Deputados que tiveram campanhas financiadas por banqueiros votam pela terceirização, o emprego precário e indireto e a eleição da Miss Xixi

dep corruptos

 

 

A Terceirização é uma lei escruta que beneficia os financiadores das campanhas eleitorais. Notadamente os banqueiros, os piratas estrangeiros que “compraram” as estatais de telefone a preço de banana, e todas as empresas que já praticam a escravidão.

Contax,  uma empresa que nega água (não é no sentido figurado) ao trabalhador. Repetindo: uma empresa que nega água de beber aos empregados. E que elege uma MISS XIXI. Não é brincadeira: elege uma mulher grávida, porque sai do birô de trabalho, por cinco minutos (tempo estabelecido pela Contax), para urinar, como miss pipi ou xixi. Descubra o motivo do bullying (bulismo) do mijo no link Contax.

Contax é uma empresa fantasma da Oi, Vivo, Santander, Itaú, NET, Citibank e Bradesco, e que já funciona em doze estados, sendo que a maior senzala fica no Recife.

 

 

Papa Francisco: “Una de las cosas que tenemos que lograr es una campaña electoral de tipo gratuito, no financiada”.

PIDIO A LOS CANDIDATOS “UNA PLATAFORMA ELECTORAL CLARA”

El Papa y las elecciones

 

papa
Francisco brindó una entrevista al periódico “La Cárcova News”, durante la cual fue consultado acerca de si tenía alguna sugerencia para los dirigentes políticos vernáculos de cara a las elecciones presidenciales, y respondió que les solicitaba “honestidad en la presentación de su propia postura”. “Que cada uno diga: nosotros, si somos gobierno, vamos a hacer ‘esto’. Bien concreto”, advirtió Jorge Bergoglio, quien reiteró que podría visitar el país en 2016.

En una de las preguntas de la entrevista, los jóvenes de la comunidad le consultaron al papa argentino Jorge Bergoglio si quería hacer alguna sugerencia a los políticos en un año de elecciones. “Primero, una plataforma electoral clara. Que cada uno diga: nosotros, si somos gobierno, vamos a hacer ‘esto’. Bien concreto. La plataforma electoral es muy sana, y ayuda a la gente a ver lo que piensa cada uno”, dijo Francisco, como primer sugerencia.

En ese marco, añadió que “a veces los mismos candidatos no conocen la plataforma electoral”. “Un candidato tiene que presentarse a la sociedad con una plataforma electoral clara, bien estudiada”, opinó.

En segundo lugar, el papa pidió a los dirigentes “honestidad en la presentación de la propia postura”. Por último, dijo que “una de las cosas que tenemos que lograr es una campaña electoral de tipo gratuito, no financiada. Porque en las financiaciones de las campañas electorales entran muchos intereses que después ‘te pasan factura'”.

“Hay que ser independientes de cualquiera que me pueda financiar una campaña electoral. Es un ideal, evidentemente, porque siempre hace falta dinero para los afiches, para la televisión. Pero en todo caso que la financiación sea pública. De este modo yo, ciudadano, sé que financio a este candidato con esta determinada cantidad de dinero. Que sea todo transparente y limpio”, concluyó.

A la pregunta de cuándo viajará a la Argentina, el pontífice respondió que esa visita se hará “en principio en 2016”, pero aclaró que “todavía no hay nada seguro porque hay que encontrar el encaje con otros viajes en otros países”.

En otro tramo de la entrevista, Francisco dijo que el problema de la droga “avanza y no se detiene” y agregó que le preocupa “el triunfalismo de los traficantes”. “Esta gente ya canta victoria, han vencido, han triunfado. Y eso es una realidad”, consideró. “Hay países o zonas donde todo está bajo el dominio de la droga. Con respecto a Argentina, puedo decir sólo esto: hace 25 años era un lugar de paso de la droga, hoy en día se consume. Y no tengo la certeza, pero creo que también se fabrica”, puntualizó. In Página 12/ Argentina

 

Pavel
Pavel

devolve

Camila Valadão e a campanha dos pingos

Camila Valadão diz não ter medo de governar o Espírito Santo. Foto: Andressa Mian
Camila Valadão diz não ter medo de governar o Espírito Santo. Foto: Andressa Mian

por Flávio Borgneth

Camila Valadão é a candidata do PSOL ao governo do Estado do Espírito Santo e a única mulher a disputar esse cargo. Está em terceiro lugar nas pesquisas e jura estar no pleito por razões além de ganhar ou perder. É o nome das minorias, ou pelo menos pretende ser. Vai fazer sua campanha sem ajuda de empresários. Propõe doações individuais de apenas R$ 50,00. Garante que não vai dar apoio a ninguém no segundo turno por não concordar com nenhum dos lados. E ponto.

A candidata é defensora de temas polêmicos. A favor do aborto, da legalização da maconha e defensora da igualdade de sexos e renda. Seu pai a pegava no colo e dizia que ela seria presidente. Ela mesma não imaginava no réveillon deste ano que seria candidata ao governo do Espírito Santo.

É uma campanha dos pingos. Uma pessoa de cada vez. Pequenas doações e um monte de internet. É com a rede que a candidata tem se defendido dos recursos rasos. Ela segue pra cima e pra baixo no seu Uno básico, único bem declarado na inscrição do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES). Anda sem colmeias de assessores a sua volta. Tem tempo de conversar com cada eleitor e nem se importa de participar de eventos em que não seja destaque. Naquela quinta-feira chuvosa foi assim.

Era um debate que reunia membros de coletivos que defendem a literatura de rua (marginal), com catedráticos da academia. Camila estava presente, mesmo não sendo uma das convidadas da mesa. Foi para ouvir, tomar um café e dialogar com quem viesse dialogar com ela. Na sequência participou de um lançamento de livro e pediu autógrafo da autora. Não se incomoda com seu anonimato, faz dele charme de candidato.

Perfil

Camila teve uma trajetória que se assemelha a do PSOL. Ela era militante do PT. Deixou o partido para ingressar na sigla criada para abrigar dissidentes petistas puxados pela expulsão de Heloísa Helena. Também atuou no movimento estudantil, o que lhe confere sinergia natural com as passeatas. Teve uma infância marcada pela política. Seus pais são fundadores do PT na Serra. Com apenas seis anos ela não gostava de entrar nas casas das amigas que não fossem vermelho e branco. Na sua meninice, montou uma sala de aula improvisada no terraço de casa e ensinava os amigos a ler e escrever. Hoje em dia é Assistente Social e Mestre em Política Social pela Universidade Federal do Espírito Santo.

A aposta do PSOL foi por uma candidata com a energia dos jovens e o sonho todo que isso representa. O ideário de igualdade. Os livros vermelhos e identidade com as minorias. Os movimentos feministas que defendem o aborto como um direito da mulher. Cidadãos desejosos de novas leis para viver diferente e fumar um baseado em paz. Homossexuais, pessoas que acreditam na bicicleta. Professores, mulheres, todas as mulheres. Os negros que amam ser negros. Os negros que sofrem por ser negros. Não se trata de bandeira por menores impostos. O compromisso reza o ideário de que tudo deve ser o máximo de todos possíveis. Camila pede o voto de protesto e os votos das pessoas que andam pensando em nem votar, ou votar em branco.

De 50 em 50

Claro que uma eleição de um nome que não tem representação Legislativa poderia ser um nó danado. O sonho da candidatura é quase tão bonito quanto a vitória. Mas, não se trata bem de ganhar ou perder. A participação é encarada como um livro valoroso pela candidata e o resto deixa vir. É como se a maneira de participar do pleito já justificasse o ingresso. Os meios justificando os meios. Em uma eleição com dois medalhões da política capixaba (Paulo Hartung e Renato Casagrande), o caminho proposto é caminhar em centavos. Não fazer nada com dinheiro de nenhum empresário. Por isso a candidata acaba de lançar uma campanha intitulada “de 50 em 50”. A ação consiste em receber doações de pessoas física no valor que dá titulo a proposta. Com tais prerrogativas os recursos são poucos. A campanha será simples e vai usar e abusar da internet, o meio mais barato de comunicação e que, por sorte, tem assiduidade do público jovem.

Camila sabe que é pouco conhecida, por isso aguarda o material de campanha para ingressar em agenda de massa. Ainda se detém em ambientes familiares. Coisas próximas a sua rotina acadêmica e de ativista política. De maneira discreta ela se apresenta para seus próprios pares. Gente que geralmente acaba conseguindo voto de gente. O plano de aumentar as fronteiras existe, mas é a segunda parte da estratégia. Camila percorre até o final deste mês polos políticos e realiza reuniões de apresentação com a militância. São esses colaboradores que irão catalisar a campanha por todo o Estado.

A campanha já começou

Ela pretende e precisa ir para porta de escola, feira-livre. O início do programa eleitoral na TV vai ajudar nessa tarefa do primeiro contato com os eleitores. Essa preocupação de apresentar um rosto novo também tange o material de campanha. Ela explica que seu material vai explicar quem ela é, bem como a proposta que tem para montar seu governo. As secretarias serão assumidas pelos movimentos que as representam. Se uma categoria representa uma área do Governo, ela vai participar da indicação para esta pasta. É justamente com esse argumento da cooperação e do “eu não vou governar sozinha” que a candidata se defende de sua juventude. Ela tem 29 anos e fala sem medo disso.

Dia a dia

Imagine um dia acordar com 29 anos e ser governador(a) do Espírito Santo. Ficaria complicado tomar uma cerveja na Rua da Lama ou dormir até mais tarde. Governar um Estado não é bem uma função usual a rotina dos balzaquianos. Por outro lado, o ineditismo da iniciativa pode ser justamente o que a torna interessante. Camila Valadão fala de sua candidatura com ares de aventureira que acabou gostando do vento. Está em terceiro lugar nas pesquisas. Na frente do PT, e quer mais. Admite que ganhar até dá um pouco de medo. Não medo do cargo, ou da sua idade. Apenas consciência do que significa acordar com 29 anos e ser governador (a) do Espírito Santo.

Camila acorda às 5h20 para cumprir os ritos da manhã. Escuta música no chuveiro e gosta de manter o direito de beber um café sem pressa. É uma grande organizadora de tempo. Já na segunda-feira tem todos os outros dias previamente definidos e as aulas da semana em pastas com etiquetas. Adianta os planos de aula e chega cedo na Universidade Federal do Espírito Santo para lecionar.

Geralmente dá aulas de manhã na Ufes e de noite em uma instituição particular. De tarde prepara as aulas. Chega em casa por volta das 23 horas e tem tido alguma dificuldade para dormir. É uma pessoa capaz de rir de sua personalidade e isso não deixa de ser uma espécie de sabedoria. Camila faz piada com sua organização ou com a mania de limpar a casa sempre nos mínimos detalhes. Acha graça quando alguém a reconhece na rua como candidata. Nem os vizinhos sabem. Usa caneta de ponta, não risca livros com caneta, nunca quebrou o braço, não sabe assobiar e sua campanha não vai ter jingle. (Transcrevi trechos)

Censura. Aécio Neves quer apagar o passado

Dario Castillejos
Dario Castillejos

O senador tucano Aécio Neves, pré-candidato à Presidência da República, teve negado pela Justiça de São Paulo dois pedidos de bloqueio em links de sites e perfis em redes sociais que relacionam seu nome ao “uso de entorpecentes” e desvio de dinheiro durante a gestão como governador de Minas Gerais. As ações têm como alvos os sites de busca Google, Yahoo! e Bing, e pedem a exclusão de notícias e remoção de sugestões de pesquisas.

O tucano não conseguiu derrubar as notícias na primeira instância, no caso da ação sobre desvio de verbas, e entrou com um recurso, com pedido de liminar. No processo, os advogados do Google disseram que Aécio “parece sensível demais às críticas sobre sua atuação”. A empresa afirmou ainda que é impossível retirar o conteúdo do ar sem prejudicar outras buscas relacionadas ao nome do senador.

A ação que busca excluir postagens que vinculam o nome de Aécio ao consumo de drogas corre em segredo de Justiça e foi iniciada em dezembro de 2013.

Por ter comprovado o uso de drogas (socorro de emergência em hospitais), o jornalista Marco Aurélio Carone está preso em Minas Gerais, numa armação idêntica que o jornalista Ricardo Antunes sofreu da polícia de Pernambuco. A prisão de Ricardo criou o precedente da criação da figura criminosa “jornalista inimigo” e “perigoso para a ordem pública”.

Aécio responde a vários processos, e além do perdão da justiça, pretende que sua vida pública seja segredo de justiça.

Os eleitores precisam conhecer os candidatos,  inclusive a vida privada, em atos e fatos que são do interesse público.

A censura, imposta por todos regimes ditatoriais, permite a eleição de candidatos corruptos, induz o eleitor ao erro, dificulta a escolha do melhor candidato, impede o voto certo, facilita a fraude.

O povo sempre escolhe o melhor, desde que tenha acesso às informações. Uma eleição com censura não é democrática.

indignados voto ficha suja

Por que a justiça do Rio Grande do Norte é diferente da de São Paulo na hora de cassar governador?

Governadora Rosalba Ciarlini, do Rio Grande Norte, foi cassada no dia 10 último, por abuso de poder político e econômico durante a campanha municipal de 2012. A Corte também tornou Rosalba inelegível.

Que fez Rosalba? Usou o avião do governo para participar da campanha eleitoral de sua candidata a prefeito em Mossoró.

Campanha municipal termina em cassação. E campanha estadual? Eis o exemplo do governador de São Paulo:

BRA_FDSP alckmin propaganda

Rosalba não gastou nem um por cento do derrame de Alckmin.

200 mil brasileiros são vítimas da escravidão

escravo mao

Sexta maior economia do mundo, o Brasil ainda está entre os cem países com os piores indicadores de trabalho escravo, segundo o primeiro Índice de Escravidão Global.

(BBC Brasil)

O Brasil ocupa o 94º lugar no índice de 162 países (com a Mauritânia no topo da lista, apontado como o pior caso). Trata-se da primeira edição do ranking, lançado pela Walk Free Foundation, ONG internacional que se coloca a missão de identificar países e empresas responsáveis pela escravidão moderna.

Um relatório que acompanha o índice elogia iniciativas do governo brasileiro contra o trabalho forçado, apesar do país ainda ter, segundo estimativas dos pesquisadores, cerca de 200 mil pessoas nesta condição.

Segundo o índice, 29 milhões de pessoas vivem em condição análoga à escravidão no mundo; são vítimas de trabalho forçado, tráfico humano, trabalho servil derivado de casamento ou dívida, exploração sexual e exploração infantil.

Nas Américas, Cuba (149º), Costa Rica (146º) e Panamá (145º) são os melhores colocados, à frente dos Estados Unidos (134º) e Canadá (144º), dois países destinos de tráfico humano. O Haiti ocupa o segundo pior lugar no ranking geral, sobretudo por causa da disseminada exploração de trabalho infantil.

O pesquisador-chefe do relatório, professor Kevin Bales, disse em nota que “leis existem, mas ainda faltam ferramentas, recursos e vontade política” para erradicar a escravidão moderna em muitas partes do mundo.

Brasil

No Brasil, o trabalho análogo à escravidão concentra-se sobretudo nas indústrias madeireira, carvoeira, de mineração, de construção civil e nas lavouras de cana, algodão e soja.

A exploração sexual, sobretudo o turismo sexual infantil no nordeste, também são campos sensíveis, segundo o relatório, que cita ainda a exploração da mão de obra de imigrantes bolivianos em oficinas de costura.

Através de informações compiladas de fontes diversas, os pesquisadores calcularam um percentual da população que vive nessas condições — foi assim que a ONG chegou à estimativa de que cerca de 200 mil brasileiros são vítimas da escravidão moderna. Apesar do quadro ainda preocupante, as ações do governo brasileiro contra o trabalho escravo são consideradas “exemplares”.

A ONG elogia ainda o Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo e o Plano Nacional contra o Tráfico Humano, além da chamada “lista suja do trabalho escravo” do Ministério do Trabalho, que expõe empresas que usam mão de obra irregular.

O relatório recomenda a aprovação da PEC do trabalho escravo, em tramitação no Senado, que prevê a expropriação de propriedades que exploram trabalho forçado.

Recomenda ainda que a “lista suja do trabalho escravo” seja incorporada à lei e que as penas para quem for condenado por exploração sejam aumentadas.

Levantamento da Repórter Brasil revela os partidos e políticos que se beneficiaram com doações de empresas e pessoas incluídas na “lista suja” do trabalho escravo.

(Repórter Brasil)

A partir do cruzamento de dados do Cadastro de Empregadores flagrados com trabalho escravo, mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (mais conhecido como a “lista suja” do trabalho escravo) e as informações de doadores de campanhas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral, organizadas pelo Portal Às Claras, a Repórter Brasil mapeou todos os candidatos e partidos beneficiados entre 2002 e 2012 por empresas e pessoas flagradas explorando trabalhadores em condições análogas à escravidão.

PTB e PMDB são os partidos que mais receberam dinheiro dos atuais integrantes da “lista suja” no período e o recém-criado PSD é o que mais recebeu dinheiro na eleição de 2012.

Ao todo, 77 empresas e empregadores flagrados explorando escravos que constam na lista atual fizeram doações a políticos, o que equivale a 16% dos 490 nomes. Eles movimentaram R$ 9,6 milhões em doações, em valores corrigidos pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O levantamento mostra que os quase R$ 10 milhões se distribuem entre 23 partidos políticos, considerando as doações feitas aos seus candidatos ou diretamente às agremiações, através de seus diretórios regionais.

Como a inclusão de um nome na “lista suja” demora em função do processo administrativo decorrente do flagrante, no qual quem foi autuado tem chance de se defender, e considerando que, em linhas gerais, as doações eleitorais são fruto de relações prolongadas e não pontuais, a Repórter Brasil incluiu mesmo doações feitas em pleitos anteriores à inclusão no cadastro. O levantamento informa as doações dos atuais integrantes da relação, e não de todos os que já passaram por ela.

Já o PMDB, segundo colocado entre os partidos que mais receberam de escravocratas, teve como beneficiárias 40 candidaturas ao longo dos dez anos estudados. O valor de R$ 1,9 milhão contribuiu para que 12 prefeitos, seis vereadores e três deputados federais fossem eleitos.

Somente o produtor rural José Essado Neto doou R$ 1,6 milhão ao partido, que o abrigou por três pleitos até alcançar o cargo de suplente de deputado estadual em Goiás em 2010, quando declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 4,3 milhões em bens. Ele entrou na “lista suja” do trabalho escravo em dezembro de 2012, depois de ser flagrado superexplorando 181 pessoas.

infograficoReporterBrasil

Doações ocultas

No Brasil, a lei eleitoral exige que os candidatos prestem contas e deixem claro quem financiou suas campanhas. Deve ser discriminado, também, todo o montante que veio do próprio candidato – as chamadas “autodoações”.

Dos R$ 9,6 milhões gastos por escravocratas em campanhas eleitorais, R$ 2,3 milhões – ou quase um quarto do total – vieram de 19 pessoas nessa situação, ou seja, políticos flagrados com trabalho escravo que doaram a si mesmos.

O recurso, no entanto, dá margem para corrupção, permitindo que os pleiteantes a cargos eleitorais sejam financiados “por fora” e injetem o valor na campanha como se fosse proveniente do seu próprio bolso, ainda que não seja possível presumir que seja esse o caso dos políticos da relação.

Outro possível artifício para se ocultar a quais candidatos serão direcionadas os recursos é a doação aos diretórios partidários, como explica a reportagem de Sabrina Duran e Fabrício Muriana para o projeto Arquitetura da Gentrificação sobre a atuação da bancada empreiteira na Câmara dos Vereadores de São Paulo. Por meio dessa modalidade, os valores são distribuídos pelo partido ao candidato, sem que o próprio partido tenha de prestar contas e informar de quem recebeu o dinheiro. Os integrantes da “lista suja” do trabalho escravo usaram esse expediente em 36 ocasiões diferentes, totalizando R$ 1,3 milhão, valor cujo destino não é possível ser conhecido.

Escravocratas e ruralistas

escravo_2

Entre os que têm defendido publicamente proprietários de empresas e fazendas flagradas explorando trabalhadores em condições análogas às de escravos no Congresso Nacional estão integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária, a chamada Bancada Ruralista. Os integrantes de tal frente pertencem a partidos que estão entre os que mais receberam dinheiro de escravocratas.

A votação na Câmara dos Deputados da PEC do Trabalho Escravo, que determina o confisco de propriedades em que for flagrado trabalho escravo e seu encaminhamento para reforma agrária ou uso social, é um exemplo de como o interesse dos dois grupos muitas vezes converge. Dos seis deputados federais em exercício na época da aprovação da proposta na Casa que foram financiados por escravocratas, três se ausentaram da votação, conforme é possível ver no quadro ao lado. Três votaram pela aprovação.

Em outros casos, tais associações também ficam evidentes, como no processo de flexibilização da legislação ambiental com a reforma do Código Florestal. A mudança, que diminuiu a proteção às florestas nativas e foi aprovada em abril de 2012, teve apoio dos seis partidos que mais se beneficiaram com doações de escravocratas e que, juntos, receberam R$ 7,9 milhões, ou 82% do total.

Outras empresas

Juan Hervas
Juan Hervas

O levantamento levou em consideração a “lista suja” do trabalho escravo tal qual sua última atualização, de 17 de setembro, o que exclui empresas que forçaram suas saídas da relação através de liminar na Justiça, como a MRV, e outras que devem entrar em atualização futura, como a OAS.

Nos dois últimos anos, a MRV foi flagrada em quatro ocasiões diferentes – em Americana (SP), Bauru (SP), Curitiba (PR) e Contagem (MG) – explorando trabalhadores em condições análogas às de escravos. A empresa é uma das maiores construtoras do Minha Casa, Minha Vida, programa do governo federal de moradias populares instituído em 2009. Nas eleições de 2010 e 2012, a construtora doou um total de R$ 4,8 milhões a candidatos e partidos políticos, em valores corrigidos pela inflação.

Já a OAS foi autuada no mês passado por escravizar 111 trabalhadores nas obras de ampliação do Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. Terceira empresa que mais fez doações a candidatos de cargos políticos entre 2002 e 2012, a empreiteira desembolsou R$ 146,6 milhões (valor corrigido pela inflação) no período. A OAS também faz parte do consórcio que venceu a licitação para a concessão do Aeroporto de Guarulhos à iniciativa privada no ano passado.

(Transcrito da Comissão Pastoral da Terra)

O imposto indireto dos pobres paga as ricas campanhas eleitorais

Uma campanha eleitoral pode ser uma maneira de lavar dinheiro. Uma grande feira de notas frias.

De sonegar o fisco, que todo gasto pessoal e doações são descontáveis no imposto de renda.

Existem outras rentabilidades, além do caixa dois, da armação de uma campanha como trampolim para a próxima eleição.

Dois exemplos: O doador entrega cem e recebe um recibo de um milhão. O candidato gasta nenhum tostão e diz que desembolsou um milhão.

Acontece da cidade ser pobre de marré deci, mas o município rico, rico, rico em latifúndios de soja, de milho e outras lavouras de exportação.  Rico em minérios.

Ninguém joga dinheiro no mato.

Candidato:
Eu sou pobre, pobre, pobre
De marré, marré, marré
Eu sou pobre, pobre, pobre
De marré desci

Empresa:
Eu sou rica, rica, rica
De marré, marré, marré
Eu sou rica, rica, rica
De marré desci

Empresa:
Quero uma de vossas filhas
De marré, marré, marré
Quero uma de vossas filhas, de marré desci

Candidato eleito:
Escolhei a que quiser
De marré, marré, marré
Escolhei a que quiser, de marré desci

Escute a música para entender melhor porque as cidades continuarão pobres.