Ricardo Antunes processa o Estado e segue sem poder citar o nome do banqueiro Antonio Lavareda

A injusta e arbitrária prisão de Ricardo Antunes, em Pernambuco, como “jornalista inimigo” e “perigoso para a ordem pública”, criou um precedente nazi-fascista que hoje mantém encarcerado Marco Aurélio Carone em Minas Gerais. E serve de nefasto, kafkiano paradigma para acorrentar e amordaçar outros jornalistas neste ano eleitoral. Estão envolvidos nos dois episódios os presenciáveis Eduardo Campos e Aécio Neves. Nada democrático. Coisa de quem ama a escuridão da censura. Coisa de inimigo da claridade – a verdade.

 

TJ-PE decidiu que caso Ricardo Antunes não irá ao STF (Imagem: Reprodução/ABI)
TJ-PE decidiu que caso Ricardo Antunes não irá ao STF (Imagem: Reprodução/ABI)

Noticia o maior portal de jornalistas, Comunique-se: O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE) negou a subida do recurso extraordinário impetrado pelos advogados do jornalista Ricardo Antunes que solicitavam que o processo, ao qual o profissional está envolvido, fosse remetido ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Proibido de citar o nome do publicitário e empresário Antonio Lavareda, ele está processando o Estado por danos morais.

A decisão do desembargador atendeu ao pedido dos advogados de Lavareda que há mais de um ano trava uma briga judicial contra Antunes, editor do blog leituracritica.com, a quem acusa de tê-lo chantageado. O jornalista ficou preso, no Recife, por quatro meses (outubro 2012 / fevereiro 2013). Na época, a página denunciou uma série de licitações ganhas por empresas controladas pelo publicitário.

Os advogados de Lavareda solicitaram que fosse ordenado a “retenção” dos autos do recurso extraordinário, impossibilitando que o processo no qual proíbe Antunes de mencionar o nome do marqueteiro em qualquer veículo de comunicação seja apreciado em Brasília como queriam os advogados do jornalista. A solicitação da equipe de Lavareda foi aceita pelo TJ-PE.

Para a advogada Noelia Brito, representante de Antunes, a decisão confirma a tendência do tribunal em instaurar um regime de censura a liberdade de imprensa em Pernambuco. “Infelizmente, o TJ-PE vem descumprindo sistematicamente a constituição que proíbe a censura prévia contra jornalista e qualquer cidadão”.

“Na verdade, com essa decisão, o TJ quer impedir que o Supremo desfaça as flagrantes inconstitucionalidades dessas decisões. Recentemente o mesmo empresário ganhou uma licitação de publicidade de R$ 25 milhões. Tem muito poder e muita influência”, afirma a Noelia, para quem a decisão repercutirá negativamente em todo o Brasil e é uma “afronta” a liberdade de expressão no Brasil.

O embate Lavareda-Antunes resultou em ações de entidades de comunicação. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) já divulgaram notas em solidariedade ao jornalista e contra o que chamam de “cerceamento” da livre manifestação e demonstraram preocupação com a judicialização dos processos contra jornalistas.

No caso envolvendo Antunes e Lavareda, hoje apresentador da Bandnews TV, a primeira instância negou o pedido do marqueteiro, quando a juíza Catarina Vila Nova defendeu, em seu despacho, a liberdade de imprensa e não viu, por parte do jornalista, qualquer calúnia ou difamação no blog. Até o momento, a defesa do publicitário não se pronunciou. Veja a íntegra da decisão de Catarina: http://bit.ly/1jwFlM9

 

 

Médicos condenados por tráfico de órgãos continuam trabalhando. Ricardo Antunes, que nunca torturou, nem matou, nem traficou, proibido de escrever e preso

justiça imprensa

Uma máfia de médicos em Minas Gerais torturou e matou pacientes na Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas para traficar órgãos. A justiça não considera nenhum deles um perigo para a ordem pública. Em Pernambuco, o jornalista Ricardo Antunes é. Continua preso desde 4 de outubro último, em cárcere de segurança máxima, incomunicável, proibido de escrever, e seu blogue Leitura Crítica fechado.

Foi sentenciado pela polícia do governador Eduardo Campos (que coisa mais estranha!) como extorsionário. Um desembargador considerou Ricardo “jornalista inimigo”. Isso existe também na justiça do Pará, que persegue o jornalista Lúcio Flávio Pinto. Se existe o jornalista inimigo, existe o juiz inimigo, o policial inimigo. Se o jornalista inimigo fica proibido de escrever, que o policial inimigo fique proibido de prender; o juiz inimigo, de julgar. Que Brasil mais kafkiano!

Por que o silêncio de jornalistas e blogueiros, possíveis vítimas amanhã?

tráfico de órgãos 7

por Mateus Parreiras

Apesar de condenados a penas que variam de 8 anos a 11 anos e meio de prisão, médicos condenados em primeira instância por tráfico de órgãos em Poços de Caldas continuavam ontem a atender normalmente pacientes em consultórios e na Santa Casa de Misericórdia da cidade do Sul de Minas. O hospital é  conveniado ao Sistema Único de Saúde e a sentença determina  expressamente que os réus se afastem do atendimento no SUS. Outros dois profissionais, que tiveram os crimes prescritos em decorrência de terem ultrapassado 70 anos – um deles inclusive acusado de homicídio doloso –, também operam e atendem sem qualquer constrangimento. O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), que tem o poder de suspender preventivamente profissionais sob suspeita de conduta grave, preferiu não lançar mão dessa medida e ainda iniciará procedimento de investigação sobre o caso, ocorrido mais de uma década atrás.Foram quatro os profissionais sentenciados: o médico Alexandre Crispino Zincone, de 48 anos, recebeu pena de 11 anos e seis meses de prisão; João Alberto Goés Brandão, de 44, Celso Roberto Frasson Scafi, de 50, e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes, de 53, foram condenados a oito anos cada um. Todas as penas são em regime fechado, embora os réus possam recorrer em liberdade. As acusações contra Félix Herman Gamarra Alcântara, de 71, e Gérsio Zincone, de 77, caducaram. A defesa dos acusados informou já ter recorrido da decisão.
A condenação ocorreu em um dos oito casos investigados pela polícia, referente à morte, remoção e tráfico dos órgãos de José Domingos Carvalho, morto aos 38 anos, em 2001. Outras sete mortes e procedimentos de transplante aguardam julgamento. Um nono caso, que diz respeito à morte e retirada de órgãos do menino Paulo Veronesi Pavesi, que hava sido fechado, foi reaberto no ano passado. Em 2000, aos 10 anos, o garoto caiu do prédio onde morava e foi atendido por Celso Roberto Frasson e Cláudio Rogério Carneiro, entre outros. Foram as apurações de sua morte que levaram a descobrir o grupo considerado pelo Ministério Público uma organização criminosa especializada em tráfico de órgãos.O esquema, que consistiria em tratar com descaso proposital vítimas de traumatismo craniano e acidentes vasculares cerebrais, teria rendido até R$ 200 mil por mês aos envolvidos. De acordo com a sentença da 1ª Vara Criminal de Poços de Caldas, pacientes eram mantidos em condições inadequadas de tratamento até que seu quadro se tornasse irreversível. Nesse estágio, segundo indicam as apurações, eram mandados para a unidade de terapia intensiva, a fim de manter em funcionamento os órgãos que interessavam ao grupo, definido na sentença em termos como “organização” e “máfia”. Conseguida a autorização para doação, rins, córneas, coração e fígado eram encaminhados a médicos “dos estado vizinho de São Paulo ou remetidos a Belo Horizonte”, ignorando a fila única de transplantes e com cobrança irregular.No meio da tarde dessa quinta-feira, o Estado de Minas procurou pelos réus em suas casas e locais de trabalho. A informação obtida é de que todos continuam a atender normalmente. Considerado pelo juiz do caso, Narciso Alvarenga Monteiro de Castro, como “o mais perigoso do grupo”, o médico que foi processado por homicídio doloso, o neurocirurgião Félix Herman, continua atuando na Santa Casa de Misericórdia, hospital onde a promotoria aponta que as mortes e tráfico de órgãos ocorreram. Lá são feitos atendimentos tanto do SUS quanto de particulares.Ontem, a secretária do consultório de Félix na Santa Casa disse que o médico estava atendendo um paciente e que não daria entrevistas sobre as acusações que pesam contra ele. Alexandre Crispino Zincone foi procurado e estava atendendo em seu consultório no edifício do Centro Clínico, no Centro de Poços de Caldas. Deixou as recepcionistas avisadas de que não comentaria a decisão judicial. Na casa do urologista Celso Roberto Frasson Scafi, a informação era de ele que estava atendendo pacientes na clínica, como faz todos os dias. Ele não retornou os contatos da reportagem.

Conselho ainda vai começar apuração

O próprio juiz do caso considerou “um absurdo” o fato de o CRM não suspender preventivamente os acusados, para garantir a segurança de pacientes. “Deveriam suspender esses profissionais, porque (a continuidade do exercício da profissão) contamina toda a sociedade. Os conselhos são órgãos de fiscalização e têm essa obrigação”, afirmou Narciso Monteiro de Castro.

Procurado, o presidente do CRM-MG, João Batista Gomes Soares, disse que as investigações da entidade sobre o caso – ocorrido há 12 anos – ainda serão iniciadas, e que enquanto isso os médicos poderão trabalhar. “Não se pode punir por antecedência. Isso geraria ação na Justiça por perda da atividade da qual se tira o sustento. A exceção ocorre em fatos altamente gritantes, em que se determina uma interdição. Esse é um caso grave, mas não tivemos acesso aos autos do processo criminal”, argumentou.

Jose Arthur Di Spirito Kalil , advogado dos acusados João Alberto, Celso Roberto e Cláudio Rogério, afirma que seus clientes são inocentes de todas as acusações e disse ter recorrido da sentença de condenação, por acreditar que houve vícios no processo. “Deve levar uns quatro meses para que seja julgado o recurso. Em determinados momentos do julgamento, a defesa não pode atuar e isso prejudicou meus clientes. Não houve crime, tudo o que os médicos fizeram foi seguindo estritamente as rotinas regulares”, disse.

O kafkiano caso Ricardo Antunes, o jornalista inimigo e de alta periculosidade para a ordem pública

A Tribuna da Imprensa vem transcrevendo diariamente, com o título Livre pensar é só pensar, parte da obra do escritor, novelista, poeta, jornalista, cronista, pintor, desenhista, chargista, tradutor e filósofo Millôr Fernandes.

A charge de hoje lembra Ricardo Antunes

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Para não conceder um habeas corpus para Ricardo Antunes, justificou a justiça pernambucana:
Ser um jornalista desempregado, pobre de marré deci, um criminoso de alta periculosidade, e solto constitui uma ameaça para a ordem pública.
Não foi dito qual ato de terrorismo, de caos social, ele é capaz. Talvez o perigo de publicar uma notícia cotada em um milhão de dólares.
Por este preço, uma puta negociata. Que aconteceu na Prefeitura do Recife. Ou no Governo do Estado de Pernambuco.
Outro motivo: ser um jornalista inimigo…
Depois de Ricardo Antunes preso, o processo virou um romance – como previ. Começaram a aparecer outros processos novelescos tipo Ricardo Antunes agressor de mulheres. Outro de desacatar importante autoridade municipal.
A polícia continua mestra em fabricar processos. Todo delegado letrado, inteligente e criativo, um romancista nato.
Vou citar apenas um nome de destaque da literatura brasileira: Rubem Fonseca.

Dicionário Informal:

Kafkiano

Relativo ao poeta tcheco Franz Kafka, está atrelado à ideia do surreal, do absurdo; confusão entre o real e a ficção, estado hipotético de penumbra, de danação absoluta e de submissão ao imaginário. Crise de identidade entre o mundo e o indivíduo.

Depois de perder a mulher e o emprego, Linconl se viu perseguido pelo flagelo kafkiano quando percebeu que o homem pra quem vendera seu carro, muito abaixo do preço, num dia de desespero, era o mesmo que seduziu sua mulher e usurpou seu emprego
Sinônimos:  irreal   imaginário   absurdo   surreal  
Antônimos:  transparente   verdadeiro   belo   lucidez   normalidade  
Relacionadas:  desespero   realismo fantástico   literatura   surreal   absurdo  

 

A beleza de dançar Nei Duclós e Kafka


Espetáculo aborda a excessiva preocupação do homem com a imagem física

 
Nos próximos dias 16 e 17 de setembro (sexta e sábado), a Cia. Excaravelhas de Dança apresenta, no Teatro Municipal, o espetáculo “O Canto da Sereia”, no 11º Festival de Dança de Araraquara, numa realização da Prefeitura de Araraquara, por meio da Secretaria Municipal da Cultura e Fundart.

Inspirado nas interpretações da “Lenda do canto das sereias”, de Nei Duclós e Franz Kafka, a proposta coreográfica do espetáculo “O Canto da Sereia” reflete sobre o conceito de imagem, sobre a vaidade, e seu potencial de manipulação do poder instintivo feminino, através da excessiva preocupação com a imagem física do ser humano.

O espetáculo – que tem como público alvo: adultos e jovens a partir de 14 anos – aborda o conceito do ter ao invés do ser, que aniquila a identidade, e o da obrigatoriedade de uma beleza padrão, de uma estética contemporânea construída artificialmente, cheia de enxertos, plásticas, artimanhas; onde as diversidades são anuladas modificando-as, e mascarando-as, aceitando a imposição social que nos diz que ninguém deve ser diferente.

Fazer parte desta humanidade primordial é entregar-se nestas águas infinitas, é a simbologia do entregar-se a este mar dos encantos e ilusões que aniquila nossa expressão de vida, nossa personalidade única, nossa essência. É a pasteurização do ser humano, onde diferenças e divergências não são aceitas.

GRUPO DAS EXCAREVELHAS
Com sua sede em Campinas há 11 anos, o Grupo das Excaravelhas vem circulando com seus espetáculos e workshops por diversas regiões do Brasil e já recebeu diversos prêmios importantes no cenário da dança, como o Funarte de Dança Klauss Vianna 2009, o FICC – Fundo de Investimentos Culturais de Campinas – 2004, VAI – Valorização de Iniciativas Culturais – 2004, 8° Cultura Inglesa Festival – entre outros.

Formado por Juliana Couto, Ló Guimarães e Milena Machado, essa companhia independente tem como principal característica de criação o humor crítico, apresentando situações cênicas que possibilitam envolvimento e proximidade da dança contemporânea com vários tipos de público, bem como explorando diversos tipos de espaço.

O espetáculo “O Canto da Sereia” dá continuidade ao desenvolvimento dessa descoberta do público junto à dança contemporânea, proporcionando uma oportunidade direta de reflexão através de um bate-papo conduzido pelo grupo ao fim de cada apresentação.

Além do espetáculo gratuito, a companhia oferece uma Oficina de Dança com foco no desenvolvimento da criatividade dos participantes, através da improvisação e da composição coreográfica em dança contemporânea. Com 25 vagas, o workshop será realizado na Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira, às 14 horas, na sexta-feira (16).

FICHA TÉCNICA
Direção/concepção: Ló Guimarães
Interpretação: Juliana M. Couto, Ló Guimarães e Milena Machado
Sonoplasta/operador de som: Isabela Razera e Katharine Diniz
Operador de luz/Desenho de luz: Darko Magalhães
Figurinista: Fernando Delabio
Consultoria de Produção: Cassiane Tomilhero
Produção Executiva e local: Isabela Razera e Katharine Diniz
Núcleo de Produção: Isabela Razera e Katharine Diniz