Quem reclama que o Brasil tem cerca de 90 mil crianças de 10 a 14 anos casadas, esquece mais de 500 mil prostitutas infantis

prostituição alex falco chang

“Um dos temas mais constrangedores ao Brasil, não apenas à própria sociedade brasileira, como no âmbito internacional, é a existência da chamada prostituição infantil. A despeito de todos os esforços do Estado no enfrentamento deste problema, há a permanência de uma realidade hostil para muitas crianças – principalmente meninas – nas regiões mais pobres do país: segundo a UNICEF, em dados de 2010, cerca de 250 mil crianças estão prostituídas no Brasil”, escreve Paulo Silvino Ribeiro. Leia mais

“Pobreza e abusos estimulam casamentos infantis no Brasil. País tem cerca de 90 mil crianças de 10 a 14 anos casadas, segundo Censo 2010. Pesquisa traça perfil de uniões”, destaca reportagem da BBC Brasil.

É melhor casar. Um país que paga um salário mínimo da fome tem que ser um país de miseráveis. Um país de emprego terceirizado e precário é um país da desesperança. Que pode oferecer um pai que recebe um salário mínimo do mínimo? Quem tem emprego temporário, e todo emprego no Brasil não dura dois ou três anos, prefere que a filha case. O ruim é passar fome. Ou ser prostituta. E drogada. Toda prostituta infantil precisa da droga, primeiro como anestésico, para suportar de oito a dez penetrações diárias, que são continuados estupros.

Um dos primeiros atos do ditador Castelo Branco (abril de 1964) foi acabar com a estabilidade no emprego, direito que permanece como protecionismo exclusivo dos funcionários dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Poderes hierarquizados, formados por castas de marajás, Marias Candelária e gigolôs de mães solteiras que herdaram gordas pensões militares e togadas.

500 MIL PROSTITUTAS

De uma reportagem de Claudiane Lopes: “O Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, uma rede de organizações não governamentais, estima que existam 500 mil crianças e adolescentes na indústria do sexo no Brasil.

Dos 5.561 municípios brasileiros, em 937 ocorre exploração sexual de crianças e adolescentes. O número representa quase 17% dos municípios de todo país. A Região Nordeste é a que mais cresce em número de visitantes estrangeiros (cerca de 62% são da União Europeia), segundo o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Cruzam o país ao menos 110 rotas internas e 131 rotas internacionais relacionadas ao tráfico de mulheres e adolescentes com menos de 18 anos para fins de exploração sexual”. Leia mais 

POBREZA E ABUSOS

Pela reportagem da BBC, “de acordo com o Censo 2010, pelo menos 88 mil meninos e meninas com idades de 10 a 14 anos estavam casados em todo o Brasil. Na faixa etária de 15 a 17 anos, são 567 mil.

Mas os pesquisadores descobriram que, no Brasil, o casamento de crianças e adolescentes é bem diferente dos arranjos ritualísticos existentes em países africanos e asiáticos, com jovens noivas prometidas pelas famílias em casamentos arranjados pelos parentes ou até mesmo forçados.
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O que acontece no Brasil, por outro lado, é um fenômeno marcado pela informalidade, pela pobreza e pela repressão da sexualidade e da vontade femininas.
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Normalmente os casamentos de jovens são informais (sem registro em cartório) e considerados consensuais, ou seja, de livre e espontânea vontade.
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Naturalização. Entre os motivos para os casamentos, a coordenadora do levantamento, Alice Taylor, pesquisadora do Instituto Promundo, destaca a falta de perspectiva das jovens e o desejo de deixar a casa dos pais como forma de encontrar uma vida melhor.
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Muitas fogem de abusos, escapam de ter de se prostituir e convivem de perto com a miséria e o uso de drogas. As entrevistas das jovens, transcritas no relatório final da pesquisa sob condição de anonimato, mostram um pouco do que elas enfrentam, como esta que diz ter saído de casa por causa do padrasto, que a maltratava.

Em São Luís, uma das meninas mais novas entrevistadas relata que se casou aos 13 com um homem de 36 anos. E mostra a falta de perspectiva como fator fundamental para a decisão, ao dizer o que poderia acontecer caso não estivesse casada: “Acho que eu estaria quase no mesmo caminho que a minha irmã, que a minha irmã tá quase no caminho da prostituição”.
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A coordenadora da pesquisa de campo em Belém, Maria Lúcia Chaves Lima, professora da UFPA, disse que as entrevistadas falaram de modo natural sobre suas uniões conjugais, mesmo sendo tão precoces. “É uma realidade naturalizada e pouco problematizada na nossa região”, afirma.
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Segundo Lima, a gravidez ainda é a grande motivadora do casamento na adolescência, e a união é vista como uma forma de controlar a sexualidade das meninas. “A lógica é: ‘melhor ser de só um do que de vários’. O casamento também aparece como forma de escapar de uma vida de limitações, seja econômica ou de liberdade”, diz.
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Legislação atrasada. O casamento infantil, reconhecido internacionalmente como uma violação aos direitos humanos, é definido pela Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (CRC) – que o Brasil assinou e ratificou em 1990 – como uma união envolvendo pelo menos um cônjuge abaixo dos 18 anos.
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No Brasil, acontece mais frequentemente a partir dos 12 anos, o que faz com que os pesquisadores definam o fenômeno como casamento na infância e na adolescência.
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Segundo a pesquisa, estimativa do Unicef com dados de 2011 aponta que o Brasil ocupa o quarto lugar no mundo em números absolutos de mulheres casadas antes dos 15 anos: seriam 877 mil mulheres com idades entre 20 e 24 anos que disseram ter se casado antes dos 15 anos.
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Mas essa estimativa exclui, por falta de dados, países como China, Bahrein, Irã, Israel, Kuait, Líbia, Omã, Catar, Arábia Saudita, Tunísia e os Emirados Árabes Unidos, entre outros.
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De qualquer modo, os pesquisadores alertam para a falta de discussão sobre o tema no Brasil e a necessidade de mudanças na legislação. No Brasil, a idade legal para o casamento é estabelecida como 18 anos para homens e mulheres, com várias exceções listadas no Código Civil.
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A primeira exceção — compartilhada por quase todos os países do mundo — permite o casamento com o consentimento de ambos os pais (ou com a autorização dos representantes legais) a partir dos 16 anos.
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Outra exceção é que a menor pode se casar antes dos 16 anos em caso de gravidez. E a última, prevista no Código Civil, é que o casamento antes dos 16 anos também é permitido a fim de evitar a “imposição de pena criminal” em casos de estupro.
Na prática, essa exceção permite que um estuprador evite a punição ao se casar com a vítima.

Sonhos que envelhecem cedo. De acordo com as entrevistas e a análise dos pesquisadores, o que acontece, na maioria das vezes, é que, em vez de serem controladas pelos pais, as garotas passam a ser controladas pelos maridos. Qualquer sonho de escola ou trabalho envelhece cedo, na rotina de criar os filhos e se adequar às exigências do cônjuge.
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O título da pesquisa, Ela vai no meu barco, vem de uma frase de um dos maridos entrevistados, de 19 anos, afirmando que a jovem mulher, de 14 anos, grávida à época do casamento, tinha de seguir sua orientação.
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“Ela vai no sonho que eu pretendo pra mim, né? Ela vai seguindo… Acho que é uma desvantagem de a pessoa não ser bem estruturada, né? Geralmente cada um leva as suas escolhas, né? Mas por ela ser mais nova e eu ser mais velho, tipo assim, ela vai no meu barco”, resume ele. Transcrevi trechos

O mundo cruel dos ditadores

Quem foi o pior ditador da História, Adolf Hitler ou Saddam Hussein? O austríaco e o iraquiano disputam no jogo de cartas alemão “Tiranos”, que reúne em três edições 96 dos mais cruéis e sanguinários governantes que o mundo já teve. E também está na briga o ex-presidente brasileiro Getúlio Vargas, que figura em uma das cartas do jogo.

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Lançado em 2008, após dez anos de minuciosas pesquisas que tinham como objetivo selecionar “o pior dos piores”, o jogo conta com 32 ditadores divididos em oito grupos – entre eles, monarcas, fascistas, generais, fanáticos religiosos, “fantoches” dos EUA, entre outros. Vargas aparece na terceira edição, representando o Brasil no grupo dos que eles classificam de “fascistas clericais”, com algum tipo de laço com a igreja.

As regras do “Tiranos” são semelhantes às do “Super Trunfo”, lançado na Alemanha em meados dos anos 50 e popularizado no Brasil na década de 80. O jogo original trazia estampado em suas cartas carros, aviões e tanques de guerra. O objetivo era conseguir o maior número de cartas possível ao comparar categorias – em cada rodada era estabelecido qual aspecto seria comparado, e o maior valor atribuído a tal aspecto era o vencedor.
No “Tiranos”, porém, em vez de comparar a potência de um tanque de guerra e a velocidade de um porta-aviões, os jogadores podem comparar o ano de nascimento do ditador, a idade que tinha quando chegou no poder, o tempo que governou, quantas pessoas morreram durante seu tempo no poder, e quanta riqueza acumulou durante este período. Leia mais 

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É um jogo de propaganda que vale por condenar os ditadores. Mas esquece, na Europa, outros ditadores sanguinários como Francisco Franco e Oliveira Salazar.

Na história recente da América do Sul temos ditadores mais cruéis que Getúlio. Publica o portal Terra:

Efraín Ríos Montt: cumpre sentença de 80 anos de prisão por genocídio e crimes contra a Humanidade durante o seu regime (1982-1983), um dos mais sangrentos da guerra civil na Guatemala (1960-1996), que deixou 200.000 mortos ou desaparecidos, segundo a ONU.

Reynaldo Bignone: condenado à prisão perpétua por crimes contra a Humanidade, foi o último governante (1982-1983) da ditadura (1976-1983) que deixou 30.000 desaparecidos na Argentina, de acordo com agências humanitárias.

Luis Garcia Meza: conhecido como “narcoditador” por suas ligações com o tráfico de drogas na Bolívia, foi condenado em 1995 a 30 anos de prisão por crimes cometidos após um golpe de Estado em 1980.

Gregorio Álvarez: ditador entre 1981-1985, durante o regime militar que governou o Uruguai (1973-1985). Ele está preso desde 2009, condenado a 25 anos por 37 acusações de “homicídio qualificado” cometidos entre 1977 e 78, como parte da Operação Condor de repressão entre os países do Cone Sul.

Jean-Claude Duvalier: atualmente julgado no tribunal de apelações do Haiti, “Baby Doc”, filho do ex-ditador François “Papa Doc” Duvalier, assumiu o poder aos 19 anos, em 1971, e foi deposto em 1986 por uma revolta popular, retornando ao país em janeiro de 2011 depois de 25 anos vivendo na França.

Francisco Morales Bermúdez: substituiu o general Juan Velasco (1968-1975) como chefe da ditadura militar no Peru entre 1975 e 1980, entregando o poder a um governo civil após a convocação de uma Assembleia Constituinte. Em fevereiro do ano passado foi acusado por um juiz argentino de fazer parte da Operação Condor. Em 2007, a Justiça italiana também pediu sua prisão e extradição pelo desaparecimento de 25 italianos na América do Sul durante a mesma Operação Condor. No Peru, nunca foi acusado.

Cartaz de marcha brasileira de direitistas tucanos pedindo o criminoso retorno da ditadura
Cartaz de marcha brasileira de direitistas tucanos pedindo o criminoso retorno da ditadura

Eis outra lista:

Augusto Pinochet

Augusto Pinochet Ugarte (1915- ), político e militar chileno, chefe do Estado (1973-1990). Nasceu em Santiago e estudou na Academia Militar de Chile. Depois de sucessivos e constantes ascensões de graduación, foi nomeado geral de brigada durante o governo de Eduardo Frei Montalva (1964-1970). Ao início da época presidencial de Salvador Além, que deu começo em 1970, desempenhou o cargo de comandante da guarnição de Santiago, e em 1972 se lhe designou comandante em chefe do Exército. Protagonizou o golpe de Estado de setembro de 1973, apoiado desde Estados Unidos, que culminou com o derrocamiento e a morte de Salvador Allende. Como chefe da Junta de Governo, cedo limitou a atividade política e seu regime de repressão e autoritarismo foi condenado pela Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1977.

Aparicio Méndez

Aparicio Méndez (1904- ), jurista e político uruguaio, presidente da República (1976-1981). Nasceu em Rivera em 1904. Militou no Partido Nacional (Blanco), em sua asa conservadora. Foi ministro de Saúde Pública entre 1961 e 1964. Foi posto na presidência pelo Conselho da Nação e governou como um simples instrumento dos militares. Durante seu mandato violaram-se os direitos humanos e teve milhares de encarcerados, desaparecidos e exilados. A Junta Militar apresentou um projeto de constituição que não foi aprovado em referendo. Em setembro de 1981 aconteceu-lhe o general Gregorio Álvarez.

Alfredo Stroessner

Alfredo Stroessner (1912- ), militar e político paraguaio, chefe do Estado (1954-1989). Nasceu em Encarnación e estudou na Academia Militar de Assunção. Distinguiu-se na guerra do Chaco (1932-1935) e posteriormente foi ascendendo até atingir o grau de comandante em chefe das Forças Armadas, em 1951. Em 1954 derrocou ao presidente Federico Chávez Careaga em um golpe militar e assumiu a presidência depois de umas eleições, nas que era o único candidato. Utilizando o apoio do Partido Colorado e do Exército, conseguiu fazer com o controle do país, suprimiu pela força à oposição e aboliu a liberdade de imprensa; durante seu mandato, ditadores derrocados e antigos membros do Partido Nacionalsocialista (nazista) alemão encontraram refúgio no país. Apesar de apoiar aos grandes terratenientes e os interesses comerciais internacionais, Stroessner utilizou a ajuda estrangeira para estabilizar a moeda, reduzir a inflação e criar escolas, estradas, hospitais e centrais hidroeléctricas. Manteve-se na presidência desde 1954, promulgando uma nova Constituição em 1967 e reformando esta em 1977 para criar dispositivos legais que permitissem o prolongamento de seu mandato, até que foi derrocado em 1989 por um golpe militar dirigido pelo general Andrés Rodríguez, após o qual se exilió no Brasil.

Hugo Banzer

Hugo Banzer (1921-2002), militar e político boliviano, presidente da República (1971-1978; 1997-2001). Nasceu em Santa Cruz. Foi ministro de Educação durante a ditadura de René Barrientos (1966-1969) e diretor da Academia Militar desde 1969 até 1971, ano em que encabeçou o golpe que derrubou ao general Juan José Torres. Banzer, com o apoio do Movimento Nacionalista Revolucionário, a Falange Socialista, Estados Unidos, Brasil e Chile, dirigiu Bolívia com punho de ferro. Em 1974, reprimiu duramente um brote revolucionário em Cochabamba, e, em um ano depois, declarou ilegais os partidos políticos e as organizações sindicais. Derrubado por um golpe militar em 1978, continuou à frente da Ação Democrática Nacionalista (DNA) e obteve o 18% dos votos nas eleições de 1980. Em 1985 e 1989 fracassou em sua tentativa de voltar ao poder, embora seu partido participou nos governos de Víctor Paz Estenssoro e Jaime Paz Zamora. O 1 de junho de 1997, Hugo Banzer venceu nas eleições presidenciais, à frente de seu partido, o conservador DNA, derrotando, entre outros, ao ex presidente Paz Zamora, o qual lhe devolveu o apoio prestado em 1989 pára que Banzer obtivesse a definitiva investidura presidencial em agosto, à que acedeu depois de conseguir 115 votos (de um total de 154 possíveis) dos senadores e deputados bolivianos.

Em junho de 1999 substituiu à metade dos membros de seu governo, depois de um grave escândalo de corrução. Decretou o estado de sítio o 8 de abril de 2000, com o objeto de parar a onda de protestos que tinham local em Cochabamba, mas não pôde conter com essa medida uma violenta eclosão social causado pela extrema pobreza do campesinado indígena até que assinou seis dias depois com os representantes sindicais destes uma série de acordos. No dia 20 desse mês, quatro dias antes de que os membros de seu governo apresentassem em pleno a demissão, Banzer suspendeu o estado de sítio. Nomeou um novo gabinete o 25 de abril, mas o 19 de outubro, de novo, seu governo demitiu em bloco depois da grave crise social vivida desde setembro. Esta esteve caraterizada por greves, cortes de estradas e confrontos com forças militares (principalmente nos departamentos de La Paz, Cochabamba e Santa Cruz) e uniu a indígenas e determinados sindicatos, defensores do direito dos camponeses a cultivar coca e contrários a seu erradicación, toda vez que os produtos alternativos financiados pelo governo eram escassamente rentáveis.

Aquejado de câncer de pulmão, o 6 de agosto de 2001 renunciou ante o Congresso à presidência (ainda lhe restava em um ano de mandato), que traspassou (em virtude da ordem constitucional) ao que até então era seu vice-presidente (e presidente em funções desde fazia em um mês, enquanto ele era tratado nos Estados Unidos), Jorge Quiroga. Faleceu o 5 de maio de 2002 em Santa Cruz.

Juan Velasco Alvarado

Juan Velasco Alvarado (1909-1977), militar e político peruano, presidente da República como chefe da Junta Militar Revolucionária (1968-1975). Nascido em Piura, foi agregado militar na França, inspetor geral do Exército e presidente da Junta de chefes de Estado Maior. Em 1968 dirigiu o golpe de Estado que derrocou ao presidente Fernando Belaúnde Terry (1963-1968) e presidiu a Junta Militar Revolucionária. Baixo seu mandato, promulgaram-se leis de reforma agrária e educativa, se nacionalizaron os recursos econômicos básicos do país, conseguiu-se o controle direto do Estado sobre as telecomunicações e tentou-se frear a influência econômica dos Estados Unidos. Desde 1972, seu governo fez frente a uma onda de greves e movimentos estudantis propiciados tanto pela direita como pela esquerda. Em 1975 foi deposto por um golpe de Estado. Faleceu em 1977 em Lima.

Humberto Castelo Branco

Humberto Castelo Branco (1900-1967), militar e político brasileiro, presidente da República (1964-1967). Nasceu no estado de Ceará. Militar profissional, exerceu cargos de relevo na carreira, participando também da Força Expedicionaria Brasileira que combateu na Itália, junto aos aliados, durante a II Guerra Mundial. Em 1964, foi um dos líderes do movimento que derrocou ao presidente João Goulart, acusado de desenvolver uma política de corantes esquerdistas que pretendia instaurar no país uma república sindicalista. Eleito presidente da República pelo Congresso em abril de 1964, seu governo caraterizou-se por uma política deflacionista, que levaram a cabo os ministros Otávio Gouvéia de Bulhães e Roberto Campos, com o objetivo de equilibrar as finanças públicas e criar as condições para a recuperação do crescimento econômico. Cassou a estabilidade no emprego, para criar um fundo de garantia de tempo de serviço para todos os trabalhadores do país, mediante arrecadação destes e dos empregadores, com o objetivo de consolidar a poupança e investir na construção de moradias. No plano político, retirou por dez anos os direitos políticos de diversos líderes partidários unidos à situação anterior; anulou os partidos existentes; instaurou o bipartidismo, com a formação da Aliança Renovadora Nacional e o Movimento Democrático Brasileiro e promulgou uma nova Constituição que reforçou a autoridade do poder central e do presidente da República.

Gustavo Vermelhas Pinilla

Gustavo Vermelhas Pinilla (1900-1975), militar e político colombiano, presidente da República (1953-1957). Nasceu em Tunja (Boyacá). Estudou na Escola Militar de Cadetes de Bogotá. Ao comando das Forças Armadas dirigiu o golpe de Estado contra o presidente interino Roberto Urdaneta Arbeláez (que substituía a Laureano Gómez desde 1951) e foi proclamado presidente da República. Durante seu mandato produziram-se abundantes distúrbios, reprimidos com dureza, fecharam-se periódicos, cresceu a dívida, aumentou a corrução e realizaram-se importantes obras públicas. Foi derrocado por um levantamento popular em 1957 e se exilió. Regressou em um ano depois e foi condenado à perda de seus direitos políticos e de sua categoria militar, mas ficou reabilitado em 1967. Fundou o partido ultraderechista Aliança Nacional Popular (ANAPO) em 1965 e esteve a ponto de ganhar as eleições de 1970. Seus numerosos seguidores não aceitaram o resultado eleitoral e teve que proclamar o estado de sítio. Morreu em 1975 em Melgar.

José Antonio Páez

José Antonio Páez (1790-1873), militar e político venezuelano, primeiro presidente da República (1830-1835; 1839-1843; 1861-1863), um dos mais destacados próceres da emancipação da América Latina, considerado assim mesmo entre os principais representantes do caudillismo americano.

Em 1830, após a dissolução da República da Grande Colômbia, Venezuela promulgou sua própria Constituição e Páez converteu-se o 24 de março desse ano no primeiro presidente da República, cargo que exerceu até o 6 de fevereiro de 1835, quando foi acontecido de forma interina por Andrés Narvarte, antecessor a sua vez de José María Vargas. Anos mais tarde resultou eleito para acontecer a Carlos Soublette e desempenhar um novo mandato que cobriu o período decorrido entre o 1 de fevereiro de 1839 e o 28 de janeiro de 1843. Durante suas duas primeiras presidências fomentou a agricultura, o artesanato, a imigração e a educação (em 1832 secularizó a que teria de ser chamada Universidade dos Ande e em 1833 fundou a instituição que seria o antecedente da Universidade de Carabobo), em 1841 criou o Banco Nacional e em um ano depois transladou os restos de Bolívar desde Santa Marta até Caracas.

Em 1848 levantou-se em armas contra o presidente liberal José Tadeo Monagas, a quem ajudava a chegar ao poder, e foi derrotado. Invadiu o país ao ano seguinte, mas de novo resultou vencido, para acabar sendo detento e mais tarde desterrado. Renderam-se-lhe homenagens em várias localidades dos Estados Unidos, em México, e inclusive em cidades europeias como Paris e Munich.

Em 1861 regressou a Venezuela e, depois de ser nomeado chefe do Exército em abril desse ano, quatro meses mais tarde derrocou ao presidente Pedro Gual e o 10 de setembro desse ano estabeleceu um regime ditatorial. Vitoriosos os federalistas, Páez assinou o Tratado de Carro em 1863 e, depois de ser substituído em junho à frente do Estado venezuelano por Juan Crisóstomo Falcón, marchou novamente à cidade estadounidense de Nova York, onde já vivia durante sua anterior estância no estrangeiro. Desenvolveu uma grande atividade e viajou por vários países sul-americanos. Morreu em Nova York o 6 de maio de 1873. Seus restos repousam no Panteão Nacional de Caracas.

Anastasio Somoza

Anastasio Somoza (1896-1956), militar e político nicaragüense, presidente da República (1937-1947; 1950-1956), que formou uma dinastia de ditadores, os quais, com o apoio dos Estados Unidos, governaram o país durante 43 anos, às vezes através de presidentes propícios designados por eles. Nasceu em San Marcos e estudou nos Estados Unidos. Depois de entrar no mundo da política, converteu-se em um importante membro do Partido Liberal, mas sua verdadeira base de poder foi a Guarda Nacional, adiestrada por assessores militares estadounidenses e criada na década de 1920, que dirigiu a partir de 1933 e desde onde provocou o assassinato do líder guerrilheiro Augusto César Sandino. Tomou o poder em 1937, e durante os seguintes 20 anos governou o país de forma ditatorial, embora criou presidências fictícias de três anos de duração. Ao mesmo tempo que contava com a Guarda Nacional para manter no poder, distribuiu postos gubernativos entre a oposição conservadora. Somoza amassou uma enorme fortuna pessoal, mas não foi insensible ao progresso social e econômico, e incrementou em grande parte as exportações da Nicarágua. Depois de ser assassinado em 1956, aconteceu-lhe seu filho maior, Luis Somoza Debayle. Seu outro filho, Anastasio Somoza Debayle, também ocupou a presidência da República exercendo uma cruel ditadura.

Tiburcio Carias Andino

Tiburcio Carías Andino (1876-1969), político e militar hondureño, presidente da República (1933-1948). Nascido em Tegucigalpa, se doctoró em direito pela Universidade Central de Honduras. Participou nas revoluções de 1893 e 1894, bem como na guerra de 1907 contra Nicarágua. Militou no Partido Liberal até que em 1903 fundou o Partido Nacional, de tendência conservadora. Foi eleito presidente em 1933 e manteve-se no poder até 1948. Durante sua presidência Honduras viveu um período de estabilidade política, em parte propiciado pelas companhias bananeras. Em 1963 abandonou o Partido Nacional para fundar o Partido Progressista, que foi declarado ilegal. Morreu em 1969 em Tegucigalpa.

Carlos Castillo Arma

Carlos Castillo Arma (1914-1957), político guatemalteco, presidente da República (1954-1957). Nascido em Santa Lucia Cotzumalguapa (departamento de Escuintla) ingressou na Academia Militar da que posteriormente foi diretor. Nas eleições presidenciais de 1950 apresentou-se como oponente de Jacobo Arbenz Guzmán. Em 1954, depois de uma insurrección armada, derrocou a Arbenz (1951-1954) e fez-se com o poder. Durante seu mandato desencadeou uma forte campanha anticomunista, proibiu os partidos políticos, comitês agrários e sindicatos e anulou todas as reformas da década revolucionária (1944-1954), incluída a Constituição de 1945. Conduziu ao país a uma etapa de violência política. Em 1957 foi assassinado nos corredores do palácio presidencial por um soldado de seu guarda.

Rafael Leonidas Trujillo Molina

Rafael Leónidas Trujillo (1891-1961), militar e político dominicano, presidente da República (1930-1938; 1942-1952) e verdadeiro chefe do Estado desde 1930 até 1961, embora às vezes a presidência fosse ocupada por seus colaboradores. Nasceu em San Cristóbal. Foi tenente da Guarda Nacional (1918-1921), quando a República Dominicana se achava baixo a ocupação militar dos Estados Unidos. Em 1930 tomou o poder, depois do golpe militar que depôs ao presidente Horacio Vázquez.

Ao ano seguinte, Trujillo organizou o Partido Dominicano, que controlou a vida política dominicana durante as três décadas seguintes. Nesse tempo, Trujillo foi ditador absoluto, com o título de generalísimo do Exército; foi presidente desde 1930 até 1938 e desde 1942 até 1952, e Ministro de Assuntos Exteriores desde 1953 até 1961, e durante outros períodos, o poder foi ocupado por familiares ou políticos afins a sua pessoa: Jacinto Bem-vindo Peynado (1938-1940), Manuel Jesús Troncoso da Concha (1940-1942) e seu próprio irmão Héctor Bem-vindo Trujillo (1952-1960). Embora o regime de Trujillo contribuiu estabilidade econômica ao país, utilizou medidas autoritárias para atingir o progresso material, e aboliu a oposição política pela força.

Trujillo fomentou os relacionamentos diplomáticos e econômicas com Estados Unidos, mas, com frequência, afastou-se com sua política dos demais países latinoamericanos. Em 1937, temendo possíveis infiltrações desde Haiti, enviou tropas dominicanas à fronteira, onde foram assassinados entre 10.000 e 15.000 haitianos. Depois de perder o apoio do exército, Trujillo foi assassinado o 30 de maio de 1961 por um grupo de militares.

Ulisses Heureaux

Ulisses Heureaux (1845-1899), militar e político dominicano, presidente da República (1882-1884; 1886-1889). Nasceu em Cap-Haïtien (na atualidade, Haiti). Educado entre camponeses haitianos, interveio na guerra de independência contra Espanha (1865). Foi ministro da Guerra e mais tarde do Interior. Em 1882 foi eleito presidente da República e, durante este primeiro mandato até 1884, governou conforme à Constituição. Em seu segundo mandato, desde as eleições de 1886 até 1899, enfrentou-se à rebelião de sua oponente Casimiro Nemesio de Moya e instalou um regime de governo fortemente ditatorial. Suprimiu o sufragio universal, a administração corrompeu-se e arruinou economicamente ao país. Em 1889 morreu assassinado na cidade de Moca, em uma conspiração organizada por seus inimigos.

O jogo inclui Che Guevara, que não governou nenhum país, e esquece ditadores sanguinários como François “Papa Doc” Duvalier e Emílio Garrastazu Médici.

No Brasil não é crime defender o retorno da ditadura.

infancia roubada ditadura tortura

CAPAZ DE JORNAIS BRASILEIROS HOJE

BRA^RJ_EX morte criança

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Carlos Latuff É cinismo demais falar em redução da maioridade penal num país onde criança de 10 anos leva tiro na cabeça de PM

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Das crianças o futuro

QUE ESTRANHO! Marcha do dia 15 por um presidente de nome não revelado

Um movimento golpista que prende e arrebenta

 

Crianças filhas de perseguidos pela ditadura militar no Brasil era fichadas pelo Dops
Crianças filhas de perseguidos pela ditadura militar no Brasil era fichadas pelo Dops

 

Os da varandas e camarotes desejam a volta dos 21 anos de ditadura, de escuridão, de tortura e morte. De massacres até de crianças.

Eles vão marchar neste domingo, dia 15, para colocar no governo um presidente cujo nome não é revelado.

Deve ser algum lacaio do império, algum inimigo do Brasil.

Qual o nome desse Judas, desse Barrabás, traidor do povo e da Pátria?

 

Retorno da ditadura é sede de sangue

Para pedir o retorno da ditadura é preciso ser um analfabeto político ou um nazista fanático.

A ditadura, iniciada em 1 de abril de 1964, torturava e assassinava crianças, revela livro editado pela Comissão da Verdade de São Paulo, que reúne depoimentos de sobreviventes que hoje têm entre 40 e 60 anos.

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Organizado pela Comissão da Verdade de São Paulo, o livro “Infância Roubada” traz depoimentos de 44 pessoas que hoje têm entre 40 e 60 anos e são filhos de presos políticos, perseguidos, assassinados e desaparecidos durante a Ditadura Militar (1964-1985) no Brasil. A obra foi lançada no dia 05 de novembro na Biblioteca Mário de Andrade, em SP.

Cada testemunho é acompanhado, ainda, de fotografias, de acervo familiar e arquivos públicos, com o objetivo de resgatar a memória das famílias e a contextualizar o momento histórico, época em que crianças eram fotografadas e fichadas pelos órgãos de repressão. Há casos de crianças que, além de fichadas como “subversivos” e “terroristas”, foram banidas do país.

São lembranças de tortura, humilhação, de dor, de desamparo, de exílio, vazio, solidão e medo. Há casos de sequestro, de adoção e de ameaças de adoção, de banimento, de nascimento em cativeiro, de fetos torturados ainda no ventre de suas mães. Alguns tiveram que viver na clandestinidade, afastados dos pais, com nomes trocados

Prova de que esse tema é ainda uma ferida aberta para as vítimas, na semana de audiências, alguns convidados, mesmo com presença confirmada, não conseguiram comparecer. Alguns só aceitaram contar sua história por meio de entrevista, ou em testemunhos escritos. Outros preferiram que suas histórias não fossem publicadas. São homens e mulheres de 40, 50, 60 anos que ainda têm dificuldades de falar no assunto.

Embora os 44 testemunhos deste livro representem apenas uma pequena amostra do universo de crianças atingidas pela violência, eles pretendem cumprir a missão de ampliar e dar a visibilidade ao extenso leque de afetados pelo terrorismo de Estado do regime de 1964 e dar mais um passo a caminho da memória, verdade e justiça.

 

 

Menina de 12 anos, que vivia nas ruas, pergunta ao Papa: – “Por que é que Deus permite estas coisas?”

Perante uma plateia de 30 mil jovens numa universidade de Manila, antes da missa no parque Rizal, Francisco pediu-lhes compaixão pelo sofrimento das crianças da rua, vítimas da prostituição e da droga.

Glyzelle Aries Palomar, 12 anos, que foi salva das ruas por uma associação humanitária desfez-se em lágrimas quando falou com o Papa e lhe perguntou “por que é que Deus permite estas coisas? E por que é que há tão poucas pessoas a ajudar”. A resposta foi dada em forma de um abraço sentido que marcou um dos pontos mais emocionantes da viagem de Francisco. O apelo veio a seguir: “O mundo tem que chorar pelas crianças que se drogam e que que se prostituem. Se nós não aprendermos a chorar, nunca poderemos ser bons cristãos”. Não basta, disse Francisco, a existência de uma “compaixão mundana” que faz com que “muitos se limitem a levar a mão ao bolso para dar uma moedinha”.

O abraço de Francisco à jovem Glyzelle GIUSEPPE CACACE:AFP
O abraço de Francisco à jovem Glyzelle GIUSEPPE CACACE/ AFP
Papa com os jovens em Manila - REUTERS
Papa com os jovens em Manila – REUTERS

Muito animado o encontro com os milhares de jovens, em que o Papa Francisco pôs de lado o discurso que tinha preparado em inglês e improvisou em espanhol, respondendo às perguntas que três deles lhe dirigiram. Antes de mais a jovenzinha Shon que, chorando quis saber “porque é que as crianças sofrem”.

Antes de responder a esta pergunta, o Papa aproveitou para realçar essa pequena representação das mulheres, poucas – disse – chamando a atenção para o machismo que muitas vezes não deixa lugar às mulheres que, no entanto, têm um olhar diferente dos homens sobre a realidade.

“Assim, quando vier o próximo Papa que haja mais mulheres” – disse, suscitando aplausos dos presentes.

O Papa colheu o fato de Shon ter feito essa pergunta chorando para dizer que ao mundo de hoje falta a capacidade de chorar, falta sobretudo aos que levam uma vida folgada. Mas certas realidades da vida só podem ser vistas como olhos lavados pelas lágrimas – disse.

A pergunta de Shon quase que não tem resposta, mas lança um desafio – frisou o Papa – lançando, por sua vez, uma pergunta aos jovens: “Eu aprendi a chorar?” perante os sofrimentos do mundo (fome, droga, crianças abandonadas, abusos, escravatura) “ou o meu pranto é um pranto caprichoso só para ter algo mais?”.

“Aprendamos a chorar” – exortou o Papa aos jovens, recordando que também Jesus chorou em diversas ocasiões. “Se não aprendeis a chorar não sois bons cristãos”.

E à pergunta “porque as crianças sofrem” o Papa convidou a responder com o silêncio.

“Que a nossa resposta seja o silêncio ou a palavra que nasce das lágrimas. Sêde valentes, não tenhais medo de chorar” .

Por sua vez, o jovem Leandro Santos, fazendo notar que vivemos num mundo, onde abunda a informação, perguntou se isto é um mal. “Não” – respondeu o Santo Padre, sublinhando que o importante é saber o que fazer dessa informação e não correr o risco de ser “jovens museus” que só acumulam informação, mas não saber o que fazer dela. É preciso ser, pelo contrário, “jovens sábios” . E como ser sábios? – perguntou o Papa, respondendo que este é outro desafio, o desafio do amor. “Aprender a amar” e “através do amor fazer com que a informação seja fecunda”.

Para isso o Evangelho nos propõe um caminho tranquilo baseado em três elementos, harmoniosamente articulados: a linguagem da mente, do coração e das mãos, ou seja, pensar, sentir, realizar – frisou o Papa convidando os jovens a repetir em voz alta as três linguagens … E depois disse:

“O verdadeiro amor é amar e deixar-se amar. É mais difícil deixar-se amar do que amar.

Podemos amar a Deus, mas o mais importante é deixar-se amar por Ele: “O verdadeiro amor é abrir-se a esse amor primordial e que nos provoca surpresa.”

Se estivermos sempre concentrados no computador que parece ter respostas para tudo, não nos abrimos a essa surpresa, porque isso supõe um diálogo a dois: entre quem ama e quem é amado – afirmou o Papa, exortando:

“Deixemo-nos surpreender por Deus. E não tenhamos a psicologia do computador de querer saber tudo”.

E dando o exemplo de São Mateus que se deixou surpreender e convencer pelo amor de Jesus, acabando por segui-Lo, o Papa exclamou: “Deixa-te surpreender por Deus. Não tenhas medo das surpresas que movem o chão debaixo dos teus pés, que te fazem sentir inseguro, mas que nos põem a caminho. O verdadeiro amor leva a queimar a vida, embora com o risco de ficar com as mãos vazias” – disse mencionando São Francisco de Assis que deixou tudo e morreu de mãos vazias, mas de coração cheio.

“De acordo? Não jovens de museu, mas jovens sábios. Para ser sábios usar as três linguagens: pensar bem, sentir bem e fazer bem, e deixar-se surpreender pelo amor de Deus e andar e queimar a vida”.

Finalmente a terceira pergunta colocada pelo jovem Riqui que ilustrou ao Papa as actividades que ele e o seu grupo levam avante.

O Papa apreciou esse serviço aos outros mas desafiou-os imediatamente a pensarem se se deixam que os pobres lhes dêem a riqueza que eles também têm, se se deixam evangelizar pelos pobres

A este respeito evocou a leitura do Evangelho que tinham feito pouco antes e que mostra que o que nos falta muitas vezes é “aprender a mendigar daqueles a quem damos”, “aprender a receber da humildade daqueles a quem ajudamos. As pessoas a quem ajudamos, pobres enfermos, órfãos têm muito para nos dar. Mas me faço mendigo e peço também isto, ou sou suficiente e vou só dar” .

“Vos que viveis dando sempre e pensais que não tendes necessidade de nada, sabeis que sois um pobre tipo, sabeis que tendes muita pobreza e precisais que te (vos) dêem?

E perguntando mais uma vez aos jovens se se deixam amar por aqueles a quem ajudam, o Papa rematou:

“É isto que ajuda a amadurecer jovens comprometidos como Riqui no trabalho de dar, aprender a estender a mão a partir da própria miséria”.

Aprender a amar e a deixar-se amar. E o Papa concluiu referindo, em inglês, a um aspecto que tinha previsto no seu texto escrito: o desafio da integridade. Recordando que os bispos das Filipinas declararam 2015 “Ano do Pobre” convidou ao amor aos pobres, sempre interrogando os jovens se pensam nos pobres, se lhes pedem que lhes transmitam a sua sabedoria, se se deixam evangelizar pelos pobres…e por fim pediu desculpas por não ter lido o discurso que tinha preparado, mas disse sentir-se consolado pelo facto que “a realidade é superior à ideia” e a realidade que vocês apresentaram e a vossas realidade é superior a todas as respostas que eu tinha preparado. Obrigado!”

Polícia mata o mais perigoso bandido do Rio de Janeiro

 

A polícia social do Rio de Janeiro divulga: “Em legítima defesa,  a patrulha que vigiava a fronteira da favela em guerra, foi forçada a  atirar, até que quatro tiros acertassem o corpo do perigoso bandido, traficante, e serial killer Patrick Ferreira de Queiroz. Era matar ou morrer”.

Patrick Ferreira de Queiroz, criança de 11 anos, considerado perigoso bandido, que sempre andava armado
Patrick Ferreira de Queiroz, criança de 11 anos, considerado perigoso bandido, que sempre andava armado

Um, dois, três, quatro tiros em uma criança de onze anos. É muita covardia e crueldade 

 

Hoje o jornal “O Dia” desmente a polícia. Escreve Helio Almeida: O ajudante de caminhão Daniel Pinheiro de Queiroz, de 48 anos, negou nesta sexta-feira que seu filho, Patrick Ferreira de Queiroz, de 11 anos, estava armado quando foi morto por PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Camarista Méier, na quinta-feira. No Instituto Médico Legal (IML) para a liberação do corpo, ele defendeu o menor e disse o filho não estava envolvido com o tráfico de drogas.

“Escutei os tiros e dez minutos depois um menino disse que o Patrick tinha sido baleado. Vi o corpo do Patrick com a mochila e radinho. O PM me mostrou a arma dizendo que era do Patrick, só que mais tarde me mostrou outra arma”, disse Daniel, pai de mais seis filhos.

Daniel Pinheiro de Queiroz, de 48 anos, negou nesta sexta-feira que seu filho, Patrick Ferreira de Queiroz, de 11 anos, estava armado quando foi executados por PMs assassinos
Daniel Pinheiro de Queiroz, de 48 anos, negou nesta sexta-feira que seu filho, Patrick Ferreira de Queiroz, de 11 anos, estava armado quando foi executados por PMs assassinos

Segundo o pai da criança, Patrick estava brincando, soltando pipa, quando foi baleado. Daniel Pinheiro disse ainda não acreditar na morte da criança. “Quando lembro do meu filho, acho que nada disso aconteceu”.

A prima de Patrick, que não quis se identificar, afirmou que ele foi executado. “Deram um tiro e ele caiu sentado. Quando chegaram perto, eles deram mais três tiros. Meu primo disse que tava com sede e o policial pegou água e jogou na cara dele”, afirmou.

As armas utilizadas pelos policiais militares foram apreendidas e foi aberto um inquérito para apurar a morte do garoto. O inquérito decidirá que os militares devem ser condecorados como heróis. Pela  coragem de enfrentar o perigoso menino de 11 anos. Que bem merecia a pena de morte decidida pela Polícia Militar de Pezão. De acordo com a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), o policiamento está reforçado na Camarista Méier e o clima na comunidade é de tranquilidade nesta manhã.

Como acontecia na ditadura militar, para evitar qualquer manifestação, ainda não se sabe o local, dia e hora do sepultamento de Patrick, cujo corpo não foi ainda liberado.

Será enterrado em uma cova rasa, como indigente.

 

 

Assassinar centenas de crianças não é censurável, dizer seus nomes sim

A Autoridade de Radiodifusão de Israel (Israeli Broadcasting Authoruty – IBA) proibiu a emissão de um anúncio radiofônico, promovido por uma organização de direitos humanos, no qual eram recitados os nomes de algumas das dezenas de crianças que morreram em Gaza, desde que se iniciou o ataque israelense há 17 dias.

O recurso apresentado por B’Tselem contra a decisão foi rejeitado na quarta-feira. A organização humanitária tem a intenção de apresentar, no domingo, um pedido para a Corte Suprema de Israel, para conseguir que a proibição seja revogada.

A IBA declarou que o conteúdo do anúncio é “politicamente contravertido”. O anúncio diz respeito às crianças mortas em Gaza e nele se leem, em voz alta, os nomes de algumas vítimas.

Em um comunicado, o grupo de direitos humanos manifestou: “Até o momento, mais de 600 pessoas morreram nos bombardeios de Gaza, mais de 150 delas crianças, mas à margem de uma breve referência ao número de vítimas mortais, os meios de comunicação israelenses não informam sobre eles”. Pela manhã da quinta-feira, o número de mortos em Gaza havia ultrapassado os 700. [Na data de 29 de julho já estava em 1.050 pessoas].

B’Tselem prossegue: “A IBA alega que dizer os nomes das crianças é politicamente controvertido. No entanto, negar-se a fazê-lo constitui, em si mesmo, uma declaração de grande alcance: diz que o alto preço que os civis de Gaza estão pagando, muitos deles crianças, tem que ser censurado”.

As agências humanitárias anunciaram, na última quarta-feira, que durante os dois dias anteriores os israelenses haviam matado, em Gaza, a média de uma criança por hora e que mais de 70.000 crianças foram obrigadas a fugir de seus lares. Também houve um aumento no número de nascimentos prematuros.

“O aterrador número de crianças de Gaza assassinadas, feridas ou removidas exige uma inequívoca resposta internacional para colocar fim ao banho de sangue”, disse a organização ‘Save the Children’. “Famílias inteiras estão sendo exterminadas em questão de segundos, em razão dos lares se tornarem objetivos militares”.

O doutor Yousif al Swaiti, diretor do Hospital Al-Awda, declarou: “Vimos muitos nascimentos prematuros provocados pelo medo e transtornos psicológicos, causados pela ofensiva militar. O número de nascimentos prematuros por dia foi duplicado em relação a média diária que era registrada antes da ofensiva”.

 

Bélgica
Bélgica
Austrália
Austrália
França
França
Brasil
Brasil

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

As crianças são as principais vítimas da guerra e da corrupção

A imprensa publica hoje “dez fotos sobre a situação das crianças na Síria”. Reproduzo as fotos comparando com a realidade brasileira.

Esta foto pode ser na Síria, Palestina, Iraque, Paquistão, Ucrânia, em qualquer parte do mundo em guerra
Esta foto pode ser na Síria, Palestina, Iraque, Paquistão, Ucrânia, em qualquer parte do mundo em guerra
Em uma favela do Rio de Janeiro
Em uma favela do Rio de Janeiro
Lembra uma menina do sertão do Nordeste brasileiro
Lembra uma menina do sertão do Nordeste brasileiro
 Assalto em uma grande cidade do Brasil
Assalto em uma grande cidade do Brasil
A periferia de uma capital brasileira
A periferia de uma capital brasileira
Raro um menino e uma menina favelada possuir a doçura fria de tanta riqueza
Raro um menino e uma menina favelada possuir a doçura fria de tanta riqueza
Na secura de São Paulo
Na secura de São Paulo
Posto de saúde em alguma prefeitura do imenso Brasil de prefeitos ladrões
Posto de saúde em alguma prefeitura do imenso Brasil de prefeitos ladrões
Podia ser uma das 500 mil crianças prostitutas do Brasil. Graças a Deus, a Jeová e Alá, esta não é
Podia ser uma das 500 mil crianças prostitutas do Brasil. Graças a Deus, a Jeová e Alá, esta não é
Apesar da miséria, a beleza da criança brasileira
Apesar da miséria, a beleza da criança brasileira

Confira a origem das fotos