Os barões da imprensa pagam o salário da fome e do medo

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Vestidos de preto, Jornalistas se reuniram hoje em São Paulo para fazer um ato em manifesto contra as demissões, a precarização das relações de trabalho e práticas antissindicais que vem acontecendo no país.

Os salários pagos pelas famílias Marinho, Frias e Mesquita são humilhantes. Até a esposa de Eduardo Cunha, jornalista Cláudia Cordeiro Cruz, âncora da TV Globo, era terceirizada.

O encontro nacional organizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo aconteceu na sede da entidade da categoria em São Paulo. O ato foi feito em dois momentos, primeiro uma reunião entre categoria, FENAJ, diretores do Sindicato e militantes pela democratização da comunicação para elaborar coletivamente a carta de pauta nacional com reivindicações. Em seguida seguiram até a frente da sede da Folha de São Paulo e entregaram a carta da categoria para o presidente do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas de São Paulo (SindJoRe), Reginaldo Carlos de Araújo.

Para o presidente da FENAJ, Celso Schroder, nacionalizar o sentimento que os jornalistas estão passando é ter unidade e força para combater o mal que estão fazendo para o jornalismo brasileiro. “A FENAJ já tinha se posicionado e escolheu São Paulo pra fazer era demonstrar nacionalmente que para o movimento sindical que estas demissões basta!”

Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Paulo Zocchi, este é estado considerado o centro das demissões, apesar de acontecer no país todo. 70% das demissões ocorreram em São Paulo, só no primeiro trimestre 191 jornalistas foram demitidos. Neste último mês teve demissões em massa na editora Abril, no Estado de São Paulo, na Folha de São Paulo, no SBT, na Jovem Pan e na Band. “Então o Sindicato tá buscando enfrentar as demissões junto com a categoria, entrando com ações judiciais, ou seja fazendo todo o possível para se opor a isso e impedir que essas demissões de fato ocorram”, afirma Zocchi.

Para Schroder essas demissões em massa precisam ser enfrentadas, pois elas ferem o bom senso, a legislação internacional e as relações de trabalho democraticamente instituída. “Por tanto as demissões são INACEITÁVEIS, defender os jornalismo no Brasil é defender a democracia”, finaliza ele.

Alegando dificuldades financeiras, as empresas demitiram jornalistas em quase todos os estados em 2014, mil só em São Paulo. A área que mais sofre é o setor de impressos. Dados do Projeto Inter-Meios indicam que no mesmo ano o faturamento das empresas de comunicação superou 27,7 milhões de reais, representando uma evolução de 7,85% em relação em 2013.

Estudos do Dieese apontam que a lei de desoneração da folha de pagamento representou uma redução de custos das empresas jornalísticas em média de 8,48%.

Para a secretaria de comunicação da CUT de São Paulo, Adriana Oliveira Magalhães, é um ato extremamente importante para denunciar as demissões e convidar os jornalistas a participar da luta junto ao sindicato. “A gente tá percebendo que esta ofensiva contra os trabalhadores jornalistas é a forma de como as empresas de comunicação também se organizam, assim como os grandes setores, por exemplo do sistema financeiro, do setor produtivo. É como maximizar o lucro através da redução do impacto da folha de pagamento”, destaca Adriana.

“Os jornalistas brasileiros sofrem os efeitos de uma crise artificial provocada por aqueles que, para manterem e ampliarem suas margens de lucro, transferem o ônus de sua incompetência para a classe trabalhadora”. Diz trecho da carta feita de forma colaborativa entre os sindicatos dos estados no encontro de hoje.

Na carta os jornalistas manifestam a rejeição as demissões, a precarização do trabalho e as práticas antisindicais das empresas. “A gente tá divulgando a carta e quer entregar para o sindicato das empresas e manifestar nossa intenção. Queremos nos reunir com as empresas em âmbito nacional para apresentar as nossas reivindicações e pra manifestar nossa posição”, finaliza Zocchi.

O PL 4330 é outra ameaça a categoria que já luta contra a terceirização a muito tempo. “Com a aprovação deste projeto de lei no senado a categoria sofrerá drasticamente este projeto de “pejotização”, que é a contratação de pessoas jurídicas e isentando a empresa de qualquer direito trabalhista. Salários menores, maior jornada de trabalho e sem benefícios, como 13 salário e férias”, destaca Adriana. Ela vê a democratização da comunicação dos meios de comunicação, que é uma luta pela diversidade, uma saída para os profissionais da área. “. O projeto de lei da democratização da comunicação também é um projeto que não só defende o profissional da comunicação, mas também luta pra que surjam outros postos de trabalho para os profissionais”, finaliza a secretária de comunicação da CUT em São Paulo.

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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