNDES financiou, por exemplo, a gráfica nova da Globo, inaugurada no fim dos anos 1990. FHC prestigiou a inauguração, e fotos o mostram sorridente ao lado de Roberto Marinho.

Por coisas assim, a entrevista de Mírian Dutra, muito mais que mera fofoca, tem imenso interesse público.

A Veja teve também uma participação repulsiva na trama. Mírian afirma que FHC combinou com o então diretor de redação da Veja, Mario Sergio Conti, que a revista daria na seção Gente uma nota com uma mentira arranjada. Nela, seria noticiada a gravidez de Mírian – mas de outro homem.

É só verificar no arquivo que a nota forjada está lá, diz ela. E está mesmo, conforme você pode ver na foto abaixo.

Naquele instante, era generalizada a convicção de que o pai era FHC. Poderia ter consequências funestas para suas pretensões presidenciais a divulgação de que ele seria pai de uma criança fora do casamento – e com uma mulher 30 anos mais nova.

Na entrevista, Mírian fala do DNA segundo o qual o pai não era FHC. Ela coloca em dúvida a autenticidade do exame. Afirma que FHC arrumou uma maneira de fazer o teste sem que ela soubesse. Foi FHC também, diz ela, que tratou de espalhar o resultado na mídia brasileira.

É possível que esta história vá longe. Mírian diz ter muitas cartas do amante perdido — cujo nome recusou pronunciar. Numa delas, conta, FHC diz que jamais a tirou da mente desde que a conheceu, em 1990, num restaurante em Brasília.

Dona Rute Cardoso sempre soube, de acordo com Mírian. FHC dormia frequentemente em sua casa, afirma. Era, diz, um “casamento de conveniência”. Ele próprio usou essa expressão em cartas, acrescenta Mírian.

É a conversa mais antiga do mundo: homem casado diz para namorada solteira que o casamento é de conveniência. FHC também nisso não foi propriamente um inovador.

Mírian diz que o caso durou seis anos, os dois últimos dos quais péssimos, na sua avaliação. Ela afirma que tentou romper várias vezes, mas foi sempre perseguida pelo namorado. A gravidez surgiu no final.

O filho, sustenta, é mesmo de FHC. Eis uma afirmação duvidosa: por que ela não fez um segundo exame de DNA no garoto? A alegação é frouxa: o filho ficou traumatizado com o primeiro.

FHC lutou para esconder dos brasileiros sua história com Mírian, tarefa em que contou com a ajuda inestimável dos barões da mídia.

Não adiantou.

Sua canalhice está exposta em detalhes – e junto com a dele a da mídia que foi seu cúmplice no episódio.