Pernambuco censurado

Menekse Cam
Menekse Cam

Toda campanha eleitoral no Brasil é marcada com passaralho nas redações e assassinato de jornalistas.

Ricardo Antunes, que antecipou a notícia do lançamento da candidatura de Eduardo Campos a presidente, terminou seis meses preso da polícia de Pernambuco, pela mirabolante negociação, com o banqueiro e marqueteiro Antonio Lavareda, de uma notícia por um milhão de dólares – uma novela que terminou em censura judicial, criando a preocupante existência do criminoso “jornalista inimigo”.

Kaká Filho, radialista, foi demitido por criticar a Secretaria de Saúde de Pernambuco, no caso da falta de medicamentos para o menino Matheus. Veja links.

A procuradora Noélia Brito teve o blogue censurado por relatar escândalos na Prefeitura de Ipojuca, o segundo maior PIB do Estado depois do Recife, que investigados, pela Polícia Federal, terminaram em prisões e inquéritos, comprovando que a censura sempre beneficia a corrupção.

Contra o terrorismo estatal, contra o terrorismo policial, contra o assédio judicial, contra o assédio moral nas redações, fui anticandidato a presidente do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco contra o voto de cabresto, o peleguismo e a imoralidade das prenhas urnas voadoras ou volantes.

Um Sindicato da chuva que não molha.

Sinjope

A FARSA, A MENTIRA E A VERGONHA

por Ricardo Antunes, anticandidato a vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco

Mais uma vez o Sindicato dos Jornalistas Profissionais Pernambuco mostra sua verdadeira face: a do engodo e a da mentira.

Me citam afirmando que “mencionei ter sido submetido a censura” quando sabem que o Tribunal de Justiça há mais de 10 meses instituiu a censura prévia ao meu blog Leitura Critica, a pedido do marqueteiro do Governador.

Enquanto a ABI e a ABRAJI deram enfáticas notas contra a mordaça, o sindicato permaneceu mudo, calado, submisso.

Agora, depois de novos atentados contra a Liberdade de Expressão, e pressionados pela opinião pública e por jornalistas que não têm medo da verdade, soltam uma nota atrasada, tímida e mentirosa.

Pior: atestam (e isso é bem sintomático) que ainda tem dúvidas de um fato que todo o Brasil sabe, e de uma decisão judicial que repercutiu até mesmo na imprensa local: a censura do Tribunal de Justiça contra mim.

Tudo isso para não contrariar os interesses do empresário poderoso que não me deixa falar, e adiar sua derrota inexorável quando o processo subir para Brasília.

É o Sindicato do medo, da vergonha, atrelado a um projeto político do Secretario de Imprensa, Evaldo Costa, candidato a deputado federal pelo PSB na Paraíba.

A cada dia que passa, a farsa desse sindicato se torna mais clara na defesa dos interesses de quem serve.

Vou derrotar os dois e, quando a censura acabar ( sim, sim, ela vai acabar um dia, não se enganem) irei revelar o que se escondeu por trás desse jogo torpe, vil e sujo.


P.S. Esta nota do Sinjope teve o agradecimento de Noelia Brito, com a seguinte ressalva: “O jornalista Ricardo Antunes é vítima, sim, de CENSURA PREVIA condenada por incontáveis decisões do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

Afirmo isso como sua advogada que protocolou RECURSO EXTRAORDINÁRIO contra essa aberração que está sendo praticada contra ele e contra a imprensa livre pelos vassalos do sr. Lavareda e do governador Eduardo Campos.

Quem defende a liberdade de expressão e de informação não pode jamais compactuar com tamanho ataque às liberdades democráticas.

E quanto àquele processo de extorsão que forjaram contra meu constituinte, como sua advogada também afirmo ser mais uma farsa montada pela SDS, do sr. Damásio e que será devidamente desmascarada.

Li todo o inquérito e fiquei escandalizada com o crime que cometeram e cometem contra o jornalista Ricardo Antunes.

As testemunhas que mentiram no inquérito deveriam ter sido interpeladas criminalmente para provar o que afirmaram, mas no processo judicial terão que fazê-lo.

Pernambuco deveria estar de luto por ter se licenciado da democracia desde que Eduardo Campos assumiu o governo do Estado.

A nota da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco também faz um alerta contra a censura imposta pelos aliados de Eduardo Campos em Ipojuca contra mim e contra o comunicador Luan Carvalho e os professores Marilene Xavier e Leônidas Castro”.

Três consagrados jornalistas quebram o terrorístico silêncio da prisão de Ricardo Antunes

José Cleves
José Cleves

José Cleves:

Nenhuma de nossas instituições de classe (sindicatos, federação, associações) se manifesta quando um jornalista é preso ou acusado de extorsão, por exemplo. Normalmente, essas entidades soltam notas quando o jornalista aparece como vítima de algum crime de imprensa. O autocontrole permite a apuração dentro dos critérios profissionais e o resultado desse procedimento administrativo pode apontar culpa ou inocência do investigado. Portanto, a sua finalidade não é meramente punitiva, mas acima de tudo esclarecedora e benéfica para a classe e a sociedade.

Essa reflexão serve para ilustrar a prisão do jornalista e blogueiro pernambucano Ricardo Antunes, acusado de prática de extorsão contra um marqueteiro em Recife, através de seu blog Leitura Crítica. O único registro que se tem do fato é o policial, sem qualquer posicionamento da categoria. A imprensa convencional limitou-se ao registro sucinto do fato, o qual foi ignorado pela classe, que não se manifestou de forma corporativa, seja através de notas de repúdio ou de esclarecimento à sociedade. Se fosse um advogado, que divide com os jornalistas a missão de defender os direitos civis da categoria e do cidadão, a OAB já estaria investigando o caso, da mesma forma ocorreria com o Conselho Regional de Medicina (CRM), que independe de denúncias formais para investigar o profissional acusado de má conduta.

Não vou entrar no mérito da acusação por desconhecer a versão de Antunes. Como se sabe, vítima e acusado em capa de inquérito são posições sujeitas a inversões em processos criminais e até mesmo em sentenças, de modo que a ordem desses fatores varia conforme o fato, e não o seu relato abstrato.

Antunes é apenas um entre os muitos jornalistas acusados de extorsão neste país, com a diferença de que ele foi preso. Não são apenas os pequenos que agem assim. Os grandes veículos de comunicação extorquem políticos e empresários – não é de hoje. Assis Chateaubriand (1892-1968) criou o seu império fazendo isso. A maioria dos jornais do interior age dessa forma. Tropeço todo dia em jornalista desonesto, que usa os adjetivos conforme a grana que coloca no bolso.

Mauri König
Mauri König

Mauri König:

O caso de Ricardo Antunes precisa mesmo ser mais difundido. Não conheço o teor da acusação, mas (… o) relato deixa claro tratar-se de alguma armação em razão do ofício jornalístico. Achei o Sinjope um tanto omisso.
José Adalberto Ribeiro
José Adalberto Ribeiro
José Adalberto Ribeiro:
Ricardo Antunes está sendo acusado sim de praticar crime como jornalista, na condição de titular de um blog. A idéia de alguém propor uma extorsão em 30 suaves prestações mensais é inverossímil e inconcebível, a menos que não estivesse em condições de sanidade mental, o que não parece ser o caso. Ele ainda não teve o direito de apresentar sua versão. O castigo que lhe está sendo imposto equivale a uma condenação antecipada e sem julgamento. Ricardo não cometeu crime hediondo, faz jus ao direito, humanitário que seja, de responder ao processo em liberdade.

Inconoclastia: justiça considera sacrossantas as imagens do rei da Espanha e Lavareda

Depois do filme norte-americano “A Inocência dos Muçulmanos”, o semanário satírico francês Charlie Hebdo publicou novas caricaturas de Maomé.

Para o diretor do Charlie Hebdo as caricaturas “não são mais provocadoras do que o normal. Depende de quem as vê, do leitor.”

Um argumento que não convenceu o reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur. “Penso que há aqui qualquer coisa que ultrapassa o domínio da compreensão, do raciocínio lógico e, até mesmo, da responsabilidade.”

O ex-primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault, num programa radiofónico, defendeu: “Se há pessoas que sentem que as suas convicções foram ofendidas, que a lei não foi respeitada, vivemos todos num Estado de direito, um Estado de direito que deve ser totalmente respeitado e podem levar o caso a tribunal. Isto já aconteceu relativamente a este semanário. Em seguida, há o contexto e é da responsabilidade dos dirigentes do jornal de decidir o que devem publicar ou não.”

A Agence France-Press colocou uma foto de Dilma entre as dez melhores do ano de 2012.

Dilma que foi eleita pelo povo nem deu bolas. Os jornalões e revistas de papel cuchê  do PIG  até que gostaram.
Dilma 2
 REI PELA GRAÇA DE UM CAUDILHO

El juez de la Audiencia Nacional Javier Gómez Bermúdez ha citado a declarar por un delito contra la Corona al escritor Jair Domínguez y la presentadora del programa de TV3 ‘Bestiari il·lustrat’, Bibiana Ballbé, por la emisión en la que el primero disparaba pintura roja con una pistola contra un dibujo del rey Juan Carlos enmarcado en una diana, informaron fuentes jurídicas.

El titular del Juzgado Central de Instrucción número 3 ha remitido este lunes un exhorto al Decanato de los Juzgados de Barcelona y Gerona, donde ambos residen, para que dos jueces les interroguen por esta cuestión cuando lo consideren oportuno.

Aunque el exhorto del juez Gómez Bermúdez no señala expresamente que Domínguez y Ballbé estén imputados, la resolución apunta la posibilidad de que acudan a la comparecenciaacompañados de un abogado.

El magistrado ha tomado esta decisión después de recibir una denuncia del sindicato ‘Manos Limpias’ y las diligencias que incoó la Fiscalía de Cataluña tras analizar un informe de los Mossos d’Esquadra al que se adjuntó la grabación del programa, que fue emitido el pasado 9 de octubre en el Canal 33, segunda cadena de la televisión pública catalana.

En el programa se incluyó un vídeo en el que el escritor Jair Domínguez disparaba con una pistola que lanzaba pintura roja contra cuatro dianas donde estaban dibujados el rey Juan Carlos; el expresidente del Palau de la Música Fèlix Millet; el columnista Salvador Sostres y el príncipe Carlos de Inglaterra.

Antes de disparar contra la diana del monarca, Jair Rodríguez criticaba a la monarquía española por ser cutre y añadía que debían dejarlo todo “e irse lejos. Si no, le tendríamos que meter cuatro tiros. La violencia es la última opción, pero es una opción”, agregaba, y a continuación disparaba sobre la silueta con la pintura roja.

Tras trascender el contenido del programa, que el portavoz de CiU en el Congreso, Josep Antoni Duran i Lleida, llegó a calificar de “intolerable”, la directora del espacio, Mai Balaguer, presentó su dimisión ante la dirección de Televisió de Catalunya (TVC), al considerar que las imágenes atentaban “contra los principios éticos y democráticos”.

“La dirección de TVC rechaza cualquier alusión a la violencia”, señaló la televisión autonómica catalana en un comunicado en el que anunciaba la retirada de las imágenes de todos sus portales de internet y garantizaba que no se volverían a emitir.

Juan Carlos foi sagrado rei pela força de um voto, a vontade soberana ditator Francisco Franco, que auto se denominava “caudilho pela graça de Deus”. Veja vídeo
LAVAREDA OUTRO INTOCÁVEL
Em Pernambuco, o jornalista Ricardo Antunes, que se encontra preso, está proibido de escrever e falar o nome de Antônio Lavareda. A censura vale para a publicação de fotos e filmes.

A imprensa censurou uma exemplar magistrada para proteger Antônio Lavareda

O Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa é assegurado pelo artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, mas pode ser definido também pela expressão audiatur et altera pars, que significa “ouça-se também a outra parte”.

É um corolário do princípio do devido processo legal, caracterizado pela possibilidade de resposta e a utilização de todos os meios de defesa em Direito admitidos.

Direito de defesa –  É o direito que o acusado (reclamado) possui de produzir provas, fazer alegações em seu favor e de utilizar de todos os recursos e meios para defender-se da acusação (reclamação) feita contra ele.

O jornalista Ricardo Antunes teve sua prisão propagada por todos os meios de comunicação de massa. Foi uma divulgação instantânea. Concentrada no dia de sua prisão, 5 de outubro último, e no dia seguinte. O que demonstra que foi acionada uma rede de divulgação. O mais grave é que a notícia teve uma única fonte: a polícia que prendeu e sentenciou:

“O jornalista Ricardo Antunes, preso na tarde desta sexta-feira (5), acusado de extorquir o marqueteiro e cientista político, Antônio Lavareda, foi encaminhado agora à noite ao Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima.

A prisão foi realizada no escritório da vítima, localizado na Ilha do Leite. Ricardo foi preso em flagrante por extorsão e com ele estavam R$ 50 mil, parcela paga pelo marqueteiro. O crime de extorsão é inafiançável e o jornalista pode pegar de quatro a 10 anos de prisão. “É considerado crime de extorsão a partir da hora em que é exigido um pagamento”, disse o delegado Claudio Castro. “Como o crime é inafiançável, somente o juiz pode liberá-lo, com o pagamento de fiança”, destacou.

Estes R$ 5o mil representa apenas a primeira parte de uma incrível extorsão no valor de dois milhões de reais, para ser paga em 40 prestações mensais. Nenhum criminoso, mas burro que fosse, jamais aceitaria uma cilada dessa. Seria correr o risco de ser preso toda vez que fosse cobrar. O mais espantoso que o próprio Ricardo Antunes foi pessoalmente fazer a cobrança.

“A prisão foi realizada no escritório da vítima [ bacharel em Jornalismo Antônio Lavareda], localizado na Ilha do Leite [Recife]”.

“Somente o juiz pode leberá-lo”.

A juíza Catarina Vila-Nova Alves de Lima, da 6a.Vara Cível da Comarca de Jaboatão, deu um parecer histórico em nome do Princípio do Contraditório, da Ampla Defesa, da Liberdade de Expressão e da Liberdade de Imprensa:

(…) Não é possível, neste momento, afirmar que TODAS as matérias de titularidade do réu (já escritas e a serem escritas no futuro) extrapolam o direito à liberdade de expressão e o dever de informação, de maneira a atingir a integridade psíquica do indivíduo por meio das expressões utilizadas na matéria.

Em verdade, posto que algumas matérias jornalísticas envolvem a atuação de agentes públicos, tenho que resta evidenciado o interesse público em torno delas, apto a caracterizar o animus narrandi.

Tal como pleiteado nesta ação, a antecipação de tutela – com o fito de retirada de todas as matérias que envolvam o autor e a proibição futura de quaisquer textos jornalísticos de titularidade do réu – representaria, a um só tempo, blindar o Autor – que estaria imune a toda e qualquer matéria jornalística de titularidade do réu – e censura à atividade jornalística, o que, definitivamente, não se coaduna com os princípios basilares do Estado Democrático de Direito, que elegeu a liberdade como um de seus pilares (art.5°, IV, V, X, XIII e XIV c/c art.220, da Constituição).

 (…) Portanto, considerando que os Provedores de Busca, referidos na exordial (Google e Yahoo) são meros organizadores de informações da internet, a demanda contra eles ajuizada não ressoa útil, posto que a restrição de nada adianta, se o endereço eletrônico da página continua a exibir o conteúdo indesejado. Numa comparação grosseira, seria como atacar-se o índice de uma biblioteca por se discordar do conteúdo dos livros. Em outras palavras, o índice poderia ser suprimido, mas os livros iriam continuar lá.

Assevero, no que tange à filtragem do conteúdo das pesquisas feitas por cada usuário, que não se trata de atividade intrínseca ao serviço prestado pelos provedores. Além disso, há a questão da impossibilidade técnica do pedido: pela própria subjetividade do dano moral, seria impossível determinar parâmetros que pudessem ser utilizados por máquinas para filtrar a pesquisa.

Posto isso, indefiro o pedido de antecipação dos efeitos da tutela nos moldes formulados nesta ação”.

Leia na íntegra o parecer da juíza Catarina Vila-Nova Alves de Lima, que não foi divulgado na “grande rede” que noticiou a prisão de Ricardo Antunes como extorsionário.

Este silêncio, faccioso e cúmplice, envergonha a imprensa. Por que censurar uma magistrada? Por que não ouvir um jornalista preso? Por que apenas mostrar a versão policial, ou melhor dito, a versão do interesse de Lavareda?

liberdade expressão imprensa indignados

Justiça cria a persona do jornalista inimigo

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Para manter um jornalista preso, a justiça de Pernambuco deu o seguinte parecer:

” (….) Não seria inverídico afirmar que boa parte das veiculações existentes no blog do agravado, ou até todas elas, teriam trazido consigo uma carga pessoal evidente, dado o relacionamento existente entre os litigantes não ser dos melhores, e talvez por isso as publicações tenham tratado o recorrente sem muito cuidado, na tentativa de atingi-lo imoderadamente.

Há nos autos provas documentais que atestam a existência de diferenças irreconciliáveis, por assim dizer, entre os litigantes, e que até provocaram a prisão em flagrante delito do recorrido (…)”

E agora, José?

É uma decisão que vai além do absurdo da permanência da censura da ditadura militar de 64. Ou do assédio judicial. Significa, principalmente, a morte do Jornalismo Opinativo. E atinge o Jornalismo Investigativo.

Diante da instantaneidade do jornalismo on line, e da rádio, e da televisão, o jornalismo impresso tem que ser investigativo e/ou opinativo.

Assisti em 1971, em Pamplona, Espanha, como aluno, a aula inaugural do Programa de Graduados Latinoamericanos, ministrada pelo célebre jornalista Jacques Fauvet ,  na Universidad de Navarra. Ele disse: “A rádio informa, a televisão mostra, o jornal opina”.

A estranha figura do jornalista inimigo precisa, necessária e urgentemente, ser estudada por juristas, legisladores e jornalistas.

Vou citar dois casos de jornalistas brasileiros que estão exilados:

Em São Paulo, o coronel Telhada e vereador da bancada da bala pode, agora, processar o jornalista “inimigo” André Caramante.

Da banda podre dos delegados de polícia do Paraná o direito de passar de algozes a vítimas do jornalista “inimigo” Mauri König.

Leia a liminar do desembargador Eurico de Barros Correia Filho na íntegra 

Martirena
Martirena

Jornalistas e blogueiros respondem para Lavareda: “Censura através da intimidação não tem espaço em um país democrático”

Por Priscilla Rezende, João Varella, Renato Elias, Felipe Agne, Cecilia Arbolave, Thiago Blumenthal, Fred Costa, Devanir Amâncio e Juan Tellategui

ge-shopping-day com patrocínio da prefeitura

Recebemos um pedido extrajudicial da Lead Assessoria, de Recife, para retirar todo o conteúdo referente ao Shopping Day. O evento foi feito em parceria com o blog Garotas Estúpidas e usou R$ 200 mil de verba pública destinada à difusão cultural na cidade, com inexigibilidade de licitação.

Por entendermos que essa é uma tentativa de intimidação à liberdade de expressão e que, em nenhum momento, acusamos alguém de algum crime ou cometemos alguma ilegalidade, o pedido não será acatado.

A notificação foi direcionada a Priscilla Rezende, criadora do site Shame on You Blogueira!, e coautora do post neste blog que desencadeou uma onda de críticas ao Shopping Day. A mensagem, firmada pelos advogados Fernando Petrucio Friedheim Junior e Érika de Barros Lima Ferraz, exige que seja excluído “imediatamente” todo o conteúdo postado por Priscilla referente ao Shopping Day. O texto afirma que a Justiça vem “punindo com rigor e peso aos que agridem com palavras e imagens sem possuir prova irrefutável”. A carta diz que foram cometidas infrações como veiculação de notícia falsa, calúnia e difamação.

Em nenhuma parte do post veiculamos notícia falsa. Os dados que divulgamos são parte do conteúdo do site do Diário Oficial do Recife, ao qual qualquer cidadão pode ter acesso. Calúnia é acusar publicamente alguém de um crime, e difamação, de um ato desonroso, o que também não fizemos.

Trilhos Urbanos reafirma cada informação dada no texto “Recife gasta R$ 200 mil de verba cultural em “Black Friday””. Horas antes que fosse publicado, foram enviados e-mails para a prefeitura da capital pernambucana, Lead Assessoria e Camila Coutinho, proprietária do blog Garotas Estúpidas. O único retorno obtido da Lead Assessoria foi essa notificação extrajudicial dos advogados.

Este blog se nega a entender que só aqueles que dominam os empolados vocábulos dos meandros jurídicos (como os que firmaram a carta) podem fazer críticas a um tema de debate público. Quem ler atentamente a notificação vai ver que há acusações e ameaças contra Priscilla, apesar de estarem togadas.

Causa estranheza o fato de Priscilla Rezende ser a única notificada. Consultamos outros sites que também publicaram a notícia e nenhum recebeu o aviso. Suspeitamos que isso se deva ao fato de ela ter um dos blogs mais populares do país hospedado em uma plataforma gratuita do Google. Talvez a prisão do presidente do Google tenha enchido de coragem a Lead Assessoria.

Este Trilhos Urbanos conta com servidores contratados por uma empresa terceirizada de fora do país, o que dificultaria o processo jurídico. Não parece ser mera coincidência terem escolhido o alvo mais frágil. Reforçamos com este post nosso compromisso de defender a liberdade de expressão – seja dos colaboradores ou dos leitores do Trilhos Urbanos.

Controlar o fluxo de informações é uma ideia obsoleta, como disse no final de setembro o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em discurso na ONU sobre uma série de atentados cometidos por causa de um vídeo na internet. E ele tem razão. Já discutimos aqui o caso da prisão do presidente do Google, detido por não ter apagado um vídeo que viralizou justamente após essa tentativa de censura. Na verdade, é um favor que fazemos ao não apagar o post do Shopping Day, que com certeza se espalharia ainda mais.

A ditadura acabou no Brasil há algumas décadas. Cabe a nós, pessoas comuns, mostrarmos que a censura através da intimidação não tem espaço em um país democrático. Nos recusamos a permitir que as leis sejam usadas como mordaça. Elas existem para garantir o que temos de mais caro: a liberdade para questionar. E aqui, neste espaço, as leis andam nos trilhos

Democracia à brasileira: Ricardo Antunes preso por transcrever uma notícia do Diário Oficial da Prefeitura do Recife

“Antunes teria pedido o valor de R$ 2 milhões a (Antônio) Lavareda para deixar de publicar uma série de denúncias sobre a empresa da vítima e também da esposa em seu blog, Leitura Crítica. O marqueteiro já foi vítima de extorsão no ano passado”. Foi mesmo? Por parte de quem?

Ricardo Antunes apenas transcreveu uma notícia publicada no Diário Oficial da Prefeitura do Recife. Não é crime. É uma prestação de serviço da mais alta relevância. Informar como está sendo gasto o dinheiro do povo.

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“O jornalista Ricardo Antunes, preso na tarde desta sexta-feira (5 de outubro último), acusado de extorquir o marqueteiro e cientista político, Antônio Lavareda, foi encaminhado agora à noite ao Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima”. Onde se encontra injustificadamente preso, incomunicável.

Neste mesmo 5 de outubro último (esse tipo de prisão sempre acontece num dia sem expediente na judiciário), Antônio Lavareda ameaçou outros jornalistas e blogueiros. Com uma intimação, intimidação extrajudicial. Um absurdo ametrontamento, um atemorizamento extra em vários sentidos. Inclusive se tornou um anteprojeto da Lei Lavareda.

Extrajudicial, no Dicionário Informal: Feito sem processo ou formalidade judicial; extrajudiciário. Sinônimo: ilegal.

No Dicionário Online de Português: Que acontece fora do âmbito judicial. Que não é feito perante a autoridade judicial. Que é realizado fora da via judicial.

Dicionário Web: Que se não refere a processo ou formalidade judicial.

Dicionário Priberam: Feito ou obtido sem a intervenção da justiça.

Dicionário Aulete: Que ocorre fora dos trâmites judiciais.

Leia a ameaça (Veja que foi enviada no mesmo dia da prisão de Ricardo Antunes. Não mera coincidência. Constitui um abuso bem calculado. Um assédio extrajudical):

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A jornalista Priscila Rezende respondeu a tentativa de censura, de mordaça, de assédio extrajudicial com inteligente humor.

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