Dança da morte na boite Kiss. Queimou 242 pessoas vivas. Não existe lei para prender os assassinos das antigas e futuras chacinas

fogo

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O pessoal do tráfico sempre investe na noite: bares, restaurantes, motéis (nome sofisticado para prostíbulo), boates. São esses os principais negócios que lavam o dinheiro sujo do tráfico de drogas, de pessoas, de órgãos, de tudo que não presta. Depois a compra de fazendas na fronteira seca. Certo que não estou generalizando. Mas, para esta gente do tráfico a vida humana não vale um tostão furado.

Eis a prova:

Dois anos após tragédia da Kiss, lobby emperra lei sobre segurança em boates

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Projeto determina prisão para quem descumprir as regras e enfrenta resistência de produtores culturais e donos de casas noturnas.

Fachada da boate Kiss foi limpa nesta semana para as homenagens de um ano do incêndio em Santa Maria
Fachada da boate Kiss foi limpa nesta semana para as homenagens de um ano do incêndio em Santa Maria

Dois anos após a tragédia na boate Kiss, em Santa Maria (RS), onde 242 pessoas morreram em janeiro de 2013, o Brasil ainda não tem uma lei unificada que trata especificamente da segurança em casas noturnas. A proposta que trata especificamente sobre esse tema tramita há sete anos no Congresso Nacional e ainda precisar ser aprovada pelo Senado para virar lei. O PLC 33 enfrenta o lobby contrário de produtores culturais, organizadores de festas e donos de casas noturnas em todo o Brasil, que não querem uma lei que estabeleça regras para a segurança. Resumindo: Os assassinos que torraram 242 pessoas no forno da Kiss estão todos soltos. 
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O projeto torna obrigatória a vistoria e a liberação das licenças e alvarás de funcionamento em locais com grande quantidade de pessoas e determina a publicação destes documentos na internet. Além disso, responsabiliza por crime de improbidade administrativa, gestores municipais que deixarem de regulamentar medidas de prevenção e combate à incêndio.
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Um dos pontos mais polêmicos é o que determina pena de seis meses a dois anos de prisão para os donos de casas noturnas que não realizarem obras de combate a incêndio. A proposta também proíbe a utilização das comandas em boates, prática que pode motivar a demora ou a retenção de pessoas nas casas noturnas em casos de emergência.
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No caso da boate Kiss, a demora em liberar os clientes sem o pagamento das comandas e os obstáculos colocados na porta acabaram contribuindo para o grande número de mortos.
Todas as normas da proposta são destinadas a estabelecimentos de diversões cuja frequência média seja superior à 100 pessoas por evento.
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A proposta foi apresentada em 2007 pela deputada federal Elcione Barbalho (PMDB/PA) e tramitou na Câmara durante por sete anos. Somente na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a proposta ficou parada entre maio de 2012 e janeiro de 2013. A comoção provocada pela tragédia fez com que o projeto voltasse a ser discutido e votado.
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Em abril do ano passado foi aprovado na Câmara. No Senado, foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos da Casa, com relatoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que levou a proposta para comissão com o objetivo de driblar a resistência dos proprietários de boates e produtores. “Existe um lobby intenso para que essa lei não vá adiante porque essa proposta não trata apenas das casas noturnas, mas também traz normas mais rígidas para espaços de shows”, revelou o senador Paim. Os maiores promotores de shows são os prefeitos e governadores, nas festas profanas e festas de santo. Vários cantores ladrões esquentam notas frias. 
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“Estou em contato direto com as famílias vítimas de Santa Maria. É um absurdo que essa proposta esteja demorando tanto para ser aprovada. É um desrespeito às famílias. O massacre em Santa Maria ocorreu há quase dois anos e não temos ainda uma legislação nacional que regulamente o funcionamento das casas noturnas”, disse o senador.
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A proposta está pronta para ser apreciada pelo plenário do Senado. A intenção do relator do projeto é que ela seja votada no retorno do processo legislativo. No final do ano passado, Paim chegou a conversar com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para que o projeto fosse apreciado no final do ano. Renan preferiu deixar a pauta para este ano. “Vou brigar para que o Renan coloque isso em pauta o quanto antes”, revelou o petista.
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Por se tratar de uma proposta de lei complementar, o projeto precisa ser aprovado no Senado sem modificações antes de seguir para sanção da presidente Dilma Rousseff (PT). Se houver modificações, precisará passar novamente pela Câmara para que essas modificações sejam apreciadas, antes de retornar para o Senado e seguir para sanção.
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Para a imprensa safada de Santa Maria a noite está segura. O Diário da Santa Maria publica hoje a seguinte manchete mentirosa: “A noite está mais segura e começa mais cedo em Santa Maria”. O jornal não pede cadeia para os assassinos.

 

Boate Kiss – Programação das homenagens
AVTSM – A Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria divulgou a sua programação religiosa em homenagem aos dois anos da Tragédia de Boate Kiss, que vitimou 242 pessoas em 27 de janeiro de 2013.

Na oportunidade, ocorrerá um Ato Ecumênico na Praça Saldanha Marinho, a partir das 18h, da próxima terça-feira. Dentre as atividades, estão previstas toques de bumbo e tarol, que serão executados 242 vezes após a leitura, em ordem alfabética, do nome de cada vítima da tragédia. Também haverá a participação da Banda de Música da Base Aérea de Santa Maria, um momento de oração e a liberação de balões ao ar simbolizando todos os jovens vitimados na tragédia.

Movimento do Luto à Luta – Já o Movimento do Luto à Luta irá prestar a sua homenagem a partir do dia 26, segunda-feira. A concentração está marcada para as 20h, na Praça Saldanha Marinho, e as homenagens irão se estender até a terça-feira. Durante o período, estão previstos os depoimentos de familiares e amigos das vítimas, e a divulgação de fotos e vídeos. A partir da meia-noite, o grupo seguirá em deslocamento até a boate onde ficará em vigília em frente ao local. A intenção do Movimento, segundo o presidente Flávio Silva, é fazer a repercussão da tragédia tocar as pessoas e não cair no esquecimento.

Roupa branca: O presidente da AVTSM, Adherbal Ferreira, solicita às pessoas que usem roupas brancas na data. A atitude serve para lembrar e prestar solidariedade aos familiares e vítimas da tragédia. Recomenda-se, também, o uso de fitas brancas nos carros e nas motocicletas.

Projeto Ahh… Muleke! realiza festa: No dia 27, a partir das 23h30min ocorre a Festa I Love Funk – White Peace no Muzeo Pub, localizado na Rua Dr. Bozano, 565. A ideia da comemoração é relembrar as 242 vítimas da tragédia. Cinquenta por centro da renda adquirida na festa será revertida para uma instituição de caridade. É obrigatória a entrada com uma peça de roupa branca.

Uma festa macabra 

Fonte: iG

Mário Quintana: Da vez primeira que me assassinaram

morte tempo relógio

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha…
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha…

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada…
Arde um toco de vela, amarelada…
Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!


Seleta de Gilmar Crestani

No ar, a despedida de um jornalista que Salomé pediu a cabeça

Em Pernambuco, quem não marcha com, pelo e para o governador, dança.
A liberdade de expressão devia ser um direito do jornalista e não uma propriedade da empresa.
Na escravidão, para um exemplo, uma fazenda vendida incluía os escravos, e assim acontece nas empresas de comunicação de massa: todos jornalistas são vendidos como peças.
Existem várias maneiras de comprar uma redação.
No mercado publicitário vale o conceito: Quem paga a publicidade compra a mensagem: Tudo que você escuta na rádio, tudo que você vê na televisão, tudo que você lê na imprensa.
Kaká
Você não vai mais ouvir Káka Filho defendendo o povo na Rádio Clube de Pernambuco. Eis a despedida dele:
Boa tarde amigos (as)!
A partir de amanhã não apresentarei mais o Super Show na Clube na Rádio Clube AM 720, devido a criticas que fiz a secretária de saúde e questionei o governador sobre o caso do menino Matheus, que faleceu no último sábado.
Os pais da criança vão processar o estado devido a falta do medicamento. Isto foi falado em todos os meios de comunicação de Pernambuco.
Só porque acrescentei no meu comentário o artigo 196 da Constituição Federal 1988 onde diz que
“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação”.
Estava só lembrando da responsabilidade que o chefe de estado tem, até para cobrar um empenho maior dos responsáveis da pasta.
Por falar pelo povo e a verdade, é que a credibilidade do programa foi aumentando, mas digo a vocês amigos, não é fácil. Aí vão me perguntar, estas triste? Não!!! Muito pelo contrário, estou feliz pelo trabalho social que fiz, ajudei pessoas em todas as áreas, e continuarei ajudando de alguma forma.
Enquanto voz tiver e critico for, não calarei! Falarei pelo povo sempre, seja onde for!!!
A todos obrigado pela confiança, audiência, carinho, parceria e informação.
Não poderia sair do ar sem mais nem menos sem explicar aos amigos, parceiros e ouvintes.
Abraço!!!
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CONHEÇA O CASO MATHEUS
Morre no Recife bebê com trombofilia. Família acusa o estado de negligência
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Foi enterrado na manhã deste domingo (24), na cidade de Escada, na Zona da Mata Sul, o corpo do menino Matheus Henrique, de 1 ano e 4 meses. A criança sofria de trombofilia, doença rara que provoca deficiência na coagulação do sangue por falta de proteína C, conhecida como púrpura fulminante do recém-nascido. Sob forte emoção, o pai da criança, Eduardo Lacerda, acusou o governo do estado de ser o responsável pela morte de seu filho. Isto porque a criança estava tomando, por decisão da Justiça, o medicamento fornecido pelo estado, o Ceprotin, utilizado no tratamento da enfermidade, mas houve descontinuidade na medicação.

“Ele teve quatro paradas cardíacas consecutivas e nos disseram que dariam uma dose de adrenalina para a gente poder se despedir do meu filho”, revelou o pai. A criança estava internada na UTI pediátrica do Hospital Esperança e faleceu na manhã do último sábado, com problemas cardíacos. O pai ainda revelou que os médicos afirmaram que o caso se agravou pela falta de medicamento adequado.

De acordo com Eduardo, seu filho morreu por negligência do estado. “Eles tinham conhecimento desde o primeiro momento que a medicação tinha que ser dada continuadamente. Eles sabiam do tempo que o remédio chegaria ao Brasil e o quando estaria no estado. O estado deixou acabar o medicamento e não comprou. Por duas ou três vezes deixaram de liberar o medicamento. A falta do Ceprotin desencadeou vários problemas de saúde no menino. A menos de um mês os médicos disseram que teriam que cortar os pés e os braços dele”, informou.

A família de Matheus Henrique conseguiu o direito de ter o anticoagulante pago pelo estado por decisão da Justiça, ainda em 2012. O medicamente é produzido for a do Brasil e cada ampola custa quase R$ 3,9 mil. A família acusa que o estado no atraso na entrega do medicamento nos mês de março e outubro deste ano. No início do mês, a Secretaria estadual de Saúde havia entregado 22 ampolas do Ceprotin aos médicos responsáveis pela criança. O remédio foi emprestado pelo Estado da Bahia, onde há outro caso de trombofilia. O pai da criança informou que pretende entrar com ação judicial contra o estado.

Secretária de Saúde diz não foi “informada” sobre mudanças

A Secretaria Estadual de Saúde afirmou que tomou todas as medidas para garantir a vida da criança. A pasta informou que investiu cerca de R$ 2 milhões na aquisição de 780 ampolas de Ceprotin. A secretaria ainda explicou que os períodos em que a criança ficou sem o remédio aconteceram porque houve mudanças nas dosagens sem a prévia comunicação. “No período de um ano, o paciente ficou alguns dias sem o remédio, pois mudanças foram feitas nas dosagens, sem a prévia comunicação à SES, o que dificultou o planejamento do estoque”, destacou.

Confira abaixo a nota na íntegra:

“A Secretaria Estadual de Saúde informa que lamenta profundamente a morte do paciente Matheus Henrique, de um ano, mas reafirma que todas as medidas foram tomadas, pelo Estado, com o intuito de garantir ou prolongar a sua vida. No caso, que fugiu ao protocolo de aquisição de medicamentos excepcionais, houve empenho de diversos funcionários e setores deste órgão para agilizar a chegada do remédio, proibido de comercialização no País pela Anvisa, e possibilitar o tratamento, considerado experimental e sem eficácia terapêutica para a doença – rara, sem cura e com rápido agravamento do quadro clínico.

O paciente Matheus, que teve o tratamento negado pelo plano de saúde, começou a receber o Ceprotin, pelo Estado, em 2012. Ao todo, foram adquiridas 780 ampolas do medicamento, em um investimento de cerca de R$ 2 milhões. Com essas aquisições, o garoto estava com estoque suficiente para os próximos três meses, ao final do qual período chegariam novas ampolas já solicitadas.

Para viabilizar o medicamento, a SES contatou diversos fornecedores e importadores, mas apenas um, a Uno Healh Care, informou ter condições de importação e pediu o prazo de duas a cinco semanas para a entrega. A SES também negociou diretamente com o laboratório Baxter, da Áustria, que solicitou prazo de 15 dias para a entrega do medicamento.

No período de um ano, o paciente ficou alguns dias sem o remédio, pois mudanças foram feitas nas dosagens, sem a prévia comunicação à SES, o que dificultou o planejamento do estoque.  Nesse período, a SES conseguiu empréstimo de 58 ampolas, junto à Bahia, o que possibilitou o tratamento até a chegada das ampolas compradas pelo Estado.

Por fim, a SES se solidariza com a família de Matheus e é natural que, em momentos de dor como este, sejam dadas declarações movidas pela emoção. Porém, assim como já fez anteriormente, tanto para a família como para a sociedade, a SES está à disposição para esclarecer as medidas adotadas pelo Estado, no sentido de garantir a assistência da criança.”

Com informações da repórter Cláudia Eloi, do Diário de Pernambuco e presidente do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco – Sinjope. 

Nota do Redator do blogue: o Diário de Pernambuco e a Rádio Clube pertencem ao grupo Associados. Que Kaká Filho falou, que desagradou? Esqueceu o elogio e não jurou que a Secretaria de Saúde não tem nenhuma culpa.

Falta informar e responsabilizar: quem fez as “mudanças nas dosagens sem a prévia comunicação”.

E tem mais: não vai ter a solidariedade do Sinjope.
 

Espanha retira uma prótese de 152 euros de um jovem que não podia pagar. Isso é privatização da medicina

O Brasil marcha para a privatização da saúde, sem nenhum protesto.

Para a medicina privada, a vida depende da conta bancária. Quem tem dinheiro é atendido; quem não tem,  dança. É a dança macabra da Idade Média. A dança das caveiras.

privatizaçao saúde

Un joven de 23 años del municipio valenciano de Llíria, que fue ingresado el pasado lunes para ser intervenido de la rodilla derecha en elhospital Arnau de Vilanova de Valencia, se ha quedado sin la prótesis ortopédica que le habían colocado por no poder hacer frente a su pago, según se ha hecho eco el diario Levante.

Adrián García sufrió una caída practicando montañismo a los 14 años. Con el tiempo, su dolencia aumentó y ya apenas podía hacer ejercicio o caminar con normalidad.

“Era una operación complicada y el doctor solicitó los consejos de un cirujano francés” cuenta la familia al periódico. El martes fue operado con éxito; se despertó en el quirófano con una pieza ortopédica en la rodilla para que la pierna permaneciera recta y no hubiera movimiento que perjudicase su recuperación.Tras la operación el médico les informó que tendrían que abonar120 euros por la pieza colocada, una sorpresa que se hizo efectiva dos días después. El jueves apareció en la habitación una empleada de la empresa ortopédica requerida por el hospital y les reclamó 152 euros, comunicándoles que la Consellería -más adelante- les devolvería 122 euros.

Adrian García, afectado por el copago ortopédico
Adrian García, afectado por el copago ortopédico

Sin embargo, la familia asfixiada económicamente por una hipoteca de mensualidades que rondan los 1.200 euros, no disponía en esos momento de la liquidez para hacer frente al pago. “Le dije que no podía pagarlo. Que no tenía ese dinero porque, en realidad, en estos momentos no tengo ni para comer”, cuenta María Dolores, madre de Adrián. Después de abandonar la habitación y recibir la aprobación del médico que había realizado la operación, le fue retirada la prótesis a Adrián y sustituida por yeso.

abraça hospital 2 dez

Charles Baudelaire

DANÇA MACABRA

Christophe_1

a Ernest Christophe.

Vaidosa, como um vivo, da nobre estatura,

Com as luvas e o lenço e o seu bouquet tão grande,

Tem a descontracção e a desenvoltura

De uma coquette magra com ar extravagante.

Alguém já viu no baile cintura mais fina?

O esplêndido vestido, amplo e majestoso,

Cai abundantemente sobre os pés esguios

E os pompons dos sapatos, lindos como flores.

O folhinho a brincar-lhe junto às clavículas

Qual regato lascivo a esfregar-se a um rochedo,

Protege com pudor dos gracejos ridículos

Os fúnebres engodos que teima em esconder.

Os seus olhos são feitos do nada e de trevas

E o seu crânio florido, com arte penteado,

Vai oscilando inerte sobre as frágeis vértebras.

Ó charme do vazio loucamente enfeitado.

Alguns irão chamar-te uma caricatura,

Não percebendo, amantes bêbados de carne,

A elegância sem nome da humana armadura.

Esqueleto, correspondes ao meu gosto caro!

Virás tu perturbar com essa forte careta

Os festejos da Vida? ou um desejo antigo,

Que saiba esporear essa carcaça viva,

Ainda irá levar-te ao festim do Prazer?

Com a chama das velas e o som dos violinos

Queres expulsar o teu pesadelo gozão

E ainda vens pedir ao caudal das orgias

Pra refrescar o inferno do teu coração?

Inesgotável poço de erros e de asneiras!

Da mais antiga dor o eterno alambique!

Através das costelas, dessa curva grelha,

Eu vejo, errando ainda, a insaciável víbora.

A bem dizer, receio que a coqueteria

Não ache um prémio digno de tantos esforços;

Quem, das almas mortais, entende a zombaria?

Os encantos do horror só extasiam os fortes!

O abismo desse olhar, com pensamentos trágicos,

Exala uma vertigem; os foliões prudentes

Não irão contemplar sem náuseas bem amargas

O eterno sorriso dos trinta e dois dentes.

Porém, quem não estreitou nos braços um esqueleto

E nunca se nutriu dessas coisas funéreas?

O que importa o perfume, a roupa, a toilette?

Quem se mostra enojado é porque se crê belo.

Bailando sem nariz, pécora irresistível,

Diz a estes convivas com ar tão chocado:

«Apesar de empoados, vaidosos e finos,

Vocês cheiram à morte! Ó esqueletos muscados,

«Antínoos ressequidos, dandies de pele glabra,

Grisalhos sedutores, cadáveres de verniz,

O universal vaivém desta dança macabra

Puxa-vos pra lugares ainda não conhecidos!

«Dos frios cais do Sena à ardente orla do Ganges

A manada mortal pula alegre, sem ver

Num buraco do tecto a trombeta do Anjo,

Essa bênção sinistra como um arcabuz negro.

«Sob os diversos climas, sóis, a Morte admira

As tuas contorções, cómica Humanidade,

E às vezes como tu, perfumada de mirra,

Mescla a sua ironia à tua insanidade!»

 

Leia no original este poema de Baudelaire inspirado numa estatueta de Ernest Christophe.

 

AMANHÃ É OUTRO DIA

por Talis Andrade

dança da morte

Do jornalista
o trabalho cotidiano
da colheita
De tarde a notícia
De noite o trevo

O jornalista vive
como em tempo de peste
Beber divertir-se
na dança macabra
da madrugada
a dança de São Vito
É tudo aqui-e-agora
que no meio da vida
seremos surpreendidos
pela morte

O jornalista vive
o presente finito
Tudo que escreve
tem a louvação
de um dia

O jornalista vive
o instante
a emoção
do amor
de uma noite

O jornalista vive
o pressentimento
Amanhã pode ser dia de desemprego
Amanhã pode ser dia de enterro

Dança Macabra, por Frantisek Kupka
Dança Macabra, por Frantisek Kupka