DITADURA . O silêncio dos mortos nos cemitérios clandestinos

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Estamos vivendo em uma democracia, e centenas de blogueiros chamados de “sujos” continuam ameaçados de ser amordaçados, a boca costurada pela censura por defender a democracia, a liberdade de expressão e a felicidade do povo em geral.

Não se pode acreditar em ditadura “branda”, em ditadura “suave”, e outras definições masoquistas, para entorpecer o medo e acalmar os covardes, quando existe uma campanha de ódio, de apologia do golpe com intervenção militar, e ameaças de morte, inclusive uma lista de mortes anunciadas que começa com o assassinato de Dilma Rousseff.

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O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) esteve nesta quinta-feira (17/9) em Goiânia a convite da Corregedoria-Geral da Justiça para participar do I Workshop da Justiça Criminal, realizado na Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego) e não poupou críticas à presidente Dilma Rousseff (PT) e ao difícil momento vivido pelo País.

Bolsonaro vê imigrantes como “ameaça” e chama refugiados de “a escória do mundo”.

Sem medir palavras, o parlamentar afirmou, em entrevista exclusiva ao Jornal Opção que, se dependesse dele, a petista deixaria o Palácio do Planalto imediatamente, nem que para isso ela tenha que morrer.

“Espero que o mandato dela acabe hoje, infartada ou com câncer, ou de qualquer maneira”, dispara e completa: “O Brasil não pode continuar sofrendo com uma ‘incompetenta’, somos grandes demais para isso”.

Sobre a condenação sofrida por ele, na qual terá que pagar a deputada federal Maria do Rosário (PT-­RS) R$ 10 mil por danos morais, por ter dito que a petista “não merece ser [sequer] estuprada”, Bolsonaro ressalta que vai recorrer da sentença.

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Principalmente os deputados federais devem denunciar os inimigos do povo, dos direitos humanos, dos direitos trabalhistas e da justiça social.

Devem denunciar os que pretendem o emprego terceirizado, o financiamento das campanhas eleitorais pelas grandes empresas, e os golpistas que querem acabar com os programas sociais do governo de Dilma.

Para tanto, precisam usar um vocabulário afirmativo e esclarecedor, inclusive como resposta a campanha terrorista da imprensa vendida ao imperialismo.

Eduardo Cunha assumiu a presidência da Câmara dos Deputados este ano, e já causou demasiados estragos. É um oportunista que deve ser desmascarado. E sempre nomeado como ditador, primeiro-ministro, inimigo do povo e do trabalhador, por querer impor o emprego terceirizado, e inimigo do Brasil, por ser lobista de multinacionais, e defender o financiamento das campanhas eleitorais pelas grandes empresas.

E lembrar, e demonstrar que não existe golpe sem prisões, tortura, clandestinidade, exílio e morte.

Tolo é quem acredita no mito do Brasil “cordial”. E vai na conversa dos que pretendem provar que a ditadura brasileira matou menos do que a de Pinochet.

Os fanáticos religiosos e os neofascistas não acreditam em holocausto, em campos de extermínio na Alemanha e países ocupados pelos nazistas na Segunda Grande Guerra, e que continuam escondidos os cemitérios clandestinos, cavados no Brasil da ditadura militar de 64.

Mario

Mario
Nani Nani

Juiz Sérgio Moro manda prender o preso preso Zé Dirceu

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Prender quem já está preso é coisa que só acontece no Brasil. Escrevem Carlos Rollsing e Humberto Trezzi no Zero Hora:

“Dirceu estava cumprindo prisão domiciliar em Brasília, onde foi detido. Ele ganhou esse benefício em outubro de 2014, após um período na Penitenciária da Papuda.

A nova ação da PF é denominada Operação Pixuleco (apelido pelo qual alguns dos indiciados na Lava-Jato se referiam à propina). São 40 mandados judiciais, sendo três de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e seis de condução coercitiva (quando o suspeito é conduzido para depor em delegacias). A ação acontece em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

A Polícia Federal prendeu ao amanhecer (desta segunda-feira 13 de agosto)  o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. A prisão preventiva foi decretada pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, no âmbito da Operação Lava-Jato, que investiga corrupção dentro da Petrobras”.

Como chamar a prisão de um preso?

Às 20h30m da sexta-feira 15 de novembro de 2013, Zé Dirceu se entregou à Polícia Federal, e nunca mais foi solto.

Parece que o juiz Sérgio Moro desconhecia que o José Dirceu já estava preso.

Prisioneiro é prisioneiro, não importa o lugar em que esteja detido.

Esse espalhafato da imprensa de anunciar a fantástica, esdrúxula,  aberrante prisão de um preso,  não passa de orquestrada manobra de propaganda política, coisa que o juiz Moro sabe fazer com maestria: transformar seus encarceramentos em manchetes sensacionalistas da imprensa dos quatro esses: sexo, sport, sangue e safada.

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Papa Francisco: “Una de las cosas que tenemos que lograr es una campaña electoral de tipo gratuito, no financiada”.

PIDIO A LOS CANDIDATOS “UNA PLATAFORMA ELECTORAL CLARA”

El Papa y las elecciones

 

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Francisco brindó una entrevista al periódico “La Cárcova News”, durante la cual fue consultado acerca de si tenía alguna sugerencia para los dirigentes políticos vernáculos de cara a las elecciones presidenciales, y respondió que les solicitaba “honestidad en la presentación de su propia postura”. “Que cada uno diga: nosotros, si somos gobierno, vamos a hacer ‘esto’. Bien concreto”, advirtió Jorge Bergoglio, quien reiteró que podría visitar el país en 2016.

En una de las preguntas de la entrevista, los jóvenes de la comunidad le consultaron al papa argentino Jorge Bergoglio si quería hacer alguna sugerencia a los políticos en un año de elecciones. “Primero, una plataforma electoral clara. Que cada uno diga: nosotros, si somos gobierno, vamos a hacer ‘esto’. Bien concreto. La plataforma electoral es muy sana, y ayuda a la gente a ver lo que piensa cada uno”, dijo Francisco, como primer sugerencia.

En ese marco, añadió que “a veces los mismos candidatos no conocen la plataforma electoral”. “Un candidato tiene que presentarse a la sociedad con una plataforma electoral clara, bien estudiada”, opinó.

En segundo lugar, el papa pidió a los dirigentes “honestidad en la presentación de la propia postura”. Por último, dijo que “una de las cosas que tenemos que lograr es una campaña electoral de tipo gratuito, no financiada. Porque en las financiaciones de las campañas electorales entran muchos intereses que después ‘te pasan factura'”.

“Hay que ser independientes de cualquiera que me pueda financiar una campaña electoral. Es un ideal, evidentemente, porque siempre hace falta dinero para los afiches, para la televisión. Pero en todo caso que la financiación sea pública. De este modo yo, ciudadano, sé que financio a este candidato con esta determinada cantidad de dinero. Que sea todo transparente y limpio”, concluyó.

A la pregunta de cuándo viajará a la Argentina, el pontífice respondió que esa visita se hará “en principio en 2016”, pero aclaró que “todavía no hay nada seguro porque hay que encontrar el encaje con otros viajes en otros países”.

En otro tramo de la entrevista, Francisco dijo que el problema de la droga “avanza y no se detiene” y agregó que le preocupa “el triunfalismo de los traficantes”. “Esta gente ya canta victoria, han vencido, han triunfado. Y eso es una realidad”, consideró. “Hay países o zonas donde todo está bajo el dominio de la droga. Con respecto a Argentina, puedo decir sólo esto: hace 25 años era un lugar de paso de la droga, hoy en día se consume. Y no tengo la certeza, pero creo que también se fabrica”, puntualizó. In Página 12/ Argentina

 

Pavel
Pavel

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Vereadora é eleita deputada apenas com campanha na internet em PE

Priscila Krause conseguiu uma vaga na Assembléia Legislativa após receber 47.882 votos

 

Priscila Krause foi eleita fazendo campanha só na internet
Poder da Web. Priscila Krause foi eleita fazendo campanha só na internet

Jornal O Tempo (MG) – Mesmo quem assistiu a todos os programas eleitorais na TV em Pernambuco não viu nenhuma vez a vereadora Priscila Krause (DEM) pedir votos para conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa. Fazendo campanha apenas pela internet, ela elegeu-se deputada estadual com 47.882 votos.

Os deputados mais bem votados foram o pastor Cleiton Collins (PP), com 216.874 votos, e o presbítero Adalto Santos (PSB), com 158.874.

Vereadora de oposição à gestão do pessebista Geraldo Julio no Recife, Priscila entendeu que não seria coerente pedir votos para os candidatos do PSB ao governo, Paulo Câmara, e ao Senado, Fernando Bezerra. Ambos tiveram vitórias folgadas sobre seus adversários.

“Não criei inimigos. [No meu partido] Sempre fui muito respeitada nos meus posicionamentos. Houve pressão de outros partidos e de pessoas que achavam que eu devia optar pelo pragmatismo eleitoral”, disse a deputada eleita, filha do ex-governador Gustavo Krause.

A própria equipe da democrata ficou responsável pela produção dos vídeos e pela publicação nas redes sociais. Priscila Krause diz que também procurava ela mesma interagir com os internautas.

Segundo a deputada eleita, no início houve restrições à decisão de não ir para a televisão até mesmo por parte de sua equipe. “Era uma ousadia muito grande. A equipe ficou dividida. Eu disse que o ônus era meu, que se viesse derrota, ela era minha”, disse.

Fora da TV, Priscila conseguiu uma vaga na Assembléia Legislativa, ao contrário de nomes tradicionais na Casa, que, mesmo aparecendo no guia (nome dado ao programa eleitoral em Pernambuco), ficaram de fora. Foi o caso de Terezinha Nunes (PSDB) e Antônio Moraes (PSDB). Ao todo, 49 deputados estaduais foram eleitos em Pernambuco.

Folhapress

A elite acredita que o povo é bobo e medroso

Nunca vi nenhuma propaganda competente fazer campanha positiva para o adversário político. Esta manchete do jornal O Globo reforça a imagem da Marina Silva coitadinha, frágil, lacriminosa, doentia, que não convenceu o eleitorado:

Para cientistas políticos, queda de Marina se deve a propaganda negativa contra ela

Fausto
Fausto

A queda da candidata do PSB, Marina Silva, nas pesquisas se deve à campanha negativa feita contra ela pelas candidaturas da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e do tucano Aécio Neves. É o que afirmam especialistas ouvidos pelo GLOBO. A nove dias para a eleição, Dilma ampliou para 13 pontos a vantagem sobre sua principal adversária. Se a eleição fosse hoje, a candidata petista teria 40% das intenções de voto, contra 27 % de Marina, segundo levantamento do Datafolha divulgado nesta sexta-feira. O ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) oscilou positivamente [?] um ponto e aparece com 18% das intenções de voto. O número de eleitores que não sabem em quem votar oscilou de 7% para 6%. Votos brancos e nulos são 5%.

– Essa campanha negativa produziu efeitos, sobretudo quando Dilma e Aécio mostraram a inconsistência do programa de governo e da sua capacidade de governabilidade de Marina – disse Fernando Antonio Azevedo, cientista político da Universidade Federal de São Carlos. [Discursos, debates, peças de propaganda têm essa finalidade: persuadir o eleitor a mudar de opinião (ação passiva), de atitude  (predisposições e indecisões) e de comportamento (ação ativa). Propaganda não se faz conforme o estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral e estaduais: de que todo candidato possui ficha limpa, e com as velhas promessas de sempre]

Alecrim
Alecrim

Para Azevedo, Marina foi beneficiada pela comoção na morte de Eduardo Campos, mas sofreu uma queda brusca logo que começou a ser questionada por seus adversários:
– Historicamente, quem vence o primeiro turno, normalmente ganha a eleição no segundo turno. Salvo mudanças de última hora, é possível afirmar que Dilma conseguirá renovar seu mandato.

[Mais do que a comoção, a propaganda emocional de Marina apelou para o voto de vingança. No velório, no enterro, inclusive com faixas e cartazes, apressadamente fixados nas ruas, os gritos de “justiça, justiça” pediam a condenação dos responsáveis pela morte de Eduardo Campos. As paredes das ruas de Pernambuco continuam pichadas com a frase “O PT matou Eduardo Campos”. Este linchamento funcionou em Pernambuco. O candidato Armando Monteiro que ia vencer disparado o primeiro turno, hoje perde. Tudo indica que a legenda não vai eleger nenhum deputado federal. E o candidato a senador, João Paulo, ex-prefeito do Recife, a cada dia perde votos. A incompetência da campanha não conseguiu demonstrar que os beneficiados com a morte de Eduardo foram os inimigos do PT. A campanha de Marina, em Pernambuco, é um apedrejamento. É uma campanha de ódio, de puro terrorismo. Não se vence uma campanha emocional de Marina viúva, vestida de negro, no mais pesado luto, com uma campanha racional como faz Armando Monteiro para governador de Pernambuco. Vale o mesmo para capirotar os mitos e lendas de “fada da floresta”, de “várias vezes ressuscitada”, de salva pela Providência Divina, de santa Nossa Senhora das Dores, de primeira presidenta negra, ex-empregada doméstica, de alfabetizada pelo Mobral da ditadura militar, de herdeira política de Chico Mendes, da criança que passou fome, de seringueira aos dez anos]

Enio
Enio

 

Para o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Paulo José Cunha, o crescimento de Dilma é resultado da campanha agressiva conduzida pelo PT nas últimas semanas.

– A pesquisa indica que Dilma aumentou sua intenção de voto em cima dos eleitores da Marina, o que significa que a agressividade da campanha da presidente funcionou. É uma campanha discutível do ponto de vista ético, mas conseguiu atingir seu objetivo. [Não existe ética em propaganda política. O mais próximo da verdade que se pode chegar é o slogan tipo “rouba, mas faz”. Em uma campanha política não funciona o slogan publicitário “lava mais branco”]

A perda de terreno de Marina principalmente no Nordeste mostra, para Cunha, que o discurso da campanha petista de ameaça de fim do Bolsa Família caso outro candidato vença a eleição está entre os principais fatores para sua recuperação.
– Esse é o eleitorado que mais se sensibiliza com esse discurso do medo. [Toda campanha política, toda campanha religiosa, toda campanha filosófica, para ser eficaz, cria o inimigo n.1. Isso vem sendo feito. Dilma é comunista, e foi guerrilheira. Todo comunista é ateu, e contra a propriedade privada, e inimigo dos Estados Unidos. Dilma é contra a família, defende os gays e o aborto. E a mensagem velada, elitista: Dilma é contra a tradição. Defende as quotas para os negros nas universidades, estimula a malandragem com o bolsa-família, penaliza a classe média com a lei que regulamenta o trabalho das empregadas domésticas etc.]

Cunha destacou uma fragilidade de Marina.
– De todos os candidatos, ela é a que tem maior volume de eleitores volúveis e isso pode explicar também o ritmo da queda dela nas últimas semanas. [Marina faz um discurso que não acredita e, politicamente, é uma candidata inconstante, sem fidelidade partidária. Fez carreira política no PT. Foi candidata a deputado federal derrotada, depois vereadora mais votada do Rio Branco, deputada estadual do Acre, Senadora duas vezes e ministra. Todas vitórias e conquistas que teve foram no PT. Nos últimos cinco anos, mudou de partido quatro vezes. Saiu do Partido dos Trabalhadores, fundou o Partido Verde, tentou criar o Partido Rede, entrou no PSB]

Nani
Nani

Em relação ao segundo turno, o professor acredita que é cedo para fazer prognósticos e que a igualdade de tempo de TV no horário eleitoral entre os candidatos na próxima fase pode mudar o cenário de desvantagem de Marina.
– Eu arrisco dizer que será um jogo muito apertado no segundo turno. [Neste primeiro turno, o crescimento de Marina se deu nos dez dias de trégua de luto de todos os partidos pela morte de Eduardo Campos. Apenas o PSB, com o apoio dos meios de comunicação de massa, não respeitou o pacto. Uma possível mudança do comportamento do eleitorado acontece logo depois de apurado os votos, antes da campanha do segundo turno recomeçar. Dou um exemplo: Jarbas Vasconcelos perdeu a primeira campanha para senador. Se a votação tivesse sido adiada por três dias, ou se existisse segundo turno, teria ganho. É o chamado pique (timig). Apesar da propaganda ser plágio, nenhuma campanha se parece. Como tudo pode acontecer (atos e fatos improváveis), um bom propagandista planeja várias estratégias]

  Roque Sponholz
Roque Sponholz

De acordo com o Datafolha, no segundo turno, a presidente teria 47% das intenções de voto, contra 43% de Marina. Na semana passada, a ex-senadora aparecia na frente, com 46% contra 44% da presidente. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, as duas seguem tecnicamente empatadas. [O que derrota Marina é o programa de governo que apresentou. As mudanças, os ajustes que fez enalteceram o governo de Dilma. Marina deu uma de propagandista de Dilma, ao executar uma das mais importantes leis da propaganda: a do exemplo, por ressaltar tudo de bom que o atual governo fez, e que deve ser mantido, em benefício do povo.

Esta entrevista com cientistas políticos, da empresa Globo, repetida nos portais estrangeiros, é antiética, porque se trata de uma peça de propaganda indireta. E o que é mais grave: uma propaganda enganosa, por fazer tudo que condena. Propaga o mais puro terrorismo. Pretende que o leitor acredite como negativa, agressiva e ameaçadora, inclusive por criar o medo, a campanha do PT.

Tem mais. A Folha de S. Paulo também faz campanha contra Dilma. Pesquisa do Datafolha sempre beneficia Marina, como antes dava como certa a eleição de Aécio.

Tiago
Tiago

 

Breve história da fome de Marina e a receita do ovo

Hélio Melo, Floresta do Alumbramento
Hélio Melo, Floresta do Alumbramento

A cronologia da vida de Marina Silva muda tanto quanto as suas opiniões.

Marina nasceu em Rio Branco em 8 de fevereiro de 1958.

“Em 1967, a família deixou o seringal em Bagaço para ir a Manaus abrir uma taberna, mas durou pouco tempo. Cinco meses depois, eles foram a Santa Maria no Pará, onde a situação era ainda pior. Em 1969, a família voltou para o seringal com a passagem paga pelo ex-patrão do pai de Marina. Aos 10 anos, Marina Silva começou a trabalhar no seringal para pagar a dívida que a família contraiu com o patrão”, registra Wikipédia.

Entre os 8 e 10 anos de idade, aconteceu a história do ovo, que se tornou peça emocional da campanha a presidente.

Fome é fome. Não importa quanto tempo dure. Marca, dolorosamente, a vida de qualquer pessoa

A fome de Marina Silva

Marina abonou o seringal aos 15 anos. Voltou para matar a fome de votos (T.A.)
Marina abandonou o seringal aos 15 anos de idade. Voltou para matar a fome de votos (T.A.)

 

por Kiko Nogueira:

O vídeo de um comício de Marina Silva em Fortaleza viralizou. O mote era sua defesa do Bolsa Família, programa que não será desativado em seu eventual governo.

Diz ela, emocionada:

”Eu sei o que é passar fome. Eu sei o que foi um sábado de aleluia em 1968. Tudo que minha mãe tinha, para oito filhos, era um ovo e um pouco de farinha e sal. Meu pai, minha mãe, minha avó, minha tia olhavam para aqueles oito irmãos. Eu me lembro de ter perguntado pro meu pai e minha mãe: ‘vocês não vão comer?’ Minha mãe respondeu: ‘nós não estamos com fome’. Uma criança acreditou naquilo. Quem viveu esta experiência, jamais acabará com o Bolsa Família. Não é um discurso, é uma vida. O compromisso não está escrito em um papel que depois eles rasgam e esquecem. Está escrito sabe aonde? Na carne deste corpo magro”.
É um testemunho contundente. Ela interrompe sua fala por causa das lágrimas. Há quem, compreensivelmente, chore ao ouvi-la.

Mas essa passagem da vida de Marina adquiriu um tamanho inédito apenas recentemente.

Uma biografia de 2010 acaba de ser relançada. “Marina, a vida por uma causa” foi escrita pela jornalista Marília de Camargo César, que ouviu familiares, amigos e pessoas próximas de Marina ao longo de meses — além, é claro, da própria MS.

A palavra “fome” aparece dez vezes em mais de 260 páginas. Em nenhum momento referindo-se ao que ela disse no Ceará.

Ela conta da influência da avó paterna, Júlia, com quem morou no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco: “Na Semana Santa, não se comia carne nem nada que tivesse açúcar. Minha avó fazia mungunzá sem açúcar, arroz-doce sem açúcar. Deve ser uma tradição vinda do Ceará”.

Marina, segundo aprendemos, era muito querida pela avó. Arnóbio Marques, ex-governador do Acre, que a conhece “há uns duzentos anos”, aparece dizendo: “É a única pobre mimada que conheço”.

Marina tinha 10 anos quando do almoço mencionado no palanque. Há um testemunho da época no livro:

“Desde uns dez anos de idade, eu acordava todo dia por volta de quatro da manhã para preparar a comida que meu pai levava para a estrada da seringa. (…) Todo dia preparava farofa. Às vezes com carne, mas quase sempre com ovo e um pouquinho de cebola de palha, acompanhada de macaxeira frita. Aí botava dentro de uma lata vazia de manteiga, com tampa. Manteiga era comprada só quando minha mãe ganhava bebê. Meu pai encomendava no barracão — o entreposto de mercadorias mantido pelo dono do seringal — uma lata, pra fazer caldo d’água durante o período de resguardo. Por incrível que pareça, a manteiga vinha da Europa para as casas aviadoras de Manaus e Belém e dali chegava aos seringais do Acre.A lata era uma coisa preciosa. De bom tamanho, muito útil, tinha tampa e desenhos lindos e elegantes”.

Num outro trecho sobre a infância:

“Minhas irmãs também faziam as mesmas coisas que eu. As outras crianças, filhas de meus tios, do vizinho do lado, também iam pro roçado, iam buscar água no igarapé, varrer o terreiro, ajudavam a plantar arroz, milho e feijão. O pai à frente, cavando as covas, e elas colocando a sementinha nas covas. Você não tinha nenhum instrumento para ver uma realidade oposta àquela, para dizer: por que os filhos do fulano de tal ficam só brincando e nós, aqui, trabalhando? Não existia isso. Havia até um prazer de poder ajudar nossos pais a diminuir o fardo deles”.
Não se coloca em dúvida que Marina enfrentou enormes atribulações e é dona, sim, uma trajetória notável. A ex-seringueira acreana adquiriu malária cinco vezes, alfabetizou-se aos 16, chegou a senadora e ministra e concorre à presidência. Uma vencedora.

Mas a cartada da fome é típica de um populismo que, esperava-se, passaria longe da “nova política”. Quando ditou suas memórias, aquele sábado dramático, portinariano, não mereceu qualquer evocação. Hoje, talvez por insistência dos marqueteiros, a cena virou o filme.

É difícil competir com isso. Aécio, moço bem criado, não tem o que oferecer nesse quesito. Dilma poderia apelar para o câncer ao qual sobreviveu para provocar a empatia da superação.

Se o fizesse, porém, a candidata do PSB provavelmente estaria pronta para acusá-la de demagogia.

A revelação em Fortaleza é mais uma faceta de um personagem surpreendente, cuja história não vai parar de ganhar novos capítulos e ser reescrita. Pelo menos até o fim das eleições.

A vida farta no seringal 

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por Altino Machado

 

A agricultora Maria Deuzimar da Silva Vieira, 59 anos, irmã mais velha da presidenciável Marina Silva, 56, é casada, mãe de quatro filhos e avó de sete netos. Ela mora na colônia Vista Alegre, de 96 hectares, a 17 quilômetros da margem da BR-364, numa área que fazia parte do antigo seringal Bagaço, onde Marina nasceu.

Na Amazônia, mulheres não costumavam cortar seringa. Deuzimar, Marina e Lúcia tiveram que aprender a produzir borracha para ajudar Pedro Augusto, o pai delas.

Vida no seringal – A gente vivia no antigo seringal Bagaço, local bem difícil. Não tinha rodagem e a gente sobrevivia de cortar seringa e de quebrar castanha. A produção era transportada no lombo de animais. Da nossa colocação até à sede do seringal, na beira do Rio Acre, a viagem chegava a demorar três dias dentro da mata. A gente entregava a produção para o patrão e recebia em troca o aviamento para continuar vivendo e produzindo mais borracha e castanha. Apesar de ser difícil, a gente achava bom. A gente era feliz. Cortei seringa dos 14 aos 19 anos junto com minha irmãs.[Deuzimar, começou cortar aos 14, Marina aos 10 anos] Não era comum mulheres no corte de seringa. Por isso, no Acre, existe gente que até duvida quando lê que Marina foi seringueira. Acontece que meu pai recebeu carta de um parente dizendo que a vida era melhor em Manaus e ele mudou para lá com a família quando éramos crianças. Meu pai passou a trabalhar como vigia, a cavar poços e a fazer outros serviços pesados pra conseguir sustentar a família em Manaus. A vida ficou mais difícil do que no seringal. Outro parente escreveu dizendo que a vida em Belém era melhor e mudamos para lá. A vida continuou difícil e meu pai decidiu voltar para o Acre depois de três anos. Mas ele não tinha dinheiro pra pagar as passagens de navio. Nosso ex-patrão pagou as passagens e nós voltamos pro seringal Bagaço com uma dívida enorme. Todo mundo dizia que a gente nunca ia conseguir pagar. Foi quando minha mãe, Maria Augusta, convenceu meu pai, Pedro Augusto, a ensinar a mim, Marina e Lúcia a cortar seringa. Marina começou no corte de seringa com dez anos. Meu pai produzia uma pela de borracha por semana. Com a ajuda das filhas, passamos a produzir três pelas de borracha por semana e meu pai logo conseguiu pagar a dívida. Nós passamos a ser consideradas fenômenos na região. “O Pedro Augustinho tem três filhas que cortam seringa. Pois não é que eles pagaram a conta cortando!”, diziam as pessoas com admiração. Uma coisa é ser filha de seringueiro, mas nós pegamos em facas para o corte da seringa. Meus pais tiveram onze filhos, mas três morreram. Estão vivos sete mulheres e um homem.

Um ovo para alimentar sete filhos – Eu vi minha mãe alimentar sete crianças com um único ovo. Alguém até já me perguntou a receita. É muito fácil: pega uma panela, põe no fogo com um litro de água, adiciona um pouco de sal, um pouco de óleo ou banha, umas palhinhas de cebola, quebra o ovo dentro quando a água estiver fervendo, depois despeja o caldo numa bacia com farinha e mistura. Está pronto o pirão com que nossa mãe chegou a alimentar sete filhos.

No seringal a gente vivia farto. Antes de sair do Bagaço, a nossa família nunca tinha passado fome. A vida de seringueiro era difícil, mas todo dia a gente tinha o que comer.

A história dos seringueiros é pouco conhecida

 

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Blogue Couro Vegetal/ Amazônia

 

Coronéis de Barranco
Com o início da demanda do mundo industrializado pela borracha, os empresários “Seringalistas”, ou “Coronéis de Barranco” estabeleceram na Amazônia um sistema de semi-escravidão capitalista: Eles obrigaram grande parte da população indígena de forma violenta a trabalhar para eles, transformando-os em “caboclos seringueiros”. Os trabalhadores nordestinos, que vieram na Amazônia em busca de emprego, caíram logo na dependência econômica dos Seringalistas e se tornaram os “seringueiros nordestinos”.

Concorrência internacional
Os ingleses logo descobriram o potencial econômico da borracha, e no ano 1876, um Inglês chamado Henry Wickham levou sementes de seringa da Amazônia para Inglaterra. Foram formados os seringais de cultivo na Malásia, e a produção estrangeira superou logo a produção Brasileira.

Soldados da borracha
Houve um segundo surto da borracha no Brasil durante a segunda guerra mundial, quando aumentou a demanda pela borracha e os brasileiros sujeitos ao serviço militar tinham que escolher entre lutar na guerra ou trabalhar como seringueiro na Amazônia. Estes “Soldados da Borracha” nunca conseguiram voltar para a terra deles, porque nunca foram pagos pelos Seringalistas.
Com o falecimento dos Seringalistas, devido á concorrência internacional, os Seringueiros ficaram entregues á própria sorte. Até hoje eles sobrevivem cultivando, caçando e vendendo borracha por um preço muito baixo.

Guardiões da floresta
A partir de de 1970 chegaram os fazendeiros na Amazônia, expulsando os Seringueiros, derrubando a floresta e assim iniciando os conflitos de terra. Sob esta ameaça, os seringueiros começaram a se unir em cooperativas e sindicatos, e surgiram as grandes lideranças dos seringueiros como Chico Mendes, assassinado em 1988 pelos fazendeiros Darly e Darcy Alves da Silva.

Assassino de Chico Mendes
[Hoje, um irmão dos assassinos de Chico Mendes apóia Marina Silva para presidente. O vice-governador do Acre, César Messias, latifundiário, que já presidiu a Assembléia Legislativa, é outro que apóia Marina.

Vice= governador César Messias, responde processo por sonegação
Marina Silva em campanha presidencial no Acre, com o vice= governador César Messias, que responde processo por sonegação

O marido de Marina era secretário adjunto de Desenvolvimento de Floresta, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis. Cuidava do envio de emigrantes haitianos e senegaleses para São Paulo. Daí a briga com o governador Geraldo Alckmin, comprada por Marina Silva. Vide links Haiti e Senegal]

 

Museu do seringal

A teoria da conspiração. Quem matou Eduardo Campos: a mão de Deus, que salvou Marina, um complô internacional ou quem o povo acredita?

Nos sete dias da trégua de luto pela morte de Eduardo Campos, espalhafatosamente quebrado pela grande mídia e pelo PSB (Marina Silva, familiares do morto) foi “feita” a cabeça do povo.

Eduardo Campos transformou-se em um mito mais forte que os de Arraes (em Pernambuco) e de Tancredo Neves (em Minas Gerais).

Sagrou-se como principal eleitor das eleições deste ano. Não há como Lula da Silva, um mortal, derrotar um santo e, mais do que santo um mártir, mais que se comprove que a queda do avião foi um acidente.

Porque, para vencer uma campanha emocional, é preciso muita competência dos propagandistas políticos  para reverter uma estratégia tão bem planejada e/ou executada.

O primeiro dia da campanha eleitoral na televisão foi fortalecer o mito.

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