O jornal que fez a campanha do golpe para Magalhães Pinto em 64, agora trabalha para Aécio

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Jornal conservador e golpista e direitista continua com sua propaganda suja favorável às podres elites de Minas Gerais, que promoveram o banqueiro e governador Magalhães Pinto chefe civil do golpe de 64.

O jornal Estado de Minas e seus irmãos bastardos Correio Braziliense e Diário de Pernambuco – o que restou do império de Assis Chateaubriand – sempre fizeram parte da imprensa vendida ao império, aos interesses coloniais da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, por um Brasil dependente, terceiro-mundista, dividido entre latifundiários, e suas riquezas entregues aos piratas estrangeiros.

Uma política que custa o suor, as lágrimas e o sangue dos sem terra, dos sem teto, dos sem nada, dos bolsas-família, dos que recebem o salário mínimo do mínimo.

Esquecem os descartáveis poderosos de hoje, que todos vão terminar no ostracismo e, também, com suas riquezas roubadas. Foi o que aconteceu com Magalhães Pinto. Foi o que aconteceu com Assis Chateaubriand.

Assim haverá de ocorrer com as botijas de ouro e nióbio e diamantes da família Neves, cuja fortuna será tomada pelas multanacionais, ou perdida, espero, para beneficiar o povo espoliado durante cinco séculos, desde o ano de 1536, quando foi conquistado Pernambuco, a primeira das 13 capitanias hereditárias, que originaram os estados brasileiros.

Para manter as capitanias que, políticamente, são transmitidas de pai para filho ou neto (de forma hereditária, como direito de sangue), o Estado de Minas realiza sua campanha contra Lula, não pelo que ele fez, mas pelo que representa como símbolo de combate a fome, e de ascensão social do negro e do mulato, e a felicidade do povo em geral. Por Independência ou Morte, uma Liberdade ainda que tardia (Libertas quae sera tamem).

liberdade mesmo que tarde

Delegado da PF do zé foi exonerado! E quer prender o Lula!

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PF do tucano PSDB PF do tucano PSDB

Escreve Paulo Henrique Amorim, com informação de Stanley Burburinho:

Delegado da PF que pediu para Lula depor na Lava Jato foi exonerado de cargo de chefia em 08/2013, pelo atual diretor-geral da PF.

Leia a história do pervertido pedido do delegado Joselio Azevedo de Sousa.

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Jornal mentiroso e safado. Não existe nenhum pedido da Polícia Federal, apenas, exclusiva e facciosa insinuação de um delegado, motivado pela vingança de ter sido demitido  de um poderoso cargo de chefia.

O desejo do delegado Joselio Azevedo era “produzir dano político e eleitoral, transformando a atividade policial em gazua de interesses partidários”.

O mesmo delegado, jogando na corda bamba, pediu “para interrogar Aécio Neves, de quem Yousseff não disse ‘achar’, mas ter certeza que recebia dinheiro de uma diretoria de Furnas, que dividiria com o falecido deputado José Janene, do PP”. A denúncia contra Aécio foi escondida pela imprensa.

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Mais de 4 milhões de habitantes na Região Metropolitana de Porto Alegre. Apenas 30 mil desejam o retorno da ditadura

A imprensa golpista sempre aumenta, amplia, avulta os números dos manifestantes que pedem o golpe, o retorno da ditadura, o fim da democracia.

Veja a orquestração da propaganda gaúcha:

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A palavra de um delator vale ouro para a imprensa bandida, vendida, mentirosa, safada e golpista. Veja a valorização

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Os jornalões orquestram a importância do depoimento do delator, denunciante, detrator, equivocador, enganador, inconfidente, hipócrita, farsante, loroteiro, trapaceiro, trampolineiro, patranheiro, impostor, enganador, embusteiro, falacioso, ardiloso, fingido, dissimulado, doloso, irreal, enganoso, seja o que for, pois não se sabe se foi um testemunho, ou confissão dada sob tortura física e/ou psicológica, com promessas de mil perdões, de liberdade e outras benesses de uma justiça facciosa, partidária, arbitrária, absolutista, ditatorial.

Tudo é possível. Moro u?

Que disse a presidente do Brasil que tanto incomodou os jornais da direita, da elite e da oposição?

A presidente Dilma Rousseff afirmou, nesta segunda-feira, que a contribuição de R$ 7,5 milhões da empreiteira UTC para sua campanha foi registrada e realizada de maneira legal.

— Eu não respeito delator. Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é que é. Tentaram me transformar em uma delatora — afirmou a presidente em Nova York, em suas primeiras declarações públicas desde a divulgação da delação premiada do dono da empresa, Ricardo Pessoa.

Dilma ressaltou que a empresa também fez doações a seu adversário no segundo turno da eleição presidencial, Aécio Neves, em valores semelhantes aos recebidos por sua campanha.

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Aécio é mentiroso

No Twitter hoje. Confira

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Aécio diz que não há liberdade de imprensa na Venezuela. Mas até a GloboNews estava lá cobrindo as mentiras do senador tucano

Os jornais da Venezuela – a maioria faz oposição ao governo do presidente Nicolás Maduro – exploraram a presença de Aécio e sua bancada golpista. Exageram inclusive na propaganda. Veja a manchete do diário El Nacional, de Caracas, hoje:

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É um jornal venezuelano da direita entreguista. Circula livremente, sem censura. Inclusive aproveita a presença de Aécio para promover uma marcha de protesto pelos “presos políticos”. Presos condenados pela Justiça.

O jornalismo do “jornalista” da Globo

Aos 50 anos, Globo tenta se desculpar de erros do passado. Erros que têm nome e sobrenome.

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Por Nirlando Beirão, na revista CartaCapital:

O problema do jornalismo da Globo começa com aquele “jornalista” que Roberto Marinho tanto insistia em apor à sua condição inequívoca, categórica e bastante autoritária de patrão.

Jornalista ele pode ter sido, sim, lá nos primórdios bicudos do século XX, mas, quando o doutor Roberto se firmou depois como operoso empresário, transitando alegremente na avenida de mão dupla aberta pelos interesses convergentes das Organizações Globo e do regime fardado, jornalista ele deixou de ser. Por mais que reivindicasse a mítica insígnia e a usasse abusivamente para constranger seus subordinados, o “jornalista” faleceu no momento em que passou a traficar a notícia em favor de suas finanças pessoais.

Mas não é assim que se comportam, no Brasil, nove entre dez dos oligarcas das comunicações? É verdade, mas o fato é que no quesito manipulação da verdade o doutor Roberto foi incomparável.

Nas sucessivas mesas-redondas que o Jornal Nacional promoveu dias atrás para festejar os 50 anos da emissora, o âncora William Bonner chegou a ensaiar um rápido mea-culpa a propósito de um ou outro episódio em que os interesses fiduciários e ideológicos do patrão prevaleceram sobre a verdade dos fatos.

Passeando o olhar por aquele cenário de grisalhos jornalistas, profissionais de respeito com muitas histórias nas costas, não dá para não sentir por eles uma simpatia solidária. Não deve ser nada fácil preservar certa decência numa escola de jornalismo que cobra ética dos adversários políticos e comerciais, mas não gosta de praticá-la, ela mesma.

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Vice de Aécio apresenta versão de “confronto” para defender a polícia de Beto Richa

Não teve confronto. Nem batalha campal. Veja abaixo a manchete mentirosa de um jornal vendido, governista e inimigo do povo.

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Não foi um dia de guerra. Foi um dia de massacre. Um dia com a cara nazista do governador Beto Richa.

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Aloysio Nunes defende governador do PR 

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Thiago Lucas
Thiago Lucas

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que disputou a vice-presidência na chapa de Aécio Neves, saiu em defesa nesta quinta-feira (30), do governador do Paraná e também tucano, Beto Richa, após o massacra dos policiais militares que deixou mais de 200 pessoas feridas em Curitiba.

Em resposta a senadores petistas que se revezaram na tribuna para criticar Richa e cobrar um posicionamento do PSDB, Aloysio acusou os professores de entrar em “confronto” com os policiais, e afirmou que não há “inocentes neste caso”.

“Não há inocentes neste caso, como o senhor quer apresentar as pessoas que confrontaram a polícia militar como sendo vítimas”, disse Aloysio em resposta ao líder do PT no Senado, Humberto Costa.

Segundo o senador tucano, a Polícia Militar do Paraná teve de reagir à tentativa dos manifestantes de invadir a Assembleia Legislativa. Ele afirmou, no entanto, que Richa vai apurar se houve excesso por parte da PM e, caso isso fique comprovado, punir os responsáveis.

“Confio na ponderação, no espírito democrático, do governador Beto Richa para que ele mande proceder as apurações, com rigor, para que, se houve indícios de excessos que possam ser atribuídos a membros das forças de segurança, eles sejam punidos”, disse. Mais de 200 pessoas feridas, oito em estado grave, os tucanos acham pouco.

Enquanto ocupou a tribuna, o líder do PT culpou o governador do Paraná pela chacina, e cobrou do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), uma posição sobre o assunto. “Onde está o senador Aécio Neves? Onde está o democrata, o defensor da boa gestão? Onde está o PSDB para aqui defender o indefensável, defender uma gestão temerária e, acima de tudo, a violência cometida contra os trabalhadores?”, disse.

Antes dele, a petista Gleisi Hoffmann, que é do Paraná, lamentou o episódio e disse que o Estado estava “de luto” pelo que aconteceu. Ela afirmou que nunca, em sua vida, havia visto tamanha truculência e observou: “Não podemos deixar que o governador não responda por essa barbaridade que foi feita”.

— O estado do Paraná está de luto pela forma como foram tratados os professores, os trabalhadores da educação que faziam ontem um manifesto na Assembleia Legislativa. Eu estive ontem com o senador Roberto Requião na Assembleia Legislativa do Paraná e também participei, junto aos professores, da manifestação que faziam, aliás estive junto aos professores quando foram atingidos por bombas de gás lacrimogênio, por cassetetes da polícia e por uma truculência incomparável — disse a senadora.

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Richa não tem mais condições de governar, afirma Requião

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confronto entre o peito e a bala

“Foi um massacre”, assim definiu o senador Roberto Requião (PMDB-PR), em entrevista ao Brasil 247, descrevendo a repressão da Polícia Militar do governador Beto Richa (PSDB), contra os professores estaduais. Requião acompanhou os fatos de dentro da Assembleia Legislativa do Paraná, em Curitiba.

“Uma violência absurda contra idosos, mulheres, jovens… Aqui, em Curitiba, o sentimento é de indignação, perplexidade e revolta”, completou o senador.

Requião foi à Assembleia, acompanhado da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Ambos tentaram convencer os parlamentares a não votar o pacote fiscal de Richa, que confisca R$ 2 bilhões da previdência dos servidores para tapar rombos no orçamento.

“Esse parlamento envergonhou o Paraná. Todos se venderam ao Beto. Votaram em troca de emendas e de pequenas benesses em suas localidades”, declarou Requião.

Segundo o senador, embora Richa tenha conseguido aprovar o pacote, ele perdeu as condições morais de permanecer no cargo. “Não tem a menor condição de governar. Antes desse massacre, a rejeição dele já era de 80%. Agora, vai bater no teto”, salientou.

Requião disse Richa só se mantém no cargo graças ao apoio quase absoluto da imprensa paranaense, que se replica também em veículos nacionais. “Como é que chamam de confronto um massacre que deixa 200 feridos? Era um elefante contra uma formiga”, pontua o parlamentar.

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Confisco de R$ 2 bilhões dos fundos dos servidores

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Como é característico de Requião, não poupou críticas ao governador e disse que o Paraná foi tomado por uma “quadrilha”.

“Beto elevou a distribuição de dividendos das estatais, como Copel e Sanepar, para os sócios privados e esmagou os professores. O que fazer diante desse quadro?”, indagou.

Segundo ele, agora os parlamentares pedirão um posicionamento do Ministério da Previdência sobre o confisco de R$ 2 bilhões dos fundos dos servidores. Requião avalia que, depois do massacre deste 29 de abril, os professores dificilmente retomarão as aulas no Paraná.

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PARANÁ EM CHAMAS. O massacre a que Curitiba assistiu no 20 de abril

por Dimitri do Valle, especial para os #Jornalistas Livres

fotos de Leandro Taques

A série de explosões começou a ser ouvida pouco antes das três da tarde. Quem estava a distâncias que chegavam a seis quilômetros, por exemplo, conseguia ter uma ideia clara de que as coisas no Centro Cívico, a praça dos três poderes do Paraná (mais a Prefeitura de Curitiba), não estavam para brincadeira. Os estrondos eram resultado da ação violenta de policiais militares contra servidores públicos, a maioria professores da rede estadual.

Há dois dias, eles protestavam contra uma série de medidas de arrocho que a Assembleia Legislativa começava a colocar em segunda e última votação naquele momento. No final da tarde, sabia-se que houve pelo menos 107 feridos — dois policiais e 105 servidores. O placar medonho retrata um verdadeiro massacre.

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Já à noite, sabia-se que os feridos, aumentaram para 150, segundo informações oficiais do SAMU. Oito deles seguiam em estado grave por causa de mordidas de cães policiais e tiros com balas de borracha.

Na segunda-feira, com o registro de escaramuças entre PMs e servidores, mas em escala menor do que a de hoje, o fatídico e já histórico 29 de abril, os deputados já haviam aprovado em primeira votação, por 31 votos favoráveis contra 21 o tal pacotaço, encaminhado pelo governador Beto Richa (PSDB) para melhorar as finanças do Estado, cujos balanços festejados por ele mesmo durante sua campanha à reeleição, no ano passado, apontavam para uma contabilidade em céu de brigadeiro.

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Por mais de uma hora e meia, as bombas de gás e de efeito moral mostraram do lado de fora do parlamento estadual que eram a verdadeira garantia para a votação definitiva de hoje no interior do prédio, fazendo valer a vontade de Richa e de sua equipe de governo, comandada pelo baiano Mauro Ricardo Costa, importado pelo tucano para seu segundo mandato e já conhecido pelos serviços prestados na área fazendária da Prefeitura de de Salvador (BA), gestão de ACM Neto (DEM), e no governo de São Paulo, na gestão de José Serra (PSDB). A sessão prosseguia, sem final previsto, até a conclusão desta reportagem.

No entanto, à medida em que as bombas, os cães, as balas de borracha e os cassetetes caíam sobre os manifestantes armados apenas com gritos e palavras de ordem, deputados preocupados com a onda de violência que se desenrolava na praça principal, em frente a Assembleia, batizada de Nossa Senhora da Salete (trágica ironia), chegaram a sair do prédio para pedir calma aos policiais. A exemplo de servidores públicos feridos, com quem ficou lado a lado durante a confusão e barbárie generalizada na praça, o deputado Rasca Rodrigues, do PV, saiu no prejuízo e foi mordido por um dos cães da tropa de choque da PM, além de ter aspirado gás de pimenta e lacrimogênio. Voltou ao prédio com sangue escorrendo pelo braço.

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Proibidos de se aproximar da Assembleia Legislativa por grades e um cordão humano de 1.500 policiais, a maioria deslocados de batalhões do interior e sem garantia de pagamento de suas diárias, restou aos manifestantes fazer o caminho de volta, diante da intensa repressão policial que se iniciou. Eles voltavam correndo em direção à avenida Cândido de Abreu, a principal via de ligação com o Centro Cívico. Não estavam sozinhos.

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Muitos vinham carregando, como feridos da guerra campal, pelos braços e pernas, manifestantes desacordados e feridos.

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O prédio mais próximo em que eles poderiam ficar à espera de socorro, foi a Prefeitura, comandada atualmente por Gustavo Fruet (PDT), atual desafeto de Richa, que lhe negou candidatura a prefeito, em 2012 pelo PSDB, vindo a se candidatar e ganhar o poder da capital, como azarão.

O hall de entrada e salas próximas, onde o IPTU e tributos municipais são cobrados, foram transformados em hospital de campanha. Vídeos de smartphones com os feridos deitados, sangrando e sem camisa passaram a ser veiculados na internet. Mesas de trabalho viraram maca, e as poucas que chegavam, apareciam por meio das escassas equipes do SAMU, que estavam em dificuldades para se aproximar do Centro Cívico, por conta do bloqueio policial de ruas próximas, e à multidão em fuga por calçadas e a avenida principal.

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O expediente em toda a Prefeitura foi interrompido para que se desse cabo do atendimento aos feridos. Só ali foram acolhidos 35, muitos deles machucados no corpo, da cabeça aos pés, pelas balas de borracha das carabinas da tropa de choque e outros com dificuldade de respiração por inalação dos gases de dispersão, além dos atingidos de praxe pela força dos cassetetes. Testemunhas entre os manifestantes relataram ter visto um helicóptero com policiais atirando bombas em voos rasantes, no que seria o primeiro ataque aéreo feito contra seus próprios civis em território nacional.

Uma creche municipal que fica no Centro Cívico, a poucas quadras da praça onde a guerra prosseguia, testemunhou de dentro de suas paredes todo o terror protagonizado pelos policiais. Se a seis quilômetros, o barulho das bombas se fazia surpreender, como exposto no início deste relato, pode-se ter uma ideia da intensidade dos estrondos e do eco provocado dentro da creche infantil, exposta ao barulho das explosões e dos gritos dos manifestantes, apoiados por potentes carros de som, além do incômodo nauseante da fumaça dos gases de dispersão. O choro tomou conta das crianças, funcionários e professores, que não tinham a quem recorrer, restando torcer para que tudo terminasse o mais breve possível, o que não aconteceu.

Do ponto de vista militar, a polícia cumpriu, mesmo com o uso de força excessiva, a missão de deixar afastados da Assembleia os manifestantes, o que não havia conseguido em fevereiro, quando Richa tentou colocar o pacotaço em votação pela primeira vez, ocasião em que foi rechaçado pela presença de 20 mil manifestantes e um mês de greve dos professores, a maior categoria de servidores do Estado, com 50 mil profissionais. Naquela ocasião, os deputados da bancada governista tiveram que entrar na Assembleia dentro de um vetusto e gigante camburão policial de cor preta. Tentaram encaminhar a votação do restaurante da assembleia, pois o plenário havia sido ocupado, mas tiveram medo da reação dos manifestantes e adiaram o intento.

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Como se percebe, era questão de tempo para Richa assimilar o recuo, reorganizar a tropa, tanto a da fiel Assembleia, como a das balas, bombas e porretes, para fazer valer seu projeto que tira vários direitos do funcionalismo, como o corte de licenças de parte dos professores, o livre uso de recursos dos fundos estaduais, inclusive o do poder Judiciário, aumento da alíquota do ICMS de mais de 90 mil produtos, e mudanças no setor de previdência dos servidores, que os obrigarão a pagar um índice extra caso queiram manter seus salários integrais acima de R$ 4,6 mil.

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O preço político a ser pago para os principais atores do episódio, como Richa e seus colaboradores no governo e na Assembleia, ainda é tão nebuloso e maleável quanto a fumaça de cor branca das bombas que tomou conta do Centro Cívico e fartamente captada pelos celulares dos prédios próximos.

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Antes que o leitor estranhe esse direcionamento nessa parte do texto, um pouco de história recente da política local. Em 30 de agosto de 1988, a PM reprimiu no mesmo Centro Cívico, um protesto de professores da rede estadual, no então governo de Álvaro Dias, na época no PMDB, e hoje senador filiado ao PSDB. Muitos decretaram o fim de sua carreira política, marcado pelo pisoteio da cavalaria em professores desarmados, mas Álvaro segue firme na lida. Tirando duas derrotas circunstanciais ao governo paranaense, contra Jaime Lerner, em 1994, a novidade política daquele ano, e Roberto Requião, em 2002, apoiado por nada menos do que o presidente Lula, o bamba da vez, Dias é o senador com mais mandatos eleitos. Ganhou, por exemplo, com ampla folga mais oito anos em 2014. Já havia sido eleito em 2006 e em 1998, portanto, depois da pancadaria de 88.

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Richa tem um destino mais incerto, mas nem por isso menos favorável. Richa encarna o antiesquerdismo visceral de boa parte do eleitorado paranaense atual. Com o tempo, como todo político, pode ser beneficiado pela diluição natural do episódio dantesco, assim como aconteceu com Álvaro Dias. A diferença é que, pelo tamanho do massacre e sua presença constante na internet (ferramente inexistente na época de Álvaro), Richa poderá passar o que resta do seu segundo mandato tentando explicar os “comos” e “por ques” de tanta violência contra profissionais da Educação. E mais: boa parte da população paranaense, assim como a brasileira, ainda marca sua rotina diária em frente à televisão pelo noticiário das emissoras de sinal aberto. Nesta noite, Richa pode ser beneficiado ou não pelos filtros editoriais e critérios supostamente jornalísticos (“não abusar das imagens, tem muita criança assistindo neste momento”, pode ser um deles, sim) lançados à mão por editores e cúpulas das emissoras.

A administração de Richa enfrenta também profunda investigação sobre supostos pagamentos de propina a servidores da Receita Estadual de Londrina, no Norte do Paraná, sua cidade natal, por empresas pressionadas a se verem livres de qualquer fiscalização e cobrança dos agentes do fisco. Um dos jornalistas mais premiados do Brasil, ao investigar o caso, teve que sair da cidade, pois recebeu a informação que seria morto em falso assalto a uma churrascaria que frequentava. O primo de Richa, Luiz Abi, é suspeito de estar por trás de fraudes de licitação para consertos de carros do governo, assunto que o jornalista ameaçado, James Alberti, da afiliada da Globo, no Paraná, também investigava em Londrina. Abi foi preso, a pedido do Ministério Público, mas atualmente responde ao processo de suspeita de corrupção em liberdade.

Beto Richa é filho de José Richa (morto em 2003). Richa pai teve papel de destaque na época da redemocratização, quando Tancredo Neves foi eleito presidente da República, no colégio eleitoral de janeiro de 1985. Se os militares da linha dura decidissem impedir a posse ou não reconhecessem o resultado da eleição indireta feita no Congresso Nacional, Richa pai havia se comprometido a participar de um plano para abrigar Tancredo no Paraná e resistir contra uma eventual tentativa de golpe, colocando a sua Polícia Militar, para proteger o novo presidente civil. Hoje, trinta anos depois, a mesma corporação, sob o desígnio de outro Richa, faz o caminho inverso, o da violência desenfreada, sem qualquer ligação com as garantias democráticas tão defendidas pelo próprio pai, como ficou explícito na tarde desse 29 de abril, marcada pelo frio e garoa que caiu no centro do poder da Capital do Paraná.

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