Infanticídio. O pai médico, a madrasta enfermeira, com a cumplicidade de uma assistente social, aplicaram a injeção letal em Bernardo, 11 anos, e ocultaram o cadáver

 

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As mais de 2 mil páginas do inquérito policial da morte de Bernardo Uglione Boldrini, entregues na tarde desta terça-feira no Foro de Três Passos, sustentam que o pai, o médico Leandro Boldrini, foi o mentor do assassinato junto com a madrasta Graciele Ugulini. Segundo a polícia, eles queriam matar o garoto há algum tempo e contaram com a ajuda da assistente social Edelvania Wirganovicz, que indicou para a polícia o local onde o garoto foi enterrado.

A madrasta, conforme o delegado Marion Volino, aparentou desde o começo estar feliz com o sumiço de Bernardo:

— Era visível a tranquilidade e até uma certa felicidade, em tese, pelo desaparecimento.

— Graciele iniciou um contato com Edelvania em fevereiro. Alguns dias antes, ela havia ido à cidade de Redentora e conversado com uma amiga, e lá colocou que Leandro queria matar Bernardo e que ela também queria — frisou Volino.

As duas teriam passado, então, a organizar a logística do assassinato, planejando o que deveriam ter em mãos, como abrir a cova e de que forma induziriam o garoto à morte. A tática utilizada foi a saída de casa para a suposta compra de um aquário, um forte desejo de Bernardo. Um quarto suspeito, Evandro Wirganovicz — irmão de Edelvania —, ainda é investigado e segue preso temporariamente. O Ministério Público deu parecer favorável ao pedido de prisão preventiva para a madrasta, o pai e a assistente social.

A inclusão de Boldrini no crime

Para relacionar Leandro Boldrini à arquitetura do homicídio, a polícia explicou que Edelvania comprou o sedativo Midazolam com receita fornecida pelo médico. A assinatura, porém, depende de conclusão pericial. Além disso, gravações telefônicas — que ainda são mantidas em sigilo — indicaram que teria ocorrido um acerto entre os advogados dos suspeitos, após as prisões deles, para que Leandro fosse livrado da culpa.

As contradições no comportamento do cirurgião, que nunca se importou com o filho e demonstrou preocupação anormal nos dias anteriores à morte, conforme depoimentos, convenceram a polícia de que o casal havia armado um plano para apresentar à sociedade e às autoridades.

— O medicamento (Midazolam) saiu da sala de endoscopia onde ele trabalhava. Naquele dia 4 de abril, eles bajularam o Bernardo. Aquele clima de tranquilidade era anormal. Familiares comentam nas ligações que o mentor foi Leandro. Ele sabia, como apuramos em telefonemas, que o guri não veio sentado no banco de trás do carro na tarde da morte — explicou a delegada Caroline Bamberg Machado, que conduziu as investigações. Fonte: Reportagem de Mauricio Tonetto, de Três Passos

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A maldrasta
A maldrasta

O menino de 11 anos que procurou a justiça

Bernardo Boldrini, 11 anos, procurou o Ministério Público por conta própria, pedindo para não morar mais com o pai e a madrasta. E indicou duas famílias com as quais gostaria de ficar.

Em janeiro, o menino esteve no MP de Três Passos, no Rio Grande do Sul, e relatou detalhes de sua rotina, marcada pela indiferença e pelo desamor na casa em que vivia. O pai, o médico Leandro Boldrini, 38 anos, a madrasta, a enfermeira Graciele Ugulini, 32, e uma meia-irmã, de um ano — de quem relatou ser proibido de se aproximar.

O juiz da Vara da Infância e da Juventude do Fórum de Três Passos, Fernando Vieira dos Santos, 34 anos, chorou ao lembrar que o caso do menino passou pelas mãos dele no processo movido pelo Ministério Público do município. O garoto pediu ajuda ao Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, órgão ligado à prefeitura, e a queixa chegou ao MP, que a transformou em um processo. A ação acabou na mesa de Santos, que intimou as partes. Como não havia registro de violência física, o magistrado optou por tentar preservar os laços familiares, suspendendo o processo por 60 dias para dar chance de uma reaproximação.

A negligência afetiva em relação a Bernardo chegou ao conhecimento do MP em meados de novembro. Na ocasião, um expediente foi instaurado para apurar o caso. A promotora da Infância e da Juventude de Três Passos, Dinamárcia Maciel de Oliveira, pediu informações a órgãos da rede de proteção, como o Conselho Tutelar e a escola em que o menino estudava, e fez levantamentos sobre parentes que poderiam assumir a guarda do menino.

No início do ano, Bernardo foi levado ao MP por um agente da rede de proteção. Apesar de ter negado sofrer maus-tratos e violência, disse que o pai era indiferente e que a madrasta implicava com ele. No fim de janeiro, a promotora ingressou com ação na Justiça pedindo que a guarda provisória fosse dada à avó materna, que mora em Santa Maria (RS). Desde então, nenhuma informação sobre problemas na relação familiar chegou ao MP.

Bernardo Uglione Boldrini desapareceu no dia 4 deste mês, quando foi assassinado com uma injeção letal aplicada pela madrasta enfermeira, e o corpo ocultado em uma cova cavada em um matagal próximo ao leito do rio Mico, em Frederico Westphalen.

Foi a denúncia do menino que fez a polícia, desde o início das investigações, a suspeitar que os assassinos eram o pai e a madrasta.

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Noelia Brito: Esse caso é um dos mais absurdos de conivência da justiça com a violência contra as crianças. O casal é de psicopatas sádicos que deveriam ter sido avaliados minuciosamente por profissionais capacitados. Quantos casos de violência doméstica não estarão sendo tratados com desleixo por nossas autoridades nesse exato momento?

Renato Janine Ribeiro: Nesse crime horroroso que terá sido o assassinato do pequeno Bernardo pela madrasta e pelo pai, me choca saber que o garoto, com apenas 11 anos, foi reclamar ao Conselho Tutelar – e não adiantou nada. Isso não o salvou. O juiz agora chora. Mas não seria melhor, nesses casos, proteger o indefeso? Se uma ação tão difícil quanto uma criança procurar o órgão competente – o que exige um nível de formação elevado – não dá certo, o que fazer para evitar novos infanticídios a domicílio?

Prazeres Barros: Fiquei chocada com esse caso. Como pode um PAI tratar o filho com tanto desprezo e indiferença? E a madrasta bandida que no perfil no Facebook ( fui olhar), além de não ter uma foto do garoto, não faz nenhuma referência a ele. É como se não existisse. Todos merecem apodrecer na cadeia, mas o pai é o pior para mim, pois cabia a ele a defesa do filho.

Rosemary Siqueira: OS MAGISTRADOS TAMBÉM TEM SUA CULPA, DEPOIS DA CRIANÇA TER IDO AO FÓRUM FAZER A DENÚNCIA, O JUIZ ACEITA E/OU PROPÕE UM ACORDO DE CONVIVÊNCIA MELHOR ENTRE PAI E FILHO, MAS NÃO ACOMPANHA … É COMO SE DISSESSE: ” PROBLEMA RESOLVIDO”

José Mário: Só pra constar, conselho tutelar hoje é mero aparelhamento dos governos…

Ricardo Antunes: Na dúvida o juiz deveria ter optado pelo que dizia a criança. Foi acreditar no pai e o garoto morreu duas vezes como disse em belo texto o professor Talis Andrade. É a justiça dos poderosos.

Janise Carvalho: Quando pensei que já tinha visto de tudo, o caso Nardoni volta a assombrar nossas noites: Me perguntando quantos Nardoni’s ainda precisamos conhecer

 

Graciele Uglini e Leandro Boldrini
Graciele Uglini e Leandro Boldrini

In Noelia Brito 

UPP, a Unidade de Pega Pretos profana o cadáver de Amarildo

Esta é a verdadeira história de Amarildo, 47 anos, pedreiro, pai de seis filhos, negro e morador da Rocinha, favela do Rio de Janeiro, contada por Edu H. Silva: Amarildo lutava para sobreviver com um salário de R$300,00 por mês (quase a metade de um salário mínimo) e, para complementar a renda, fazia “bicos” extras.

Uma situação com a qual, certamente, muitos trabalhadores e trabalhadoras se identificariam facilmente. Os nomes podem mudar. Podem ser Maria, José, Pedro ou Ana…mas são muitos os que conhecem esta situação de exploração.

Os enormes esforços do pedreiro para continuar vivendo e alimentar seus filhos foram bruscamente interrompidos entre os dias 13 e 14 de julho, quando ocorreu na Rocinha a “Operação Paz Armada”, mobilizando cerca de 300 policiais da chamada “Unidade de Polícia Pacificadora” (UPP), com o objetivo de prender suspeitos sem passagem pela polícia.

E sabemos, muito bem, que os policiais da UPP já entraram na comunidade com um perfil-padrão de suspeito na cabeça. O mesmo que é usado pelas polícias espalhadas pelo país inteiro, como ficou demonstrado, por exemplo, em uma ordem de serviço expedida, em fevereiro passado, pelo comandante da Polícia Militar em Campinas, Ubiratan de Carvalho Góes Beneducci,

para abordagem focada em “indivíduos da cor parda e negra,  com idade aparente de 18 a 25 anos”.

Amarildo se tornou, imediatamente, um “suspeito”, pura e simplesmente por ser preto e pobre. Assim como a enorme maioria de seus vizinhos na Rocinha, criminalizados por serem pobres, marginalizados por serem negros.

ANISTIA INTERNACIONAL

CONTRA A FARSA MONTADA

PELA POLÍCIA NAZISTA

DE SÉRGIO CABRAL

A Anistia Internacional, neste domingo Dia dos Pais, promoveu na Rocinha, favela do Rio de Janeiro, uma manifestação contra a farsa policial que pretende incriminar Amarildo como traficante e torturador e, também sua esposa, a viúva

 

 Elisabete Gomes
Elisabete Gomes

Os seis filhos de Amarildo participaram da manifestação ao lado da mãe. O primogênito, Anderson Gomes da Silva, de 21 anos, contou que nunca passou um Dia dos Pais tão triste como o deste domingo. “Enquanto eu estiver vivo, vou lutar pelo meu pai. A gente nunca passou um dia dos pais sem o nosso pai. Minha irmã de 6 anos pergunta pelo pai e eu respondo o quê? O que eu explico para ela? Eu não vou desistir. Enquanto estiver vivo, vou lutar por ele”, desabafou.

Foto Alessandro Costa
Foto Alessandro Costa

PERTO DE SEIS MIL DESAPARECIDOS

Informa o G1: A manifestação para protestar contra o sumiço do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde o dia 14 de julho, que durou uma hora, aconteceu no acesso à Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, onde ele morava.

Atriz Thayla Ayala marcou presença no protesto contra o sumiço do pedreiro Amarildo de Souza, na manhã deste domingo (11), na Rocinha, Zona Sul do Rio (Foto: Cristiane Cardoso/G1)
Atriz Thayla Ayala marcou presença no protesto contra o sumiço do pedreiro Amarildo de Souza, na manhã deste domingo (11), na Rocinha, Zona Sul do Rio (Foto: Cristiane Cardoso/G1)

Entre os artistas presentes, estavam as atrizes Thayla Ayala, Fernanda Paes Leme e a diretora Paula Lavigne. Segundo Thayla, o ato é uma junção de forças por uma única causa.

“A gente está usando o caso do Amarildo como exemplo, mas na verdade são 5600 desaparecidos só no Rio este ano. Isso mostra a falta de preparo da política pelos desaparecidos. A gente é chamado para juntar nossa força para uma marca, então porque não usar para uma causa assim. A gente está aqui para juntar força e para mostrar”, declarou a atriz em entrevista ao G1.

 

Fernanda Paes Leme também foi prestar solidariedade (Foto: Cristiane Cardoso/G1)
Fernanda Paes Leme também foi prestar
solidariedade (Foto: Cristiane Cardoso/G1)

Fernanda Paes Leme foi prestar solidariedade à família de Amarildo durante a manifestação. Para ela, a causa não é só da comunidade, mas sim de toda a população. “Eu vim dar um beijo nos filhos dele e em todos. A gente não pode deixar de ter uma resposta. Acho que essa mobilização é de todos, não só da comunidade. Não podemos deixar isso se apagar mesmo. Onde ele está? Já tem um mês e a gente precisa dessa reposta. A gente está de saco cheio já. São pessoas, a gente não pode brincar com isso”, disse.

Para onde vão os desaparecidos?

É conhecida a expressão popular: negro não morre, desaparece.

Nas escolas, o uso da palmatória. Sabatina. Também existia a brincadeira do ai. (Veja vídeo).

– Vamos brincar de ai?

– Como se brinca?

– A gente dá as mãos, e uma mão bate na outra. Quem falar ai, sai. Até ficar apenas um jogador, o vencedor.

Tinha outro jeito:

Perguntava-se:

– Você conhece a brincadeira do ai?

Se a respostas fosse: – não, se dava um beliscão.

Quando a vítima dizia ai, ouvia a resposta:

– Agora, você sabe.

Esta brincadeira do beliscão fez muito começo de namoro. O beliscão era suave, servia para criar um espaço de intimidade, e a garota fingia dor.

Nos porões da ditadura praticavam a brincadeira do ai. Com instrumentos usados contra os escravos nos antigos impérios, e outros inventados pela polícia das tiranias hodiernas.

No Brasil muitos levaram sumiço nesse jogo comandado pelos Ustra e os Curió.

Eles sabiam que estavam praticando um crime. Portanto, para esconder os mortos criaram os cemitérios clandestinos. Recentemente, um ex-goleiro do Flamengo fez o mesmo ou mandou. Muitos torcedores pediram a soltura do jogador que assassinou a amante grávida. Partes do cadáver foram jogadas para os cães. Cegos flamenguistas assinaram manifesto.

O secretário estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, anunciou em 2011, que quer dar fim à dor das famílias que tiveram parentes mortos de maneira cruel e enterrados em favelas da cidade. Beltrame lançou uma campanha de incentivo para moradores da região denunciarem a existência de cemitérios clandestinos e possíveis esconderijos de ossadas.

– Nós entendemos que precisamos buscar os restos mortais destas pessoas, como o Júlio Baptista, que desapareceu em 2009, para minimizar a dor das famílias que sofreram ou sofrem com isso, porque existem inquéritos abertos de acusações de homicídios, mas nós não temos o corpo para concluí-los.

Júlio Baptista é um agente de combate às endemias da Prefeitura do Rio (mata-mosquito) que está desaparecido desde o dia 9 de julho de 2009. A iniciativa da campanha teve início depois de a Secretaria de Segurança ter sido acionada pela família da vítima, morta por traficantes do local. De acordo com as investigações, ele teria sido confundido com um estuprador e morto pelo tribunal do tráfico que atuava na Nova Brasília. O corpo de Júlio nunca foi encontrado.

O Brasil todo pergunta:

– Onde estão os desaparecidos?

Eternamente vão ouvir esta música. Clique

O julgamento de Ustra: a memória contra o extermínio

Ontem
Ontem
Hoje
Hoje

Um dos assinantes do manifesto dos pijamas, teve seu julgamento em julho último.

Seu parceiro, coronel Curió também.

Este o medo dos que têm as mãos sujas de sangue. Sair do armário.  Dos porões da tortura.

Eles sabem que sequestros e ocultação de cadáveres são crimes permanentes.

No processo civil que a família do jornalista Luiz Eduardo Merlino move contra o coronel reformado do Exército Brasileiro, Carlos Alberto Brilhante Ustra. Foi a vez de 6 testemunhas de acusação prestarem seus depoimentos no Fórum [Palácio de Justiça] João Mendes, na capital de São Paulo.Todas as declarações das testemunhas convocadas confirmaram a tese de que Ustra era a autoridade que ordenava os interrogatórios e o início das torturas que aconteciam nos porões [caves] do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), órgão da ditadura civil-militar de que foi comandante entre outubro de 1969 e dezembro de 1973. Paulo Vannuchi e Leane Ferreira de Almeida, dois dos depoentes, disseram que Ustra participava pessoalmente das sessões de tortura que conduzia.
Merlino era militante do POC (Partido Operário Comunista) e tinha 23 anos quando foi preso sem ordem judicial, em 15 de julho de 1971, na casa de sua mãe, na cidade de Santos. No dia 19 do mesmo mês, a família receberia a notícia de que ele havia se suicidado, atirando-se embaixo de um carro na BR-116. Na verdade, Merlino passou horas sendo torturado no pau-de-arara, até que complicações por conta da gangrena que tivera na perna o levassem a morte. A agonia do jornalista em seus últimos momentos foi presenciada por algumas das testemunhas. Segundo elas, o militante chegou a ser levado ao Hospital do Exército, mas, ao saberem que teriam de amputar-lhe a perna, os torturadores preferiram deixá-lo morrer. Laurindo Junqueira Filho, outra testemunha, disse à juíza que um caminhão atropelou o corpo de Merlino, por diversas vezes, até esquartejá-lo, para dar maior veracidade à versão de suicídio.O coronel não compareceu ao Tribunal, e as duas advogadas que o representavam não se manifestaram em nenhum momento.

Um “fio de memória”


Enquanto ocorria a sessão, cerca de 300 pessoas ligadas a movimentos sociais, entidades de direitos humanos e solidárias à família manifestavam-se em frente ao Fórum João Mendes; fato que deixou Ângela Mendes de Almeida, ex-companheira de Merlino, bastante surpresa e entusiasmada. A família deu entrada na primeira ação declaratória em 2008, porém, através de um recurso, acatado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, a defesa do coronel conseguiu que o processo fosse arquivado. Hoje, para Ângela, o próprio fato de esta nova ação estar tramitando representa “um avanço no processo em que estamos vivendo, num momento em que se vive um retrocesso na Comissão da Verdade e Justiça”.
A ação civil declaratória movida contra Ustra não implica pena criminal nem envolve indenização pecuniária. Trata-se de um reconhecimento moral de que existiu de fato um terrorismo de Estado no Brasil, algo que acarreta consequências práticas para os dias de hoje. No entendimento da família do jornalista assassinado e seus apoiadores reunidos no Coletivo Merlino, o silêncio e o esquecimento do passado unem-se à inovada política do “medo” e da “segurança” para dar continuidade à violência institucional e, sobretudo, à “engenharia do extermínio dos pobres”. Para Nicolau Bruno, membro do coletivo, é importante que os grupos contra a tortura e os movimentos sociais “criem uma unidade, criem um fio de memória que ligue as lutas contra a ditadura às lutas contra a violência nas periferias”. Afinal, como fez questão de frisar na fala que encerrou a manifestação, “a luta contra a ditadura era, antes do mais, uma luta anticapitalista”.

Leia outros casos de terror

ONU apela ao STF para que aceite denúncia contra Curió

por Ronaldo Brasiliense

Deusa da justiça, por Griffin
Deusa da justiça, por Griffin

A ONU apelou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que aceite a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) para abrir um processo contra o coronel da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura. Para a ONU, a ação é um “primeiro passo crucial para lutar contra a impunidade que permeia o período do regime militar no Brasil”.

Em comunicado emitido nesta manhã, em Genebra, a ONU diz ter “esperança que o judiciário brasileiro irá assegurar os direitos fundamentais das vítimas à verdade e à justiça ao permitir que um processo criminal vá adiante”.

Segundo a Organização, a iniciativa dos promotores é um “elemento a muito esperado em direção à responsabilização pelas centenas de pessoas que desapareceram durante os 20 anos da ditadura e que continuam desaparecidas”. O comunicado foi emitido pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

Nessa quinta-feira, 15, a alta comissária adjunta das Nações Unidas para Direitos Humanos, Kyung-wha Kang, deixou claro, em entrevista ao Estado, que, na visão da ONU, a Lei de Anistia não blinda crimes relacionados com o desaparecimento de pessoas, que devem ser investigados.

“Nossa visão é de que leis de anistia não cobrem o desaparecimento”, disse a número 2 da ONU para Direitos Humanos. “A avaliação é que não há anistia para um crime que continua no tempo. Portanto, ele pode e deve ser investigado”, explicou. A avaliação dos juristas na ONU é de que, assim como um sequestro sem uma conclusão, o desaparecimento de uma pessoa não pode ser um crime que tenha prescrição.

Perdão para Curió. “MPF considera insuficientes os fundamentos da decisão do juiz Otoni Matos”

 

O Ministério Público Federal vai recorrer da decisão do juiz João César Otoni de Matos para que o coronel da reserva Sebastião Rodrigues Curió seja processado pelos crimes de sequestro contra guerrilheiros do Araguaia. Os procuradores da República que atuam no caso – do Pará, Rio Grande do Sul e São Paulo – já estão trabalhando no recurso que será dirigido ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

“Estamos efetivamente dispostos a cumprir a determinação da Corte Interamericana de Direitos Humanos que deixou clara a obrigação brasileira de trazer a verdade sobres os fatos que ocorreram naquele momento, de dar uma satisfação às famílias que até hoje não sabem o que ocorreu com seus parentes e também a cumprir o precedente do Supremo Tribunal Federal sobre vítimas de desaparecimento forçado”, diz o procurador da República Ubiratan Cazetta, um dos responsáveis pelo caso.

O procurador se refere à decisão da Corte da OEA sobre os crimes cometidos por agentes da ditadura na guerrilha do Araguaia que determinou ao Brasil “conduzir eficazmente, perante a jurisdição ordinária a investigação dos fatos do presente caso a fim de esclarecê-lo, determinar as correspondentes responsabilidades penais e aplicar efetivamente as sanções”.

E também a decisões do STF em pedidos de extradição do governo argentino em que os ministros decidiram extraditar militares acusado de sequestro. “Embora tenham passado mais de trinta e oito anos do fato imputado ao extraditando (desaparecimento forçado de presos políticos), as vítimas até hoje não apareceram, nem tampouco os respectivos corpos, razão pela qual não se pode cogitar, por ora, de homicídio”, disse o ministro Ricardo Lewandowski, relator de um dos casos.

“Não existe convicção de que as pessoas estão mortas, portanto, é fundamental que a Justiça analise os casos, permita a produção de provas, traga à luz a história dessas vítimas. Não se pode simplesmente presumir sua morte sem mais indagações e dispensando-se a instrução processual”, considera o procurador da República Tiago Rabelo, que atua em Marabá e trabalha há mais de dois anos colhendo depoimentos e testemunhos sobre as operações de repressão no Araguaia.

Na decisão de não receber a denúncia criminal contra Curió o juiz Otoni Matos considerou – dois dias depois de receber o processo – que a Lei da Anistia (nº 6.683/79) impede qualquer tentativa de punir os crimes do coronel reformado. “Pretender, depois de mais de três décadas, esquivar-se da Lei da Anistia para reabrir a discussão sobre crimes praticados no período da ditadura militar é equívoco que, além de desprovido de suporte legal, desconsidera as circunstâncias históricas que, num grande esforço de reconciliação nacional, levaram à sua edição”, diz o juiz João César Matos.

Para o MPF, a denúncia criminal contra Curió não questiona a Lei da Anistia e sim observa os precedentes do próprio STF em casos análogos, além de obedecer a decisão da Corte Interamericana, porque o Pacto Interamericano de Direitos Humanos foi assinado pelo Brasil e tem força de lei no país. “Se o Brasil não quer cumprir o pacto, o que seria uma decisão política absolutamente desastrosa na minha opinião, a adesão do Brasil tem que ser desfeita, isso tem que ser feito oficialmente. O país voluntariamente aderiu ao pacto e a partir disso precisa cumpri-lo, não pode se recusar toda vez que uma decisão lhe desagradar”, argumenta o procurador Cazetta

“O MPF considera insuficientes os fundamentos da decisão do juiz Otoni Matos, porque  afirma que a Lei de Anistia é válida e alcança fatos passados, mas não considera que ela própria, expressamente, se refere a fatos ocorridos até 15 de agosto de 1979, não se aplicando, portanto, a condutas que se prolongam no tempo, como no caso do crime de seqüestro referido na denúncia, de caráter permanente, já que não se sabe o paradeiro das vítimas” explica Tiago Rabelo. A permanência do crime é o argumento determinante para os procuradores da República que atuam no caso.

Os procuradores também ressaltam que a consumação do seqüestro não depende necessariamente da manutenção da vitima em cativeiro, como sugere a decisão. “O próprio STF já teve a oportunidade de tipificar fato idêntico como seqüestro qualificado”, repisa Rabelo.

“Não estamos questionando a decisão do STF de manter a validade da Lei de Anistia. Ao negar que o processo criminal continue, a Justiça sim contraria, não só a Corte Interamericana, como o próprio STF, que permitiu extraditar militares para serem julgados pelos mesmos crimes imputados ao coronel Curió no Brasil”, conclui o procurador Felício Pontes Jr. (As informações são do Ministério Público)

Verdadeiros juízes exigem o esclarecimento dos casos de tortura, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres pela ditadura militar

 

Manifesto Assinado por Juízes pela Comissão da Verdade

 

Nós, juizas e juizes brasileiros, exigimos que o país quite a enorme dívida que possui com o seu povo e com a comunidade internacional, no que diz respeito à verdade e justiça dos fatos praticados pela ditadura militar, que teve início com o golpe de 1964.

A Comissão da Verdade, criada por lei, é mecanismo que deve contribuir para melhorar o acesso à informação e dar visibilidade às estruturas da repressão, reconstruindo o contexto histórico das graves violações humanas cometidas pela ditadura militar e promover o esclarecimento dos casos de tortura, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres.

Estamos certos, como decidido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, que “as atividades e informações que, eventualmente, recolha (a Comissão de Verdade), não substituem a obrigação do Estado de estabelecer a verdade e assegurar a determinação judicial de responsabilidades”.

Manifestações que buscam cobrir as violações cometidas sob o manto da ignorância são um golpe para os direitos humanos e afrontam o patamar da dignidade humana estabelecido na Constituição Federal e normativa internacional. Todos e todas têm o direito de saber o que ocorreu em nosso país, tarefa que compete à Comissão da Verdade, a ser composta por pessoas comprometidas com a democracia, institucionalidade constitucional e direitos humanos.

Aguardamos que a Comissão da Verdade seja constituída o quanto antes, devidamente fortalecida e com condições reais para efetivação do seu mister.

Jorge Luiz Souto Maior – SP

João Ricardo dos Santos Costa – RS

Kenarik Boujikian Felippe – SP

Alessandro da Silva- SC

Marcelo Semer- SP

André Augusto Salvador Bezerra – SP

Gerivaldo Neiva – BA

Roberto Luiz Corcioli Filho – SP

Aluísio Moreira Bueno – SP

Carlos Frederico Braga da Silva – MG

Angela Maria Konrath – SC

Fernanda Menna Pinto Peres – SP

Adriano Gustavo Veiga Seduvim – PA

Rubens Roberto Rebello Casara – RJ

Mauro Caum Gonçalves – RS

Roberto Arriada Lorea – RS

Alexandre Morais da Rosa – SC

João Batista Damasceno – RJ

Marcos Augusto Ramos Peixoto – RJ

Lygia Maria de Godoy Batata Cavalcanti – RN

Luís Carlos Valois Coelho – AM

Dora Martins – SP

José Henrique Rodrigues Torres – SP

Andréa Maciel Pachá – RJ

Maria Coeli Nobre da Silva – PB

Ruy Brito – BA

Paulo Augusto Oliveira Irion – RS

Amini Haddad – MT

Geraldo Prado – RJ

Michel Pinheiro – CE

Alberto Alonso Muñoz – SP

Julio José Araujo Junior – RJ

Fernando Mendonça – MA

André Luiz Machado – PE

Grijalbo Fernandes Coutinho – DF

Fábio Prates da Fonseca – SP

Marlúcia de Araújo Bezerra – CE

Maria das Graças Almeida de Quental – CE

Rodolfo Mário Veiga Pamplona Filho – BA

Weliton M. dos Santos – MG

Célia Regina Ody Bernardes – MT

Oscar Krost – SC

Adriana Ramos de Mello – RJ

José Roberto Furquim Cabella – SP

Maria Cecília Alves Pinto – MG

Sergio Renato Domingos – SC

Mário Soares Caymmi Gomes – BA

Fábio Henrique Rodrigues de Moraes Fiorenza – MT

Jeferson Schneider – MT

Eduardo Vandré Oliveira Lema Garcia – RS

Lucas Vanucci Lins – MG

Douglas de Melo Martins – MA

Alberto Silva Franco – SP

Fernanda Souza P. de Lima Carvalho – SP

Cristiana de Faria Cordeiro – RJ

Umberto Guaspari Sudbrack – RS

Erico Araújo Bastos – BA

Edson Souza – BA

Amilton Bueno de Carvalho – RS

José Augusto Segundo Neto – PE

Salem Jorge Cury – SP

Rita de Cássia M. M. F. Nunes – BA

José Viana Ulisses Filho – PE

Milton Lamenha de Siqueira – TO

Maria da Graça Marques Gurgel – AL

Luiz Alberto de Vargas – RS

João Marcos Buch – SC

Ivani Martins Ferreira Giuliani – SP

Maria Cecilia Fernandes Alvares Leite – SP

Saint-Clair Lima e Silva – SP

Magda Barros Biavaschi – RS

Bernardo Nunes da Costa Neto – PE

Beatriz de Lima Pereira – SP

Rodolfo Mário Veiga Pamplona Filho – BA

Edvaldo José Palmeira – PE

Denival Francisco da Silva – GO

Maria Madalena Telesca – RS

Reginaldo Melhado – PR

Ana Claudia Petruccelli de Lima- PE

Albérico Viana Bezerra – PB

Carlos Eduardo Oliveira Dias  – SP

Ana Paula Alvarenga Martins – SP

Theodomiro Romeiro dos Santos – PE

José Tadeu Picolo Zanoni – SP

Maria Sueli Neves Espicalquis – SP

Sandra Miguel Abou Assali Bertelli -SP

Luís Christiano Enger Aires – RS

Carmen Izabel Centena Gonzalez – RS

Rute dos Santos Rossato – RS

Reno Viana  –  BA

Orlando Amâncio Taveira – SP

André Luis de Moraes Pinto – RS

Norivaldo de Oliveira – SP

Eugênio Couto Terra – RS

Denise Oliveira Cezar – RS

Helder Luís Henrique Taguchi – PR

Sérgio Mazina Martins – SP

Eugênio Facchini Neto –  RS

Gilberto Schäfer – RS

Rodrigo de Azevedo Bortoli – RS

André Luis de Moraes Pinto – RS

Paulo da Cunha Boal – PR

Laura Benda – SP

Joana Ribeiro Zimmer – SC

Bráulio Gabriel Gusmão – PR

Graça Carvalho de Souza – MA

Andrea Saint Pastous Nocchi – RS

Fernando de Castro Faria – SC

Dyrceu Aguiar Dias Cintra Junior – SP

Angélica de Maria Mello de Almeida – SP

Andréia Terre do Amaral – RS

Fabiana Fiori Hallal – RS

Maria Lucia Boutros Buchain Zoch Rodrigues – RS

Laura Borba Maciel Fleck – RS

Luís Fernando Camargo de Barros Vidal – RS

Régis Rodrigues Bonvicino – SP

Luis Manuel Fonseca Pires – SP

Carlos Vico Mañas  – SP

Mylene Gloria Pinto Vassal –  RJ

Leonardo Vieira Wandelli – PR

Luiza Barros Rozas – SP

Ana Izabel Ferreira Bertoldi- SP

Carlos Moreira De Luca – SP

Marcia Malvar Barambo –RJ

Hugo Cavalcanti Melo Filho – PE

Arnaldo Boson Paes – PI

Andréa Saint Pastous Nocchi – RS

Fabiola Amaral – SP

Cláudia Regina Reina Pinheiro – SP

José Carlos Arouca –  SP

Ione Salin Gonçalves

Siro Darlan de Oliveira – RJ

André Tredinnick  -RJ

Gustavo Tadeu Alkmim –  SP

Valdete Souto Severo – RS

Damir Vrcibradic – RJ

Claudia Marcia de Carvalho Soares – RJ

Cláudia Regina Reina Pinheiro – RJ

Silvio de Albuquerque Mota – CE

Tereza Cristina de Assis Carvalho – RN

Uruguai. Dentro de um quartel um cemitério clandestino


El antropólogo José López Mazz estimó que la zona donde se produjo el hallazgo de nuevos restos de un detenido desaparecido “posiblemente” sea parte de un cementerio clandestino. La Secretaría de Seguimiento continúa recibiendo información sobre posibles zonas de enterramiento.
El nuevo hallazgo de restos óseos de un detenido desaparecido en las entrañas del Batallón de Paracaidistas Nº 14 de Toledo, a escasos metros de la fosa donde se encontraron los restos del maestro Julio Castro, abre la posibilidad de que la zona sea un cementerio clandestino de la dictadura.

El trabajo del Equipo de Antropología Forense de la Udelar en una zona situada a los fondos del Batallón Nº 14, conocida como “los campos de Vidiella”, permitió el hallazgo en octubre de 2011 de los restos de Castro. La zona fue considerada entonces de “interés arqueológico” y se retomó la búsqueda.

En este sentido, el jefe del equipo de antropólogos, José López Mazz, aseguró que el nuevo hallazgo demuestra que “esta zona es importante y posiblemente sea el cementerio clandestino del cual hablaban los represores”. López Mazz refiere al posible hallazgo de “Arlington”, denominación utilizada por los militares para señalar un cementerio clandestino de la dictadura.

Los trabajos en el Batallón Nº 14 comenzaron tras una disposición del juez Penal de 2º Turno, Pedro Salazar. El magistrado valoró diversas pruebas que daban cuenta de posibles enterramientos en la zona, como el hallazgo en 2009 de pequeños fragmentos óseos y la constatación de movimientos de tierra. Asimismo, los antropólogos recibieron la versión de vecinos de Toledo “que vieron las máquinas trabajando entre 1984 y 1985, buscando cuerpos”, señaló López Mazz.

La búsqueda de restos por parte de militares sería la conocida “Operación Zanahoria”, por la cual se procuró el desenterramiento de los cuerpos de los desaparecidos. “Las expectativas bajan en la medida que, según numerosas versiones, fueron retirados muchos cuerpos, pero nos interesaba encontrar restos residuales o cuerpos que se les hubieran escapado”, afirmó. Los trabajos permitieron recuperar dos cuerpos completos.

Mismo patrón

López Mazz explicó que los dos cuerpos hallados en el Batallón Nº 14 tienen “el mismo patrón de enterramiento”, situándose a solo cincuenta metros de distancia uno de otro. En este sentido, destacó que la fosa de un metro de profundidad fue excavada en la piedra (“cuando hicieron la fosa llegaron a la piedra y siguieron con alguna herramienta unos 30 o 40 centímetros”).

El enterramiento fue similar: la excavación conformó un lecho de roca, lo cubrieron con cal, tras lo cual se arrojó el cuerpo y nuevamente cal, como forma de acelerar el proceso de descomposición del cuerpo. “El cuerpo estaría boca abajo, se ve la nuca, está bastante articulado”, explicó. Los antropólogos trabajaron varias horas en la liberación de las piernas, mediante una extensión de la excavación de un metro y medio, que demandó “un arduo trabajo”. A las 20 horas el cuerpo fue retirado en su totalidad y trasladado a una dependencia judicial.

TRAS LA LOCALIZACIÓN DEL MAESTRO JULIO CASTRO DIJO: “VAYAN HACIA LA DERECHA”
Militar detenido dio datos para
ubicar el cuerpo en Toledo

Un militar detenido por delitos cometidos en la dictadura fue quien informó al equipo de antropólogos la ubicación de los restos encontrados el jueves en el Batallón 14º. El cuerpo aún no fue desenterrado totalmente, se encuentra boca abajo y no se determinó su sexo ni la forma de muerte.

Huesos. En la tarde de ayer las piernas del esqueleto continuaban cubiertas por tierra y cal.

“Vayan hacia la derecha”. Eso fue lo que dijo un militar retirado para orientar al equipo de antropólogos hacia el cuerpo que fue encontrado el jueves en el Batallón 14º de Paracaidistas de Toledo. Unas semanas después de encontrar los restos de Julio Castro los antropólogos recibieron un nuevo dato por parte de un militar que permitió, una vez retomadas las excavaciones, encontrar el cuerpo.

“La información llega por los lugares más inverosímiles y casi permanentemente. La mayoría es falsa y es producto de gente con inventiva. Se va a buscar ahí y no hay nada pero en ese montón, llegan datos importantes”, manifestó el ministro de Defensa, Eleuterio Fernández Huidobro.

Fuentes vinculadas con el tema dijeron a Ultimas Noticias que las gestiones realizadas por el comandante del Ejército, general Pedro Aguerre, que se comprometió a buscar datos, “están dando sus frutos”.

Apenas asumió como comandante en Jefe del Ejército, el militar manifestó que toda la información que llegue a sus manos en relación al destino de los desaparecidos será elevada en forma inmediata al presidente y al ministro, aunque aseveró: “No voy a presionar a nadie”.

La fuente castrense fue la misma que aportó los datos que permitieron al grupo de antropólogos encabezado por José López Mazz encontrar los restos de Castro.

Los primeros datos forman parte de una información reservada que indica que en ese lugar hay al menos tres cuerpos. De todas maneras, esta segunda aparición reflotó la idea, entre los familiares, de la existencia de una fosa común.

López Mazz dijo ayer a los medios de prensa que “la información original que se tenía sobre ese lugar fue dada por vecinos que hace unos veinte años vieron máquinas trabajando buscando cuerpos para desenterrarlos. Vinimos para ver si encontrábamos restos residuales o cuerpos que hayan quedado olvidados”.

En ese sentido, indicó que la estimación primaria es que los cuerpos que continúan apareciendo se “escaparon” de la “Operación Zanahoria”, por la cual los militares habrían desenterrado cadáveres para quemarlos y tirarlos al mar.

Agregó que creen que hay otros nueve cuerpos en La Tablada pero por el momento no cuentan con datos exactos que les permitan llegar a ellos.

Dentro de la lista de desaparecidos que podrían estar en el Batallón 14º aparecen trece comunistas, dos integrantes del Partido Comunista Revolucionario, un tupamaro, un integrante del Frente Izquierda de Liberación (Fidel), Elena Quinteros como dirigente de Partido por la Victoria del Pueblo (PVP) y María Claudia García de Gelman como única desaparecida sin filiación política.

De ellos, solo tres son mujeres: la comunista Amelia Sanjurjo, Elena Quinteros y María Claudia García.

El cuerpo fue encontrado boca abajo y aún no está totalmente descubierto. La forma de enterramiento fue igual a la de Castro. Una vez realizado el pozo, primero se colocó cal, después el cuerpo y se volvió a poner cal sobre él. La maniobra, realizada con el objetivo de eliminar cualquier tipo de huella, ayudó a la conservación de los huesos. Los restos de ropa y de arpillera que fueron encontrados en el lugar ya están siendo analizados en un laboratorio. Los especialistas aseguraron que hoy al mediodía se terminará de desenterrar el cuerpo.

La proximidad con la fosa donde fue encontrado Castro hacen pensar a los especialistas que allí puede haber más restos óseos. López Mazz afirmó que “este nuevo hallazgo da grandes indicios de que puede haber más enterramientos clandestinos en el predio”.

Varios familiares se emocionaron al llegar al foso. Minutos antes había estado allí el presidente de la República, José Mujica, que permaneció por poco más de diez minutos y se limitó a decir: “No estoy en condiciones de reflexionar nada”. Desde la tarde del jueves, cuando la Secretaría de la Presidencia confirmó la noticia de que un nuevo cuerpo había sido encontrado en el Batallón 14º, varios familiares se dirigieron a Toledo con la intención de ingresar al lugar, pero recién les permitieron el acceso ayer sobre el mediodía. “Debemos tener paciencia. Lo observamos sabiendo que debemos dejar la ansiedad de lado”, dijo a Ultimas Noticias Ignacio Errandonea. “Nosotros confiamos en el trabajo de López Mazz y sabemos que se van a encontrar más cuerpos”, afirmó.

Asimismo, explicó que “ahora son solo unos huesos. Tratamos de no imaginar porque es muy difícil hacernos a la idea de cómo pudieron morir, de lo que pasaron y sufrieron”. De cualquier manera, la organización Familiares de Detenidos Desaparecidos emitió un comunicado en el que pidió “prudencia” para referirse al tema y recordó que llevan más de treinta años buscando a sus seres queridos.

El primer ADN con el que se cotejarán las muestras será el de Macarena Gelman, ya que las excavaciones fueron ordenas por el juez Pedro Salazar en la búsqueda de su madre, Maria Claudia García de Gelman.

De todas maneras, la Comisión de Seguimiento cuenta con un banco de ADN con muestras de los familiares del 80% de los desaparecidos.

“En los últimos meses el banco creció mucho y cada vez tenemos ADN de más familiares para cotejar”, explicó a Ultimas Noticias Eduardo Pirotto, que integra la Comisión de Seguimiento en representación de los familiares.

Los integrantes de la junta de médicos que se encargarán de desarrollar el protocolo de identificación son los mismos que trabajaron con los restos de Castro, presidida por Rossana Manikowski y María Imbert Rafael Roo.

El análisis de ADN se realizará al mismo tiempo en un laboratorio argentino y otro uruguayo, tal como se hizo en el caso de Castro, para garantizar los resultados.

La custodia de los restos se coordinará entre el grupo de antropólogos, el Instituto Técnico Forense (ITF) y el Banco de Órganos y Tejidos.

Fuentes judiciales explicaron a Ultimas Noticias que aún queda pendiente marcar la audiencia judicial con los antropólogos.

En esa oportunidad el juez dispondrá preparar la muestra de ADN para enviar a los laboratorios.

HUIDOBRO DIJO QUE FILMAN PARA LOS “ESTÚPIDOS”

El ministro de Defensa, Eleuterio Fernández Huidobro, se refirió a las dudas planteadas por los militares retirados sobre el hallazgo en el Batallón 14º de Paracaidistas de Toledo y la cercanía con el acto del 21 de marzo por el caso Gelman. “Da mucho trabajo prevenir a los estúpidos”, afirmó el secretario de Estado tras el acto de celebración del aniversario de la Fuerza Aérea en la base Boiso Lanza.

En ese sentido, explicó que un equipo de filmación trabaja de continuo y aseguró que se tomó esa decisión porque “hay demasiado estúpido suelto que va a decir algún día que todo esto se inventó”.

Fernández Huidobro aseveró que “es una tremenda falta de respeto” para el equipo de antropólogos liderado por José López Mazz. “Lo que han trabajado ahí es sobrehumano, nunca dejaron de trabajar aunque en los primeros tiempos no había resultados”, afirmó.

El ministro describió sus sentimientos al ingresar al predio. “Siento muy parecido a lo que sienten casi todos los familiares y la gente que trabajó, una mezcla de sentimientos”, apuntó. Agregó que el nuevo cuerpo encontrado confirmó la hipótesis de la existencia de un cementerio clandestino.

EL DESEO DE LUISA CUESTA

“Los milicos son todos unos sinvergüenzas. No puedo creer lo que hicieron”, dijo a Ultimas Noticias, Luisa Cuesta, emblemática figura de la Organización Madres y Familiares de detenidos desaparecidos. “A esta altura de mi vida, y con casi 92 años, ¿qué más puedo decir de cómo me siento? Lo que sé es que a los milicos no los soporto”, afirmó. En ese sentido, se limitó a expresar su deseo de que “en este país no hubiera militares. Durante la dictadura ocurrieron demasiadas cosas malas. Desearía que no hubiera más militares. Esa sería para mí la felicidad del mundo”. Cuesta se mostró emocionada a la salida del Batallón Nº 14, a donde ingresó junto con otros familiares. “Sabía que me iba a pasar, pero vine igual”, afirmó.

JUEZ DE CASO CASTRO ANALIZA POSIBLE VINCULACIÓN

La semana próxima la Justicia investigará la vinculación que tiene el hallazgo de restos en el Batallón 14° respecto al caso que investiga la muerte de Julio Castro. Tras el procesamiento del ex subcomisario Juan Ricardo Zabala como cómplice del “homicidio muy especialmente agravado” del maestro, la fiscal del caso, Mirtha Guianze, solicitó al juez de la causa que se abra una pieza aparte dentro del expediente que se enfoque en las excavaciones. El juez Juan Carlos Fernández accedió a lo solicitado y en los próximos días recibirá el expediente en su despacho, según explicaron fuentes judiciales a Ultimas Noticias. Posteriormente, el magistrado analizará qué pruebas solicitará para investigar si el hallazgo ocurrido el pasado jueves tiene vinculación con la causa de Castro.

UNA LISTA CON 19 NOMBRES

Trece comunistas, dos integrantes del Partido Comunista Revolucionario, un tupamaro, un miembro del Frente Izquierda de Liberación, una mujer del Partido por la Victoria del Pueblo y otra sin militancia política y extranjera son los nombres que el equipo de antropólogos maneja como posible identidad de los restos. Esta es la lista:

l Eduardo Pérez Silveira (MLN)

l Luis González González (PCR)

l Eduardo Bleier Horovitz (PCU)

l Juan Manuel Brieba (PCU)

l Carlos Arévalo Arispe (PCU)

l Julio Correa Rodríguez (PCU)

l Otermín Montes de Oca (PCU)

l Elena Quinteros Almeida (PVP)

l Julio Escudero Mattos (PCU)

l Luis Arigón Castel (PCU)

l Oscar Baliñas Arias (Fidel)

l Oscar Tassino Asteaz (PCU)

l Amelia Sanjurjo Casal (PCU)

l Félix Sebastián Ortiz (PCU)

l Antonio Omar Paitta (PCU)

l Miguel Mato Fagián (UJC)

l Ricardo Blanco Valiente (PCR)

l Urano Miranda (PCU)

l María Claudia García de Gelman

Últimas Notícias

Uruguai começa a revelar seus cemitérios clandestinos. E o Brasil… quando?

Sequestro e ocultação de cadáveres são crimes permanentes. Os familiares das vítimas não podem continuar sob tortura psicológica: a incerteza da morte de um parente próximo. Que a esperança é a última que morre.

A condição de desaparecido provoca efeitos legais nocivos. Como direitos de herança.   E impede o rito mortuário.

Escreve Louis-Vincent Thomas, professor emérito da Sorbonne, que foi presidente da Sociedade de Tanatologia da I.A.N.D.S. (Associação Internacional de Estudo dos Estados Próximos da Morte), e do N.E.A. (Novos Estudos Antropológicos):

“O sentido profundo e a função fundamental dos ritos funerários dizem respeito, sem dúvida, só ao homem vivo, indivíduo ou comunidade: é necessário dominar simbolicamente a morte para tranquilizar, curar e prevenir. Esses ritos manifestam vivo desejo de atenuar a morte, de ultrapassá-la… numa palavra negá-la”.

Denuncia Louis-Vincent Thomas: “Os ritos fúnebres prolongam-se com o culto dos mortos ou simplesmente com a visita ao cemitério (entre nós, no dia 2 de novembro).

O elemento, sem dúvida, mais importante era o futuro ritualizado do cadáver, o qual, na humanidade, obedece a número infinito de modelos, particularidades que se desdobram em variantes sem limites. Trata-se, em última análise, de negociar a corrupção.

– ela pode ser querida, quando existe a recusa dos funerais como vingança ou punição; isso em todo o mundo (Sófocles fala disso na Antígona)”.

A permanência dos sequestros, da ocultação dos cadáveres, dos cemitérios clandestinos mantém a legenda do terror. Do domínio do medo, pela tortura psicológica, pelo assédio moral, e constantes ameaças. Aos parentes, em particular.

E ao regime. Os recentes manifestos dos generais de pijama constituem uma afronta aos Poderes da República e ao povo em geral.

Uma Democracia não possui cemitérios clandestinos.

Todo militar sabe do simbolismo do Túmulo do Soldado Desconhecido.

Recente filme estadunidense Tão Forte e Tão Perto começa com uma solenidade em um cenotáfio. Vide trailer 

Que cada desaparecido, cujo cadáver não for encontrado em um cemitério clandestino, o direito da solenidade fúnebre de um sarcófago.

Diz Jean-Pierre Bayard, em Sentido Oculto dos Ritos Mortuários: “O túmulo individual é a ‘última morada’, a casa, como o cemitério é a imagem da cidade, mas, como escreve Tácito, ‘o verdadeiro túmulo dos mortos é o coração dos vivos”.

Capa dos jornais do Uruguai, hoje:

Un nuevo esqueleto fue encontrado ayer en el Batallón 14 de paracaidistas de Toledo. El cuerpo estaba a cincuenta metros del lugar donde hallaron los restos del maestro Julio Castro. A seis días del acto del perdón, el cuerpo parece confirmar la existencia del cementerio de “Arlington”. Era la una de la tarde. El sol golpeaba firme sobre Toledo cuando el equipo de antropólogos liderado por José López Mazz vislumbró los primeros rastros de enterramiento mientras una pala retroexcavadora realizaba un trabajo “grueso”. Una hora y cuarenta minutos más tarde aparecieron los primeros huesos de un esqueleto humano.



Ayer a las 14.40, José López Mazz, jefe del Grupo de Investigación en Antropología Forense (GIAF), se comunicó con integrantes de la Comisión de Seguimiento de la Comisión para la Paz. Pocos minutos después sonó el teléfono del secretario de Presidencia, Alberto Breccia, que de inmediato se comunicó con el ministro de Defensa, Eleuterio Fernández Huidobro. Luego la información les llegó al comandante en jefe del Ejército, Pedro Aguerre, y a los militares que están al frente del Batallón de Infantería Paracaidistas Nº 14, en las afueras de Toledo, y donde el GIAF trabaja desde 2005.

El hallazgo puso en marcha el protocolo establecido por el Poder Ejecutivo y el Poder Judicial para las tareas de extracción y posterior identificación de las piezas óseas. Los restos serán extraídos en forma definitiva en la tarde de hoy, fotografiados e inventariados para su análisis en el Instituto Técnico Forense (ITF) y el posterior desarrollo de análisis genéticos.

El hallazgo por acción de la excavadora implicó el desplazamiento de varios huesos. Empero, el antropólogo López Mazz confirmó que se trata de un cuerpo completo, articulado, en una “tumba” de un metro de profundidad, constatándose restos de cal. En este sentido, se trataría de un enterramiento primario, es decir, el cuerpo no fue removido del lugar.

La cobertura del cuerpo con cal procuró acelerar la descomposición de los restos, siendo un “patrón recurrente” en los enterramientos clandestinos de la dictadura cívico-militar para intentar ocultar los rastros del crimen y dificultar la identificación de las víctimas. Asimismo, el antropólogo prefirió no especular sobre el sexo ni la edad de la persona cuyos restos fueron encontrados. “Hasta que no se tengan pruebas científicas no se puede manejar ningún dato”, señaló López Mazz.

El hallazgo de nuevos restos óseos en el Batallón Nº 14 se produjo en una zona de “máximo interés arqueológico”, a solo cincuenta metros del lugar donde fueron hallados los restos de Julio Castro, en el marco del convenio firmado entre Presidencia de la República y la Udelar, para el desarrollo de la búsqueda de restos de ciudadanos detenidos desaparecidos.

“Cuando se produce un hallazgo la posibilidad es que estemos en una zona donde haya otros enterramientos en la medida que hubo muchísimos desaparecidos. En todos los genocidios hay cierto fordismo en ordenar los espacios y los sistemas de represión y ocultamiento”, expresó López Mazz.

Empero, el antropólogo prefirió no aventurar que se trate de una “fosa común”, ni cuál es la extensión del predio en el Batallón Nº 14 hasta la que se extenderá la búsqueda porque eso dependerá de futuros hallazgos. La investigación proseguirá en la zona, adelantó López Mazz.

Actuación judicial

El hallazgo de los restos óseos implicó además la comparencia al predio del juez Penal de 2º Turno, Pedro Salazar, encargado de tramitar el expediente por el secuestro y desaparición de María Claudia García de Gelman, quien encargó los trabajos arqueológicos en el predio militar. Asimismo, el juez Letrado de Pando Gastón Silva se hizo presente en el predio al tratarse del magistrado de Turno, con jurisdicción sobre el predio del Batallón Nº 14.

En este sentido, Salazar ordenó la aplicación del protocolo de actuación, pero prefirió no aventurar cómo seguirá tramitándose la causa hasta que no se produzca la identificación de los restos. “Cuando se produzca la identificación se determinará el juez competente”, dijo Salazar. Asimismo, el magistrado dijo que “no se descarta, pero tampoco se afirma” la existencia de otros enterramientos clandestinos en el predio.

Las excavaciones en el Batallón Nº 14 fueron dispuestas, tras el hallazgo, en noviembre de 2009, de dos pequeños restos óseos y la constatación de movimientos de tierra, en el marco de los trabajos realizados por el equipo de antropólogos, en un predio conocido como “los campos de Vidiella”. El predio sería “Arlington”, una zona donde existió un cementerio clandestino de la dictadura.

Presencias

El presidente de la República, José Mujica, concurrió hoy al predio del Batallón Nº 14 para interiorizarse de los trabajos realizados por el equipo de antropólogos. Asimismo, representantes de la organización Madres y Familiares de Detenidos Desaparecidos se harán presentes en el lugar en las primeras horas de la tarde. Quedaron de encontrarse a las 11,30 en la sede de Madres y Familiares de Desaparecidos, para luego partir hacia Toledo.

El ministro de Defensa Nacional, Eleuterio Fernández Huidobro, y el comandante en Jefe del Ejército, general Pedro Aguerre, se hicieron presentes en el Batallón Nº 14.

Protocolo de actuación rige excavación

El secretario de la Presidencia, Alberto Breccia, aseguró que “no existe ninguna posibilidad” de modificar las circunstancias en que se produjo el hallazgo de los restos, por cuanto todo el proceso de búsqueda está registrado por un protocolo de actuación.

Breccia fue consultado ante las eventuales “suspicacias” que puede generar el hallazgo de los restos solo una semana antes de la fecha prevista para la celebración del acto de reconocimiento por parte del Estado de los crímenes cometidos en dictadura.

“Teorías conspirativas y suspicacias se tejen absolutamente en todas las circunstancias de la vida. Lo que puedo decir es que la tarea del Equipo de Antropología Forense de la Udelar (…) en este predio se realiza desde hace varios meses y cualquier suspicacia que se pueda tener al respecto puede quedar aclarada” en virtud de las tareas de registro de la búsqueda, expresó Breccia. “No hay lugar de ninguna manera a modificar ninguna de las circunstancias en que se produjo el halla zgo”, afirmó.