Os barões da imprensa pagam o salário da fome e do medo

livro cagador indignados jornalista

Vestidos de preto, Jornalistas se reuniram hoje em São Paulo para fazer um ato em manifesto contra as demissões, a precarização das relações de trabalho e práticas antissindicais que vem acontecendo no país.

Os salários pagos pelas famílias Marinho, Frias e Mesquita são humilhantes. Até a esposa de Eduardo Cunha, jornalista Cláudia Cordeiro Cruz, âncora da TV Globo, era terceirizada.

O encontro nacional organizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo aconteceu na sede da entidade da categoria em São Paulo. O ato foi feito em dois momentos, primeiro uma reunião entre categoria, FENAJ, diretores do Sindicato e militantes pela democratização da comunicação para elaborar coletivamente a carta de pauta nacional com reivindicações. Em seguida seguiram até a frente da sede da Folha de São Paulo e entregaram a carta da categoria para o presidente do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas de São Paulo (SindJoRe), Reginaldo Carlos de Araújo.

Para o presidente da FENAJ, Celso Schroder, nacionalizar o sentimento que os jornalistas estão passando é ter unidade e força para combater o mal que estão fazendo para o jornalismo brasileiro. “A FENAJ já tinha se posicionado e escolheu São Paulo pra fazer era demonstrar nacionalmente que para o movimento sindical que estas demissões basta!”

Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Paulo Zocchi, este é estado considerado o centro das demissões, apesar de acontecer no país todo. 70% das demissões ocorreram em São Paulo, só no primeiro trimestre 191 jornalistas foram demitidos. Neste último mês teve demissões em massa na editora Abril, no Estado de São Paulo, na Folha de São Paulo, no SBT, na Jovem Pan e na Band. “Então o Sindicato tá buscando enfrentar as demissões junto com a categoria, entrando com ações judiciais, ou seja fazendo todo o possível para se opor a isso e impedir que essas demissões de fato ocorram”, afirma Zocchi.

Para Schroder essas demissões em massa precisam ser enfrentadas, pois elas ferem o bom senso, a legislação internacional e as relações de trabalho democraticamente instituída. “Por tanto as demissões são INACEITÁVEIS, defender os jornalismo no Brasil é defender a democracia”, finaliza ele.

Alegando dificuldades financeiras, as empresas demitiram jornalistas em quase todos os estados em 2014, mil só em São Paulo. A área que mais sofre é o setor de impressos. Dados do Projeto Inter-Meios indicam que no mesmo ano o faturamento das empresas de comunicação superou 27,7 milhões de reais, representando uma evolução de 7,85% em relação em 2013.

Estudos do Dieese apontam que a lei de desoneração da folha de pagamento representou uma redução de custos das empresas jornalísticas em média de 8,48%.

Para a secretaria de comunicação da CUT de São Paulo, Adriana Oliveira Magalhães, é um ato extremamente importante para denunciar as demissões e convidar os jornalistas a participar da luta junto ao sindicato. “A gente tá percebendo que esta ofensiva contra os trabalhadores jornalistas é a forma de como as empresas de comunicação também se organizam, assim como os grandes setores, por exemplo do sistema financeiro, do setor produtivo. É como maximizar o lucro através da redução do impacto da folha de pagamento”, destaca Adriana.

“Os jornalistas brasileiros sofrem os efeitos de uma crise artificial provocada por aqueles que, para manterem e ampliarem suas margens de lucro, transferem o ônus de sua incompetência para a classe trabalhadora”. Diz trecho da carta feita de forma colaborativa entre os sindicatos dos estados no encontro de hoje.

Na carta os jornalistas manifestam a rejeição as demissões, a precarização do trabalho e as práticas antisindicais das empresas. “A gente tá divulgando a carta e quer entregar para o sindicato das empresas e manifestar nossa intenção. Queremos nos reunir com as empresas em âmbito nacional para apresentar as nossas reivindicações e pra manifestar nossa posição”, finaliza Zocchi.

O PL 4330 é outra ameaça a categoria que já luta contra a terceirização a muito tempo. “Com a aprovação deste projeto de lei no senado a categoria sofrerá drasticamente este projeto de “pejotização”, que é a contratação de pessoas jurídicas e isentando a empresa de qualquer direito trabalhista. Salários menores, maior jornada de trabalho e sem benefícios, como 13 salário e férias”, destaca Adriana. Ela vê a democratização da comunicação dos meios de comunicação, que é uma luta pela diversidade, uma saída para os profissionais da área. “. O projeto de lei da democratização da comunicação também é um projeto que não só defende o profissional da comunicação, mas também luta pra que surjam outros postos de trabalho para os profissionais”, finaliza a secretária de comunicação da CUT em São Paulo.

Demissões na RBS: a ponta do iceberg

Eu já via isso em 1987

rbs

por Gilmar Crestani

Meu divórcio com a RBS aconteceu em 1987. Até esta época era assinante. Uma greve dos bancários da qual fazia parte mudou radicalmente. Uma assembleia no Gigantinho, com Olívio Dutra na direção do Sindicato, me fez tomar a decisão de nunca mais deixar Zero Hora entrar na minha casa. E não foram poucas as vezes que me procuraram e ainda me mandam e-mails. Naquela greve, como sempre, Zero Hora posicionou-se ao lado dos anunciantes, a FEBRABAN. Diuturnamente batia na categoria e defendia os bancos. No dia da assembleia, quando os funcionários da RBS chegaram para fazer as imagens, a categoria viramos as costas.

No dia seguinte, Zero Hora publicou nossa foto com a legenda de que teríamos, por divergência nos rumos da greve, virado as costas aos dirigentes. Mentira afrontosa. Não havia internet. Cancelei minha assinatura, escrevi e registrei carta, mas nunca saiu na ZH. A partir daquele fato tomei por bandeira desmistificar e desmentir, por quaisquer meios, as fantasiosas manipulações. O que não conseguiu fazer publicar na seção de cartas de ZH conseguia no moribundo Pasquim, no RJ. Anos depois fui convidado e colaborei com o Observatório da Imprensa por quase dois anos. Um telefonema dos Sirotsky pedindo minha cabeça ao Alberto Dines encerrou minha gratuita participação. Mas aí eu já tinha blog e não dependia de nada nem de ninguém.

Hoje alguns colegas pensam que faço a defesa do PT. Meia verdade. Minha bandeira sempre foi a desmistificação, o ataque às manipulações dos velhos grupos de mídia. O Pedrinho Guareschi fez vários estudos e publicou alguns livros mostrando como se processava a manipulação da RBS. A dissidência, de forma desorganizada, continua aumentado na Internet. Agora a UERJ resolveu acompanhar e denunciar a campanha d’O Globo (Manchetômetro).

A decadência e a morte da velha mídia decorre da liberdade que a internet trouxe. As manipulações que saem no matutino, duas horas depois estão desmentidas pelas redes sociais. Mesmo o PSDB, gastando milhões na distribuição de assinaturas da Veja, Folha e Estadão nas escolas e repartições públicas, conseguirá manter vivos quem se encontra respirando por aparelhos.

O que eu não conseguiu dizer, porque não tinha espaço na Zero Hora nem na seção de cartas, hoje publico e distribuo nas redes sociais. Mesmo quem não comunga com as minhas ideias mas se dão ao respeito em relação à diversidade, acabam por se dar conta do viés ideológico que perdura desde a ditadura nos meios de comunicação. Não é mero acaso mas é coincidência que a Folha ainda chame a ditadura de ditabranda.

Quando uma pessoa despida de preconceitos e que tem algum pingo de boa vontade se depara com a diferença de tratamento com que a Veja e a Rede Globo tratam do helicóptero com 450 kg de cocaína em relação à mudança do perfil de funcionário na Wikipédia logo se dá conta do tamanho da desproporcionalidade.

Veja, um político que foi objeto de investigação não pode participar do Governo Federal, mas viciado em cocaína pode aparecer na tela da Rede Globo (e via de consequência, RBS) todos os domingos.

Passaralho na RBS

 Vladimir Kazanevsky
Vladimir Kazanevsky

O que apareceu até agora das mudanças na RBS é a face mais visível de um plano estratégico, que não é coisa da cabeça do Duda Melzer.

Ele mesmo diz, em sua desastrada nota, que foi trabalho de um ano.
Com certeza, envolveu toda a cúpula da empresa e teve a influência de altas e renomadas consultorias externas.

As demissões, que não devem se limitar às 130 já anunciadas, apenas revelam o aspecto mais agressivo, mais impactante do processo. Não o essencial, certamente.

“Otimizar custos” é o sentido claro do corte de pessoal. Centralizar a produção de certos conteúdos, comuns aos diversos jornais impressos, como foi anunciado, é o caminho óbvio nessas circunstâncias.

Nada disso, porém, toca no essencial. São paliativos ante a questão central para a qual eles não têm resposta: como manter a hegemonia num “mercado” que se altera rápida e inevitavelmente.

Em seu diagnóstico, cita-se apenas a internet como o agente das mudanças, o responsável pelos “novos hábitos de consumir de mídia”, como diz Duda Melzer.

O buraco é mais em cima. Não é só a tecnologia que determina as mudanças.

Há uma sociedade cuja qualidade política se altera, há um processo de organização e participação que avança na contra-mão dessa dominação dos meios informativos.

As grandes corporações de mídia não estão perdendo terreno porque fazem mal o que fazem (embora isso também seja verdadeiro, quando se trata de jornalismo).

A questão é que essas gigantescas e esclerosadas estruturas não dão mais conta das novas demandas por informação e diversidade que a sociedade hoje apresenta.

Esse jornalismo faccioso, sustentado por grandes anunciantes, não engana mais ninguém. Não adianta mudar de plataforma.

A crise na RBS é a ponta de um iceberg rumo ao qual navega impávido o Titanic de toda a dita “mídia nativa”, cevada na ditadura.

Justiça acusa: Carone é mais do que bilionário, mas precisa de patrocinador para o Novo Jornal de Minas Gerais.

carone

Publica 247: Foi preso o jornalista Marco Aurélio Carone ( na foto, de camisa cinza), editor do Novo Jornal de Minas Gerais.

“Carone é acusado de integrar uma quadrilha especializada na falsificação de notas promissórias e contratos de cessão de créditos e direitos que somam mais de R$ 1,3 bilhão.

(…)

De acordo com o Ministério Público, será apurada a fonte de recursos responsável por financiar o site, uma vez que ele não conta com anunciantes. De acordo com o MP, o Novo Jornal sobrevive com recursos de origem clandestina”.

Em sendo verdadeira a acusação, quem tem R$ 1,3 bilhão não precisa de anunciante.

Só uma perguntinha: Onde permanece guardada esta danação de dinheiro?

Carone está preso e o Novo Jornal censurado.

 Ainda 247: “Ao verificar o site do ‘novojornal’ [em caixa baixa, quando todo nome próprio deve ser escrito em caixa alta, o que denuncia clara intenção de diminuir a importância do portal jornalístico] fica patente que o mesmo é utilizado para aliançar ofensas à honra de autoridades públicas, achincalhando e ofendendo a todos que se posicionam contra os interesses do grupo, imputando inverdades àqueles que cumprem seus deveres funcionais’, disse a juiza Maria Isabel Fleck (leia aqui a decisão).
.
Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual, o Novo Jornal finge-se de noticioso, mas, na verdade, funciona como um instrumento de diversos crimes. A juíza Maria Isabel Fleck afirmou, ainda, que ‘analisando detidamente os autos, fica evidenciado que o réu Marco Aurélio Flores Carone utiliza o seu jornal virtual ‘novojornal’ [sic] para ameaçar qualquer cidadão que esteja cumprindo os seus deveres, tais como, desembargadores, Juízes de Direito, membros do Ministério Público, Delegados de Polícia, etc”.
.
A classificação de um jornalista como “réu”, no exercício da profissão, considero uma honraria.
.
Quando o jornalista Ricardo Antunes foi preso, acusado de vender uma notícia pelo inacreditável e absurdo preço de um milhão de dólares, declarei que a justiça estadual de Pernambuco estava abrindo um grave precedente. Não esquecer que o Brasil continua campeão em censura judicial.
.
Ricardo Antunes foi encarcerado na antevéspera das eleições municipais de 2012, pela polícia do governador Eduardo Campos, candidato a presidente da República pelo PSB.
.
Informa o 247: “Carone já foi condenado em processos criminais movidos pelo atual prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, do PSB, e também tem utilizado o Novo Jornal como veículo de combate ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidenciável tucano”.
.
Este ano de 2014 promete mortes, prisões, passaralhos e censura de jornalistas.
.
 Também foi preso Nilton Monteiro (na foto de camisa vermelha), que denunciou a famosa Lista de Furnas.

Pernambuco censurado

Menekse Cam
Menekse Cam

Toda campanha eleitoral no Brasil é marcada com passaralho nas redações e assassinato de jornalistas.

Ricardo Antunes, que antecipou a notícia do lançamento da candidatura de Eduardo Campos a presidente, terminou seis meses preso da polícia de Pernambuco, pela mirabolante negociação, com o banqueiro e marqueteiro Antonio Lavareda, de uma notícia por um milhão de dólares – uma novela que terminou em censura judicial, criando a preocupante existência do criminoso “jornalista inimigo”.

Kaká Filho, radialista, foi demitido por criticar a Secretaria de Saúde de Pernambuco, no caso da falta de medicamentos para o menino Matheus. Veja links.

A procuradora Noélia Brito teve o blogue censurado por relatar escândalos na Prefeitura de Ipojuca, o segundo maior PIB do Estado depois do Recife, que investigados, pela Polícia Federal, terminaram em prisões e inquéritos, comprovando que a censura sempre beneficia a corrupção.

Contra o terrorismo estatal, contra o terrorismo policial, contra o assédio judicial, contra o assédio moral nas redações, fui anticandidato a presidente do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco contra o voto de cabresto, o peleguismo e a imoralidade das prenhas urnas voadoras ou volantes.

Um Sindicato da chuva que não molha.

Sinjope

A FARSA, A MENTIRA E A VERGONHA

por Ricardo Antunes, anticandidato a vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco

Mais uma vez o Sindicato dos Jornalistas Profissionais Pernambuco mostra sua verdadeira face: a do engodo e a da mentira.

Me citam afirmando que “mencionei ter sido submetido a censura” quando sabem que o Tribunal de Justiça há mais de 10 meses instituiu a censura prévia ao meu blog Leitura Critica, a pedido do marqueteiro do Governador.

Enquanto a ABI e a ABRAJI deram enfáticas notas contra a mordaça, o sindicato permaneceu mudo, calado, submisso.

Agora, depois de novos atentados contra a Liberdade de Expressão, e pressionados pela opinião pública e por jornalistas que não têm medo da verdade, soltam uma nota atrasada, tímida e mentirosa.

Pior: atestam (e isso é bem sintomático) que ainda tem dúvidas de um fato que todo o Brasil sabe, e de uma decisão judicial que repercutiu até mesmo na imprensa local: a censura do Tribunal de Justiça contra mim.

Tudo isso para não contrariar os interesses do empresário poderoso que não me deixa falar, e adiar sua derrota inexorável quando o processo subir para Brasília.

É o Sindicato do medo, da vergonha, atrelado a um projeto político do Secretario de Imprensa, Evaldo Costa, candidato a deputado federal pelo PSB na Paraíba.

A cada dia que passa, a farsa desse sindicato se torna mais clara na defesa dos interesses de quem serve.

Vou derrotar os dois e, quando a censura acabar ( sim, sim, ela vai acabar um dia, não se enganem) irei revelar o que se escondeu por trás desse jogo torpe, vil e sujo.


P.S. Esta nota do Sinjope teve o agradecimento de Noelia Brito, com a seguinte ressalva: “O jornalista Ricardo Antunes é vítima, sim, de CENSURA PREVIA condenada por incontáveis decisões do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

Afirmo isso como sua advogada que protocolou RECURSO EXTRAORDINÁRIO contra essa aberração que está sendo praticada contra ele e contra a imprensa livre pelos vassalos do sr. Lavareda e do governador Eduardo Campos.

Quem defende a liberdade de expressão e de informação não pode jamais compactuar com tamanho ataque às liberdades democráticas.

E quanto àquele processo de extorsão que forjaram contra meu constituinte, como sua advogada também afirmo ser mais uma farsa montada pela SDS, do sr. Damásio e que será devidamente desmascarada.

Li todo o inquérito e fiquei escandalizada com o crime que cometeram e cometem contra o jornalista Ricardo Antunes.

As testemunhas que mentiram no inquérito deveriam ter sido interpeladas criminalmente para provar o que afirmaram, mas no processo judicial terão que fazê-lo.

Pernambuco deveria estar de luto por ter se licenciado da democracia desde que Eduardo Campos assumiu o governo do Estado.

A nota da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco também faz um alerta contra a censura imposta pelos aliados de Eduardo Campos em Ipojuca contra mim e contra o comunicador Luan Carvalho e os professores Marilene Xavier e Leônidas Castro”.

No ar, a despedida de um jornalista que Salomé pediu a cabeça

Em Pernambuco, quem não marcha com, pelo e para o governador, dança.
A liberdade de expressão devia ser um direito do jornalista e não uma propriedade da empresa.
Na escravidão, para um exemplo, uma fazenda vendida incluía os escravos, e assim acontece nas empresas de comunicação de massa: todos jornalistas são vendidos como peças.
Existem várias maneiras de comprar uma redação.
No mercado publicitário vale o conceito: Quem paga a publicidade compra a mensagem: Tudo que você escuta na rádio, tudo que você vê na televisão, tudo que você lê na imprensa.
Kaká
Você não vai mais ouvir Káka Filho defendendo o povo na Rádio Clube de Pernambuco. Eis a despedida dele:
Boa tarde amigos (as)!
A partir de amanhã não apresentarei mais o Super Show na Clube na Rádio Clube AM 720, devido a criticas que fiz a secretária de saúde e questionei o governador sobre o caso do menino Matheus, que faleceu no último sábado.
Os pais da criança vão processar o estado devido a falta do medicamento. Isto foi falado em todos os meios de comunicação de Pernambuco.
Só porque acrescentei no meu comentário o artigo 196 da Constituição Federal 1988 onde diz que
“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação”.
Estava só lembrando da responsabilidade que o chefe de estado tem, até para cobrar um empenho maior dos responsáveis da pasta.
Por falar pelo povo e a verdade, é que a credibilidade do programa foi aumentando, mas digo a vocês amigos, não é fácil. Aí vão me perguntar, estas triste? Não!!! Muito pelo contrário, estou feliz pelo trabalho social que fiz, ajudei pessoas em todas as áreas, e continuarei ajudando de alguma forma.
Enquanto voz tiver e critico for, não calarei! Falarei pelo povo sempre, seja onde for!!!
A todos obrigado pela confiança, audiência, carinho, parceria e informação.
Não poderia sair do ar sem mais nem menos sem explicar aos amigos, parceiros e ouvintes.
Abraço!!!
—–
CONHEÇA O CASO MATHEUS
Morre no Recife bebê com trombofilia. Família acusa o estado de negligência
—–

Foi enterrado na manhã deste domingo (24), na cidade de Escada, na Zona da Mata Sul, o corpo do menino Matheus Henrique, de 1 ano e 4 meses. A criança sofria de trombofilia, doença rara que provoca deficiência na coagulação do sangue por falta de proteína C, conhecida como púrpura fulminante do recém-nascido. Sob forte emoção, o pai da criança, Eduardo Lacerda, acusou o governo do estado de ser o responsável pela morte de seu filho. Isto porque a criança estava tomando, por decisão da Justiça, o medicamento fornecido pelo estado, o Ceprotin, utilizado no tratamento da enfermidade, mas houve descontinuidade na medicação.

“Ele teve quatro paradas cardíacas consecutivas e nos disseram que dariam uma dose de adrenalina para a gente poder se despedir do meu filho”, revelou o pai. A criança estava internada na UTI pediátrica do Hospital Esperança e faleceu na manhã do último sábado, com problemas cardíacos. O pai ainda revelou que os médicos afirmaram que o caso se agravou pela falta de medicamento adequado.

De acordo com Eduardo, seu filho morreu por negligência do estado. “Eles tinham conhecimento desde o primeiro momento que a medicação tinha que ser dada continuadamente. Eles sabiam do tempo que o remédio chegaria ao Brasil e o quando estaria no estado. O estado deixou acabar o medicamento e não comprou. Por duas ou três vezes deixaram de liberar o medicamento. A falta do Ceprotin desencadeou vários problemas de saúde no menino. A menos de um mês os médicos disseram que teriam que cortar os pés e os braços dele”, informou.

A família de Matheus Henrique conseguiu o direito de ter o anticoagulante pago pelo estado por decisão da Justiça, ainda em 2012. O medicamente é produzido for a do Brasil e cada ampola custa quase R$ 3,9 mil. A família acusa que o estado no atraso na entrega do medicamento nos mês de março e outubro deste ano. No início do mês, a Secretaria estadual de Saúde havia entregado 22 ampolas do Ceprotin aos médicos responsáveis pela criança. O remédio foi emprestado pelo Estado da Bahia, onde há outro caso de trombofilia. O pai da criança informou que pretende entrar com ação judicial contra o estado.

Secretária de Saúde diz não foi “informada” sobre mudanças

A Secretaria Estadual de Saúde afirmou que tomou todas as medidas para garantir a vida da criança. A pasta informou que investiu cerca de R$ 2 milhões na aquisição de 780 ampolas de Ceprotin. A secretaria ainda explicou que os períodos em que a criança ficou sem o remédio aconteceram porque houve mudanças nas dosagens sem a prévia comunicação. “No período de um ano, o paciente ficou alguns dias sem o remédio, pois mudanças foram feitas nas dosagens, sem a prévia comunicação à SES, o que dificultou o planejamento do estoque”, destacou.

Confira abaixo a nota na íntegra:

“A Secretaria Estadual de Saúde informa que lamenta profundamente a morte do paciente Matheus Henrique, de um ano, mas reafirma que todas as medidas foram tomadas, pelo Estado, com o intuito de garantir ou prolongar a sua vida. No caso, que fugiu ao protocolo de aquisição de medicamentos excepcionais, houve empenho de diversos funcionários e setores deste órgão para agilizar a chegada do remédio, proibido de comercialização no País pela Anvisa, e possibilitar o tratamento, considerado experimental e sem eficácia terapêutica para a doença – rara, sem cura e com rápido agravamento do quadro clínico.

O paciente Matheus, que teve o tratamento negado pelo plano de saúde, começou a receber o Ceprotin, pelo Estado, em 2012. Ao todo, foram adquiridas 780 ampolas do medicamento, em um investimento de cerca de R$ 2 milhões. Com essas aquisições, o garoto estava com estoque suficiente para os próximos três meses, ao final do qual período chegariam novas ampolas já solicitadas.

Para viabilizar o medicamento, a SES contatou diversos fornecedores e importadores, mas apenas um, a Uno Healh Care, informou ter condições de importação e pediu o prazo de duas a cinco semanas para a entrega. A SES também negociou diretamente com o laboratório Baxter, da Áustria, que solicitou prazo de 15 dias para a entrega do medicamento.

No período de um ano, o paciente ficou alguns dias sem o remédio, pois mudanças foram feitas nas dosagens, sem a prévia comunicação à SES, o que dificultou o planejamento do estoque.  Nesse período, a SES conseguiu empréstimo de 58 ampolas, junto à Bahia, o que possibilitou o tratamento até a chegada das ampolas compradas pelo Estado.

Por fim, a SES se solidariza com a família de Matheus e é natural que, em momentos de dor como este, sejam dadas declarações movidas pela emoção. Porém, assim como já fez anteriormente, tanto para a família como para a sociedade, a SES está à disposição para esclarecer as medidas adotadas pelo Estado, no sentido de garantir a assistência da criança.”

Com informações da repórter Cláudia Eloi, do Diário de Pernambuco e presidente do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco – Sinjope. 

Nota do Redator do blogue: o Diário de Pernambuco e a Rádio Clube pertencem ao grupo Associados. Que Kaká Filho falou, que desagradou? Esqueceu o elogio e não jurou que a Secretaria de Saúde não tem nenhuma culpa.

Falta informar e responsabilizar: quem fez as “mudanças nas dosagens sem a prévia comunicação”.

E tem mais: não vai ter a solidariedade do Sinjope.
 

Coisa rara de acontecer: jornalistas em greve contra o salário da fome e do medo

charge jornalista

O salário do jornalista brasileiro (para ser espancado e ameaçado de morte e fazer o que o patrão ordena) é humilhante. Quanto mais rica a empresa, mais baixo o salário.

O salário de merda enriquece os barões da imprensa. Os corruptos sempre compram uma mídia para lavar o nome e abrir todas as portas, principalmente as dos palácios e cofres dos bancos oficiais.

O Brasil devia ter uma lei, reivindicada em plebiscito, e aprovada em referendo, igual a do Equador: dono de mídia não pode possuir outros negócios, outros interesses que a imprensa verdadeira, comprometida com o nacionalismo, o patriotismo e o bem geral do povo.

Os jornalistas brasileiros trabalham em gaiolas de ouro e moram no cu do mundo. São pobres de marré deci.

Por que os patrões oferecem apenas um mês de estabilidade? Além de ser um emprego precário e temporário, o jornalista continua sendo despedido a pedido de qualquer Salomé. Nos anos pares de passaralho (barca), quando são recrutadas as equipes para promover campanhas eleitorais. Nos anos ímpares, as demissões em massa para formar uma redação favorável ao previsível adesismo. A política do rei morto, viva o rei. Ou do golpismo, de desestabilização dos governantes contrários ao status quo.

Para evitar  demissões, nos países verdadeiramente democráticos, os empregados elegem os conselhos de redação, com os votos e eleição de jornalistas que não exercem cargos de chefia, cargos de confiança, da máxima confiança do patronato.

jornal redação máquinas escrever cigarro

Jornalistas divulgam contracheques para provar que recebem mal no Pará

por Edson Caldas

Os funcionários do jornal Diário do Pará, Portal Diário Online (DOL) e TV RBA, em greve desde a última sexta-feira (20/9) por melhores condições de trabalho, decidiram publicar seus holerites no Facebook para comprovar o valor de seus salários.
A iniciativa surge após o diretor de redação do Diário, Gerson Nogueira, declarar em entrevista ao Portal dos Jornalistas que, apesar das “reclamações”, a média salarial na empresa era “de R$ 2,6 mil, superior inclusive à de cidades como Salvador e Recife”.
Indignados, os trabalhadores começaram a divulgar seus contracheques. Entre as principais reivindicações da greve, está o aumento do atual salário no Grupo RBA, proprietário dos veículos, e um Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR). Hoje, repórteres e fotógrafos do grupo ganham em média R$ 1.000 brutos. Com descontos, o salário pode chegar a menos de R$ 800.
“Essa situação vem se arrastando há muito tempo”, relatou Sheila Faro, presidente do sindicato, em entrevista à IMPRENSA na semana passada. “A vontade de mudar, ganhar mais, de ser valorizado e respeitado fez com que, na última assembleia, deliberássemos pela greve.”
Na última quarta-feira (25/9), os jornalistas rejeitaram uma proposta do Grupo RBA. A empresa ofereceu R$ 1.300 de salário e um mês de estabilidade. A presidente do sindicato classificou a proposta como “vergonhosa”.
“A greve continuará por tempo indeterminado até que suas reivindicações sejam atendidas”, declarou a entidade em comunicado. “Para demonstrar flexibilidade nas negociações, o Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará (Sinjor-PA), atendendo às deliberações da categoria, apresentará nova proposta à empresa, com intuito de chegar a um acordo e concluir as negociações.”
jornalista imprensa marrom

Jornalista não planeja futuro nem reflete sobre profissão

Por Anaïs Fernandes

escravo salário indignados

O perfil do jornalista mudou. A nova geração é hegemonicamente feminina, com menos de 35 anos, não sindicalizada, de formação política débil, massacrada pelo tipo de empregabilidade a que está submetida e pela densificação do trabalho. As evidências desta realidade estão reunidas no livro As mudanças no mundo do trabalho do jornalista (Editora Atlas, 2013), organizado por Roseli Figaro, professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT) da ECA. O livro conta com textos de Rafael Grohmann e Cláudia Nonato, doutorandos do CPCT, além de préfácio de José Marques de Melo, jornalista e um dos fundadores da ECA. Em 1972, Melo e o também professor da ECA, Jair Borin, traçaram o “perfil do jornalista profissional em São Paulo” da época, relatório reproduzido no pósfácio desta edição.

A pesquisa foi construída a partir de 2010 com quatro tipos de amostras. Os componentes do Grupo A foram captados por redes sociais, principalmente via email. Uma segunda amostra abordou os profissionais do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (Grupo B). Jornalistas contratados de uma grande empresa editorial de São Paulo compuseram o Grupo C. A quarta amostra utilizou como critério jornalistas freelancers (Grupo D).

Do cruzamento desses dados, o grupo percebeu, sob o ponto de vista quantitativo, que os jornalistas sócios do sindicato são majoritariamente homens e de gerações mais velhas, com mais de 35 anos. Nos outros grupos de amostragem, destacaram-se mulheres jovens não sindicalizadas. Houve, portanto, uma mudança do perfil dos jornalista por gênero e também a constatação de que os jovens se sindicalizam menos.

Roseli conta que, durante a análise qualitativa, surgiram questões dos jornalistas relacionadas ao engajamento e descrédito na organização enquanto categoria. “Acredito que isso se dê pela atual situação de empregabilidade e pela precarização desses laços, que tornam a questão da sindicalização e da organização muito frágeis”, afirma.

Sem interesse

Uma das perguntas do questionário queria saber se o profissional encontrava tempo para planejar sua vida – se tem conseguido planejar para curto, médio ou longo prazo, ou não tem conseguido planejar. Os resultados apontaram que os mais jovens e os profissionais freelancers são os que menos têm conseguido planejar. “Isso quer dizer trabalhar hoje, para consumir hoje e não saber como será seu trabalho no ano que vem”, explica a professora. Ela aponta que essas pessoas, com instabilidade e dificuldade em se relacionar com o mundo do trabalho, não vislumbram soluções coletivas – como sindicalizar-se ou organizar-se para pleitear melhores condições de trabalho –, mas sempre saídas individuais como, por exemplo, arranjar mais um emprego. “A solução de classe jornalística parece que se esvai”, acrescenta Rafael Grohmann.

O doutorando considera que os jornalistas mais jovens têm uma perspectiva “ajustada às prescrições do sistema econômico capitalista” no sentido, por exemplo, da valorização do empreendedorismo. Ele avalia que pouquíssimos entrevistados iam contra o pensamento contra hegemônico.

Roseli relata falas daquele profissional que não se encontra nas grandes mídias e que procura trabalho em mídias alternativas para se realizar enquanto jornalista. “Ele não se via respondendo aos paradigmas da profissão, como a aspiração do jornalista como mediador social, seu comprometimento com as causas da verdade, da democracia, da cidadania nas grandes mídias”, aponta Roseli. Ela ressalta que esse tipo de profissional só conseguia suprir seus anseios quando ele mesmo se patrocinava, trabalhava de graça ou batalhava para publicar material próprio e independente em sites e revistas alternativas. Quando esse profissional conseguia colocar pautas alternativas na grande imprensa, Grohmann relembra que o termo utilizado era “contrabandear informação”.

Grohmann questiona também até que ponto os jornalistas estão discutindo política na sua formação. Ele relembra dois relatos. Um, de uma menina que dizia fugir da aula de política na faculdade. Outro, de uma pessoa que afirmava não saber a diferença entre PMDB e PSDB e que também não demonstrava interesse em aprender, pois não se interessava pelo assunto e preferia que Paulo Maluf escrevesse uma matéria sobre política do que ela.

Um entrevistado afirmou não saber a diferença entre PMDB e PSDB e que não queria aprender, pois não se interessava pelo assunto e preferia que Paulo Maluf escrevesse uma matéria sobre política do que ele.

Falta debate

No livro, enquanto Cláudia Nonato focaliza o segmento dos jornalistas sindicalizados em São Paulo, Grohmann trabalha o jornalista como receptor, buscando compreender quais os produtos culturais preferidos pela categoria.

Ele percebeu que, embora o jornalista acesse mídias alternativas, o que ele mais segue ainda é a mídia tradicional e grandes veículos de comunicação. E a busca, geralmente, está mais ligada ao seu trabalho do que à obtenção de informação em si. “Ele assiste à televisão para criticar o trabalho dos outros ou então para melhorar seu próprio desempenho. O jornalista nunca desliga, mesmo quando está no sofá de casa”, aponta Grohmann. O pesquisador retoma a questão do ajustamento às prescrições do sistema econômico capitalista, afirmando que o jornalista chega, em sua crítica, no máximo a “que off ruim, essa manchete não está boa, essa passagem não ficou legal”, e não consegue atingir críticas ideológicas mais profundas.

O doutorando critica também a existência esporádica, dentro das faculdades de jornalismo, do debate do jornalista enquanto profissional, justamente em um momento em que a categoria presencia uma séria de demissões. “O jornalista poucas vezes se pensa enquanto trabalhador, ele é o super-herói, o salvador da pátria”, explica. “Mais do que os dados quantitativos, acho que o maior crédito do nosso livro é provocar essa discussão. A classe dos jornalistas está trabalhando muito e não está olhando direito para essas questões tão fundamentais”, afirma Grohmann.

***

Anaïs Fernandes, do USP Online/ Transcrito do Observatório da Imprensa