Palavra final: Os caminhos da corrupção em São Paulo

O Brasil virou um país sem atrações turísticas. Cidades consideradas patrimônio da humanidade estão abandonadas pelos prefeitos e governadores. Reclama o deputado federal José Chaves de Pernambuco: A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) já concedeu o título de patrimônio mundial (cultural ou natural) para 17 localidades no Brasil. José Chaves afirma, no entanto, que esses locais não recebem tratamento diferenciado do governo federal. “O Poder Executivo insiste em tratá-los como qualquer outro município brasileiro”, critica. “Não foi para isso que a Unesco conferiu a essas cidades tão importante título.” Conheça o projeto 

As entradas das cidades brasileiras são terrivelmente iguais e feias. Favelas e mais favelas, postos de gasolina, porteira de pedágio, posto fiscal, monstruosos edifícios de shopping, hipermercado, fábricas e oficinas estrangeiras.

O turismo azul acinzentou. Desapareceram os mapas dos rios, com suas ilhas e cachoeiras; idem de suas ilhas marítimas e oceânicas. Belezas encantadas pelas outorgas. E nenhuma praia classificada entre as mais belas do mundo.

O Brasil era conhecido como terra do samba e do futebol. Os nossos melhores jogadores continuam vendidos, na lavagem de dinheiro dos cartolas, para os clubes europeus; e o Rio de Janeiro pretende o título de capital do rock, com a degeneração da MPB. 

Triste realidade de um pais atualmente famoso pelo turismo sexual e pela corrupção, inclusive como atração para investidores estrangeiros, e negócios bilionários como comprovam as atuais investigações, da justiça internacional, das propinas da Siemens e da Alstom.

 Não é de estranhar que seja proposto um antigo roteiro turístico – que pode ser realizado em qualquer outra capital: 

Numa mesma caminhada, podemos ver vários prédios públicos onde negociatas foram feitas – e os privados que delas se beneficiaram

por Milton Jung/ Revista Época

Prisão domiciliar do juiz Lalau
Prisão domiciliar do juiz Lalau

Político na cadeia não é privilégio de Brasília. Não adianta a Capital Federal ficar se vangloriando com a hospedagem oferecida aos condenados do Mensalão, porque São Paulo saiu na frente. Nem vou levar em consideração o fato de que parte dos que lá estão deveria estar aqui. Só foram para a Papuda devido ao presidente do STF, Joaquim Barbosa, que nos roubou alguns deles. Antes desses aí, porém, nossa cidade já havia colocado atrás das grades ao menos um político. Foi no fim dos anos 1990, quando funcionários da prefeitura foram acusados de cobrar propina para fazer vistas grossas a irregularidades no comércio e em construções, na gestão Celso Pitta (1997-2001). Era tanta falcatrua que a Câmara Municipal instalou a CPI da Máfia dos Fiscais e pela primeira vez na história da cidade um vereador foi condenado à prisão. Vicente Viscome, denunciado em 1999, foi para a cadeia por ser um dos chefes da quadrilha. Um marco na luta contra a corrupção, definiu o promotor Roberto Porto, do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) que, hoje, ocupa a Secretaria Municipal de Segurança Urbana na administração Fernando Haddad.

Encarcerar político era tão raro que o então Ministro do Turismo, Rafael Greca, me surpreendeu durante entrevista, na época, com uma ideia mirabolante. Sugeriu que se criasse um roteiro turístico da corrupção, em São Paulo, que se iniciaria na sede do Ministério Público Estadual, na rua Riachuelo, onde foi entregue a acusação que deu origem à investigação, feita pela empresária Soraia da Silva que não suportou o assédio dos fiscais que insistiam em receber dinheiro em troca da licença para a abertura de uma academia de ginástica, em 1998. Com mais dez minutos de caminhada, os turistas chegariam à Câmara Municipal, no Viaduto Jacareí, onde Viscome prestou serviços. O ápice seria a visita à cadeia do 77º Distrito Policial, em Santa Cecília, na qual o vereador permaneceu durante alguns dias antes de seguir para a penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba.  A proposta, como era de se imaginar, não prosperou e, um ano depois, Greca deixou o Ministério suspeito de envolvimento com donos de casas de bingo e máquinas caça-níquel. Foi inocentado, mas por pouco não virou ponto turístico em outra freguesia.

Pelas denúncias atuais, percebe-se que o “tour da corrupção” seria um negócio de alto potencial, inclusive com o patrocínio do Metrô e da CPTM que ofereceriam bilhetes mais baratos para os turistas se deslocarem pela cidade em trens e linhas superfaturados. Túneis, avenidas e viadutos fariam parte da visita. Prédios públicos onde as negociatas foram feitas e privados, que se beneficiaram delas, também. Obras inacabadas, menos atrativas,  estariam no roteiro por seu valor simbólico.  Todos seriam convidados à sede do Tribunal Regional do Trabalho, na Barra Funda, e recebidos, para um café, pelo ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, que abriria sua mansão, onde cumpre prisão domiciliar.  Os turistas fariam compras com desconto nos shoppings que pagaram propina para construir acima do permitido e, como diversão, teriam de descobrir onde estão as vagas de estacionamento exigidas por lei. Para conversar com as celebridades da corrupção recomendaria-se deixar uma “caixinha” (dois).

Enquanto ninguém se atreve a investir nesse negócio, o que vemos por aqui é a preocupação da elite política com as condições impostas aos presos.  A persistirem os sintomas, sugiro que nossos políticos em vez de cadeia, sejam condenados a frenquentar escolas e hospitais públicos.

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Beleza roubada da Bahia: Cachoeira da Água Branca

Uma cachoeira e ilhas e lagoas e matas privatizadas. Ninguém sabe quem é o dono da Cachoeira da Água Branca neste imenso Brasil do estado mínimo.

O país do segredo. Gastei a manhã inteira para localizar onde ficava a Cachoeira de Água Branca. Tente descobrir em que município da Bahia.

No Brasil são desconhecidas as ilhas fluviais, marítimas e oceânicas. As cachoeiras, os lagos, os aquíferos e fontes d’água. Não estou referindo a Região Amazônica, que existe uma legal e outra ilegal. Mas ao Brasil mapeado desde antes da conquista portuguesa.

Não falo do potencial turístico, que no Brasil o turismo está nos bilhões da Copa do Mundo, no Carnval, e algumas festas de santo padroeiro. Mas da riqueza da água que é mais cara do que o ouro, cuja posse motivará as guerras do futuro.

Foto Jefferson Nagata
Foto Jefferson Nagata
Situada dentro de uma área de Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN, dentro da Fazenda Água Branca, a cachoeira, de mesmo nome, cai numa deslumbrante cortina de espuma branca de 30 metros de altura.
Para chegar até lá, o visitante passa por uma trilha ecológica, a maior parte dela sombreada e úmida, em meio à mata densa, moradia de animais silvestres, incluindo fazendas de criação de búfalos, e uma fauna diversificada.
No mesmo local, há uma ilha fluvial (de desconhecido nome), onde foi construído um quiosque que permite apreciar a bela vista ao redor.
Além disso, uma vista deslumbrante do alto do mirante, com panorâmica de toda a cidade [que cidade?] e do encontro do Canal de Taperoá com o mar.
A queda d’água é formada pelo Rio Gereba [Também encantado rio].
mirante cachoeira

(continua)

Por que esqueceram o homem da ANA de imensos recursos hídricos?

Dois irmãos poderosos. Toda imprensa noticiou o feito. Mas nem governo nem oposição quer conversa com o homem da ANA. É! neste angu tem caroço. Chamaram apenas o irmão que pilota a aviação civil. Puro balão que vai estourar no ar sem atingir nenhum vivente aqui na terra. Constitui um belo jogo pirotécnico, para estes dias pré-natalinos. Apenas isso.

Escreve Carlos Newton: Apesar da blindagem determinada pelo governo para abafar a Operação Porto Seguro, as coisas começam a melhorar no Congresso. Na Comissão de Constituição e Justiça, os governistas tiveram de fazer acordo com a Oposição e foi aprovado convite aos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Luís Inácio Adams (Advocacia Geral da União) para prestarem depoimento sobre a instigante investigação da Polícia Federal.

Simultaneamente, numa manobra bem executada pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR), a Oposição conseguiu quebrar o bloqueio do governo e aprovou na Comissão de Infraestrutura do Senado um convite para Rubens Vieira, diretor afastado da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), prestar depoimento sobre a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal.

Como se sabe, Rubens Vieira é um dos “Irmãos Metralha” do esquema criminoso. Ao lado do irmão Paulo Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), ele está indiciado por envolvimento no esquema de corrupção por ter pedido a empresários “favores” sugeridos por Rosemary Novoa Noronha, ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo. Ela teria exigido vantagens financeiras em troca de ajudar o esquema dentro do governo. [Propositamente não chamaram Paulo Vieira. Que empresários? Ou melhor declarado: que empresas? São poderosas multinacionais]

recursos hidricos no brasil

 Informa o G1 (Globo): (…) No Congresso, não tem perdão: vacilou, um lado sempre aproveita o cochilo. Na quarta-feira (28), foi o governo. Os senadores demoraram a chegar na comissão de infraestrutura e a oposição conseguiu aprovar o requerimento que chama para depor, como convidado, o ex-diretor da Anac, Rubens Rodrigues Vieira. Paulo Vieira, apontado como o chefe do esquema, tem um patrimônio milionário, segundo o Ministério Público. Ele é dono da faculdade FACIC, em Cruzeiro, no estado de São Paulo, comprou quatro apartamentos na capital paulista e um carro de R$ 300 mil – tudo em nome de terceiros – e tem mais de R$ 1 milhão aplicados em contas bancárias.A oposição insiste: quer que Paulo Vieira vá dar explicações no Congresso. Já fez vários pedidos, todos barrados pela base aliada do governo, que vem usando a estratégia para derrubar pedidos de convites e convocações de outros envolvidos no caso.Mas, em um momento de descuido – porque os governistas demoraram a chegar na sessão – acabou sendo aprovada a vinda do irmão de Paulo, Rubens Vieira, também investigado. [No Congresso tem perdão, sim! Por que não aproveitaram o descuido para chamar os dois irmãos? Por que esqueceram o homem da ANA, o citado Paulo, o verdadeiro chefe da sacanagem de entrega dos recursos hídricos do Brasil? Tem perdão, sim, da Oposição, da imprensa, da politicagem. Tem perdão, sim, exclusivo para o blindado irmão Paulo].
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“Ele (o Rubens)  é peça da quadrilha. Ele integra a quadrilha e, certamente, terá que dizer qual foi sua participação nesse esquema de corrupção”, afirmou o senador Álvaro Dias. [E o irmão Paulo, rejeitado senhor da águas, das águas doces e salgadas, do azul dos rios, das cachoeiras, dos lagos, das fontes d’água, dos aquíferos, dos verdes mares com suas ilhas encantadas?
Do irmão Paulo, o destino de ser recebido, cívica e festivamente, com o Hino Nacional: Ouviram do Ipiranga/ As margens plácidas/ E em todos os rios/ De um povo roubado,/ O brado retumbante,/ E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,/ Brilhou no céu de Paulo nesse instante].
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Estado de Minas: A oposição desmoronou a blindagem da base aliada no Senado e aprovou um convite para que Rubens Vieira compareça à Comissão de Infraestrutura, na semana que vem, para prestar esclarecimentos sobre a Operação Porto Seguro. Vieira está preso desde sexta-feira, quando a Polícia Federal deflagrou a ação. Os senadores também convocaram o diretor da Anac Marcelo Guaranys. E só não conseguiram emplacar a convocação da ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo Rosemary Noronha porque o requerimento não foi colocado em votação.
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A tática de guerrilha adotada pelos oposicionistas – de espalhar diversos requerimentos em várias comissões da Câmara e do Senado – deu certo pela primeira vez desde que o início da crise política. No dia anterior, os aliados aceitaram a convocação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. “Quem deve vir ao Senado prestar esclarecimentos são ministros ou diretores de agências. Os demais que respondam o que tem de responder à polícia”, respondeu o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro, irritado com a convocação de Rubens Vieira.

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Pinheiro disse que a base concorda com a presença de Marcelo Guaranys. “Sobre Rubens, deixa para o Alvaro (Alvaro Dias, senador tucano responsável pelo requerimento) o trabalho para tirá-lo da cadeia e trazer para cá”, prosseguiu o petista. Tanto ele quanto o líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE), não estavam na Comissão de Infraestrutura quando o requerimento foi aprovado. “Aproveitamos que não tinha ninguém e aprovamos a vinda de Rubens em votação simbólica”, comemorou Álvaro Dias. [Festejou a vinda de Rubens. Talvez chorasse se fosse o Paulo]

Cachoeira. As dez mais belas

Cachoeira_do_Tabuleiro
Cachoeira do Tabuleiro

por Ylka Silveira

Os 273 metros de queda livre fazem da cachoeira do Tabuleiro a mais alta do Estado de Minas Gerais e a terceira do Brasil. Em meio a imensos blocos de pedras, a natureza se retrata através de um paredão monumental por onde escorrem as águas formando um enorme poço. A tonalidade das águas é caramelo e a temperatura da água é fria, como o clima do ambiente, devido as correntes de vento constantes e a pouca incidência de raios solares.

Para acessar esse atrativo recomenda-se contratar um condutor local, pois não há sinalização na trilha e a caminhada é difícil devido ao relevo montanhoso.

Por toda a beleza citada acima, a sua biodiversidade de fauna e flora maior do que a Floresta Amazônica, a cachoeira do Tabuleiro foi considerada pelo Guia Quatro Rodas de 2003, em 1º Lugar, a cachoeira mais bonita do Brasil. Veja vídeo

AS cachoeiras mais bonitas do Brasil:

1º) Tabuleiro (Conceição do Mato Dentro-MG)
2º) Casca d´Anta (Serra da Canastra-MG)
3º) Véu de Noiva (Chapada dos Guimarães – MT)
4º) Cachoeira da Fumaça (Lençóis-BA)
5º) Caracol (Canela-RS)
6º) São Domingos (Caiapônia-GO)
7º) São Francisco (Prudentópolis-PR)
8º) Salto do Itiquira (Formosa-GO)
9º) Salto 1 do Rio Preto (Alto Paraíso de Goiás – GO)
10º) dos Veados (S. J. do Barreiro – SP

Cachoeira. A beleza roubada. Paulo Afonso

Retratada numa pintura a óleo sobre madeira pelo pintor de paisagens holandês Frans Post em 1649. O nome da obra é o mesmo da quedas d'água, Cachoeira de Paulo Afonso
Retratada numa pintura a óleo sobre madeira pelo pintor de paisagens holandês Frans Post em 1649. O nome da obra é o mesmo da quedas d’água, Cachoeira de Paulo Afonso
E. F. Schute - Cachoeira de Paulo Afonso, 1850
E. F. Schute – Cachoeira de Paulo Afonso, 1850

Trecho de poema de Castro Alves, in Os Escravos, 1876:

A cachoeira! Paulo Afonso! O abismo!
A briga colossal dos elementos!
As garras do Centauro em paroxismo
Raspando os flancos dos parceis sangrentos.
Relutantes na dor do cataclismo
Os braços do gigante suarentos
Aguentando a ranger (espanto! assombro!)
O rio inteiro, que lhe cai no ombro!

A Cachoeira de Paulo Afonso é formada por diversas quedas d’água que se espalham pela rocha, recortada em plataformas, assemelhando-se a imensos degraus. O abundante volume de água cai sobre os “degraus” formando imensas áreas de espumas muito brancas que descem pela rocha a uma altura de aproximadamente 80 metros. Dentre as inúmeras quedas d’água destaca-se a do “Véu da Noiva”.

Com a construção das Usinas, as águas que formam a cachoeira foram represadas.