Por defender a terceirização e apoiar currupção de Cunha, Paulinho deve ser expulso da Força Sindical

Nada mais absurdo que uma central sindical, pelo seu presidente licenciado, apoiar a criação e legalização do emprego terceirizado, precário e escravo. É o que faz Paulinho da Força Sindical, cordeirinho do baixo clero, comandado pelo pastor Eduardo Cunha.

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Paulinho também responde a vários processos por corrupção, e constitui um sujo exemplo do peleguismo sindical.

Rede Brasil Atual comenta: O apoio explícito ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em evento da Força Sindical na última sexta-feira (21), em São Paulo, causou “grande constrangimento” na central, a ponto de seu secretário-geral, João Carlos Gonçalves, o Juruna, sugerir a saída definitiva do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP), hoje licenciado da presidência.

“Talvez tenha chegado o momento de falarmos com muita franqueza e sempre com lealdade se já não é hora de o companheiro Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que por sua própria vontade e decisão optou exclusivamente pela atividade partidária, seguir o seu caminho, e a exemplo do companheiro Luiz Antônio de Medeiros, no passado, continuar ao nosso lado, nos apoiando, nos ajudando com a sua experiência e bagagem, mas deixando que a central siga o seu próprio caminho, tenha a sua posição permanente em defesa de políticas democráticas, do respeito à institucionalização do Estado de Direito Democrático a duras penas conquistado e, sobretudo, de uma coerente e combativa política sindical em defesa dos trabalhadores e suas famílias, o que é nosso objetivo maior”, escreveu Juruna.

Os dois dirigentes ainda não conversaram após a divulgação do artigo, que segundo Juruna tem como objetivo suscitar um debate interno. Muitos dirigentes, embora não afirmem publicamente, ficaram incomodados com a repercussão, na imprensa, das demonstrações de apoio a Cunha, que na véspera havia sido denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “O presidente Eduardo Cunha é a pessoa mais correta que encontrei”, afirmou Paulinho na sexta-feira.

Benett
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“O que era para ser uma atividade institucional e imparcial, para conversar sobre as leis e medidas que estão em tramitação ou que já foram votadas, transformou-se num ato partidarizado, de apoio a um político que está sendo denunciado pelo Ministério Público”, diz Juruna, em seu texto. “Os gritos de guerra a favor de Cunha, ouvidos no ato, configuraram uma ação deslocada e sem sentido no atual contexto. Isso porque a democracia deve funcionar para todos. Ninguém está acima da justiça e, neste sentido, precisamos aguardar as conclusões do Judiciário no processo que envolve o político em questão. Repito: o que era para ser uma atividade sindical, meramente institucional, com pauta definida pelo presidente Miguel Torres (presidente em exercício da Força), transformou-se em um ato de apoio político, e isso não estava na pauta.”

O secretário-geral da Força diz que a entidade tem buscado manter o equilíbrio, lembrando que Torres vem conversando com “os principais atores sociais, como os presidentes de centrais sindicais”, além de reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e conversas agendadas com o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com o atual vice-presidente, Michel Temer. “O que aconteceu na última sexta-feira, dia 21, com a transformação de uma atividade sindical em uma ação partidária, não condiz com o caminho que temos tomado. Milhares de sindicalistas filiados à Força Sindical em todo o Brasil foram pegos de surpresa pelo noticiário, gerando um grande constrangimento para a central.”

O documento faz referência depreciativa à CUT. Segundo Juruna, a Força “deve ser dar o respeito como entidade sindical multipartidária, como está colocado desde a fundação, e não joguete e instrumento de partidos ou pessoas, como têm se caracterizado os companheiros da CUT ao longo de sua história”.

Criada em 1991, a Força teve apenas dois presidentes eleitos até hoje: Medeiros e Paulinho, ambos originários do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. O último congresso da central, o sétimo, foi realizado há pouco mais de dois anos. Para mudar o presidente, não é preciso realizar novo congresso – assumiria o 1º vice (atualmente, Melquíades de Araújo, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de São Paulo e ligado ao PSDB), e o substituto seria escolhido em reunião da direção.

Originalmente opositor da CUT, Medeiros já foi secretário de Relações do Trabalho no Ministério do Trabalho e Emprego, na gestão Lula. Também passou pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo. Atualmente, é secretário municipal das Subprefeituras do governo Fernando Haddad (PT). Ex-PDT e fundador do Solidariedade, Paulinho apoiou Geraldo Alckmin (PSDB) em 2006 e Dilma Rousseff (PT) em 2010. Na eleição do ano passado, tornou-se feroz opositor da candidatura petista, e hoje é um dos principais defensores do impeachment da presidenta.

 

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95 empresas financiaram a ditadura

Ronaldo
Ronaldo

 

Em reunião do grupo de trabalho “Ditadura e repressão aos trabalhadores e ao movimento sindical” com pesquisadores sobre o envolvimento do empresariado brasileiro com o regime militar, neste sábado 15, a advogada Rosa Cardoso, membro da CNV, afirmou que o apoio dado por grupos do setor privado ao golpe deve se fazer conhecido.

“Devemos fazer uma responsabilização institucional em relação às empresas que apoiaram a ditadura. Assim, conseguimos mostrar que tratou-se de um golpe civil militar e não apenas militar, uma vez que foi construído por toda uma classe empresarial”, disse Rosa sobre o apoio também de grupos multinacionais que se viam em situação de risco nos governos que antecederam o regime militar, como o de João Goulart.

A advogada de presos políticos na ditadura lembrou que, antes mesmo do golpe contra Jango, foram criados os Ipes (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais) e o Ibad (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que apoiavam partidos e parlamentares de direita com dinheiro do empresariado e da própria CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), ajudando a criar todo um aparato para o golpe. “Havia Ipes não apenas nas principais capitais, mas também em lugares mais afastados, como Manaus”, disse. “E não apenas os Ipes, mas também grupos que não tinham paciência para ser tão militante, como o de antigos membros da Revolução Constitucionalista (movimento paulista de 1932 contra Getúlio Vargas) e os banqueiros.” [Recentemente Olavo Setubal, dono do banco Itaú, foi lembrado em um escracho].

Na época, afirmou o pesquisador Jorge José de Melo, o empresariado paulista denominava 40% do PIB brasileiro.
“Colaborar com esse tipo de estrutura do regime era ter acesso livre aos recursos públicos”, explicou o jornalista que analisou a trajetória de Henning Albert Boilesen, presidente da Ultragaz e colaborador do regime, que acabou assassinado por um comando da ALN (Ação Libertadora Nacional) e do MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes) em 1971. “Alguns colaboraram ideologicamente, como Boilesen e Gastão Bueno Vidigal, do Banco Mercantil, mas outros colaboravam para ter acesso mais fácil aos recursos.”

Assim, o golpe de 1964 contou com a ajuda da elite burguesa preocupada em proteger o capital. Para executar o programa de propaganda, contou a jornalista Denise Assis, foi montado um esquema de doações, constituído por 125 pessoas físicas e 95 jurídicas – destas, cinco (Listas Telefônicas Brasileiras, Light, Cruzeiro do Sul, Refinaria e Exploração de Petróleo União e Icomi) arcavam com mais de 70% das contribuições. O dinheiro arrecadado seguia, então, para as agências de propaganda como: Promotion S.A, Denisson Propaganda, Gallas Propaganda, Norton Propaganda e Multi Propaganda.

Empreiteiras. Dentre os setores que contribuíram e se beneficiaram do regime militar, um de grande destaque foi o de construção civil. Segundo Pedro Henrique Pedreira Campos, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) que pesquisou como as empreiteiras apoiaram a ditadura, “empresários que atuam no setor de obras públicas e infraestrutura deram grande salto nessa época”. “Tornaram-se grandes grupos, inclusive com atuação internacional. Em troca, foram altamente favorecidos pelas políticas de Estado implantadas naqueles período. Houve, então, uma concentração no setor na área de construção pesada.”

Muitas vezes, mais do que a colaboração financeira com o regime, as empresas forneciam também apoio logístico à repressão. Além da perseguição a trabalhadores, com as chamadas “listas negras” daqueles que não deveriam ser mais contratados, houve quem cedesse acessórios – como tampões de proteção acústica da General Motors para funcionários do DOI-Codi em São Paulo – ou disponibilizasse instalações para serem transformadas em centros de tortura, como acusam a Petrobras de fazê-lo.

polícia banqueiro poder protesto

 

A LISTA DAS EMPRESAS GOLPISTAS

Mais de 80 empresas estão envolvidas em espionagem e delação de quase 300 funcionários, segundo levantamento feito pela Comissão Nacional da Verdade. O intuito era sufocar qualquer movimento sindicalista que estivesse sendo gestado entre os trabalhadores de grandes montadoras, como Volkswagen, Chrysler, Ford, General Motors, Toyota, Scania, Rolls-Royce, Mercedes Benz, e também de outros setores, como a Brastemp, a estatal Telesp, a Kodak, a Caterpillar, a Johnson & Johnson, a Petrobras, a Embraer e a Monark – todas elas concentradas no ABCD paulista e no Vale do Paraíba.

As empresas justificavam o controle e a colaboração com o regime pela suposta ameaça comunista dos movimentos sindicais. Desde citar os nomes de quem organizasse atos sindicalistas ou vendesse jornais na porta da fábrica, até qualificar algumas mortes como acidentes de trabalho quando de fato não o eram. A polícia, em muitos casos, chegava a receber das companhias milhares de folhas de registros dos empregados que estiveram presentes em greves ou manifestações, com todos os seus dados pessoais, o que poderia levar hoje a processos civis desses funcionários (dos que ainda estão vivos ou de seus familiares) contra as empresas. Não se sabe, porém, se esses dados serviam para evitar futuras contratações por outras empresas ou simplesmente para coleta. Segundo os especialistas, é bastante provável que tenham que ressarcir os afetados, já que não estão amparadas pela lei de Anistia (n.6.683, 1979), que perdoou aqueles que cometeram crimes durante o regime militar no Brasil (1964-1985).

“Os empresários podem ser acusados por crimes de lesa humanidade; 40% dos mortos e desaparecidos durante a ditadura são trabalhadores”, afirma Sebastião Neto, ex-preso político e um dos pesquisadores do grupo de trabalho “Ditadura e repressão aos trabalhadores e ao movimento sindical”, da Comissão Nacional da Verdade. Ainda não se sabe quais deles foram efetivamente detidos por causa da denúncia do empregador. Entre os que chegaram a ser torturados e mortos, também não se sabe ao certo se sofreram tudo isso pela investigação no local de trabalho ou por sua relação com organizações políticas.

O Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops) em São Paulo tinha uma lista com nome e endereços de centenas de trabalhadores de várias fábricas do ABC (Brastemp, Chrysler, Corona, Equipamentos Villares, Ford, Forjaria São Bernardo, Mercedes-Benz, Rolls-Royce, Scania, Volkswagen, entre outros). Também haveria um informante entre os que discutiam a greve da Scania em São Bernardo, em maio de 1978, tida como marco da retomada do movimento sindical, ainda no final da ditadura.

 Saad Murtadha
Saad Murtadha

A LISTA DA MORTE

Na semana passada, a agência Reuters divulgou informações sobre monitoramento da Volkswagen, durante a ditadura, em relação ao então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, e outros dirigentes. “Talvez a Volks tivesse mais expertise”, comentou Neto, que se preocupou em não enfatizar a ação de uma empresa. “O que nós mostramos é um mecanismo contínuo de repressão, o controle no dia a dia dos trabalhadores”, explica. Segundo ele, havia “naturalidade” na relação entre empresas e polícia política.

Os exemplos são vários. “Em Criciúma, você tem um episódio que o empresário conferia a lista dos presos”, diz Neto, citando ainda o caso de uma mineradora (Morro Velho), em Nova Lima (MG) com um grupo de 51 operários “que ficaram impedidos de viver na cidade” – haveria um acordo para não empregá-los em nenhum lugar. Isso ocorreu ainda em período anterior à ditadura. Ainda em Minas, outro caso de destaque é o chamado “massacre de Ipatinga”, na Usiminas, com 13 mortos reconhecidos.

Depois do golpe de 1964, há a suspeita, no grupo de trabalho, de que as estatais foram uma espécie de “laboratório” da repressão. Apenas na Petrobras foram mais de 500 demissões nos seis meses seguintes à queda de João Goulart.

Rosa Cardoso destaca ainda a importância de se conhecer casos de empresas que cresceram durante a ditadura, citando as construtoras Odebrecht e Camargo Corrêa. “Mas também a Globo, empresa de comunicação. A Varig, por exemplo, que tomou o lugar da Panair, numa falência absolutamente fraudulenta que lhe foi imposta.”

Neto lembra que alguns problemas são atuais. “Hoje, o movimento sindical é muito criminalizado nas greves”, afirma, citando a existência de recursos jurídicos como o interdito proibitório. Ou o que ele chama de “uma espécie de naturalidade de a empresa ligar para a polícia para resolver uma contenda trabalhista“.

 

banqueiros movimento greve manifestante indignados banqueiros

Latuff
Latuff

marina tortura

Candidata do Clube Militar
Candidata do Clube Militar

Lula dormiu no DOPS da ditadura revela Tuma Filho

fevereiro25

Romeu Tuma Junior, filho de Romeu Tuma, lembra o poder do pai como delegado da ditadura militar.

Relata a Wikipédia: “Descendente de sírios, Romeu Tuma foi investigador e depois, delegado de polícia do Estado de São Paulo.

Foi diretor geral do Departamento de Ordem Polícia e Social (DOPS) paulista de 1977  a 1982.  De acordo com o livro Habeas Corpus, lançado em janeiro de 2011 pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Tuma participou ativamente na ocultação de cadáveres de militantes políticos assassinados sob tortura e no falseamento de informações que poderiam levar à localização dos corpos dos desaparecidos políticos”.

Importante que o filho recorde. Que Tuma trabalhou em dupla com o delegado Fleury, também sequestrador, torturador e assassino.

Fleury foi condecorado pelo governador Abreu Sodré  e escolhido, pela imprensa, delegado do ano em duas oportunidades (1974 e 1976), em meio a diversas acusações de tortura e homicídios.

Tuma Filho, finalmente, confessa que atuou nos tempos de chumbo.

Lembra: “Eu e o Lula vivemos juntos esse momento. Ninguém me contou. Eu vi o Lula dormir no sofá da sala do meu pai. Presenciei tudo”.

Por liderar as greves dos metalúrgicos da Região do ABC no final dos anos 70 e  início de 1980, Lula foi preso, cassado como dirigente sindical e processado com base na Lei de Segurança Nacional.

Lula DOPS

“Sala” é eufemismo. Pode ser qualquer local de uma delegacia. Inclusive cela. Que naqueles tempos, e  hoje, cada vez mais,  a polícia, sem autorização judicial, realiza as ilegais e arbitrárias prisões debaixo de vara.

Informe histórico do Instituto Baiano  de Direito Processual Penal:

O art. 95 do Código de Processo Criminal do Império, de 1832, dizia:

Art. 95. As testemunhas, que não comparecerem sem motivo justificado, tendo sido citadas, serão conduzidas debaixo de vara, e soffrerão a pena de desobediencia.

No século XX, a palavra “vara” desapareceu do texto legal como ferramenta relacionada à condução dos desobedientes à presença dos magistrados e o termo passou a designar o local do exercício da função judicante, sinônimo de juízo ou tribunal de primeira instância. Porém, o instituto da “condução sob vara” permaneceu no CPP de 1941, com a finalidade original, mas outra formulação. De fato, de acordo com o art. 218 do CPP:

Art. 218.  Se, regularmente intimada, a testemunha deixar de comparecer sem motivo justificado, o juiz poderá requisitar à autoridade policial a sua apresentação ou determinar seja conduzida por oficial de justiça, que poderá solicitar o auxílio da força pública.

Nos tempos da ditadura, suspeitos de crimes políticos eram “convidados” ou intimados ou presos, e ficavam horas ou dias esperando ser ouvidos nas “salas” das autoridades.

Um “convidado” que não comparecesse respondia a processo de desacato à autoridade. Este tipo de stalking policial continua no Brasil de hoje.

A constante presença – as idas e vindas às delegacias  -, principalmente quando solta sem marca de espancamento, ou processo para responder, a vítima passava à condição de suspeita, não para o regime, mas para os que combatiam a ditadura militar. E considerada colaboracionista, informante ou delator. Mesmo que a pessoa cantasse sob tortura.

Esse jogo policial da direita tem parecência com o da esquerda: de pedir a um amigo que guarde livro da lista censurada ou material de propaganda, ou citar uma pessoa neutra em um interrogatório ou simplesmente anotar o nome  de um amigo ou amiga em caderneta de endereço, mesmo  sem nenhuma intenção de comprometer.

Em tempo de guerra suja o mundo fica pelo avesso. E abertas as portas do inferno. Que precisam ser fechadas. Com o fim da prisões conduzidas debaixo de vara pela polícia, notadamente nas manifestações de ruas, com a criminalização dos movimentos sociais, estudantis e greves. As delegacias e presídios estão superlotados. São presos sem processo ou julgamento. E só com a abertura dos arquivos da ditadura, inclusive na justiça, conheceremos os verdadeiros mártires, os sequestradores, os torturadores, os assassinos, os falsos heróis, os alcaguetes, os infiltrados, os exilados de “mentirinha”,  as vítimas da esquerda e da direita.

livro bomba retrato tuma

Divulga a Tribuna da Imprensa

Romeu Tuma Junior, filho de Romeu Tuma e secretário nacional de Justiça do governo Lula entre 2007 e 2010, rompe o silêncio e conta tudo no livro “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado”, publicado pela Editora Topbooks (557 págs., R$ 69.90). O trabalho resulta de um depoimento prestado ao longo de dois anos ao jornalista Cláudio Tognolli. E  Tuma Júnior está com documentos e quer falar no Congresso. Abaixo, seguem trechos de sua entrevista à VEJA.
Por que Assassinato de Reputações?
Durante todo o tempo em que estive na Secretaria Nacional de Justiça, recebi ordens para produzir e esquentar dossiês contra uma lista inteira de adversários do governo. 0 PT do Lula age assim. Persegue seus inimigos da maneira mais sórdida. Mas sempre me recusei. (…) Havia uma fábrica de dossiês no governo. Sempre refutei essa prática e mandei apurar a origem de todos os dossiês fajutos que chegaram até mim. Por causa disso, virei vítima dessa mesma máquina de difamação. Assassinaram minha reputação. Mas eu sempre digo: não se vira uma página em branco na vida. Meu bem mais valioso é a minha honra.

De onde vinham as ordens para atacar os adversários do PT?
Do Palácio do Planalto, da Casa Civil, do próprio Ministério da Justiça… No livro, conto tudo isso em detalhes, com nomes, datas e documentos. Recebi dossiês de parlamentares, de ministros e assessores petistas que hoje são figuras importantes no atual governo. Conto isso para revelar o motivo de terem me tirado da função, por meio de ataque cerrado a minha reputação, o que foi feito de forma sórdida. Tudo apenas porque não concordei com o modus operandi petista e mandei apurar o que de irregular e ilegal encontrei.
(…)

O Cade era um dos instrumentos da fábrica de dossiês?
Conto isso no livro em detalhes. Desde 2008, o PT queria que eu vazasse os documentos enviados pela Suíça para atingir os tucanos na eleição municipal. O ministro da Justiça, Tarso Genro, me pressionava pessoalmente para deixar isso vazar para a imprensa. Deputados petistas também queriam ver os dados na mídia. Não dei os nomes no livro porque quero ver se eles vão ter coragem de negar.

O senhor é afirmativo quando fala do caso Celso Daniel. Diz que militantes do partido estão envolvidos no crime.
Aquilo foi um crime de encomenda. Não tenho nenhuma dúvida. Os empresários que pagavam propina ao PT em Santo André e não queriam matar, mas assumiram claramente esse risco. Era para ser um sequestro, mas virou homicídio.
(…)

O senhor também diz no livro que descobriu a conta do mensalão no exterior.
Eu descobri a conta do mensalão nas Ilhas Cayman, mas o governo e a Polícia Federal não quiseram investigar. Quando entrei no DRCI, encontrei engavetado um pedido de cooperação internacional do governo brasileiro às Ilhas Cayman para apurar a existência de uma conta do José Dirceu no Caribe. Nesse pedido, o governo solicitava informações sobre a conta não para investigar o mensalão, mas para provar que o Dirceu tinha sido vítima de calúnia, porque a VEJA tinha publicado uma lista do Daniel Dantas com contas dos petistas no exterior. O que o governo não esperava é que Cayman respondesse confirmando a possibilidade de existência da conta. Quer dizer: a autoridade de Cayman fala que está disposta a cooperar e aí o governo brasileiro recua? É um absurdo.
(…)

O senhor afirma no livro que o ex-presidente Lula foi informante da ditadura. É uma acusação muito grave.
Não considero uma acusação. Quero deixar isso bem claro. O que conto no livro é o que vivi no Dops. Eu era investigador subordinado ao meu pai e vivi tudo isso. Eu e o Lula vivemos juntos esse momento. Ninguém me contou. Eu vi o Lula dormir no sofá da sala do meu pai. Presenciei tudo. Conto esses fatos agora até para demonstrar que a confiança que o presidente tinha em mim no governo, quando me nomeou secretário nacional de Justiça, não vinha do nada. Era de muito tempo. 0 Lula era informante do meu pai no Dops (veja o quadro ao lado).

O senhor tem provas disso?
Não excluo a possibilidade de algum relatório do Dops da época registrar informações atribuídas a um certo informante de codinome Barba.

“Está naciendo una nueva cultura política”

Entrevista con Raúl Zibechi, escritor y periodista uruguayo

Raúl Zibechi
Raúl Zibechi

 

Debate

 

 

El analista internacional Raúl Zibechi, editor de la sección Mundo del semanario uruguayo Brecha ,  dedicó su último libro Brasil. ¿El nuevo imperialismo? (Lavaca) al análisis geoestratégico del gigante sudamericano.

Como especialista en movimientos sociales, ¿qué lectura hace del estado de malestar y movilización popular en Brasil?-Es interesante pensar cómo está naciendo una nueva cultura política, que incluso se puede comparar con lo que ocurrió en la Argentina, en 2001. Digo nueva, en la medida en que funciona sobre la base de los principios de horizontalidad, autonomía de los partidos y del Estado, apartidismo, pero no antipartidismo. Un espacio juvenil más abierto, que no encuentra lugar en las instituciones. Esto ocurre en un país donde la cultura política siempre ha sido muy autoritaria, caudillista y patriarcal. Y en la que los liderazgos siempre han estado vinculados a la vieja hacienda, a la estancia, al latifundio. Históricamente, la cultura esclavista ha sido muy determinante en este sentido.

-Entretanto, la represión avivó las protestas…-El comportamiento brutal de la Policía Militar en las últimas manifestaciones revela una sociedad poco habituada a este tipo de movilizaciones. Una situación que se agrava en las favelas. Porque Brasil son dos sociedades. Una, la que vive en un barrio común o en el centro de la ciudad y otra, la que vive en las favelas, donde la PM entra con tanques, a la guerra. En este contexto, se desarrollan las obras para el Mundial, que facilitan una suerte de “limpieza social” impulsada por la especulación inmobiliaria, que desplaza a los pobladores de esos predios.

-Respecto de su último libro, usted explora la potencialidad de que Brasil ejerza un nuevo imperialismo en la región. ¿Cómo lo explica?-Brasil fue un “subimperialismo”, es decir, dependiente del Norte y del capital. Un país que implementaba en la región la política de Estados Unidos y una plataforma adonde llegaban las multinacionales para producir y exportar a la región. Hoy, en cambio, tiene capacidad propia de acumulación de capital y tiene sus propias multinacionales. Sin embargo, esto no quiere decir que automáticamente se haya convertido en un imperialismo. En todo caso, es un escenario abierto, que habrá de revelarse en las próximas décadas. Si bien las empresas brasileñas tienen una presencia muy fuerte en la Argentina, así como en Uruguay, Paraguay o Bolivia, la exportación de capital por sí sola no configura un hecho de imperialismo. Tiene que haber además subordinación política y militar. Y Brasil se ha propuesto tener un diálogo con los países de la región para tratar sus contradicciones de forma negociada, caso concreto, las relaciones con la Argentina.

-¿Brasil está actuando débilmente frente a una suerte de reposicionamiento de Estados Unidos en América Latina?-No lo creo. Brasil es como China, trabaja con el gobierno que sea. Lo que no quita que tenga, desde hace mucho tiempo, un proyecto de integración regional autónomo de Estados Unidos que, si bien en el gobierno de Lula se fortaleció, encuentra dificultades enormes de implementación. Hay sectores que impiden el desarrollo de este proyecto, en contraposición a otros que pugnan por más autonomía, como las fuerzas armadas, el aparato de gobierno actual, es decir, el complejo administrativo del Estado federal, y un sector importante del empresariado que ve en América del Sur una gran oportunidad para crecer.

-¿Esto se vincula con la “remodelación de las elites dominantes” que explica en su libro?-Sí, porque las multinacionales brasileñas, muchas de ellas en gran parte estatales, se expanden hacia la región, les interesa la integración regional. Ahora bien, con ellas llega también una clase que domina, en cuya composición, en los últimos años, ha logrado incrustarse un sector partidario, que es el PT, y un sector del movimiento sindical o de la cúpula sindical. El poder de estos dos actores proviene del manejo de los enormes fondos de pensiones de esas empresas. En Brasil, estos fondos en su conjunto representan aproximadamente el 20 por ciento del PBI brasileño.

A sangrenta luta pelo butim do imposto sindical

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Nada mais corrupto e sangrento, no Brasil, que uma eleição sindical. As páginas policiais estão repletas de crimes praticados impunemente.

Pelo que digladiam os pelegos?

Pelas trinta moedas de Judas.

Pela botija de ouro e prata do imposto sindical. Que fica perto dos três bilhões de reais.

Três bilhões que se gasta não se sabe como. Que ninguém presta contas.

A ganância dos pelegos não tem limites.

Não sei se as eleições sindicais dos jornalistas registram algum assassinato. Mas nos últimos dias 16 e 17, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco realizou uma farsa eleitoral, com a participação de capangas da CUT – Central Única dos Trabalhadores.

Central Única?  Até o nome é mentiroso. Porque não é a única. Existem mais cinco ou seis centrais para comer o imposto sindical. Para arranjar grana para ONGs, fundações e outras arapucas. Ou melhor explicado: verbas e mais verbas dos governos Federal, estaduais e municipais. E, em milhares de casos, do patronato, do empregador, do patrão, do escravocrata, do colono, que financia shows & festanças mil & greves de teatro. Um sindicalismo traidor da Pátria que, inclusive, recebe suborno de nações imperialistas.

A urna do prédio abandonado do Sindicatos dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco. A ditadura dos capangas da CUT. A farsa eleitoral a partir de uma ilustração de Mohammad Saba'aneh
A urna do prédio abandonado do Sindicatos dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco. A ditadura dos capangas da CUT. A farsa eleitoral a partir de uma ilustração de Mohammad Saba’aneh

Os votos dessa urna suja e pejada e ilegítima elegeram o presidente cativo da Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas

Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco e a arte de ganhar eleição

Da arte de enfiar quatro votos quadrados no buraco triangular de uma urna governista. Ilustração de Barnard Bouton
Da arte de enfiar quatro votos quadrados no buraco triangular de uma urna governista. Ilustração de Barnard Bouton

Os jornalistas secretários do governo que se encanta quando o povo vai para as ruas, as diretorias da chapa batida do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco e da Central Única dos Trabalhadores (Única no nome, que existem mais cinco ou seis centrais) – CUT e representantes do patronato estiveram reunidos durante a noite do dia 15 e madrugada do dia 16 deste mês para resolver o impasse de arranjar quatro votos para a Chapa Você Sabe Porquê.

Não era nada confortável para o Sindicato, que tem três mil filiados, que a oposição não tivesse nenhum voto.

E assim ficou decidido: que a capangada da CUT separasse quatro votos para os anticandidatos.

Idem permitir a entrada dos oposicionistas, que foram barrados na antevéspera do pleito, na redação do Jornal do Comércio.

Ilustração de Farhad Foroutanian
Ilustração de Farhad Foroutanian

Nada mais legal e democrático.

(Continua)

Centrais sindicais mais um ministério sem mistério

por Luis Carlos

 

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Para que servem as confederações e federais sindicais no Brasil?

No Brasil dos títulos (…) de parco conteúdo, se criou o péssimo habito de “criar coisas, sistemas” e não usar nada; outra grande invenção brasileira é “o provisório se tornar permanente”, ninguém pode negar isso! O Banco de Horas que era específico da área automotiva, naquele período de mudança de sistema produtivo, se espalhou pelo país e se tornou regra; a tripla jornada que descaracteriza a função principal se tornou o modo comum de trabalho, e inibiu a profissionalização para criar um patamar salarial (…).

Após as manifestações populares, convocadas pelo sistema “face book”, e organizadas pelo Movimento do Passe Livre mais, as correntes espontâneas; a velha e boa Resistência; e a palavra de ordem “sem políticos” referindo-se ao Congresso Nacional e os partidos republicanos de representação burguesa e ainda depois, um chamamento para “Greve Geral dos Trabalhadores” convocada dentro do mesmo “espírito de não dependência política”, enganoso, mas por justa causa, o dia 1º de julho, foi a gota d’água. O governo trabalhista, populista e candidatíssimo para 2014 precisava se “engajar no processo” de marketing popular, para dar a direção, ou sugerir isso: o benefício da dúvida!

As Centrais Sindicais foram compelidas pelas próprias Bases das Centrais, que não entendiam (…) porque não participariam, enquanto grupo sindical, de uma manifestação popular, agora, “com suas bandeiras”… As forças ligadas ao PT, ainda com um resquício de esquerda; as forças do PCdoB, limitadas mais usáveis, do PDT, e até do PMDB, que de fato, sempre trouxeram a tira colo uma bandeira de esquerda do lado direito, e uma da direita do lado esquerdo não só pelos acordos, pela sua conduta centralizadora, arrogante e silenciosa. E ainda uma sondagem de opinião do “prólulismo” e do “petismo”, tendo em vistas as próximas eleições.

Neste contexto pouco realista, liberaram as “araras de marketing” e levaram juntas consigo outras Centrais menores como a UGT, ligadas aos “motociclistas de frete”, da grande São Paulo e suas reivindicações, como o “colete air bag” inventada por algum empreendedor terceirizado, e melhor financiamento para motos, e ainda os portuários de Santos que estão ameaçados pela terceirização dos serviços nos portos; pequena parcela de metalúrgicos agregados ao sindicato do ABC e os “metroviários”; uma imagem pálida do que teria sido no passado os “ferroviários”. O centro nervoso da passeata foi no Museu do MASP, um local privilegiado para terminar o passeio, no coração financeiro do Brasil, mais propriamente nos quintais da FIESP.

Em alguns Estados a coisa foi levada à risca, acreditaram e fizeram por merecer atenção e destaque, e também foram companheiros honrados e nada se perde por isso, mas nunca por conta dos objetivos das Centrais e mais pelos autênticos partidos de Esquerda que entenderam sabiamente que deveriam participar, mesmo reconhecendo a precariedade e o limite político das manifestações, mesmo esta que pretendia ser mais profissional.

A ousadia laboriosa da Força Sindical, com um número pequeno de manifestantes, após uma multa aplicada pela justiça, por tentar trancar a rodovia São Paulo/Rio – parabéns os companheiros trabalhadores de Guarulhos –, acabou por desfalecer o ímpeto já abalado pelo dilacerante andamento das manifestações deste dia 11 de julho de 2013.

A “multa”, antes de ser uma multa a ser paga em “espécie” é um “castigo que veio a cavalo e galopante”. Acaso, não era a função das Centrais Sindicais, junto com Confederações Sindicais, Federações Sindicais, Sindicatos na Base, Trabalhadores, deputados da classe trabalhadora e associações proletárias, barrarem esta lei de exceção (Interdito Proibitório) e aumentarem a liberdade sindical, qual bandeira usava o governo nesta hora? Não ficou o governo, 08 anos no poder, assoprando as “orelhas” do infame governo Norte Americano (e europeu)? Pois é, diga-me com quem tu andas que eu te direi quem és! Um neoliberal disfarçado de social!

A conclusão óbvia, mostrada anteriormente no momento oportuno na década de 80 e anos seguintes (quando da mudança da linha de montagem para robótica, a apologia da crise pelas demissões e o acordo neoliberal) , quando as Centrais deveriam começar a fazer o trabalho a que se propuseram na CONCLAT, de organização e emancipação da classe trabalhadora e não fizeram e tiveram duas décadas e muito dinheiro para fazê-lo, foi confirmado agora, a ponto de a CUT e a Força Sindical se esconderem, como “crianças travessas”, como se vivêssemos em regime de exceção, como se fossem “clandestinos”, com medo de multa, não da polícia, que foi “parceira” e colaboradora, morrendo de rir, quando soltavam algumas bombinhas de fumaça, um pouco enfadonho (…) é fato.

Acaso a principal reivindicação não deveria ser fim do Interdito Proibitório no movimento sindical? E sabem o que isso representa para um sindicato autêntico? Poder fazer manifestação em frente ao local de trabalho da categoria sem ser multado, ou acusado no Ministério do Trabalho por assédio aos trabalhadores! Ou receber um Termo de Ajuste de Conduta! Isso cabe aos patrões! Isso significa o “Interdito Proibitório”; que passou nas “barbas das Centrais Sindicais, Federações e Confederações e do governo de duas bandeiras”. E que impede o sindicalismo de esclarecer com todas as letras a questão das mudanças na CLT e a Terceirização.

Acabou! As Centrais, que ousaram aparecer, ao contrário das Federações e Confederações, não representam mais nada, sequer a si mesmas! O que faz as Centrais, que não pode e deve fazer as “estranhamente silenciosas e camufladas”, Confederações, as Federações que são legais, constitucionais e recebem imposto sindical e mensalidades dos sindicatos? Talvez não se prestem a serviços políticos de partidos, ora, esta é a condição sine-qua-non de existência do sindicalismo. Então, façam o trabalho sindical, não basta combater em Brasília, tem que respaldar os sindicatos na base, criar ânimo de potência e apoio aos trabalhadores, “fazer tremer a pequena burguesia que tripudia e explora o trabalho manual”.

Obrigar trabalhadores, por melhores que sejam as razões, a se orientarem por determinado partido, por meio de uma “Central” é no mínimo um contrassenso democrático, especialmente se considerando que o trabalhador conhece apenas uma forma de democracia: o voto. Não aceita pertencer a qualquer partido (…), para “preservar seu direito do voto” nas sagradas urnas “eletrônicas” invioláveis.

Logo, uma Central “partidária” além de ser um “cerco” para com aqueles que por vários e vans motivos não querem “ser partidário”, é autoritarismo inútil para esta execrável função: de forçar alguém a alguma coisa segundo o “seu ponto de vista e interesse difuso aos olhos destes mesmos”.

Especialmente quando este grupo gigantesco de trabalhadores foi condicionado (pela mídia, pela teve Globo, Bandeirantes, Recorde e seus autores, artistas e palhaços etc.) a ter vergonha, das lutas diárias que travam a classe social a que pertence – quer queira quer não – o que define isso, a classe social, são os modos de produção e não o que a pessoa pensa de si, quando pode insinuar-se filha (o) do Criador…
Forçar uma pessoa nestas condições emocionais e psíquicas a “se sentir ligada a um partido”, para ela é uma tripla traição; ao Pai, à liberdade de escolha e à democracia!  O alvo imediato, alcançável de suas contrariedades e revoltas é o Sindicato na base, pobre parceiro!

E pior, elas, as Centrais, cujo nome parece feminino, o que sugere sensibilidade e graça, no entanto é bastante masculino no pior sentido, do macho humano que “perverteu a natureza” e quer “se dar bem a qualquer custo”, e se prestaram, de forma política, e mais sofisticada que as Confederações e Federações a inibir o sindicalismo autêntico, privilegiando com naturalidade, o sindicalismo de pelegos (permitam-me: “newpelage’s”) que sempre estão “alinhados” aos patrões e não “criam problemas”, são educados, bommocistas (Plinio Sampaio), assim como as principais Centrais que não se fazem de rogadas e estão alinhadas à FIESP, à FIRJAN e ao canal “FUTURA”, para manter o “mundinho operário” do único e reduzido parque industrial brasileiro em estado de “glórias ao capitalismo” e isso é o neoliberalismo.

Enquanto as outras categorias, nas periferias das grandes cidades, se amofinam, ora pelos baixos salários, más condições de transporte, saúde; Educação ideológica inútil para trabalhadores; por outro lado, a execrada e imunda meritocracia; criticas aos sindicatos (impedidos pela lei); o retorno implacável do “chefismo marimbondo”: que irrita pelo som e destila veneno; tripla jornada de trabalho; falta de especialização, isonomia “na linha do ajudante geral” para reduzir ganhos; acidentes de trabalho por falta de ferramentas apropriadas etc.

Voltando às Centrais, como desativar este “elefante branco de tetas parlamentares”. O exemplo de Brasília e em cada Município mostra o quão difícil é tirar os “predestinados”, que aumentam a cada nova eleição; os que perdem sempre arrumam cargos! Depois os parentes!

“Fechar as portas”, se redimir publicamente do “apagão trabalhista”, seria o melhor a fazer, para mostrar honra, dignidade e exemplo à classe trabalhadora! E começaríamos de novo, de maneira diferente, a partir deste exemplo.

De outra forma para não se perder esta experiência acumulada daqueles que atuam nas Centrais e acreditando que ainda sejam classistas nesta conjuntura capitalista e neoliberal, as Centrais deveriam continuar atuando na forma política, para poder se contrapor na medida certa ao economismo sindical e o “peleguismo”.

Os grandes desafios das Centrais são dois: um, é abrir mão da porcentagem do imposto obrigatório, para que os sindicatos recebam mais e acabem de vez com a contribuição assistencial; dois que as federações e confederações sindicais sejam oxigenadas pela política por intermédio da criação de Câmaras de Política Sindical e Economia.

Estas pessoas adensadas às Confederações e Federações, a título de organização política sindical podem cumprir duas funções fundamentais:

1) “Tirar da conveniente penumbra”, as Confederações e Federações, dando destinação política e informativa a todos os sindicatos, sem distinção de categoria, aos excelentes e excedentes recursos destas entidades, e retornando-as ao estado de origem, da condição de sua existência: os trabalhadores; via sindicatos; 2) Acabar definitivamente com o “atrelamento” político e a ilusão do controle sindical por partidos políticos, que restringe a atuação sindical aos modos do parlamento burguês e afasta os trabalhadores.

Os Sindicatos na base foram as vitimas da “divisão dos recursos do imposto sindical obrigatório”, tiveram reduzido o repasse do dinheiro e se obrigaram a “emboscada da contribuição assistencial”, quando ficaram vulneráveis. E as Centrais (…), ou direções atreladas aos partidos, apenas aguardavam o momento histórico de os Sindicatos na base descobrirem isso: quando das mudanças na CLT e a aprovação da Terceirização!

A armadilha: se o sindicato é pelego, ou não tem iniciativa política sindical, não cria indisposições com o patrão em defesa dos trabalhadores; se o sindicato é autêntico e classista, sofre pressões de todos os lados e se torna objeto de um expediente mais sórdido, quando as “entidades patronais” elaboram uma “cartinha” e dispensam os trabalhadores para que entreguem a “cartinha se isentando da contribuição assistencial ao sindicato”.

A sordidez fica por conta, da aliança entre “empregados e patrões”. Os “cartistas” crescem na proporção do aumento do imposto assistencial e redução dos salários pela inflação, e o incentivo da ética do Departamento de Recursos Humanos e as Centrais, as Federações e Confederações se fazem de mortas e cumplices?

Quanto aos sindicatos “cordatos”, logo serão substituídos pelos sindicatos dentro das empresas. Eles próprios sabem que serão sacrificados, e não fazem nada! E os trabalhadores são deixados à própria sorte!

Nada disso é fácil, por muito menos, o Sindicato dos Rodoviários de São Paulo, se envolveram com crimes hediondos, o mesmo aconteceu em Santo André com um Prefeito!

Não é a hora de dar um basta neste modelo fascista e mafioso de controle sindical, tendo como partícipe toda a estrutura sindical e parte da estrutura política? Manter isso como esta, significa oposição aos trabalhadores, então se define uma política, uma política fascista de oposição à classe trabalhadora.

Como nunca, as Centrais Sindicais, as Federações e Confederações Sindicais, tem uma única oportunidade de mudar isso. Basta coragem e desprendimento! Coisa que qualquer trabalhador faria sem o menor susto!

Os Sindicalistas Deputados, ligados ao governo, aprovaram no Congresso, Lei que determinava o repasse de 10% da Contribuição Sindical Obrigatória, às Centrais Sindicais. Isso fez com que o repasse aos sindicatos de todo o país diminuísse em alguns meses no ano e isso os obrigou a mais uma contribuição, a Contribuição Assistencial. São 15 mil e aumentando (…) dia após dia o número de Sindicatos que participam do “bolo” e movimenta um valor que atinge R$2,4 bilhões por ano, logo, a Reforma sindical é mais importante que a trabalhista.

Nas periferias mais incautas da política sindical, fazem crer (a mídia, o sindicato patronal, as associações patronais e entidades de classe burguesas, os Rotary’s, as damas da sociedade, os homens de fé etc.) que a Convenção Coletiva é apenas uma formalidade e que são os patrões quem dão o aumento (!) e não o Sindicato.

Anula por este elementar e absurdo argumento, e também pela oposição aos trabalhadores do histórico sindical, a convenção anual, entre o Sindicato dos Trabalhadores e o Sindicato Patronal (seus advogados, contadores, e associações comerciais) que chega a durar quatro meses, de difícil negociação, quando não parte para dissídio e o aumento fica a cargo da justiça, que repassa o valor do INPC sugerido pelo governo federal de dupla bandeira e segundo cálculos de órgãos especializados de pesquisa.