AMANHÃ É OUTRO DIA

por Talis Andrade

dança da morte

Do jornalista
o trabalho cotidiano
da colheita
De tarde a notícia
De noite o trevo

O jornalista vive
como em tempo de peste
Beber divertir-se
na dança macabra
da madrugada
a dança de São Vito
É tudo aqui-e-agora
que no meio da vida
seremos surpreendidos
pela morte

O jornalista vive
o presente finito
Tudo que escreve
tem a louvação
de um dia

O jornalista vive
o instante
a emoção
do amor
de uma noite

O jornalista vive
o pressentimento
Amanhã pode ser dia de desemprego
Amanhã pode ser dia de enterro

Dança Macabra, por Frantisek Kupka
Dança Macabra, por Frantisek Kupka

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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