Operação Lava Jato virou uma grande piada

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O que poderia ser um passo para acabar com a corrupção nos três poderes, provocada pela terceirização de ser√iços, virou um arremedo da República do Galeão, um governo paralelo, criado por oficiais da Aeronáutica para investigar o “mar da lama” do Cadete, no segundo governo de Getúlio Vargas.

A República do Galeão foi uma farsa, um governo espetáculo para fecundar as barrigas dos jornais da oposição golpista, direitista e antidemocrática.

Da República do Galeão o filho bastardo: o Golpe Militar de 64, que mergulhou o Brasil no atraso de 21 anos de escuridão.

Hoje temos, com a Operação Lava Jato, a chamada República do Paraná,

pesado tanque, pela blindagem do governo de Fernando Henrique; ou
leve e perigosa peneira que vaza mentiras, boatos e meias-verdades para o Partido da Imprensa Golpista  realizar campanhas de propaganda marrom.

Falam que a República do Paraná constitui um governo paralelo formado por um delegado da Polícia Federal, um juiz, e uma terceira pessoa que ninguém sabe quem é.

Desta terceira pessoa se diz: É

* uma figura decorativa para formar um triunvirato

* um pessoa qualquer que participe do interrogatório do dia

* um sujeito oculto, que manda em todos, e tem pretensões políticas presidenciais

* uma misteriosa personagem da espionagem internacional que visa desestabilizar governos da América do Sul, e que projetos idênticos estão sendo executados na Argentina, na Venezuela e na Bolívia. E que, também, serão implantados no Chile e no Equador

Assim sendo é um boi voador.

Um pavão misterioso.

 

 

curioso

Boi-Voador
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Durante as campanhas eleitorais o PCC desaparece

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Os governadores reconhecem a existência de governos paralelos em cada estado brasileiro. Esta a razão para comandar um exército de soldados estaduais fortemente armados.

A Polícia Militar de São Paulo tem perto de cem mil homens. As forças armadas de vários países não conseguem recrutar, nem municiar, nem pagar o soldo de uma multidão igual.

Apesar deste poderoso exército, com armas modernas e homens treinados na polícia e no exército de vários países, notadamente nos Estados Unidos e na Escola das Américas, o governador Geraldo Alckmin anunciou solenemente, em outubro de 2013, que estava com a vida ameaçada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), considerada a maior organização criminosa do Brasil.

Coitado! Devia pedir proteção especial à Policia Federal
Coitado! Devia pedir proteção especial à Policia Federal

Pela propaganda oficial, veiculada pela mídia, o grupo capitaneia rebeliões, assaltos, sequestros, assassinatos e o narcotráfico. A facção atua principalmente em São Paulo, mas também estaria presente em 22 dos 27 estados brasileiros.

A organização seria financiada principalmente pela venda de maconha e cocaína, mas roubos de cargas e assaltos a bancos também são fontes de faturamento.

Esquecem de informar que o lucro principal das facções criminosas no Terceiro Mundo passou a ser o tráfico de minérios.

No Brasil não existe uma distinção entre PCC e milícias, formadas por soldados estaduais e policiais civis, e elementos expulsos dessas organizações, e soldados desmobilizados das forças armadas.

O mundo travou guerras do ópio, conflitos armados ocorridos entre a Grã-Bretanha e a China nos anos de 1839-1842 e 1856-1860. E luta, hojemente, a guerra da cocaína nos Andes, financiada pelos Estados Unidos, que possuem plantações de coca legalizadas pela ONU. Trata-se de um estranho monopólio.

O que importa discutir aqui é que um pacto policial, esquisita pacificação, determina a desativação dos PCCs em ano eleitoral.  Com a eleição das bancadas da bala.

O governo paralelo fecha à bala seus redutos eleitorais para o voto de cabresto em seus candidatos, todos com ficha-limpa nas 1001 polícias e tribunais do Brasil.

 

Acontece que o PCC é feito pé de cobra: ninguém sabe onde se esconde, qual o quartel, ou quem lidera em cada Estado. Tão invisível quanto a água nas torneiras da Grande São Paulo. A única prova da existência, apresentada pela polícia, parece piada: todos os capos do PCC estão presos, e acaudilham suas tropas de dentro de presídios de segurança máxima, trancados em celas individuais, sem direitos a visitas e de contato com outros presos, e de comunicação via telefone, via computador, via rádio, com qualquer pessoa viva ou morta.

 

Alckmin, em ano eleitoral, evitar falar em PCC
Alckmin, em ano eleitoral, esquece o PCC

 

 

 

 

A Copa e o risco Brasil

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O governo de São Paulo, para justificar a incompetência de sua política de segurança pública, criou um governo paralelo que não existe, que seria dos presos presos – o PCC. Assim o Brasil tornou-se alvo de um noticiário nefasto.

Publica Clarín, um jornal da Argentina mui parecido ideologicamente com O Globo, o Correio Braziliense, a Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo:

As orientações incluem alertas peculiares, como quanto a explosões em bueiros do Rio de Janeiro, cuidado com a presença de macacos e morcegos e até quanto ao grande poder de facções criminosas em São Paulo.

por Vinicius Konchinski, do Uol

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O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, já afirmou que o “Brasil não é como a Alemanha” quando o assunto é organização e segurança para visitantes. E as embaixadas de países que enviarão turistas para cá durante a Copa do Mundo de 2014 sabem disso muito bem. Tanto é assim que elaboraram cartilhas para que seus cidadãos mantenham-se seguros e saudáveis em sua passagem pelo país.

Essas cartilhas contêm orientações para toda a estada dos turistas em território brasileiro. Incluem até alertas peculiares, como quanto a explosões em bueiros do Rio de Janeiro, cuidado com a presença de macacos e morcegos e até quanto ao grande poder de facções criminosas em São Paulo.

As embaixadas também recomendam que turistas não reajam a tentativas de roubo. A representação da Alemanha, aliás, sugere até que seus cidadãos reservem certa quantia extra de dinheiro para que seja entregue a ladrões em caso de abordagem. “É aconselhável sempre levar uma quantia de dinheiro para a rendição voluntária”, explica o órgão.

A Embaixada dos Estados Unidos descreve em sua página de dicas para viajantes ataques como os promovidos pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) em 2006. Segundo a representação diplomática norte-americana, turistas que pretendem visitar a capital paulista devem estar cientes do poder traficantes, mesmo presos.

“Os esforços de traficantes presos para exercer seu poder fora de suas celas resultaram em interrupções esporádicas na cidade, violência dirigida contra as autoridades, os incêndios de ônibus, e vandalismo em caixas eletrônicos, incluindo o uso de explosivos”, informa o trecho do guia para norte-americanos que pretendem viajar para o Brasil.

Embaixadas do Reino Unido, França, Espanha e Austrália também pedem atenção redobrada de turistas com a segurança no Brasil. Os órgãos alertam que os índices de criminalidades são altos por aqui e informam que turistas estrangeiros estão entre os principais alvos de assaltos em grandes cidades brasileiras.

 

PCC tem plano para resgatar Marola com uma frota de naves espaciais, que incluía o helicóptero do pó da família Perrella

 Farhad Foroutanian
Farhad Foroutanian

Todo sonho de um preso é a liberdade. Todo preso arquiteta imaginários planos de fuga. Principalmente quando se é o chefe do governo paralelo em vários estados brasileiros, coisa apenas possível em um país com a justiça e a polícia corruptas.

Já imaginou o Brasil invadido por máfias do Paraguai e da Colômbia? Neste mundo do capitalismo globalizado temos que admitir a existência de quadrilhas internacionais, inclusive para o tráfico de dinheiro.

Foi publicada hoje, e é uma notícia repetida do Dia Primeiro de Abril:

A facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) tem um plano audacioso para resgatar um de seus líderes, Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e mais três comparsas, da penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, usando para isso dois helicópteros blindados, com as cores da Polícia Militar, e até um avião , além de armamento pesado. A ideia é resgatar os presos com o helicóptero e leva-los para um aeroporto em Luanda, no Paraná, a 177 quilômetros de distância, de onde seriam levados para uma fazenda no Paraguai. O plano consta em um relatório secreto da inteligência da polícia e do Ministério Público de São Paulo, de acordo com reportagem publicada na noite dessa quarta-feira pelo jornal SBT Brasil.

Policiais e promotores acompanharam durante quase um ano todo o planejamento da facção e não faltam provas de que o crime organizado tem coragem e dinheiro para a fuga. Escutas mostram que a facção pagou curso de pilotagem para três pessoas no Campo de Marte, em São Paulo, no ano passado. Um dos professores, de acordo com o relatório, era Alexandre José de Oliveira Junior, preso por transportar mais de 400 kg de cocaína, em novembro de 2013, no helicóptero do deputado Gustavo Perrella (SDD-MG). Além de Marcola, seriam resgatados Claudio Barbará da Silva, Célio Marcelo da Silva, o Bin Laden, e Luiz Eduardo Marcondes Machado, o Du Bela Vista. Agentes penitenciários descobriram inclusive que Bin Laden já estava serrando a grade das janelas da cela. A segurança no presídio de Presidente Venceslau foi reforçada, e policiais de elite fazem rondas permanentes no local. Segundo as investigações, o plano do PCC está pronto para ser executado a qualquer momento. ( transcrito doTerra)

O avião dos Perrella não pode ser mais usado, que está sob a guarda da justiça do Espírito Santo.

A frota do PC está desfalcada do avião capturado com mais de 400 kg de coca do Paraguai
A frota do PCC está desfalcada do avião capturado com mais de 400 kg de coca do Paraguai

Que danação: os governos estaduais estão prontos para reprimir os protestos, mas não conseguem conter o PCC, merecendo assim ser chamado de governo paralelo, tão poderoso quanto os governos oficiais. O poder de um Marola equivale ao poder do governador Geraldo Alckmin em São Paulo, que comanda 90 mil soldados estaduais, sem contar os efetivos da polícia civil e outros serviços de segurança.

A Presidente Venceslau, em São Paulo, informa a imprensa, é controlada pelo PCC. Faltam os nomes do diretor e do juiz penitenciário.

A polícia incompetente jamais informou a posse (nomes dos proprietários), nem de onde partiria a frota armada de aviões e helicópteros.  Invasão estrangeira jamais. Seriam abatidos pela Aeronáutica.

Em que aeroportos e hangares clandestinos está essa frota armada ou de armação?

Por escrever sobre o helicóptero dos Perrella, o jornalista Marco Aurélio Carone encontra-se preso em Minas Gerais. Quero ver ele fugir! Que de cadeia foge quem a polícia quer.

Vídeo de decapitação faz mídia internacional olhar Maranhão

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“É uma cena horrível, mesmo em um país que tem visto sua quota de violência”, diz texto no site da CNN.

Em um primeiro momento, a rede norte-americana de TV descreve as cenas sem citar que se trata de um presídio. E acrescenta: “A parte mais surpreendente? O ataque aconteceu dentro de uma prisão”.

O Brasil caminha para ser conhecido como o país das prisões de condições sub-humanas. Depois da Organização das Nações Unidas (ONUcobrar investigação sobre as horríveis cenas de violência no sistema carcerário do Maranhão, veículos internacionais abordaram o vídeo, divulgado ontem pela Folha de S. Paulo, que mostra corpos de presos decapitados no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís.

Já o Wall Street Journal chamou a filmagem de macabra e destacou que os eventos podem afetar a família Sarney.

“A imprensa local descreveu o incidente como um golpe para a família Sarney – liderada pelo senador e ex-presidente do Brasil, José Sarney, pai de Roseana – que tem dominado a política do Maranhão por meio século” diz o WSJ.

O jornal mais incisivo, no entanto, foi o espanhol “El País”, que diz que cenas como essa não são nenhuma novidade por aqui.

“Uma prisão construída para 1.700 pessoas tem 2.500. Uma área que deveria ser monitorada por agentes penitenciários é dominada por gangues criminosas. Vigilantes que deveriam impedir as irregularidades se abstém e, em alguns casos, são facilmente corrompidos. Tudo isso acontece no complexo penitenciário de Pedrinhas, o maior do Maranhão, mas pode muito bem ilustrar o que acontece na grande maioria das 1.478 prisões no país”, afirma o início da reportagem – bem completa – do jornal.

A repercussão tem causado choque não apenas pelas imagens brutais, mas também pela informação – sempre presente – de que mulheres e irmãs de presos estavam sendo obrigadas a fazer sexo para que seus companheiros não fossem assassinados, como ressaltou o francês Libération.

O tablóide britânico Daily Mail reproduziu muitas imagens do vídeo, com várias tarjas.

Fora a imprensa e a ONU, a Anistia Internacional também se manifestou pedindo que o Brasil aja para melhorar seu sistema carcerário, onde as violações aos direitos humanos constam há tempos em relatórios de organismos internacionais. (Fontes Revista Exame/ Google)

 

Quem governa São Paulo?

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Imagine o medo e a desesperança do cidadão comum, quando até o governador do Estado está ameaçado de morte! Como acreditar na justiça, se o maior tribunal do mundo, o de São Paulo, vem sendo pressionado pelo governo paralelo do PCC?

De que vale o governador Alckmin comandar a maior polícia do Brasil, com um efetivo de 94 mil soldados fardados?

Ameaçadas as autoridades máximas do governo oficial, o pobre povo pobre tem que se sentir desprotegido, abandonado, esperando a hora de ser assaltado, sequestrado, assassinado.

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Não param as explosões de dinamites nos caixas eletrônicos, das bombas de efeito moral nas ruas dos protestos. Quem pode dormir em paz com uma zoada dessa?

O Brasil é um país pelo avesso, diferente de qualquer outro. Toda máfia prefere trabalhar em paz, no silêncio, sem chamar a atenção da imprensa e, se puder, com a proteção das autoridades competentes, principalmente da polícia.

No Brasil, os bandidos são espalhafatosos, lutam entre si, e pagam para ser manchetes da mídia nos dias profanos e santos.

O curioso é que os chefes do PCC estão na cadeia ou com mandados de prisão assinados ou na lista dos que vão morrer.

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As notícias do PCC governando estados aparecem de vez em quando, e sempre como balão de ensaio ou despiste.

São notícias ioiôs.

Um jornal diz que o PCC planeja; outro, que planejou; o terceiro, que havia uma lista.

O certo é que o grito “fora Alckmin” permanece nas ruas em todas as marchas de protesto.

Em quatro meses, mais de 80 jornalistas agredidos pelos soldados estaduais de governadores

A maioria das agressões aconteceu nas capitais de São Paulo e Rio de Janeiro. O ódio vem do revide às coberturas jornalísticas dos casos Amarildo e da chacina da família Pesseghni. E do interesse político de atemorizar o povo, que reivindica serviços essenciais como saúde e educação.

Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin acaba de comprar armas químicas para usar contra os manifestantes e jornalistas.

São Paulo possui 95 mil soldados estaduais. É a maior polícia do Brasil, e a terceira entre os efetivos dos países da América Latina.

Apesar de fortemente armado, Alckmin se diz ameaçado de morte, pelo govêrno paralelo, o PCC.

Admitir as presenças de um governo legal e outro invisível é sinal de fraqueza, de uma Polícia Militar sem comando, apenas treinada para reprimir professores e estudantes grevistas, e  os indignados com a corrupção. Polícia adestrada para dispersar das ruas os movimentos pacíficos que, desarmados, promovem passeatas.

Publica o portal Comunique-se:

Após agressões em protestos, jornalistas mudam visão sobre segurança

por Nathália Carvalho

Desde junho, quando o país começou a presenciar a série de protestos em diversos estados, mais de 80 profissionais de imprensa foram agredidos física e moralmente, conforme levantamento realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraij). Quem passou por isso não guarda boas lembranças e afirma que há pouca segurança para repórteres que cobrem momentos de conflitos.

Contratado da Globonews, Pedro Vedova teve sua história divulgada no mesmo dia em que policiais atiraram em sua testa: 20 de junho. O jornalista estava cobrindo os protestos no Rio de Janeiro quando a redação pediu para que ele pegasse a chegada dos manifestantes à prefeitura. “Mas a bateria da câmera acabou e não fazia sentido que eu estivesse lá sem equipamento. Corri para a base da redação e troquei. Quando voltei, a confusão já estava formada”.

Ao ver o conflito e auxiliado por dois seguranças da emissora, Vedova andou pela margem de um viaduto se escondendo atrás de palmeiras. “Quando cheguei até a última árvore, me senti vulnerável. Então, abaixei para apoiar a câmera. Não estava filmando, mas usei o zoom do equipamento para enxergar o que estava acontecendo a 100 metros de onde estava”. Naquele momento, o jornalista foi atingido no meio da testa.

Pedro Vedova
Pedro Vedova

“A gente sabe que parte da polícia é agressiva, mas jamais imaginaria que poderiam mirar na minha cabeça. As autoridades procuram controlar a confusão, mas não havia nada perto de mim que tivesse de ser controlado. Não dá para falar que o tiro foi acidental”. À época, Vedova não percebia que estar ali se tratava de ato corajoso. Depois de ficar afastado e passar por cirurgia, o cinegrafista comenta que ficou desapontado e frustrado com tudo que aconteceu.

Ex-repórter do Portal iBahia, de Salvador, Tiago Di Araújo passou por situação diferente do colega do Globonews. Era 22 de junho quando, ao fotografar as manifestações, três policiais o abordaram. “Pediram a minha identificação de profissional da imprensa e eu apresentei. Um dos policiais alegou que uma daquelas fotos poderia demitir um pai de família, me pedindo para apagá-las. Respondi que estava apenas fazendo o meu trabalho e eles me ameaçaram dizendo que eu iria perder todas as fotos”. E foi o que aconteceu, pelo menos num primeiro momento. Repreendido, Di Araújo foi obrigado a apagar as imagens, que recuperou por meio de um programa quando chegou à redação.

A atitude das autoridades foi ridícula, afirma o jornalista. “Só não fui agredido por ter me identificado com crachá e creio também por ser profissional da maior rede de comunicação do estado”.

Tiago Di Araújo
Tiago Di Araújo

Segurança
Di Araújo acredita que não há segurança suficiente para quem trabalha na rua e que, nestes casos, o profissional conta com a própria sorte e esperteza. “Mudei a minha confiança na segurança pública. E aumentou o medo em relação às atitudes policiais, que sempre optam pela violência física e verbal para impor certo tipo de respeito”. Ele afirma que não existe nenhum tipo de prevenção contra essas atitudes truculentas e que, depois do ocorrido, são geralmente acionados meios legais, que não resolvem em nada.

Vedova conta que, se fosse hoje, teria muito mais receio da polícia. “A questão é que o repórter precisa estar com a câmera apontada para o policial e para os manifestantes. O jornalista não tem o que fazer na manifestação se não isso. Ficaria mais atento à movimentação dos PM’s”. Ele acredita que situações como essas são específicas e que o profissional precisa ter postura ativa para levar informação completa e de qualidade às pessoas. “Ainda que haja dificuldades para cobrir por causa das autoridades ou manifestantes, temos que ir e fazer o nosso trabalho”.

Estratégias
Questionado sobre os cuidados para trabalhar durante coberturas de protestos, Vedova explica que não há muitas estratégias para se proteger. “Você vai aprendendo, mas eu já era repórter escaldado, fui criterioso e cuidadoso, mas acabou acontecendo”. O colaborador da Globonews acredita que se trata de fatalidade, algo que ninguém conseguiria prever.

Na Bahia, Di Araújo ressalta que ficou assustado com a situação e teve medo de registrar algumas fotos nos protestos que cobriu em seguida. “Fiquei bem abalado e com medo, por causa do histórico de violências policiais que ocorrem em nossa cidade. Eles gravaram a minha fisionomia e meu nome, e ainda me ameaçaram”.

Debate
A discussão sobre a violência contra profissionais de imprensa foi tema de hangout realizado pela Abraji na semana passada. O debate contou com a presença do presidente da entidade e editor do ‘RJTV’ (TV Globo), Marcelo Moreira, do diretor e repórter da Gazeta do Povo, Mauri König, e do coordenador dos cursos de jornalismo em situações de conflito armado e outras situações de violência realizados em São Paulo pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), João Paulo Charleaux.

Sobre as agressões que partem de manifestantes, Moreira disse que isso é reflexo de descontentamento com a mídia, que é vista como concentradora de informação. “Mas acontece que isso tem que ser discutido no campo das ideias e jamais o repórter deve ser vítima de violência por alguém que não concorde com o veículo de imprensa”.

König trouxe para o debate a visão de que a maioria da opinião pública acredita existir um grupo de jornalistas que iniciam seus trabalhos com o propósito de sacanear alguém e fazer mal. “Incomoda ver essa busca de usar a imprensa como bode expiatório de todos os males do Brasil. O repórter acaba sendo a ponta de lança da mídia tradicional e sofre na rua”. Ele acredita que as empresas de comunicação precisam ser responsáveis pela segurança de seus profissionais. “Grandes grupos têm assistência para o repórter que cobre conflitos, mas as pequenas não. Isso deveria ser geral. O jornalista não pode contar apenas com a cara e a coragem para fazer seu trabalho”.

Investir em treinamentos pode ser a saída para diminuir os casos de violência, explica Moreira. “O repórter percebe que uma matéria não compensa o risco que ele está correndo quando é treinado. Nenhuma imagem vale uma vida e não vale a pena que ele se arrisque por algo que será publicado em pouco espaço no veículo. Essa noção precisa ser repassada para os profissionais”.

[Outra vítima da violência da polícia de Alckmin, o fotógrago Sérgio Silva que perdeu um olho: “Todos os dias quando eu acordo, me olho no espelho e a imagem que tenho é essa que você está vendo agora: da violência, do meu olho fechado. Todos os dias eu lembro, não tem como.”

Naquela tarde de junho, em São Paulo, Sérgio registrava, pela agência Futura Press, uma manifestação contra o aumento da tarifa de transporte público quando policiais começaram a atirar com balas de borracha na esquina das ruas Caio Prado e Consolação, no centro da cidade.

fotografo-sergio-silva

A tragédia que lhe tirou a visão, há quase quatro meses, mudou sua vida. Não apenas deu fim ao seu instrumento de trabalho, como o impediu de conseguir manter uma rotina comum para um homem de 31 anos, casado e com duas filhas. “Além de tecnicamente eu estar muito abaixo de um fotógrafo normal, não sou capaz de enxergar direito o caminho pelo qual devo ir ou mesmo de pegar um transporte público sozinho”, contou. “Retomei a vida social recentemente, há cerca de três semanas. Vou a casa de familiares, amigos, estou fazendo primeiro uma adaptação, para depois pensar em exercer minha profissão como antes.”]

Veja vídeo:

http://br.noticias.yahoo.com/video/documento-yahoo-um-olho-menos-224057982.html